Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A MARCA HEDIONDA DO ANTICRISTO NO VATICANO

 

Arai Daniele

A decadência do mundo contemporâneo é geral e profunda, atinge todos os campos a todos os níveis: da família ao estado, da justiça à política. Onde não há guerras iníquas há violência e corrupção infrene. Convive-se com a imoralidade e o delito. Nunca a autoridade foi tão necessária; nunca tão ausente. Jamais houve controles tão potentes, jamais tal desgoverno. No plano dos fatos a tentação moderna a substituir a ordem natural por uma nova ordem redunda num descalabro: não há mais como recorrer a poderes humanos para conter desordens nacionais e massacres internacionais. Ignorada a origem divina da ordem e da autoridade nas consciências, a sociedade humana não ficou mais livre, mas degradou-se.

Quando foi que essa alteração da ordem natural nas consciências começou?

Como a degradação descrita tem origem espiritual e incrementou-se em modo exponencial na épocas da revoluções e na nossa época a partir dos anos Sessenta na Igreja, deve-se constatar que o degrado corresponde à perda da noção da origem divina da autoridade nas consciências. De fato, o degrado segue a falta de uma autoridade que seja guia para o bem das consciências e freio para o seu desvio no mal; o que define a Autoridade universal Católica. Mas trata-se de situação muito pior do que de uma simples ausência; trata-se da adulteração da razão de sua presença; uma suprema autoridade não mais ocupada em vincular ao bem, mas em liberar no mal.  E nisso há que entender sua natureza de extremo castigo, previsível quando se manifesta na sociedade humana uma vasta incredulidade na existência da Ordem de origem divina.

Qual a relação causa-efeito entre a fé em Deus e a desordem social?

O bem do ser humano e de sua sociedade é conexo com sua razão de ser: com o seu princípio e fim. Como poderíamos conhecer o nosso bem durável, desconhecendo o nosso fim último? E como poderia o bem da sociedade humana ser alheio ao fim último de seus membros? Os homens podem distinguir um bem de um mal imediato, mas não podem conhecer por si mesmos o próprio bem permanente, ligado ao fim da vida humana. Eis que precisamos do Logos, do Princípio de todo conhecimento, para discernir o nosso fim último e acolher o bem e afastar o mal para que a sociedade humana se governe na certeza da justiça.

Ao ignorar pois a existência da Verdade absoluta, o Princípio de todo bem, o homem se priva do essencial para a distinção entre o bem e o mal, e torna mendaz sua detecção do mal que, como uma infecção na vida humana, se alastra causando crises de consciência morais e mentais que degeneram numa desordem universal de desfecho letal para a sociedade. Tudo isto foi dito para lembrar que as consciências devem ser formadas na Verdade. É esta a missão da Igreja, transmitindo a revelação recebida. O contrário è a ilusão da consciência autônoma.

Sim porque a verdade e os princípios são perdidos antes de tudo, nas consciências, justamente numa rebelião das consciências, que julgam podem atingir a verdade e distinguir a raiz mesma do bem e do mal por si mesma. Assim, a partir da sua consciência o ser humano pode seguir direções opostas: a direção da Ordem revelada, ou de uma liberdade desvinculada do Bem. Mas o livre arbítrio humano, tem um vínculo crucial na mesma consciência, visto que não há quem ignore que à própria liberdade não corresponde um proporcional conhecimento.

Isto significa a liberdade de fazer aquilo de que não se conhecem as últimas conseqüências. Por isto, o homem, criado livre, precisou desde o início ter uma norma indubitável gravada na consciência. Esta, ao mesmo tempo que indica o seu fim transcendente, está vinculando a sua liberdade no bem. Isto é descrito no livro da Gênesis (2, 15-17)

– O Senhor Deus colocou o homem no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque, o dia que comeres dele, certamente morrerás -. Os elementos da formação das consciências estão todos aí. O seu motor é a felicidade, dada para ser cultivada e guardada segundo a Palavra divina. Esta é o alimento da vida espiritual diante de cujo bem o homem é livre em tudo menos que julgá-la um mal. Este seria um juízo contrário à vida, de auto-demolição de seu fim e portanto de morte.

Também os elementos para o desvio das consciências estão todos ai; os mesmos alterados. A felicidade assume as feições do prazer concupiscente da carne, do possuir e do dominar, como deuses. A liberdade é aplicada ao comércio e à criatividade no mal, na ilusão da autonomia da Palavra divina; da impossível conciliação dos contrários. Isto leva a consciência ao devastador engano de equiparar o mal com o bem e a colher, pelo abuso culposo da liberdade, frutos do mal. Eis que as consciências seguindo falsas direções, condicionam a História da humanidade.

“Assim, na cidade terrestre, os sábios, vivendo segundo o homem, procuraram somente os bens do corpo, ou aqueles do espírito ou ambos. E mesmo os que puderam conhecer a Deus, não o glorificaram como Deus, nem Lhe renderam graças, mas perderam-se em seus vãos pensamentos e suas mentes insensatas ficaram ofuscadas. Declarando-se sábios (isto é, deixando-se dominar pela soberba e elevando-se em sua sabedoria) tornaram-se estultos e substituíram a glória do incorruptível Deus por imagens representando homens corruptíveis, aves, quadrúpedes e serpentes (arrastaram ou seguiram os povos aos altares da idolatria) e serviram a criatura antes que ao Criador que é bendito nos séculos (Rom. I, 21-25).

Então voltamos à questão acima, da necessidade para o bem dos indivíduos e das sociedades de quem guie no bem transcendente ao homem, e afaste, freando a atração ao mal. E a falta desse guia e desse freio, que São Paulo escrevendo sua segunda Carta aos Tessalonicenses, deu o nome de «obstáculo» (katéchon), é o pior mal. De fato, tirado do meio o obstáculo ao mal, este será substituído por quem se faz deus: o anticristo, para operar a «abominação da desolação». Nos tempos cristãos entendeu-se que tal «obstáculo» transcendental ao mal das sociedades era o representante de Jesus Cristo; o Papa. O Vigário de Cristo é o único homem investido do poder para constituir barreira ao mal operado pelo Anticristo!

A ordem humana deve ligar-se diretamente à Palavra do Criador. Só no Verbo divino tudo encontra sua razão de ser, sua ordem e seu bem. Eis a ordem do Ser, em que se reconhece que o ser humano com sua consciência provem do Ser divino como todo efeito de uma causa; do Princípio que revelou o Seu nome como origem e fim de todo ser e portanto de todo conhecimento, dizendo: Eu sou Aquele que è (Êx 3, 14). Mas nisto vai inserir-se a rebelião à dependência natural ao Verbo criador; a consciência que, na sua ânsia de poder criar com o pensamento, quer a liberdade de auto-criar a sua razão de ser. E aqui se insere a «revelação»  do espírito do mal cujo sussurro insinua que somente no mal o homem se emancipa!

Eis o engano da liberdade que pretende julgar o bem e o mal, livre de todo vínculo divino; sem a «humilhação» de uma dependência; é o termo revolucionário da «liberdade de consciência». Não mais a liberdade das consciências, predicado humano dado por Deus ao homem criado à Sua Imagem e semelhança, mas uma liberdade de consciência autônoma e individual, que vai ser exercida para impor verdades que dita, como fizeram os líderes de atrozes ideologias.

É necessário fixar bem este ponto crucial porque dele irradiam todos os impulsos humanos para a domínio do mundo material, da ciência e da existência segundo a religião do homem que se faz deus, opondo-se ao Deus ‘tirano’ que se fez homem. Neste ponto se unem todas as rebeliões pessoais e revoluções sociais, toda religião humana e fraternidade maçônica, todo saber e arte nascidos do naturalismo, racionalismo e existencialismo filosófico; por fim, até um novo «cristianismo» retocado para animar uma união religiosa para uma nova ordem mundial.

Com isto foi traçado o «identikit» do Anticristo; promotor da liberdade de consciência. Se o faz desde a Sede suprema do Pontífice apostólico, constituído por Jesus Cristo justamente para vincular à Palavra divina, estamos diante da maior abominação, só possível no maior engano. E hoje, ainda no mundo não se vê a gravidade dessa extrema impostura, que faz com que a guia espiritual dos povos, que seguem e ouvem quem tem o poder das chaves – o papa – desvincule da Palavra divina para demonstrar a liberdade de consciência que leva à liberdade de Religião.

Era a meta de toda revolução maçônica e liberal, introduzida sorrateiramente na Igreja por Roncalli, João 23. Um momento tremendo para toda a História humana, dos quais dois haviam sido os momentos culminantes dessa recusa rebelde da Palavra divina:

– o da transgressão original de Adão e Eva, que causou a queda do ser humano, para cuja redenção houve a Encarnação e a Paixão do Verbo de Deus.

– A recusa do acolhimento do Verbo encarnado da parte do Povo eleito para esse fim.

Era a segunda recusa histórica, que precedeu a terceira disfarçada mas abissal, a mais grave das precedentes recusas, pois a Igreja e o Papa existem para essa obra de Redenção de Jesus Cristo. Todavia, em seu Nome declara-se o direito à obra de rebelião do Anticristo. Isto deve fazer reconhecer a imensa gravidade da disfarçada recusa conciliar em nome da liberdade e de uma operação ecumenista que põe todas as religiões ao mesmo nível!

O Papa Pio VII definiu o que previu como pior conseqüência da revolução francesa, nos dias da revolução napoleônica: “Sob a igual proteção de todos os cultos, esconde-se e disfarça-se a mais perigosa perseguição, a mais astuciosa que seja possível imaginar, contra a Igreja de Jesus Cristo e, infelizmente, a melhor combinada para nela lançar a confusão e mesmo destruí-la, se possível fosse às forças e astúcias do inferno prevalecer contra ela”.

Parecia previsão da abertura da Igreja ao liberalismo que, dando livre curso ao erro, persegue a única antagonista que lhe se opõe: a Verdade. Eis o que fez a declaração Dignitatis humanae, da “liberdade religiosa”, aprovada pelo Vaticano 2, cujas referências estão na «Pacem in terris» de João 23. Temos assim identificados os piores perseguidores internos da Igreja de Deus. Enquanto esta existe, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo para a reparação e redenção da fatal liberdade de consciência dos primeiros pais diante da Palavra divina, estes proclamam a liberdade de consciência diante da Verdade, como sendo direito natural humano…!

E isto significa o “direito” de ensinar o mal come se fosse bem. Se os “papas conciliares” não o declararam diretamente, o fizeram declarando o “direito” a essa liberdade de perdição: a marca hedionda do Anticristo, encarnando o tentador original, sedutor do ser humano com a idéia de ser como Deus.  Pode-se ilustrar em abundância a gravidade da recusa ecumenista de “uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja Católica e Apostólica”, que são palavras de Nossa Senhora de Fátima para lembrar a unicidade de nossa Religião, mas com a grande apostasia essa Fé é perdida.

Daí seguir a liberdade das falsas religiões segundo convite conciliar de seus falsos papas, de João 23 a Bergoglio. Passa a ser natural para multidões que amam esse mundo das verdades relativas, abandonar a unicidade que define a verdadeira Igreja.

“A última perseguição revestirá o aspecto de uma sedução.” (Père Emmanuel). Parecerá uma escolha de liberdade, igualdade e fraternidade, mas será rendição ao erro, ao ódio e ao caos, porque só há amor e fraternidade para os filhos dos que têm por Pai, Deus Uno e Trino.

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15 Respostas para “A MARCA HEDIONDA DO ANTICRISTO NO VATICANO

  1. henrique julho 22, 2017 às 12:53 pm

    E não obstante tudo isso, como se tal enganação não fosse o suficiente, ainda há “tradicionalistas” que, reconhecendo e mesmo denunciando essas coisas, se prestam a defender a autoridade desses destruidores da Igreja! É impressionante!

    Sabe o que me parece? Toda essa argumentação elaborada que se vê por aí, em defesa da autoridade dos demolidores da Igreja, da parte daqueles que se dizem “tradicionalistas”, não passa de uma tentativa de mascarar, com ares de refinada erudição católica, aquilo que, no fundo, é apenas MEDO DE IR CONTRA A CONVICÇÃO DA MAIORIA – mesmo quando o erro desta convicção majoritária não poderia ser mais patente!

    Se alguém duvida, imagine o que ocorreria se, após o Concílio Vaticano II, a maioria dos bispos católicos tivesse cortado suas relações com a Roma e, denunciando a apostasia, procurassem esses bispos reunir-se e eleger um Papa à revelia de Roma; um Papa que, exilado, efetivamente conseguisse manter a Fé Católica viva mundo afora. Pense como as coisas seriam se tivessem ocorrido assim, todo o resto mantido igual a hoje.

    Pergunta: será que, em tal cenário, esses “tradicionalistas” de hoje manteriam suas teses, e seriam ainda fiéis aos “papas” da Roma apóstata, rejeitando os Papas eleitos pela maioria dos bispos e denunciando o “cisma” da parte destes? Alguém acredita nisso?

    O que me parece é que, em tal cenário, chutariam para escanteio suas eruditíssimas teses que defendem a autoridade dos “papas heréticos” e simplesmente seguiriam o que manda o bom senso – aquele natural pendor para a Verdade que Deus colocou no coração de todos nós.

  2. Pro Roma Mariana julho 22, 2017 às 3:03 pm

    O que ocorreu no mundo católico, em seguida à eleição de João 23 e do Vaticano 2, foi uma tão enorme derrocada mental, quase total, que hoje os minguados católicos restantes só podem acreditar nisso como possível e não fruto de visão pessoal, pela força que vem das profecias.
    Ora, a maioria, e pode-se incluir nela boa parte dos “tradicionalistas”, empenham-se numa tentativa de “mascarar, com ares de refinada erudição católica, aquilo que, no fundo, é apenas MEDO DE IR CONTRA A CONVICÇÃO DA MAIORIA – mesmo quando o erro desta convicção majoritária não poderia ser mais patente!” Raciocinam, ou melhor, são levados por um sentimento compulsivo, que essa patente realidade, que poucos vêem, é impossível. Isso, devido ao MEDO da VERDADE, uma perigosa atração pelas aparências do que é deste mundo. Em breve, a predominância de uma «consciência natural», que recusa o Sobrenatural. Foi a obra do V2, mirando a «nova consciência da Igreja»; são palavras deles como é dos seus capitâes atuais: Bergoglio, Levada, Sosa, Martini, por acaso um mundo de «eruditos» jesuítas …

  3. Sam M L julho 23, 2017 às 12:22 am

    Caro Dr. Arai, salve Maria!
    Gostaria de saber se a declaração Dignitatis Humanae é um erro heretizante (que não excomuniica ipso facto) ou se é uma heresia per se. E qual é a diferença entre um e outro?
    Obrigado

    • Pro Roma Mariana julho 23, 2017 às 2:11 pm

      Caro amigo, o termo heretizante, aplicado ao Vaticano 2, foi utilizado pelo Dr. Arnaldo Xavier da Silveira e é indicativo do que induz à heresia. Um erro também pode fazê-lo, mas aqui estamos diante de algo muito diferente, pois sobre a matéria, o Magistério já estava definido, aliás com todo apoio da razão sobre a missão divina da Igreja, que é de vincular os homens à Verdade. Seu oposto é liberar o julgamento pessoal sobre a verdade da Religião. Os Padres conciliares não podiam desconhecer isto. Logo foram guiados por um plano de adaptação às verdades revolucionárias do mundo, que implica uma disfarçada mas escandalosa heresia. nem faltaram diversas aberrações heréticas disfarçadas de evidências «reveladas», a saber:

      «o direito à liberdade religiosa se funda na dignidade da pessoa humana, revelada de Deus e que a razão conhece; Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da sociedade deve ser um direito civil de imunidade, mesmo naqueles que não buscam e aderem à verdade; resguardada a justa ordem pública.»

      O incrível é que em nome da Igreja se sustente o o direito à liberdade e dignidade da queda original de recusar o mandamento revelado de Deus. Na encíclica «Libertas» o Papa Leão XIII explica a diferença entre liberdade psicológica e moral, aqui ardilosamente confundidas. Então haveria uma «liberdade divina» para ensinar e impor o erro e fazer deste o critério da justa ordem publica, por exemplo sob os governos comunistas ou liberais das paradas gay, A boa doutrina pode tolerar isto para evitar um maior mal, mas constitui-la como direito nunca.
      Enfim, tudo foi estudado no V2 para contornar a «heresia», mas vai além desta que não pode conter toda e qualquer contradição do cerne da religião mesma. Nos livros sagrados a categoria de heresia disfarçada de modo tão hediondo é descrita como abominação da desolação, esta é a diferença real.

      • Zoltan Batiz julho 23, 2017 às 2:50 pm

        Eis o que o própio Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira declarou no seu sito http://www.arnaldoxavierdasilveira.com/ sobre o assunto:
        “De há muito consta, na Internet, uma versão falsa sobre a sustação, na década de 1970, da venda da edição francesa de meu livro “La Nouvelle Messe de Paul VI – Qu’en Penser?” (Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, France, 1975, 357 pp.). Segundo tal versão, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira – e digo, portanto eu como autor – teríamos traído a causa da Missa tridentina ao não permitirmos que aquele livro fosse amplamente divulgado. Teria sido acordado com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB que, em troca, os fieis ligados à TFP poderiam receber a comunhão nas igrejas, sem assistirem à Missa nova de Paulo VI.”
        Eis mais uma prova que o Henrique disse a verdade.

  4. Pingback: LA MARCA HEDIONDA DEL ANTICRISTO EN EL VATICANO – AMOR DE LA VERDAD

    • Pro Roma Mariana julho 23, 2017 às 2:49 pm

      Parece que a atualidade de nosso título atrai outras denúncias, às quais, porém, somos de todo, alheios.

      • Pro Roma Mariana julho 23, 2017 às 5:44 pm

        Depois do que o Zoltan publicou sobre o livro do Arnaldo Xavier, senti-me obrigado a procurar o que eu havia escrito sobre o assunto. Aqui transcrevo o que encontrei sobre a 1ª resistência às pérfidas alterações do tempo do Vaticano 2, reconhecendo mérito inicial aos autores da iniciativa.
        «Tal operação modernista foi reconhecida logo pelos católicos mais esclarecidos como um desastre sem precedentes para a Igreja. Um sinal extraordinário fortalecia essa visão: estes eram contra a Profecia de Fátima e tentaram arquivá-la e depois desapropriá-la.
        Entre os doutos previdentes temos o ilustre Bispo Dom Antônio de Castro Mayer que, junto com o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, houveram por bem iniciar um estudo sobre a hipótese teológica de um papa herege. O trabalho foi confiado ao competente e meticuloso estudioso que é o amigo Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira. Foi o estudo com o título «Considerações sobre o Ordo Missae de Paulo VI». As cópias mimeografadas foram distribuídas por todos os bispos do Brasil, além de ser enviada ao Vaticano de Paulo 6. Sua primeira parte era sobre a hipótese teológica de um papa herege. Seguindo outra ordem, mas com o conteúdo essencialmente igual, o livro foi traduzido em francês e publicado na França pela «Diffusion de La Pensée Française».
        A esta altura o Arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer, havia entrado em contato com a TFP do Dr. Plínio, seguindo o propósito de obter de algum modo a suspensão dessa edição.
        Conseguiu o seu intento através de um mútuo compromisso. (Agora diz que Paulo 6 o proibiu).
        Quando estive com o Autor em 2009, lembrei que isto deve ter sido para ele um choque porque tratando de uma questão absolutamente crucial para a Igreja naquele seu passo histórico, tudo ficou condicionado por conveniências do momento.
        Foi no mesmo sentido o meu protesto junto a Dom Mayer vinte e nove anos antes (desse escrito).
        Porém, há que reconhecer que este, junto a outros, surtiu efeito então, porque o livro editado, mas conservado sem ser distribuído, conheceu a luz e passou a interessar na Europa e no mundo.
        O tempo perdido foi de todo modo fatal e se leram comentários como tratando-se de «une bombe mouillé», isto é, com seu poder desarmado. Tudo em prejuízo da questão crucial do papa herege que abala a Igreja.
        Depois de tanto tempo perdido, voltamos ao assunto, que debatemos com o Autor. Mas essa da proibição do Paulo 6 é nova e mesmo inverossímil, pois então ele teria retirado a proibição depois? Porque? Pergunto o que temem para levantar essa «nova», desconhecida por Dom Mayer?

  5. henrique julho 23, 2017 às 5:02 pm

    “o direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana” – Paulo VI, “Dignitatis Humane”.

    Como pode ser assim, se a dignidade humana se origina precisamente no fato de o homem ter sido criado por Deus à sua imagem e semelhança? Como é que alguém pode exercer sua dignidade humana afastando-se de Deus, afastando-se da origem dessa dignidade, ao professar uma falsa religião?

    Já ouviram alguém invocar a virtude da castidade para justificar a frequência a bordéis?

    A contradição é demasiado óbiva. Só podemos concluir que os ateus que escreveram este documento não acreditam que as outras religiões sejam falsas e afastem de Deus. Essa é a ideia que pretenderam passar sorrateiramente. E conseguiram, basta olhar em volta e ver o resultado.

    • Alberto Cabral julho 24, 2017 às 1:27 am

      Só esta asserção define um homem ateu ou profundamente agnóstico, que neste caso NUNCA FOI PAPA NEM O PODIA SER. O grande drama, o real colapso, da História da resistência católica é a recusa em DIZER A VERDADE ATÉ AO FIM.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral – Lisboa

  6. Thiago julho 24, 2017 às 6:09 pm

    Eles ardilosamente lançaram confusão sobre o tema “liberdade religiosa”. Uma coisa é o poder civil declarar esta liberdade assegurando a liberdade de consciência aos seus cidadãos. Outra coisa muito diferente é um Concílio, falando em nome da Igreja (ou seja, de Cristo); garantir imunidade ao erro. A Igreja é guardiã da Verdade, portanto jamais pode, pôde ou poderá incenticar o Erro, a Mentira. Tolerância é direfente de permissão; na práxis pastoral em determinados cenários possível mas nunca num Concílio Magisterial construído em termos de DIREITO. Foi a primeira vez que um Papa tentou abolir a própria Doutrina Milenar da Igreja; contituinde-se portanto num Anticristo, justo ele que sempre foi o obstáculo ante os anticristos que pululam na história contra a Igreja de Cristo. O único obstáculo nos foi tirado. Ficou em seu lugar Abominação da Desolação.

    • Alberto Cabral julho 25, 2017 às 1:02 am

      Mesmo o poder civil não pode pretender constituir uma zona sombra da Verdade e Caridade Divina. Muito pelo contrário, deve constituir o braço armado do Poder Eclesiástico, POIS QUEM PODE O SOBRENATURAL PODE O NATURAL, SEMPRE EM ORDEM AO SOBRENATURAL. Porque mesmo quando actua na esfera de competência que lhe é própria, o poder civil nunca pode perder de vista, nem mesmo secundarizar, O FUNDAMENTO E A FINALIDADE SOBRENATURAL DA SUA ACÇÃO.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral – Lisboa

      • Thiago julho 25, 2017 às 1:35 pm

        Sim

        Mas a crise conciliar é o erro da liberdade religiosa propagado pelo Magistério. Isto é muito mais grave.

        O Protestantismo e o Iluminismo Maçonico na Revolução Francesa destruíram a unidade e o braço secular da Cristantade séculos antes.

        Claro, o Diabo começou semeando confusão, desarmando o braço secular… agora dá um “golpe de mestre” ao ocupar a cidade vaticana.

        Tempos do Anticristo.

      • Pro Roma Mariana julho 25, 2017 às 3:56 pm

        «O poder civil nunca pode perder de vista, nem mesmo secundarizar, O FUNDAMENTO E A FINALIDADE SOBRENATURAL DA SUA ACÇÃO». De fato, pois esta deve ser ordenada ao bem do homem. Logo se conclui que os «poderes políticos» atuais, seja nacionais que europeus ou o que seja, são na sua vasta maioria poderes de desordem e portanto ilegítimos. Já basta como disse o Thiago (bom onomástico!) terem sido infetados pela liberdade religiosa e ecumenista para não serem ordenados ao Sobrenatural e às almas.

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