Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A IMPOSIÇÃO DA EUTANÁSIA AOS BIOLÒGICAMENTE DESFAVORECIDOS

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho de uma sua epístola dirigida ao Bispo de Munster, Clemente Augusto Von Galen – 24 de Fevereiro de 1943:

«Ao nosso Venerável irmão Clemente Augusto Von Galen, bispo de Munster

Acolhemos com gratidão  e alegria os votos que tu, venerável irmão, quiseste enviar a nós, em teu nome e no dos irmãos da tua diocese, no aniversário de nossa eleição e coroação. Chegam-nos, sem dúvida,  de um Pastor, no qual, graças à tradição católica da sua família, e ainda mais, graças a uma compreensão cheia de Fé do seu Ministério Episcopal,  a consciência do laço com o Vigário de Cristo é particularmente viva, e de um rebanho que sempre se distinguiu pela sua fidelidade à Igreja.

Agradecemos a vós, sobretudo por vossas orações; pela oração que elevastes por nós a Deus, por ocasião do nosso aniversário da nossa ordenação episcopal, como também pela oração com a qual, Domingo, implorastes, com o “invocabit” a benção de Deus sobre o quinto ano do nosso pontificado. Podemos, sòmente, encorajar-vos a perseverar na intercessão pelo Sucessor de Pedro, uma vez que é difícil dizer o que é maior, se as necessidades e os perigos que ameaçam e ameaçarão ainda a Santa Igreja, ou as imponentes tarefas e as esperanças do mundo que,  no futuro próximo e distante, se abrem a ela. Nem é necessário acrescentar como, da nossa parte,  na oração e no Santo Sacrifício, recordamos quotidianamente as vossas muitas e muitas intenções: SABEMOS QUANTAS SÃO E QUE APREENSÃO TRAZEM.

Nós te agradecemos, além disso, pelos dois anexos, a carta pastoral de 22 de Março de 1942, a qual foi lida, quase em uníssono, na Alemanha Ocidental e na Baviera, e a carta pastoral para o Advento, lida por vós na Alemanha Ocidental e em Berlim. Ambos os apelos recebem nossa plena aprovação, UMA VEZ QUE COM TANTA CORAGEM DEFENDEM OS DIREITOS DA IGREJA, DA FAMÍLIA, E DE CADA INDIVÍDUO.

RARAMENTE, NA HISTÓRIA MODERNA DA SANTA IGREJA, E TALVEZ NUNCA COMO HOJE, SE MANIFESTOU, DE MANEIRA TÃO TANGÍVEL, A UNIDADE DE DESTINO ENTRE A VERDADEIRA DIGNIDADE HUMANA, A FAMÍLIA E A IGREJA. É UMA CONSOLAÇÃO PARA NÓS, DE CADA VEZ QUE TOMAMOS CONHECIMENTO DE UMA PALAVRA CLARA E CORAJOSA, DA PARTE DE UM BISPO ALEMÃO, OU DO EPISCOPADO ALEMÃO. UMA REFLEXÃO AMPLA VOS CONVENCERÁ DO FACTO DE QUE, COM VOSSOS DISCURSOS RESOLUTOS E CORAJOSOS, EM FAVOR DA VERDADE E DO DIREITO, E CONTRA A ASPEREZA E A INJUSTIÇA, VÓS NÃO INFLIGIREIS DANO À REPUTAÇÃO DO VOSSO POVO NO EXTERIOR; mas, na realidade, são um benefício para ele, mesmo que outros, ainda que sòmente por um instante, deturpando de modo deplorável o estado dos factos, os acusem do contrário. Além de tudo, venerável irmão, tu és o último ao qual precisamos apontar isso expressamente.(…)»

«Tu não seguirás a multidão na prática do mal, nem em juízo te unirás ao parecer do maior número para te desviares da Verdade.» 

                                                   Ex 23,2

«Porque toda a carne é como a erva e toda a sua glória como a flor da erva. Seca a erva, cai a flor, mas a Palavra do Senhor permanece Eternamente.»

                                                IPed 1,24-25

Clemente Augusto Von Galen (1878-1946) foi, talvez, o bispo mais corajoso do século XX. Embora não haja sofrido o martírio cruento, padeceu todas as dores morais, todas as ameaças, todos os máximos perigos, do Defensor da Fé, que não recua perante uma morte quase certa e dolorosa quando se trata de testemunhar a Soberania de Deus Nosso Senhor, bem como da Sua Igreja. Pouco depois da guerra, Von Galen viria a falecer vítima de peritonite, não tendo podido ser operado a tempo, nas condições extremamente desfavoráveis da Alemanha do pós-guerra. 

Foi recentemente apresentada no Parlamento holandês uma proposta para legalizar a eutanásia QUANDO, SEGUNDO OS MALIGNOS AUTORES DA PROPOSTA, JÁ NÃO VALER A PENA CONSERVAR A VIDA DE CERTAS PESSOAS QUE, PELA IDADE OU PELO TIPO DE DOENÇA, FOREM, BIOLÒGICAMENTE, INCAPAZES DE GOZAR A VIDA. E QUEM DECIDIRÁ SOBRE QUEM IRÁ VIVER E QUEM IRÁ MORRER  SERÃO, PRECISAMENTE, AQUELES QUE PELA IDADE OU AUSÊNCIA DE DOENÇA, SE ENCONTRAM, BIOLÒGICAMENTE, APTOS A GOZAR ESSA MESMA VIDA.

Repetidamente se tem afirmado que o processo de aniquilamento sartreano – POR NEGAÇÃO DA LEI ETERNA E DE UMA VERDADE DE SER TRANSCENDENTE, OBJECTIVA E IMUTÁVEL – conduz, irrefragàvelmente, a um vertigem de contínuas mutações, porque nenhuma dá, metafìsicamente, conta de si mesma, e consequentemente, o todo permanece intrìnsecamente absurdo. Neste quadro conceptual, era perfeitamente previsível – no contexto da civilização pós-Cristã, já privada, institucionalmente, de qualquer referência objectiva de Verdade e de Bem – que da denominada eutanásia, sempre e em qualquer caso criminosa, a pedido consciente e comprovadamente lúcido do interessado, se transitasse para a eutanásia nazi, fundamentada na qualidade biológica (ou na falta dela) para gozar a vida. Um idoso com graves moléstias, mas agarrado, legìtimamente, à vida, que recebeu das mãos de Deus Nosso Senhor, JÁ PERDERIA O DIREITO A ESSA VIDA, PORQUE O CUSTO DOS TRATAMENTOS MÉDICO-SOCIAIS SERIA, NO ENTENDER DOS GOVERNANTES, MAIS BEM APLICADO NO INCREMENTO VITAL DE SERES HUMANOS APTOS PARA GOZAR PLENAMENTE A VIDA. Assinale-se, que o conceito de “gozo da vida” é concebido segundo padrões grosseiramente materialistas; nada têm a ver com a felicidade espiritual, menos ainda Sobrenatural, de que as almas podem desfrutar, mesmo no cerne de grandes sofrimentos físicos e morais. É a hegemonia da bestialidade absoluta, que envergonharia até os animais, pois estes dispõem do instinto, o qual constitui um Princípio objectivo de Ordem.

Como se referiu, nada surpreende que de um conceito “simples” de eutanásia, em poucos anos, se transite ao puro genocídio de velhos e doentes físico-mentais profundos, exactamente como na Alemanha de Hitler, precisamente o tipo de monstruosidades que despoletou no Leão de Munster, Von Galen, as suas mais graves objurgações contra o regime nazi, bem como contra todas as falsas filosofias que estiveram na sua base.

É evidente que estamos a assistir ao fim de uma civilização,  mas sobretudo, AO FIM DO MUNDO TERRENO E CORRUPTÍVEL; porque o Género Humano já esgotou, Històricamente, Providencialmente, todas as suas potencialidades Sobrenaturais – agora, É SEMPRE A DESCER!

Como realça Pio XII, “nunca como agora houve prova tão Tangível da unidade profunda entre a verdadeira dignidade humana, a família e a Igreja”; ou seja, as atrocidades nazis, e a própria barbaridade da guerra, demonstraram, a quem possuísse um mínimo de boa fé, a hediondez das falsas filosofias, das falsas religiões, dos falsos princípios políticos e sociais, que a humanidade inventou no decurso da sua atribulada e pecaminosa História; e como essas falsidades se situam a uma distância moralmente infinita da Revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Santidade da Pessoa Moral de Direito Divino que é a Santa Madre Igreja. E QUEM É INIMIGO DE DEUS, ACABA SEMPRE POR SER TAMBÉM GRANDE INIMIGO DOS HOMENS.

Que ninguém sonhe sequer, que os Von Galen actuais seriam os Burke, os Sarah e outros do mesmo jaez. Porque esses só aprofundam a descomunal tragédia em que estamos atolados. Efectivamente, aceitando o Vaticano 2, invocando “são” João Paulo II, estes ditos cardeais conservadores adensam, diabòlicamente, a apostasia nos seus fundamentos mais consistentes e mais subliminalmente eficazes. Por mais de uma vez tenho dito e repetido: NÓS NÃO SOMOS CONSERVADORES, NÓS SOMOS, TEMOS DE SER, REACCIONÁRIOS. O conservadorismo não contesta uma evolução maquilhada rumo à apostasia, contesta apenas os saltos revolucionários. O conservador é frequentemente mais perigoso que o revolucionário; Wojtyla, com suas aparências cristãs foi muito mais nocivo do que Bergoglio. Ora, os Cardeais ditos conservadores são outros Wojtyla, propondo, materialmente, elevados ideais, MAS SONEGANDO CONCOMITANTEMENTE, PREMEDITADAMENTE, AS FORÇAS SOBRENATURAIS NECESSÁRIAS PARA OS REALIZAR.

A corrida para o nada e para a morte desta pseudo-civilização, se bem que no terreno dos princípios já conte seis séculos, foi, contudo, muito acelerada pela apostasia do Vaticano 2. E a razão profunda reside no horrível trauma – individual, familiar, social e internacional – profundíssimo e psicològicamente enlouquecedor, oriundo da CORRUPÇÃO PÚBLICA, E INSTITUCIONALMENTE DELIBERADA, DA VERDADE E DA SANTIDADE. O demónio joga com os seus dois braços, esquerdo e direito, consequentemente, toda a política mundial concorre para o aniquilamento; sendo que as denominadas “direitas” demonstram, ostensivamente, um ateísmo mais amargo, mais dissolvente e mais amoral do que as ditas esquerdas. No Ocidente, òbviamente, o niilismo é mais atroz, porque as regiões pagãs, China, India, Japão, continuando sem Cristo, mas não, especìficamente, formalmente, contra Cristo, ressentem-se menos da tanatofilia ocidental. Mesmo o Islão já se constituiu, no século VII, de certo modo, CONTRA CRISTO E CONTRA OS CRISTÃOS. Insiste-se: DE QUANTO MAIS ELEVADO SE INICIA O PROCESSO DE DEGENERESCÊNCIA – MAIS BAIXA E MAIS FUNDA E DEPRIMENTE É A QUEDA FINAL.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 4 de Abril de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A ORIGEM DIVINA DO PODER E A FALIBILIDADE HUMANA

Escutemos o Papa Leão XIII, num excerto da sua encíclica “Humanum Genus”, promulgada a 20 de Abril de 1884:

«Eliminado o temor de Deus no que concerne às Leis Divinas, pisada a autoridade dos Príncipes, permitida e aprovada a libido das sedições, eliminado todo o entrave às paixões populares, sem nenhum freio, fora os castigos, necessàriamente, seguir-se-á a revolução e a subversão universal. E este revolvimento subversivo é a finalidade deliberada e a profissão manifesta das numerosas associações de comunistas e socialistas; e no entender deles, não há motivo para declarar estranha a seita maçónica, ela, que favorece grandemente os seus desígnios, e tem comuns com eles os princípios capitais. E se não se chega logo, nos factos e em todos os lugares, às consequências extremas, O MÉRITO DISSO NÃO É ATRIBUÍVEL AOS PRINCÍPIOS DA SEITA, OU À VONTADE DOS SECTÁRIOS, MAS À VIRTUDE DAQUELA RELIGIÃO DIVINA, QUE NÃO PODE SER APAGADA, E À PARTE MAIS SADIA DO CONSÓRCIO HUMANO, QUE DESDENHANDO SERVIR ÀS SOCIEDADES SECRETAS, OPÕE-SE COM ÂNIMO FORTE AOS SEUS ASSALTOS INSANOS.

Queira Deus, que universalmente se julgue, pelos frutos a raiz, e pelos males que nos ameaçam e pelos perigos que nos cominam, se reconheça a má semente! É preciso agir com esse inimigo astuto e fraudulento, o qual amansando povos e monarcas com promessas e adulações lisonjeiras – ENGANOU A AMBOS!

Insinuando-se,com aparência de amizade, no coração dos Príncipes, os maçons queriam encontrar neles cúmplices e ajuda poderosa para oprimir o Cristianismo. E para neles colocar estímulos mais agudos, começaram a caluniar obstinadamente a Santa Igreja, como inimiga do Poder e das prerrogativas régias. Tornando-se afoitos e seguros com essas artimanhas, adquiriram grande influência no governo dos Estados, prontos a estremecer os fundamentos dos Tronos, e a perseguir, caluniar, e afastar os Soberanos que se mostrassem arredios a governar de acordo com os seus entendimentos.

Adulando o povo com artifícios semelhantes – ENGANARAM-NO! Gritando a plenos pulmões liberdade e prosperidade pública; fazendo crer às multidões que a culpa da iníqua escravidão e miséria em que haviam tombado, era toda culpa da Santa Igreja e dos soberanos, incitaram o povo, ansioso de novidade, e açularam-no contra os dois poderes. Contudo, a espera de vantagens é maior do que a realidade, e a pobre plebe, oprimida, mais do que nunca, nas suas misérias, vê faltar-lhe grande parte daqueles confortos, que mais fácil e copiosamente, teria encontrado numa sociedade cristãmente constituída. MAS TODAS AS VEZES QUE SE LUTA CONTRA A ORDEM ESTABELECIDA PELA PROVIDÊNCIA DIVINA, ESTE É O CASTIGO DA SOBERBA: QUE AÍ, ONDE INCONSIDERADAMENTE SE PROMETE FORTUNA PRÓSPERA E TODA CONFORME A SEUS DESEJOS, ALI JUSTAMENTE SE ENCONTREM OPRESSÃO E MISÉRIA.

Quanto à Santa Igreja, se manda obedecer, primeiramente, a Deus Supremo e Senhor de todas as coisas, seria calúnia injuriosa, julgá-la, por isso, inimiga do Poder dos Príncipes, ou usurpadora dos seus direitos. Pelo contrário, a Santa Igreja quer que seja dado, por dever de consciência, tudo o que é devido ao poder civil. E reconhecer a Deus, como ela faz, o direito de mandar, ACRESCENTA GRANDE DIGNIDADE AO PODER POLÍTICO, E É MUITO ÚTIL PARA CONCILIAR-LHE O RESPEITO E O AMOR DOS SÚBDITOS. Amiga da Paz, autora da concórdia, a Santa Igreja abraça a todos, com afecto materno, e querendo sòmente fazer o Bem aos homens, ensina que se deve unir a clemência à Justiça, a equidade ao mando, e a moderação às Leis, que se deve respeitar todo o direito, manter a Ordem e a tranquilidade pública, aliviar o mais possível, privada e pùblicamente, a indigência dos infelizes. “Mas – para usar as palavras de Santo Agostinho – acreditam e querem fazer acreditar que a Doutrina do Evangelho não é útil à sociedade, PORQUE QUEREM QUE O ESTADO NÃO SE FIRME SOBRE O FUNDAMENTO ESTÁVEL DAS VIRTUDES, MAS SOBRE A IMPUNIDADE DOS VÍCIOS”»

Tudo o que Deus Nosso Senhor criou foi hierárquico. Tal significa que a Verdade e a Santidade de Deus deve proceder, ordinàriamente, da Sua Fonte Eterna e Incriada até às mais ínfimas das Suas criaturas, mediante outras criaturas.

D’Ele temos a vida, o movimento e o ser (At 17,28), e para Ele temos de voltar. Diz o Profeta Isaías:”Porque quanto os Céus estão elevados acima da Terra, assim se acham elevados os Meus caminhos acima dos vossos caminhos, e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos. E assim como desce do Céu a chuva e a neve, e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que dê semente ao que semeia e pão ao que come; assim será a Minha Palavra, que sair da Minha boca; NÃO TORNARÁ PARA MIM VAZIA, MAS FARÁ TUDO O QUE EU QUERO, PRODUZINDO OS EFEITOS PARA OS QUAIS A ENVIEI”(Is 55, 8-11). A Graça Sobrenatural, que vem do Céu, constitui um influxo transcendental mediante o qual são produzidos os frutos Eternos para os quais essa Graça foi providenciada, tais frutos são celestes, Sobrenaturais e pertencem, de direito, à Eternidade.

Coloca-se, frequentemente, a seguinte questão: Sendo a Ciência Divina Infalível, e originando-se o Poder todo de Deus, se os governantes forem rigorosamente fiéis a essa Lei, e às Leis da Santa Igreja  – serão infalíveis? No Paraíso Terrestre, efectivamente, seria assim; e a razão profunda filia-se na perfeição Natural, Preternatural e Sobrenatural desse privilegiado estado, no qual não havia lugar nem para o erro, nem para o mal, embora existisse ignorância acerca do que não era devido saber; recordemo-mos da árvore da ciência do Bem e do mal. Assinale-se que o erro a que nos referimos abrangia o campo religioso, o campo moral e até mesmo o terreno que poderíamos denominar técnico; porque no Paraíso Terrestre as questões técnicas e científicas não se colocariam de modo idêntico ao do nosso mundo corrompido, visto se encontrarem plenamente incorporadas na Ordem Preternatural. O pecado original define-se, precisamente, pela pretensão de Adão e Eva de ultrapassarem, indevidamente, os limites da sua privilegiada condição.

Neste nosso paupérrimo mundo, porém, se os governantes se fundamentarem rigorosamente nos limites funcionais da Lei Divina e das Leis da Santa Madre Igreja, quer dizer, MESMO QUE JAMAIS CORROMPAM O SEU RACIOCÍNIO FUNCIONAL, PODEM, MESMO ASSIM, ERRAR, DE FORMA MORALMENTE INIMPUTÁVEL, NA SOLUÇÃO CONCRETA E PRÁTICA DOS PROBLEMAS POLÍTICOS E ADMINISTRATIVOS. ESSE ERRO, PURAMENTE INTELECTUAL, NÃO EXISTIRIA, NEM PODIA EXISTIR, NO PARAÍSO TERRRESTRE. Aliás, não vamos mais longe, o próprio Romano Pontífice, no que concerne a questões políticas e administrativas, sendo infalível, na exacta medida, em que NÃO CORROMPE, NEM PODE CORROMPER, O SEU RACIOCÍNIO FUNCIONAL, PODE TODAVIA ERRAR NO QUE RESPEITA AO ACERTO DA SOLUÇÃO CONCRETA PARA OS PROBLEMAS. Assim, de facto, sucedeu com o Papa Clemente XIV, quando em 1773 dissolveu, mais de facto do que de Direito, a Companhia de Jesus, depois de muito fortemente coagido pelas Cortes, iluminadas e maçónicas, da Europa. O Papa Pio IX, antes da revolta republicana de 1849, em que foi obrigado a sair de Roma, refugiando-se no reino de Nápoles, também chegou a colocar a hipótese de dotar os Estados Pontifícios de instituições políticas semi-liberais; errava na solução concreta, mas não corrompia o raciocínio funcional, porque encontrava-se também sob grande pressão das sociedades secretas, de eclesiásticos liberais, bem como dos governos laicizados; depois de regressar a Roma, PIO IX anatematizou definitivamente a hipótese de instituições semi-liberais.  

Seja como for, sempre que os governantes cumprem rigorosamente as Leis de Deus e da Santa Madre Igreja, é evidente que cometem muito menos erros puramente intelectuais, visto que a Graça de Deus, a Graça Santificante, ALÉM DE TODOS OS EFEITOS PRÒPRIAMENTE SOBRENATURAIS, ILUMINA EXTRÌNSECAMENTE A INTELIGÊNCIA NATURAL, FORTALECENDO A VONTADE, TAMBÉM NO PLANO NATURAL. A falibilidade puramente humana e natural dos governantes, não lhes destrói, de forma alguma, a própria dignidade e a autoridade de que gozam, exactamente quando se encontram ancorados na Lei Divina, na Lei Eterna, e ocupam cargos constituídos em plena harmonia com essa mesma Lei Divina e com as Leis da Santa Madre Igreja. Efectivamente, não basta que os governantes sejam católicos exemplares, é igualmente necessário que as funções por eles exercidas reflictam perfeitamente a Verdade e a Santidade da Fé Católica.

Mas o que a História Universal revela é precisamente o oposto. Mesmo em épocas de domínio inconcusso da Santa Madre Igreja, nós só contemplamos reis e Imperadores quase todos (com excepção dos canonizados e poucos mais) completamente avassalados pela sede desordenadíssima do poder e da riqueza e ainda pela paixão carnal; logo corrompendo sistemàticamente o seu raciocínio funcional, e a tal ponto, que consideravam os seus reinos como coutada privada, sendo que a Santa Madre Igreja surgiu sempre como a única instituição que lhes recordou a eles, reis e Imperadores, O CARÁCTER SAGRADO E EMINENTEMENTE PÚBLICO DA SUA FUNÇÃO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 2 de Abril de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

ENTRE A BULA “UNAM SANCTAM” E A ENCÍCLICA “IMMORTALE DEI” HÁ PERFEITA UNIDADE

Escutemos o Papa Bonifácio VIII numa passagem da sua Bula “Unam Sanctam”, promulgada em 1 de Novembro de 1302:

«O Evangelho ensina-nos que existem na Santa Igreja e no poder da Igreja duas espadas: A ESPIRITUAL E A TEMPORAL. Quando os Apóstolos disseram: “Há duas espadas aqui”; (Lc 22,38)aqui quer dizer – na Igreja. O Senhor não respondeu -“É excessivo” – mas sim – “É suficiente”. Certamente, aquele que nega que o gládio temporal resida no poder da Terra, desconhece a palavra do Senhor, dizendo: “Mete a tua espada na bainha”(Mt 26,52). Portanto ambos os gládios encontram-se no Poder da Santa Igreja – o espiritual e o temporal, mas este último DEVE SER BRANDIDO PARA A IGREJA, ENQUANTO O PRIMEIRO DEVE SER BRANDIDO PELA IGREJA, ESTE PELA MÃOS DOS SACERDOTES, O OUTRO PELAS MÃOS DOS REIS E DOS SOLDADOS, MAS COM O CONSENTIMENTO E VONTADE DO SACERDÓCIO.

Entretanto, é necessário que o gládio esteja subordinado ao gládio, a autoridade temporal à autoridade espiritual, porque o Apóstolo diz: “Não há poder que não provenha de Deus, mas tudo o que existe está ordenado por Deus”(Rom 12,1); ora, esta ordem não existiria se um dos dois gládios não estivesse subordinado ao outro, e enquanto o inferior se encontra vinculado à categoria suprema”, porque, segundo São Dionísio: “A Lei da Divindade consiste em que as coisas inferiores estejam vinculadas às superiores pelos intermediários”. É assim conforme à harmonia do Universo que todas as coisas sejam reintegradas na sua ordem de maneira paralela e imediata, mas sòmente as mais ínfimas pelos termos médios, as inferiores pelos termos superiores. Que a potência espiritual avassale em dignidade e em nobreza sobre toda e qualquer potência temporal, nós devemos reconhecê-lo, tanto mais evidentemente, o quanto as coisas espirituais se agigantam sobre as temporais. O pagamento, a benção e a santificação do dízimo, a colação do poder e a própria prática do governo fazem-no ver claramente a nossos olhos. Porque no testemunho da verdade, PERTENCE AO PODER ESPIRITUAL INSTITUIR O PODER TEMPORAL E JULGÁ-LO SE ELE NÃO FOR BOM. Assim se verifica no que concerne à Santa Igreja e ao Poder Eclesiástico. Oráculo de Jeremias: “Eu vos estabeleci sobre as Nações e sobre os Reinos”(Jer 10, 6-10).

Se, portanto, o poder temporal se tresmalhar, será então julgado pelo poder espiritual, se o poder espiritual se desviar, o inferior será julgado pelo superior, e se for o Poder Supremo, será julgado só por Deus. O poder espiritual jamais será julgado pelo homem.»

Escutemos agora o Papa Leão XIII, na sua encíclica “Immortale Dei”, sobre a Constituição dos Estados, promulgada em 1 de Novembro de 1885:

«É por isso que, do mesmo modo que a ninguém é lícito descurar os seus deveres para com Deus, e que o maior de todos eles é abraçar de alma e coração a Religião, NÃO AQUELA QUE CADA UM PREFERE, MAS AQUELA QUE DEUS PRESCREVEU, E QUE PROVAS CERTAS E INDUBITÁVEIS ESTABELECEM COMO A ÚNICA VERDADEIRA ENTRE TODAS. ASSIM TAMBÉM AS SOCIEDADES NÃO PODEM, SEM CRIME, COMPORTAR-SE COMO SE DEUS, ABSOLUTAMENTE, NÃO EXISTISSE. (…)

Devem pois os chefes de Estado TER POR SANTO O NOME DE DEUS E PÔR NO NÚMERO DOS SEUS PRINCIPAIS DEVERES O DE FAVORECEREM A RELIGIÃO, DE A PROTEGEREM COM A SUA BENEVOLÊNCIA, DE A DEFENDEREM COM A AUTORIDADE TUTELAR DAS LEIS, E NADA ESTATUÍREM OU DECIDIREM QUE SEJA CONTRÁRIO À SUA INTEGRIDADE. E ISSO DEVEM ELES AOS CIDADÃOS DE QUEM SÃO SEUS CHEFES.

Todos nós, com efeito, enquanto existimos e nascemos,  destinamo-nos a um Bem Supremo e Final, AO QUAL É PRECISO REFERIR TUDO, achando-se (esse Bem) colocado nos Céus, para além desta frágil e curta existência.

Em matéria religiosa, pensar que é indiferente que ela tenha formas disparatadas e contrárias, equivale simplesmente a não querer, nem escolher, nem seguir nenhuma delas. ESSA ATITUDE, SE NOMINALMENTE DIFERE DO ATEÍSMO, NA REALIDADE IDENTIFICA-SE COM ELE. EFECTIVAMENTE, TODO AQUELE QUE CRÊ EM DEUS, PARA SER CONSEQUENTE, E NÃO CAIR NO ABSURDO, DEVE NECESSÀRIAMENTE ADMITIR, QUE OS DIVERSOS CULTOS EM USO, ENTRE OS QUAIS HÁ TANTA DIFERENÇA, DISPARIDADE E OPOSIÇÃO, MESMO SOBRE PONTOS CAPITAIS, NÃO PODEM SER TODOS IGUALMENTE BONS E IGUALMENTE AGRADÁVEIS A DEUS.

Assim também a liberdade de pensar, e publicar os próprios pensamentos, subtraída a todas as regras, não é por si um bem de que a sociedade se tenha de felicitar; MAS É ANTES A FONTE DE MUITOS MALES.

A liberdade, esse elemento de perfeição para o homem, DEVE APLICAR-SE AO QUE É VERDADEIRO E AO QUE É BOM. ORA A ESSÊNCIA DO BEM E DA VERDADE NÃO PODE MUDAR À VONTADE DO HOMEM, MAS PERSISTE SEMPRE A MESMA, E NÃO MENOS IMUTÁVEL DO QUE A PRÓPRIA NATUREZA DAS COISAS. SE A INTELIGÊNCIA ADERE A OPINIÕES FALSAS, SE A VONTADE ESCOLHE O MAL E A ELE SER APEGA, NEM UMA NEM OUTRA ATINGEM A SUA PERFEIÇÃO, AMBAS DECAEM DA SUA DIGNIDADE NATIVA E CORROMPEM-SE. (…) O ESTADO AFASTA-SE, POIS, DAS REGRAS E PRESCRIÇÕES DA NATUREZA SE FAVORECE A LICENÇA DE OPINIÕES E DE ACÇÕES CULPOSAS, A PONTO DE SE PODEREM IMPUNEMENTE DESVIAR OS ESPÍRITOS DA VERDADE E AS ALMAS DA VIRTUDE.»         

Na sua monumental História da Igreja, escrita antes do concílio, Daniel Rops (1901-1965), profere uma asserção gravíssima, segundo a qual as teses defendidas, pelo Vigário de Cristo, na Bula “Unam Sanctam”, teriam sido expressamente revogadas na encíclica “Immortale Dei”. Ora isso não apenas é redondamente falso, como ainda seria visceralmente impossível, pois que a Constituição Divina da Santa Madre Igreja é absolutamente imutável, e o que é verdadeiro numa época não pode ser falso noutra, e vice-versa. UMA INSTITUIÇÃO QUE SE CONTRADIZ NÃO PODE SER DIVINA.

É necessário possuir  suficiente inteligência para saber distinguir a medula Doutrinal do correspondente ENQUADRAMENTO CULTURAL, no qual se insere. E não se pense que no século XIII os homens seriam moralmente melhores do que os de qualquer outra época, incluindo a actual. O que se foi desenvolvendo foi uma malha administrativa, judicial e policial, a qual propiciou a erecção duma barreira, aliás de natureza puramente egoísta e não moral, que passou a impedir, apenas materialmente, inúmeros assassínios, roubos e violações.        

O Papa Bonifácio VIII, na Bula “Unam Sanctam” mais não fez senão sintetizar uma Doutrina revelada pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo (“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). Essa Doutrina, que legitima a autonomia do poder de César, desde que submetida essencialmente à Lei de Deus, ensinada pela Santa Madre Igreja, É CONSTITUCIONAL E DE DIREITO DIVINO E INTEGRA O DIREITO PÚBLICO EXTERNO ECLESIÁSTICO. A Doutrina dos dois gládios, o temporal, brandido (por César) para a Igreja, ao serviço da Igreja; e o espiritual, Sobrenatural, brandido pela Igreja, para maior Glória de Deus e salvação das almas; corresponde exactamente à Doutrina, mais recente, e formulada noutro enquadramento cultural, do Poder temporal directo exercido pelo Estado, mas submetido ao poder espiritual supremo da Santa Igreja, com reflexos automáticos no seu (da Igreja) poder temporal indirecto, mas nalgumas esferas, no seu poder temporal directo, como no campo matrimonial e educacional. Efectivamente, num estado verdadeiramente católico, braço secular da Santa Madre Igreja, todo o Direito Matrimonial, pròpriamente dito, deve ser o Direito Canónico,(1) procedendo do Estado a legislação sobre os efeitos puramente civis do mesmo Matrimónio, ainda que esta mesma legislação deva ser produzida sob o influxo da Luz das Leis de Deus e da Santa Igreja. Assim era, na realidade, na Concordata de 1953 entre a Santa Sé e o Estado Espanhol, a qual obrigava estritamente os baptizados a consorciarem-se sob a Lei Canónica; embora o paganismo do povo espanhol e a falta de Fé de muitos dirigentes, obrigasse a abrir inúmeras e blasfemas excepções a esta modelar determinação. Porque, SEGUNDO A RECTA LEGISLAÇÃO CATÓLICA, jamais deveria existir “casamento” civil, o qual, històricamente, foi inventado pela maçonaria, premeditadamente, para levar os baptizados a rejeitarem a Lei Canónica; num Estado realmente católico, SÓ OS NÃO BAPTIZADOS PODEM CONSTITUIR MATRIMÓNIO LEGÍTIMO, OU SEJA, NÃO DIRECTAMENTE CANÓNICO. TAL SUCEDE, PORQUE MESMO O MATRIMÓNIO DOS NÃO BAPTIZADOS ESTÁ, INDIRECTAMENTE, SUBMETIDO À DOUTRINA E ÀS LEIS DA SANTA MADRE IGREJA, GOZANDO DE PRESUNÇÃO A RECEPÇÃO EFECTIVA DO BAPTISMO.

No que à educação concerne – e o Magistério da Igreja, contemporâneo, mas pré-conciliar, nunca cessou de reafirmá-lo – A IGREJA DEVE TAMBÉM POSSUIR UM PODER DIRECTO. O Papa Pio XI, na encíclica “Divini Illius Magistri”, foi assaz vigoroso, determinando que a Doutrina Católica tem de estar essencialmente presente, EM TODAS AS DISCIPLINAS, EM TODOS OS GRAUS DE ENSINO E EM TODOS OS ESTABELECIMENTOS ESCOLARES E UNIVERSIDADES.  TUDO ISTO CONFIGURA UM PODER DIRECTO E POSITIVO DA SANTA IGREJA, EM COLABORAÇÃO ÍNTIMA COM O ESTADO CATÓLICO. Era também este o princípio professado na referida Concordata de 1953. Mas tudo indica que, com certas aparências, a prática foi totalmente outra. Porque embora, e ao contrário de Portugal, tivesse havido da parte de alguns dirigentes a intenção séria de tentar recristianizar a Espanha, o facto é que além da profunda descristianização do povo, havia muitos dirigentes de filiação fascista e nazi, a quem a Santa Igreja só interessava como factor de coesão político-social.

Quando Leão XIII afirma que as Leis dos Estados devem defender a Religião Católica, com os seus Dogmas, a sua Moral, e a sua sã Filosofia, está a proclamar exactamente o mesmo que Bonifácio VIII, quando explicita que a espada temporal deve ser manejada sempre ao serviço da Santa Igreja; logo o poder de César, intrìnsecamente autónomo, depende, todavia, das Leis e das Finalidades supremas que lhe são outorgadas, Autoritàriamente, pelo titular da Cátedra de São Pedro, enquanto Vigário de Cristo. Efectivamente, ambos os Pontífices, separados por 600 anos, concordam no princípio absoluto de que: QUEM POSSUI O PODER SOBRENATURAL, POSSUI TAMBÉM O PODER TEMPORAL, UTILIZADO SEMPRE EM ORDEM AO SOBRENATURAL.

Infelizmente, na denominada Escolástica decadente, homens como  Francisco Suarez (1548-1617) e Francisco Vitória (1492-1546), consideram, muito erradamente, que o poder temporal do Papa seria apenas acidental e não essencial. Estabeleceram igualmente, também muito errada, senão herèticamente, uma autonomia excessiva aos conteúdos Histórico-Naturais, com uma Ordem Natural perfeitamente independente. Todavia, mesmo o Poder temporal indirecto do Romano Pontífice É ESSENCIAL E NÃO ACIDENTAL. Se a espada temporal, isto é César, falhar, o Romano Pontífice pode e deve assumir, extraordinàriamente, esse poder, que por Direito Divino Sobrenatural Supremo lhe pertence, embora, ordinàriamente, o deva confiar a César.

Já Santo Agostinho não terá concebido com toda a correcção essa distinção, não separação, entre o Poder Espiritual, Sobrenatural e o Poder Temporal legítimo; para Santo Agostinho ocorreria mais uma absorção do Estado na Igreja, com diluição da necessária distinção.

O carácter herético (e até apóstata) do princípio de separação, não da distinção, entre a Igreja e o Estado, foi também sempre vincada e consistentemente afirmado pelo Papas contemporâneos, até ao Vaticano 2. Òbviamente, tal não poderia ser referido por Bonifácio VIII, nos mesmos termos, visto que na sua época, e apesar de todos os regalismos e tiranias, pelo menos de Direito, vigorava o princípio de  união entre a Igreja e o Estado. É mister assinalar, muito nìtidamente, que o princípio de união entre a Santa Igreja e o Estado pode constituir terrível maldição para a Igreja, se for concebido de forma corrompida: FOI O QUE SUCEDEU A PARTIR DA REVOLUÇÃO DE 1789, NA EUROPA E NA AMÉRICA LATINA. O regime de união era interpretado e vivido como instrumento de opressão da Santa Igreja por parte do Estado maçónico. Essa opressão começou com a expulsão das Ordens Religiosas, e em muitos lugares, como Portugal, constituiu já uma tentativa de aniquilar a Santa Madre Igreja, com censura às encíclicas Papais e aos documentos episcopais, intervenção do Estado no regime interno dos Seminários, inclusivamente, nas matérias ensinadas e na escolha dos professores. Em Portugal e noutros locais, bastantes bispos do século XIX eram membros da maçonaria, tais como o Cardeal Saraiva, Alves Martins e Ayres de Gouveia. Em Portugal a situação era tão grave, que o regime republicano foi recebido com alívio. Só que neste regime a tirania continuou, com a contradição de se declarar a separação da Igreja e do Estado, e concomitantemente se submeter o clero secular ao poder disciplinar do ministério das Justiça.

O amaldiçoado concílio e seus falsos papas e bispos, gostam de declarar que já não é possível um regime confessional estrito, e por isso a Igreja o abandonou. A SANTA MADRE IGREJA JAMAIS SE PODE RENEGAR A SI MESMA, COMO ERRADAMENTE DECLAROU, INADVERTIDAMENTE, MONSENHOR LEFEBVRE. FOI A MAÇONARIA, COM A APARÊNCIA CATÓLICA, QUE DECLAROU EXTINTO O DIREITO PÚBLICO EXTERNO ECLESIÁSTICO. A SANTA IGREJA É ETERNA, NA SUA FASE TRIUNFANTE, E OS SEUS PRINCÍPIOS SÃO ETERNOS, POIS SERÃO CONTEMPLADOS, NA PRÓPRIA ESSÊNCIA DIVINA, PELOS ELEITOS, POR TODA A ETERNIDADE. OS PRINCÍPIOS MAIS SAGRADOS JAMAIS PODEM SER RENEGADOS, MESMO SE, NA PRÁTICA, FOR IMPOSSÍVEL A SUA CONCRETIZAÇÃO.

(1) Em Portugal, no tempo da I República, um industrial muito rico e depravado, de nome Francisco Grandela, de acordo com o seu amigo Afonso Costa, fez edificar uma repartição do registo civil, destinada a registos civis de nascimentos, que a República equiparava a baptizados católicos, bem como a “casamentos civis”, que a mesma República equiparava a matrimónios canónicos. ORA ESSA REPARTIÇÃO POSSUÍA A FORMA EXTERIOR DE TEMPLO CATÓLICO.    

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Março de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

DESTE POBRE MUNDO SÓ LEVAREMOS OS BENS SOBRENATURAIS

Debrucemo-nos sobre o seguinte trecho do Livro de Jó:

«Mas a Sabedoria, onde se encontra ela? E qual é o lugar da inteligência? O homem não conhece o seu valor, nem ela se encontra na terra dos que vivem em delícias. O abismo diz: Ela não está em mim; e o mar publica: Ela não está comigo. NÃO SERÁ DADA PELO MAIS PURO OURO, NEM SERÁ COMPRADA A PREÇO DA PRATA. NÃO SERÁ COMPARADA ÀS CORES MAIS VIVAS, NEM COM A PEDRA SARDÓNICA MAIS PRECIOSA, NEM COM A SAFIRA. Não se lhe igualará o ouro, nem o cristal, e não será dada em troca de vasos de ouro; quanto há de grande e elevado, NADA SERÁ NOMEADO EM COMPARAÇÃO COM ELA; MAS A SABEDORIA EXTRAI-SE DE UMA FONTE OCULTA. (…) Donde vem pois a Sabedoria, e onde é que se encontra a inteligência?  Está escondida aos olhos de todos os viventes, até às aves do céu está oculta. A perdição e a morte disseram: Aos nossos ouvidos chegou a sua fama.

DEUS CONHECE O CAMINHO PARA A ENCONTRAR, E ELE MESMO SABE ONDE SE ENCONTRA. PORQUE ELE VÊ ATÉ AOS CONFINS DO MUNDO, E VÊ TUDO O QUE HÁ DEBAIXO DO CÉU. Ele é O que deu peso aos ventos, e pesou as águas com medida. Quando prescrevia uma Lei às chuvas, e um caminho às tempestades ruidosas, então Ele a viu, e a manifestou, e a estabeleceu e a investigou. E disse ao homem: EIS O TEMOR DO SENHOR, É A VERDADEIRA SABEDORIA, E O APARTAR-SE DO MAL É A INTELIGÊNCIA.»

Recolhamo-nos agora sobre um texto do Livro do Eclesiástico:

«Toda a Sabedoria vem do Senhor Deus, e com Ele esteve sempre e existe antes de todos os séculos. A areia do mar, as gotas da chuva, os dias dos séculos, quem os pôde contar? A altura do céu

e a extensão da terra, a profundidade do abismo,  quem os pode medir? Quem penetrou a Sabedoria de Deus, A qual precede a todas as coisas? A SABEDORIA FOI CRIADA ANTES DE TUDO E A LUZ DA INTELIGÊNCIA EXISTE DESDE TODA A ETERNIDADE. A FONTE DE SABEDORIA É O VERBO DE DEUS NOS CÉUS, E OS SEUS CAMINHOS SÃO OS MANDAMENTOS ETERNOS.»

                           Jó 28, 12-28///Eclo 1, 1-5 (Vulgata)

No Antigo Testamento, o conceito de Sabedoria pode possuir três significados, todos medularmente semelhantes: Em primeiro lugar, pode significar o próprio Deus Criador, na Sua Asseidade, na Sua Eternidade, na Sua Omnipotência e Omnisciência; em segundo lugar, pode significar a Graça Santificante, a qual já era comunicada aos homens no Antigo Testamento, embora com muito menor participação na Natureza Divina, podendo mesmo designar o Dom do Espírito Santo denominado, ele mesmo, Sabedoria; Em terceiro lugar, pode significar a Santíssima Lei Divina, pelo cumprimento da qual somos conduzidos à Bem-Aventurança Eterna.

É certo, que no Antigo Testamento, as coisas de Deus eram menos acessíveis, menos nítidas, o próprio conceito de além-túmulo não estava bem determinado, pois que os hebreus não procediam à distinção clara entre corpo e alma, concebendo mal o reino dos céus, como sendo um lugar confuso e opressivo onde o composto humano continuava longe de Deus, não possuindo já os bens terrenos. Quanto mais se recua no tempo mais elementares são os Novíssimos do povo eleito; quanto mais se avança no tempo mais perfeitos são os mesmos. E a razão profunda para tudo isto radica no progresso da Revelação depois do pecado original. Efectivamente, Adão, como varão fundador e Cabeça Natural, Preternatural e Sobrenatural do Género Humano, possuía todos os conhecimentos necessários à sua função; conhecimentos religiosos, mas igualmente de ciência adequada aos Privilégios Preternaturais. Acontece, contudo, que se não tivesse havido pecado original, NÃO TERIA HAVIDO UM PROGRESSO ESPECÍFICO NA REVELAÇÃO, A QUAL FICARIA TODA, GENÈRICAMENTE, CONCENTRADA EM ADÃO. O evento do pecado original introduziu uma diferença específica essencial na História da Humanidade, na exacta medida EM QUE A CIÊNCIA INFUSA COPIOSAMENTE COMUNICADA POR DEUS A ADÃO SE OBSCURECEU ESSENCIALMENTE, TORNANDO NECESSÁRIA UMA REVELAÇÃO PROGRESSIVA, ATÉ AO SEU ZÉNITE EM NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O QUAL SUBSTITUIU ADÃO COMO CABEÇA SOBRENATURAL DA HUMANIDADE. Questionar-se-á: Mas então que diferença existe entre a identidade de espécie no progresso da Revelação, ao longo do Antigo Testamento, e até à morte do último Apóstolo, e o progresso, no sentido de aprofundamento, da mesma espécie de Revelação, ao longo da História da Igreja, SE SÃO AMBOS DA MESMA ESPÉCIE? A resposta é simples: É que na primeira fase essa identidade de espécie é puramente virtual,  ao passo que na segunda, a identidade é substancial.

Assim se compreende que Deus tenha afrouxado os ditames da Lei Natural secundária, como as propriedades essenciais do Matrimónio – unidade e indissolubilidade – até que Nosso Senhor Jesus Cristo restituindo o Matrimónio à dignidade primitiva, igualmente o elevou à categoria de Sacramento da Nova Lei.

Seja como for, já no Antigo Testamento havia a percepção da caducidade dos bens terrenos; mesmo tendo em conta que a abundância desses mesmos bens era considerada sinal de benção Divina. O Rei Salomão, no meio das suas setecentas mulheres e concubinas, bem como dos seus mais ricos manjares, sentia claramente o vazio tremendo da adictividade das coisas deste mundo.

Os bens contingentes, na sua finitude, na sua particularidade, na sua contingência, sobretudo quando são usufruídos desordenadamente, saciam momentaneamente, mas depois criam novas necessidades, que terão de ser permanentemente e cada vez mais estimuladas e diversificadas, para combater o assédio do vazio, o qual, de resto, acaba sempre por vencer.

Muito pelo contrário, nas pessoas verdadeiramente piedosas, que possuem a Graça Santificante, são os bens Eternos que iluminam sobrenaturalmente os bens terrenos, de modo que estes nunca valem por si mesmos, mas pelo seu Criador, que pela Lei Eterna lhes comunica o exacto valor, na hierarquia dos meios e dos fins.

Muitos hagiógrafos gostam de apresentar os santos como entes que desprezaram violentamente os bens terrestres, a começar pelo seu próprio corpo, que flagelaram sem piedade, privando-o do necessário alimento e sono. Cumpre, no entanto, assinalar que esse tipo de castigos não demonstra maior santidade, muito pelo contrário, porque só demonstra que quem assim procede é completamente incapaz de governar sobrenaturalmente os bens criados, cuja legítima fruição deve ser regulada e rectificada pela Lei Divina, segundo o estado de cada um. A Doutrina Ascética e Mística ensina-nos que o cume da santidade, ou matrimónio espiritual, caracteriza-se por uma grande Paz Sobrenatural, Paz que tudo ordena e santifica no Lume Divino. Acrescente-se que não há pròpriamente cume de santidade, porque quanto mais nos aproximamos de Deus, mais fortemente somos por Ele atraídos. O que existe são fases superiores, ou via unitiva e fases inferiores, ou via purgativa e iluminativa, mas note-se que cada uma destas fases principais é divisível por muitas outras, já que o mistério da ascensão para Deus possui a riqueza do próprio Deus, fundamento último de tudo o que há em nós, quer na Ordem Natural, quer na Ordem Sobrenatural.

Nos caminhos de Deus, o que mais custa é o arranque inicial, o esforço tremendo da purificação do horrível peso do mundo, da demencial influência das pessoas e instituições ditas “normais”, as quais apontam para a Terra com todas as suas forças; sendo que a primeira e mais diabólica é a seita conciliar, máquina prodigiosa de blasfemar a Deus e perder as almas. O referido esforço positivo ciclópico para nos libertarmos de tudo, absolutamente tudo, o que é desordenado, é proporcional ao esforço moral negativo que Adão e Eva empregaram para pecar, num mundo e numa dimensão, Sobrenatural e Preternatural, que em tudo os impulsionava para a Verdade e o Bem.

Nós apenas levaremos deste mundo os Bens Morais Sobrenaturais, QUE POR ISSO MESMO SÃO ETERNOS. Porque o nosso destino Sobrenatural é completamente gratuito da parte de Deus, e estritamente obrigatório da parte do homem. OS BENS MORAIS NATURAIS NÃO SERVEM À ORDEM SOBRENATURAL; PODEM, CONTUDO, MERECER RECOMPENSAS NATURAIS AQUI NA TERRA.

A amaldiçoada maçonaria sempre soube que para destruir a face humana do Corpo Místico teria de proceder ao aniquilamento dos Bens Sobrenaturais da Santa Madre Igreja, LOGO A COMEÇAR PELA LIQUIDAÇÃO DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA, BEM COMO PELO RENEGAR DA UNICIDADE DA VERDADE RELIGIOSA CATÓLICA, SOB CUSTÓDIA DA SANTA MADRE IGREJA.

Porque a vida Sobrenatural nas almas só pode existir COMO CONSTITUTIVA DA POSSE DA ÚNICA E ABSOLUTA VERDADE RELIGIOSA, E ESTA É TEOLOGAL E OBJECTICA-COGNITIVA – NÃO É SENTIMENTAL, HUMANA E OPINATIVA. INVERTIDO O PARADIGMA FILOSÓFICO E TEOLÓGICO, DESAPARECE, POR NECESSIDADE TRANSCENDENTAL E METAFÍSICA, TODA A ORDEM SOBRENATURAL, A QUAL ARRASTA TODA A ORDEM NATURAL – RESTANDO SÒMENTE O ANTI-NATURAL!

Os Bens Sobrenaturais, a Graça Santificante e a Caridade, possuem a faculdade de, mesmo neste mundo, JAMAIS SATURAREM, JAMAIS SOLICITAREM A DIVERSIFICAÇÃO DE ESTÍMULOS. Precisamente por isso, ao longo dos séculos, houve monges que passaram toda a sua vida adulta em Cartuxas, jamais necessitando de apegos mundanos. Evidentemente, mesmo nas Cartuxas (de outros tempos,como é lógico), a regra obrigava a um longo passeio pelo campo, em confraternização, nos Domingos e dias santos, e a uma refeição em comum. Todavia, tal não interrompia, de modo algum, o estado contemplativo, visto que as perfeições Divinas, Incriadas, se manifestam, contingentemente, nos vários planos da natureza e da vida. A apóstata e ateia declaração de liberdade religiosa, promulgada por satanás disfarçado de anjo da luz, colocou um fim a todas estas maravilhas, causando o reino do anti-natural.

Não desesperemos, porém, porque o Céu continua a ser Céu, e a Santa Madre Igreja, mesmo na sua face militante, continua existindo, ao menos em pequenas cartuxas domésticas, visto que o fervor contemplativo COMEÇA NA NOSSA ALMA, COM O AUXÍLIO DE DEUS, MUITO EMBORA SEJA REALMENTE FAVORECIDA POR DETERMINADOS TIPOS DE AMBIENTES, QUE DEVEMOS CONSERVAR O MAIS POSSÍVEL.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 25 de Março de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral    

A SANTIDADE E INFALIBILIDADE DA SANTA IGREJA E A DEFECÇÃO DOS SEUS MEMBROS

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Mystici Corporis”, promulgada em 29 de Junho de 1943:

«Mas porque à vastidão da Caridade com que Jesus Cristo amou a Sua Igreja corresponde a constância activa da mesma Caridade, nós também amemos o Corpo Místico de Cristo com o mesmo amor perseverante e industrioso. Nosso Divino Redentor, desde a Encarnação, quando lançou os primeiros fundamentos da Igreja, até ao fim da Sua vida mortal, nem um só instante passou sem que com exemplos fulgentíssimos de virtude, pregando, ensinando, legislando,  trabalhasse até cair de fadiga – ELE, O FILHO DE DEUS! – em formar ou consolidar a Igreja. Desejamos, pois, que todos os que reconhecem por Mãe a Santa Igreja ponderem sèriamente: Que não só ao clero e aos que se consagram ao serviço do Corpo Místico de Cristo,  mas a cada um na sua esfera, INCUMBE A OBRIGAÇÃO DO INCREMENTO DO MESMO CORPO. Notem-no de modo particular – como aliás já o fazem tão louvàvelmente – os que militam nas fileiras da Acção Católica e colaboram com os bispos e sacerdotes no Apostolado, bem como os que em pias associações prestam o seu auxílio para o mesmo fim. Não há quem não veja que a acção de todos esses é, nas presentes circunstâncias, de grande peso e de suma importância.

Também não podemos aqui silenciar a respeito dos pais e mães de família, a quem Nosso Divino Salvador confiou os membros mais tenros do Seu Corpo Místico; mas com todo o ardor os exortamos, por amor de Cristo e da Igreja,  a que olhem com o máximo cuidado pelos filhos que o Senhor lhes deu, e procurem precavê-los contra as inúmeras ciladas em que hoje, tão fàcilmente, se encontram  enredados.

De modo peculiar, manifestou o Redentor o Seu ardentíssimo amor à Igreja nas súplicas que por ela dirigiu ao Pai Celeste. Todos sabem, para lembrar isto apenas, que pouco antes de subir ao patíbulo da Cruz, OROU ARDENTÌSSIMAMENTE POR PEDRO (Lc 22,32), PELOS OUTROS APÓSTOLOS (Jo 17, 9-19), E POR TODOS AQUELES QUE PELA PREGAÇÃO DA DIVINA PALAVRA HAVIAM DE CRER N’Ele. À imitação deste exemplo de Cristo, roguemos todos os dias ao Senhor da Messe que mande obreiros para a sua messe (Mt 9,38; Lc 10,2) e todos os dias suba a nossa oração encomendando a Deus todos os membros do Corpo Místico: Primeiro, os Bispos, a quem está confiado o cuidado das suas Dioceses, depois os ssacerdotes, os religiosos e as religiosas, que por especial vocação chamados ao serviço de Deus, na Pátria ou em terras pagãs, defendem, aumentam, dilatam o Reino do Divino Redentor. Nenhum membro do Corpo Místico fique fora desta comum oração; mas lembrem-se especialmente, dos que vivem acabrunhados nas dores e angústias deste desterro, e  dos defuntos que se purificam no Purgatório. Nem se esqueçam os catecúmenos,  que se instruem  na Doutrina Cristã. para que em breve possam receber o Baptismo.(…)

Os que não pertencem ao organismo visível da Igreja Católica, como sabeis,  veneráveis irmãos, confiamo-los também, desde o princípio do nosso pontificado, à protecção e governo do Alto, protestando solenemente que a exemplo do bom pastor tínhamos um só desejo: “Que eles tenham a vida e a tenham em abundância”. Esta nossa solene declaração queremos reiterar, depois de pedirmos as orações de toda a Igreja nesta encíclica em que celebramos os louvores do “grande e glorioso Corpo Místico de Cristo”, convidando a todos e cada um , com todo o amor da nossa alma, a que espontâneamente e de boa vontade cedam às íntimas inspirações da Graça Divina, procurando sair de um estado em que não podem estar seguros da sua Eterna Salvação, pois, embora por desejo estejam ordenados ao Corpo Místico do Redentor, carecem de tantas e tão grandes Graças e auxílios, que só na Igreja Católica os podem encontrar. Entrem, pois, na unidade católica, e unidos connosco no Corpo de Jesus Cristo, connosco venham a fazer parte, SOB UMA SÓ CABEÇA, DA SOCIEDADE DA GLORIOSÍSSIMA TRINDADE. (…)

Nas actuais circunstâncias, mais que oportuno, é necessário orar fervorosamente  pelos reis e príncipes e por todos os que nos governam, e que podem, com a protecção externa, auxiliar a Santa Igreja, para que, restabelecida a ordem, por impulso da Divina Caridade, do meio das ondas tenebrosas desta tormenta, surja a paz, fruto da Justiça (Is 32,17), o atribulado Género Humano e a Santa Igreja possam viver uma vida sossegada e tranquila em toda a piedade e honestidade (ITim 2,2). Peçamos a Deus QUE AMEM A SABEDORIA OS QUE REGEM OS POVOS (Sb 6,23), de modo que nunca lhes quadre esta formidável sentença do Espírito Santo: “O ALTÍSSIMO EXAMINARÁ AS VOSSAS OBRAS E PERSCRUTARÁ OS VOSSOS PENSAMENTOS, PORQUE SENDO MINISTROS DO SEU REINO, NÃO GOVERNASTES RECTAMENTE, NEM OBSERVASTES A LEI DA JUSTIÇA, NEM CAMINHASTES SEGUNDO A VONTADE DE DEUS. HORRENDO E DE IMPROVISO VOS APARECERÁ, PORQUE SERÁ RIGOROSÍSSIMO O JUÍZO DOS QUE GOVERNAM. AO HUMILDE CONCEDE-SE MISERICÓRDIA; MAS OS PODEROSOS SERÃO PODEROSAMENTE ATORMENTADOS. DEUS NÃO RECUARÁ DIANTE DE NINGUÉM, NEM SE INCLINARÁ DIANTE DE NENHUMA GRANDEZA; PORQUE O PEQUENO E O GRANDE CRIOU-OS ELE, E DE TODOS CUIDA IGUALMENTE, AOS MAIS FORTES, PORÉM, AMEAÇA-OS COM MAIS FORTE SUPLÍCIO, PARA VÓS, Ó REIS, SÃO ESTAS MINHAS PALAVRAS, A FIM DE QUE APRENDAIS A SABEDORIA E NÃO VENHAIS A CAIR”(Sb 6,4-10).»     

Sabemos que Nosso Senhor Jesus Cristo é substancialmente santo. Ao unir-Se Hipostàticamente a uma Natureza Humana, o Verbo de Deus santificou-A como parte integrante de Si mesmo. Note-se que a Natureza Humana do Senhor jamais subsistiu por Si mesma, quer dizer, jamais pertenceu a uma pessoa humana. Como substância incompleta na ordem filosófica, mas completa e perfeita como natureza, a Natureza Humana do Senhor foi criada, mas no preciso momento transcendental-ontológico dessa criação – FOI UNIDA HIPOSTÀTICAMENTE AO VERBO DE DEUS. E foi exactamente nesse mesmo momento QUE O VERBO DE DEUS SE TORNOU SACERDOTE. Nosso Senhor é Santo ainda por outro título: A Graça Santificante criada, QUE INUNDAVA A SUA ALMA, Graça semelhante à nossa, finita enquanto acidente, mas participando da Natureza Divina segundo a própria Dignidade do Verbo de Deus e consequentemente, MORALMENTE INFINITA. Porque quanto mais intensa é a Graça Santificante mais participa acidentalmente da Natureza Divina.

Sabemos que a Santa Madre Igreja, enquanto Instituição Jurídico-canónica, mas também enquanto Corpo Místico de Cristo, constitui como que uma segunda personificação de Cristo. A Divindade da Santa Madre Igreja é real e substancial, tal como a Divindade de Cristo Senhor; mas a sua componente humana, terrena, também e real e substancial, tal como a Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todavia, há um ponto que merece reflexão: A unidade substancial do ser em Nosso Senhor é perfeitamente comensurável com a unidade de ser na Santa Madre Igreja, mas com certas diferenças inerentes ao facto da Igreja ser o Corpo Místico de Cristo, sim, mas igualmente sendo uma Instituição terrena, com elementos constitucionais e elementos jurídico-canónicos. A face humana do Corpo Místico constitui parte integrante e indispensável do conceito de Divindade e Santidade da Igreja, MAS COMO PRINCÍPIO ABSTRACTO, PORQUE A NÍVEL CONCRETO, TERRENO E INDIVIDUAL ESSA FACE HUMANA É DEFECTÍVEL, QUER PELO PECADO MORTAL HABITUAL, QUER PELA VIA CISMÁTICA, PELA HERESIA OU PELA APOSTASIA, AS QUAIS AMPUTAM DO CORPO MÍSTICO. JÁ A HUMANIDADE DE NOSSO SENHOR, HIPOSTÀTICAMENTE DIVINA, É METAFÍSICA E TRANSCENDENTALMENTE INDEFECTÍVEL, INTRÌNSECAMENTE IMORTAL E IMPASSÍVEL, MAS EXTRÌNSECAMENTE MORTAL E PASSÍVEL, ENQUANTO NASCIDA NUM MUNDO MORTAL E EIVADO PELO PECADO.

A Santa Madre Igreja é santa, logo e imediatamente, pela sua Divindade, porque foi fundada por Jesus Cristo, como Pessoa Moral de Direito Divino, e para Lhe servir de SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO, AO LONGO DOS SÉCULOS, como já referimos. Nunca olvidemos que Nosso Senhor e o Seu Vigário visível constituem uma só Cabeça da Igreja.

A caminhada de Jesus ao longo da sua vida pública possuirá assim perfeita analogia com a marcha da Santa Igreja ao longo dos séculos, inclusivamente, a Paixão e Morte de Jesus Cristo obtém o seu paralelismo com a apostasia conciliar. A Ressurreição gloriosa de Jesus Cristo pode equiparar-se, não apenas à Parúsia Final, mas também à reconstituição qualitativa da Santa Igreja nas novas catacumbas, COM A RESTAURAÇÃO DO PAPADO.

A destruição da face humana do Corpo Místico, NÃO TRUNCA A SANTA IGREJA DE UMA PARTE ESSENCIAL, PORQUE A REFERIDA FACE HUMANA, NA SUA TERRENA “FUNGIBILIDADE” É SEMPRE REGENERÁVEL, NO TEMPO, A PARTIR DA DIVINDADE IRRADIANTE E PROVIDENCIAL DA PESSOA MORAL, INDEFECTÍVEL E INFALÍVEL. EXACTAMENTE POR ISSO, A ACÇÃO SALVÍFICA DA SANTA IGREJA AO LONGO DOS SÉCULOS VAI ACRESCENTANDO NOVAS GERAÇÕES AO SEU CORPO MÍSTICO, DISSEMINANDO-SE EM NOVOS TERRITÓRIOS E NOVAS DIOCESES E ENXAMEANDO NOVO CLERO, MANTENDO SEMPRE O VÍNCULO DE UNIDADE COM O ROMANO PONTÍFICE.

Nosso Senhor Jesus Cristo constitui assim, ao longo dos séculos, o único fundamento da Divindade, da Unidade, da Santidade, da Indefectibilidade, da Infalibilidade, da Santa Madre Igreja. TUDO RESIDE E PROMANA D’ELE: O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA, OS SANTOS SACRAMENTOS, O MAGISTÉRIO INFALÍVEL, INTEGRALMENTE ASSENTE NA SUA REVELAÇÃO, NO SEU EVANGELHO, TODAS AS GRAÇAS, MESMO EXTRA-SACRAMENTAIS, TODO O GOVERNO DA SANTA IGREJA, COMO CORPO MÍSTICO E COMO INSTITUIÇÃO JURÍDICO-CANÓNICA. O SENHOR JESUS GARANTE IGUALMENTE A JÁ REFERIDA REGENERAÇÃO DA FACE HUMANA DO SEU CORPO MÍSTICO, COMO GARANTIU A SUA PRÓPRIA RESSURREIÇÃO MEDIANTE A SUA PESSOA, QUE MESMO NA MORTE, CONTINUOU UNIDA AO SEU CORPO MORTO E À SUA ALMA. PORQUE A MORTE DE JESUS NÃO DISSOLVEU, NEM PODIA DISSOLVER, A UNIÃO HIPOSTÁTICA, APENAS SEPAROU, ONTOLÒGICAMENTE, O CORPO DA ALMA, PERMANECENDO A UNIÃO TRANSCENDENTAL ENTRE AMBOS, COMO ALIÁS SUCEDE COM QUALQUER MORTAL. NESTE QUADRO CONCEPTUAL SE COMPREENDE QUE O ANO LITÚRGICO SEJA, NAS PRÓPRIAS PALAVRAS DE PIO XII, “A REPRODUÇÃO DO CAMINHO DE IMENSA MISERICÓRDIA PERCORRIDO POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”(encíclica “Mediator Dei”).

Quem verdadeiramente acredita na Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, jamais pode duvidar da perfeitíssima Intangibilidade e Infalibilidade da Sua Igreja perante as vicissitudes do tempo e da História. O próprio Senhor Jesus afirmou: “NO MUNDO TEREIS DE SOFRER, MAS TENDE CONFIANÇA, EU VENCI O MUNDO”!(Jo 16,33).

O triste facto de, muito provàvelmente, ao longo dos séculos grande parte do clero secular ter vivido em pecado mortal habitual, não desautoriza, de modo nenhum, o que se acaba de afirmar. Na exacta medida, em que a face humana do Corpo Místico, na sua individualidade concreta e terrena, não é assimilável à Humanidade Bendita e Adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo. Efectivamente, Nosso Senhor nem ao Seu Vigário prometeu impecabilidade; e a razão profunda para tudo isto reside na gravidade do pecado original, na sua transmissão por via varonil, na grande tendência para o mal característica da humanidade, mas acima de tudo, PARA DO CONFRONTO COM ESSE MAL ECLESIÁSTICO DEUS NOSSO SENHOR EXTRAIR, PROVIDENCIALMENTE, SAPIENCIALMENTE, O MAIOR BEM SOBRENATURAL DOS ELEITOS.

A assistência Divina à Santa Igreja refulge, de modo especial, ao verificarmos como, apesar da maldade de muitos dos seus servidores, a Santa Madre Igreja suplanta todas as adversidades históricas, triunfando, ao menos moralmente, dos seus piores inimigos; tal como acontecerá, não duvidemos, quando ressurgir, ainda que qualitativamente, nas novas catacumbas, de todo o mal que a amaldiçoada maçonaria lhe quis infligir. Não esqueçamos, que neste mundo, imerso num oceano de pecados e crimes, A VITÓRIA DOS BONS É SEMPRE, EM ÚLTIMA ANÁLISE, MORAL.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 21 de Março de 2019 Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral 

Veritati Catholicæ

Non Habemus Papam. Em defesa da verdadeira Igreja Católica. Contra a falsa igreja ecuménica de Mário Bergoglio

Novus Ordo Watch

Fátima e a Paixão da Igreja