Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ABSOLUTAMENTE LETAL SEPARAÇÃO ENTRE RELIGIÃO E MORAL

Escutemos o Papa Pio XI, em passagens da sua encíclica “Caritate Christi”, promulgada em 3 de Maio de 1932:

«Sabemos muito bem, e convosco veneráveis irmãos deploramos que em nossos dias, a ideia e as palavras “expiação e penitência” tenham perdido em grande parte, e para muitos, a virtude de suscitar aqueles entusiasmos do coração e aqueles sacrifícios heróicos, que em outros tempos infundiam, quando se apresentaram aos olhos dos homens de Fé como que marcados pelo sinete de Deus, à imitação de Cristo e dos Seus Santos.

Nem faltam alguns que quereriam pôr de parte as mortificações externas como coisas de tempos idos; e não falemos do moderno “homem autónomo” que despreza a penitência como expressão de índole servil. E é óbvio, efectivamente, que quanto mais se debilita a Fé em Deus, tanto mais se ofusca e desaparece a ideia de um pecado original e de uma primitiva rebelião do homem contra Deus; e por isso ainda mais se perde a noção da necessidade da penitência e da expiação.

Nós, pelo contrário, veneráveis irmãos, devemos, por

obrigação do nosso múnus pastoral, levantar bem alto estes nomes e estes conceitos, e conservá-los em sua lídima significação e genuína nobreza, e ainda mais na sua prática e urgente aplicação à vida cristã. A isto nos move a própria defesa de Deus e da Religião que estamos propugnando, porquanto a penitência é, por sua natureza, um reconhecimento e restauração da Ordem Moral NO MUNDO QUE SE FUNDAMENTA NA LEI ETERNA, isto é, no Deus vivo. Aquele que oferece a Deus a satisfação pelo pecado, RECONHECE POR ISSO MESMO A SANTIDADE DOS SUPREMOS PRINCÍPIOS, A SUA FORÇA ÍNTIMA DE OBRIGAÇÃO, A NECESSIDADE DE UMA SANÇÃO CONTRA QUEM OS TRANSGRIDE. É, sem dúvida, um dos mais perigosos erros do nosso tempo, o ter-se pretendido separar a moralidade da religião, minando, assim, toda a base sólida de qualquer legislação. Este erro intelectual, podia passar despercebido, e parecer menos perigoso, quando se circunscrevia a poucos, e a Fé em Deus era ainda um Património comum da Humanidade, sendo tàcitamente pressuposta mesmo por aqueles que dela já não faziam abertamente profissão.

Hoje, porém, que o ateísmo se está infiltrando nas classes populares, as consequências práticas de tal erro, TORNARAM-SE TERRÌVELMENTE PALPÁVEIS E ENTRAM NO MUNDO DAS TRISTÍSSIMAS REALIDADES. EM VEZ DAS LEIS MORAIS QUE SE DESVANECEM JUNTAMENTE COM A PERDA DA FÉ EM DEUS, IMPÕE-SE A VIOLÊNCIA DA FORÇA BRUTA, QUE ESMAGA TODO O DIREITO. A lealdade antiga, a rectidão nas transacções, e no comércio mútuo, tão decantadas até pelos próprios retóricos e poetas do paganismo, cede agora o passo às especulações sem consciência, tanto nos negócios próprios como nos alheios. E na verdade, como pode manter-se um contrato, seja ele qual for, e que valor pode ter um tratado ONDE FALTE TODA A GARANTIA DE CONSCIÊNCIA? E como se pode falar em garantia de consciência, ONDE DESAPARECEU TODA A FÉ E TODO O SANTO TEMOR DE DEUS? SUPRIMIDA ESTA BASE DIVINA, CAI COM ELA TODA A LEI MORAL. E já não há remédio algum que possa impedir a lenta, mas inevitável, RUÍNA DOS POVOS, DAS FAMÍLIAS, DO ESTADO, E DA PRÓPRIA CIVILIZAÇÃO HUMANA.»

Sabemos que o Dogma não pode ser separado da Moral, esta, efectivamente, constitui a face operativa do Dogma. Todavia, ambos, Dogma e Moral, SÃO RELIGIÃO; na exacta medida em que as nossas boas acções, bem como os nossos sofrimentos, devem ser, Sobrenaturalmente, oferecidos a Deus, NUM VERDADEIRO E PRÓPRIO ACTO DA VIRTUDE DA RELIGIÃO. Consequentemente, não devemos dizer sòmente que a Religião é a base da Moral, porque esta é, essencialmente, constitutivamente, Religião.

Etimològicamente, o termo “religião” provém do termo latino “religio” e do verbo “religare”, quer dizer: Vincular, prender, unir;  significando então “Religião” a relação transcendental, de ordem Metafísica e Teológica, que une a criatura espiritual a Deus Nosso Senhor.

O Dogma faculta-nos os conteúdos cognitivos, Sobrenaturais, que devem enriquecer infinitamente a nossa inteligência, mediante o Hábito Teologal da Fé, o qual só Deus pode fundamentar, e só Deus pode conceder. Mas essa elevação da inteligência procede de um acto de vontade, pois os referidos conteúdos cognitivos NÃO SÃO, NEM PODIAM SER, EVIDENTES POR SI MESMOS. Se o fossem, o crente não seria crente, mas um estudioso de fenómenos histórico-culturais ou físico-biológicos. Na nossa vida quotidiana, neste tristíssimo mundo, nós somos bombardeados com infindáveis fontes de conhecimentos, dos quais não podemos possuir experiência directa, mas nos quais geralmente acreditamos, segundo a veridicidade e veracidade da fonte. Mas em determinadas matérias, sobretudo científicas, existe uma muito grande, ou mesmo total, identificação entre representação, objecto representado, e objecto significado. Por isso a ciência é positiva, ao passo que as disciplinas literárias e filosóficas são, preponderantemente, não positivas; pois que nelas o acto de ser do sujeito produz certa mediação entre a representação, o objecto representado e o objecto significado. Mas positividade não é, de maneira nenhuma sinónimo de objectividade. A Fé Teologal é infinitamente objectiva, mas não é, nem podia ser positiva. Mesmo os “Preambula Fidei”, por exemplo, as provas filosóficas da existência de Deus, sendo perfeitamente racionais – “ex ratione”; integram, porém, o concurso do acto de ser moral do sujeito – “cum voluntate”. A Fé Teologal, por outro lado, é “ex voluntate” e “cum ratione”. Um indivíduo moralmente medíocre, jamais poderá atingir a essência da Sã Filosofia, embora possa ser exímio, como frequentemente sucede, nas falsas filosofias do mundo.

Deve contudo assinalar-se, que no comum dos crentes, dos verdadeiros crentes, não dos nominais, o acto de Fé Teologal incorpora já, sobrenaturalmente, a certeza do ser de Deus Revelador, Infinitamente Veraz e Infinitamente Verídico.

Deste quadro conceptual se infere, que a ÚNICA MORAL, NÃO SÓ TEM DE SER RELIGIOSA, COMO TEM DE SER NECESSÀRIAMENTE SOBRENATURAL. Uma moral puramente natural, não só permanece infinitamente aquém da salvação Eterna, como não se insere num PRINCÍPIO TRANSCENDENTE, EFICAZ E HABITUAL, QUE ASSEGURE A ESTABILIDADE, A EXTENSÃO E A PROFUNDIDADE DA VIRTUDE. Por isso a virtude puramente natural é, incerta, volúvel, caduca e etérea. É que as consequências fortíssimas do pecado original só podem ser combatidas, com a ajuda de Deus, e em meio Sobrenatural.

Aniquilar a Religião como Moral Sobrenatural para só ficar com uma moral laica, como diz o Papa Pio XI, é erradicar em absoluto todos os fundamentos e  toda a finalidade e sentido da nossa vida aqui na Terra. Efectivamente, até os animais possuem o instinto, QUE É, DE CERTA FORMA, UM PRINCÍPIO DE ORDEM PROVIDENCIAL, neles enxertado pelo Criador ao serviço do conjunto da Criação, e que os deve governar, ainda que de forma determinista. Na criatura espiritual, esse instinto é substituído, na Ordem Natural, pela sindérese, isto é, pelos primeiros princípios da moral, que residem em nós, SÓ PELA REALIDADE DO NOSSO SER ESPIRITUAL ENQUANTO É SER, MAS COMO PRINCÍPIOS QUE REFLECTEM A LUZ DE DEUS. O pecado original e suas consequências, NÃO PODE ATINGIR, INTRÌNSECAMENTE, TAIS PRINCÍPIOS, TODAVIA, DESCOORDENA E SUBVERTE, GRAVEMENTE, A APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS ÀS VICISSITUDES DO QUOTIDIANO. Além disso, quanto mais elevada em Graça está uma alma, mais livre ela é, mais ágil e nobremente se automovimenta na Verdade e no Bem.  Donde se infere, mais uma vez, que a verdadeira e mais sólida virtude é impossível na Ordem Natural.

O nosso organismo Sobrenatural, pela Graça Santificante, pela Caridade perfeita, pelos Dons do Espírito Santo, enxerta em nós, NÃO APENAS UM REFLEXO, MAS UMA PARTICIPAÇÃO FORMAL NA LEI ETERNA, PARTICIPAÇÃO ESSA, QUE NOS CONFERE, ACIDENTALMENTE, A PRÓPRIA VIDA, A PRÓPRIA SANTIDADE DE DEUS. O corolário destas maravilhas, É QUE NA NOSSA ALMA, A RAZÃO COGNITIVA E SOBRENATURAL DA FÉ É A RAZÃO DA NOSSA CARIDADE E A RAZÃO DA NOSSA OPERAÇÃO MORAL.

Todavia, não é apenas a um nível puramente individual que esta participação se deve processar. O conjunto da sociedade humana não depende menos de Deus do que os indivíduos isolados. Os Poderes que regem as sociedades devem também participar ingentemente da Lei Eterna Sobrenatural, e consegui-lo-ão como braços seculares da Santa Madre Igreja. Só assim se constituirão como poderes formalmente considerados. Caso contrário, na melhor das hipóteses, serão poderes puramente materiais, dotados de um ascendente também puramente material – A FORÇA BRUTA. E aqueles poderes caracterizadamente oriundos do mundo do crime, como o nazismo, o estalinismo, ou o estado islâmico, nem poderes materiais são, mas realidades directamente infernais. A seita conciliar, à sua maneira, como máfia do ateísmo, como multinacional da cleptocracia e da pederastia, deve ser considerada um poder directamente infernal.

As legislações privadas do ÚNICO E VERDADEIRO LEGISLADOR, estão intrìnsecamente exauridas de Ser, de Verdade, de Bem, constituem um puro “nada”, porque flutuam na incerteza, na precariedade, e na mais profunda contingência. Como foi dito, só se podem manter pela força bruta, porque não possuem o Direito Divino Sobrenatural, não gozam daquela perenidade, daquela inconcussa solidez, que é sòmente o apanágio infrangível das coisas de Deus. Exactamente por isso, as legislações do mundo mudam contìnuamente, não apenas acidentalmente, mas essencialmente. Certamente que o próprio dinamismo natural da vida terrena, MESMO SEM PECADO ORIGINAL E PECADOS ACTUAIS, obrigaria a um evolução puramente acidental da legislação, como aconteceu com o Direito Canónico da Santa Madre Igreja ao longo da História. Mas aquilo a que assistimos neste pobre mundo, quer no espaço, quer no tempo, É A UMA EXTREMA RELATIVIDADE DAS LEGISLAÇÕES E DOS REGIMES POLÍTICOS. Ora, relatividade significa NADA! Porque a contingência, a abaleidade, sem o Absoluto, sem a Asseidade Divina – dissolve-se em puro nada! Neste particular, o “filósofo” menos incoerente do século XX, terá sido Sartre, pois sintetizou literàriamente O PAVOROSO CAOS COGNITIVO E MORAL DO HOMEM CONTEMPORÂNEO, PARA O QUAL, DE RESTO, BEM CONTRIBUIU. O termo “Filosofia”, significa amor da Sabedoria, portanto, Filosofia, verdadeiramente, só há uma, que é a Tomista. As “filosofias” do nada – são anti-filosofias, E MATAM A INTELIGÊNCIA E A ALMA, BEM COMO A TODOS OS BENS SOBRENATURAIS.

E tanto é assim, que a maçonaria internacional, na sua tremenda perversidade, e sabendo perfeitamente QUE UMA INSTITUIÇÃO QUE MUDA, ESSENCIALMENTE, E SE CONTRADIZ NÃO PODE SER DIVINA, USURPOU E CORROMPEU AS FUNÇÕES MAIS ALTAS DA SANTA MADRE IGREJA, PARA QUE AS ALMAS FIÉIS CONCLUÍSSEM: Ah! AFINAL MUDOU TUDO, PORTANTO NÃO ERA ESTA A VERDADEIRA RELIGIÃO. Foram milhões, sobretudo entre os melhores, que perderam a Fé à conta deste falso raciocínio.

Não olvidemos que a Fé Teologal, formada pela Caridade, É CONFIRMADA NAS OBRAS. Não, evidentemente, pela magnitude material dessas obras, que frequentemente não depende de nós, MAS PELO AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, COM QUE SÃO REALIZADAS. Porque os Mandamentos da Lei de Deus não são arbitrários, mas intrìnsecamente conformes à Verdade e ao Bem Absoluto e Incriado. Diz o Apóstolo Santiago:”Se alguém escuta a Palavra e a não põe em prática, assemelha-se ao homem que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se como era. Aquele, porém, que medita com atenção a Lei perfeita da liberdade, e nela persevera, não como ouvinte que fàcilmente se esquece, mas como cumpridor fiel dos Seus preceitos, ESTE ENCONTRARÁ A FELICIDADE NO QUE FIZER”(Tg 1,22-25).

O grande São Lourenço, arquidiácono do Papa Xisto II martirizado em 10 de Agosto de 258, tendo sido intimado a entregar os tesouros da Igreja, prodigalizou uma multidão de indigentes, dizendo:” Estes são os tesouros da Igreja, que pelas esmolas recebidas, nos acumulam um tesouro Eterno no Céu.”   

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 10 de Agosto de 2017 Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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