Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: agosto 1, 2017

TERÁ O VATICANO 2 QUEBRANTADO A SUCESSÃO APOSTÓLICA DA SANTA MADRE IGREJA?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua carta encíclica “Ad Apostolorum Principis”, promulgada em 29 de Junho de 1958:

«Com efeito, os cânones Sagrados, clara e explìcitamente, estabelecem que pertence ùnicamente à Sé Apostólica julgar da idoneidade de um eclesiástico para a dignidade e missão episcopal, e pertence ao Romano Pontífice nomear livremente os Bispos. E mesmo quando, como em determinados casos, na escolha de um candidato ao episcopado, é admitido o concurso de outras pessoas ou entes, isto acontece legìtimamente sòmente em virtude de uma concessão – expressa e particular – feita pela Sé Apostólica, a pessoas ou corpos morais bem determinados, com condições e em circunstâncias bem definidas. Isso posto, deriva que os Bispos não nomeados nem confirmados pela Santa Sé, e até escolhidos e consagrados contra suas disposições explícitas, não podem gozar de nenhum poder de magistério nem de jurisdição; pois a jurisdição vem aos Bispos ùnicamente através do Romano Pontífice, como já tivemos ocasião de lembrar na carta encíclica “Mystici Corporis”: “Os Bispos…no que diz respeito à sua Diocese, são verdadeiros pastores que guiam e regem em Nome de Cristo o rebanho a eles confiado. Ao fazer isso, não são completamente independentes, pois estão submetidos à autoridade do Romano Pontífice, mesmo gozando do poder ordinário de jurisdição, que lhes é comunicado directamente pelo próprio Sumo Pontífice”. Doutrina que tivemos ocasião de relembrar ainda na carta “Ad Sinarum gentes”que vos foi sucessivamente dirigida: “O poder de jurisdição, que é conferido directamente ao Sumo Pontífice por Direito Divino, deriva aos Bispos pelo mesmo Direito, mas sòmente mediante o sucessor de São Pedro, ao qual estão constantemente submetidos, e ligados pelo obséquio da obediência e pelo vínculo da unidade, não sòmente os simples fiéis, mas também todos os Bispos.(…)

Pelo exposto, DERIVA QUE NENHUMA OUTRA AUTORIDADE, A NÃO SER A DO PASTOR SUPREMO, PODE REVOGAR A INSTITUIÇÃO CANÓNICA ATRIBUÍDA A UM BISPO; NENHUMA PESSOA OU ASSEMBLEIA, QUER DE SACERDOTES QUER DE LEIGOS, SE PODE ARROGAR O DIREITO DE NOMEAR BISPOS; NINGUÉM PODE CONFERIR LEGÌTIMAMENTE A SAGRAÇÃO EPISCOPAL, SEM ANTES TER A CERTEZA DO APÓSITO MANDATO APOSTÓLICO.

É verdadeiramente doloroso, que enquanto pastores zelosos sofrem tantas tribulações, se tome justamente ocasião das suas dores, para insediar nos seus lugares pastores falsos, para subverter a organização hierárquica da Igreja, para rebelar-se contra a autoridade do Romano Pontífice.»

 

A Santa Madre Igreja, no seu Sagrado Magistério, sempre ensinou ser ela própria dotada de quatro notas fundamentais, as quais a distinguem, formalmente, de toda e qualquer seita, de toda e qualquer organização puramente humana e terrena:

A Unidade – a Santa Igreja é una com uma unidade Divina, ainda que possua elementos humanos. Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, hauria a Sua Unidade precisamente da Pessoa Divina, conquanto Se revestisse de uma Natureza Humana. A Unidade da Santa Igreja, Pessoa Moral de Direito Divino, exige, constitutivamente, que a SUA DOUTRINA, O SEU SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA, OS SEUS SACRAMENTOS, SEJAM PERFEITAMENTE UNOS, OU SEJA, IDÊNTICOS E IMUTÁVEIS, NÃO SÓ NO ESPAÇO, MAS IGUALMENTE NO TEMPO. EXIGE, ESSENCIALMENTE, QUE A UNIDADE DA IGREJA NÃO SEJA A UNIDADE DO GÉNERO HUMANO. Sabemos, efectivamente, que o mundo evolui e se transforma nas suas permanentes vicissitudes, visto ser uma realidade natural e humana, ainda para mais, ferida gravemente pelo pecado original e pelo horrível oceano negro dos pecados actuais. Não assim a Santa Madre Igreja, que sendo depositária da Revelação Sobrenatural, é, ela mesma, Sobrenatural, pois detém o Princípio e os Meios que devem conduzir os homens à Eterna Beatitude. Consequentemente, a Santa Madre Igreja tem de permanecer, essencialmente, com coesão Divina, sempre a mesma, através dos séculos e até ao fim do mundo.

A Santidade – A Santa Madre Igreja é Santa, porque Deus Nosso Senhor é Santo, e quer que nós o sejamos também. Certamente, a face humana do Corpo Místico é composta por homens que a História Eclesiástica demonstra haverem sido, frequentemente, medíocres e até maus. Todavia, A Santidade da Igreja advém-lhe, não apenas da SANTIDADE SUBSTANCIAL DO SEU FUNDADOR, CUJO SACRIFÍCIO DE VALOR INFINITO A MESMA IGREJA RENOVA INCRUENTAMENTE NOS ALTARES, mas também da Revelação Sobrenatural, no seu conjunto, bem como dos santos Sacramentos, dos quais a Santa Madre Igreja é fiel depositária como instrumentos das Graças Celestes, sempre conferidas em ordem à Santidade.

A Catolicidade – isto é, a universalidade, de direito e de facto; na exacta medida, em que a Verdade da Igreja, que é a Verdade de Deus, está transcendental e ontològicamente proporcionada às faculdades de todos os homens, de todas as épocas, de todas as civilizações, quaisquer que sejam os progressos materiais e sociais que ocorram. Na realidade, sendo o homem criado por Deus Nosso Senhor, e suposta a elevação ao estado Sobrenatural, o conteúdo da Revelação positiva do Criador à criatura constituirá, por definição, sempre e permanentemente, um benefício espiritual e moral de valor infinito, fecundando não apenas e intrìnsecamente os bens da alma, mas até mesmo, e extrìnsecamente, a vida temporal. No plano de facto, sabemos que até ao desastre diabólico do Vaticano 2, o Evangelho foi proclamado em todo o orbe; embora muito poucas sejam as almas, que verdadeiramente, com toda a sua alma – seja em que época for- conheceram e amaram Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas.

Apostolicidade – Significa o vínculo de Direito Divino Sobrenatural, que liga o Sacerdócio e a Autoridade dos Apóstolos, a todos os Bispos que se lhes sucederam hieràrquicamente ao longo de todas as épocas e de todos os lugares, sob a chefia do Romano Pontífice, ele próprio sucessor de São Pedro. Logo os Bispos são sucessores dos Apóstolos, pois herdaram, por Direito Divino, a sua Autoridade e o seu Carácter da Ordem. Assinale-se, contudo, que os Apóstolos eram, cada um por si, infalíveis; procedendo com prerrrogativas funcionais extraordinárias, não limitadas no espaço e no tempo, o que não sucede com os Bispos, que não são infalíveis, possuindo um poder Ordinário, ou seja, constituído normalmente segundo o Direito, que SERÁ O DIREITO CANÓNICO MODERADO PELO DIREITO DIVINO SOBRENATURAL. Todavia, a realidade episcopal em si mesma, É DE DIREITO DIVINO, embora se exerça mediante a Autoridade do Romano Pontífice.

Existe assim uma hierarquia da Ordem e uma hierarquia da Jurisdição, A SUA DISTINÇÃO É DE DIREITO DIVINO. Os ordodoxos cismáticos, em geral, sobretudo aqueles que mantêm a Fé, não quebraram a sucessão apostólica NO QUE CONCERNE AO CARÁCTER DA ORDEM, MAS ARRUINARAM ESSA SUCESSÃO NO ATINENTE À JURISDIÇÃO. Note-se contudo que circula uma heresia grave na Ortodoxia, que é aceitarem a dissolução do matrimónio por adultério. Todavia, tal heresia não é suficiente para elidir a transmissão do carácter da Ordem, embora possa destruir o Hábito da Fé, fundamentalmente se for professada, positiva, formal e doutrinàriamente. Todavia, questionar-se-á: E o pecado do cisma não influirá na transmissão do Carácter da Ordem? É conhecido como NÃO EXISTE UNIDADE NA ORTODOXIA, as várias Igrejas são autocéfalas; logo, algumas terão caído na heresia formal de negar a instituição do Papado por Nosso Senhor Jesus Cristo, e nessa base desaparece o Hábito da Fé, e em certos casos, mas não sempre, a transmissão do Carácter da Ordem.  Não sempre, porque a profissão da Fé Teologal NÃO É TEOLÒGICAMENTE EXIGIDA PARA A RECEPÇÃO VÁLIDA DO CARÁCTER DA ORDEM. Não é exigida da parte do Bispo ordenante, pois basta possuir a intenção objectiva e formal de fazer o que faz a Santa Madre Igreja, e fazê-lo concretamente, para a ordenação ser válida. Da parte do ordinando, desde que não haja rejeição positiva e obstinada de um Dogma, o que já implicaria uma contra-intenção sacramental, a transmissão do Carácter da Ordem é válida. Mas também existem correntes na Ortodoxia pròpriamente cismáticas e não heréticas, pois a sua recusa de submissão à Cátedra de São Pedro CONSTITUI MAIS UMA QUESTÃO DE FACTO DO QUE UMA QUESTÃO DE DIREITO. ENQUANTO CISMÁTICOS FORMAIS, NEM UNS NEM OUTROS, POSSUEM OU PODEM POSSUIR A CARIDADE SOBRENATURAL.  

A Apostolicidade da Santa Madre Igreja é constitutiva da sua unidade essencial, porque a Autoridade e o Sacerdócio conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo, TÊM QUE SER EXACTAMENTE OS MESMOS EM TODA A VIDA DA IGREJA, EM TODAS AS ÉPOCAS E EM TODOS OS LUGARES. Nosso Senhor, Cabeça do Corpo Místico, SÓ POSSUI UMA LINHAGEM, SACERDOTAL, MAGISTERIAL E JURISDICIONAL – NO TEMPO, E JÁ GLORIFICADA NA ETERNIDADE. Porque só a Linhagem Sacerdotal de Nosso Senhor pode, actuando pelo Seu ministro, renovar o Seu Santo Sacrifício d’O qual irradiam os santos Sacramentos. Só a linhagem Magisterial de Nosso Senhor pode enriquecer as almas com os Tesouros Celestes que o Verbo Encarnado nos mereceu. Só a linhagem jurisdicional de Nosso Senhor pode governar a Santa Madre Igreja, afastando-a da corrupção do mundo, MAS SUPERANDO E FECUNDANDO ESSENCIALMENTE ESSE MESMO MUNDO COM A VERDADE E SANTIDADE DIVINA.

Deste quadro conceptual, é perfeitamente legítimo inferir que a seita conciliar, ENQUANTO TAL, PORTANTO SÒMENTE ENQUANTO APARÊNCIA, QUEBRANTOU A SUCESSÃO APOSTÓLICA, NO QUE CONCERNE AO MAGISTÉRIO, À JURISDIÇÃO E AO CARÁCTER DA ORDEM. Tal sucedeu, porque em primeiro lugar, a Igreja conciliar NÃO É A IGREJA CATÓLICA, MAS UMA USURPAÇÃO, UMA ATROZ MISTIFICAÇÃO, REALIZADA PELA MAÇONARIA INTERNACIONAL, COM APARÊNCIAS DE IGREJA CATÓLICA. Nosso Senhor prometeu a infalibilidade, a indefectibilidade e a intangibilidade à Sua Igreja, enquanto tal, intrìnsecamente; mas não prometeu à Sua Igreja UMA IMUNIDADE A UM ATAQUE ESPIÃO A PARTIR DO EXTERIOR, COM APARÊNCIAS CRISTÃS. Assim se compreende como é falsíssima e blasfema a asserção de que foi quebrada a sucessão apostólica da Santa Madre Igreja – TAL QUEBRA PROCESSOU-SE SIM, MAS NA APARÊNCIA DESSA SUCESSÃO APOSTÓLICA, PORQUE A REALIDADE DESSA SUCESSÃO ESTÁ PROTEGIDA PELA INDEFECTIBILIDADE DA IGREJA, SUSTENTADA PELA OMNIPOTÊNCIA E SABEDORIA E PROVIDÊNCIA DE DEUS. MESMO REDUZIDA À EXPRESSÃO MAIS INCRÌVELMENTE SIMPLES, A IGREJA CONTINUA. O Dogma da indefectibilidade da Santa Igreja não garante uma visibilidade exterior e social igual em todas as épocas da História. Até ao século IV, essa visibilidade estava bastante diminuída. O que Nosso Senhor garante é UMA VISIBILIDADE DE DIREITO, isto é, aquela que se torna disponível para todas as almas de boa vontade que a querem encontrar. Estamos reduzidos, no nosso mundo Ocidental, a uma situação MUITO INFERIOR àquela em que, ao longo dos séculos, em países de missão, as almas boas procuravam insistentemente a Luz de Deus no meio das trevas deste mundo iníquo.

Insista-se na grave desonestidade que consiste em utilizar o Direito Canónico na argumentação atinente à resolução da tragédia que vivemos. O Direito Canónico foi constituído para épocas de vida eclesiástica normalmente organizada. Na época que vivemos O DIREITO DIVINO SOBRENATURAL PASSA À FRENTE DO DIREITO CANÓNICO. Aliás, o cânon 188 constitui como que a necessária fronteira comunicante entre ambos os Direitos.

Quando Monsenhor Lefebvre sagrou Bispos em 30/6/1988, atravessou claramente essa fronteira, no seu conceito de Instituições de Suprimento, as quais já se integram no Direito Divino Sobrenatural – Implìcitamente, tàcitamente, constituiu uma declaração de Sedevacantismo.

Também não se afirme que a situação actual é equivalente àquela em que um papa acaso se encontrasse em coma profundo. Não é equivalente, visto que um papa em coma profundo CONTINUARIA PAPA, DE DIREITO, E ATÉ À MORTE, SEM PODER SER EXONERADO DO CARGO, FOSSE DE QUE MANEIRA FOSSE. E ACTUALMENTE NÃO HÁ PAPA, MAS SIM UM ANTI-PAPA, UM PAPA DO DIABO, UM ANTI-CRISTO.

Argumentar-se-á: Mas se é possível a transmissão do Carácter da Ordem sem Fé, porque não será possível um papado sem Fé?

O Carácter da Ordem, muita gente não sabe, mas pode ser administrado, válida mas ilegìtimamente, a um recém-nascido, logo após a recepção do Santo Baptismo; e se mais tarde esse sujeito tivesse vocação, não necessitaria de ser ordenado. Por sua vez, o Santo Baptismo pode ser administrado, válida mas ilegìtimamente, a adultos que FORMALMENTE, SÈRIAMENTE, COM CONHECIMENTO DE CAUSA E RESPEITO PELA SANTA MADRE IGREJA, o queiram receber, mesmo que não possuam ainda o Hábito da Fé. MAS EXISTE UMA DISTÂNCIA IMENSA, UMA DISTÂNCIA ABSOLUTA, ENTRE NÃO TER A FÉ E SER CONTRA A FÉ. OS HERESIARCAS MODERNOS SÃO CONTRA A FÉ, CONSPIRAM PARA DESTRUÍ-LA, PARA ANIQUILÁ-LA TOTALMENTE; E JÁ O CONSEGUIRAM EM TERMOS SOCIAIS E CULTURAIS. E DE QUALQUER MANEIRA, A PRERROGATIVA FUNCIONAL DA INFALIBILIDADE EXIGE QUE O ROMANO PONTÍFICE POSSUA INTERIORMENTE O HÁBITO DA FÉ. Consequentemente, não há comparação possível.

Portanto, não houve, nem podia haver, qualquer rotura, qualquer solução de continuidade, na Unidade, na Santidade, na Catolicidade, na Apostolicidade, da Santa Madre Igreja, que é intrìnsecamente Intangível, Indefectível e Infalível.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 31 de Julho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral            

      

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A DÍVIDA E AS OFENSAS QUE TRESPASSAM O IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

 

Arai Daniele

Sobre a espécie e a gravidade das ofensas que trespassam o Imaculado Coração de Maria, basta lembrar que está profetizado no Evangelho (Lc 2, 34-35), e estreitamente ligado a Jesus, “Sinal de contradição para a salvação e perdição de muitos”.

A esta profecia do sábio Simeão, movido pelo Espírito Santo, segue a frase misteriosa: “para que sejam desvelados os pensamentos (secretos) de muitos”. Relacionando esta frase aos pecados de nossos tempos e à reparação pedida por Jesus pelas ofensas ao Imaculado Coração de Maria, Sua Mãe, pode-se entender a gravidade dos pecados de pensamentos, que superam os de más obras e intenções; trata-se de pensamentos que, de modo deliberado mas secreto, são contra o que há de mais santo, mais atual e oportuno, e daí contrários à salvação.

Poder-se-ia dizer que todos os pensamentos contrários à verdade e à Fé da Igreja são do mesmo modo contrários à «divida» que temos para com o Salvador. Mas aqui, querendo falar especialmente dos pecados de nossos tempos, temos que focalizar a importância da devoção reparadora dos 5 primeiros sábados, devida às ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria.

Não se trata de devoção qualquer, porque não se trata de pecados comuns; trata-se do que segue pensamentos deliberados e ofensas contra a Mãe de Deus neste tempo crucial para a Igreja e para o mundo; algo de enorme importância, seja na ordem pessoal, seja da sociedade. E a razão dessa importância torna-se evidente considerando não só a dimensão da crise que o mundo vive, em seu caráter extremo, apocalíptico, com toda característica de prestação de contas terminal, devido à geral alienação do pensamento de Deus. Pode-se até dizer que hoje, no reinar da mentira, vivemos a terceira alienação extrema que seguiu a milenar segunda – da recusa de Cristo pelos judeus e a primeira, original, da aurora da História!

Aqui, como num vórtice de visões reveladas de todo o curso humano nesta terra, vêm à mente as Palavras da Genesis sobre a presença providencial da Mulher na salvação; Ela e Seu Filho, da estirpe vencedora do espírito implacavelmente inimigo do Bem e da Verdade; o pensamento  humano contra Maria. a Nova Eva, representa, pois, atentado à mesma ordem da Redenção.

Sobre a dignidade infinita da Mãe de Deus e portanto da gravidade dos pecados contra Ela há um breve vídeo do P. Paulo Ricardo (https://padrepauloricardo.org/episodios/em-que-consiste-a-devocao-dos-cinco-primeiros-sabados-do-mes-em-honra-a-virgem-de-fatima). E não se pode esconder que essas ofensas – devido a sua gravidade universal – atingem um mal que toca o mesmo equilíbrio da vida espiritual no mundo da Igreja e das nações.

Consideremos simplesmente que nos perfeitos desígnios de salvação de Nosso Senhor, Sua intervenção em forma de presença, de palavras e de promessas aconteceram na História até um certo tempo. Aqui lembramos as comoventes intervenções do Sagrado Coração de Jesus que encontraram barreiras intransponíveis na dureza dos pensamentos de muitos corações reais antes da Revolução francesa. Só então seguiram as aparições da Mãe de Deus.

Para a infinitamente sapiente misericórdia divina era preciso mover o coração humano pelo Coração materno que pode sanar a enferma sensibilidade do homem moderno gravemente imerso numa malícia mundana hoje sem precedentes em todos os campos. A natureza mesma da psicologia humana chegou a um tal grau de indiferença nestes tempos de falso progresso e falsas emoções imersas na mentira generalizada, que tudo o que é sagrado parece irreal e sem importância; resta o que ficou entranhado como a lembrança do respiro inicial, do que foi vital na raiz da vida: o amor da mãe. E Jesus nos mandou Sua Mãe como nosso derradeiro recurso. S. Luis Maria Grignion de Montfort, em obra inspirada, fala do significado da devoção a Maria.

A gravidade das ofensas e pecados contra Maria da humanidade

Lembremos: em 1830, a irmã Catarina Labouré, que recebe a graça de ver Jesus na Eucaristia, no dia 18 de julho, avisada pelo Anjo, vai à Capela, hoje conhecida e visitada como a Capela da Medalha Milagrosa, para encontrar a Santíssima Virgem que, em lágrimas, fala-lhe do estado lastimável da humanidade por causa dos pecados, prevendo severos castigos caso ela não se converta. Era a vigília do golpe de estado que daria o poder ao maçom Luis-Felipe Orleans, filho do regicida Philippe Égalité, importantes fautores da revolução anticristã em ato.

No dia 19 de setembro de 1846, na montanha de La Salette, ainda na França, dois pastorinhos, Melania e Maximino, viram a Mãe do Céu chorar pelos filhos na terra. Na Sua Mensagem fala de situações da sociedade e da política e deixa aquela mensagem terrível para a Igreja, pois «Roma perderá a Fé e tornar-se-á a sede do Anticristo».

A infinita tristeza de Maria Santíssima será vista e suas lágrimas recolhidas em tantos diversos lugares do mundo, nesta nossa época. Já não é esta uma mensagem, aviso de valor inestimável que dispensa palavras? Indica que muitos de seus filhos estão na via da perdição. As palavras podem servir para ajudá-los e guiá-los, mas se não forem ouvidas, se ninguém souber ou quiser reparar e chamá-los de volta, se na Igreja prevalecer o silêncio e a omissão sobre os perigos que correm tantas almas, a tristeza da Santa Mãe diante desse menosprezo aumenta.

Têm sido esta a constante de nosso tempo. Demonstra-o o caso do padre mexicano Agostinho Fuentes que, como postulador da causa de beatificação de Francisco e Jacinta devia interrogar a irmã Lúcia no Convento de clausura em Coimbra, onde vive como carmelita descalça. O encontro foi em 16 de dezembro de 1957. O sacerdote relata que irmã Lúcia recebeu-o cheia de tristeza, magra e muito aflita, comunicando-lhe suas meditadas preocupações: “Padre, a Senhora está muito triste porque não se deu atenção à sua mensagem de 1917. Nem os bons nem os ruins tomaram conhecimento. Os bons seguem o seu caminho sem preocupar-se com atender às indicações celestes; os ruins, marcham na estrada larga da perdição sem tomar conhecimento das ameaças de castigo. Creia, padre, o Senhor Deus muito em breve castigará o mundo. O castigo será material e o padre pode imaginar quantas almas cairão no inferno se não se rezar e fizer penitência. Esta é a causa da tristeza de Nossa Senhora.

“Padre, diga a todos o que a Senhora tantas vezes me disse: ‘Muitas nações desaparecerão da face da Terra. Nações sem Deus serão o flagelo escolhido por Deus para castigar a humanidade se vós, por meio da oração e dos santos Sacramentos, não obtiverdes a graça da conversão dessas nações.Diga, padre, que o demônio está travando a batalha decisiva contra a Senhora, e o que aflige o Coração Imaculado de Maria e de Jesus é a queda das almas religiosas e sacerdotais que descuidando de sua excelsa vocação, arrastam muitas almas para o inferno. “Porém, padre, é preciso dizer às pessoas que não devem permanecer à espera de uma convocação à oração e penitência, nem de parte do papa, nem dos bispos, nem dos párocos, nem dos superiores gerais. Chegou o tempo de cada um, por sua própria iniciativa, realizar santas obras e reformar a sua vida segundo a convocação de Nossa Santíssima Mãe. O demônio quer se apossar das almas consagradas, trabalha para corrompê-las, para instigar muitos à impenitência final; serve-se de todas as astúcias, sugerindo até mesmo o aggiornamento da vida religiosa. Resulta disso a esterilização da vida interior, o esfriamento nos leigos do espírito de renúncia aos prazeres e a total imolação a Deus.

“Lembre-se, padre, de que foram dois fatos que concorreram para santificar Jacinta e Francisco: a grande tristeza da Senhora, e a visão do inferno. A Senhora encontra-se como que entre duas espadas: de um lado vê a humanidade obstinada e indiferente às ameaças de castigos; de outro, vê a profanação dos santos Sacramentos e o desprezo dos avisos de castigo que se aproximam, permanecendo incrédulos, sensuais, materialistas.

“A Senhora não disse claramente que nos aproximamos dos últimos dias. Mas me deu a entender, repetindo isso três vezes: na primeira, que o demônio está para iniciar a luta decisiva, isto é, final, da qual sairemos vitoriosos ou vencidos, ou estamos com Deus ou estamos com o demônio. Na segunda vez me repetiu que os últimos remédios dados ao mundo são o Santo Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. E últimos significa que não haverá outros. Na terceira vez, disse-me que esgotados os outros recursos desprezados pelos homens, oferece-nos com temor a última âncora de salvação: a Santíssima Virgem em pessoa, com suas numerosas aparições, suas lágrimas, as mensagens dos videntes espalhadas pelo mundo. E a Senhora disse ainda que se não a ouvirmos e continuarmos na ofensa, não seremos mais perdoados, será como recusar aberta e conscientemente a salvação que nos é oferecida, e isto no Evangelho é chamado o pecado contra o Espírito Santo. Padre, é urgente que tomemos consciência da terrível realidade. Não se quer encher as almas de medo, mas é uma convocação urgente à realidade, porque desde que a Virgem Santíssima deu grande eficácia ao Santo Rosário, não há problema material ou espiritual, nacional ou internacional, que não possa ser resolvido por ele e pelos nossos sacrifícios. Recitá-lo com amor e devoção, consolando Maria, enxugará tantas lágrimas de Maria Santíssima, de seu Imaculado Coração, nos salvaremos e obteremos a salvação de muitas almas. Na devoção ao Imaculado Coração de Maria, aproximaremos o trono da clemência, da serenidade e do perdão e encontraremos nele o seguro caminho para o Céu.”

Essa mensagem foi publicada e difundida pelo mundo em versões inglesa e espanhola, com todas as garantias de autenticidade e com a aprovação do bispo de Leiria. Mas em seguida, com a morte de Pio XII e a eleição de João 23, tais mensagens passaram a ser consideradas alarmes de «profetas de desgraças» sobre acontecimentos que teriam lugar em 1960. Não é de estranhar, então, que o bispo de Coimbra tenha intervindo obrigando a Irmã a uma oficial comunicação contra a “campanha de profecias que chegam a provocar uma tempestade de ridículo”. Na declaração de irmã Lúcia declarava ignorar castigos falsamente atribuídos a ela nessa entrevista de padre Fuentes. Ora “o que padre Fuentes diz no texto de sua conferência no México corresponde, sem dúvida, à essência do que ele ouviu nas suas visitas à irmã Lúcia”, nota o padre Alonso, o principal relator dos fatos de Fátima no seu livro «Segredo de Fátima, fatos e lenda».

É preciso lembrar, ainda, que há um segundo relatório em que o Padre mexicano relata os sofrimentos pessoais de Pio XII, que nos últimos meses de vida via a situação preocupante no mundo e na Igreja. Seria ligado à visão da irmã Lúcia sobre o que aconteceria na passagem do fim daquele pontificado, que hoje sabemos ser a visão do dito «terceiro Segredo»?

De fato, o quadro religioso descrito nesse relato de 1957 em pouco tempo demonstrou ser apenas um esboço. Os católicos que testemunharam as transformações da Igreja depois de Pio XII viram a vida eclesial degenerar rápida e sinistramente. Abandonou-se a penitência e a oração, como desprezou-se a doutrina e a virtude; embora os perigos do mundo aumentassem em turbilhão e invadissem até o recinto sagrado, ninguém mais convocava à defesa da Fé.

Se antes não se ouvira Fátima, e suas devoções, depois tentou-se deturpá-la e ocultá-la. A tristeza de Maria Santíssima ficou esquecida, a devoção do 5 sábados jamais oficializada na Igreja. E, enquanto crescia a indiferença para com os sinais do Céu, avançava as inovações de uma nova ordem do mundo. Em nome da Igreja, nunca se falou tanto de misericórdia e perdão para os erros de toda ordem, e tão pouco nos Direitos Deus e na tristeza de Nossa Senhora.

O que representam as cinco graves ofensas ao Coração Imaculado de Maria?

Meditando na capela com Nosso Senhor na noite do dia 29 para 30 de maio de 1930, e falando a Nosso Senhor sobre a razão dos 5 Sábados, a Irmã Lúcia sentiu intimamente a voz e a divina presença que lhe revelou: “O motivo é simples: são 5 as espécies de blasfêmias e de ofensas contra o Imaculado Coração de Maria:

1.ª – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição; 2.ª – Contra a Sua virgindade;

3.ª – Contra a Maternidade Divina, recusando assim recebê-La como Mãe dos homens;

4.ª – As ofensas dos que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;

5.ª – Dos que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas Imagens.

Eis, Minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me leva a pedir esta pequena reparação; e, em atenção a ela, mover a minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de A ofender».

Na primeira ofensa há negação do dogma da Imaculada Conceição definido pelo Papa Pio IX: «Declaramos, pronunciamos e definimos, que a doutrina que sustenta que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, foi por graça e privilégio singular de Deus Todo-Poderoso, preservada e imune de toda a mancha do Pecado original, foi revelada por Deus e como tal deve ser firme e constantemente acreditada por todos os fiéis».

São muitos os que, na negação deste dogma, abrangem outros, em especial o do Pecado original, estreitamente ligado aos dogmas marianos. Logo, vão contra a razão mesma da Redenção e da existência da Igreja; pecado pessoal de devastadoras conseqüências sociais.

Na ofensa da negação da Virgindade perpétua de Maria convergem os erros sobre a finalidade da vida humana ordenada a Deus. Estes erros dizem respeito à dignidade do corpo humano, cuja virgindade física, coroada pela espiritual, tem valor único e inestimável aos olhos de Deus.

Na ofensa de negar a Maternidade divina e espiritual de Maria, convergem todos os erros anti- cristológicos, que remontam ao anti-Cristianismo dos primeiros séculos e foram banidos pelas declarações dos Concílios Ecumênicos, em especial o III Concílio de Constantinopla no ano de 680: «Nosso Senhor Jesus Cristo – nasceu do Espírito Santo e de Maria Virgem, que é, segundo a humanidade, própria e verdadeiramente Mãe de Deus» – Theotókos! Mãe de Deus e Senhora nossa, pela Sua participação no Mistério da Encarnação e da co-redenção.

A ofensa de difundir o ódio contra a Imaculada Mãe de Deus, sabendo que nessa devoção de Maria pode-se dizer concentrada a devoção ao Seu Filho Salvador, e portanto toda verdadeira defesa da Fé contra uma educação racionalista e materialista, que destrói nas crianças todo impulso de gratidão e noção de pureza na ordem criada por Deus. Sem o senso da gratidão falta na sociedade humana o cimento que consolida o bem do dar e haver familiar e social.

E nas ofensas e blasfêmias públicas que envolvem as sagradas imagens pode-se ver toda a perversidade do pensamento rebelde, deliberadamente anti-cristão, que vai alimentar os conflitos e as revoluções de toda ordem. O ultraje das imagens de Maria Virgem, alimenta a hostilidade anti religiosa e os germes da rebeldia à ordem natural, que causam degeneração pessoal e precipitam a decadência e o fim das nações.

Enfim, assim como para a Revolução difundir o ódio e a negação do amor divino, representado por Maria é remate da descristianização planejada, do mesmo modo a atenção da Igreja pela fé nos dogmas marianos é o derradeiro bastião para a defesa da Cristandade que eles ilustram.

Pio IX, no auge do ataque maçônico contra a Igreja definiu o dogma da Imaculada Conceição. E São Pio X, no auge to ataque modernista, profeticamente convocou os fiéis à devoção dos 5 primeiros sábados. Revela-se, pois, que estava nos desígnios divinos a intenção de suscitar nos homens honra a Maria para reparar toda ofensa à Religião do Verbo que Nela se fez carne.

Ora, como nas Escrituras é profetizado que a alienação final da Fé se realiza no âmbito do mesmo Templo de Deus, que é a Sua Igreja, como não reconhecer que nestes tempos, estes se manifestam com ataques velados à dignidade, privilégios e honras devidas à Virgem Maria, perpetradas por homens que na Igreja caíram do Céu, atraídos pelos interesses da terra?

Lembremos a censura de João 23 ao «Segredo» de Fátima em 1959; a distância que proclamou diante de suas «profecias de Desgraças»; a distância que o Vaticano 2 assumiu em relação à discussão para definir a Mediação universal e a Co-redenção de Nossa Senhora, como muitos bispos pediram e os católicos esperavam. Assim, rejeitaram o esquema sobre a Virgem Maria.  Para agradar os protestantes,  este foi posto como simples anexo no esquema sobre a Igreja. Seguiu a redução da devoção a Maria, a fim de evitar o «exagero» no culto mariano da Igreja!

A impiedade velada da nova religiosidade que censura o culto a Nossa Senhora, certamente resta espelhada no tratamento dispensado à Profecia e às devoções de Fátima. Basta pensar que a devoção dos 5 primeiros sábados, pedida em 10 de dezembro de 1925, com intenção reparadora, não foi oficializada. Pode-se negar essa «alienação» no âmbito da mesma Igreja?

Não sendo possível negar a indiferença, senão hostilidade, diante da necessidade de reparação deste conjunto de gravíssimas blasfêmias e ofensas indicadas por Nosso Senhor à Irmã Lúcia, e hoje sempre mais difusas e evidentes, reconhece-se a urgente necessidade de reparar também pela cumplicidade clerical para com o que vai contra dogmas marianos definidos pela Igreja. E portanto, diante desta outra imensa ofensa, acrescer mais ainda nossa disposição de reparar.

Que nossa devoção reparadora possa obter de Nossa Senhora a mediação da grande graça de preservarmos o espírito da verdadeira fé católica no caos dessa revolta e da impiedade final da apostasia geral do mundo em que vivemos, agora e na hora da nossa morte. Amem.

Novus Ordo Watch

Fátima e a Paixão da Igreja

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AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

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