Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A CEGUEIRA DA GRANDE MASSA POPULAR

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua encíclica “Fulgens Corona”, promulgada em 8 de Setembro de 1953:

«Mas para que a piedade não permaneça apenas uma palavra vã, nem se torne uma simples imagem falaz da Religião, nem um sentimento fraco e caduco de um momento, antes seja sincera, verdadeira e eficaz, deve estimular-nos todos, segundo as condições de cada um, à conquista da virtude. É necessário que, antes de mais nada, a todos excite aquela inocência e integridade de costumes, que foge e aborrece até a mais pequena mancha de pecado, já que comemoramos o mistério da Santíssima Virgem, cuja Concepção foi Imaculada e isenta de toda a culpa original.

Parece-nos que a Santíssima Virgem, a qual em todo o curso da sua vida nunca se afastou em nada dos preceitos e dos exemplos do seu Divino Filho – quer nas alegrias, de que foi suavemente inundada, quer nas tribulações e nas dores mais atrozes, que a constituíram Rainha dos Mártires – parece-nos, repetimos, que a todos e cada um de nós, diga aquelas palavras que proferiu nas Bodas de Caná, apontando Jesus Cristo aos servos do banquete: “Fazei tudo o que eles vos disser (Jo 2,5). Parece que cabe a nós repetir a todos, hoje, essa mesma exortação, num sentido ainda mais vasto, visto que é de absoluta evidência QUE A RAIZ DE TODOS OS MALES COM QUE SÃO ATORMENTADOS OS HOMENS, COM TANTA ASPEREZA E VEEMÊNCIA ANGUSTIADOS OS POVOS E AS NAÇÕES, PROVÉM DO FACTO DE QUE MUITOS “ABANDONARAM A FONTE DE ÁGUA VIVA E ABRIRAM CISTERNAS PARA SI, CISTERNAS DESCONJUNTADAS, QUE NÃO PODEM CONTER ÁGUA”(Jr 2,13)E ABANDONARAM AQUELE QUE É O “CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA” (Jo 14,6). Se portanto se errou, é necessário voltar ao caminho recto; se as trevas dos erros perturbaram as mentes, devem ser, sem demora, dissipadas pela Luz da Verdade; se aquela morte, que é a verdadeira morte, se apoderou das almas, é necessário recuperar a vida, com vivo e eficaz desejo; referimo-nos àquela vida celeste que não conhece ocaso, porque tem a sua origem em Cristo Jesus, com Quem gozaremos no Céu a Bem-Aventurança Eterna, se com ânimo confiante e fiel O seguirmos nesta Terra de exílio.

Isso nos ensina e exorta a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, nossa dulcíssima Mãe, que nos ama com verdadeiro amor, sem dúvida, mais do que todas as mães terrestres. Como sabeis, Veneráveis irmãos, os homens de hoje têm grande necessidade dessas exortações e convites para que voltem para Cristo, e se conformem diligente e eficazmente com os Seus ensinamentos, quando tantos tentam desairragar da sua alma a Fé Cristã, ora astuciosamente e com insídias ocultas, ora com uma propaganda e exaltação clara e obstinada dos seus erros, propalados com tanta ostentação, como se fossem glória do progresso e do esplendor deste século. MAS REJEITADA A NOSSA SANTA RELIGIÃO, E NEGADAS AS DETERMINAÇÕES DIVINAS QUE SANCIONAM O BEM E O MAL, É SUMAMENTE EVIDENTE QUE PARA QUASE NADA SERVEM AS LEIS, E COMO QUE FICA REDUZIDA AO MÍNIMO A AUTORIDADE PÚBLICA; POR VIA DE CONSEQUÊNCIA, OS HOMENS, PERDIDAS A ESPERANÇA E A CERTEZA DOS BENS IMORTAIS, COM ESSAS ENGANADORAS DOUTRINAS, PROCURAM IMODERADAMENTE, POR SUA PRÓPRIA NATUREZA, OS BENS TERRENOS, COBIÇAM ÀVIDAMENTE OS DO PRÓXIMO, E QUANDO A OCASIÃO E A POSSIBILIDADE SE LHES PROPORCIONAR – APODERAR-SE-ÃO DELES! MESMO PELA FORÇA. Daqui nascem os ódios, as invejas, as rivalidades, e as discórdias entre os cidadãos; daqui vem a perturbação da vida pública e privada, e gradualmente se arruínam os fundamentos do Estado, que difìcilmente poderão ser mantidos e reforçados pela autoridade das leis civis e dos governantes; daqui, finalmente, deriva a depravação dos costumes, pelos espectáculos licenciosos, pelos livros, jornais e crimes sem conta.

Reconhecemos que nesse campo a autoridade do Estado não pode fazer muito; na verdade, a sanação de todos estes males só pode encontrar-se noutra Fonte mais elevada; é necessário recorrer a uma força mais forte do que a humana, PARA QUE ESCLAREÇA COM A LUZ CELESTE OS ÂNIMOS, PENETRE-OS E OS RENOVE COM A DIVINA GRAÇA, E OS TORNE MELHORES COM O SEU AUXÍLIO.»  

 

 

Por volta do ano de 1970, os jornais portugueses publicaram uma notícia de um singular acontecimento: Uma aldeia portuguesa havia-se tornado protestante. Como interpretar tal acontecimento? Na realidade tal pressuporia que até essa data a dita aldeia era católica, mas sê-lo-ia? Evidentemente que apenas de Baptismo, bem como de uma prática ESTRITAMENTE MIMÉTICA E NOMINALISTA, POR EFEITO PURAMENTE MECÂNICO E SUPERSTICIOSO DE ROTINAS SOCIAIS. Consequentemente, os habitantes dessa aldeia apenas se passaram a mimetizar de outra forma, tanto mais que eles só distinguiam o catolicismo do protestantismo pelo facto do novo pastor ser casado.

A 13 de Maio de 1974, pouco depois da Revolução do 25 de Abril em Portugal, alguns jornalistas deslocaram-se a Fátima, muito se admirando com o facto das demonstrações de “fé” serem tão efusivas quanto as manifestações de júbilo pela dita revolução, que recorde-se, foi maçónica – comunista. Desconheciam os referidos jornalistas, que quer as festas alusivas à revolução, quer as relativas a Fátima, eram sòmente constitutivas do mimetismo nominalista atrás referido. As massas não são comunistas, nem anti-comunistas, não são católicas, nem anti-católicas – FORMALMENTE, NÃO SÃO NADA! Movem-se ao sabor da representação momentaneamente mais forte.

Argumentar-se-á que sempre é melhor ser católico nominal do que ser ateu de convicção; mas tal é absurdo, porque o mimetismo nominalista constitui sòmente um puro automatismo psico-motor totalmente impróprio e indigno de seres racionais. Não olvidemos o que Nosso Senhor escreveu à Igreja de Filadelfia: “Oxalá fosses frio ou quente, mas como és morno, vomitei-te da Minha presença” (Ap 3,15.17). O ateu convicto, sob a unção da Graça Divina, pode vir a ser um bom católico; mas o mimético-nominalista, porque formalmente não é nada, muito mais difìcilmente sairá do seu torpor e da sua acídia.

E não se afirme que as grandes massas nominais possuem a Fé do carvoeiro, porque isso é falso. Frequentemente tenho afirmado que a denominada Fé do carvoeiro pode até ser a Fé de um santo. Mas as massas nominais são, tendencialmente, materialmente, SUPERSTICIOSAS, e não crentes; e não por serem de condição humilde; bem pelo contrário, a cultura e sabedoria do mundo, possuem a propensão de afastar as almas das coisas do Alto. Ora, as Virtudes Teologais e Morais, a Graça Santificante e os Dons do Espírito Santo, facultam sobrenaturalmente, com sublimação de Infinita riqueza, aquilo que nas pessoas humildes falta de cultura humana. Para melhor entender isto, vamos aprofundar certas noções: A Virtude da Fé – que é um acidente Sobrenatural cognitivo, especulativo, que nobilita a faculdade da inteligência em ordem à Verdade Infinita – formada pela Caridade perfeita – Virtude Sobrenatural, acidental, que nobilita a vontade em ordem ao Bem Infinito – e pela Graça Santificante – Hábito entitativo, que nobilita a essência da alma, transformando-a em espelho fiel de Deus Uno e Trino – a virtude da Fé constitui uma PARTICIPAÇÃO REAL NA INTELIGÊNCIA DIVINA, TAL COMO A CARIDADE CONSTITUI UMA PARTICIPAÇÃO NA CARIDADE E SANTIDADE DIVINAS, E A GRAÇA SANTIFICANTE UMA PARTICIPAÇÃO NA NATUREZA DIVINA. Porque pela Graça, a alma é, acidentalmente, o que Deus é essencialmente.

A Teologia Dogmática, fundamentalmente Tomista, ensina que os eleitos do Céu conhecem intuitivamente, pela Visão Beatífica, a Essência Divina, porque Esta adere, mediante o Lume da Glória, à inteligência das almas, sem a mediação objectiva de qualquer outra realidade. E na forma dessa Essência Divina podem os  eleitos conhecer toda a universalidade do Ser, incluindo o que se passa na Terra, até ao Juízo Final. Tal acontece, porque todo o ser da Criação É, não existe, É virtualmente em Deus.

Neste quadro conceptual, quando a alma mais humilde deste mundo, goza da Fé formada pela Caridade perfeita e pela Graça Santificante, essa alma – embora num grau de perfeição muito inferior à Visão Beatífica – conhece todas as verdades da Fé, mesmo aquelas a que não tem acesso por via experimental, e conhece-as num plano virtual próximo, ainda que muito menos próximo do que a referida Visão Beatífica. É que o nosso organismo Sobrenatural, embora acidental, supera infinitamente as coisas criadas, e sendo participação na Natureza Divina, necessàriamente integra todo o objecto da Fé, com diversos níveis de profundidade, homogèneamente correspondentes aos diversos graus de santidade.

E aqueles que longe da civilização não conhecem, sem culpa, a Nosso Senhor Jesus Cristo, poderão conhecê-l’O só pelo Hábito da Fé e pela Graça Santificante? Podem conhecer a Nosso Senhor de forma virtual próxima, quanto mais santidade possuírem mais próximo será esse conhecimento extraordinário, ainda que não deixe de ser virtual. Todavia, a Providência ordinária dispôs que as almas tomem contacto com as realidades da Fé, concretamente, através do Catecismo e da frequência assídua do Santo Sacrifício da Missa e das cerimónias Litúrgicas em geral.

O problema da grande massa, hoje como ontem, porque o nominalismo supersticioso popular soçobra na noite dos séculos, reconduz-se ao lastro de grande miséria moral que é apanágio do pecado original. Já Santo Inácio de Loyola, na Espanha Católica do século XVI aludia ao facto das massas irem à Missa tal como vão pescar, caçar ou pecar. E o próprio Santo Inácio, antes da sua conversão, é bem o exemplo da rotina religiosa das massas – FORMAS EXTERIORES TOTALMENTE DESPROVIDAS DE CONTEÚDO, QUE OS PROFETAS E O PRÓPRIO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, VIOLENTAMENTE ANATEMATIZARAM.

Que também existem almas de grande qualidade; evidentemente que sim, sempre houve, há, e haverá porque isso também Nosso Senhor Jesus Cristo no-lo prometeu. Mas se a grande massa das pessoas que vai a Fátima, hoje como ontem, fosse verdadeiramente católica – PORTUGAL SERIA UM PAÍS TOTALMENTE DIFERENTE DAQUILO QUE É, E FOI.

O que dói mais é que Fátima, como Altar do Mundo e repositório da Infinita Misericórdia Divina bem como da Mediação Universal de Maria Santíssima, é hoje, e desde há quase sessenta anos, propriedade da maçonaria internacional, que lá edificou um templo consagrado a satanás, onde se manobram as forças do Inferno.

Insiste-se, é nos Mistérios de Fátima que reside a solução que reconstituirá a linhagem dos Papas. Ora o núcleo desses Mistérios é medularmente constitutivo do apelo solene à Santidade, ao amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, de todo o Corpo Místico, Docente e discente. Sem este cimento, sem esta forma estruturante, que só Deus pode conceder, mas que sòmente o homem poderá realizar, nada se poderá edificar.

Nem olvidemos que devemos amar a Nossa Senhora, sobrenaturalmente, sobre todas as coisas, embora menos do que a Deus Nosso Senhor; porque amamo-la em Deus, por Deus, e para Deus, não com amor terreno, humano, sensível, mas com verdadeiro amor sobrenatural, indissociável da Caridade Suprema que nos une à Santíssima Trindade.   

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral        

A PALAVRA DA IRMÃ LÚCIA E O SEGREDO DE FÁTIMA

 

Arai Daniele

Não há dúvida que a responsabilidade de ser a porta-voz de Nossa Senhora da Mensagem de Fátima foi para uma menina peso enorme, que só podia ser sustentado por graças proporcionais, Sabemos que estas não faltaram, mas por isto mesmo, muitos esperam ver na Irmã Lúcia comportamento de uma santidade impecável.

Ora, diante de certas suas contradições depois de 1959, não poucos levantam a hipótese de duas irmãs, sendo a segunda programada pela atual Igreja conciliar, para aceitar todas as novidades desde então em curso, da nova missa às várias manobras ecumenistas.

Por tudo isto queremos rever aqui a os dados para aquilatar a sua fidelidade na transmissão da Mensagem e as suas limitações no entendimento de sua interpretação. De fato, este não poderia superar, do ponto de vista teológico, o conhecimento teológico de que a Irmã dispunha.

Parece claro que a esta limitação se deve ligar a frase de Nossa Senhora, repetida por Lúcia no seu diário, quando no dia 2 de janeiro de 1944 a autorizou e escrever a 3ª parte do Segredo, dizendo: “escreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado”.

Esta frase da Mãe de Deus faz entender tratar-se do significado deduzido de uma visão simbólica cujo sentido, para a Vidente, posto que não consta seu registro, a Irmã só poderia imaginar segundo a experiência religiosa por ela vivida naqueles anos. Por causa disto se põe a questão: poderia Lúcia entender a visão simbólica como um ataque mortal ao Papado num tempo de paixão final da Cristandade?

Talvez isto transparece apenas na entrevista da Irmã ao P. Fuentes, que ela foi levada a desmentir.

Mas voltemos à origem do seu testemunho a fim de não confundir imprecisões iniciais da menina com contraditórios desmentidos quando era já freira no Carmelo de Coimbra em 1959.

 

No fim de seu quarto manuscrito a irmã Lúcia escreveu:

  • “Não poucas pessoas se têm demonstrado bastante admiradas com a memória que Deus se dignou dar-me. Por uma bondade infinita ela é em mim bastante privilegiada em todo o sentido. Mas nestas coisas sobrenaturais não é de admi­rar porque elas gravam-se no espírito de tal for­ma, que é quase impossível esquecê-las; pelo menos o sentido das coisas que elas indicam nunca se esquece, a não ser que Deus o queira também fazer esquecer.”

Sobre a posição pessoal da Irmã, aqui são reproduzidas algumas páginas do livro do teólogo mariano P. Messias Dias Coelho, «O que falta para a conversão da Rússia», Fundão, 1959.

 

  • «… não quer dizer que a vidente esteja isenta do esquecimento. Se o estivesse teria repe­tido em 1941, as palavras de 1917, ou pelo menos todas as ideias que então exprimiu, o que não aconteceu, como vimos. De resto, não é verdade que Lúcia tenha afir­mado que fixara ou reproduzira textualmente as palavras da Virgem, como já se tem dito e escrito. Ao contrário, ela mesma declarou em 1946, numa entrevista a William Thomas Walsh que, ao citar as palavras da Virgem, se limitou a exprimir o seu sentido.
  • —  Ao referir as palavras do Anjo e de Nossa Senhora — perguntou o escritor — a Irmã repro­duz as palavras exactas, tal como foram pronun­ciadas, ou somente o seu sentido geral?
  • —  As palavras do Anjo — respondeu a Irmã — eram duma intensidade e duma força, tão grande, eram tão cheias de realidade sobrenatural, que eu não podia esquecê-las. Parecia que se me tinham gravado, tais quais eram e para sempre na memó­ria. Quanto às palavras de Nossa Senhora, a ques­tão é outra. Não poderei dizer que todas as palavras sejam exactas. Não me é fácil explicar bem estas coisas. Nos relatórios do Dr. Formigão há uma passa­gem que corrobora o que acima fica exposto. Na visita que o benemérito apóstolo de Fátima fez a Aljustrel, em 2 de Novembro de 1917, notou que Lúcia vacilava num ou noutro pormenor. Desfe­chou-lhe então a seguinte pergunta: — No dia 13 não tinhas dúvidas como agora, acerca do que a Senhora disse. Como se explicam as tuas dúvidas de hoje?
  • Ao que a vidente respondeu: — Nesse dia lembrava-me melhor. Tinha sido há menos tempo. Não sei que vantagem possa haver em exage­rar a tenacidade da memória da Irmã Lúcia, como tantas vezes se tem feito. Toda a gente sabe que ela é extraordinária. Aí estão os manuscritos a testemunhá-lo, mas isso não obsta, a que Lúcia se tenha enganado ou até errado em questões de pormenor, como acima se demonstrou e mais adiante voltaremos a constatar.
  • Posto isto, resta-nos concluir:
  • Se os depoimentos da Irmã Lúcia nos não ga­rantem uma reprodução exacta das palavras da Virgem, será descabida e sem fundamento, qual­quer argumentação baseada na interpretação tex­tual dos mesmos. Uma vez porém que a vidente foi fiel transmissora da essência da mensagem, é absolutamente legítimo aproveitar os seus depoimentos, para, através das ideias neles expressas, deduzir com toda a segurança, o que Nossa Senhora de Fátima quer de todos e cada um de nós.
  • A interpretação da mensagem de Fátima é portanto uma operação de conjunto que não po­derá limitar-se à análise duma palavra, duma frase, ou mesmo do diálogo inteiro duma aparição.
  • Por se esquecer esta verdade, é que a revela­rão da Cova da Iria tem sido tantas vezes adulte­rada e diminuída, mesmo em obras de fôlego e sob a sigla de nomes já feitos no campo da Teolo­gia e das Letras. Antes de mais, há que descobrir a espinha dorsal que liga, um a um, todos os fenó­menos de Fátima, desde a la aparição do Anjo, à última visita de Nossa Senhora.
  • Engana-se quem suponha que Fátima foi uma revelação em prestações. Foi antes uma revelação monolítica, uma revelação continuada, um desen­volvimento progressivo, ora mais rápido, ora mais lento, mas sempre constante, da mesma doutrina, da mesma semente que, lançada à terra na pri­meira intervenção do Céu, foi sucessivamente ger­minando, crescendo, aumentando, até se tornar a maior e a mais vasta de quantas a Cristandade já recebeu, depois da morte do último Apóstolo. Não seria nada difícil descobrir nas palavras do Anjo, o resumo das palavras da Virgem, até mesmo daquelas que mais «novidade» trouxeram como são as que se referem à reparação ao Coração Imaculado de Maria. Sendo assim, para compreender cabalmente a mensagem de Fátima, é mister apreender todos os dados que os videntes e as demais testemunhas nos fornecem. Só dessa maneira, poderemos com segurança, destrinçar o essencial, do supérfluo; o quadro, da moldura ; a gema, do engaste.
  • DEPOIMENTOS  INTERPRETATIVOS
  • Pouco, ou nada nos depoimentos de 1917, um tanto nos manuscritos de 1941 e bastante nas en­trevistas orais ou escritas, concedidas a uns e outros, foi a Irmã Lúcia interpretando, como pôde e soube, a mensagem que do Céu recebera. Pergunta-se qual o valor que essas interpre­tações nos merecem?
  • Numa revelação destinada não apenas à Igreja, mas ao mundo todo — como é a de Fátima — uma criança pode ser escolhida para interme­diária, mas nunca para intérprete. Intérprete é a Teologia, ou se quisermos, a Igreja tanto Docente como Discente, uma vez que ambas são permanen­temente imbuídas e vivificadas pelo Espírito Santo que «ensina toda a verdade». A Igreja dis­cente enquanto pratica e a docente enquanto prega e ensina, são os padrões pelos quais se deverá afe­rir não só a ortodoxia, mas também o sentido de qualquer comunicação sobrenatural. Isto basta para se concluir que o valor das in­terpretações: da Irmã Lúcia não ultrapassa o da sua cultura teológica pessoal — cultura mínima, no início das aparições, cultura, hoje, um pouco mais desenvolta, mas ainda -assim, reduzida e in­suficiente para tarefa tão alta.
  • A destrinça entre as duas fases da história das mensagens de Nossa Senhora, — comunicação e interpretação — tão evidente no caso de Fátima, é aliás comum a muitas outras aparições. Parece que o- Céu quer propositadamente evidenciá-la, não só para confirmar o papel da Teologia, na vida da Igreja, como ainda para realçar o carácter comu­nitário e de certo modo universal, das mais im­portantes revelações privadas. Bernardette Soubirous não só não sabia inter­pretar o que a Celeste Visão lhe disse na Gruta de Massabielle, como nem sequer entendia o signi­ficado próprio de certas palavras que a Virgem pronunciara. O sentido de «Eu sou a Imaculada Conceição», por exemplo, era para ela, um misté­rio indecifrável.
  • O mesmo aconteceu em La Salette. Melânia não tinha a menor noção do que significassem as pala­vras infalível e anti-Cristo que a Visão pronun­ciara.
  • Em Fátima, nenhuma das três crianças sabia o que era a Rússia, nem sequer quem era Pio XI. Todos conhecem a cândida ingenuidade com que a Jacinta interpretava a referência da Vir­gem, aos pecados da carne e a certeza e, depois, a hesitação com que Lúcia atribuiu a profecia da «noite iluminada» à aurora boreal de 1938, che­gando a afirmar que esse fenómeno, observado
  • e estudado por tantos observatórios, não era real­mente uma aurora boreal.
  • Sem tentarmos de forma nenhuma fazer o ca­tálogo das inexactidões da Irmã Lúcia, lembra­remos apenas mais três. A primeira é a já referida frase «a guerra acaba hoje» que a vidente repetiu várias vezes, perante os peregrinos da Cova da Iria e depois perante o Dr. Formigão e o Pároco de Fátima, apesar de todas as objeções que lhe eram apre­sentadas. Estudaremos adiante este erro, com o possível desenvolvimento. A segunda é a afirmação contida no 4.° manus­crito, de que a aparição de Agosto se deu a 15 desse mês — data inadmissível, por contradizer vários documentos da época que a fixam a 19…
  • Finalmente, registaremos apenas uma terceira confusão. No manuscrito de 1941, Lúcia ao con­tar a aparição de Agosto, atribui a Nossa Senhora estas palavras: «…o (dinheiro) que sobrar é para a ajuda duma capela que hão-de mandar fazer».
  • Ora conclui-se da análise histórica das aparições, que só no mês de Setembro, é que a Virgem falou da construção da capela. A referência à construção- da capela não apa­rece no relatório do Prior de Fátima (redigido dois dias após a aparição) nem nas declarações que constam do processo canónico, elaborado em 1924. Isto porém não seria argumento bastante, pois nada impedia que a Visão se referisse duas vezes ao mesmo assunto…
  • Quem se der ao trabalho de examinar detalhadamente os documentos a que acima nos referi­mos, encontrará vários outros «deslizes» que só não apontamos, para não alongar demais este ca­pítulo.
  • Erros deste género são perfeitamente com­preensíveis e explicáveis adentro da multiplicidade de facetas e da grandiosidade de dimensões que a história de Fátima assume. Se esta hou­vesse durado menos tempo e incluísse menos diá­logos, poder-se-ia estranhar uma ou outra inexac­tidão. Assim, nada mais natural para uma criança, do que esquecer um pormenor, ou trocar o sentido duma frase. O contrário— a concordância per­feita, matemática em tantos e tão variados pon­tos, é que seria de temer e difícil, muito difícil de explicar.
  • Embora o nosso intento fosse analisar as inter­pretações da Irmã Lúcia, quisemos de propó­sito, focar aqui os «deslizes» informativos, acima enunciados, a fim de podermos concluir a, fortiori para a possibilidade de erro, na explicação da mensagem. De facto, se a vidente comete inexac­tidões na transmissão das palavras da Virgem, coisa que pode considerar-se função específica dum intermediário, com mais razão as deverá co­meter na interpretação da mesma que de forma nenhuma lhe pertence.
  • Para não assustar certos espíritos demasiada­mente propensos a exageros tanto na apreciação do bem, como na condenação do mal, acrescenta­remos que os erros de que falámos são o- que há de mais natural e a prova é que se verificam, com grande frequência, na vida dos santos.
  • Santa Joana d’Arc, por exemplo, interpretou erradamente a predição do seu martírio, julgando que ele consistiria apenas na prisão e nos tormen­tos que nela sofreu. Santa Hildegarda que teve verdadeiras revelações, misturou a mensagem re­cebida do’ Céu, com certas crenças da época acerca da existência de monstros, dragões e outros ani­mais fabulosos. Santa Catarina Emmerich e Santa Maria de Agreda adornaram inconscientemente as revelações recebidas, com a sua própria ima­ginação. A Beata Anna Maria Taigi, beatificada em 1920, predisse que Pio IX viveria 27 anos e que veria o triunfo da Igreja e a conversão da Inglaterra, da Rússia e da China.
  • Ora a verdade é que Pio IX viveu 32 anos e morreu, prisioneiro, bem longe de ver a realiza­ção de qualquer desses prodígios. S. Vicente Ferrer gastou os últimos 21 anos da sua vida, a anunciar a proximidade do fim do Mundo e do Juizo Final e fez milagres, em abono do que dizia. Apesar disso, o fim do Mundo não veio, como também não veio o fim de Ninive, pre­dito pelo profeta Jonas, porque o povo se arre­pendeu e mudou de vida.
  • Houve vários santos que foram privilegiados com a visão dos sofrimentos de Cristo, no Calvá­rio. Comparando as suas descrições, vê-se que, em­bora elas concordem no essencial, discordam bas­tante nos pormenores que chegam a ser não ape­nas diferentes, mas opostos e irreconciliáveis p).
  • No caso de Fátima, os erros de que falámos não excedem as proporções do acidental e, como já acima frisámos, só confirmam a realidade das aparições. Que mais se poderia esperar de crian­ças de 7, 8 e 10 anos? Se até Santa Teresa de Ávila, a grande Santa Teresa, Doutora e Mestra do Carmelo, a quem a Igreja levantou uma está­tua com esta inscrição Maiter Spiritualium, se até ela se reconhecia incapaz de transmitir com fide­lidade, o que Deus lhe comunicara, que admira que tenha havido uma ou outra incongruência, em tão pequenos pastorinhos da serra, que, além de novos, eram rudes e sem qualquer espécie de ins­trução?
  • *    *
  • «Concluamos portanto:
  • «É ridículo, e quando se trata da religião, tudo o que é ridículo é prejudicial, dizer, ou supor que a Irmã Lúcia tem dons carismáticos, como qual­quer profeta, ou apóstolo do Antigo, ou do Novo Testamento.
  • É igualmente ridículo invocar o seu testemu­nho-, como já se tem feito, para. defender certas interpretações da mensagem de Fátima que a Teo­logia não abona, nem o bom senso consente.
  • «A missão da Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado, como muito bem diz a Superiora do Carmelo de Santa Teresa, de Coimbra foi transmitir a mensagem da Virgem, o- que já fez e exuberantemente. Não lhe peçam porém que in­terprete o que escreveu ou disse. Peçam isso aos teólogos, à Hierarquia, aos apóstolos de Fátima que o Espírito Santo suscita, quando e onde muito bem lhe apraz. «Ubi vult».

*   *   *

Agora há que tratar não mais de imprecisões ou esquecimentos  da irmã Lúcia, mas de contradições suas a partir do tempo de João 23, que censurou o 3º Segredo, justamente quando este seria mais claro, nas palavras de Lúcia ao cardeal Alfredo Ottaviani em 1955.

Na entrevista ao padre Agustin Fuentes em dezembro de 1957, que ainda por uns meses era tempo do pontificado de Pio XII, foi publicado o aviso da Mãe de Deus: “Senhor Padre, o demônio está operando a batalha decisiva contra a Virgem Maria, e o que mais aflige o Coração Imaculado de Maria e de Jesus é a queda das almas religiosas e sacerdotais. O demônio sabe que sacerdotes e religiosas, descuidando de sua excelsa vocação, arrastam muitas almas para o inferno.”

A Irmã non anos 70 acusou esse “desvio diabólico”, como poderia então seguir e pedir que fossem seguidos desviados, sem apurar o motivo fundamental e geral desse desvio presente no Vaticano 2? Poderia valer a regra da obediência cega diante deles? Afinal, não era verdade justamente o que a Mãe de Deus havia lhe dito e ela transmitira ao padre Fuentes? Porque desmenti-lo então? Afinal tudo esto estava em meu livro «Entre Fátima e o Abismo», que lhe foi levado em mãos pela sua sobrinha Maria do Fetal, que ni mês seguinte me trouxe a resposta: – Está correto, mas é polêmico!

E assim se foram acumulando contradições suscitadas do «alto», das quais relatarei uma de que fui pessoalmente testemunha. A consagração da Rússia ao Imaculado Coração não fora feita e isto era repetido pela Irmã até 1989. Nesta ocasião foi convidado para ouvir uma comunicação do p. Messias Coelho no hotel Solar da Marta. Havia outras pessoas e o rv. Bellwood estava comigo. Era mensagem do Vaticano para os ativistas de Fátima: – a Consagração da Rússia já foi feita por João Paulo 2º (25.3. 84) e não se deve mais importunar o Santo Padre sobre isso! Perguntei ao p. Messias, que escrevera o livro citado se o recado era também para a Irmã e se ele concordava. Respondeu afirmativamente dizendo, afinal já foi feita a consagração do mundo que compreende a Rússia!

Como se vê a obediência conciliar acarreta as mais tolas contradições contra consciência!

NOSSA SENHORA ESTEVE EM FÁTIMA EM CORPO E ALMA

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da sua encíclica “Ad Diem Illum”, promulgada em 2 de Fevereiro de 1904:

«Quem não reconhecerá, que justamente nós afirmamos que Maria, assídua companheira de Jesus, desde a casa de Nazaré até ao Calvário, iniciada mais do que qualquer outro nos segredos do Seu Coração,  dispensadora, por direito de Mãe, de todos os Tesouros dos Seus Méritos, é por tudo isso ajuda ainda mais segura e eficaz para chegar ao conhecimento e amor de Cristo?

Prova evidente disso, nos dão infelizmente, com sua conduta deplorável, aqueles homens que seduzidos pelos artifícios do demónio, ou enganados por falsas doutrinas, CRÊEM PODER DISPENSAR O SOCORRO DA VIRGEM. Miseráveis e infelizes, transcuram Maria com a desculpa de renderem honra a Cristo! IGNORAM QUE NÃO SE PODE ENCONTRAR O MENINO SENÃO COM MARIA, SUA MÃE.

Estando assim as coisas, Veneráveis irmãos, queremos que apontem a esse escopo, todas as solenidades que se preparam por toda a parte em honra da Santa e Imaculada Conceição de Maria. Nenhuma homenagem, afinal, lhe é mais agradável e doce do que o nosso reconhecimento e o nosso verdadeiro amor a Jesus. Multidões de fiéis ocupem então as igrejas, celebrem-se Festas solenes, haja alegria nas cidades. Tudo isso é muito agradável para reavivar a Fé. MAS SE NÃO SE JUNTAR A ISSO OS SENTIMENTOS DO CORAÇÃO, TUDO NÃO PASSARÁ DE EXTERIORIDADE E SIMPLES APARÊNCIA DE RELIGIÃO. A esse espectáculo,  a Virgem, usando as Palavras de Cristo, assim nos repreende: “ESTE POVO HONRA-ME COM OS LÁBIOS, MAS O SEU CORAÇÃO ESTÁ LONGE DE MIM”(Mt 15,8).

Uma vez que, enfim, o culto autêntico da Mãe de Deus é aquele que vem espontâneo do coração,  os actos do corpo não têm, neste caso, nem utilidade nem valor, se vêm separados do impulso interior. Esse impulso deve ser dirigido a este objectivo: Que nós observemos plenamente o que manda o Divino Filho de Maria. Afinal, se o verdadeiro amor é apenas aquele que tem a virtude de unir as vontades,  necessàriamente, nós devemos ter a mesma vontade de Maria, isto é, DE SERVIR AO CRISTO SENHOR. Cada um se convença então, que se a devoção que professa à Santíssima Virgem não o remove do pecado, nem lhe inspira a expiar suas culpas, TRATA-SE DE DEVOÇÃO FALSA E MENTIROSA, DESPROVIDA DO SEU FRUTO PRÓPRIO.»

 

 

Mesmo na Santa Madre Igreja pré-conciliar, existiam certos autores, que não sendo modernistas, declaravam que nas Aparições de Nossa Senhora, se tinha verificado não uma presença física da Senhora, mas apenas uma forma luminosa objectiva, Sobrenatural, que sensìvelmente a representava. Esta tese não é herética, porque pode perfeitamente realizar-se; mas no caso de Fátima, Lourdes, La Salette, e outras Aparições mais importantes, deve, calorosamente, defender-se a presença de Nossa Senhora em corpo e alma, continuando, evidentemente, espiritualmente, no Céu. Neste caso particular, deve inserir-se a Aparição da Sagrada Família em 13 de Outubro. No caso de São José, embora o autor destas linhas sustente que é, futuramente, perfeitamente definível, por um verdadeiro Papa, a Assunção de São José, por enquanto, teològicamente, tal constitui sòmente uma pia opinião, e neste caso a Aparição de São José não poderia ser corporal, mas apenas em espírito.   

É A MAGNITUDE ESPIRITUAL, SOBRENATURAL, UNIVERSAL, DAS APARIÇÕES DE FÁTIMA QUE EXIGE UMA PRESENÇA, NÃO APENAS ESPIRITUAL, MAS IGUALMENTE CORPORAL. Noutras aparições, menos importantes, pode realmente ter-se verificado, sòmente, uma presença espiritual. Deus Nosso Senhor procede como quer. Entre este nosso pobre mundo e o além, existe um abismo ontològicamente absoluto, que só Deus Nosso Senhor pode franquear.

Note-se que Nossa Senhora esteve presente de modo circunscritivo, e só nesse sentido – natural. Assinale-se que Nosso Senhor Jesus Cristo, no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, está presente, não pela comensurabilidade do Seu acidente transcendental de quantidade com as dimensões do espaço em que se situa, mas, imediatamente, pela própria forma substancial. Exactamente por isso, o Corpo Eucarístico de Cristo pode estar presente, simultaneamente, em vários locais, porque embora possua extensão entitativa, por disposição Divina, tal extensão não é actualmente circunscritiva. Esta explicação é FILOSÓFICA, E ESTRITAMENTE TOMISTA; A FÉ TEOLOGAL, SOBRENATURAL, SOBRETUDO QUANDO FORMADA PELA CARIDADE PERFEITA, CONFERE À ALMA, POR PARTICIPAÇÃO NA INTELIGÊNCIA DIVINA, UMA CERTEZA DA PRESENÇA EUCARÍSTICA QUE ULTRAPASSA TODOS OS PENSAMENTOS E CERTEZAS TERRENAS E HUMANAS. O ESTUDO FILOSÓFICO FACULTA APENAS UMA EVIDÊNCIA EXTRÍNSECA DO DOGMA, MAS QUE É APOLOGÈTICAMENTE EXTREMAMENTE NECESSÁRIA PARA CORTAR CERCE AS PRETENSÕES DA HERESIA.

Neste quadro conceptual, infere-se que mesmo a Aparição do Menino Jesus deve considerar-se verdadeira em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, e além disso circunscritiva tal como a de Nossa Senhora. Nunca olvidemos que o corpo glorioso, seja O de Nosso Senhor, seja o de um santo, pode livremente manifestar-se sob qualquer idade, precisamente porque o santo ressuscitado, transcendentalmente – NÃO TEM IDADE, PORQUE VIVE NA ETERNIDADE, EMBORA POSSUA, ATÉ AO FIM DOS TEMPOS, UMA COMENSURABILIDADE EXTRÍNSECA COM O TEMPO TERRENO.

Há pessoas que colocam certas perplexidades no relato das Aparições do Anjo de Portugal. Terão os pastorinhos comungado verdadeiramente? Sem dúvida que sim, a hipótese contrária seria uma blasfémia lançada à veracidade de Deus Uno e Trino. Mas seria o Anjo sacerdote? Nenhum Anjo pode ser Sacerdote; visto que tendo sido o Género Humano, síntese transcendental de corpo e espírito, redimido por Nosso Senhor Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, ENQUANTO VERBO ENCARNADO, por um Sacrifício Visível, DE VALOR INFINITO, incruentamente renovado nos nossos Altares; o sacerdote ministro instrumental de Nosso Senhor só pode ser um homem; não pode ser mulher, nem Anjo. Além disso, o Anjo, na ordem natural, não possui, nem pode possuir, poder, para consagrar as Sagradas Espécies. SÓ DEUS NOSSO SENHOR COMO CAUSA PRINCIPAL EFICIENTE. Consequentemente, as Sagradas Espécies provieram decerto de alguma igreja, porque Deus Nosso Senhor procede hieràrquicamente, com suavidade e equilíbrio.

Na multiplicação evangélica dos pães, Nosso Senhor Jesus Cristo não criou pão ou peixe, não, fabricou o pão a partir dos seus elementos constituintes, e recolheu o peixe, de forma Preternatural, evidentemente, com o auxílio do Ministério dos santos Anjos.

Tudo o que ficou dito não infirma que em certas Aparições exista apenas um concurso sensível e objectivo de formas luminosas, com fundamento absoluto Sobrenatural. E no milagre do Sol, evidentemente que o sistema solar e planetário não foi abalado. Mas Deus Nosso Senhor, servindo-Se também aqui do concurso dos Anjos, proporcionou um conjunto de fenómenos ópticos extraordinários com finalidade estritamente Sobrenatural, como o fez, aliás, com o Papa Pio XII, nos jardins do Vaticano. Noutros casos, como em certos castigos, Deus Nosso Senhor pode mesmo aproveitar, materialmente, algum fenómeno natural, integrante da Providência ordinária, por exemplo, um terramoto; mas inserindo-o, formalmente, num sentido e numa intenção de Providência extraordinária, punitiva, ou outra.

As Aparições, em Pontevedra, à irmã Lúcia possuem todas as características que assinalam a presença corporal de Jesus e Maria; mas já não as Aparições em Tuy. Mas o valor Sobrenatural de ambas é idêntico, na manifestação da Infinita Misericórdia Divina.

É necessário ter em linha de conta que a modernista concepção que substitui o termo “Aparição” pelo termo “visão”, esta posição JÁ É HERÉTICA, PORQUE ANIQUILA O VALOR E O FUNDAMENTO  OBJECTIVO E SOBRENATURAL DA APARIÇÃO, PARA DAR LUGAR A UM PURO FENÓMENO PSICOLÓGICO PURAMENTE SUBJECTIVISTA, SENÃO MESMO PATOLÓGICO. É PERFEITAMENTE TÍPICO DO IMANENTISMO MODERNISTA.

É evidente, QUE QUEM FLUTUA ENTRE O ATEÍSMO E O AGNOSTICISMO, NÃO PODE CONCEBER APARIÇÃO ALGUMA; E POR ISSO, TÃO FREQUENTEMENTE, SE AGARRAM ÀS DITAS CIVILIZAÇÕES EXTRA-TERRESTRES, PARA TENTAREM COLMATAR O SEU PRÓPRIO VAZIO ESPIRITUAL. Note-se que segundo a Revelação imutável, os únicos seres inteligentes da Criação, além do homem, são sòmente os Anjos.

Que Nossa Senhora de Fátima – por Mediação de Quem tantas Graças recebi na infância e adolescência –  possa abençoar estes escritos.»

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 7 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral  

O MODERNISMO NÃO TEM MILAGRES

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da sua encíclica “Pascendi Dominici Gregis”, promulgada a 8 de Setembro de 1907:

«Noutros termos mais breves e mais claros, querem que se deva admitir a EVOLUÇÃO VITAL dos livros sacros, nascida da evolução da Fé e correspondente a esta. Acrescentam ainda que os sinais de tal evolução aparecem tão manifestos, que se poderia escrever a História destes – e chegam até a escrever essa História, e com tanta persuasão, que parecem ter visto, com os seus próprios olhos, cada um dos escritores, que nos diversos séculos, estenderam a mão sobre a Escritura – para ampliá-la.

Para confirmá-lo, recorrem à crítica que chamam textual, e se esforçam em persuadir que este ou aquele facto, estes ou aqueles dizeres, não se acham nos seus lugares, e aduzem ainda outras razões do mesmo quilate. Dir-se-ia, na verdade, que se pre-estabeleceram certos tipos de narrações ou alocuções, que servem de critério certíssimo de julgamento. Com semelhante método, julgue quem puder fazê-lo, se eles podem ser capazes de discernir. E no entanto, quem os ouvir discorrer a respeito dos seus estudos relativos à Escritura, na qual lograram descobrir tantas incongruências, é levado a crer que antes deles ninguèm manuseou aqueles livros, e que não houve uma infinita multidão de doutores, EM TALENTO, EM SABEDORIA, E EM SANTIDADE de vida muito superiores a eles, que os esquadrinharam em todos os sentidos. E para estes sapientíssimos doutores, tão longe estavam as Escrituras de ter alguma coisa de repreensível, que ao contrário, quanto mais eles a aprofundavam, TANTO MAIS AGRADECIAM A DEUS, TER-SE DIGNADO DE ASSIM TER FALADO AOS HOMENS.

Mas é que os nossos doutores não se entregaram ao estudo das Escrituras com os meios de que se proveram os modernistas! Isto é, não se deixaram amestrar nem guiar por uma filosofia QUE TEM A NEGAÇÃO DE DEUS POR PONTO DE PARTIDA, e nem se arvoraram a si mesmos em norma de bem julgar. Parece-nos pois já estar bem declarado o método histórico dos modernistas. O filósofo abre o caminho, segue-o o historiador; logo após, por seu turno a crítica interna e textual. E COMO É PRÓPRIO DA PRIMEIRA CAUSA COMUNICAR A SUA VIRTUDE ÀS SEGUNDAS, CLARO QUE TAL CRÍTICA NÃO É QUALQUER CRÍTICA, MAS POR DIREITO DEVE CHAMAR-SE AGNÓSTICA, IMANENTISTA, EVOLUCIONISTA; E POR ISSO QUEM A PROFESSA, OU DELA SE UTILIZA, PROFESSA OS ERROS NELA CONTIDOS, E SE PÕE EM OPOSIÇÃO COM A DOUTRINA CATÓLICA. Por esta razão, é muito de admirar, que tal género de crítica possa hoje ter tão grande aceitação entre católicos. Isso ocorre por dois motivos: O primeiro é a aliança íntima que se estabelece entre historiadores e críticos deste género, não obstante qualquer diversidade de nacionalidade ou de crenças; o outro é a incrível audácia com que qualquer estranheza que algum deles diga, é pelos outros sublimada e louvada como progresso da ciência; SE ALGUÉM O NEGAR LEVA A PECHA DE IGNORANTE; SE PORÉM A ACEITAR E DEFENDER, SERÁ COBERTO DE LOUVORES. DISSO SE SEGUE, QUE NÃO POUCOS FICAM ENGANADOS, ENTRETANTO SE MELHOR CONSIDERASSEM AS COISAS, FICARIAM, AO CONTRÁRIO, HORRORIZADOS. DESSA PREPOTENTE IMPOSIÇÃO DOS EXTRAVIADOS, DESSE INCAUTO ASSENTIMENTO DOS PUSILÂNIMES, PRODUZIU-SE CERTA CORRUPÇÃO DE ATMOSFERA, QUE PENETRA EM TODA A PARTE E DIFUNDE O CONTÁGIO. »

 

O milagre, enquanto sinete da Verdade Revelada, por vezes impresso por Deus Nosso Senhor para autenticar a Sua Divina Palavra, no seio, e sob a Autoridade, da Santa Madre Igreja, SÓ PODE CONSTITUIR-SE NA FÉ CATÓLICA E PELA FÉ CATÓLICA. Efectivamente, o milagre, que na sua realidade material é acessível a quem quer que o possa presenciar, na sua realidade FORMAL, ou seja, PRÒPRIAMENTE COMO MILAGRE, só é testificável por quem possui a Fé Católica; ou ainda, e isto é fundamental, por quem é atraído à Fé Católica pela realidade desse mesmo milagre, percebida primeiro materialmente, mas com a Graça Divina, elevada à ORDEM FORMAL SOBRENATURAL. Tal sucede, porque a função primordial do milagre, ainda materialmente considerado, é ser condição extrínseca Providencial, altamente interpelante, da Graça Divina, neste caso, da Graça da conversão. Esta concepção aplica-se aos milagres do Antigo Testamento, e fundamentalmente aos milagres operados por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Neste quadro conceptual, compreende-se que os não crentes, sobretudo os respeitadores, afirmem que aquilo que hoje não tem explicação, tê-la-á no futuro, com os desenvolvimentos da ciência. Quanto aos inimigos históricos da Igreja, esses, malèvolamente, atribuem os milagres, como os de Fátima ou Lourdes, à fraude organizada pela mesma Igreja.

Cumpre assinalar que uma Ressurreição constitui um milagre no sentido mais estrito do termo – SÓ DEUS CRIADOR O PODE REALIZAR; E NESTE CASO, O CONCURSO INSTRUMENTAL DA CRIATURA, SOBRETUDO DO ANJO, QUANDO EXISTA, FICA REDUZIDO A UM MÍNIMO MUITO REMOTO.

A cura de certas doenças pode ser realizada pelos Anjos, sob ordens Divinas, mas não deixa de constituir um milagre, precisamente enquanto implica uma intervenção positiva de Deus -através da Ordem Preternatural dos Seus ministros angélicos – no sentido de alterar o curso puramente natural da ordem criada.

No modernismo não há, nem pode haver milagres, com excepção evidentemente, dos milagres que alcançam, por Graça de Deus, a conversão dos mesmos modernistas. É conhecido, e São Pio X recorda-o no trecho acima transcrito, como a base do modernismo é um misto de ateísmo e agnosticismo, convenientemente ornamentado de panteísmo ou antropoteísmo, estèticamente apresentado sob aparências mais ou menos cristãs. Ora, neste quadro conceptual, sendo o milagre, por definição, obra da misericórdia de Deus, o modernismo só poderá aceitar  manifestações consideradas puramente subjectivas e alucinatórias daquilo que valoriza como uma alienação humana – O Catolicismo tradicional! É exactamente essa a interpretação que se deve fazer dos “milagres” da seita conciliar: SÃO FRAUDES EQUIPARÁVEIS A ILUSIONISMO, OU ENTÃO PRODÍGIOS REALIZADOS PELO DEMÓNIO. O demónio, apesar de condenado, continua a ter grande poder sobre a matéria, só que não actua por ordens de Deus, como procedem os Anjos bons em certas curas, actua pela sua iniciativa de ente condenado, a quem Deus concedeu alguma liberdade para atormentar e tentar os homens, até ao fim do mundo. Todavia, dadas as circunstâncias, tudo indica que os “milagres” apresentados pela seita conciliar para as suas falsas e diabólicas canonizações, constituem, pura e simplesmente, MENTIRAS DA MAÇONARIA. Jamais olvidemos que a seita conciliar e a maçonaria internacional são exactamente a mesma coisa. Eles sabem perfeitamente que a grande massa nominalista, imersa nas mais negras supestições, nunca poderá distinguir entre a Santa Madre Igreja e a horrível seita que tomou a sua aparência e os seus contornos exteriores. Porque a amaldiçoada maçonaria possui pleno conhecimento de que neste pobre mundo O QUE CONFERE DINHEIRO E PODER SÃO AS APARÊNCIAS MIMÉTICO-NOMINALISTAS – E QUASE NUNCA AS REALIDADES CELESTIAIS E ETERNAS.

Porque os falsos milagres, as mentiras, o ilusionismo, os prodígios de satanás, POR DEFINIÇÃO, NUNCA PODERÃO CONVERTER NINGUÉM, embora confirmem as pobres almas na superstição.

Fátima é o maior milagre do século XX, até mesmo, em conjunto com Lourdes, o maior milagre da História da Igreja, se excluirmos os da época Apostólica. Quem escreve estas linhas foi com Fátima e em Fátima, que ainda criança, por Graça De Deus, apreendeu a verdadeira realidade da Ordem Sobrenatural; porque quem a desconhece – desconhece tudo, reduzindo a Fé Católica a um puro terrenismo naturalista.

A seita conciliar, a maçonaria internacional, quer destruir Fátima; não o fez, porque o que resta do Santuário é uma copiosa fonte de ouro. Mas exactamente por isso, a amaldiçoada maçonaria procura intensificar E BESTIALIZAR, o mais possível, a já infelizmente tão grande componente de superstição que desde sempre envolveu o Mistério de Fátima.

Se os povos latinos da antiga Cristandade, nos últimos 250 anos, foram presa tão fácil da maçonaria, tal deve-se ao descomunal tributo que esses povos sempre consagraram ao analfabetismo religioso e à mais negra e infame superstição.

Trata-se de um verdadeiro círculo vicioso: Por um lado a ignorância religiosa propicia, de alguma maneira, formas políticas ateias, e por sua vez estas, quando alcançam o poder, corroboram a dita ignorância. Porque o analfabetismo religioso que menciono, não se restringe, de modo nenhum, às classes populares, atinge e sempre atingiu, sobretudo nos países Latinos, também as classes cultivadas segundo os padrões do mundo, embora estas soçobrem bastante mais difìcilmente na superstição positiva. Em Portugal, o analfabetismo religioso de homens formados em Letras, nomeadamente em Histórico-Filosóficas – e portanto obrigados, até por uma exigência puramente cultural, a caracterizarem mais proficientemente os seus princípios intelectuais – atinge o limite do absurdo, quando afirmam, por exemplo, que o Mistério da Santíssima Trindade são três deuses.  Tal também não nos deve surpreender demasiado, porque o regime do Estado Novo Português (1926-1974) manteve nas Cátedras ateus e agnósticos notórios, desde que não fossem comunistas. É exactamente o que o grande Louis Veuillot (1813-1883) afirmava, quando se insurgia contra uma burguesia ateia, que só recorria à Santa Madre Igreja para defender O COFRE FORTE.

Que Deus Nosso Senhor nos defenda de tão hediondos pseudo-católicos.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 23 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

5 de Maio: CENTENÁRIO DO PEDIDO PAPAL AO QUAL NOSSA SENHORA RESPONDEU EM FÁTIMA

Arai Daniele

 

Assim como é certo que um sinal autêntico do Céu é submetido à Igreja e ao seu chefe terreno, também é certo que um sinal de fé tem por objetivo amparar a fé dos homens e também do papa. Essa graça a Igreja conheceu no extraordinário evento de Fátima. Nas aparições de Nossa Senhora a três pastorzinhos em 1917, Deus deu aos homens e às sociedades um claro e eficaz sinal da Sua Vontade e desígnios de graça e misericórdia para o nosso século convulso. Também os fatos transcorridos desde então e profetizados na mensagem registrada pela pastora Lúcia, confirmam a origem deste evento portentoso e as razões por que foi necessário: a crise da Fé na Igreja.

A Sabedoria divina dá sinais proporcionais à gravidade do perigo.

Para aprofundar estas razões considere-se que o evento apresentou-se, desde o início, como um grande aviso cujos termos da mensagem dada aos pastorzinhos eram válidos desde 1917, salvo a parte reservada para ser conhecida em 1960. Os fatos históricos confirmaram isto, no que tange aos “erros espalhados pela Rússia” e suas implicações fora e dentro da Igreja.

Pela natureza mesma da intervenção sobrenatural e pelas palavras da mensagem, fica claro que atender o pedido-ajuda de Nossa Senhora de Fátima é necessário e consiste na única saída para os problemas de nossa época: “Se atenderem a Meus pedidos a Rússia se converterá e terão paz; se não espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja…”  Não há alternativa.

Palavras tão graves demandavam para a fé tremulante dos homens atuais um aval proporcional à entidade dos perigos profetizados. Este sinal no sinal foi previamente anunciado desde a terceira aparição e seguidamente até o majestoso, mas também terrificante, Milagre do Sol, de 13 de outubro de 1917, “para que todos pudessem acreditar”. Um milagre com dia e hora marcados!

Em síntese: em 1917 a Igreja militante recebeu um sinal visível de dimensões incomparáveis e únicas na História, para ser avisada do grande perigo que pendia sobre os povos da Terra e dispor dos meios eficazes para enfrentá-lo com a força da fé. Não há dificuldade em identificar o perigo objetivo na revolução bolchevique russa, pela data, 1917, em que se impôs esse programa de ateísmo militante. Para enfrentar esse mal, convertendo a Rússia e salvando muitas almas, não eram propostos meios impossíveis ou insuportáveis, mas devoções normais para a Igreja. Todavia, o evento de Fátima foi hostilizado e sua mensagem censurada, desprezada e reduzida, até hoje. Por quê? Esse fato não pode revelar uma situação de declínio da fé na Igreja? Não pode ser um aviso implícito no aviso explícito? Não ensinou Jesus que sem Ele nada podemos? E que quem não recolhe com Ele, dispersa? A Igreja reconheceu a autenticidade do sinal que representa claramente os desígnios de Deus em favor dos homens. Por que não foram atendidos?

Às considerações lógicas inerentes ao evento de Fátima, acima expostas, será preciso acrescentar o fato implícito das graves e crescentes dificuldades na fé da Igreja, a espantosa crise da Igreja no século XX. Isto foi visto na sequência cronológica das datas que, representando a Vontade divina, não podem ser casuais. Deve-se, pois, começar pela causa próxima das aparições de 1917, o pedido de intercessão feito universalmente pelo papa Bento XV à Rainha da Paz, cuja resposta não foi reconhecida na época e permanece esquecida. Mas a esta seguiu a desconfiança misturada à indiferença em procurar reconhecer um sinal de autenticidade previsto para 13 de outubro de 1917, já desde a terceira aparição, de 13 de julho: “farei um milagre que todos hão de ver para acreditar”.

Os fiéis e especialmente os padres podem não aceitar sinais sobrenaturais não comprovados, mas recusar as provas do que possa vir de Deus é péssimo indício. O interesse pelo conteúdo da mensagem contida nas aparições que culminaram com o “milagre do sol” é mais que natural para quem tem fé. A prudência na aceitação desta pela Igreja é certamente necessária, mas ordenada ao reconhecimento da verdade, não a sua ocultação.

O evento de Fátima veio iluminar o sentido cristão da História. Como explica dom Guéranger: “O destino humano é sobrenatural; disto se deduz que uma história que não se inspira nas fontes sobrenaturais não é história verídica, por mais cristãs que possam ser as convicções de quem a escreve.”

A chave de leitura do evento de Fátima está sempre na Igreja, mas como depois de tanto tempo ainda não foi revelada toda a sua mensagem nem atendidos seus pedidos, para o bem das almas e da Igreja, é necessário ver a razão disto, que não é devida à oposição externa. Diante disto não é possível continuar mencionando vagamente Fátima sem enfrentar as conclusões a que inevitavelmente leva.

Afinal, por que foi necessário um sinal extraordinário para lembrar o que deveria ser ensinamento ordinário da Igreja sobre a paz? Estava este esquecido ou em vias de ser alterado pelos pastores? É claro que assim sendo a hostilidade a Fátima é a mesma que existe de modo velado contra a própria Doutrina. Esta é bastante clara para sustentar-se por si mesma na mente de qualquer fiel. Igualmente, a mensagem de Fátima, enquanto a repete. Eis, então, que a oposição a esta vai refletir o lastimável estado de fé de muitos pastores.

QUANDO O PAPA PEDIU, NOSSA SENHORA ATENDEU

Quem se dispõe a perscrutar os eventos de Fátima, deve ter presente que um sinal sobrenatural só pode vir expresso na linguagem das Escrituras e da Tradição, pela qual é o desígnio divino a dirigir os eventos do mundo como a órbita do universo. Nesta linguagem está a chave da autenticidade e da compreensão de todo sinal celeste.

Apuremos então a mente na linguagem cristã em que estão cifrados tanto os eventos portentosos como os mais singelos. Nada é fortuito na História e nada escapa à solicitude divina na vida de Sua Igreja. Reconheçamos o motivo próximo das aparições de Fátima para não perder uma manifestação do amor divino, chave de todo saber.

Quando em 1917 os horrores da l.a Grande Guerra provocavam rios de sangue e de lágrimas sem que se pudesse prever o seu fim, o papa Bento XV invocou com toda a Igreja a intercessão de Maria Santíssima pela paz. Eis os termos da carta ao secretário de Estado, cardeal Gasparri, com as disposições para que toda a Igreja invocasse a Rainha da paz nas suas orações mais freqüentes:

  • “Rainha da Paz… Para tal fim, se eleve a Jesus mais freqüente, humilde e confiante, especialmente no mês dedicado a Seu Santíssimo Coração, a oração da miserável família humana para suplicar-Lhe o fim deste terrível flagelo. Purifique-se cada um com maior freqüência no lavabo da confissão sacramental, e ao amantíssimo Coração de Jesus ofereça com afetuosa insistência as suas súplicas. E uma vez que todas as graças que o Autor de todo o bem se digna conceder aos pobres descendentes de Adão provêm, por amoroso conselho de Sua Divina Providência, pelas mãos da Virgem Santíssima, nós queremos que seja dirigido à Grande Mãe de Deus nessa hora horrível, mais que nunca o vivo e confiante pedido de seus filhos muito aflitos. Encarregamos portanto a Vós, Senhor Cardeal, de fazer conhecer a todos os bispos do mundo o nosso ardente desejo que se recorra ao Coração de Jesus, Trono de graças, por meio de Maria. Com esse propósito ordenamos que, desde o dia primeiro do próximo mês de junho, fique inserida na Ladainha de Loreto a invocação Regina pacis, ora pro nobis.
  • “Eleve-se portanto a Maria, que é Mãe de misericórdia e onipotente pela graça, de cada canto da terra, dos templos majestosos como das pequenas capelas, dos palácios e ricas mansões dos grandes como dos mais pobres casebres onde se aloja uma alma fiel dos campos e mares ensangüentados, a piedosa e devota invocação e leve a Ela o angustioso grito das mães e esposas, o gemido dos meninos inocentes, o suspiro de todos os nobres corações: possa mover a Sua amável e muito benigna solicitude a obter para o mundo desvairado a aspirada paz, e possa lembrar depois aos séculos futuros a eficácia de Sua intercessão e a grandeza do benefício por Ela obtido a Seus filhos.”

A carta é de 5 de maio de 1917. Oito dias depois, 13 de maio, na Cova da Iria em Fátima, Maria Santíssima aparecia, qual arco-íris da paz e da graça, para mostrar aos homens o caminho da verdadeira paz neste mundo e da salvação eterna no outro. Seria reconhecida?

De início este evento extraordinário ficou circunscrito à região, mas com o passar dos dias começou “uma concorrência assombrosa de peregrinos incomparavelmente superior a Lourdes na época das aparições e apesar da dificuldade de acesso” (NDOC. p. 95).

Consideremos agora as ações dos papas desde 1917 a esse respeito. Bento XV pediu a intervenção de Maria Santíssima pela paz universal. Não cogitou, porém, que em Fátima veio a resposta; Pio XI, citado na mensagem, apoiou o culto de Fátima e instituiu a festa de Cristo Rei, mas não fez a consagração pedida; Pio XII, chamado o papa de Fátima, atendeu pessoalmente à solicitação, mas sem ordená-la aos bispos. Cabe concluir que a esperança posta no cumprimento da promessa de intervenção do Céu era insuficiente. Como seria em seguida?

João 23 mandou arquivar a parte ainda secreta da mensagem e Paulo 6, embora indo a Fátima em 1967, evitou mencioná-la. Na véspera da viagem leu a exortação apostólica Signum Magnum, com a qual reconhecia em Nossa Senhora a mulher vestida de sol do Apocalipse, mas deu seu pedido por atendido. Não escondeu que punha sua última esperança de paz na ONU.

Paulo 6 foi quem adaptou a Santa Missa aos protestantes, transferiu a liberdade da Igreja aos cidadãos e a tiara, símbolo da soberania de Cristo Rei, aos pobres. Seus sucessores houveram por bem continuá-lo e ao seu Concílio.

Ficava assim instaurada uma Igreja Conciliar onde o projeto de paz passou a depender de iniciativas humanas sem vínculos espirituais. Além do quê, seria a liberdade de consciência e de religião a constituir o fundamento da dignidade dos homens, e como desta destoa prostrar-se contrito diante de Deus para elevar-lhe súplicas de misericórdia, a oração transformou-se em simples e vulgar diálogo. Aos homens livres competiria mais julgar que acatar mistérios.

Essa liberdade de “julgar” o que deve ser verdade é a premissa da grande apostasia, desde o início insuflada pelo iníquo sedutor: “Sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gn. 3,5). São Paulo (Ts.II,2) fala desse mistério de iniqüidade presente também na Igreja desde o início, mas retido até que alguém com o poder das chaves lhe franqueasse a saída do abismo de onde se erguerá para impor na Igreja o culto e o domínio do homem.

Podemos ainda considerar essa liberdade quanto à verdade uma insídia remota e hermética nos nossos dias? É claro que pôr em dúvida a verdade única e os sinais da vontade de Deus é manifestação de apostasia e adesão a poder que, “com sinais e prodígios enganosos, com todas as seduções da iniqüidade para aqueles que se perdem porque não abraçaram o amor da verdade para serem salvos. Por isso Deus lhes enviará o artifício do erro de tal modo que creiam na mentira” (Ts. II, 9-10). Qual artifício do erro maior que o culto do homem, o homem que se faz deus na Igreja de Deus que se fez Homem? Eis a «obra» dos anticristos conciliares!

Blondet & Friends

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AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

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