Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: agosto 20, 2017

A RELAÇÃO TRANSCENDENTAL ENTRE O CORPO E A ALMA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em passagens da sua encíclica “Communium Rerum”, promulgada em 21 de Abril de 1909:

«Entre essas desventuras públicas, devemos gritar mais alto e intimamente as grandes verdades da Fé, não apenas aos povos, aos humildes, aos aflitos, mas também aos poderosos, aos que vivem bem, aos árbitros e conselheiros das Nações; INTIMAR A TODOS AS GRANDES VERDADES, que a História confirma nas suas terríveis lições sangrentas; como esta de que “O PECADO É A VERGONHA DOS POVOS” (Pr 14,34). “Os poderosos serão provados com rigor”  (Sab 6,7), daí a advertência do Sl 2:”E agora reis, sede prudentes; deixai-vos corrigir, juízes da Terra. Servi a Deus com temor, beijai Seus pés com tremor, para que Se não irrite e pereçais no caminho”. E de tais ameaças, é de esperar mais amargas as consequências, quando as culpas sociais se multiplicam, QUANDO O PECADO DOS GRANDES E DO POVO ESTÁ, ANTES DE TUDO, NA EXCLUSÃO DE DEUS E NA REBELIÃO À IGREJA DE CRISTO – DÚPLICE APOSTASIA SOCIAL, QUE É FONTE LASTIMÁVEL DE ANARQUIA, DE CORRUPÇÃO, DE MISÉRIA SEM FIM, POR PARTE DOS INDIVÍDUOS E DA SOCIEDADE.

Que de tais culpas nós podemos nos tornar partícipes, com o silêncio e com a indolência, coisa não rara até entre os bons, cada um dos sagrados pastores considere dito a si para a defesa da sua grei, e aos outros inculque oportunamente o que Santo Anselmo escrevia ao poderoso Príncipe da Flandres: “Peço, esconjuro, admoesto, aconselho, como vosso fiel, meu senhor,  e como em Deus verdadeiramente amado, que não acrediteis nunca que diminua a dignidade de Vossa Alteza, se amais e defendeis a liberdade da Esposa de Deus e vossa Mãe, a Santa Igreja, nem pensai humilhar-vos  se a exaltais, nem acrediteis enfraquecer-vos se a fortificais. Vede, olhai ao redor; os exemplos estão ao alcance da mão, considerai os Princípes que a impugnam e a espezinham, de que lhes serve e aonde chegam? Isso fica bastante claro, não há necessidade de o dizer.”

Cabe a vós, portanto, veneráveis irmãos, que a Divina Providência constituiu Pastores e guias do povo Cristão, resistir bravamente contra essa funesta tendência da moderna sociedade de adormecer numa vergonhosa inércia, entre a perversidade da guerra contra a religião, procurando vil neutralidade, feita de débeis recursos e compromissos, em desfavor do justo e do honesto, esquecendo do que foi dito claramente por Jesus: “Quem não está co’Migo está contra Mim” (Mt 12,30). Não que os ministros de Cristo não devam ser pródigos em Caridade paterna, pois a eles se referem sobretudo as palavras do Apóstolo: “Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar alguém a todo o custo” (ICor 9,22); não que não convenha, ás vezes, ceder no próprio direito, embora lícito e requerido pelo bem das almas. De tal falta, a suspeita não recairá sobre vós, que sois estimulados pela Caridade de Cristo. Trata-se de atitude condescendente, feita sem o mínimo prejuízo do dever, não tocando os princípios imutáveis e eternos da Verdade e Justiça.»  

 

O nosso Catecismo, por muito bom que seja, e estou pensando, por exemplo, no Catecismo Católico Popular de Francisco Spirago, não faculta, nem pode facultar, certas noções intelectualmente muito mais profundas, mas que são muito úteis, porque, embora filosóficas, constituem, em si mesmas, uma barreira extremamente sólida à penetração da heresia, mesmo para as almas já favorecidas com os Bens Sobrenaturais; pois é certo que a Fé Teologal, muito especialmente quando formada pela Caridade perfeita e pela Graça Santificante, ministra a cultos e a incultos, POR VIA SOBRENATURAL, certas noções muito necessárias àquela relativa inteligência dos Mistérios proporcionada a pobres criaturas. Evidentemente que as referidas noções, ministradas por via Sobrenatural, são incomensuráveis com os conceitos pròpriamente filosóficos, pois superam-nos infinitamente, mas de modo algum os tornam inúteis, tanto mais que são muito poucas as pessoas enriquecidas com a Caridade perfeita e a Graça Santificante. Em séculos passados, alguns santos, pregando ao povo, solicitavam a Deus que lhes fizesse saber o número de assistentes em estado de Graça – ora a média era de, aproximadamente, 1 em 1000. Consequentemente, a profissão da sã filosofia, facilita, EXTRÌNSECAMENTE, o acesso aos Bens Sobrenaturais, pois só Deus é o Autor de toda a Graça.

Quando se diz que, com a morte, a alma se separa do corpo, trata-se de uma separação ontológica, pois subsiste a ESSENCIAL RELAÇÃO TRANSCENDENTAL. Para compreender isto, devemos pensar que quando Deus Nosso Senhor cria as almas, tal significa que a alma é concriada com o material genético fornecido com os pais, e é esse mesmo material genético, que recriado, INDIVIDUALIZA A ALMA, PORQUE ESTA CONSUBSTANCIA A UNIDADE ESPECÍFICA, ENQUANTO A MATÉRIA ACTUALIZA E DETERMINA, INDIVIDUALMENTE, ESSA UNIDADE. Tal acontece também nos animais e plantas COM A ABSOLUTA DIFERENÇA DESTES NÃO POSSUÍREM ALMA ESPIRITUAL.

Nos Anjos, cada um constitui uma espécie, que concentra num só ente toda a riqueza e perfeição ontológica que, nos seres materiais, é repartida por uma multidão de indivíduos. A forma encerra a qualidade, a inteligibilidade, a perfeição; a matéria encerra a extensão, a quantidade, o espaço, o tempo, a história.   

Neste quadro conceptual, assimila-se com muito mais proficiência o significado da expressão “relação transcendental”. Aqui reside a razão mais profunda da impossibilidade metafísica da reencarnação. Efectivamente, NEM DEUS PODE FAZER COM QUE UMA ALMA RESSUSCITE COM UM CORPO ORGÂNICAMENTE DISTINTO DAQUELE QUE TRANSCENDENTALMENTE LHE PERTENCE. PORQUE DEUS É OMNIPOTENTE, MAS NO ÂMBITO DO SER, LOGO SÓ PARA AQUILO QUE PODE SER REALIZADO. AQUILO QUE VIOLA A NECESSIDADE DO SER, A NECESSIDADE METAFÍSICA – É UM NADA! A ESSÊNCIA DE DEUS É CONSTITUTIVA DAS NECESSIDADES METAFÍSICAS, E O COROLÁRIO É QUE NEM DEUS PODE AGIR CONTRA ELAS, POIS AGIRIA CONTRA A SUA PRÓPRIA ESSÊNCIA. Deus só pode conferir realidade fora de Si às essências metafísicas das coisas, MAS ENTÃO TEM QUE RESPEITAR ESSAS ESSÊNCIAS TAIS QUAIS SÃO.

A reencarnação é assim UMA ABERRAÇÃO FILOSÓFICA E TEOLÓGICA. Mas também o milenarismo é atingido por semelhante impossibilidade, porque Deus Nosso Senhor, como Criador, não pode reactivar o processo vital da alma com o composto orgânico que transcendentalmente lhe corresponde, PARA FAZER ESSAS ALMAS VOLTAR À TERRA CORRUPTÍVEL E TEMPORAL. Só o Criador pode operar a Ressurreição, qualquer que ela seja, e não a pode realizar, escatològicamente, como Novíssimo do homem, para o recolocar de novo na Terra corruptível. SERIA UMA CONTRADIÇÃO.

As almas separadas do corpo, não são pessoas, porque carecem, ainda que provisòriamente, de um elemento fundamental da definição da espécie humana. Por isso, a Ressurreição final nelas consolidará, extensivamente, quantitativamente, a sua Glória Eterna. Não lhes aumentará, formalmente, a Glória, mas a restauração da unidade corpo-alma desenvolverá extrìnsecamente essa Glória.

As almas separadas, na Ordem Natural, possuem um conhecimento mútuo perfeitíssimo, o qual supera essencialmente os meios que na Terra utilizamos para nos conhecermos uns aos outros. Se nos recordarmos que a alma, como elemento específico, é determinada e individualizada pela matéria, não teremos dificuldade em compreender isto.

A alma constitui a forma substancial do composto humano enquanto tal. Só possuímos uma forma substancial, que é formalmente racional, e virtualmente sensível, vegetativa, inorgânica e primordial.

O que define a identidade do nosso corpo, não são os átomos e as moléculas individualmente consideradas, mas sim a UNIDADE ORGÂNICA DO COMPOSTO CORPO-ALMA. E essa unidade orgânica fica como impressa na alma, conferindo a já citada relação transcendental.

No composto corpo-alma a união ontológica processa-se na natureza; nesta perspectiva, a intelectualidade difunde-se, no limite, até ao mais profundo da sensibilidade, e esta ascende, no limite, até ao mais elevado da intelectualidade.  Consequentemente, até os nossos pensamentos mais espiritualizados, mais universais, mais necessários, possuem, nem que seja, uma sombra remota de sensibilidade.

A dualidade corpo-alma numa só forma substancial, coloca o homem nos confins de ambos os mundos: O material e o espiritual.

Santo Agostinho, bem como toda a escola de raiz platónica, considera a alma separada como Pessoa, ao contrário da escola Tomista, a qual é absolutamente preferível. Os Agostinianos, tal como o seu Mestre, tendem a considerar o corpo como um peso positivo para a alma, um obstáculo para o conhecimento e para a meditação e a contemplação. Muito pelo contrário, os Tomistas pensam que a alma separada permanece, de alguma maneira, como amputada, completamente incapaz do conhecimento sensitivo do singular, embora possa aceder a este por via intelectual, como os Anjos. Só que estes, por constituição ontológica, não têm acesso sensível ao singular, ao passo que os homens devem possuí-lo. Na Ordem Natural, só Deus pode socorrer a alma separada infundindo-lhe espécies inteligíveis.  Por exemplo, as pobres almas do purgatório, na posse da Graça Santificante e dos Dons do Espírito Santo, mas não gozando da visão beatífica, nem de estímulos sensoriais terrenos, encontram-se numa situação penosa, sem o seu corpo; Deus Nosso Senhor pode, contudo, socorrê-las mediante a já citada infusão de espécies intelectivas adequadas ao seu estado, quer dizer, suprindo, de algum modo, a falta de sentidos corporais.

A Doutrina, em si mesma filosófica e Tomista, da relação transcendental entre o corpo e a alma, explica os grandes enigmas da vida e da morte. Afasta TODO E QUALQUER EVOLUCIONISMO, MESMO MODERADO, POIS QUE ANATEMATIZA A TESE QUE SUSTENTA QUE O CORPO DE ADÃO E EVA HAJA EVOLUÍDO A PARTIR DE OUTROS SERES VIVOS. A Sagrada Escritura é bem clara: ” Deus formou o homem do pó da terra, e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida”(Gn 2,7). Isto é: O Homem foi criado à parte dos outros seres e a partir da matéria bruta. Pena foi que Pio XII, na encíclica “Humani Generis” tivesse perdido uma riquíssima oportunidade de definir formalmente o que, de resto, se encontra com absoluta nitidez nas Escrituras. Foi com certeza o dito Cardeal Bea, maçon infiltrado, o responsável directo por esta falha de um Pio XII, já sem saúde e muito debilitado.

Nunca olvidemos que sem Santo Tomás, bem como sem os legítimos e homogéneos desenvolvimentos doutrinais operados ao longo dos séculos por filósofos e teológos Tomistas, o combate anti-modernista permanecerá sempre, irremediàvelmente, diminuído.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 17 de Agosto de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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