Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A GRAÇA SOBRENATURAL COMO PRINCÍPIO DE UNIDADE E SANIDADE DAS NOSSAS VIDAS

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua Encíclica “Fulgens Corona”, promulgada em 8 de Setembro de 1953:

«Parece-nos que a Santíssima Virgem, a qual em todo o curso da sua vida, nunca se afastou em nada dos preceitos e dos exemplos do seu Divino Filho – quer nas alegrias de que foi suavemente inundada, quer nas tribulações e nas dores mais atrozes que a constituíram Rainha dos Mártires – parece-nos, repetimos, que a todos e cada um de nós diga aquelas palavras que proferiu nas Bodas de Caná, apontando Jesus Cristo aos servos do banquete: “Fazei tudo o que Ele vos disser”(Jo 2,5). Parece que cabe a nós repetir a todos hoje essa mesma exortação num sentido ainda mais vasto, visto que é de absoluta evidência que a raiz de todos os males com que são atormentados os homens, com tanta aspereza e veemência angustiados os povos e as Nações, provém do facto de muitos “abandonaram a Fonte de Água viva e abriram cisternas para si, cisternas desconjuntadas que não podem conter água”(Jr 2,13) e abandonaram aquele  que ùnicamente é “O CAMINHO A VERDADE E A VIDA”(Jo 14,6). Se, portanto, se errou,  é necessário voltar ao caminho recto; se as trevas dos erros perturbaram as mentes, devem ser, sem demora, dissipadas pela Luz da Verdade; se aquela morte, que é a verdadeira morte, se apoderou das almas, é necessário recuperar a vida com vivo e eficaz desejo; referimo-nos àquela vida celeste que não conhece ocaso, porque tem a sua origem em Cristo Jesus, com quem gozaremos nos Céus a Bem-Aventurança Eterna, se com ânimo confiante e fiel O seguirmos nesta terra de exílio.

Isso nos ensina e exorta a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, nossa dulcíssima Mãe, que nos ama com verdadeiro amor, sem dúvida, mais do que todas as mães terrestres. Como sabeis, veneráveis irmãos, os homens de hoje têm grande necessidade dessas exortações e convites, para que voltem para Cristo e se conformem diligente e eficazmente com Seus ensinamentos, quando tantos tentam desarraigar da sua alma a Fé Cristã, ora astuciosamente ou  com insídias ocultas, ora com uma propaganda e exaltação clara e obstinada dos seus erros, propalados com tanta ostentação como se fossem glória do progresso e do esplendor deste século. MAS, REJEITADA A NOSSA SANTA RELIGIÃO E NEGADAS AS DETERMINAÇÕES DIVINAS QUE SANCIONAM O BEM E O MAL, É SUMAMENTE EVIDENTE QUE PARA QUASE NADA SERVEM AS LEIS, E COMO QUE FICA REDUZIDA AO MÍNIMO A AUTORIDADE PÚBLICA; POR VIA DE CONSEQUÊNCIA, OS HOMENS, PERDIDA A ESPERANÇA E A CERTEZA DOS BENS IMORTAIS, COM ESSAS ENGANADORAS DOUTRINAS, COMO POR SUA PRÓPRIA NATUREZA, PROCURAM IMODERADAMENTE OS BENS TERRENOS, COBIÇAM ÀVIDAMENTE OS DO PRÓXIMO, E QUANDO A OCASIÃO E A POSSIBILIDADE SE PROPORCIONAR, APODERAR-SE-ÃO DELES, MESMO PELA FORÇA. Daqui nascem os ódios, as invejas, as rivalidades, e as discórdias entre os cidadãos; daqui vem a perturbação na vida pública e privada, e gradualmente se arruínam os fundamentos do Estado, que difìcilmente poderão ser mantidos e reforçados pela autoridade das leis civis e dos governantes; daqui, finalmente, deriva a depravação dos costumes pelos espectáculos licenciosos, pelos livros, jornais e crimes sem conta»

A unidade constitui uma propriedade transcendental do ser. Qualquer ente é tanto mais ele próprio quanto mais uno for. É PELA UNIDADE QUE QUALQUER ENTE É ELE MESMO. Acontece, frequentemente, que assoberbados pelas ocupações exteriores, as pessoas sentem necessidade de se recolherem, para se reencontrarem a si próprias; ora isto mais não é do que consolidar uma unidade ontológica que se sente debilitada.

Quanto mais verdadeiro e bom é um ente mais unidade possui, e também mais ser.

Nesta nossa peregrinação terrena é muito frequente encontrar pessoas altamente deficitárias em unidade psicológica e espiritual. A vida, o tempo e as ocupações constituem factores preponderantes no desagregar da nossa unidade ontológica, e consequentemente, da nossa individualidade psicológica e espiritual.

Sòmente a Graça Santificante pode constituir, e constitui efectivamente, um princípio verdadeiramente estável e profundo de unidade psicológica e espiritual.

Vivemos numa época realmente pré-escatológica; os confessionários estão vazios, até porque já quase não há sacerdotes válidos, mas os consultórios de psicólogos e psiquiatras estão cheios. Quando há uma catástrofe, já ninguém pensa em chamar um sacerdote, mas sim um psicólogo. Isto sem falar na enorme clientela para toda a espécie de bruxaria. Fala-se muito em depressões, em medicamentos anti-depressivos, MAS A TEOLOGIA DA GRAÇA, MEDICINAL, ELEVANTE ACTUAL E SANTIFICANTE É ABSOLUTAMENTE DESCONHECIDA. Sempre foi o grande sonho da maçonaria: UM MUNDO SEM O MENOR VESTÍGIO, PÚBLICO, SEMI-PÚBLICO E ATÉ DOMÉSTICO, DA SANTA MADRE IGREJA E DA FÉ CATÓLICA – A ELE CHEGÁMOS! 

A Graça Santificante impede as depressões, claro que não impede o sofrimento moral Sobrenatural sem o qual não nos podemos santificar; todavia o conceito de depressão possui já como pressuposto uma anemia espiritual derivada da habitual ausência de organismo Sobrenatural; a depressão é a doença das sociedades urbanas, totalmente materialistas e hedonistas, desumanamente pulverizadas de um são convívio familiar e laboral, sociedades fruto da industrialização e da maior e mais cruel artificialização da existência. As grandes massas, completamente cegas para as coisas de Deus, correm para a ruína comum.

A Graça Santificante, infundida logo no Santo Baptismo, constitui um tesouro infinito na Ordem Sobrenatural, possuindo mesmo dulcíssimos efeitos medicinais na saúde da alma, e até mesmo, por vezes, indirectamente, na saúde do corpo. Porque os Bens Sobrenaturais pressupõem bens Preternaturais medicinais que constituem um refrigério para as consequências do pecado original, para a ferida na natureza, e são um bálsamo para a concupiscência em desordem. 

A alma enriquecida e nobilitada pela Graça Santificante unifica, e consequentemente também simplifica a sua vida, em todos os domínios. Por outro lado, os Dons do Espírito Santo, consectários que são da Graça Santificante, iluminam e ilustram de tal forma a nossa alma, que projectam horizontes e perspectivas caracterizadamente novas à nossa peregrinação terrestre, perspectivas essas radicalmente inacessíveis a quem não possui vida Sobrenatural; o mundo dos primeiros e dos segundos difere como a noite do dia, só se mantendo as aparências mais superficiais. Basta pensar nisto: Se os homens, sendo só e apenas matéria, se podem equiparar aos brutos, sem nenhum princípio essencial que os distinga, tal gera um padrão de reacção pessoal, familiar e social, medularmente diferente, do daqueles outros, para quem os homens são corpo e alma, chamados na Terra a amar Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus.

A presença da Graça Santificante nas almas – ou a sua ausência – irradia consequências, não apenas no plano pessoal e familiar, mas igualmente na esfera social e política. Aqui reside a razão profunda das piores guerras que enlutaram a Humanidade terem ocorrido, precisamente, no século XX – O SÉCULO MAIS ÍMPIO E MAIS HEDIONDO, POIS QUE NELE SE OPEROU A SINERGIA QUANTITATIVA DE TODO O MAL DO MUNDO, TAL COMO SE PROCESSOU A SINERGIA DE TODOS OS CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E TÉCNICOS.

A Graça Santificante nas almas muito aperfeiçoa, extrìnsecamente, a inteligência natural. No Paraíso Terrestre, Adão e Eva, podiam ignorar e certamente ignoravam – MAS NÃO PODIAM ERRAR. Porque a sua privilegiada condição Preternatural e Sobrenatural, as suas ideias infusas como casal fundador da espécie humana, era absolutamente incompatível com o erro, não só religioso, mas também no que concerne à Ordem Natural.

A Graça Santificante, participação na Natureza Divina, supera infinitamente a cultura que o mundo pode dar; os maiores sábios, se não estiverem na Graça de Deus, nada aproveitarão eternamente da sua sabedoria humana, a qual até lhes pode ser positivamente nociva, pois que rejeitam a Lei d’Aquele que tudo criou, e que possui a Chave das Essências.

Referimos há pouco que a Graça Medicinal sara, até certo ponto, numa ordem Preternatural, a ferida na natureza e as desordens da concupiscência; mas a Graça Santificante,    essencialmente elevante, sobretudo quando atinge um alto grau, pode extinguir totalmente o fogo da concupiscência desordenada, visto que o mal não reside na própria concupiscência, MAS NA SUA DESORDEM, ORIUNDA DO PECADO ORIGINAL.

A acção prática, operativa, deve constituir a vertente exterior do nosso ser interior, numa coerência tendencialmente perfeita. Pois bem, quanto maior for a unidade do nosso ser, mais fàcilmente a ordem prática reflectirá, homogèneamente, com toda a limpidez e transparência, a ordem especulativa, O QUE SÒMENTE A GRAÇA SANTIFICANTE PODE FACULTAR.

A Graça Santificante enxerta-nos de pleno direito no Corpo Místico, recebendo assim todos os eflúvios Sobrenaturais de Nosso Senhor Jesus Cristo, bem como dos outros membros, merecendo Sobrenaturalmente em plenitude, e acumulando tesouros para a Eternidade. Efectivamente, as boas acções, mesmo realizadas sob o influxo da Graça Actual, mas em pecado mortal, em nada merecem para o Tesouro da vida Eterna, podendo, contudo, preparar e dispor de certo modo, moralmente, a alma a acolher ulteriormente os Bens Sobrenaturais. Na realidade, não podemos sequer preparar-nos para receber a Graça de Deus com as nossas forças naturais – É DEUS QUEM NOS PREPARA PARA DEUS!

Anàlogamente, os pecados veniais não extinguem nem diminuem a Graça Santificante, mas DEBILITAM A ALMA, TORNANDO MAIS FÁCIL A QUEDA MORTAL. Porque com o pecado venial nós não obliteramos o Fim último, apenas não nos orientamos para Ele da forma mais directa.

Todas estas sublimes realidades são, não apenas ignoradas, mas odiosamente rejeitadas pela seita conciliar, QUE É A MAÇONARIA INTERNACIONAL. Exactamente por isso, as ruínas morais e até físicas de vão acumulando em progressão cada vez mais acelerada.

Só Deus Nosso Senhor pode, verdadeiramente, socorrer as descomunais misérias humanas; nenhuma ciência, nenhuma técnica, nenhuma psicologia, nenhuma psiquiatria, pode nem mesmo servir de paliativo para a absoluta demencialidade  em que consiste as criaturas, transcendentalmente  portadoras do sinete da contingência, o procurarem renegar, procedendo como Adão e Eva, querendo prescindir d’Aquele que, queiram ou não, constitui o seu Princípio e o seu Fim.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 5 de Janeiro de 2019 Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Veritati Catholicæ

Non Habemus Papam. Em defesa da verdadeira Igreja Católica. Contra a falsa igreja ecuménica de Mário Bergoglio

Novus Ordo Watch

Fátima e a Paixão da Igreja

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: