Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

II – FÁTIMA: REVELAÇÃO PRIVADA OU PROFECIA PARA NOSSOS TEMPOS?

Pro Roma Mariana

A verdade sobre a Mediação universal de Maria, ligada em modo especial ao Evento de Fátima, é sistematicamente lembrada neste sito. O temos feito recorrendo à alguns abalizados testemunhos pelos quais à idéia de enquadrar Fátima simplesmente como «revelação privada» é alheia a toda a realidade. Neste sentido temos o breve texto de Dom Antônio de Castro Mayer apresentando meu livro de 1987 «Entre Fátima e o Abismo». S. Excia. sempre deixou clara essa relação estreita de Fátima com a verdade da «Mediação universal de Nossa Senhora, da qual se ocupou.

E há diversos outros estudos sobre essa verdade, que já podia ter sido proclamada dogmática depois de tantas intervenções de Maria Santíssima na história recente para o bem das almas. Citamos o de mons. Rudolph Graber, bispo de Regensburg, autor de «Atanásio e a Igreja do Nosso Tempo», que disse em 1965: “Deve fazer-se uma distinção cuidadosa entre a revelação pessoal e aquelas cuja mensagem se declara ser para toda a humanidade. A primeira pode ser ignorada com equanimidade. As outras, porém, devem ser tomadas a sério. A Mensagem de Fátima pertence a esta categoria.”

Portanto, Fátima não pode ser vista apenas como uma revelação privada opcional; mas situa-se numa categoria mais elevada, a definir, de revelação pública e profética, que impõe uma obrigação à Igreja e a todos os Católicos por muitas razões. Em primeiro lugar a Mensagem de Fátima é pública e dirige-se a toda a humanidade, contendo avisos de consequências muito graves se não for escutada. Em seguida lembremos que a Mensagem foi ratificada por Deus por meio do grande Milagre do Sol, testemunhado por pelo menos 70 mil pessoas, Ainda, essa Mensagem foi profética – portadora de profecias que se realizaram.

A Igreja pronunciou-se sobre a Aparição que trouxe a Mensagem de Fátima, considerando-a verdadeira. O eminente teólogo, Padre Joseph de Sainte Marie, Carmelita e, escreveu: Em primeiro lugar a Mensagem de Fátima é pública e dirige-se a toda a humanidade, contendo avisos de consequências muito graves se não for escutada. Em seguida lembremos que a Mensagem foi ratificada por Deus por meio do grande Milagre do Sol, testemunhado por 70 mil pessoas, Ainda, essa Mensagem foi profética – portadora de profecias que se realizaram. A Igreja pronunciou-se sobre a Aparição que trouxe a Mensagem de Fátima.

O Padre Joseph de Sainte Marie, Carmelita e eminente teólogo (falecido na década de 1980), escreveu: “Uma vez que o Papa tenha julgado e reconhecido que uma profecia procede, na verdade, de Deus, então ele tem de lhe obedecer – não como quem obedece ao profeta, mas como quem obedece a Deus.” E Nossa Senhora prometeu e cumpriu: “Farei um milagre que todos hão de ver, para crer”, do Pontífice aos mais humildes fiéis.

A Verdade essencial da Mensagem de Fátima é a da Mediação universal de Maria!

Sob o título acima, publicamos o texto do padre Messias Coelho, conhecido teólogo de Fátima, e aqui publicamos aqui um resumo da Homilia no Santuário de Fátima em 13 de maio de 1987, do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, nomeado em 1971, Patriarca de Lisboa, sucedendo a cerca de quatro décadas de pontificado de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, prosseguindo a obra, nos termos novos, em Portugal de antes e depois do 25 de Abril.

A CONTEMPLAÇÃO E O AMOR NA MENSAGEM DE FÁTIMA

Acção de graças nelas aparições

1 – Há setenta anos, num dia treze de Maio como o de hoje, a Senhora que veio do Céu; apareceu pela primeira vez aos pastorinhos da Cova da Iria.

Foi aqui, neste lugar desde então particularmente abençoado, que a Virgem Maria, Mãe de Deus, dada também por Mãe aos homens no alto do Calvário, fez ouvir a sua mensagem de salvação e de paz, de contemplação e de amor, destinada à humanidade do nosso tempo. Aqui, no planalto da Serra de Aire, onde a terra se aproxima do céu, foi concedido às gerações do século XX o grande sinal da misericórdia e da benevolência divinas. Manifestou-se aqui, através das aparições de Nossa Senhora, a voz potente de Deus compassivo e cheio de bondade a chamar os homens ao arrependimento e à conversão, à indispensável dimensão contemplativa da existência cristã e à prática essencial do amor de Deus e do amor fraterno, sempre solidário com as necessidades espirituais e materiais das pessoas e das comunidades humanas. Ao longo dos últimos setenta anos, o nome glorioso de Fátima percorreu os cinco continentes…

Por isso, ao iniciarmos as comemorações do septuagésimo aniversário das aparições, a nossa primeira e fundamental ati¬tude deverá exprimir uma fervorosa acção de graças pelo dom extraordinário que o Senhor nos concedeu, enviando-nos a sua e nossa Mãe para nos incitar à autenticidade da vida cristã, para nos mover à observância fiel do Evangelho, para nos sacudir da letargia e da rotina dos comportamentos mesquinhos ou desviados, para nos propor a ventura entusiasmante do percurso dos caminhos do Reino de Deus, que importa fazer crescer em nós e à nossa volta.

Quem algum dia conheceu a sério a mensagem de Fátima, esse viu, como João no Livro do Apocalipse, os horizontes largos do “novo céu e da nova terra”, que Deus quer oferecer à humanidade, vislumbrou a nova “cidade santa”, na qual o mesmo Deus se propõe morar entre os homens, de modo que estes sejam de facto o seu Povo e Ele o seu Deus.

Certo é, todavia, que a mensagem de Fátima, após setenta anos das aparições, ainda não é suficientemente conhecida e, muito menos, tem sido adequadamente posta em prática. Nós próprios, os que hoje nos fizemos peregrinos, sentimos necessidade de a aprofundar de forma mais perfeita e não nos escapa a urgência de a levarmos à vida quotidiana, pessoal e colectiva. Meditemos, pois, durante alguns momentos, em dois aspectos fundamentais da mensagem, que neste lugar se fez ouvir. São as exigências da contemplação e do amor.

Proposta e apelo de contemplacão

2 – Antes de mais, Fátima constitui uma clara afirmação da primazia do sobrenatural e um premente apelo à contempla¬ção amorosa das realidades espirituais, que representam a essência do Evangelho de Jesus Cristo. Numa pedagogia verdadei¬ramente admirável, as aparições de Fátima vão inculcando, na alma dos pastorinhos, o sentido profundo dos mistérios fundamentais da fé católica. Fala-se aqui, sem quaisquer ambiguidades, de Deus e de Jesus Cristo e da Igreja; do céu e do inferno e do purgatório; dos anjos e dos santos; da graça e do pe¬cado; do valor salvifico do sofrimento e da reparação; da ne¬cessidade vital da oràção e do esplendor da santidade, a que todos somos chamados.

Já se disse que Fátima pode considerar-se um resumo do Evangelho para o nosso tempo. Dai lhe vem a melhor credencial de autenticidade e a mais sólida exigência de aceitação. Jamais acreditará em Fátima quem não acreditar no Evangelho. Não é possível crer na mensagem aqui trazida pela Virgem Santíssima, sem adesão plena à Boa Nova de seu Divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os homens e as mulheres do nosso tempo mostram-se, por vezes, insensíveis, se não hostis, às verdades eternas do cristianismo. Prisioneiros de ideologias materialistas e ateias, enredadas nas malhas de uma civilização de consumo, seduzidos pelo fascínio de um admirável progresso científico e técnico, tendem a pôr a sua confiança e a sua esperança unicamente nas realidades temporais e nas capacidades humanas. Esquecem facilmente tudo o que transcende a experiência imediata. E alguns, mesmo quando aceitam o Evangelho de Cristo, reduzem-no apenas ao que lhes é agradável, ao que não interfere com a vida em profundidade, ao que não exige sacrifício nem mudança de comportamentos pecaminosos.

Da mensagem de Fátima, ressalta, todavia, uma proposta integral do Evangelho. Afirma-se ali, em primeiro plano, a infinita misericórdia do Pai que quer salvar todos os homens, conduzindo-os à posse da verdade plena. Mas, do mesmo passo, não se cala, nem se esconde, a suma justiça de Deus ofendido pelos pecados e pelas ingratidões humanas. Dá-se a conhecer aos pastorinhos a inefável experiência beatificante do contacto com as realidades do céu. Mas também se lhes não poupa, apesar da tenra idade, a visão assustadora do inferno e dos tormentos que padecem as almas condenadas ao suplício eterno…

Há que aceitar a mensagem evangélica na integridade do seu todo, salva embora a hierarquia interna do conjunto das verdades que a compõem. Há que aceitar e contemplar, saboreando, na oração meditativa, a inesgotável riqueza dos mistérios de Deus e do homem.

Disto deixaram-nos exemplo significativo os pastorinhos de Fátima, e particularmente o Francisco. Dele escreve um seu biógrafo: “0 Francisco afigura-se-nos uma dessas almas interiores, muito sensíveis, de feição contemplativa, que não gostam do bulício, mais amigas de pensar do que de falar, mais propensas a ouvir do que a manifestar-se, mais inclinadas a estar quietas do que a mexer-se” (F. Leite). Seria assim por natureza, mas foi certamente assim por colaboração com a graça de Deus. Gostava de pensar, de reflectir, de meditar, de contemplar. Por isso, frequentemente isolava-se nos montes para rezar em sossego e, não raro, fugia para a igreja a fim de estar sozinho com Jesus. Após uma das aparições, o Francisco declara abertamente: “Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus”.

0 nosso mundo contemporâneo precisa de almas contemplativas, como a do Francisco. Na azáfama dos dias de hoje, requerem- -se, mais do que nunca, contemplativos no deserto e na cidade, pessoas que gostem de Deus, que vivam apaixonadamente a experi¬ência da fé e a saibam testemunhar, numa autêntica doação de amor. Em resumo: o mundo actual precisa de contemplativos na acção.

Incentivo ao amor de Deus e dos homens

  1. Se Fátima é uma vigorosa proposta e um forte apelo à contemplação, não é menos um poderoso incentivo ao amor de Deus e dos homens.

Não é seguramente sem motivo que, no âmago da mensagem da Cova da Iria, sobressaem o Coração Divino de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Imaculado Coração da Virgem Santa Maria.

No Coração de Cristo, revela-se o amor infinito de Deus que “tanto amou o mundo a ponto de lhe dar o seu Filho unigénito”. E, ao mesmo tempo, põe-se a descoberto a ingratidão dos homens que não correspondem àquele amor. Logo na primeira aparição, perguntava a Senhora aos pastorinhos: “Quereis oferecer- -vos a Nosso Senhor para aceitardes de boa vontade todos os sofrimentos que ele vos quizer enviar, em reparação de tantos pecados com que se ofende a divina Magestade, em desagravo das blasfémias e ultrages feitos ao Imaculado Coração de Maria e para obter a conversão dos pecadores, que tantos caem no inferno?”. E na última aparição, a de 13 de Outubro, de novo a Senhora do Rosário dizia com voz de súplica: “É preciso que (os homens) se emendem, que peçam perdão de seus pecados!… Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido!”.

0 Coração de Maria, cuja devoção importa difundir sobre a terra, é o Coração da Mãe solícita pela sorte dos seus filhos, para os quais permanece sempre disponível como refúgio seguro e sempre aberto como caminho direito, que os conduzirá até Deus.

De uma ponta à outra, a mensagem de Fátima constitui urna gigantesca manifestação do Amor que não é suficientemente amado. Por isso, representa também uma extraordinária; mobilização para o amor: é necessário amar, numa doação de vida, que expie os pecados próprios e os alheios; é necessário amar, numa entrega sacrifical, que ofereça reparação pelas ofensas cometidas; é necessário amar, numa frequente oração de louvor e de súplica, que implora o perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não amam o Senhor.

Os pastorinhos de Fátima compreenderam esta admirável lição de caridade. Assimilou-a, de modo especial, a pequenina Jacinta que tão intensamente soube amar. Pouco antes de ir para o hospital, onde viria a morrer, assim dizia: “Se   eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro do peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!”. Na verdade, ela amou o Coração de Jesus, o Coração de        Maria e o coração da Igreja, particularmente na pessoa do Santo Padre de Roma. E amou também o coração dos homens: dos homens pecadores necessitados de salvação, oferecendo por eles contínuas orações e sacrifícios; dos homens atribulados pela doença ou pelas contrariedades da vida, recomendando as suas intenções ao Céu e pedindo para todos as graças divinas; dos homens carecidos de ajuda material, repartindo generosamente com os pobres o escasso pão do seu farnel de pastora.

Contemplar e amar

4 – A nossa civilização contemporânea, designadamente a chamada civilização ocidental, que aliás tende a tornar-se planetária, orgulha-se com razão do seu notável progresso, em tantos campos da actividade humana. Mas os espíritos mais lúcidos vão-se dando conta de que ela corre o risco de enlouquecer, escravizando o próprio homem, que pretende libertar e servir.

E enlouquecerá certamente, se lhe faltar a contemplação e o amor. Sem contemplação e sem amor, o mundo, embora desenvolvido e próspero, será sempre um cárcere de egoísmo e uma arena de luta dó homem contra o homem.

Aqui, neste Santuário de Fátima, ouviu-se há 70 anos, trazida do Céu pela Mãe de Deus, a lição evangélica da contemplação e do amor. Aprendamos, pois, a lição do Evangelho de Cristo, que “a Senhora mais brilhante do que o sol” nos veio lembrar: aprendamos a contemplar como o Francisco e a amar como a Jacinta.»

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