Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: agosto 27, 2017

ATÉ EM MOSTEIROS TRADICIONALISTAS VIGE HOJE UMA ESPIRITUALIDADE IMANENTE

Arai Daniele

O Deus da transcendência absoluta não pode sequer ser divisado pela nossa inteligência finita, mas apenas induzido como condição necessária da existência e sentido deste mundo. E tanto mais de Sua Igreja neste mundo. Tal conhecimento induzido que obtemos de Deus, mesmo se segue o sentido verdadeiro, isto é, que se reconheça sempre que Deus excede infinitamente tudo o que possamos pensar e dizer d’Ele, é inevitavelmente deficiente.

Conhecemos, porém, as obras de Deus no mundo, como explica São Paulo:

«A ira de Deus se revela do Céu contra toda impiedade e perversão dos homens que com a injustiça sufocam a verdade; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto aos homens, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos através da inteligência por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis…” (Romanos 1:18-20).

Na Suma Contra os Gentios, Santo Tomás de Aquino explica que há três modos pelos quais o homem pode conhecer às coisas divinas. “o primeiro, enquanto o homem mediante a luz natural da razão e pelas criaturas sobe até o conhecimento de Deus; o segundo, enquanto a verdade divina que excede o intelecto humano, desce até nós pela Revelação, não para ser vista como demonstração, mas para ser crida como pronunciada com palavras divinas; o terceiro, enquanto a mente humana é elevada à perfeita intuição das coisas reveladas”.

Mais adiante nesta Suma contra os Gentios, Santo Tomás faz uma analogia entre Deus e a arte: “Pela meditação sobre as obras podemos admirar de algum modo e considerar a sabedoria divina: as coisas realizadas pela arte são realizadas à Sua semelhança”. De modo a continuar com o pensamento que o homem conhece a Deus pela luz natural da razão e pela suas obras, entre as quais os atributos criativos que concede ao homem. Estes refletem o seu Autor, e por isso Santo Tomás ensina: “Ora Deus, pela sua sabedoria, deu o ser às coisas, razão por que é dito: Tudo fizestes com sabedoria (Sl 103,24). Daí podermos, pela consideração das obras, recolher a sabedoria divina, que está como que espelhada nas criaturas por certa comunicação da sua semelhança”. Se o homem como artista produziu uma obra de arte quer dizer que a sua  capacidade supera o que fez e esta demonstra que há nela traços que indicam os inefáveis reflexos de seu Autor. Especialmente na música. Santo Tomás o explica: Como o bem perfeito do homem consiste em conhecer a Deus de algum modo, foi-lhe dado um caminho pelo qual pudesse elevar-se ao conhecimento de Deus, reconhecendo como todas as perfeições descem de Deus, sumo vértice delas, de Deus ao homem, ordenadamente; partindo de coisas inferiores e subindo gradativamente, de modo a que se progrida no conhecimento de Deus.

A verdade divina que excede o intelecto humano, desce até nós pela Revelação, para ser crida como palavras pronunciadas por Deus. A instituição da Sua Igreja terrena e da Cristandade é parte essencial da obra de Deus, estando presentes nela claros sinais de Sua Transcendência, como seja a presença direta de Sua Autoridade infalível. Relativizar o poder pontifical seria pois crer numa Igreja imanente: Deus põe e os homens dispõem!

“Adúlteros, não sabeis que a amizade deste mundo e inimiga de Deus? Assim, todo aquele que quiser ser amigo deste seculo, constitui-se inimigo de Deus.” (lac. 4:4)

Uma aversão rebelde à Transcendência – Sabemos pela História como a influência do conceito de Transcendência seja o mais constante e universal; em todos os tempos e lugares sempre se acreditou na divindade e na vida que transcende o que se conhece. Contudo é o que mais obstinadamente procura o homem no seu «progresso» mascarar, controverter ou negar. E nisto ele é poderosamente auxiliado pelo fato de que, se a existência mesma da Transcendência se impõe a todo o momento, a sua natureza é, entretanto, de si mesma, obscura e enigmática.

Ora, a religiosidade humana é a ideia constante ligada à de Transcendência, mas em si é sentimento humano que se eleva ao desconhecido e obscuro; não é a Religião que vem de Deus ao homem. Qualquer exemplo que se observe nas diversas religiões, sob os mais diferentes modos e sentidos, encontra-se a mesma preocupação primária do homem exilado de encontrar um lugar seguro, – ao abrigo da Transcendência -, ou, pelo menos, em algum terreno comum onde entrar em termos religiosos com ela, como se isso não representasse nega-la objetivamente, mesmo sem intenção expressa de fazê-lo. Nestes termos essa aversão transparece também nas diversas interpretações do Culto no Cristianismo, de modo aberto nas várias religiosidades das seitas protestantes.

O Cristianismo católico está isento dessas variações enquanto fiel à Igreja como esta foi instituída, tendo por Cabeça invisível Nosso Senhor Jesus Cristo e na terra a visível no Seu Vigário. Não importa a pessoa humana do Papa em si, mas o que ele representa como sinal vivo da Transcendência invisível ao mundo. De fato seu poder não vem nem da Igreja nem dos homens, mas imediatamente de Deus ao aprovar a sua eleição.

Podia ter dado o Seu poder, desde 1958 ao presente, a clérigos «eleitos papa» para mudar e é devastar a Sua Igreja neste curto período, mais do que poderiam ter feito em séculos todos os heresiarcas e inimigos da Igreja? Se isto fosse possível então seria como dizer que Deus não conhecia as intenções desses indivíduos e que permitia positivamente que Sua Igreja guiasse à perdição, o que entra no nível da blasfémia.

Diga-se do poder da infalibilidade de seu Magistério o mesmo, isto é, concessão imediata de um poder invisível, mas impossível aos homens; só possível a Deus. Desse sinal deriva tudo o mais na Igreja, do Culto aos Sacramentos. Tudo isto ocorre la esfera certa mas invisível da Fé, suscitada em cada alma diretamente por Deus mesmo. Logo, relativizar a Transcendência do poder do Sumo Pontífice significa referir-se a outra igreja cujo chefe seria como o chefe de governo nas sociedades humanas; como se este cargo não fosse exercido para a representação na fé e para a Fé, a missão ditada pela Transcendência para a qual o cargo existe. Assim uma Igreja com um papa reconhecido herético seria uma contradição. Só numa igreja imanente poderia ser cogitado um chefe com missão própria, desviada em questões de Fé e de Culto . Eis que a igreja do Vaticano 2 e seus papas, sendo desligada da Transcendência, isto é da razão de seu mesmo poder, deixa de ser a Católica, mas passa a ser uma entidade imanente como tantas. Assim a abertura conciliar ecumenista, faz com que estejam na mais vasta companhia onde “só falta Deus transcendente, substituído por uma ilusão imanente”!

A questão pode ser colocada de maneira diferente na pergunta: onde a espiritualidade dos que aceitam uma igreja com «papas» duvidosos, senão abertamente portadores de doutrinas estranhas à continuidade apostólica da Igreja de Deus, encontram sinais de sua Transcendência? Se esta não aparece onde deveria ser mais clara, pois representa Jesus Cristo mesmo na Sua perfeição de Chefe e Mestre absoluto, onde podem ver esse Sinal, nos sacramentos? Mas a legitimidade destes não dependem do Poder supremo?

Aqui o dr. Pacheco Salles, autor da «Figura deste Mundo», faz notar que, “para muitos adeptos do movimento litúrgico, a Liturgia católica não seria só uma forma de culto mas também o próprio objeto do culto, pois seria o prolongamento ritual da Encarnação de Deus na humanidade, que teve o ponto de partida no Cristo histórico, mas cuja realização prossegue no Cristo litúrgico e comunitário, pela participação dos fieis. O exercício da liturgia seria assim o prosseguir da -vida de Cristo. E, na medida em que a vida de alguém se identifica com esse mesmo alguém, a liturgia seria de algum modo o próprio Cristo. O que foi mais acentuado na nova missa, em que a presença de Cristo é posta muito mais na celebração coletiva do que numa transubstanciação efetiva das espécies.” Nota também, ser comum nas religiões arcaicas essa identificação do divino com o ritual, identificação que vai diminuindo a medida que aparecem formas religiosas mais elevadas. O que não deixa de ser curioso é essa revivescência no âmbito da Igreja Católica. de sentimentos arcaicos. Em tudo isso se manifesta a mesma tendência de se apropriar a Transcendência para de algum modo dar-lhe dimensões humanas, fazendo-a entrar na imanência do mundo.

São diversas manipulações espirituais humanas perante a Transcendência, que denotam os esforços compulsivos com que se procura construir a nova ordem do mundo, dentro do – qual esta possa realizar-se plenamente, sem a interferência de fatores extrínsecos. E aqui pode-se aludir à Torre de Babel, empreendimento titânico pelo qual tentou o homem sobrepor-se aos cataclismas e à cólera divina. È o paradigma que se repete na lenda de Prometeu que sacrifica-se para redimir a humanidade da mesquinharia – dos deuses olímpicos, ensinando-lhe as artes da civilização. São os salvadores que entendem libertar os homens da ignorância para edificar uma nova humanidade mais livre e justa.

Foi descrita acima em breves linhas a tendência que se manifestou nos últimos séculos para emancipar os homens do Cristianismo através da Filosofia, da Ciência, da História e chegou nos nossos tempos a estabelecer a operação de engano para fazê-lo através da mesma Religião. Deixemos que seja um seu feroz inimigo a descrever a operação atual. Trata-se de Ludwig Feuerbach no seu «A Essência do Cristianismo»: “O homem só será feliz quando finalmente terá liquidado aquele Cristianismo que o impede de ser homem. Mas não será por meio de perseguição que se poderá matar o Cristianismo, pois estas o alimentam e reforçam. Não. Será através de uma transformação interna irreversível do Cristianismo num humanismo ateu com a colaboração dos mesmos cristãos, guiados por um conceito de caridade que não terá nada a ver com o Evangelho”.

O católico já conhece de há muito esse plano posto em prática por ideologias ateias como o comunismo. Eles sabiam que deviam minar o Cristianismo na sua cultura e para isto basta citar a operação Gramsci e da Escola de Frankfurt. Mas ainda antes destes a da Maçonaria que sabia ser necessário minar a hierarquia da Igreja ao ponto de obter o papa de seus pensamentos. Tudo isto é conhecido e se tivessem faltado avisos naturais, os católicos tiveram também os sobrenaturais das aparições marianas. Não, o que faltou e falta é mesmo a visão da Igreja Transcendente que nada tem com aquela que insere o imanente na Sua mesma Autoridade, Doutrina, Liturgia e estrutura. Há os filósofos que divulgam a meia transcendência e imanência e até se dizem tomistas mas pensam em termos relativos quanto a autoridade do «papa»: este até podia ser meio herege mas ai é o direito canônico que deve provar e prover! Enfim, acreditam numa igreja acéfala de Sua origem mesma na Transcendência, porque teria por chefe, vigário de Cristo, um clérigo qualquer; não só alheio ao absoluto de sua posição, mas avesso a essas ideias, simbolizadas pelo «trirregno», ou por tronos, etc., estes incomodam sua «humildade pessoal», porque pretendem incarnar, não representar o Salvador!

A espiritualidade de uma resistência ao erro e à heresia desligada da visão desses clérigos desviados, recolhe-se na conservação da Santa Missa e nos Sacramentos, enquanto em Roma desabam as barreiras da Cidadela Católica. Querem alienar-se desse atentado ao coração da Igreja, como se pudessem ignorá-lo ao nível da Fé.

Se pelo menos nessas celebrações tradicionalistas invocassem com força a ajuda de Deus para que livre Roma de tanto mal inaudito! Mas não, para essa infeliz maioria dos que se crêem resistentes na missa deles, no momento mais solene do ato pronunciam a comunhão na fé com o anticristo no Vaticano, atual autor da pior demolição. Como poderiam pedir um Papa se já têm um operante plenamente na destruição? Sendo tão apegados ao poder da Santa Missa, o que é justo, deveriam saber que é através dela que a Igreja pede e recebe. Resta, ao invés, que nem menos têm consciência que pronunciam uma maldita mentira diante de Deus no centro do Santo Sacrifício de Seu Filho.

Iniciamos tratando do Mistério excelso da Igreja de Deus Transcendente para terminar com a observação da atual ambígua «espiritualidade» até de Conventos, naturalmente imanentes sem que percebam em que abismos andam e levam os fieis.

Que Deus tenha piedade dessa geração que aos poucos foi levada pela mais tortuosa das revoluções, do imanentismo clerical, a ser um apêndice da mesma igreja conciliar que combatem, permanecendo na comunhão com a sua «autoridade» de devastação!

Pedissem ao menos em suas orações que estas desaparecessem para que volte a haver um Papa Católico, aquele que será reconhecido na consagração que fará para a conversão da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, fato impossível nessa igreja imanente!

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