Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CONTRIÇÃO E ATRIÇÃO

CONTRIÇÃO E ATRIÇÃO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Haurietis Aquas”, promulgada em 15 de Maio de 1956:

«Com muita razão, pois, o Coração do Verbo Encarnado é considerado índice e símbolo do tríplice amor com que o Divino Redentor ama contìnuamente o Eterno Pai, e todos os homens. Ele é, antes de tudo, símbolo do Divino Amor, que n’Ele é comum com o Pai e com o Espírito Santo, e que só n’Ele, como Verbo Encarnado, se manifesta por meio do caduco e frágil instrumento humano, “pois n’Ele habita corporalmente a plenitude da Divindade”(Cl 2,9). Ademais, o Coração de Cristo é símbolo da enérgica Caridade, que infundida em Sua Alma, constitui o precioso dote da Sua Vontade Humana, e Cujos actos dão dirigidos e iluminados por uma dupla e perfeita ciência: A Beatífica e a Infusa. Finalmente, e isto de modo mais natural e directo, o Coração de Jesus é símbolo do Seu Amor sensível, já que o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, plasmado no seio imaculado da Virgem Maria, por obra do Espírito Santo, supera em perfeição, e portanto em capacidade perceptiva, qualquer outro organismo humano.

Instruídos pelos Sagrados textos, e pelos símbolos da Fé acerca da perfeita consonância e harmonia reinante na Alma Santíssima de Jesus Cristo, e a respeito do facto de Ele haver dirigido, com finalidade Redentora, todas as manifestações do Seu tríplice Amor; com toda segurança podemos contemplar e venerar no Coração do Redentor Divino a Imagem eloquente da Sua Caridade e o testemunho da nossa Redenção, e como que uma mística escada para subir ao amplexo de “Deus Nosso Salvador”(Tit 3,4). Por isso, nas palavras, nos actos, nos ensinamentos, nos milagres, e especialmente nas obras mais esplendorosas do Seu Amor para connosco, com a Instituição da Divina Eucaristia, e Sua dolorosa Paixão e Morte, a benigna doação de Sua Santíssima Mãe, a fundação da Igreja para proveito nosso, e finalmente a Missão do Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre nós, em todas essas obras, repetimos, devemos admirar outros tantos testemunhos do Seu tríplice Amor, e meditar as pulsações do Seu Coração, com as quais Ele quis medir os instantes da Sua Peregrinação terrena até o momento supremo em que, como atestam os Evangelistas, “clamando com grande voz, disse: Tudo está consumado. E inclinando a cabeça entregou o espírito” (Mt 27,50);(Jo 19,30). Então o Seu Coração parou e deixou de bater, e o Seu amor sensível permaneceu como que em suspenso, até que triunfando da morte, Ele Se levantou do sepulcro. Depois que o Seu Corpo conseguiu o estado da Glória Sempiterna, Se uniu de novo à Alma do Divino Redentor, vitorioso da morte, o Seu Coração Sacratíssimo nunca deixou, nem deixará de palpitar, com imperturbável e plácida pulsação, NEM TÃO POUCO CESSARÁ DE DEMONSTRAR O TRÍPLICE AMOR COM QUE O FILHO DE DEUS SE UNE A SEU PAI ETERNO E À HUMANIDADE INTEIRA, DE QUEM É, COM PLENO DIREITO, A CABEÇA MÍSTICA.»

 

O danado princípio da liberdade religiosa, destruindo todo o Dogma, toda a Moral, e toda a sã Filosofia, necessàriamente arruinou, de direito e de facto toda e qualquer possibilidade de contrição e de atrição. Efectivamente, se se concebe a Religião, ou ausência dela, como matéria de livre opção do indivíduo, extingue-se qualquer sombra, por remota que seja, de obrigatoriedade objectivamente conformadora da inteligência e da vontade. O resultado é o ATEÍSMO. E no caso de ainda restar alguma religiosidade, o “deus” assim concebido, mais não é do que um lúgubre fantasma do verdadeiro Deus Nosso Senhor, totalmente insusceptível de mover à contrição e até mesmo à atrição. Nunca podemos olvidar, que mesmo a atrição tem que constituir um acto estritamente Sobrenatural, pelo qual, sob o influxo da Graça de Deus, não só detestamos o pecado, por causa do castigo, mas também procuramos, objectivamente, remover todo o afecto ao mal; na expressão dos Padres do Sagrado Concílio de Trento:”Começamos a amar a Deus”. Neste quadro conceptual, a Santa Madre Igreja sempre ensinou, que a atrição é um acto integralmente Sobrenatural, pela moção da Graça, pelos motivos da dor, que são o castigo Sobrenatural do Inferno, e pela finalidade que é a salvação Eterna no Reino dos Céus. Ora o “deus” de Descartes, o “deus” de Newton e do deísmo em geral, não só não impõe castigos, como renega totalmente a Ordem Sobrenatural, a única pela qual podemos e devemos ser salvos.  Porque não basta para a atrição o receio, e até o pavor, de uma punição natural, não, é necessário que seja de um castigo Sobrenatural. Assinale-se também, que a atrição tem que ser objectiva, porque o receio do castigo Divino deve redundar na detestação Sobrenatural do mal em sentido eminentemente objectivo. COMO ESTAMOS INFINITAMENTE LONGE DAS ELUCUBRAÇÕES DO MAÇÓNICO VATICANO 2 SOBRE A DIGNIDADE HUMANA, INDEPENDENTEMENTE DA VERDADE E DO BEM OBJECTIVOS!  

Se a atrição é medularmente impossível no modernismo; muito mais a contrição, a qual implica necessária e antecedentemente a Caridade perfeita, o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas. Porque se na atrição É A RECEPÇÃO DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA, COM A RESPECTIVA ABSOLVIÇÃO, QUE IRRADIA NA ALMA A CARIDADE PERFEITA, SEM A QUAL NINGUÉM SE PODE SALVAR; NA CONTRIÇÃO PERFEITA OS PECADOS SÃO DETESTADOS, FORMALMENTE, SÓ POR OFENDEREM A DEUS NOSSO SENHOR, PORQUE VIOLAM A LEI INCRIADA DA VERDADE E DO BEM INFINITO, PORQUE DISSIPAM O SANGUE PRECIOSÍSSIMO DE NOSSO SENHOR, DERRAMADO NA CRUZ. Constitui Dogma de Fé que a contrição perfeita obtém de Deus, imediatamente, o perdão dos pecados mortais e veniais, pois que necessàriamente integra o desejo de recorrer ao Santo Tribunal da Penitência, logo que seja possível.

É muito salutar, edificante e Sobrenaturalmente purificador, que possamos, com o auxílio da Graça Divina, sentir não apenas a contrição perfeita, mas também a atrição dos nossos pecados. Efectivamente, tal nos conservará num estado de maior humildade, bem como de maior adoração pela Soberania Divina.    

A razão última pela qual a contrição perfeita perdoa os pecados, deve procurar-se na sua maior OBJECTIVIDADE, porque se insere directamente na Essência da Verdade e do Bem, no Fundamento dos fundamentos, na Realeza absoluta d’Aquele que É. Ao passo que a atrição começa por se apoiar no interesse próprio daquele que sofre, ou sofreria, o castigo Eterno; embora posteriormente proceda a uma objectivação, na exacta medida em que começa a detestar, não apenas o castigo – o que seria servilismo e não atrição – MAS O MAL EM SENTIDO OBJECTIVO E UNIVERSAL; E É PRECISAMENTE AQUI QUE COMEÇA A AMAR A DEUS.

A contrição e a atrição, conquanto Sobrenaturais, são realidades paradigmáticas das nossas vicissitudes aqui na Terra, enquanto esperamos merecer o Céu. Existem pessoas tão profundamente ancoradas na Verdade e no Bem, tão exaltantemente possuídas do amor a Deus, durante toda a sua vida, que a sua peregrinação terrena constitui uma impressionante linha recta de uma inexaurível e inabalável objectividade. Outras porém, caminham vacilantes, o seu acesso à Verdade é pautado por múltiplos acidentes que as obrigam a reflectir sobre si próprias, e só paulatina e sofridamente, com muito apoio de bons sacerdotes, de familiares e de amigos, acedem à plena objectividade; e nela só permanecendo com o continuado concurso de outrem.

Uma coisa é certa: No modernismo, que na forma mais extrema equivale a ateísmo, não havendo recta concepção Sobrenatural de Deus, NÃO PODE EXISTIR VERDADEIRA OBJECTIVIDADE, MESMO NO CONHECIMENTO INTELECTUAL NATURAL, E CONSEQUENTEMENTE NÃO PODE EXISTIR UMA REAL DISTINÇÃO ENTRE O BEM E O MAL. NÃO PODE HAVER QUALQUER ESPÉCIE DE CONTRIÇÃO NEM ATRIÇÃO, APENAS MÁGOA POR DANOS SOCIAIS CAUSADOS. Por isso Bergoglio utiliza o aforismo ateu “vive e deixa viver,”isto é: Não provoques danos sociais e ecológicos, os únicos que existem. Todavia as verdadeiras raizes das excentricidades blasfemas de Bergoglio encontram-se todas nos documentos do Vaticano 2, pois foi aí que SE DEMOLIU A INCONDICIONALIDADE DA FÉ CATÓLICA.

Mas o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus – É INCONDICIONAL! A fuga e a renúncia a tudo o que possa ofender a Deus, mortal ou venialmente – É INCONDICIONAL! A profissão positiva da Fé e da Moral católica, na consecução e concretização de uma operação moral tendencialmente Santa – É INCONDICIONAL!

Exactamente porque os Novíssimos do Homem são absolutamente incondicionais, e o modernismo arruinou também os Novíssimos. Porque no modernismo o próprio conceito de imortalidade natural da alma foi obliterado. E se é assim, para quê envidar qualquer esforço para praticar o Bem?

A distinção absoluta e incondicional entre o Bem e o mal é tão imperativa, que não existe uma só  página da Bíblia em que ela se não imponha, vigorosa e irrevogàvelmente, ao leitor.

Da contrição e da atrição só ficou isenta a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria Nossa Senhora; mesmo os maiores santos, pelo menos venialmente, pecaram.

E não se pense que no Antigo Testamento, pelo facto de não haver Sacramentos pròpriamente ditos – ou seja sinais sensíveis da Graça que instrumentalmente causam – não existiriam sinais legais e rituais dessa mesma Graça. A circuncisão constituía o sinal instituído para demonstrar o perdão do pecado original. Os sacrifícios de animais, os quais incorporavam as atitudes Latrêutica, Eucarística, Expiatória, e Impetratória, figuravam, ainda que muito imperfeitamente, o Sacrifício Supremo de Nosso Senhor, renovado incruentamente no Altar, e revelavam a contrição e atrição no seio do povo eleito, que embora também imperfeitas, peregrinavam em direcção à Plenitude da Revelação e à perfeição da Caridade Sobrenatural. Como proclamou o Profeta Isaías: “Haurireis com gáudio, as Águas da Fonte do Salvador” (Is 12,3).

Não olvidemos que sem o Sacrifício do Calvário não poderiam existir, nem a contrição, nem a atrição, pois o pecado de Adão ao encerrar as Portas do Céu, secara igualmente as fontes da Graça.

Como afirmava o Papa Pio XII, assim como na Sua vida mortal Nosso Senhor peregrinou na Terra um caminho de imensa Misericórdia que culminou na Cruz; assim no Reino dos Céus continua, através do ano Litúrgico, percorrendo as sendas da santificação do Seu Corpo Místico, derramando incessantemente as Graças que nos mereceu “de condigno”, e que Sua Santíssima Mãe, “de congruo”, mediou.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 11 de Junho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Anúncios

Uma resposta para “CONTRIÇÃO E ATRIÇÃO

  1. Zoltan Batiz junho 16, 2017 às 8:50 pm

    “O danado princípio da liberdade religiosa, destruindo todo o Dogma, toda a Moral, e toda a sã Filosofia, necessariamente arruinou, de direito e de facto toda e qualquer possibilidade de contrição e de atrição.”
    Pois sim. Como todos concordamos, a raiz é a fé. Se a fé estiver errada, lá vai a moralidade. Depois a lógica e as ciências da matéria. Pois vem o dito materialismo e todo o caos.
    Portanto, se eliminaram o dogma (à la Vaticano segundo), lá vai tudo. Já discuti isto varias vezes, não só em comentários, mas também uns artigos, uns deles até publicados por Roma Mariana.
    Agora, no caso da atrição: esta basta para uma confissão sacramental, mas é insuficiente sem uma absolvição sacramental, como sabemos.
    Mas para termos isto, é indispensável que paremos de pecar e o motivo para isto deve ser sobrenatural (id est, não por causa da saúde, mas por não ofender Deus). Quantas pessoas que ainda lembram-se disto?
    Diz o catecismo, que mesmo para a atrição devemos ter a fé, e para que termos contrição, ainda a fortiori. Logo, para termos a certeza que a nossa contrição é boa, temos de praticar cada dia.
    E na nova igreja conciliar (a dita igreja novus ordo) os actos de contrição e comunhão espiritual não se ensinam.
    A verdadeira objectividade, como já o Alberto, e até eu disse bastantes vezes, desapareceu.
    Agora, voltando para as conclusões do Arai, a raiz da todas das crises, mesmo duma crise económica/financeira é uma crise na fé.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: