Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

VIRTUDE FORMAL SOBRENATURAL E RESULTADO CONCRETO E MATERIAL

 

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Haurietis Aquas”, promulgada em 15 de Maio de 1956:

«E assim, do elemento corpóreo, que é o Coração de Jesus Cristo, e do Seu natural simbolismo, é legítimo e justo que, levados pelas asas da Fé, nos elevemos, não só à contemplação do Seu Amor sensível, porém a mais Alto, até a consideração e adoração do Seu excelentíssimo Amor infuso, e finalmente, num voo sublime e doce ao mesmo tempo, até à meditação e adoração do Amor Divino do Verbo Encarnado, já que à Luz da Fé, pela qual cremos que na Pessoa de Cristo estão unidas a Natureza Humana e a Natureza Divina, podemos conceber os estreitíssimos vínculos que existem entre o amor sensível do Coração físico de Jesus e o Seu duplo amor espiritual – o humano e o Divino. Em realidade, não devem esses amores ser considerados simplesmente como coexistentes na adorável Pessoa do Redentor Divino, mas também como unidos entre si com vínculo natural, visto que ao Amor Divino está subordinado o humano, espiritual e sensível, OS QUAIS SÃO UMA REPRESENTAÇÃO ANALÓGICA DAQUELE. Com isso não pretendemos que no Coração de Jesus se deva ver e adorar a chamada Imagem Formal, quer dizer, a representação perfeita e absoluta do Seu Amor Divino, não sendo possível, como não é, representar adequadamente, por qualquer Imagem criada a íntima essência desse amor; mas a alma fiel, venerando o Coração de Jesus, adora juntamente com a Igreja o símbolo e como que a marca da Caridade Divina, Caridade que com o Coração do Verbo Encarnado chegou até a amar o Género Humano, contaminado com tantos crimes.

Portanto, neste assunto tão importante como delicado, é necessário ter sempre presente que a verdade do simbolismo natural, que relaciona o Coração físico de Jesus com a Pessoa do Verbo, repousa toda na Verdade primeira da União Hipóstatica; quem isto negasse renovaria erros mais de uma vez condenados pela Santa Igreja, por contrários à Unidade da Pessoa de Cristo em duas Naturezas íntegras e distintas.

Essa Verdade fundamental permite-nos entender como o Coração de Jesus é o Coração de uma Pessoa Divina, quer dizer, do Verbo Encarnado, e que, por conseguinte, representa e nos põe ante os olhos todo o Amor que Ele nos teve e ainda nos tem. E aqui está a razão por que, na prática, o culto do Sagrado Coração de Jesus é considerado como a mais completa profissão da Religião Cristã. Verdadeiramente, a Religião de Jesus Cristo funda-se toda no Homem-Deus Mediador; DE MANEIRA QUE NÃO SE PODE CHEGAR AO CORAÇÃO DE DEUS SENÃO PASSANDO PELO CORAÇÃO DE CRISTO, CONFORME O QUE ELE MESMO AFIRMOU:”EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA. NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM” (Jo 14,6). Assim sendo, fàcilmente deduzimos, que pela própria natureza das coisas, o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é o culto ao Amor com que Deus nos amou por meio de Jesus Cristo, e ao mesmo tempo o exercício de Amor que nos leva a Deus e aos outros homens; ou dito de outra forma, este culto dirige-se ao Amor de Deus para connosco, propondo-O como Objecto de adoração, de acção de Graças e de Imitação; e tem por fim A PERFEIÇÃO DO NOSSO AMOR A DEUS E AOS HOMENS, mediante o cumprimento cada vez mais generoso do “MANDAMENTO NOVO”, que o Divino Mestre legou como Sagrada Herança aos Seus Apóstolos quando lhes disse:”UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU, QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI”.»

 

Este paupérrimo mundo não concede importância alguma à verdadeira Virtude Sobrenatural, nem hoje, nem ontem, nem  em tempo algum, em lugar algum; EXACTAMENTE PORQUE O ÓDIO À VIRTUDE CONSTITUI PARTE ESSENCIAL DA NATUREZA MORAL DO MUNDO, TAL COMO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO O DEFINIU: O PRIMEIRO E MAIS TERRÍVEL INIMIGO DA ALMA.

Uma realidade quase sòmente mobiliza as pessoas do mundo: A EFICÁCIA MATERIAL; POIS SÓ ESTA É GERADORA DE RIQUEZA E PODER. Ora, Nosso Senhor Jesus Cristo admoestou-nos severamente para a caducidade intrínseca dos meios materiais, ainda que legítimos, face ao valor Eterno dos Bens Sobrenaturais. A casa sobre rocha da parábola Evangélica, consiste precisamente numa vida edificada sobre o ascendente absoluto da bondade Sobrenatural das nossas acções face à sua eficácia material.

Na escola, nos empregos, sempre houve pessoas que, com a Graça de Deus, se esforçavam por executar, um trabalho, um serviço, que embora ficasse, materialmente, muito longe da perfeição, incorporava e irradiava a Caridade Sobrenatural, a vontade de cumprir, o melhor possível a Lei de Deus, ou seja, precisamente aquela disposição celestial de que este mundo mau se ri e despreza afrontosamente.  

É inteiramente falsa aquela concepção que concebe a Teologia Moral como abrangendo as realidades necessárias apenas à salvação Eterna, remetendo para a Teologia Ascética e Mística tudo o que é necessário para a Santidade. É falsa esta concepção, em primeiro lugar porque no Céu só há santos, e depois porque quem não trabalhar a sério para a santidade e se detiver dizendo: “Isto já basta”; essa alma condenar-se-á quase de certeza. PORQUE, NA VIDA ESPIRITUAL, QUEM PÁRA – RECUA!

Consequentemente, a nossa vida tem que reflectir, o mais possível, a Imagem de Deus Nosso Senhor, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem; é imperioso que a nossa alma se insira nos pensamentos e nos afectos Soberanos do Verbo Encarnado. Certamente, mesmo que Deus nos conceda uma vida longa na Terra, e por mais que, com o auxílio de Deus, meditemos e contemplemos os Mistérios Sobrenaturais, permaneceremos sempre infinitamente aquèm da realidade Divina em Si mesma. E a própria visão Beatífica não é plenamente compreensiva, porque é metafìsicamente impossível ao finito compreender o Infinito. Mas tal não nos dispensa, bem pelo contrário, de procurarmos tender, sempre e cada vez mais, para Deus; porque quanto mais ascendermos rumo à Verdade Infinita, MAIS NECESSIDADE TEREMOS DELA, E MAIS INTENSAMENTE A ELA NOS ORDENAREMOS.

Santa Bernadette de Lourdes (1845-1879) era uma religiosa doente, com muito pouca serventia, mesmo dentro do Convento, mas tudo o que realizava era plenamente com espírito e intenção verdadeiramente Sobrenatural; e foi assim que se santificou, ajudando no que podia as irmãs enfermas, oferecendo a Deus os seus próprios padecimentos, incluindo as humilhações que sofria. São Domingos Sávio (1842-1857) também possuía pouca saúde, mas só procurava elevar-se para Deus. Numa redacção escolar versando o tema dos maiores desejos alimentados pelos pequenos alunos, ele escreveu: “Peço a Deus que me faça santo”. Repare-se que ele não afirmou que queria ser santo, mas que queria que Deus Nosso Senhor o fizesse santo. E o que é facto é que se tornou o confessor mais jovem da História da Igreja.

A  SANTIDADE NÃO DEPENDE DA GRANDEZA E EFICÁCIA DAS OBRAS FEITAS. ESSE MÉRITO, PURAMENTE MATERIAL, PRIVADO DA GRAÇA, DEIXÊMO-LO PARA O MUNDO MAU. ALÉM DISSO, A GRAÇA ATRAI A GRAÇA, OS DONS DO ESPÍRITO SANTO ATRAEM OS DONS, PORQUE OS BENS SOBRENATURAIS CONSTITUEM CONDIÇÃO INTRÍNSECA PROVIDENCIAL DE NOVOS BENS. E NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, CONSOLAÇÃO MAIOR DO QUE AQUELA QUE PROMANA DA CONSCIÊNCIA SOBRENATURAL DO DEVER CUMPRIDO.   

Certamente, neste mundo é legítima e necessária a perfeição técnica, sem a qual é impossível o exercício de determinadas profissões, não é isso que está em causa, na exacta medida em que se pode ser um óptimo profissional e um óptimo católico. Mais ainda, a Graça de Deus, o organismo Sobrenatural, aperfeiçoam e nobilitam de tal modo, extrìnsecamente, todo o composto corpo-alma, que a competência profissional, frequentemente, muito se enriquece. Todavia, não possuindo carácter milagroso, esse organismo Sobrenatural não pode suprir certas carências essenciais da natureza. Mas como Deus Nosso Senhor criou o mundo  reflectindo natural e contingentemente as perfeições Incriadas, e na Ordem Sobrenatural como participando delas mesmas; é por demais evidente, que enquanto os homens, a título individual e colectivo, cumprirem as determinações Divinas, O MUNDO PROSPERARÁ, MESMO NUMA ORDENADA E SUFICIENTE EFICÁCIA TEMPORAL E TÉCNICA. Muito pelo contrário, o real e concreto progresso técnico que verificamos, totalmente desacompanhado da necessária forma Religiosa e Moral, em vez de edificar, trucida as almas, projectando-as no abismo. Monsenhor Lefebvre recordava muitas vezes como no seu apostolado africano testemunhara como o progresso religioso e moral das aldeias era indissociável de um certo bem estar temporal, mas numa perfeita proporção, nunca um progresso temporal que comprometesse o Bem Sobrenatural.

Mesmo aqueles que por dever familiar, hierárquico e orgânico, são obrigados a possuir e a transmitir riqueza aos seus descendentes, podem e devem cumprir o dever religioso de sobriedade e desapego dos bens terrenos considerados em e por si mesmos. Os ricos condenados por Nosso Senhor no Evangelho são aqueles que nutrem um apreço desordenado pelas coisas da Terra, QUER AS POSSUAM DE FACTO, QUER NÃO. Uma pessoa pode ser materialmente pobre e amar descompassadamente os bens que não tem – e queria, DESENFREADAMENTE, ter!

A grande ruína religiosa e moral dos homens reside, essencialmente, na ausência daquele equilíbrio material de operação que, sobrenaturalmente, assumido faz os santos. O pecado original transtornou profundamente a hierarquia dos seres e dos fins que deve presidir a toda a vida intelectual e moral. Neste quadro conceptual, a História Universal apresenta-se como o reino da força e da bestialidade, e jamais como o Reino da inteligência elevada pela Graça e preparando-se para a Eterna Glória. E a imensa tristeza que recobre essa hegemonia da força bruta face aos valores do espírito que conhece, ama e serve a Deus, operou no Coração do Verbo Encarnado, imensamente mais sensível do que o de qualquer outro homem, aquela intraduzível e Sagrada Agonia do Horto, em que a Sua Inteligência humana contemplou a História Universal, que com todo o seu oceano negro de pecados, de crimes de toda a espécie, faz resplandecer, apesar de tudo, com inefável fulgor, a Caridade perfeitíssima dos eleitos, bem como a Luz Sobrenatural da Santa Madre Igreja, inexoràvelmente sempre perseguida, MAS SEMPRE E ETERNAMENTE DIVINA.       

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 21 de Junho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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