Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CARIDADE SOBRENATURAL E FILANTROPIA MAÇÓNICA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em passagens da sua Epístola Apostólica “Notre Charge Apostolique”, promulgada em 25 de Agosto de 1910:

«E agora, penetrado da mais viva tristeza, perguntamo-nos, Veneráveis Irmãos, aonde foi parar o catolicismo do Sillon? Ah! Ele, que dava outrora tão belas esperanças, esta corrente límpida e impetuosa foi captada em sua marcha pelos inimigos modernos da Igreja, e agora já não é mais do que um miserável afluente do grande movimento de apostasia organizada, em todos os países, para o estabelecimento de uma Igreja Universal,  QUE NÃO TERÁ, NEM DOGMAS, NEM HIERARQUIA, NEM REGRA PARA O ESPÍRITO, NEM FREIO PARA AS PAIXÕES, E QUE SOB O PRETEXTO DE LIBERDADE E DE DIGNIDADE HUMANA, RESTAURARIA NO MUNDO, SE PUDESSE TRIUNFAR, O REINO LEGAL DA FRAUDE E DA VIOLÊNCIA, A OPRESSÃO DOS FRACOS, DAQUELES QUE SOFREM E TRABALHAM.

Conhecemos demasiadamente bem os sombrios laboratórios em que se elaboram estas doutrinas deletérias, que não deveriam seduzir espíritos clarividentes. Os chefes do Sillon não souberam evitá-las: A exaltação dos seus sentimentos, a cega bondade do seu coração, seu misticismo filosófico misturado com um tanto de iluminismo, IMPELIRAM-NOS PARA UM NOVO EVANGELHO, no qual julgaram ver o verdadeiro Evangelho do Salvador, a tal ponto, que ousam tratar Nosso Senhor Jesus Cristo com uma familiaridade soberanamente desrespeitosa; e que sendo o seu ideal aparentado com o da revolução, não temem fazer entre o Evangelho e a revolução aproximações blasfematórias.

Queremos chamar vossa atenção, Veneráveis Irmãos, sobre esta deformação do Evangelho, e do carácter Sagrado de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e Homem, praticada no Sillon e algures. Desde que se aborda a questão social, está na moda em certos meios AFASTAR PRIMEIRO A DIVINDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, e depois só falar da Sua Soberana Mansidão, da Sua compaixão por todas as misérias humanas, de Suas instantes exortações ao amor do próximo e à fraternidade. Certamente, Jesus nos amou com um amor imenso, infinito, e veio à Terra sofrer e morrer, a fim de que reunidos em redor d’Ele na  Justiça e no Amor, animados dos mesmos sentimentos de mútua Caridade, todos os homens vivam na Paz e na Felicidade. Mas para a realização desta felicidade temporal e Eterna, Ele impôs, COM AUTORIDADE SOBERANA, a condição de se fazer parte do Seu Rebanho, de se aceitar a Sua Doutrina, de se praticar a virtude, e de se deixar ensinar e guiar por Pedro e seus sucessores. Ademais, se Jesus Cristo foi bom para os transviados e os pecadores, ELE NÃO RESPEITOU AS SUAS CONVICÇÕES ERRÓNEAS, POR SINCERAS QUE PARECESSEM; AMOU-OS A TODOS, PARA OS INSTRUIR, CONVERTER E SALVAR. Se chamou a Si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, NÃO FOI PARA LHES PREGAR O ANSEIO DE UMA IGUALDADE QUIMÉRICA. Se levantou os humildes, NÃO FOI PARA LHES INSPIRAR O SENTIMENTO DE UMA DIGNIDADE INDEPENDENTE E REBELDE À OBEDIÊNCIA. Se Seu Coração transbordava de mansidão pelas almas de boa vontade, SOUBE IGUALMENTE ARMAR-SE DE UMA SANTA INDIGNAÇÃO CONTRA OS PROFANADORES DA CASA DE DEUS, CONTRA OS MISERÁVEIS QUE ESCANDALIZAM OS PEQUENOS, CONTRA AS AUTORIDADES QUE ACABRUNHAM O POVO SOB A CARGA DE PESADOS FARDOS, SEM ALIVIÁ-LA SEQUER COM UM DEDO.  NOSSO SENHOR JESUS CRISTO FOI TÃO FORTE QUÃO DOCE. Repreendeu, ameaçou, castigou, sabendo e nos ensinando que, muitas vezes, o temor é o começo da Sabedoria, e que, muitas vezes, CONVÉM CORTAR UM MEMBRO PARA SALVAR O CORPO. Enfim, Nosso Senhor Jesus Cristo NÃO ANUNCIOU PARA A SOCIEDADE FUTURA O REINADO DE UMA FELICIDADE IDEAL,  DE ONDE O SOFRIMENTO FOSSE BANIDO; MAS POR LIÇÕES E EXEMPLOS, TRAÇOU O CAMINHO DA FELICIDADE POSSÍVEL NA TERRA, E DA FELICIDADE PERFEITA NO CÉU – A ESTRADA  REAL DA CRUZ. Estes são ensinamentos que seria errado aplicar sòmente à vida individual, em vista da Salvação Eterna; SÃO ENSINAMENTOS EMINENTEMENTE SOCIAIS , e nos mostram em Nosso Senhor Jesus Cristo algo de muito diferente de um humanitarismo sem consistência e sem autoridade.»

 

Ao contrário do que muita gente pensa, a Caridade Sobrenatural com que amamos a Deus Nosso Senhor sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, não possui, em si, natureza sensível, embora não a exclua necessàriamente. Basta pensar nas consolações pròpriamente sensíveis que os santos receberam, e que se devem atribuir directamente aos Dons do Espírito Santo derramados em grau eminente, e assumidos em plena actualidade, pois que embora possuam a alma como sujeito adequado e proporcionado, pela união substancial desta com a sensibilidade corporal, nesta também se repercutem e fruem. Não olvidemos que a pessoa humana é tal, não apenas pela alma, mas pela unidade substancial corpo-alma. Uma coisa é certa: Devemos procurar sobrenaturalizar, com o auxílio de Deus, toda a nossa existência, todos os nossos afectos, todas as nossas operações. Porque só levaremos deste mundo para o Céu tudo o que for sobrenaturalizado, incluindo mesmo as nossas legítimas perfeições naturais, pois que estas integrarão na Eternidade o estatuto de beatitude acidental.           

Quando Nosso Senhor nos ordenou que amássemos os nossos inimigos e que fizéssemos bem a quem nos faz mal, jamais se referiu a um amor em sentido, terreno, natural, sensível, mas de amor de Caridade Sobrenatural, amor Teológico, que só pode querer a Verdade e o Bem, e em tudo glorifica a Deus seu Criador. Querer o Bem de alguém, é assim querer irradiar, concretamente, o Bem Teológico e Objectivo da Verdade Revelada, o que frequentemente poderá implicar o castigo, mesmo público, desse alguém.

A Caridade Católica situa-se assim nos antípodas da filantropia maçónica, a qual segue, fundamentalmente, os impulsos da sensiblidade natural e terrena, pois não possui qualquer conceito de Deus e da Ordem Sobrenatural. A Caridade Católica, além de perfeitamente objectiva, é Universal e necessária, não é egoísta, porque não age tendo em vista recompensas concebidas à maneira terrena, ou seja ontològicamente heterogéneas, e até díspares, com a acção que, em princípio, as mereceu. A única recompensa da Santidade É DEUS MESMO, POR AMOR DO QUAL OS SANTOS REALIZARAM AS SUAS OBRAS. E AS BOAS OBRAS PARTICIPAM SOBRENATURALMENTE DE UMA VERDADE E DE UM BEM MORAL CONSTITUTIVAMENTE INTRÍNSECO À VERDADE E AO BEM INCRIADO. O Tomismo é intelectualista: A VERDADE E O BEM, TRANSCENDENTALMENTE, SÃO DEUS; NÃO UMA ESCOLHA ARBITRÁRIA DESTE. Ontològicamente, a bondade de uma obra, de uma acção, também se mede pela sua substancialidade objectiva na hierarquia do ser, e jamais apenas só pela intenção, ou só pela materialidade, pois que existe uma proporção transcendental entre a forma intencional do agir humano e o seu conteúdo material.    

A filantropia maçónica integra-se, necessàriamente, no jogo egoísta das paixões humanas. Uma questão, contudo, se impõe: Poderá a maçonaria realizar obras naturalmente boas? A maçonaria, enquanto instituição, não o pode fazer em caso algum, visto que o fundamento e a finalidade positiva de toda a sua acção É O MAL. Sabemos que a Humanidade nunca existiu segundo uma ordem puramente natural. Adão e Eva foram constituídos adultos, já na posse dos Bens Sobrenaturais e Preternaturais. A sua perda pelo pecado original seria definitiva se não fossem os Méritos Infinitos da Redenção operada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo enriquecida com os Bens da Redenção, a Humanidade permanece com uma grave ferida na natureza, que a Graça Medicinal e a Graça Elevante não logram sarar integralmente. Consequentemente, QUANDO SE DESTRÓI POSITIVAMENTE A ORDEM SOBRENATURAL, COMO É O CASO DA MAÇONARIA INSTITUIÇÃO, NÃO SE FICA SEQUER COM O NATURAL – MAS, SIM, COM O ANTI-NATURAL.

Tal não invalida, que a título puramente pessoal, os maçons, ou simpatizantes da maçonaria, possam praticar obras naturalmente boas. Quem escreve estas linhas conheceu um seu tio avô, pelo menos simpatizante da maçonaria, mas que praticou obras naturalmente boas em grau elevado; E QUE ENVERGONHAM MUITOS CATÓLICOS NOMINAIS!

O grande drama das boas obras operadas na Ordem Natural é QUE NÃO MERECEM, NEM PODEM MERECER, A SALVAÇÃO ETERNA, PODENDO APENAS MERECER CERTOS BENEFÍCIOS PURAMENTE TEMPORAIS. Além disso, essas boas obras são circunstanciais na vida daqueles que as praticam, portanto, acompanhadas de múltiplos pecados mortais, não definindo nem promanando de uma estabilidade habitual na prática do Bem. A lógica dessas boas acções, praticadas na Ordem Natural, é, mesmo assim, A LÓGICA DO MUNDO, com as suas vicissitudes e com a extrema contingência dos seus propósitos.

Mas a Caridade Sobrenatural eleva a alma, essencialmente, acima do fluxo caduco das coisas deste mundo, quer no terreno da vida interior, quer no plano operativo. Participando acidental, mas realmente, nas coisas de Deus, a alma consagrada pela Graça Santificante e pela Caridade, PENSA E AGE, EM DEUS, E COM A FORÇA DE DEUS, DETERMINADA QUE É PELA VERDADE E PELO BEM, ASSUMIDOS COMO FUNDAMENTO E FIM SOBRENATURAL E ABSOLUTO.           

Nunca se deixe de advertir que a própria profissão da Fé Católica, mormente quando formada pela Graça Santificante e pela Caridade, refracta, egrégia e qualificadamente, a visão que se tem do mundo e do homem – É UMA VISÃO CRISTÃ, PARTICIPA, SOBRENATURALMENTE, DA INTELIGÊNCIA E DA CARIDADE DIVINA. Só desta forma possuiremos o recto conceito do estatuto do nosso próximo, da sua dignidade, bem como dos seus verdadeiros méritos. Porque nós sómente somos o que formos aos olhos de Deus; logo participar, sobrenaturalmente, dessa suprema e infinita objectividade, é nutrir as nossa faculdades com a seiva Incriada da Verdade e do Bem, na ordem dos seres e na ordem dos fins.

A filantropia maçónica, irremediàvelmente, apenas julgará e agirá segundo modelos que excluem a Deus Nosso Senhor, mesmo na Ordem Natural. Logo, mesmo a referida bondade natural que alguns indivíduos da seita possam apresentar, encontra-se severamente amputada por aquela, já citada, ferida na natureza; o que não acontece com os juízos e as acções Sobrenaturais. Porque a Graça Medicinal Preternatural só obtém todo o seu fruto EM MEIO SOBRENATURAL.

Ao longo de quase vinte séculos, as obras de Caridade da Santa Madre Igreja irradiam a Verdade e o Bem com preciosíssimo resplendor; e tal acontece porque a fonte infinitamente rica de onde promanam é a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque sòmente o Sangue da Redenção pode fecundar sobrenaturalmente a operação dos homens, conferindo-lhe AQUELE LUME CELESTIAL QUE, PARA MAIOR GLÓRIA DE DEUS, RESPLANDECERÁ ETERNAMENTE.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Julho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Anúncios

Uma resposta para “CARIDADE SOBRENATURAL E FILANTROPIA MAÇÓNICA

  1. Darildo de S. Fernandes julho 11, 2017 às 12:50 am

    Gostaria de comentar a respeito dessa belíssima foto de São Pio X, todas a suas fotos que conheço, me dão a impressão de uma certa tristeza parecendo adivinhar tudo o que iria acontecer com a Igreja. São Pio X rogai por nós.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: