Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Daily Archives: Janeiro 9, 2019

FORO INTERNO E FORO EXTERNO NA AUTORIDADE DA SANTA MADRE IGREJA

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«Ainda que Deus possa operar de per si, com Seu Poder, o que opera a natureza criada, contudo Ele quis, com benigno conselho da Sua Providência, SERVIR-SE DOS HOMENS PARA AJUDÁ-LOS; e como, na Ordem Natural, serve-se da obra e contribuição do homem para comunicar às coisas a perfeição conveniente,  assim também procede para conceder a santidade e a salvação ao homem. Ora é sabido que não pode haver nenhuma comunicação entre os homens a não ser por meio das coisas externas e sensíveis. Por isso (O Verbo) assumiu a natureza humana e “tendo a condição Divina, esvaziou-Se a Si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana”(Fl 2, 6-7); e assim, morando na Terra, ensinou pessoalmente a Sua Doutrina e os preceitos da Sua Lei.

E como era conveniente que a Sua Missão Divina fosse perene, reuniu à Sua volta alguns discípulos da Sua Doutrina e tornou-os participantes do Seu Poder, e tendo chamado do Céu sobre eles o Espírito da Verdade, mandou-lhes percorrer toda a Terra, pregando fielmente o que lhes tinha ensinado e mandado, para que todo o Género Humano pudesse conseguir a santidade na Terra e a felicidade Eterna no Céu.

Por essa finalidade e por força desse princípio, foi gerada a Santa Igreja, a qual, se considerarmos o fim último a que é dirigida e as causas próximas da santidade, é certamente espiritual; mas se considerarmos os membros que a compõem e os meios que levam à consecução dos Dons espirituais, é externa e necessàriamente visível. Os Apóstolos receberam a missão de ensinar através de sinais que são percebidos pela vista e o ouvido; e eles não a cumpriram de outra forma, a não ser que com ditos e factos que impressionam os sentidos. E assim a sua voz, atingindo externamente os ouvidos, produziu a Fé nos ânimos: “POIS A FÉ VEM DA PREGAÇÃO, E A PREGAÇÃO É PELO MANDATO DE CRISTO”(Rom 10,17). E ainda que esta Fé, ou a adesão à Verdade primeira e suprema, de per si, esteja contida na mente, contudo é preciso que se manifeste com uma profissão explícita: “POIS QUEM CRÊ DE CORAÇÃO OBTÉM A JUSTIÇA, E QUEM CONFESSA COM A BOCA OBTÉM A SALVAÇÃO”(Rom 10,10). Assim também para o homem não há nada de mais interno do que a Graça Celeste, que produz a santidade, mas os instrumentos ordinários e principais para nela participar são externos: Chamamo-los Sacramentos, que são administrados com ritos determinados, por pessoas escolhidas exactamente para isso. Jesus Cristo mandou aos Apóstolos e seus sucessores em perpétuo que instruíssem e dirigissem as gentes, e a elas mandou acolher a sua Doutrina e estar submetidas e obedientes ao seu poder. Todavia, esses direitos e deveres recíprocos no Cristianismo, não só não se poderiam manter, mas nem mesmo se iniciam, a não ser através dos sentidos, intérpretes e indicadores das coisas.

É por isso que muitas vezes as Escrituras Sagradas chamam à Igreja ora “Corpo” ora “Corpo de Cristo”. “Ora vós sois o Corpo de Cristo” (ICor 12,27). Como Corpo ela é visível, e enquanto é de Cristo é um Corpo vivo, operante e vital, porque Jesus Cristo a guarda e sustenta com Seu Poder imenso, como a videira alimenta e torna frutíferos os seus ramos. Como nos animais o princípio de vida é Eterno e completamente escondido, contudo revela-se e manifesta-se pelo movimento e atitude dos membros, assim também na Santa Igreja, o princípio de vida Sobrenatural manifesta-se com evidência pelas suas acções.»

A constituição ontológica do homem, animal racional, situa-se na fronteira do mundo material com o mundo espiritual, sintetizando um meio de conhecimento que vincula o concreto sensível ao abstrato inteligível. O homem é um animal racional e não um espírito encarnado; efectivamente, o corpo não constitui um estorvo, um peso entenebrecedor do conhecimento, mas o único meio através do qual o homem pode captar a realidade envolvente. A ALMA SEPARADA NÃO É PESSOA, ENCONTRANDO-SE AMPUTADA DE ALGO QUE É ESSENCIAL AO COMPOSTO HUMANO – A SUA UNIDADE ORGÂNICA. Deus concede à alma separada, que ainda não goze da Divina visão, determinadas espécies inteligíveis, ministrando-lhe certos conhecimentos que ela já não pode obter mediante o corpo, COM O QUAL A ALMA PERMANECE EM RELAÇÃO ESSENCIALMENTE TRANSCENDENTAL.

Segundo a Doutrina Tomista, sempre absolutamente preferível, todo o conhecimento humano é edificado a partir de bases sensíveis concretas. Não há ideias inatas, nem actuais, nem virtuais, o que existe é a inteligência humana, COM POTENCIALIDADE PARA CONHECER TODO O SER, PORQUE ELA PRÓPRIA É SER, criada por Deus, O Qual também criou todo o Universo, que também É SER; e é precisamente no seio desta transcendental e analógica simpatia, e por meio dela, que a alma pode extrair o inteligível actual do sensível, bem como proceder à indução filosófica e científica, realmente amplificadora do conhecimento. Porque, ao contrário da Tese Escotista, o sensível não é actualmente inteligível, mas apenas virtualmente, deixando assim margem ao seu processamento por parte do denominado entendimento agente.

Nós só podemos conhecer o que vai na alma seja de quem for por qualquer forma de manifestação externa; jamais por transmissão de pensamento, que é impossível neste vida mortal, mas que ocorre entre almas separadas e entre Anjos, e entre Anjos e almas separadas. 

Desde sempre  que a Santa Madre Igreja distinguiu entre foro externo e foro interno, podendo este ser sacramental ou extra-Sacramental. O GOVERNO EXTERNO das almas, na sua relação Sobrenatural com Deus, mas passando necessàriamente pelos Seus representantes, consagra de uma forma especial a unicidade da Verdade, da Infalibilidade e da Santidade da Santa Madre Igreja, como Pessoa Moral de Direito Divino e Corpo Místico de Cristo. Todavia seria absurdo que a Instituição fundada por Deus Nosso Senhor não gozasse de poderes efectivos no que concerne ao GOVERNO EXTERNO E SOCIAL das almas, o qual vela pela boa ordem, hierárquica e orgânica, da FACE HUMANA DO CORPO MÍSTICO, utilizando o seu poder de constrangimento espiritual, bem como – através do Estado verdadeiramente Católico – o seu poder de coacção temporal. Assinale-se, contudo, que em caso de defecção das potências civis, A SANTA MADRE IGREJA POSSUI PODERES DIRECTOS DE COACÇÃO TEMPORAL; POIS QUEM PODE O SOBRENATURAL, PODE O NATURAL, EM ORDEM AO SOBRENATURAL.

Teològica e Canònicamente, desde sempre constituiu prática rigorosa da Santa Madre Igreja, o separar a jurisdição no foro externo da jurisdição no foro interno, muito especialmente no foro interno sacramental, o qual refere a alma absolutamente ao seu Criador e Consumador, com a Mediação do Tribunal da Penitência. E tão sagrado é ele, que o confessor jamais pode fazer uso exterior dos conhecimentos que possa ter obtido na administração do Sacramento da Penitência. A ciência adquirida através da Confissão é ciência negativa, é como se não existisse. E na longa história de escândalos e apostasias com que, através dos séculos, por vezes nos deparamos, ressalta um facto sublime: Não há relatos de violação qualificada do segredo sacramental, mesmo por parte de sacerdotes e bispos apóstatas, que poderiam utilizar este processo para rebaixar homens de Igreja que, eventualmente, tivessem caído nalgum pecado mais odioso.

Não é verdade que a Santa Madre Igreja não cuide e não exerça a sua autoridade sobre a vida puramente interior dos fiéis. Ela cuida caridosamente dos bens internos das almas, como cuida da sua boa ordem exterior. Sem esquecer que através de manifestações exteriores é perfeitamente possível, e até necessário, governar a intimidade da alma.

Porque o Corpo Místico de Cristo, cuja Cabeça terrena constitui uma só autoridade com a Cabeça Divina, sem deixar de o ser, forma igualmente uma SOCIEDADE, VISÍVEL, PERFEITA, DE DIREITO PÚBLICO SOBRENATURAL. É esta última, mais a sua cabeça terrena, que foi usurpada pela maçonaria internacional na segunda metade do século XX. Note-se, porém, que uma realidade institucional que é usurpada continua a existir, de Direito, na sua personalidade moral, na formalidade da sua orgânica, embora, materialmente, de facto, encontre-se expelindo as blasfémias e as barbaridades da entidade usurpadora.

Em tempo algum Nosso Senhor Jesus Cristo e os Apóstolos negaram a possibilidade de um eclipse da visibilidade da Santa Madre Igreja. Muito pelo contrário. A Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição, apontam precisamente para isso: A TENSÃO ESCATOLÓGICA DA TRADIÇÃO E DA DOUTRINA CATÓLICA SÃO CONSTITUTIVAS DE UMA PROJECÇÃO E INDICAÇÃO MUITO OSTENSIVA NO SENTIDO DE UMA APOSTASIA UNIVERSAL. ESTAMOS NELA! O QUE DEUS NOSSO SENHOR EXIGE DE NÓS, É SÓ AQUILO QUE PODEMOS FAZER, COM AS NOSSAS ESCASSAS POSSIBILIDADES MATERIAIS. AMEMOS SOBRENATURALMENTE A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS, E DA SUPERABUNDÂNCIA DA NOSSA CARIDADE, DA NOSSA CONTEMPLAÇÃO, DAREMOS O MAIS BELO TESTEMUNHO DA NOSSA FIDELIDADE À SANTÍSSIMA TRINDADE E À SUA GLÓRIA EXTRÍNSECA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 9 de Janeiro de 2019 Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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