Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A UNICIDADE DE DEUS UNO E TRINO E A UNICIDADE DA FÉ CATÓLICA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Aeterni Patris”, promulgada a 4 de Agosto de 1879:
«Se reflectirmos sobre a maldade dos nossos tempos, e entendermos bem a razão do que acontece em campo público e privado, descobriremos certamente que a causa geradora dos males que nos afligem e nos ameaçam está nas doutrinas culpadas que foram ensinadas sobre as realidades Divinas e humanas, primeiramente pelas escolas filosóficas, e depois se infiltraram em todas as camadas da sociedade, sendo geralmente acolhidas. Com efeito, sendo natural que o homem siga os ditames da razão no operar, se acontecer que o intelecto peque nalguma coisa, fàcilmente também a vontade cairá no erro. Acontece assim que as opiniões erróneas, que têm sede na inteligência, influenciem e pervertam as acções humanas. Mas se a mente dos homens for sã e baseada em princípios firmes e verdadeiros, frutificará certamente em abundância de benefícios públicos e privados.

Nós certamente, não atribuímos à filosofia humana força e autoridade tão grandes que julguemos serem suficientes para afastar e extirpar todos os erros. Com efeito, quando inicialmente foi estabelecida a Religião Cristã, O MUNDO TEVE A SORTE DE SER RECONDUZIDO À DIGNIDADE INICIAL PELO DOM ADMIRÁVEL DA FÉ, DIFUNDIDO, “NÃO POR DISCURSOS PERSUASIVOS DE SABEDORIA HUMANA, MAS PELA DEMONSTRAÇÃO DE ESPÍRITO E PODER”(ICor 2,4); assim também agora devemos, primeiramente, esperar do poder Omnipotente e da ajuda Divina que as mentes dos mortais, eliminadas as trevas dos erros, recobrem a razão. Porém não se devem julgar inúteis, nem se devem deixar de lado as ajudas naturais benèvolamente subministradas ao homem pela Sabedoria Divina, a Qual dispõe todas as coisas com eficácia e suavidade – e entre essas ajudas, é, com certeza a principal, o uso correcto da filosofia. Não é por nada que Deus acendeu na mente humana o lume da razão; e está bem longe da verdade julgar que a luz da Fé, acrescentada à razão, apague ou diminua as suas capacidades; antes, aumentada e aperfeiçoada a sua potência, habilita-a a coisas superiores.(…)

Por estes factos e motivos, veneráveis irmãos, todas as vezes que dirigimos o olhar para a bondade, a força, e as grandes vantagens daquele ensinamento filosófico, para o qual, todos os que nos precederam tiveram amor particular, julgamos tenha acontecido inconsideradamente, que nem sempre, nem em todo o lugar, lhe tenha sido tributada a honra devida; tanto mais que se sabia perfeitamente, por longa experiência, QUE O JULGAMENTO DE HOMENS SÁBIOS, E O QUE MAIS CONTA, O SUFRÁGIO DA IGREJA, TIVESSEM FAVORECIDO A FILOSOFIA ESCOLÁSTICA. Aconteceu então, que aqui e acolá, se favoreceu um novo tipo de filosofia, no lugar daquela antiga Doutrina, E NÃO SE COLHERAM AQUELES FRUTOS PRECIOSOS E SALUTARES QUE A IGREJA E MESMO A SOCIEDADE CIVIL TERIAM ESPERADO. Com efeito, sob o estímulo dos inovadores do século XVI, exigida e concedida, mùtuamente, a licença de excogitar tudo o que agradasse ou se quisesse, surgiu o prazer de filosofar sem o mínimo respeito à Fé. E COMO ERA NATURAL, AS VÁRIAS MANEIRAS DE FILOSOFAR MULTIPLICARAM-SE MAIS DO QUE ERA JUSTO; E SURGIRAM TESES DIVERSAS E CONTRADITÓRIAS, ATÉ NAQUELAS REALIDADES QUE SÃO FUNDAMENTAIS NO SABER HUMANO. E DA MULTIPLICIDADE DAS TESES PASSOU-SE BEM DEPRESSA PARA AS INCERTEZAS E AS DÚVIDAS: E NÃO HÁ QUEM NÃO VEJA O QUANTO SEJA FÁCIL, PARA O HOMEM, PRECIPITAR-SE DA DÚVIDA PARA O ERRO.»     
Assim como a Unicidade de Deus significa que Ele não sòmente é único, mas que também não tem, nem pode ter, nenhum ente que lhe seja semelhante, em espécie, ou em género, de qualquer modo que sejam concebidos. Porque, na realidade, Deus É, não existe, É, as criaturas existem, Deus É.

Cada indivíduo é único, mas apenas na sua estrita individualidade; pois que existem outros indivíduos da mesma espécie. Segundo a filosofia Tomista, pràticamente canonizada pela Santa Madre Igreja, o Acto constitui o princípio da ilimitação, e a potência o princípio da limitação; na constituição do ser humano, a alma, princípio específico actual, é criada já como forma do corpo, princípio material limitador. Consequentemente, em si mesmas, todas as almas são iguais, mas por isso mesmo, não existem antes de serem unidas aos corpos; Isto na ordem Ontológica. Na ordem Transcendental, a distinção real esse-essência filia-se na realidade da essência do mundo como sendo virtualmente em Deus; pois que as essências resultam da limitação metafísica do Acto Criador, em si mesmo infinito e ilimitado, pela própria potência inerente à necessidade das Leis da mesma metafísica. Tais Leis do Ser não constituem Deus, nem são constituídas por Ele, simplesmente – ESSAS LEIS SÃO A VERDADE DE DEUS! Antes de existirem, e mesmo que nunca venham a existir, os entes SÃO, nas suas essências.

Neste quadro conceptual se compreende melhor a Unicidade de Deus; pois que São Tomás é modelarmente incisivo quando declara que quer na Ordem Lógica, quer na Ordem Ontológica, Deus não pode, de maneira nenhuma, formar conceito ou realidade unívoca com as criaturas. Deus Nosso Senhor está infinitamente acima das suas criaturas, infinitamente acima de géneros, espécies, diferenças específicas, ou individualidades. O conhecimento que Deus possui do mundo é infinitamente perfeito, mas é um conhecimento fundamentado numa relação de razão e não real; exactamente porque Deus mede essencialmente, metafìsicamente, toda a realidade contingente, enquanto possui A CHAVE DAS ESSÊNCIAS.

Porque só há um Deus, na Sua Unicidade Incriada, SÓ PODE HAVER UMA ÚNICA RELIGIÃO E UM ÚNICO SISTEMA FILOSÓFICO. Efectivamente, é profundamente errado falar de “várias religiões” ou de “História das Religiões”, ou de “ciência das Religiões”; visto a Religião Católica ser a única que pode e deve ser denominada RELIGIÃO. As outras organizações são seitas, ou associações idólatras, ou pagãs – MAS NÃO SÃO RELIGIÕES! Afirmar o contrário seria admitir o pluralismo metafísico, tão encarecido por todos os modernistas. Um só Deus – uma só Religião! Porque na investigação etimológica do termo, “religião” procede precisamente de “religare”, significando vincular metafísica e teològicamente o homem, todo o homem, a Deus Nosso Senhor, seu único Princípio, seu único Caminho e seu único Fim. Porque os modernistas, além de destruírem grosseiramente a única verdadeira Religião, ignoram com soberba e desprezo a verdadeira Filosofia.

Mas há uma Filosofia verdadeira? Sim, sem dúvida, e essa verdadeira Filosofia, que é o Tomismo, deve servir, e efectivamente serve, a verdadeira Religião. Na realidade, Deus Nosso Senhor criou, na ordem Natural, os Anjos e os Homens, e elevou-os gratuitamente à Ordem Sobrenatural, a qual supera infinitamente, mas não contradiz, a primeira. LOGO, AMBAS TÊM DE CONDUZIR A DEUS UMA ALMA ESPIRITUALMENTE BEM DISPOSTA.

Aqui em Portugal houve um célebre professor de “filosofia” de nome Vieira de Almeida (1888-1962) que durante quarenta anos manteve um “cátedra de pestilência” na Universidade Pública. Ora esse senhor definia a filosofia como uma busca permanente, como uma disciplina exaurindo-se nessa mesma busca, jamais como tendendo a alcançar uma verdade objectiva, absoluta, Eterna e Imutável, conceito que abominava. Ora este senhor, na sua cátedra, formou – ou  melhor, depravou – a  maioria dos futuros professores de filosofia dos liceus e colégios de Portugal.

A Santa Madre Igreja É INFALÍVEL TAMBÉM EM MATÉRIAS FILOSÓFICAS, AS QUAIS CONSTITUEM OBJECTO SECUNDÁRIO DO SEU MAGISTÉRIO. Dizemos secundário, porque o objecto primário do Magistério da Santa Madre Igreja é a Divina Revelação.

Aqueles que contestam a unicidade da Religião Católica negam necessàriamente o próprio conceito de Verdade objectiva, Eterna e Imutável; lògicamente, defendem também o princípio da liberdade religiosa, porque não possuindo conceito algum de Verdade, igualmente não possuem conceito de Ser, nem conceito de Deus, postergando assim uma sã visão do mundo e do homem; neste quadro conceptual, finitizam Deus, obrigando-O a imergir no lodo moral das criaturas; dispersam e equivocam o ser, volvendo impossível atribuir qualquer espécie de sentido ao Universo e à História humana. Inútil será então falar de necessidades metafísicas, ou de uma moral Sobrenatural que nos deve encaminhar rumo à Santidade.

Jamais olvidar que A PROFISSÃO POSITIVA DE UMA DOUTRINA FILOSÓFICA ERRADA – ARRUÍNA A FÉ CATÓLICA NO SEU TODO.

A Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural são absolutamente incomensuráveis, razão porque a profissão da verdadeira filosofia não confere, nem pode conferir, mais vigor, nem mais Verdade Sobrenatural, à Revelação; mas PERMITE UMA MAIOR EVIDÊNCIA EXTRÍNSECA, RACIONAL, DESSA MESMA REVELAÇÃO. E não se diga que tal é inútil, visto que essa evidência extrínseca constitui barreira extremamente fecunda e eficaz contra a penetração de doutrinas heréticas. Além disso, uma alma ornamentada por Deus Nosso Senhor com o organismo Sobrenatural, com a Graça Santificante, com os Dons do Espírito Santo, essa alma vê intensificada a sua própria inteligência natural. E mais ainda: O esforço de acuidade filosófica efectuado por motivos Sobrenaturais, constitui condição intrínseca Providencial do desenvolvimento desse mesmo organismo Sobrenatural, mediante novos e enriquecedores socorros Divinos.

A Sacrossanta Fé Católica constitui a verdadeira Religião, não apenas porque possui a Verdade Sobrenatural da Revelação, mas também porque em atenção ao Lume dessa Verdade Deus Nosso Senhor lhe proporcionou igualmente a descoberta da Verdade Filosófica, para que o anúncio da Glória De Deus seja verdadeiramente íntegro. A Graça extraordinária que Deus concedeu aos Seus santos de saberem refutar, formalmente, os mestres pagãos, com as mesmas doutrinas que deles materialmente hauriram – É ABSOLUTAMENTE ÚNICA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. Mas precisamente por isso, tais doutrinas, mesmo materialmente, só puderam ser hauridas daqueles pagãos pré-Cristãos, que vivendo antes de Cristo, não tiveram a inteligência e a vontade, hereditàriamente, sociològicamente, sobrecarregadas, corrompidas, com o nefando pecado da rejeição do Salvador do mundo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 7 de Março de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

O PECADO ORIGINAL E OS BENS MATERIAIS

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Quadragesimo Anno”, promulgada em 15 de Maio de 1931:

«Desviados do bom caminho os dirigentes da economia, devia lògicamente precipitar-se no mesmo abismo a multidão operária; e isto tanto mais, que muitos directores de oficinas usavam dos operários como meros instrumentos, EM NADA SOLÍCITOS DA SUA ALMA, NÃO PENSANDO SEQUER NO SOBRENATURAL. Sentimo-nos horrorizados a pensar nos gravíssimos perigos a que estão expostos nas fábricas modernas os costumes dos operários (sobretudo jovens) e o pudor das mulheres e donzelas; ao lembrar-nos de que muitas vezes o sistema económico hodierno, e sobretudo as más condições de habitação, criam obstáculos à união e intimidade da vida da família; ao recordarmos os muitos e grandes impedimentos opostos à devida santificação dos domimgos e festas de guarda; ao considerarmos, enfim, como diminuiu aquele sentimento verdadeiramente cristão, com que até os rudes e ignorantes aspiravam aos Bens superiores, para dar lugar à solicitude única de procurar tão sòmente, por todos os meios, o pão quotidiano. Deste modo, o trabalho corporal, ordenado pela Divina Providência,  depois da culpa de origem, para remédio de corpo e alma CONVERTE-SE, FREQUENTEMENTE, EM INSTRUMENTO DE PERVERSÃO: DA OFICINA, SÓ A MATÉRIA SAI ENOBRECIDA, OS HOMENS, PELO CONTRÁRIO, CORROMPEM-SE E AVILTAM-SE.


A esta tão deplorável crise das almas, que enquanto dure, tornará inúteis todos os esforços de regeneração social, não pode dar-se outro remédio, senão reconduzir os homens à profissão franca e sincera da Doutrina Evangélica, aos ensinamentos d’Aquele, que é o único que tem palavras de vida Eterna, e palavras tais, que hão-de perdurar eternamente, ainda depois de passarem o Céu e a Terra. É certo que todos os verdadeiramente entendidos em sociologia anseiam por uma reforma moldada pelas normas da razão, que restitua a vida económica à sã e recta ordem. Mas esta ordem, que nós também ardentemente desejamos, e procuramos com o maior empenho, será de todo falha e imperfeita, se não tenderem, de comum acordo, todas as energias humanas a imitar a admirável unidade do Divino Conselho e a consegui-la, quanto ao homem é dado: Chamamos perfeita àquela ordem apregoada pela Santa Igreja, com grande força e tenacidade, pedida mesmo pela razão humana,  isto é, que tudo se encaminhe para Deus, fim primário e supremo de toda a actividade criada, e que todos os bens criados por Deus se considerem como instrumentos, dos quais o homem deve usar tanto,  quanto lhe sirvam a conseguir o último Fim. Nem deve considerar-se que esta filosofia rebaixa as artes lucrativas, ou as considera menos conformes à dignidade humana; pelo contrário ensina a reconhecer e venerar nelas a Vontade manifesta do Divino Criador, que colocou o homem sobre a Terra para a cultivar e usar dela segundo as suas múltiplas precisões. Nem é vedado, aos que se empregam na produção, aumentar justa e devidamente a sua fortuna; antes, a Santa Igreja ensina ser justo que quem serve a sociedade e lhe aumenta os bens, se enriqueça também desses mesmos bens, confome a sua condição, contanto que isso se faça com o respeito devido à Lei de Deus, e salvos os direitos do próximo, e os bens se empreguem segundo os princípios da Fé e da recta razão. Se esta Doutrina fosse por todos, e em toda a parte e sempre observada, não sòmente a produção e aquisição dos bens, mas também o uso das riquezas, agora tantas vezes desordenado, VOLTARIA DEPRESSA AOS LIMITES DA EQUIDADE E JUSTA DISTRIBUIÇÃO; À ÚNICA E TÃO SÓRDIDA PREOCUPAÇÃO DOS PRÓPRIOS INTERESSES, QUE É A DESONRA E O GRANDE PECADO DO NOSSO TEMPO, OPOR-SE-IA NA VERDADE E DE FACTO, A SUAVÍSSIMA  E IGUALMENTE PODEROSA LEI DA MODERAÇÃO CRISTÃ, QUE MANDA AO HOMEM BUSCAR PRIMEIRO O REINO DE DEUS E A SUA JUSTIÇA, SEGURO DE QUE TAMBÉM, NA MEDIDA DO NECESSÁRIO, A LIBERALIDADE DIVINA, FIEL ÀS SUAS PROMESSAS, LHE DARÁ POR ACRÉSCIMO OS BENS TEMPORAIS.»  

Como é conhecido,o pecado original não atingiu os primeiros princípios do conhecimento, tal como não atingiu os primeiros princípios da moralidade; tais princípios, enquanto puro ser espiritual, são invioláveis; o que é gravemente perturbada é a sua aplicação concreta às vicissitudes da existência, porque esta já implica com a sensibilidade material.

Nos Anjos, não seria possível um pecado original, porque pelo seu primeiro pecado permanecem eternamente no mesmo pecado; e pelo seu primeiro acto de virtude, nele também permanecem eternamente; e tais actos realizam-se no momento ontològicamente posterior ao da Criação Angélica. Os Anjos não dependem, nem da matéria, nem do espaço, nem do tempo.

De todas as graves perturbações inerentes ao pecado original, a mais iníqua, violenta e avassaladora, consiste na paixão sexual, sobretudo no varão, porque é este que transmite genitalmente esse mesmo pecado, e não a mulher. E a esta paixão encontra-se irremediàvelmente associada a hipocrisia individual de cumplicidade social, como máscara assumida da maior imoralidade mais ou menos oculta.  Mas logo a seguir, com quase idêntica repercussão aniquilante, surge o egoísmo, com todas as suas ramificações, como consequência individual e socialmente cruciante da falta original.

É evidente que as consequências do pecado original podem e devem ser combatidas com o auxílio de Deus Nosso Senhor – A VIRTUDE É PRECISAMENTE ISSO. Exactamente neste enquadramento, santos houve que nem sequer sentiam quaisquer tentações carnais, nem, genèricamente, qualquer movimento apreciável da sensibilidade contra a Razão Divina.

Quando não se processa um combate realmente eficaz contra as consequências do pecado original, o que acontece: É QUE A POSSE DAS RIQUEZAS AUMENTA O EGOÍSMO. Tal poderá parecer absurdo, mas se atendermos à grande miséria da condição humana, bem como ao conhecimento experimental que possuimos do mundo e dos homens, verificamos que é exactamente assim. Por isso Nosso Senhor Jesus Cristo declarou solenemente que “é mais fácil um camelo entrar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”(Mt 19,24). Efectivamente, o apego do rico às riquezas possui carácter adictivo, porque quanto mais tesouros acumula mais necessita incrementar a sua fortuna, para sentir o mesmo grau de satisfação. Na psicologia do rico, que não seja um santo, produz-se uma violenta distorção e inversão de valores, toda a hierarquia natural e objectiva do mundo é transposta ao serviço das satisfações puramente subjectivas e desordenadas do mesmo rico; ELE PERDE DE VISTA A REALIDADE, E É CAPAZ DE TODOS OS CRIMES PARA PROSSEGUIR O HORRÍVEL SUPLÍCIO DO ENRIQUECIMENTO. Não olvidar que as riquezas encarceram o mau rico, limitam-no extraordinàriamente, mais não seja pelo pânico de as perder. Como nada lhe custa, ele perde o sentido moderador do valor, que constitui a medida da penosidade do trabalho útil, que é, por sua vez uma penalidade decorrente do pecado, original e actual. As sanções morais, impostas pela mesma natureza revoltada, ao  pecado do rico, SÃO POR VEZES MAIS GRAVES QUE A DISSOLUÇÃO PSICO-FISIOLÓGICA DO PECADO DA CARNE.

Donde se conclui que é necessário ser extremamente virtuoso para poder ser rico sem ofender mortalmente a Deus Nosso Senhor. Porque o problema não se radica nas riquezas em si mesmas, pois estas foram criadas por Deus para serviço do Homem, na sua peregrinação terrestre rumo à Eternidade. O problema reside na falta de integridade moral daquele que as possui, POIS QUE É INCAPAZ DE GOVERNAR SOBRENATURALMENTE OS BENS CRIADOS.

O Voto religioso de pobreza possui assim uma analogia profunda, de carácter ontológico, com o voto de castidade. O Matrimónio, rectamente enquadrado pela Lei Divina que o rege, constitui um Bem positivo; sòmente o pecado original e os pecados actuais o tornam inferior ao estado de castidade perfeita; porque é necessário serem excepcionalmente virtuosos para que ambos os esposos se possam santificar no matrimónio tal como se santificariam num convento. O mesmo sucede com a posse das riquezas, constituem um Bem e não um mal; mas só os excepcionalmente virtuosos se podem santificar possuindo-as.

Mas também a miséria é inimiga da virtude. Voto de pobreza não é voto de miséria. São Francisco, quando principiante, ignorante da Teologia Moral, julgou que o extremo material de uma virtude coincidia com o seu extremo formal. Erro letal, não sabia que a virtude formalmente se constitui num equilíbrio material de operação. Foi o Cardeal Hugolino, futuro Papa Gregório IX, quem moderou o espírito de São Francisco, e mais tarde, como Papa, o canonizou. Ulteriormente, os Fraticelos, caídos nos mesmos erros, foram condenados pelo grande Papa João XXII (1316-1334), alguns foram condenados pela Inquisição, acabando por formar a seita dos Fraticelos.

O problema da posse das riquezas pela Santa Madre Igreja coloca-se de forma muito clara: Os bens da Santa Madre Igreja, os bens específicos da Santa Sé, os bens das dioceses, SÃO ORDENADOS ESSENCIALMENTE A DEUS, À SUA GLÓRIA, À SALVAÇÃO DAS ALMAS, AO SERVIÇO DOS POBRES, BEM COMO AOS HOMENS QUE OCUPAM CARGOS DE DIREITO DIVINO SOBRENATURAL, E APENAS NESSA MEDIDA. A propriedade dos bens pela Santa Madre Igreja constitui-se, pois, e exerce-se segundo uma modalidade de Direito Divino Sobrenatural, e jamais segundo uma perspectiva humana e terrena. O Papa e os Bispos administram funcionalmente os bens da Santa Igreja fundamentados na Constituição de Direito Divino outorgada pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Consequentemente, é profundamente errado afirmar que a Santa Igreja é rica, porque a Glória de Deus, a salvação das almas e o serviço dos pobres, constitui o objectivo último da posse e uso dos seus bens pela Mãe Igreja.

Ao invés, a seita conciliar, a seita anti-Cristo, ao possuir e controlar os bens que de Direito pertencem à Santa Madre Igreja, procede asquerosamente como ladra e usurpadora do Património de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Assim como, pelo menos em teoria, os bens dos Estados, em princípio, são bens públicos, administrados segundo um interesse e uma finalidade essencialmente pública; “mutatis mutandis,” os bens da Igreja estão sobrenaturalmente consagrados; a riqueza das alfaias, a preciosidade dos vasos litúrgicos, a grandiosidade dos templos, SÃO PARA DEUS NOSSO SENHOR, NÃO SÃO PARA OS HOMENS. Daqui se infere que o aforismo modernista de uma “Igreja serva e pobre” É PROFUNDAMENTE CONTRADITÓRIO COM O DIREITO DIVINO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Fevereiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

        

O LAÇO FATAL DO «CONCLAVISMO» DA HORA PRESENTE

Arai Daniele

È cada vez maior o número dos católicos que aspiram a ver Bergoglio de volta aos pampas. Aspiração justa e ortodoxa, mas impossível no pesado quadro de enganos e tabus em curso. Para superá-los deve-se enfrentar uma sombria realidade expressa na seguinte questão:

O católico destes tempos é ainda capaz de reconhecer o excelso significado da virtual presença da Autoridade de Deus para o bem e a ordem na Terra? Se o fosse, estaria sobremodo aflito diante de Sua radical e longa ausência que precede o atual «papa conciliar»! Poderia então, ser capaz de ver, com os olhos da fé, o vazio espantoso concernente à Sede de São Pedro, causa do sumo engano de nosso tempo e de todo outro pérfido engano dominante, por falta de uma Voz que lhe seja de obstáculo.

Estamos falando da Sede da Verdade ocupada desde 1958 por clérigos que, alheios à verdadeira fé católica, promovem a fé conciliar e ecumenista, para enorme dano da Verdade ensinada pela única Igreja da Fé em Jesus Cristo Rei.

No entanto não faltaram avisos maternais sobre a perda da fé a partir do vértice da Sede romana. Dia 19 de setembro de 1846 ma montanha de La Salette Nossa Senhora profetizara: «Roma perderá a Fé e tornar-se-á sede do Anticristo».

Em 1917, a Mãe de Deus em Fátima assinalou que tal castigo era eminente se o Papa não o impedisse atendendo ao pedido-ajuda oferecido pelo Céu. Não foi devidamente ouvida e a desdita abateu-se sobre a Igreja, sendo mais clara em 1960 e claríssima no período sucessivo com as ideias e heresias do Vaticano 2.

A situação atual confirma o que foi avisado em Fátima por Maria, Rainha dos Profetas, com a visão simbólica do massacre do Papa católico com todo o seu séquito. A visão seria mais clara desde que a Sede de Roma foi ocupada pelo modernista Roncalli, João 23.

Isto foi possível devido ao voto de um conclave que agora o católico pode e deve considerar nulo, em vista dos erros, heresias e de todo o mal que a eleição de João 23 introduziu na Igreja. Se ele conseguiu enganar os cardeais eleitores sobre suas intenções cobertas pelos juramentos de fidelidade e continuidade pontifícia, sua obra de marca modernista e maçônica não deixa lugar a dúvida. E “Os conhecereis pelas suas obras” é o critério de juízo ensinado por Jesus.

Eis que o início do grande engano sobre uma total liberdade de consciência, mirada pelas lojas e os poderes iluministas como direito humano a inocular na Igreja, para tanto é preciso remontar ao conclave de 1958. Naquela ocasião Nosso Senhor, verdadeira Cabeça da Igreja, permitiu que o Seu poder de Pastor divino fosse ferido, conforme a profecia de Zacarias 13,7- 9: «Oh lança, levanta-te contra o Meu Pastor, contra Aquele desde sempre a Mim unido. Sentença do Senhor dos exércitos. Fere o Pastor e serão dispersas as ovelhas, e Eu voltarei a mão para os pequeninos».

Estava profetizado por causa dos pecados dos homens, dentro e fora da Igreja. Mas que nunca se pense, porém, que Deus conceda diretamente o Seu poder a quem pretendia abrir a a Sede santa aos inimigos da Fé. Se é Deus mesmo que invoca a lança para ferir o Pastor, Jesus Cristo, Deus mesmo, significa que foi para retirar-se da grei por um tempo, a fim de que, todos possam avaliar a tragédia que segue a ausência de Sua Voz.

Quando um Papa autêntico morre, os católicos sabem que a Santa Igreja inteira deve seguir as normas de prudência previstas e sempre dispostas para impedir o mal mais grave da possível eleição de um falso católico, e a Sede vacante seja logo entregue a um digno representante de Nosso Senhor, que receberá de Deus, nem da Igreja, nem dos cardeais seu poder divino. Caso contrário, significaria a ocupação da Sede da Verdade por poderes que desde sempre tentaram alterá-la com a eleição de um «papa» segundo os seus planos, para abrir de par em par as suas portas às liberdades do mundo.

Foi a mutação que se viu em 1958 e que continua até hoje. João 23 è pois o eleito desse conclave, é fruto e causa do mais ínfido engano clerical chegado ao vértice para erigir uma Igreja baseada no condenado modernismo. Não deve admirar que esta chegue a canoniza-lo pelos seus méritos e pelo seu exemplo ecumenista deixado aos sucessores, hoje em pleno furor com o advento de Bergoglio.

Pode-se ainda duvidar que houve «imbrogli» ocultos para obter à eleição à Sede de São Pedro? Não, porque sem medo de errar pode-se concluir que esta enganou com o seu favorecimento do condenado modernismo que, por sua vez é uma vaga ideologia ao serviço da introdução de toda e qualquer ideia espúria e contrária à Doutrina católica para favorecer crenças do mundo; «Nós o definimos a síntese de todas as heresias», sentenciou o Papa São Pio X na «Pascendi».

Por tudo isto há que falar desse conclave, visto que foi capaz de introduzir inimigo na Sede da Verdade, anticristos a serviço do Anticristo final. Era, pois, sentimento inteiramente católico avaliar o resultado do conclave, assim como hoje o mesmo sentimento é de total descrédito pelo que possa vir, mesmo de aparência canônica, pois é falso o que segue esse evento nulo.

Trata-se da hora mais sombria, não só para a Fé, mas para a vida moral num mundo empestado pelos erros e falsidades, sem que haja um Juiz moral que representa a Autoridade divina instituída por Jesus para a melhor ordem na Terra. Agora essa Sede resta ao serviço do erro e do engano, ocupada por um falso vigário de Deus em Roma e a grei resta dispersa.

O primeiro sentimento era fazer tudo o que estava ao alcance de cada fiel para reaver a Igreja governada por um autêntico Vigário de Cristo fiel à plena continuidade católica. São estes os termos que definem o verdadeiro Conclave católico. O Primado de Pedro, o cargo do Papa, não existem para servir ideias ou teologias segundo visões da vida «aggiornate» à modernidade e ao mundo.

Atualmente vai se perdendo a memória deste tortuoso perigo, como se pudesse haver uma rutura «canônica» a respeitar. Sim, porque o Papa é autêntico na medida mesma em que è consciente de sua missão de confirmar na Fé, representando a continuidade, de papa em papa, para remontar certamente à única Voz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A este ponto, visto que a missão do cargo papal é definida pela confirmação da Fé e portanto de condenar o que lhe é contrário, como o modernismo, uma vez provado por palavas, gestos e obras a certeza da intenção de João 23, Paulo 6 e sucessores de erguer uma outra igreja, conciliar e modernista, para comutar a Igreja da Tradição, tem-se que estes revelaram-se, por si mesmos como modernistas e portanto alheios ao cargo papal de confirmar na única Fé; não eram legítimos candidatos ao Papado tendo tacitamente renunciado a serem membros da Igreja católica dei 260 Papas e 20 Concílios ecumênicos na continuidade ordenada por Cristo Rei eterno.

Essa obra de rutura prova a grave ilegitimidade dessa eleição, que se baseou no juramento antimodernista e pontifical de perjuros. Até aqui se tratou do engano que compete aos católicos testemunhar e a um futuro Papa católico julgar definitivamente, mesmo se o precedente, Pio XII, ignorando os fermentos modernistas de muitos, os promoveu a altos cargos segundo a surrada rotina clerical. Os homens podem ignorar quanto sé Deus vê no íntimo de padres carreiristas, mas o que Deus certamente quer da Igreja é sempre o máximo cuidado, não só na escolha dos consagrados – dos quais muito depende a salvação das almas – mas de suas promoções aos cargos de autoridade. Esse cuidado vai sobretudo ao conclave católico, que tem esse nome justamente para levantar um visível obstáculo às violações sacrílegas contro a defesa da Fé. No seu aspeto material é sacrílego apresentar alguém contaminado pelo modernismo para ser eleito papa.

Os Conclaves não podem ter valor assoluto, infalível, porque sujeitos ao erro humano. A Bula «Cum ex apostolatus» do Papa Paulo IV é a clara explicação disso, que segue, aliás, a razão: se depois alguém consegue enganar meio mundo e ser eleito papa sem professar a fé íntegra e pura da Igreja, a eleição é nula, mesmo se confirmada pela unanimidade dos cardeais; pela elevação pública do eleito; pelo tempo em que perdura o engano e ele é reconhecido papa por quase todos os fiéis; mais ainda se é aplaudido e abre a Igreja ao mundo dos inimigos da Fé. Se esta lhe falta, como pode esse eleito ser aceito por Deus, que tolera o engano humano, mas, seria gravemente contraditório pensar que possa dar autoridade ao produto desse engano. Isto se depreende dessa Constituição apostólica infalível do Papa Paulo IV.

Os conclaves podem gozar da assistência do Espírito Santo, mas se nele apresentam um desviado para ser eleito papa, a Sua assistência vai aos filhos da Igreja, para que entendam, cedo ou tarde, a nulidade de uma eleição que leva à destruição da Igreja. Pode-se negar que tal demolição ruinosa que vivemos desde a morte de Pio XII deve necessariamente ter uma causa principal a ser vista na mais alta sede da Autoridade? Não. Então eis o gravíssimo atraso que vivemos, pois nem se compreende e pouco se reage ao engano, testemunhando a máxima falha, de modo que si procure finalmente ver a eleição de um papa católico.

Aqui é preciso ressaltar a situação da Santa Igreja em relação à necessidade de firmar a certeza da autoridade de seu chefe terreno, o papa, que depende da direta mas invisível concessão da Autoridade da parte de Deus quando eleito pelo conclave. Admite-se uma universal certeza de tal concessão, se a Igreja inteira aceita sem obstáculo o eleito. Trata-se do melhor critério, mas não de dogma, pois a unanimidade dos cardeais também pode representar essa totalidade de consenso e ser falsa, como se viu pela Bula. Poder-se-ia alegar tal consenso geral para a eleição de Roncalli, João 23. Não houve reações negativas a aceitá-lo que tenha transparecido logo.

Na verdade há uma objeção de peso que afinal foi publicada citando a carta do cardeal Tisserant a um abade docente de direito canónico. Nela o purpurado francês declara ilegítima a eleição de João 23, justamente porque desejada e preparada por forças estranhas ao Espírito Santo (cf. ‘Vita’, 18/9/77, p. 4, citado em Nichitaroncalli, p. 57)’; suspeita apoiada em comprometedores documentos sobre Roncalli, subtraídos misteriosamente do Arquivo Vaticano (ibidem, p. 41).

Aqui se deve lembrar também o testemunho de Dom Marcel Lefebvre:

«Quero remontar sé ao 1960, aliás a 1958: nessa época algo ocorreu na Igreja? O que? È impossível saber os fatos a fundo: pessoalmente não os conheço; mas destas mudanças ,nos percebemos desde 1958, após o conclave que elegeu João XXIII.» (Mgr Lefebvre, «J’accuse le concile» e outras suas confissões).

O testemunho católico precisa apoiar-se na mais alta Sede para enfrentar poderes do mundo. Se não há respostas é porque este falta; no caso atual, pelos sinais desviados que dá essa Sede, constata-se que se encontra ocupada por outro espírito que abusa do nome da Igreja para ministrar erros e heresias num processo de inversão próprio dos falsos cristos e falsos profetas previstos por Jesus. Estes, sempre de novo, em dois mil anos de história, propiciam heresias e conclaves ilegítimos, falsos concílios, e até sínodos para uma nova Pentecostes!

Estas vergonhas não poderiam nunca vir da Sede instituída para defender a Fé. Imaginar o contrário, isto é, que a origem do desastre deva ser localizada alhures, porque a indicação do conclave é certa e definitiva, demonstra uma aberrante ideia «conclavista». Esta, como se viu é muito grave pois favorece o erro de aceitar um clérigo alheio à Fé para representar a autoridade de Deus na S. Sé; por causa de tal «absolutismo conclavista»; na verdade superstição, pois vê absolutos onde pode estar infiltrada malícia humana, a Igreja parece sem solução. Não confundi-la, como se têm feito, com a aberração dos que forçam a eleição de um papa de qualquer modo. Nisto, pelo menos o princípio da necessidade do verdadeiro Papa fica salvo: essa eleição é necessária e urgente desde há quase sessenta anos, e “abusus non tollit usum”! Um «conclavismo» diabólico tem proporcionado «papas» dessa sistemática e crescente demolição de uma Igreja bloqueada pelos seus mesmos filhos. Isto ocorre no esquecimento que o verdadeiro papa recebe diretamente de Deus o poder das Chaves para ser o sumo responsável pela defesa da Fé. A este ponto, quem desculpa as falhas e até inversões humanas nessa defesa, estará acusando a sua aprovação divina!!!

Até Pio XII havia plena consciência dos poderes ocultos mobilizados para mudar a Igreja e da necessidade para os católicos de vigiar firmemente na defesa da Fé. Mas è um fato, no que concerne o conclave em que foi eleito Roncalli, que assumiu o nome do antipapa João XXIII, que as ideias deste candidato eram bem pouco averiguadas porque não estão expressas em escritos importantes. Roncalli era mais conhecido pelas suas tiradas espertas e bonachonas, atrás de sua aparência risonha mas hipócrita; «de genial simplicidade» diria o modernista amigo da inovação, Jean Guitton. Mas da parte descrita como perigosa de tal padre, pouco se interessou o potente cardeal Ottaviani que, sendo chefe do del Sant’Uffizio dispunha de todos os dossiê informativos desses carreiristas. Segundo o parecer geral, confirmado pelo seu biógrafo, o jornalista Emilio Cavaterra, os cardeais Ottaviani e Tardini estavam certos de poder pilotar o ancião e supostamente dócil Roncalli. Consideravam mais importante então fazer um acordo, para o caso que Roncalli fosse eleito, da confirmação de Tardini como Secretário de Estado, que aprofundar a fidelidade católica do candidato. Tal leviandade diante da eleição do sucessor de Pio XII, ia em estridente contraste com as sofridas preocupações do Pontífice até o seu leito de morte: “depois de mim o dilúvio”, que se revelaram fatais. Para Pio XII, Siri era o mais apresentável entre os papáveis, mas foi logo excluído porque considerado muito jovem e longe das intenções reformadoras de muitos.

E o cardeal Ottaviani que conhecia o «dossier» di Roncalli, filo massone e modernista, acabou sendo o eleitor desse «concierge do anticristo». Não deve surpreender, pois, que cardeais no possesso de tantols segredosi, ocultaram até a seus maia estreitos colaboradores a realidade. Tendo eu conhecido alcun destes valentes sacerdotes, percebi que sistematicamente seus chefes freavam suas iniciativas a fim de que não deixassem crer nas suspeitas sobre a eleição deste primeiro «papa conciliar». Até o «Terceiro Segreto» de Fátima, que o Cardeal conhecia, foi posto em falsos termos, desviando o pobre padre Villa: tudo, menos duvidar na eleição canônica de Roncalli, como o fez o cardeal Tisserant (Nichitaroncalli, p. 57) Uma verdade dura demais para ser compreendida até hoje, também por causa destes altos prelados decadentes.

No fundo morreram como garantes de anticristos. Assim, a Igreja do V2, diante da qual o velho cardeal rezava para que acabasse logo, a fim que ele ainda pudesse morrer católico, evitou toda e qualquer verificação sobra a ilegitimidade desses falsários conciliares, argumento vital tornado tabu. Podia não importar os danos deixados e as vítimas que continuariam a fazer os seus «papabili»?

Não, a Igreja dos Ottaviani, Siri, e tantos era um aparato periclitante que ficou sem papas verdadeiros e sem prelados de valor para testemunhar em vida segredos que quiseram levarpara a tumba. Morrer ainda católicos importava só a eles? A única «certeza impossível» transmitida por essa classe clerical: o conclave del 1958? foi «canonicamente válido! Mas maldito! Deus nos ajude.

POSSUIRÁ A FÉ CATÓLICA ALGUM TABU SEXUAL?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Casti Connubii”, promulgada em 31 de Dezembro de 1930:
Quão grande seja a dignidade da casta união conjugal, podemos principalmente reconhecê-lo, veneráveis irmãos, pelo facto de Cristo Nosso Senhor, Filho do Pai Eterno, tendo tomado a carne do homem decaído, não só ter incluído, de uma forma particular, o matrimónio – princípio e fundamento da sociedade doméstica, e mesmo de toda a sociedade humana – naquele desígnio de amor, pelo qual realizou a restauração universal do Género Humano; mas, depois de o haver reintegrado na pureza primitiva da sua Divina instituição, tê-lo elevado à dignidade de verdadeiro e grande Sacramento da Nova Lei, confiando por isso toda a sua disciplina e cuidado à Igreja Sua Esposa.

Para que, todavia, esta renovação do matrimónio, produza em todos os povos do mundo inteiro e de todos os tempos os desejados frutos, é preciso primeiro que as inteligências humanas se esclareçam acerca da verdadeira Doutrina de Jesus Cristo a respeito do matrimónio, e convém ainda que os esposos cristãos, fortificada a fraqueza da sua vontade pela Graça interior de Deus, façam concordar todo o seu modo de pensar e de proceder com essa puríssima Lei de Cristo, pela qual assegurarão a si próprios e à sua família A VERDADEIRA FELICIDADE E PAZ.

Mas ao contrário, quando desta Sé Apostólica, como de um observatório, olhamos à nossa volta, verificamos na maior parte dos homens, com o esquecimento desta obra Divina de restauração, a ignorância total da altíssima santidade do matrimónio cristão. Vós o verificais, tão bem como nós, veneráveis irmãos, e o deplorais connosco. Desconhecem essa Santidade, ou negam-na impudentemente, ou ainda, apoiando-se sobre os princípios falsos de uma moralidade nova e absolutamente perversa, calcam-na aos pés. Estes erros perniciosíssimos, e estes costumes depravados, começaram a espalhar-se até entre os fiéis, e pouco a pouco, de dia para dia, tendem a insinuar-se no meio deles; por isso, em razão da nossa missão de Vigário de Cristo na Terra, de Supremo Pastor e Mestre, julgamos que nos compete levantar a nossa voz Apostólica para afastarmos dos pastos envenenados as ovelhas que nos foram confiadas, e tanto quanto em nós caiba, conservá-las imunes. (…)

Mas embora o matrimónio, por sua própria natureza, seja de instituição Divina, também a vontade humana nele tem a sua parte, e parte notabilíssima; pois que, enquanto é a união conjugal de determinado homem e de determinada mulher, não nasce senão do livre consentimento de cada um dos esposos: Este acto livre da vontade, pelo qual cada uma das partes entrega e recebe o direito próprio do matrimónio, é tão necessário para constituir um verdadeiro e próprio matrimónio, QUE NENHUM PODER HUMANO O PODE SUPRIR. Esta liberdade, todavia, diz respeito a um ponto sòmente, que é o de saber se os contraentes querem ou não contrair matrimónio, e se o querem com tal pessoa; MAS A NATUREZA DO MATRIMÓNIO ESTÁ ABSOLUTAMENTE SUBTRAÍDA À VONTADE DO HOMEM, DE MODO QUE DESDE QUE ALGUÉM O TENHA CONTRAÍDO, ENCONTRA-SE SUJEITO ÀS SUAS LEIS DIVINAS, E ÀS SUAS PROPRIEDADES ESSENCIAIS. O doutor Angélico dissertando acerca da fidelidade conjugal e da prole diz:

“No matrimónio estas coisas derivam do próprio contrato conjugal, DE TAL MODO QUE SE NO CONSENTIMENTO QUE PRODUZ O MATRIMÓNIO SE FORMULASSE UMA CONDIÇÃO QUE LHE FOSSE CONTRÁRIA, NÃO HAVERIA VERDADEIRO MATRIMÓNIO”.

A união conjugal é pois, acima de tudo, um acordo mais estreito do que o dos corpos; NÃO É UM ATRATIVO SENSÍVEL, NEM UMA INCLINAÇÃO DOS CORAÇÕES QUE O DETERMINA, mas uma decisão deliberada e firme das vontades: E desta conjunção dos espíritos, por determinação de Deus, NASCE UM VÍNCULO SAGRADO E INVIOLÁVEL.»

 

A definição de “tabu” promana essencialmente do âmago mesmo da superstição e do estudo antropológico e etnológico da mesma. Só que o ódio à Fé Católica, o relativismo, e de um modo especial o estruturalismo, extrapolaram o significado original desse termo, aplicando-o maldosamente à Doutrina Católica. O método não é novo. Já na dita enciclopédia francesa do século XVIII, o artigo sobre o Santo Sacrifício da Missa é cem por cento ortodoxo, mas uma nota de rodapé remete o leitor para o artigo sobre os cultos papuas. E foi exactamente nessa mesma estratégia ideológica que o Vaticano 2, não atacando materialmente a Doutrina Católica, destruiu-a completamente ao relativizá-la e aniquilá-la segundo uma forma liberal-democrática.

“Tabu” significa assim, em rigor, o sagrado supersticioso e idólatra, o intocável, o indizível. O fundamento objectivo desta realidade, detectável em povos primitivos que sobreviveram até à nossa época, só pode identificar o sinete da contingência da criatura, o carácter que o Acto Criador assinala na criatura. Todavia, a expressão supersticiosa e idólatra desse carácter, demonstra a existência, e a enorme miséria, do pecado original e dos pecados actuais.

Não se pode, de maneira nenhuma, considerar que a Arca da Aliança, no Antigo Testamento, ou o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, no Novo Testamento, constituam “Tabus”, pelo simples facto DE QUE NÃO CONSTITUEM MONUMENTOS OU REPRESENTAÇÕES HUMANAS, FRUTO DE PENSAMENTOS E VONTADES  HUMANAS, DE PRECONCEITOS, MEDOS E DIABOLIZAÇÕES HUMANAS, CONSUBSTANCIANDO, PELO CONTRÁRIO, A PRÓPRIA DIVINA REVELAÇÃO EM FASES DIFERENTES DO SEU DESENVOLVIMENTO SOBRENATURAL.  

NA FÉ CATÓLICA NÃO HÁ TABUS, HÁ A LEI ETERNA, PRINCÍPIO DE ORDEM, INCRIADO, DE TODA A NATUREZA, CRIADA OU POSSÍVEL; É A ESTA LEI QUE TODO O HOMEM ESTÁ, NECESSÀRIAMENTE, SUJEITO, QUEIRA OU NÃO QUEIRA.          

São Tomás de Aquino é perfeitamente claro quando, recusando toda e qualquer sombra de dualismo, proclama que a sexualidade humana não surgiu com o pecado e por causa do pecado, mas que, pelo contrário, é CONSTITUTIVA DA CORPORALIDADE HUMANA. Efectivamente, entre os Anjos, que são naturalmente imortais, pois que integralmente espirituais, não haveria necessidade de reprodução, visto cada Anjo constituir uma só espécie, concentrando em si toda a respectiva perfeição específica. Nos entes corporais, particularmente no Homem, ESPÉCIE QUE FOI CRIADA À PARTE, COMO O REVELA A SAGRADA ESCRITURA, COMPETE À MATÉRIA EXPLICITAR, QUANTITATIVAMENTE, NOS INDIVÍDUOS, TODAS AS RIQUEZAS QUALITATIVAS DEFINIDORAS DA FORMA ESPECÍFICA. CONSEQUENTEMENTE, TODAS AS ALMAS SÃO IGUAIS, RESULTANDO DA MATÉRIA CORPORAL AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS, INCLUINDO O SEXO. MAS AS ALMAS NÃO SÃO CRIADAS INDEPENDENTEMENTE DOS CORPOS, MAS NELES, COMO FORMA SUBSTANCIAL DA MATÉRIA DOADA PELOS PROGENITORES. Como estamos longe dos dualismos.

Neste quadro conceptual, a sexualidade humana foi querida realmente por Deus e enquadrada no Santo Matrimónio monogâmico e indissolúvel. Ninguém julgue, todavia, que as propriedades essenciais do Matrimónio constituem apenas um capricho Divino e que poderia ser de outro modo, não; a totalidade da realidade matrimonial, tal como foi revelada, e é ensinada pelo Sagrado Magistério, É INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM ABSOLUTO E INCRIADO. Mesmo noutro mundo, as leis seriam matrimoniais e a moral sexual seriam idênticas.

Portanto a sexualidade humana, dentro do Matrimónio, e essencialmente orientada para a procriação, É BOA E INTEGRA O PLANO DIVINO. O corpo humano é, em si mesmo, globalmente bom, nada possuindo de indecente ou menos puro. A indecência jaz no puritanismo dos hipócritas e dos obcecados sexuais. Infelizmente, há que reconhecê-lo, certos ensinamentos concretos, sobretudo dos párocos, ao longo da História da Igreja, nem sempre se apresentaram isentos de dualismo, deixando entrever nos seus autores radical falta de verdadeira pureza e uma certa obsessão doentia por estes temas. Não confundir a hedionda concepção pagã do corpo e da vida, com uma sã visão cristã da realidade corporal do Homem, criada que foi por Deus, assumida pelo próprio Verbo na Sua Encarnação, presente sacramentalmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, e que deve ressuscitar gloriosa e íntegra no fim dos tempos; pois que São Tomás, e com ele toda a Santa Madre Igreja, acreditam que o corpo ressuscitará sexuado, conquanto na Eternidade a função reprodutiva esteja plenamente superada, pois os eleitos serão todos como irmãos.  

Em geral pensamos que devemos obsequiar mais os santos que se dedicaram com mais afinco a punir positivamente o seu corpo com macerações cruentas. Mas não é assim, porque tais penitências são reveladoras, genèricamente, de menor santidade. A dor, tal como a morte, em si mesmas, constituem privação de ser, razão porque estavam ausentes do Paraíso Terrestre, por virtude dos Dons Preternaturais, facultados em ordem aos Dons Sobrenaturais. Não se nega, de modo nenhum, que a auto-inflicção de tais castigos possa ser espiritualmente útil, mas é concomitantemente indicadora de menor Graça Santificante e maior concupiscência – pois que o bálsamo Sobrenatural da primeira extingue tendencialmente o fogo da segunda – ou até mesmo do estado de pecado mortal, visto que houve santos que naufragaram em grandes erros filosóficos e misérias carnais, como por exemplo Santo Agostinho.    

Donde se conclui que a Santa Madre Igreja não possui nenhuma atitude supersticiosa em relação à sexualidade humana; tais atitudes, costumamos, sim, encontrá-las nos ímpios, nos debochados, nos hipócritas, nos vitorianos, porque é precisamente nestes meios que, hoje como ontem, viceja, pujante, a pedofilia e toda a sorte de aberrações sexuais. Na época vitoriana, em Inglaterra, quando as pessoas “bem” costumavam ocultar as pernas das mesas, nunca foram tão extensas e profundas, a pedofilia, a violação de criadas e outro pessoal menor, a prostituição, a pornografia, etc.

São Tomás de Aquino jamais poderia haver caído em qualquer dualismo, porque a sua eminente santidade pessoal, a sua integridade doutrinal e moral, a sua absoluta precisão nos conceitos, e o rigor com que distinguia, mas não separava, a Teologia Dogmática e a Teologia Moral, a Teologia e a Filosofia, constituíam e constituem garantia soberana e perpétua de que toda a realidade era por ele contemplada, caracterizadamente, À LUZ ETERNA E SOBRENATURAL DE DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Fevereiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral   

UM CRUCIAL EXAME DE CONSCIÊNCIA HISTÓRICO NESTE OCASO DO CRISTIANISMO

 

Arai Daniele

Quando, do nosso lado, começamos a estudar a questão em torno da Constituição Apostólica «Cum ex apostolatus officio», publicada em 1559, último ano de vida de Paulo IV, eu dediquei-me à parte histórica. Não porque seja historiador, mas devido ao interesse despertado pelas minhas muitas leituras, que iniciaram em torno às políticas do tempo das Aparições Marianas. Tudo isto está unido na História da Igreja e da Cristandade.

Agora se trata de uma situação especial da Igreja e do Papado, que sempre tiveram muitos inimigos, mas naquele momento apresentavam diversos inimigos internos, que o Papa Paolo IV considerava indispensável afastar do poder, embora fossem cardeais e famosos. Vamos pois falar dessa Bula de grande importância universal, mas então de valor atribuído só para evitar que pelo menos dois cardeais importantes, de cuja fé o Papa suspeitava, pudessem ser eleitos à Sede de são Pedro. Tratava-se do influente cardeal Giovanni Morone – que foi preso por suspeita difusão de heresia e do cardeal Reginald Pole.

Paulo IV temia a escalada de cripto-heréticos disfarçados, às posições chave da Igreja, pois o Protestantismo avançava. Por isto havia instituído o Índice para livros suspeitos e proibidos (Index librorum prohibitorum) com a Bula «Cum secundum Apostolum» (16.12.1558), com penas severíssimas contra cardeais envolvidos em pavtos com o poder político, a fim de conquistar a tiara. Paulo IV decretou também, com o fim de impedir que os judeus de Roma propagassem tortuosamente, sob aparência pia ou de difusão cultural, doutrinas anticristãs.

O ódio de que é foi e continuou a ser alvo, suscitado pelos inimigos da Fé e do Papado, não pode surpreender, pois, porque é certo ter sido este Papa o principal «obstáculo» a sustar durante séculos o que hoje impera por obra da abertura de João 23. Trata-se do plano dessa protestantização ecumenista, assim como da judaização do cristianismo, que hoje vemos. Havia então que investigar sobre as simpatias de alguns cardeais pelas novas ideias religiosas. Por exemplo, do Cardeal inglês Reginald Pole e do Cardeal Morone. Em 1540, em Viterbo, eles reuniam junto com personagens influentes, como Vittoria Colonna e o clérigo Carnesecchi, ex protonotário de Clemente VII, e também o espanhol Juan de Valdez, «alumbrado» do movimento tipo «espiritual», versão ante litteram dos modernos carismáticos.

Este grupo atraía intelectuais, artistas e damas como Giulia e Eleonora, prima e irmã do cardeal Ercole Gonzaga. Com fé incerta e aceitando o princípio luterano da justificação só pela fé, chegaram a divulgar a doutrina, depois rejeitada pelo Concílio de Trento, da «dupla justificação». Difundiam também o escrito herético «O Benefício de Cristo», condenado pelo Santo Ofício. Eram ares de mutação da Fé católica que sopravam da Holanda de Erasmo, do teólogo Pighi e até de um papa fugaz como Adriano VI. Estas ideias não vingaram então, mas certamente aguardavam o momento oportuno para a abertura e infiltração modernista na Igreja do século XX e continuam até hoje sem que a maioria perceba o seu veneno. O perigo dessas correntes se revelava às autoridades eclesiásticas nesses anos com a apostasia de dois pregadores: o austero orador Occhino, vigário geral da Ordem dos Capuchinhos e do canônico Vermigli, «mestre» passado ao protestantismo. A acusação contra Pole e Morone era de abertura nessa direção; mesmo se não ficou provado que aderiram à heresia, eram ambos prováveis eleitos ao papado, com imenso perigo para a Fé.

O Cardeal Pole, atacado pelo Cardeal Carafa, por ser inclinado às ideias protestantes de justificação, não foi eleito papa no conclave de 1549, por um voto. E Morone ainda era uma ameaça no conclave de 1566, quando o Cardeal Michele Ghislieri, futuro São Pio V, fez saber da nulidade da eleição daqueles suspeitos de heresia, em base também ao estabelecido pela Constituição Apostólica «Cum ex apostolatus», que reafirmou com a «Inter multiplices». Von Pastor, historiador da Igreja e do Papado, informa que o Cardeal Ghislieri, confessou ter aceito a sua eleição como papa “para evitar o dano da Santa Sé com a possível escolha de Morone.

Aos 18 de Agosto de 1559, Paulo IV morreu santamente, sendo sepultado na Igreja de Santa Maria sopra Minerva, Roma. No seu mausoléu há o epitáfio: “Castigador sem mácula de todo o mal e campeão acérrimo da Fé Católica”. Consta que S. Pio V usava os seus paramentos em sinal de veneração por ele, e abriu seu processo de beatificação. Além disso seguiu o Papa Paulo IV, aplicando a sua Bula, que visava evitar o perigo letal para a Igreja da eleição de hereges disfarçados em católicos, infiltrados no clero para galgar os cargos eclesiásticos mais altos, até conseguir ocupar o Papado. São Pio V o fez com a dita Bula, confirmada com o motu proprio Inter multíplices. Tudo isto é matéria de Direito canônico que permanece. O zelo pela Igreja de Paulo IV foi continuado pois por São Pio V que revigorou a Inquisição Romana, renovando a condenação do racionalismo de Lélio e Fausto Socini e condenando como relapsos, Pietro Carnesecchi (grupo de Viterbo), o humanista Aonio Paleario e Michel du Bay, cuja doutrina era um compromisso entre o protestantismo e o futuro jansenismo.

Pode-se imaginar como esses falsos mestres e desviados teólogos teriam feito carreira hoje como prestigiados especialistas em um «Trento II». Isso ocorreu em tempos conciliares com os peritos tipo Rahner, Hans Küng, Schillebeeckz, Congar, Ratzinger e companhia. No caso, este último teólogo era a esperança para desenvolver o pós-modernismo, realização no que se pode chamar «Luterano II». Na época de Lutero, porém, graças à intensa oração, os papas da renovação espiritual da Igreja foram suscitados por Deus para reforçar a Lei com que os fiéis pudessem enfrentar a malícia de qualquer tempo.

No século passado, a despeito do cálculo humano e da intriga política adversa à vontade de Deus, foi eleito São Pio X. Tudo depende do apelo ao Espírito Santo, que vigia na Igreja para mantê-la longe da perfídia humana, assistindo aos papas que, entretanto, devem governar a Igreja confiada a eles como se tudo dependesse apenas da própria ação; devem impedir que as portas da Igreja sejam abertas para o mundo de prelados de fé corrupta promovidos com engano; homens de ortodoxia suspeita que chegam a ser elevados à mais alta dignidade e jurisdição eclesiástica. Isto procurou evitar Paulo IV, ensinando que, se num conclave, embora de aspeto legítimo, fosse eleito, mesmo pela unanimidade dos cardeais, um indivíduo que se revelará desviado da doutrina católica, a assistência do Espírito Santo vai para os filhos da Igreja a fim de que reconheçam a malícia e nulidade de sua eleição. Só assim poderiam resistir à infiltração e conseqüente destruição da Fé na Igreja.

Já vimos que ninguém, em nenhum momento histórico, foi mais plenamente enquadrado por esta Bula que o inconfesso modernista e filo mação Ângelo Roncalli, que assumiu o nome do antipapa João XXIII e abriu as portas da Igreja ao Modernismo e à Maçonaria. Ora, o Poder do Papa vem diretamente de Deus e seria blasfemo pensar que seria concedido a alguém que queria «aggiornare» a Igreja no sentido de mudá-la, como se viu. Roncalli enganou os cardeais eleitores, poderia enganar a Deus? Só se seus pensamentos e intenções não fossem conhecidos do Alto, o que é absurdo para o católico. Entende-se pois a importância desta Bula, também afim de que não se pense que Deus, porque permite o mal, o autorize diretamente, o que, através dessa elucubração blasfema, deitaria por terra todo o poder divino da palavra papal para o bem e salvação dos homens.

A história em torno da Constituição apostólica «Cum ex apostolatus»

Como dito acima, dediquei-me à parte histórica em torno à Bula, não como historiador, mas pelo meu interesse e minhas muitas leituras sobre as políticas que influíram na vida da Igreja e da Cristandade. Aqui ambas entram diretamente na questão e a pesquisa nesse sentido parece, pelo visto, toda por fazer. De fato, trata-se de apurar as causas do ódio que se levantou contra esse santo Pontífice, não só pelos potentes do mundo e pelos Judeus, mas por muitos dentro da mesma Igreja, causando uma verdadeira repulsa seguida de esquecimento da Constituição apostólica que trata do assunto da Autoridade divina, o mais crítico para o tempo moderno. Para se dar um exemplo, o eminente teólogo São Roberto Bellarmino, tratando do assunto, não cita esta Bula, cuja publicação precede de pouco o seu mesmo tempo no estudo dos assuntos do Vaticano.

Toda esta matéria demanda muito estudo e atenção e aqui proponho apenas para os amigos um apanhado da situação histórica pouco conhecida. Aliás, quando dediquei-me à parte acima mencionada, já me deparei com um período pouco lembrado nos livros. Foi com surpresa que constatei que pessoas melhores preparadas ficaram surpreendidos com a concatenação de fatos e de nomes que apurei então (anos oitenta). O editor belga Alfred Denoyelle da revista Mysterium Fidei, um sedevacantista das primeiras horas (Docteur en Histoire. Modernisme et histoire), combinou então de satisfazer com uma versão francesa o pedido do Padre Villa de «Chiesa Viva» sobre a Bula e Papa Paulo IV, que eu organizara. E publicou um prefácio em que referia meus apontamentos e algo mais, mas tratando Papa Paulo IV como um papa fogoso de temperamento napolitano para justificar suas condenações. Era a versão alongada e também alterada de minha primeira apresentação, não agradou. Quando me telefonou, eu lhe disse apenas que me parecia um pouco longa. O homem não gostou e comportou-se como uma prima donna, razão porque o trabalho gorou. Como depois o de «Chiesa Viva», provavelmente porque faltou o «placet» do cardeal Ottaviani, mentor e sponsor do P. Villa.  No entanto, meu resumo histórico foi apreciado e até desenvolvido pelo P. Ricossa da revista «Sodalitium», que porém atribuiu o estudo ao historiador Denoyelle.

Resumindo, há uma certa pesquisa histórica a ser feita aprofundando os fatos em torno dessa Bula bendita, que as forças demoníacas não querem que seja acolhida como deve ser para o bem da Igreja e da Cristandade; um obstáculo de aspecto misterioso compreensível em vista da importância crucial da matéria. Trata-se da integridade da Autoridade divina no mundo. Quero aqui esboçar uma sugestão de pesquisa, a fim de que pessoas mais especializadas que eu, possam expandir o estudo sobre o ambiente no qual foi publicada a Bula «Cum ex apostolatus» e sua aplicação, cada vez mais esquecida depois de São Pio V, até hoje.

A primeira questão é se o tom drástico das sentenças papais ali não indicassem a visão de uma hora dramática na História da Cristandade, no sentido de uma vasta rebelião contra a Ordem cristã vigente. Para isto basta enumerar os inimigos que a Bula suscitava na ordem civil, que consta na parte do documento que vai além do âmbito eclesiástico, e é hoje inaplicável num mundo descristianizado.

A segunda questão seria avaliar quanto este âmbito eclesiástico estava ligado e dependente desse poder civil e fosse, por isto,  propenso a ignorar uma tal Constituição apostólica.

Em seguida haveria que averiguar a origem da aversão de alguns teólogos à Bula de Paulo IV, porque são teólogos da mesma época. Será que a razão porque São Roberto Bellarmino não cita a Bula no seu estudo sobre opiniões em torno da questão do papa cair em heresia, não seja porque sua conclusão comparada a de tais teólogos seja para confirmar o que a Bula define quanto ao «papa herege»?

Nesse sentido aqui deve-se tentar reproduzir o quadro da situação completa, mas com toda atenção quanto à primeira questão: da hora dramática na História da Cristandade, no sentido do início de uma vasta rebelião à Ordem cristã vigente na Cristandade, que também iniciava ao nível do clero e das ordens religiosas na mesma Roma.

A Revolução protestante, como as que a seguiram, inflamava o mundo no sentido de retorno à rebelião original. Rebelião das consciências que acabou por organizar-se nas sociedades na forma do processo da revolução social. Esta Bula apareceu como obstáculo, talvez derradeiro, a este vendaval para uma virada histórica em que o espírito da revolução soprou dentro do mesmo Catolicismo, envolvendo o mundo civil e o religioso. O Papa Paulo IV previa a crucial necessidade de preservar o Papado como último bastião (katéchon) dessa fatal ventania.

De fato, a Igreja ficou isenta do pior desvio revolucionário para denunciá-lo até nossos tempos, mas com as grandes guerras as defesas começaram a ruir. Precisaria de uma poderosa intervenção divina para resistir. Esta foi oferecida em Fátima, mas não foi compreendida pelos seus três papas, até Pio XII.

Seguiu-se a inoculação da mentira na sede romana, que passou a contaminar o mundo inteiro e parece sem solução humana. Sim, porque não é entendida com os olhos da Fé; Fé ligada à Palavra divina confirmada pelo Papa que foi abatido.

Que Nosso Senhor nos ajude nesse ocaso do Cristianismo.

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

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