Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A VIDA COMO PREPARAÇÃO PARA A MORTE

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, numa passagem da sua Radiomensagem “Nell’Alba e Nella Luce”, pronunciada a 24 de Dezembro de 1941:

«Quando se indagam as causas das presentes ruínas, diante das quais a humanidade, que as considera, fica perplexa, ouve-se não raro afirmar que o Cristianismo falhou na sua missão. De quem e de onde parte tal acusação? Porventura daqueles Apóstolos, Glória de Cristo, daqueles heróicos zeladores da Fé e da Justiça, daqueles pastores e sacerdotes, arautos do Cristianismo, que através de perseguições e martírios, amansaram a barbárie e a prostraram devota ao Altar de Cristo, iniciaram a civilização cristã, salvaram as relíquias da Sabedoria e da arte de Atenas e de Roma, uniram os povos no Nome Cristão, difundiram o saber e a virtude, alçaram a Cruz sobre os zimbórios e abóbadas das Catedrais, imagens do Céu, monumentos de Fé e de Piedade, que ainda levantam a fronte veneranda sobre as ruínas da Europa? Não, o Cristianismo, cuja força deriva d’Aquele que é Caminho, Verdade e Vida, e com Ele está e estará até à consumação dos séculos, o Cristianismo não faltou à sua Missão. Mas os homens rebelaram-se contra o verdadeiro cristianismo, fiel a Cristo e à Sua Doutrina; forjaram UM CRISTIANISMO A SEU TALANTE, UM NOVO ÍDOLO QUE NÃO SALVA, QUE NÃO REPUGNA ÀS PAIXÕES DA CONCUPISCÊNCIA DA CARNE, QUE NÃO REPUGNA À AVIDEZ DO OURO E DA PRATA QUE FASCINAM A VISTA, À SOBERBA DA VIDA; UMA NOVA RELIGIÃO SEM ALMA, OU UMA ALMA SEM RELIGIÃO, UMA MÁSCARA DE CRISTIANISMO MORTO, SEM O ESPÍRITO DE CRISTO – E PROCLAMARAM QUE O CRISTIANISMO FALTOU À SUA MISSÃO.

Cavemos até ao fundo da consciência da sociedade moderna, procuremos a raiz do mal: Onde é que ela prende? Também aqui não queremos calar o louvor devido à prudência dos homens do governo que, ou favoreceram sempre, ou quiseram e souberam repor no seu lugar, com vantagem do povo, os valores da civilização cristã nas felizes relações entre a Igreja e o Estado, NA TUTELA DA SANTIDADE DO MATRIMÓNIO, NA EDUCAÇÃO RELIGIOSA DA JUVENTUDE. Mas não podemos fechar os olhos à triste visão da descristianização progressiva individual e social, que do relaxamento dos costumes passou ao enfraquecimento e à negação declarada de verdades e forças destinadas A ILUMINAR AS INTELIGÊNCIAS SOBRE O BEM E O MAL, A CORROBORAR A VIDA FAMILIAR, A VIDA PARTICULAR, A VIDA NACIONAL E PÚBLICA. Uma anemia religiosa, semelhante a contágio que alastra, feriu assim muitos povos da Europa e do mundo, e produziu nas almas tal vácuo moral, que nenhum simulacro de religião, nem mitologia nacional ou internacional, o poderá preencher. Com palavras e com factos, e com providências governativas, que outra coisa se tem sabido fazer, há dezenas e centenas de anos, SENÃO ARRANCAR DOS CORAÇÕES DOS HOMENS, DESDE A INFÃNCIA À VELHICE, A FÉ EM DEUS, CRIADOR E PAI DE TODOS, REMUNERADOR DO BEM E VINGADOR DO MAL, DESNATURANDO A EDUCAÇÃO E A INSTRUÇÃO, COMBATENDO E OPRIMINDO COM TODAS AS ARTES E MEIOS, COM A DIFUSÃO DA PALAVRA E DA IMPRENSA, COM O ABUSO DA CIÊNCIA E DO PODER, A RELIGIÃO E A IGREJA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO?

Precipitado o espírito no báratro moral, com o afastamento de Deus e da prática Cristã, que outra coisa restava senão que pensamentos, propósitos e cuidados, estima das coisas, acção e trabalho dos homens, se voltassem e só olhassem para o mundo material, afanando-se e suando por se dilatarem no espaço, por crescerem cada vez mais, além de todos os limites, na conquista das riquezas e do poder, para competirem em produzir, mais ràpidamente e melhor tudo o que parecia requerer o adiantamento e o progresso material. Daqui, na política, a prevalência de um ímpeto desenfreado para a expansão e para o mero prestígio político, sem preocupações de moralidade; na economia, o dominar das grandes e gigantescas empresas e associações; na vida social, o acorrer e acumular-se de multidões de povos, em prejudicial superabundância, nas grandes cidades e nos centros industriais, com a instabilidade que segue e acompanha sempre uma multidão de homens que mudam de casa e residência, de terra e de emprego, de paixões e de amizades.»

 

Embora a esmagadora maioria dos homens não pense nisso – É A MORTE QUE CONFERE SENTIDO À VIDA. Uma vida terrena, corruptível, mas imortal, constitui uma verdadeira e própria contradição de termos. Esta realidade não é acidental, porque é constitutiva da condição humana depois do pecado original.

Os homens não gostam de pensar na morte PORQUE NÃO SABEM USAR RECTAMENTE DA VIDA, NÃO SABEM GOVERNAR SOBRENATURALMENTE OS BENS CRIADOS.

Em Nosso Senhor Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, existiu o temor ordenado do sofrimento e da morte; Jesus Cristo era, e é, um Homem perfeitíssimo, possuindo todas as virtudes em grau formalmente infinito. Evidentemente, sendo Homem, Nosso Senhor não podia possuir qualidades fìsicamente infinitas; as Suas Virtudes, a Sua Caridade, possuíam um limite físico, todavia, sendo as Virtudes do Verbo Encarnado, podem e devem afirmar-se como formalmente infinitas.

Mesmo numa Ordem puramente natural, que nunca existiu, os homens estariam sujeitos à morte e ao sofrimento, embora não tivessem que suportar a ferida na natureza, algo que os debilita extraordinàriamente.

Estamos na Terra como lugar de prova, a nossa missão é conhecer, amar e servir sobrenaturalmente a Deus, sobre todas as coisas, e assim sermos admitidos na Família da Santíssima Trindade por toda a Eternidade. Mas é servindo, sobrenaturalmente, a Deus Nosso Senhor que nos preparamos para a morte. A única realidade que é ontològicamente constitutiva da nossa santidade é precisamente a Graça Santificante, pois é esta que mede todas as virtudes Teologais e Morais. Os Dons do Espírito Santo são-nos facultados em ordem ao aperfeiçoamento destas virtudes, mas não são eles mesmos que medem o nosso grau de Santidade. A morte deve ser encarada como UM NASCIMENTO PARA DEUS NOSSO SENHOR, UM INGRESSO NA ETERNIDADE, OCEANO DE VERDADE E DE BEM, PERANTE O QUAL A NOSSA EXISTÊNCIA AQUI NA TERRA É MENOS DO QUE UMA GOTA DE ÁGUA. Mas é na Terra, e só na Terra, que podemos merecer o Céu, o qual, de modo algum deve ser pensado como uma realidade heterogénea aos meios sobrenaturais deste mundo, muito pelo contrário, há entre eles uma perfeita homogeneidade transcendental. Ao contrário do que se possa pensar, a Graça Santificante permanece na Eternidade, assim como os Dons do Espírito Santo.

Grande é o erro daqueles racionalistas que desprezam a moral católica, acusando-a de ser interesseira na busca egoísta de recompensas. A RECOMPENSA DO AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS – É O PRÓPRIO DEUS!

Durante a revolução de 1789, certas religiosas foram condenadas à morte, acrescentando o Juiz que a crime único pelo qual eram condenadas era – O FANATISMO!

– E o que significa fanatismo? – inquiriram elas.

– É amardes a vossa vocação e a vossa religião, de forma exclusiva e sobre tudo o mais – respondeu o Juiz-

– Ah! Sim, se o fanatismo é isso, nós somos fanáticas, e como tal queremos morrer – retorquiram as religiosas. E foram todas decapitadas.

O mundo sempre acusou os verdadeiros adoradores e servidores de Deus como sendo fanáticos. Todavia, o epíteto “fanático” só deve ser aplicado a criminosos de delito comum, que usam qualquer sistema político, religioso, ou pseudo-religioso, como pretexto dos seus crimes- é o que sucede com os movimentos terroristas islâmicos actuais, e o que sucedeu com o nazismo e com o estalinismo.

O verdadeiro católico, ornamentado com a Graça Santificante e a Caridade, pode e deve ser denominado apenas como CATÓLICO INTEGRISTA, por oposição a católico em estado de pecado, membro morto do Corpo Místico. O católico por puro hábito social, será então denominado – nominal.

A real preparação para a morte só se processa naqueles católicos que possuem a Graça Santificante, ou não a possuindo, se esforçam, com a Graça de Deus, para recuperá-la.

A Santa Madre Igreja sempre ensinou que difìcilmente morre mal quem viveu bem; e difìcilmente morre bem quem viveu mal; e quanto melhor tiver vivido maiores são as probabilidades de morrer bem. Sem dúvida que é sempre possível um milagre moral à hora da morte, mas tenhamos presente que Deus não governa o mundo através de milagres, físicos ou morais.

Deus Nosso Senhor converte, preferencialmente, aqueles que viveram com integridade alguma doutrina oposta à Fé Católica, por exemplo, alguns comunistas. Porque Deus não quer gente morna, quer gente forte, íntegra de carácter, ainda que fria, ou seja não católicos ou mesmo anti-católicos, e estes, Deus, em certos casos, converte-os com um milagre moral. São Paulo constitui um belo exemplo do que estou referindo.

Tal acontece, porque existe uma determinada proporção extrínseca entre a Ordem Sobrenatural e a Ordem Natural.

Outros, não sendo pròpriamente convertidos, são contudo projectados a um muito elevado padrão de santidade por algum desgosto que lhes fez sentir a ilusão, e até a falsidade derradeira, das ambições terrenas, mesmo legítimas. Santo Afonso de Ligório, tendo-se empenhado na carreira de advogado, perdeu uma causa apaixonante. Santo Inácio de Loyola, havendo apostado na carreira militar, foi ferido e logo inutilizado.

Porque este pobre mundo, por sua própria natureza infectada gravemente pelo pecado, está, e sempre esteve, total e desordenadamente orientado para os bens terrenos, que mesmo enquanto legítimos e criados por Deus, necessitam de um princípio moral sobrenaturalmente ilustrado, para serem governados segundo a nobreza própria dos seus fins. Só a Lei Divina pode consignar esse princípio de ordem, que ao contrário do que pensa a esmagadora maioria dos homens, constitui igualmente o princípio da felicidade e da paz  possíveis neste mundo.

A Religião verdadeira nunca pode ser princípio de sofrimento; exactamente porque este representa uma privação de ser, e a Religião verdadeira só pode conduzir e constituir à plenitude do ser. Recordemos que o sofrimento e a morte não constavam dos planos primitivos de Deus, que concebiam e arquitectavam um mundo sem pecado e exuberante de uma excelência Teológica, ontológica e antropológica, só inferior à Beatitude Celeste. Consequentemente, a nossa preparação para a morte não deve cultivar a morte em si mesma, enquanto é privação de ser, mas

enquanto tributo necessário de uma natureza ferida pelo pecado, fonte reparadora dessa mesma privação, que na morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela sublime união com essa morte, encontra a plenitude dos Bens Incriados, indissociável da sanção moral, objectiva, de uma vida à qual a morte deu sentido. Exactamente por isso, comemoramos os santos na data da sua morte; porque nesse dia foram sancionados, eternamente confirmados, na amizade infinita de Deus Uno e Trino.

Como afirmámos há pouco: É a morte que confere sentido à vida, e esse sentido foi Nosso Senhor que no-lo deu, porque só possuem valor salvífico as obras realizadas em união Sobrenatural com Nosso Senhor Jesus Cristo. Não somos predestinados por realizar tais obras, nós as realizamos, sim, porque somos predestinados.

Diz São Paulo: “Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Cristo, fomos baptizados na Sua morte?

Pelo Baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a Glória do Pai, assim caminhemos nós também para uma vida nova”(Rom 6, 3-5).

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 26 de Setembro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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A REPARAÇÃO DEVIDA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS CRISTO REI  

Pro Roma Mariana

Arai DanieleCRISTO RE DELL'UNIVERSO BELLISSIMO

Admirável a forma como os Papas falam dos dogmas e neste caso do Sinal divino que nos foi dado, do Sacratíssimo Coração de Jesus. Textos que são compêndios atualizados de nossa santa Religião, além do que representam para a norma de vida pessoal e social.

Por exemplo, São Pio X que fala do dogma da Imaculada Conceição de Maria, na época crucial que vivemos: «Não há mais verdade, nem compaixão, nem conhecimento de Deus na terra; a blasfêmia, a falsidade, o homicídio, o furto, o adultério triunfam».

“No meio deste dilúvio de males, nos aparece diante dos olhos a Virgem clemente, como árbitra de paz entre Deus e os homens – Colocarei o meu arco-íris nas nuvens e será o sinal do pacto entre Mim e a terra. Desabe a tempestade e se obscureça o céu: ninguém desespere. À vista de Maria, Deus se aplacará e perdoará. […]…

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O NECESSÁRIO RECOLHIMENTO SOBRENATURAL DA ALMA


Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens da sua encíclica “Menti Nostrae”, promulgada em 23 de Setembro de 1950:

«Antes de tudo, exorta-nos a Santa Igreja à meditação, que eleva a alma à contemplação das coisas celestes, guia-a para Deus, e a faz viver numa ATMOSFERA SOBRENATURAL de pensamentos e afectos, que constituem a melhor preparação e a mais frutuosa acção de Graças à Santa Missa.

A meditação,  além disso, dispõe a alma a saborear e compreender as belezas da Liturgia, E FÁ-LA CONTEMPLAR AS VERDADES ETERNAS, E OS ADMIRÁVEIS EXEMPLOS E ENSINAMENTOS DO EVANGELHO E DOS MISTÉRIOS DA VIDA DE JESUS.

Ora, a isso deve estar contìnuamente atento o sacerdote, para reproduzir em si mesmo as virtudes do Redentor. Como, porém, o alimento material não alimenta a vida, não a sustenta, não a faz crescer, se não é convenientemente assimilado, assim o sacerdote não pode adquirir o domínio sobre si mesmo e os seus sentidos, nem purificar o seu espírito, nem tender – como deve – à virtude, nem afinal, cumprir com alegre fidelidade e frutuosamente os deveres  do seu Sagrado Ministério, se não tiver aprofundado, pela meditação assídua e incessante, os Mistérios do Divino Redentor, Supremo Modelo da vida sacerdotal e inexaurível Fonte de Santidade.

Julgamos, pois, ser grave obrigação nossa exortar-vos à prática da oração quotidiana, prática também recomendada ao clero pelo Código de Direito Canónico. Porque como o estímulo à perfeição sacerdotal é alimentado e fortificado pela meditação quotidiana, assim do descuido e negligência desta prática origina-se a indiferença espiritual, pela qual diminui e enlanguesce a piedade, e não sòmente cessa ou se retarda o impulso para a santificação especial, mas todo o Ministério Sacerdotal sofre não ligeiros danos. Deve-se, com fundamento, assegurar por isso que nenhum outro meio tem a particular eficácia da meditação, e portanto é insubstituível a sua prática quotidiana.   

Não sejam, porém, separadas da oração mental a oração vocal e as outras formas de oração privada que, na condição particular de cada um, auxiliam a promover a união da alma com Deus. Mas deve-se ter isto presente: Mais do que múltiplas orações, vale a piedade e o verdadeiro e ardente espírito de oração. Esse ardente espírito de oração, se o era nos tempos passados, mais necessário é especialmente hoje, que o assim chamado “naturalismo”invadiu os espíritos e as inteligências, e a virtude se vê exposta a perigos de toda a espécie, PERIGOS QUE ÀS VEZES SE ENCONTRAM ATÉ NO PRÓPRIO MINISTÉRIO. Que nos poderá melhor premunir contra essas insídias, que poderá melhor elevar a alma às coisas celestiais e mantê-la unida com Deus, do que a oração assídua e a invocação dos Divinos auxílios?»  

 

Todos, mesmo apenas na Ordem Natural, necessitamos de recolhimento. Recolher-se significa tender à recuperação da unidade ontológica diminuída pela dispersão nas vicissitudes quotidianas. O ente, espiritual ou não, é tanto mais uno quanto mais intensamente for ele próprio, quanto mais resistir à desagregação, à erosão, do contacto com o meio ambiente.

Se isto é verdade na Ordem Natural, muito mais o será na Ordem Sobrenatural. Efectivamente, a elevação ao estado Sobrenatural situa a alma num plano infinitamente acima da vida natural, da vida terrena, conferindo-lhe o Dom da participação na Natureza Divina, e de certo modo recriando-a, admitindo a mesma alma na intimidade da Família da Santíssima Trindade.

Neste quadro conceptual, a alma na posse da Graça Santificante, das Virtudes Teologais e Morais, dos Dons do Espírito Santo, a alma que ama Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, ENCONTRA-SE INCOMPARÀVELMENTE MAIS NECESSITADA DE RECOLHIMENTO DO QUE SE VIVESSE SÒMENTE NA ORDEM NATURAL. E A CARÊNCIA DESSE RECOLHIMENTO SIGNIFICA UMA VERDADEIRA VIOLAÇÃO MORAL DA ALMA FIEL.

Poder-se-ia argumentar que a Graça Santificante fortificaria a alma de modo extraordinário, e daí, e por inerência, dimanaria o recolhimento. Mas não é assim, porque se é verdade que a Graça Santificante robustece a alma, ratificando por assim dizer esse recolhimento, também lhe outorga novos horizontes, novas exigências e deveres, novas necessidades e consequentemente, novos perigos; e isto num mundo e numa natureza ferida pelo pecado original.

No Paraíso Terrestre, a vida concreta e o trabalho não dispersavam a alma, debilitando-lhe a unidade ontológica. Tal acontecia mercê da integridade Preternatural e Sobrenatural, na qual a união com Deus só era inferior à Visão Beatífica.

O activismo constitui grave defeito da vida religiosa, precisamente, pela perda de unidade ontológica, incapacitando não apenas para a contemplação, mas até para a simples meditação. Um sacerdote, seja secular, seja regular, um religioso, ou uma religiosa, habitualmente com pressa, tem que repensar profundamente a sua vida, sob pena de faltar a um dos seus mais graves deveres – A SANTIFICAÇÃO PESSOAL. E peca ainda mais o superior que sobrecarrega o sacerdote, de forma habitual, com tarefas exteriores.

Segundo São Tomás, a acção deve brotar da superabundância da contemplação. Contudo, recolhimento e contemplação não constituem a mesma coisa, porque o primeiro significa a recuperação da unidade ontológica, condição indispensável para o exercício da contemplação. Assinale-se que a verdadeira contemplação, aquela que procede dos Dons do Espírito Santo, É DEUS NOSSO SENHOR QUEM A OPERA EM NÓS, DE FORMA TOTALMENTE GRATUITA. Caracteriza-se pela Sobrenaturalidade, unidade do conceito e do afecto, universalidade, simplicidade, e grande fecundidade e definição do particular. Pelo contrário, a meditação, sendo operada pelas nossas faculdades, ainda que auxiliadas pela Graça de Deus, apresenta como notas: A pluralidade de conceitos e de afectos, a particularidade relativa com menor definição e menor simplicidade.

A alma do sacerdote, ou do religioso, não pode sobreviver em Graça Divina, privada de meditação, só alcançando alto grau de santidade se, com a ajuda de Deus, lograr ascender a um determinado grau de contemplação habitual, proporcionando-o à sua actividade exterior, mas sem esquecer que esse estado contemplativo a auxiliará nessa mesma vida exterior, evitando distrações, e consequentemente, sustentando a unidade ontológica, princípio de eficácia de operação.    

É conhecido como Santo Tomás de Aquino ditou para secretários a maior parte das suas obras, e também se sabe QUE MESMO A DORMIR DITAVA. Tal não nos deve surpreender, porque o sono, sendo uma função psico-fisiológica, não conseguia anular o alto grau de contemplação da alma de Tomás, pois que as funções sobrenaturais da alma, como não podia deixar de ser, possuem notável ascendente sobre o campo psico-fisiológico, podendo mesmo suspendê-lo na união extática.

Também é conhecido que Santo Tomás deixou a Suma Teológica incompleta, porque tendo sido enriquecido, numa manifestação celeste, com uma visão Sobrenatural extraordinária dos Mistérios Divinos, concluiu que havendo uma tão grande distância entre o que escrevera em toda a sua vida, e a realidade dos Mistérios tal como ele a contemplara –  era melhor não escrever mais, e faleceu pouco depois.

Todavia, houve também grandes santos, como São Pio X, que jamais foram beneficiados com visões celestes; porque estas constituem uma forma extraordinária de Revelação Sobrenatural, equiparável, por exemplo, às Aparições de Fátima e Lourdes. A Irmã Lúcia, já em Tuy, foi favorecida com uma Visão do Mistério da Santíssima Trindade. De qualquer forma, uma alma pode ser predestinada a alto grau de santidade, mas permanecendo sempre num estado habitual de contemplação, sem visões e irrupções celestiais e sem êxtases nem levitações.

Caso especial, e muito venerado pelo autor destas linhas, é o de Santa Bernadette, na sua extrema humildade, na sua grande carência de dons naturais para o serviço do convento, sendo mesmo muito humilhada por isso, pobre, indefesa, doente, totalmente oculta com Nosso Senhor Jesus Cristo, no apagamento do natural face ao Sobrenatural; pois que a ela a Mãe do Céu havia dito: “NÃO TE PROMETO FAZER FELIZ NA TERRA, MAS SIM NO CÉU.” Em Santa Bernadette, o Mistério da Predestinação é indissociável da sua manifestação celeste, por haver sido confirmada em Graça, tal como os Apóstolos, tal como os Pastorinhos de Fátima. Almas assim permanecem em perpétuo e total recolhimento e contemplação, PORQUE TÊM A CERTEZA SOBRENATURAL QUE O MUNDO, ESTE PERVERSO MUNDO, JAMAIS LHES ARREBATARÁ O AMOR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS. Conquistam assim, por predilecção Divina, não apenas uma perfeita liberdade, mas uma estabilidade e uma felicidade Sobrenatural, que supera infinitamente todos os anseios, todas as preocupações, mesmo legítimas, que infelizmente, e em todas as épocas, assoberbaram a vida de tantos sacerdotes e de tantos religiosos, que não triunfaram naquela que é a única realidade verdadeiramente importante para uma alma: ORIENTAR-SE ESSENCIAL E IRREVOGÀVELMENTE PARA DEUS NOSSO SENHOR, PARTICIPANDO DA SUA INCRIADA SANTIDADE, E PROCURANDO IRRADIÁ-LA NO MUNDO.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Setembro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

UM DEPLORÁVEL CATOLICISMO AVILTADO PELA PRÓPRIA OBTUSA CEGUEIRA

Arai Daniele

  • A GRANDE PREOCUPAÇÃO DE UM MUNDINHO RELIGIOSO QUE IGNORA VIVER ENTRE ESCOMBROS CAUSADOS POR DEMOLIDORES CONCILIARES BEM PRESENTES É O DIÁLOGO COM ESTES.

Num recente documento, «um autor aborda uma pergunta fundamental: Se uma conclusão lógica chave derivada de Amoris Laetitia derrubará toda a doutrina moral da Igreja.  Por Josef Seifert  Tradução: FratresInUnum.com

  • Basta dar uma vista d’olhos num artigo como este para se perceber que há um catolicismo desvairado que pretendendo passar por sábio e pio, é um dos seus mais inconscientes auto demolidores.

« Estaria toda a doutrina moral da Igreja Católica ameaçada de destruição?

«Resumo

«A pergunta do título deste artigo se dirige ao Papa Francisco e a todos os Cardeais, Bispos, filósofos e teólogos católicos. Trata-se de uma dúvida (dubium) sobre uma consequência puramente lógica resultante de uma afirmação em Amoris Laetitia [AL] e termina com uma súplica ao Papa Francisco para que retire ao menos uma afirmação da AL, caso a pergunta do título deste pequeno ensaio seja respondida afirmativamente e, se na realidade desta afirmação na AL, somente a pura lógica, usando premissas evidentes, pode-se deduzir a destruição de todo o ensinamento moral católico. Num estilo socrático, o artigo deixa nas mãos do Papa Francisco e de outros leitores a tarefa de responder à questão e propor suas próprias respostas.

  • Seria pois «lógico» diante de um instrumento destrutivo do catolicismo não indagar de sua origem, mas tentar dialogar com o autor. Sim, porque um mal da dimensão descrita não teria um responsável que deva explicar-se; não teria uma causa eficiente do mal proporvionado!

 

«Conteúdo

«Sem dúvida alguma, Amoris Laetitia criou muita incerteza e evocou interpretações opostas em todo o mundo católico. Não desejo apresentar aqui toda a controvérsia nem repetir – ou desenvolver ainda mais – a postura que defendi sobre esta matéria em artigos anteriores (ver Josef Seifert, “Amoris Laetitia. Alegria, tristeza, esperanzas”) ainda que poderia fazê-lo como uma resposta a alguns comentários críticos que recebi de meu amigo pessoal Buttiglione, com o qual estou de acordo na maioria de outras matérias filosóficas e em outros temas.

«Há uma única afirmação em AL, no entanto, que não tem nada a ver com um reconhecimento dos direitos de uma consciência moral subjetiva, relativo ao qual Rocco Buttiglione tenta demonstrar a total harmonia entre o magistério moral de São João Paulo II e do Papa Francisco, contra Robert Spaemann e outras afirmações que falam de uma clara ruptura entre eles. Buttiglione argumenta que tendo em conta os ensinamentos díspares sobre disciplina sacramental, o Papa João Paulo II tem razão se se considera somente o conteúdo objetivo dos atos humanos, enquanto que o Papa Francisco tem razão quando se concede, depois do devido discernimento, o papel e reconhecimento adequados aos fatores subjetivos e às condições excludentes de pecado mortal (conhecimento imperfeito e uma debilidade no livre-arbítrio).

 

  • Com qual indiferença filosofoide se trata do pecado mortal permanente de uma multidão que continuará mergulhada nele contra as palavras claras de Jesus no Evangelho (MT 5,32):
  • «Eu digo-vos: todo aquele que repudiar a sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério». 
  • Na nova religião tudo vai no sentido de melhorar a vida nesta terra. No caso, com dano permanente para a outra; ditada por um «papa»?

 

«A afirmação de AL sobre a qual quero aprofundar-me aqui, no entanto, não apela à consciência subjetiva de maneira alguma, mas a que sustenta que uma vontade divina totalmente objetiva nos permite realizar, em certas situações, atos que são intrinsecamente maus, e que foram sempre considerados como tais pela Igreja. Já que Deus certamente não pode carecer de conhecimento ético, nem ter uma “consciência errônea” nem uma debilidade no livre-arbítrio, esse texto não “defende os direitos da subjetividade humana”, como Buttiglione declara, mas parece afirmar claramente que estes atos intrinsecamente desordenados e objetiva e gravemente pecaminosos, como Buttiglione admite, podem ser permitidos, ou inclusive, podem ser objetivamente ordenados por Deus. Se isto é o que realmente AL diz, todos os alarmes sobre as afirmações diretas em AL, concernentes aos assuntos sobre mudanças na disciplina sacramental (permitir, depois do devido discernimento, a adúlteros, homossexuais ativos e outros casais em situação parecida, aceder aos sacramentos da confissão e da eucaristia, e logicamente também ao Batismo, à Confirmação e ao Matrimônio sem vontade alguma de mudar suas vidas nem de conviver numa total abstinência sexual, tal como pedia o Papa João Paulo II em Familiaris Consortio aos casais em tais “situações irregulares”) só são a ponta do iceberg, o débil princípio de uma avalanche ou um dos primeiros edifícios destruídos por uma bomba atômica teológica moral que ameaça com destruir completamente o edifício moral dos Dez Mandamentos e da doutrina moral católica. Neste artigo, no entanto, não direi que este seja o caso. Pelo contrário, deixarei inteiramente nas mãos do Papa ou de qualquer outro leitor a resposta à pergunta de se há ou não ao menos uma afirmação em Amoris Laetitia que tenha como consequência lógica a destruição de todo o ensinamento moral católico. E devo admitir que o que eu li sobre uma comissão convocada para “reexaminar” a Humanae Vitae, uma Encíclica que põe fim, como mais tarde o fez a Veritatis Splendor, a décadas de debates éticos e teológico-morais, isto fez da pergunta do título de meu ensaio uma questão que me preocupa profundamente.»

  • A pergunta é se a defesa da Doutrina Católica nestes tempos, de reconhecidos falsos cristos e falsos profetas, preocupa este intelectualismo vão? A sua obtusidade bajulatória do inimigo é piada para demônios?

VERDADE LÓGICA E VERDADE ONTOLÓGICA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Aeterni Patris”, promulgada em 4 de Agosto de 1879:

«Mas é louvor máximo e todo próprio de Tomás, nunca concedido a nenhum outro doutor Católico, o terem querido os Padres do Concílio de Trento, que no centro da aula das reuniões,junto com os Códices da Sagrada Escritura e os Decretos dos Pontífices Romanos, estivesse aberta sobre o Altar, também a Suma de São Tomás de Aquino, para dela extrair conselhos, motivos e sentenças.

E, finalmente, pareceu reservada a homem tão incomparável também a primazia, arrancando obséquios, elogios e admiração, ATÉ DOS INIMIGOS DO NOME CATÓLICO. Com efeito, sabe-se que entre os chefes das facções heréticas não faltaram os que confessaram pùblicamente, que uma vez afastada a Doutrina de São Tomás, eles poderiam fàcilmente “enfrentar e vencer todos os doutores católicos”, e aniquilar a Igreja. Infundada esperança, mas não infundado testemunho.

Por esses factos e motivos, veneráveis irmãos, todas as vezes que dirigimos o olhar para a bondade, a força, e as grandes vantagens daquele ensinamento filosófico, para o qual todos os que nos precederam tiveram amor particular, julgamos tenha acontecido inconsideradamente, que nem sempre, nem em todo o lugar, lhe tenha sido tributada a honra devida; tanto mais que se sabia perfeitamente, por longa experiência, que o julgamento de homens sábios, e o que mais conta, o sufrágio da Santa Igreja, tivessem favorecido a Filosofia Escolástica. Aconteceu então, que aqui e acolá, se favoreceu um novo tipo de filosofia no lugar daquela antiga doutrina. E não se colheram, aqueles frutos preciosos e salutares que a Santa Igreja, e mesmo a sociedade civil teriam esperado. Com efeito, sob o estímulo dos inovadores do século XVI, exigida e concedida mùtuamente a licença de excogitar tudo o que agradasse ou se quisesse, surgiu o prazer de filosofar sem o mínimo respeito à Fé. E como era natural, as várias maneiras de filosofar multiplicaram-se mais do que era justo, e surgiram teses diversas e contraditórias, até naquelas coisas que são fundamentais no saber humano. E da multiplicidade das teses, passou-se bem depressa para as incertezas e as dúvidas: E não há quem não veja o quanto seja fácil para o homem, da dúvida, cair no erro.

E como os homens se deixam atrair pelo exemplo, também as mentes dos filósofos Católicos pareceram tomadas pelo espírito de novidade, por causa da qual, desvalorizado o Património da Filosofia antiga, E CERTAMENTE SEM SAGÁCIA, NEM SEM PREJUÍZO PARA AS CIÊNCIAS, QUISERAM ANTES TENTAR COISAS NOVAS, DO QUE AUMENTAR E APERFEIÇOAR AS ANTIGAS COM AS NOVAS. Com efeito, esta forma variada de Doutrina, apoiando-se na autoridade ou no arbítrio de algum mestre, TEM FUNDAMENTO INSTÁVEL, e por isso não é a verdadeira Filosofia, firme e robusta como a antiga, mas é leve e instável. E se por acaso lhe acontecer, sentir-se alguma vez pouco adaptada a sustentar o ímpeto dos inimigos, terá de procurar a causa e a culpa em si mesma.»

 

No texto Leonino aqui transcrito, não são apenas condenados os sistemas filosóficos, que a partir do século XVI, pretenderam implantar o protestantismo na filosofia, tais como o de Descartes e Leibnitz, não; o grande Papa restaurador do Tomismo quis atingir igualmente o Escotismo (séc XIV) e o Molinismo (séc XVI), porque ainda que não os considerando como heréticos, certamente lhes reconhece notável debilidade intelectual, incapacitando-os de opugnar eficazmente contra os inimigos da Fé Católica, e isto tanto na Ordem Filosófica, como na Ordem Teológica e Moral. Em última análise, esses sistemas enlanguescem a Ordem Sobrenatural, particularmente a União Hipostática e o Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo; e tal acontece em virtude do seu anti-intelectualismo: Colocando a verdade das essências, não na sua conformidade, absolutamente essencial, com a Natureza e Inteligência Divina e Incriada, mas subordinadas a numa Vontade Divina, assim diminuída, porque tendencialmente arbitrária, os Escotistas comprometem, de alguma forma, a Teologia e a Moral.

Por sua vez, o Molinismo apresenta dificuldades, pois oblitera a realidade Sobrenatural da Predestinação como constitutivamente dependente de Deus Nosso Senhor.

O problema da verdade e intelectualidade das essências é sempre o primeiro a sofrer quando nos distanciamos do Tomismo.  NÃO É DEUS QUEM CONSTITUI A VERDADE, NEM TÃO POUCO É CONSTITUÍDO POR ELA; SIMPLESMENTE – DEUS É A VERDADE! CONSEQUENTEMENTE, A VERDADE DAS ESSÊNCIAS É PARTE DA VERDADE DE DEUS.

A verdade ontológica é precisamente a Verdade de Deus enquanto mede, transcendentalmente, as realidades criadas, que mais não são do que a manifestação, extrínseca, finita e contingente das Perfeições Infinitas de Deus. Deus É, não existe, É, por Si mesmo, porque Deus É o Seu Ser; as criaturas existem porque não são o seu ser, porque nelas se dá a composição metafísica ESSE-ESSÊNCIA. É a essência que multiplica e particulariza a criatura, enquanto criatura. Deus possui a UNICIDADE, as criaturas possuem a unidade, ou seja, Deus é absolutamente único, porque não tem, nem pode ter, Género e Espécie; nenhuma criatura pode compor conceito unívoco com Deus. Mas as criaturas possuem Género e Espécie; mesmo os Anjos constituem um Género puramente espiritual, sendo cada Anjo uma espécie, não um indivíduo. Sócrates é homem, como Platão é homem, ambos participam da única espécie humana, convêm no conceito unívoco de homem, porque são ambos homens, e nesse aspecto são iguais; mas Deus é só Deus, não tem, nem pode ter, igual, pois é   infinitamente acima de qualquer criatura, criada ou possível.

Na Verdade Ontológica, as criaturas recebem a sua medida de Verdade directamente de Deus, que as hierarquiza na maravilhosa pluralidade integrante do mundo. Fundamentalmente, o conjunto orgânico das criaturas, na sua opulência, nas suas múltiplas relações e implicações, exprime com fulgor singular a uberdade da analogia do ser, em que tudo se harmoniza com tudo, porque tudo promana da Verdade e da Beleza Incriada.

Esta imarcescível verdade da Criação, pode ser apreciada por via Filosófica Natural Tomista, e por via Sobrenatural; efectivamente, a via Sobrenatural sobrepuja infinitamente a Ordem Natural, todavia, esta última é extremamente profícua, não apenas porque pode constituir condição extrínseca, Providencial, da Graça de Deus; mas também porque, mesmo na Ordem Natural, edifica uma infrangível barreira contra a heresia e contra a imoralidade. A maior maravilha da Criação consubstancia-se no feixe excepcionalmente rico de relações que os entes dos três Reinos da Natureza estabelecem uns com os outros e com o homem. A relação acrescenta ser relativo entre o sujeito e o termo dessa mesma relação; tal sucede, precisamente, porque o ente, criado ou possível, qualquer que ele seja, é TRANSCENDENTALMENTE relativo a todos os outros entes, reais ou possíveis, existentes ou não. É na base dessa relação transcendental que se edificam depois as variegadas relações predicamentais, das quais e pelas quais vive o resplendor da Natureza.

Todavia, o anúncio formal da Glória de Deus é absolutamente indissociável do conhecimento e amor de Deus por parte da criatura espiritual. Mas enquanto o Anjo conhece a Deus, na Ordem Natural, por intuição pura da sua transparente natureza espiritual – não há Anjos ateus, embora haja Anjos que odeiam a Deus – o homem só pode conhecer a Deus, também na Ordem Natural, mediante a consideração reflectida das realidades criadas, não apenas dos três Reinos da Natureza, mas igualmente do Género Humano. Dizemos na Ordem Natural, porque a elevação ao estado Sobrenatural facilita o conhecimento de Deus mediante a consideração dos motivos de credibilidade, e com o auxílio da Graça, a consequente produção do acto de Fé Teologal, o qual já incluirá a certeza Sobrenatural do ser de Deus Nosso Senhor. São Tomás de Aquino não deixa de invocar a realidade de que a inteligência humana, embora, de Direito, física e moralmente seja capaz de conhecer a Deus; sem o concurso Sobrenatural da Revelação, e no estado de natureza ferida, de facto, muito poucos homens o conseguiriam, e após uma vida de estudo. A Constituição “Dei Filius” do Sagrado Concílio Vaticano I, faz suas as palavras de São Tomás. E na realidade, convenhamos que se mesmo com a Luz fulgurante da Revelação e da Santa Madre Igreja, ao longo dos séculos, houve tão poucos homens verdadeira e Sobrenaturalmente bons, o que seria sem a Revelação, e sem a Graça de Nosso Senhor? Decerto, todos os homens se condenariam, embora alguns fossem capazes de conhecer toscamente a Deus, mas não de O amar. E mesmo numa Ordem puramente natural, que jamais existiu, a corporalidade da Natureza humana suscitaria sempre, no plano moral, graves dificuldades ao conhecimento de Deus na maioria dos homens.

Seja como for, a criatura espiritual corporal necessita de conhecer, sensível e intelectualmente, a realidade do mundo criado por Deus; isto é: TEM QUE ASSIMILAR, LÒGICAMENTE, AS ESSÊNCIAS INTELIGÍVEIS DESSA MESMA REALIDADE. No Reino mineral, as formas exaurem-se totalmente ao constituírem o acto qualitativo da matéria; não lhes resta pois potencialidade para assimilarem formas exteriores. No Reino vegetal, embora já existam as funções de nutrição, crescimento e reprodução, não há potencialidade ainda para o conhecimento. Já o Reino animal possui – gradativamente, segundo a perfeição de cada espécie – a capacidade de assimilar formas exteriores, MAS NUM PLANO ESTRITAMENTE SENSÍVEL, AO SERVIÇO DO INSTINTO, O QUAL É, CONTUDO, UM PRINCÍPIO DE ORDEM.

Mas sòmente a espécie humana, como animal racional, pode assimilar não apenas as formas sensíveis, MAS DELAS ABSTRAIR A ESSÊNCIA INTELIGÍVEL EM ESPÉCIES, CONCEITOS OU FORMAS LÓGICAS. As espécies lógicas, sensíveis e inteligíveis, constituem formas acidentais, EM RELAÇÃO TRANSCENDENTAL REPRESENTATIVA COM AS FORMAS ONTOLÓGICAS DAS COISAS EM SI MESMAS, sendo nelas e por meio delas que o espírito conhece, mas não advertindo directamente a sua presença, só mediante reflexão filosófica. São Tomás ensina, resolutamente, a tese segundo a qual os singulares são directamente conhecidos no plano sensível, e só indirectamente conhecidos pelo espírito humano, mediante a reflexão, mesmo não consciente, sobre as próprias condições de conhecimento. Os Anjos, puros espíritos, de grande poder intelectual, possuindo espécies inteligíveis representativas do mundo imensamente mais extensas e definidoras do particular, conhecem directamente o singular sensível na sua razão de ser genérica, específica e individual, mas não possuindo corpo, NÃO SENTEM A CARNE DA REALIDADE CONCRETA E SENSÍVEL.

Concluindo: Enquanto que na Verdade Ontológica, é a realidade mesma dos entes criados que tem que se conformar, metafísica e transcendentalmente, com a Inteligência Divina; na Verdade lógica, é a inteligência contingente, humana e angélica, que É MEDIDA pela realidade exterior e objectiva. Evidentemente, o fundamento último do conhecimento reside na perfeita proporcionalidade ontológica e metafísica entre todas as realidades criadas, sejam inteligíveis sòmente, sejam inteligíveis e inteligentes.

E tode este maravilhoso universo manifesta, como dissemos, contingentemente, extrìnsecamente, as infinitas perfeições Divinas – CONSTITUI ESTA A RAZÃO MAIS PROFUNDA PARA A SIMPATIA TRANSCENDENTAL ENTRE O INTELIGÍVEL E O INTELIGENTE; PORQUE AMBOS SÃO SER, O ÚNICO SER, FORA DO QUAL NÃO HÁ NADA!

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 10 de Setembro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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