Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FUNDAMENTOS DA ESSENCIAL INIMIZADE ENTRE A SANTA MADRE IGREJA E O MUNDO

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Humanum Genus”, promulgada em 20 de Abril de 1884:

«Insinuando-se com aparência de amizade no coração dos príncipes, os maçons queriam encontrar neles cúmplices e ajuda poderosa para oprimir o Cristianismo. E para pôr neles estímulos mais agudos, começaram a caluniar obstinadamente a Santa Igreja, como inimiga do poder e das prerrogativas régias. Tornando-se afoitos e seguros com essas artimanhas, adquiriram grande influência no governo dos Estados, prontos a estremecer os fundamentos dos Tronos, e a perseguir, caluniar e afastar os soberanos que se mostrassem arredios a governar de acordo com os seus entendimentos.

Adulando o povo com artifícios semelhantes – enganaram-no! Gritando a plenos pulmões liberdade e prosperidade pública; fazendo crer às multidões que a culpa da iníqua escravidão e miséria em que caíam era toda da Igreja e dos soberanos, incitaram o povo ansioso de novidades, e açularam-no contra os dois poderes. Contudo a espera de vantagens é maior do que a realidade, e a pobre plebe, oprimida mais do que nunca, nas suas misérias, vê faltar-lhe grande parte daqueles confortos, que mais fácil e copiosamente teria encontrado numa sociedade cristãmente constituída. MAS TODAS AS VEZES QUE SE LUTA CONTRA A ORDEM ESTABELECIDA PELA PROVIDÊNCIA DIVINA ESTE É O CASTIGO DA SOBERBA: QUE AÍ, ONDE INCONSIDERADAMENTE SE PROMETE FORTUNA PRÓSPERA E TODA CONFORME OS DESEJOS, AÍ, JUSTAMENTE, SE ENCONTREM OPRESSÃO E MISÉRIA.

Quanto à Santa Igreja, se manda obedecer, primeiramente, a Deus Supremo e Senhor de todas as coisas, seria calúnia injuriosa, julgá-la, por isso, inimiga do poder dos príncipes, ou usurpadora dos seus direitos. Antes, a Santa Igreja quer que seja dado, por dever de consciência, tudo o que é devido ao Poder civil. E RECONHECER A DEUS, COMO A IGREJA FAZ, O DIREITO DE MANDAR, ACRESCENTA GRANDE DIGNIDADE AO PODER POLÍTICO, E É MUITO ÚTIL PARA CONCILIAR-LHE O RESPEITO E O AMOR DOS SÚBDITOS. Amiga da Paz, autora da concórdia, a Igreja abraça a todos com afecto materno; e querendo sòmente fazer o bem aos homens, ensina que se deve unir a clemência à justiça, a equidade ao mando, a moderação às leis; que se deve respeitar todo o direito, manter a ordem e a tranquilidade pública, aliviar o mais possível, particular e pùblicamente, as indigências dos infelizes. (…)

Estabelecido isso, seria obra verdadeiramente conforme à prudência civil, e necessária ao bem-estar comum, que príncipes e povos, antes de se aliarem com os maçons, contra a Santa Igreja, se unissem a ela, para repelir os assaltos dos maçons.

Seja como for, diante de um mal tão grave, e por demais difundido, é nosso dever, veneráveis irmãos, dedicar-nos a procurar os remédios para isso. E por saber que na virtude da Religião Divina, TANTO MAIS ODIADA PELOS MAÇONS QUANTO MAIS TEMIDA, consiste a melhor e mais firme esperança de remédio eficaz, julgamos que antes de mais nada se deve recorrer a esta virtude sumamente salutar contra o inimigo comum. Portanto, nós, com a nossa Autoridade Apostólica, ratificamos e confirmamos todas e cada uma das coisas que os Romanos Pontífices, nossos predecessores, decretaram para contrastar os desígnios e tornar vãos os esforços da seita maçónica, tudo o que foi sancionado para afastar, ou retirar, os fiéis dessas sociedades. Confiando muitíssimo  na boa vontade dos fiéis, rezamos e esconjuramos a cumprirem tudo o que a esse propósito foi prescrito pela Sé Apostólica.»

Nosso Senhor Jesus Cristo, melhor do que ninguém, bem definiu, teológica e pastoralmente, o que na realidade é o mundo; definição que aproveita a todas as épocas e a todos os lugares, sem excepção. A própria Sagrada Escritura, em todos os seus livros, permite conhecer o homem, as suas misérias, os seus sonhos avassaladores e letais, os seus enganos e mentiras. A oposição do mundo à Santa Madre Igreja reconduz-se, primàriamente, ao ódio que o mesmo nutre pela Verdade e pela perfeição moral, em última análise, pela Santidade.

O pecado original, não atingindo os primeiros do conhecimento e da moralidade, subverteu, contudo, profundamente, a sua aplicação às vicissitudes do quotidiano.

Depois do pecado original, assim como para o trabalho físico e intelectual, o ser humano necessita aplicar um esforço permanente, uma concentração de faculdades, para não errar, para não se dispersar, porque o trabalho mais não é senão uma luta contra a desagregação entrópica da natureza; também na operação moral, o homem necessita não se deixar iludir pelos bens aparentes – ou mesmo pelos bens legítimos, mas privados da sua relação hierárquica – nem se assoberbar pela violência dispersiva das paixões, rectificando permanentemente, quer o seu motivo racional, quer o seu móbil, ou seja, os apetites sensíveis do concupiscível e do irascível. E aqui residirá, fundamentalmente, a ferida da natureza, na incapacidade de governar os apetites sensíveis pela actividade superior da razão, iluminada pela Graça, reflexo contingente da Lei Eterna e Incriada.

A vida do homem, que quer fazer jus à sua condição de ente racional, processando-se no tempo, NÃO SE PODE DEIXAR DISPERSAR PELO TEMPO, NEM CORROMPER PELA MALDADE DO SÉCULO.

Foi Nosso Senhor que nos assegurou de que A PORTA DA PERDIÇÃO É LARGA, E MUITOS SÃO OS QUE ENTRAM POR ELA. A porta larga, temos que reconhecer, É O CAMINHO EXISTENCIAL DAS PESSOAS QUE QUEREM SER COMO AS OUTRAS, SEGUIR AS MODAS E OS NOMINALISMOS, POR ELES SE DEIXANDO MIMETIZAR. Convenhamos que a grande massa, em todas as épocas e lugares, segue por essa mesma porta larga. Porque aqueles que se esforçam por acompanhar Jesus pela Sua Porta estreita, no mínimo dos mínimos, na nossa cultura, são logo considerados como TENDO PROBLEMAS MENTAIS, sobretudo se forem varões.

A razão profunda para esta inimizade entre a Cidade de Deus e a cidade do demónio, reside na TRANSCENDÊNCIA INFINITA DA ORDEM SOBRENATURAL, NA SUA EXCELENTE E ABSOLUTA GRATUITIDADE, NA UNÇÃO INEFÁVEL DA PARTICIPAÇÃO NA NATUREZA DIVINA, NA DIGNIDADE INFINITA DA PESSOA QUE NOS MERECEU ESSA GRAÇA, NUM SACRIFÍCIO DE VALOR TAMBÉM INFINITO; estas realidades, o mundo não as suporta, porque tudo querendo compreender e abarcar, sente-se esmagado pelos Mistérios Sobrenaturais. Sobretudo, o mundo não tolera, de forma alguma, a submissão a uma Ordem que essencialmente o supera; isto é, na Lei Divina, onde devia contemplar a mais sublime das bençãos, a mais perfeita felicidade – O MUNDO VÊ UMA TERRÍVEL MALDIÇÃO!

O subjectivismo religioso do mundo é perfeitamente constitutivo do ÓDIO A DEUS desse mesmo mundo. Efectivamente, na vida quotidiana, as pessoas do mundo, implìcitamente, concebem a objectividade das diversas verdades contingentes das vicissitudes da existência. Só quando se trata das Verdades Transcendentes é que as pessoas do mundo se revoltam contra o próprio conceito filosófico de Verdade Objectiva.

Objectar-se-á: Mas na Idade Média o mundo também se revelava inimigo da Santa Madre Igreja? Se assim é, como explicar que a legislação fosse cristã? O povo, a classe burguesa, a nobreza, foi sempre, na sua grande maioria, puramente mimético-nominalista, e mesmo os reis, conservando instituições cristãs, frequentemente assim procediam POR MOTIVOS POLÍTICOS E NÃO RELIGIOSOS. Não olvidar que, històricamente, a própria Inquisição Medieval, nasceu da necessidade que a Santa Madre Igreja sentiu de subtrair os hereges à injustíssima Jurisdição civil, que só operava por motivos políticos. Isto é amplamente reconhecido por muitos historiadores e juristas não católicos, mas respeitadores. Quando vemos a grande luta que um São Francisco de Assis teve de travar contra a busca intrìnsecamente desordenada de riquezas da sociedade do seu tempo, podemos bem aquilatar que O MAIS CRASSO MATERIALISMO PRÁTICO É DE TODAS AS ERAS E LUGARES, AINDA QUE O VIGOR MORAL SOBRENATURAL DA SANTA IGREJA CONSIGA, PROVIDENCIALMENTE,  IMPOR LEGISLAÇÃO E INSTITUIÇÕES CRISTÃS, EM DETERMINADAS ÉPOCAS E LUGARES.

As consequências do pecado original tendem a que as pessoas  operem como se a vida humana não possuísse qualquer escopo transcendente a ela mesma, procedendo na ignorância, teórica ou sòmente prática, de que O NOSSO PRINCÍPIO CONSTITUI IGUALMENTE O NOSSO FIM.

Assinale-se com muito ênfase: Que o conhecimento da verdadeira finalidade da nossa peregrinação neste pobre e tristíssimo mundo NÃO DEPENDE, NEM PODE DEPENDER, DA NOSSA INTELIGÊNCIA NATURAL, OU DA NOSSA CULTURA OBTIDA SEGUNDO OS PADRÕES DO MUNDO, NÃO, ESSE CONHECIMENTO OBTÉM-SE PELA VIA SOBRENATURAL DA GRAÇA E DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO, EMBORA A FAMILIARIDADE COM O CATECISMO, E ATÉ COM A TEOLOGIA, CONSTITUA UMA CONDIÇÃO EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL DA GRAÇA SOBRENATURAL.

É isto que o mundo também não compreende: QUE OS MISTÉRIOS SOBRENATURAIS SEJAM, CARACTERIZADAMENTE, IRREDUTÍVEIS E INCOMENSURÁVEIS COM OS INTERESSES HUMANOS E TERRENOS. Daí a raiva dos mundanos contra as almas piedosas, e frequentemente até, certas graves incompatibilidades entre os santos e as rotinas eclesiásticas. Sabe-se, por exemplo, como o Padre Pio foi misteriosamente investigado e perseguido pelo Santo Ofício, até o Papa Pio XII ter determinado a imediata cessação de tais actividades.

A verdadeira cultura consubstancia-se nos Bens Sobrenaturais, na nossa História Sagrada, no nosso Catecismo, na Teologia, na verdadeira Filosofia. A cultura naturalista do mundo conduz ao Inferno. Não se está com isto a afirmar que os conhecimentos literários, filosóficos e científicos do mundo sejam, em si, maus, MAS SE NÃO FOREM FORMALMENTE ENQUADRADOS PELOS BENS SOBRENATURAIS DA GRAÇA, TAIS CONHECIMENTOS, POR SI MESMOS, NÃO POSSUEM QUALQUER VALOR SALVÍFICO.

Mas se observarmos bem, até mesmo a cultura humana, no que possui e integra de assimilação de um património natural de princípios inteligíveis, até esta se está a degradar a um ritmo avassalador. E A CAUSA RESIDE NO DESAPARECIMENTO DA SANTA MADRE IGREJA, COMO REALIDADE SOCIAL CULTURAL. Efectivamente, sendo a Santa Igreja, por Direito Divino, a Depositária da Revelação Sobrenatural, e constituindo os bens da Ordem Natural, extrìnsecamente ordenados à Ordem Sobrenatural, OBJECTO SECUNDÁRIO DA INFALIBILIDADE DA MESMA SANTA MADRE IGREJA, é fácil compreender, como da ausência desta, substituída, na aparência, pela seita mais diabólica da História da Criação, decorrerrão gravíssimas lesões desses mesmos bens naturais, culturais e morais. A hedionda ideologia denominada do “género” apresenta-se como um exemplo nítido e assertivo desta nefasta realidade.

Poderá argumentar-se que a presença Histórica e Social da Santa Madre Igreja não evitou monstruosidades como o comunismo e o nazismo. Todavia, a diferença específica do actual processo Histórico e Social, a sua grande tragédia, é o verificarmos QUE AS POTENCIALIDADES SOBRENATURAIS (HISTÓRICAS, NÃO METAFÍSICAS) DA HUMANIDADE JÁ FORAM EXAURIDAS NA TOTALIDADE, E DE FORMA IRREVERSÍVEL.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 15 de Novembro de 2017

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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O QUE É A FELICIDADE?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, num trecho da sua encíclica “Non Abbiamo Bisogno”, promulgada em 29 de Junho de 1931:

«A Paz interior, essa Paz que brota da plena e clara consciência de se estar com a Verdade e a Justiça, de se combater e sofrer por elas, ESSA PAZ QUE SÒMENTE O REI DIVINO SABE DAR, E QUE O MUNDO NÃO PODE DAR NEM TIRAR, essa Paz bendita e benéfica, Graças à Bondade e à Misericórdia de Deus, não nos tem abandonado um momento sequer, e temos a inabalável esperança que, suceda o que suceder, não nos abandonará jamais. Contudo, bem sabeis, Veneráveis irmãos, QUE ESSA PAZ DEIXA LIVRE ACESSO AOS MAIS AMARGOS DISSABORES. Assim o experimentou o Sagrado Coração de Jesus em Sua Paixão; e o mesmo experimentam os corações de todos os fiéis servidores, e nós também experimentamos a Verdade dessa Palavra misteriosa: “Encontrei a Paz na minha amaríssima aflição”(Is 38,17). A vossa intervenção pronta, ampla, afectuosa,, ainda não cessou, Veneráveis Irmãos, os vossos sentimentos fraternos e filiais, e acima de tudo, esse sentimento de alta e Sobrenatural solidariedade, de íntima união de pensamentos e de sentimentos, de inteligências e de vontade, que brotam das vossas relações cheias de amor, encheram-nos o coração de confortos indizíveis, e muitas vezes fizeram aflorar aos nossos lábios, do fundo do nosso coração, as Palavras do Salmista: “À PROPORÇÃO DAS MUITAS DORES QUE ATORMENTARAM O MEU CORAÇÃO, AS TUAS CONSOLAÇÕES ALEGRARAM A MINHA ALMA” (Sl 93,19). Por todas estas consolações, depois de Deus, vos agradecemos de todo o coração, veneráveis irmãos,a quem podemos repetir a Palavra de Jesus aos Apóstolos, predecessores vossos: “Vós sois os que tendes permanecido comigo, no meio das minhas tribulações” (Lc 22,28). (…)

Levareis, Veneráveis Irmãos, a expressão de nosso paternal reconhecimento, a todos os vossos e nossos filhos em Jesus Cristo, que se mostraram tão bem formados em vossa escola, e tão bons e piedosos para com o Pai comum, que nos fazem exclamar: “ESTOU INUNDADO DE ALEGRIA NO MEIO DAS MINHAS TRIBULAÇÕES”(II Cor 7,4).»

A definição de felicidade varia radicalmente de acordo com o verdadeiro catolicismo, ou o mundanismo, do sujeito que define.

O texto, acima transcrito, do Papa Pio XI, consubstancia tudo aquilo a que um bom católico deve aspirar: A FELICIDADE COMO IRRADIAÇÃO SOBRENATURAL DA VERDADE E DA SANTIDADE.

A felicidade, a verdadeira felicidade, é SER; a infelicidade é privação de ser.

O grande, o fundamental erro, da esmagadora maioria dos homens, em todas as épocas e todos os lugares, é considerarem a felicidade como um objectivo substancial, a ser perseguido em si mesmo, e por si mesmo. Porque o único objectivo que o Católico deve possuir é proclamar, Sobrenaturalmente, a Glória de Deus. Na sã Filosofia, como na Teologia, toda a felicidade só pode brotar, espontaneamente, de uma operação moral essencialmente ordenada pela Verdade e pela Santidade. A Bem-Aventurança, a felicidade beatífica, é perfeitamente homogénea com a felicidade oriunda da Graça Santificante e da Caridade, da qual representa o êxtase Eterno.

Evidentemente, que, neste mundo, a felicidade Sobrenatural é necessàriamente acompanhada de grandes sofrimentos, sobretudo de ordem moral, ainda que em patamares de alma diferentes, pois se na zona ascendente encontramos a Paz Soberana de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, como afirma o Papa Pio XI, o mundo não pode dar nem tirar; na zona descendente, faz-se sentir o peso do mundo, o pecado do mundo, A INFELICIDADE PERPÉTUA DO MUNDO ADVERSO A CRISTO, ainda que revestida de uma fina película de aparente felicidade e bem estar. O sofrimento Sobrenatural deve pois dimanar das perseguições desse mesmo mundo à alma fiel, e porque é fiel a Deus Uno E Trino. Tais perseguições foram-nos solenemente prometidas por Nosso Senhor como sinete do Nome e da perene Fidelidade Cristã.

A razão principal do ódio do mundo ao Nome Católico, filia-se na clareza irradiante, na profundidade sublime e inigualável, na infrangível coerência, e na inabalável rectidão objectiva, do Dogma e da Moral Católica – SENDO QUE O MUNDO É PRECISAMENTE O OPOSTO DISSO TUDO.

Os três inimigos da alma realmente católica: O mundo, o demónio e a carne; eles colidem violentamente com a serenidade, o equilíbrio, a sinceridade, a simplicidade, e o recolhimento Sobrenatural da vida interior e exterior da alma oculta em Cristo.

Numa época em que, extinta a Santa Madre Igreja como realidade social e cultural, já não é mais possível recolher a um claustro digno desse nome, é forçoso edificar, com o auxílio de Deus, esse claustro na nossa própria alma, apesar do tremendo ruído do mundo, e frequentemente, da oposição da família.

Os mundanos, na sua realidade mais profunda, são os mais infelizes dos homens, pois SOFREM DE VERDADEIRA ADICÇÃO DOS PRAZERES E DAS RIQUEZAS, COM UM LIMIAR DE SATURAÇÃO E DE ENFADO SEMPRE CADA VEZ MAIS BAIXO E MAIS CURTO, NECESSITANDO ASSIM DE RENOVAR E DIVERSIFICAR OS ESTÍMULOS DE FORMA CADA VEZ MAIS ACELERADA. E não se pense que os mundanos são apenas os ricos e abastados, porque o espírito mundano PODE TAMBÉM DEVORAR O POBRE, QUAL VERME ROEDOR, QUE É REAL ANTE-CÂMERA DO INFERNO.

Deus Nosso Senhor não pune sòmente os pecados externos, pune com igual severidade o APODRECIMENTO INTERNO DA ALMA, A TOTAL INCAPACIDADE DE SE GOVERNAR A SI MESMO.

Filosófica e Teològicamente, todo o ente, espiritual ou não, tende necessàriamente para aquilo que considera ser o seu próprio bem. É absurdo, aniquilante, e mesmo estritamente contraditório, o ente tender para aquilo que considera ser o seu mal. A felicidade constitui assim, e sempre, a causa final que move todos os homens, incluindo os bons católicos; só que estes, pela razão e pela Revelação Sobrenatural, conhecem perfeitamente que a sua felicidade, a sua Bem-Aventurança, só pode encontrar-se em Deus Nosso Senhor, como Verdade e Santidade Infinita, e Princípio e Fim de todo o ente, criado ou possível. Neste quadro conceptual, aqueles que afirmam

que a Religião Católica é a Religião do sofrimento pelo sofrimento, proferem uma verdadeira aberração, ainda que sejam pessoas muito cultas segundo os padrões do mundo, como eu muito frequentemente tenho escutado.

Exactamente nesta perspectiva é que a Teologia e Filosofia Católica dilucidam a génese do mal: Todo o ente espiritual, Anjo ou homem, buscando aquilo que julga ser a sua felicidade, se nessa busca prescinde da Lei Divina, opera não regulado pelo Fundamento Ordenador Incriado onde permanece a chave do ser, consequentemente, nessa operação segrega o nada e o mal, NÃO COMO OBJECTIVO PROCURADO, MAS COMO RESULTADO. O MAL NÃO POSSUI ASSIM QUALQUER CAUSA EFICIENTE, INSTRUMENTAL, EXEMPLAR OU FINAL.

Analògicamente, o santo providencia a sua felicidade, essencialmente, como já se referiu, no anúncio formal da Glória de Deus, amando-O, sobrenaturalmente, sobre todas as coisas, e servindo-O, daí haurindo a sua felicidade, não já como resultado, mas como inerência transcendental, que possui o seu êxtase Eterno, precisamente, na Visão Beatífica, em que a Essência Divina é contemplada face a face, quer dizer, sem qualquer meio objectivo entre a alma e Deus. Assim como a Fé Teologal, reside na inteligência, por ditame da vontade, tudo sob a acção da Graça de Deus; assim a Visão Beatífica reside na Inteligência, mas segundo uma operação Eterna da vontade, não já da vontade terrena, mortal, submetida às vicissitudes deste pobre mundo, mas uma vontade glorificada, tal como a inteligência, pela virtude Divinamente consumadora de Deus Nosso Senhor.

Mesmo o pagão Aristóteles – mas numa época pré-Cristã, logo, com as faculdades ainda não corrompidas pela rejeição de Nosso Senhor Jesus Cristo – soube advertir que a felicidade, o bem, para o homem, deve ser constitutivo da actividade superior da razão, cujo exercício moralmente qualifica e define o homem como animal racional, justificando objectivamente a sua existência espiritual. Mesmo numa perspectiva puramente natural, os filósofos pré-Cristãos, jamais excluíram a real possibilidade DE UMA SANÇÃO, ESSENCIALMENTE OBJECTIVA, QUE RATIFICASSE ETERNAMENTE A PERFEITA RACIONALIDADE DA OPERAÇÃO MORAL PROFESSADA EM VIDA.

A razão profunda do Ser, constitui igualmente a razão profunda da felicidade. As aspirações do Ser, pautam-se pelo Ser, não pelo nada. Adão e Eva eram absolutamente felizes no Paraíso Terrestre, porque a sua felicidade dimanava totalmente de Deus, e do cumprimento da Sua Lei. Era uma felicidade só inferior à da Glória Eterna no Céu. Assim se compreende como foi tão horrìvelmente grave o pecado original, e a FORÇA MORAL NEGATIVA QUE FOI NECESSÁRIO EMPREGAR PARA O COMETER. Mas como puderam Adão e Eva pensar que a sua felicidade se encontrava fora de Deus, SE POSSUÍAM TUDO EM DEUS?

Este é, caracterizadamente, o grande Mistério da Ordem Sobrenatural, bem como da finitude e pecabilidade da criatura. Esta não possui em si o seu próprio ser, consequentemente, a razão absoluta e última da Verdade e do Bem, não é, nem pode ser, ontològicamente intrínseca à criatura, qualquer que ela seja, criada ou possível. Além disso, a elevação à Ordem Sobrenatural, privilegiando extraordinàriamente a criatura, também a torna, estatìsticamente, muito mais susceptìvel de falhar; constituindo esta, exactamente, a razão Tomista pela qual os eleitos são em número muitíssimo menor que os condenados.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 13 de Setembro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

MACHISMO E ADULTÉRIO À LUZ DA FÉ CATÓLICA

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Arcanum Divinae Sapientiae”, promulgada em  10 de Fevereiro de 1880:

 

«Na verdade, quando Cristo Senhor começou a executar o mandato que o Pai Lhe tinha confiado, logo, eliminando o vetusto, conferiu a todas as coisas uma beleza e forma novas. Com efeito, sarou as feridas que o pecado do progenitor tinha causado à natureza humana; reconciliou com Deus todos os homens, por natureza filhos da ira; reconduziu à Luz da Verdade os que estavam oprimidos por erros inveterados; renovou, no candor de toda a virtude, os que jaziam no lodo de toda a impureza; e tendo-os conduzido todos à herança da felicidade sempiterna, deu-lhes a esperança certeira de que o seu corpo mortal e caduco, um dia, seria feito partícipe da imortalidade e da Glória Celeste. E para que benefícios tão singulares, durassem na Terra enquanto houvesse homens, instituiu a Santa Igreja, conferindo-lhe todo o poder, e providenciando-lhe para o futuro, QUIS QUE ELA PUSESSE ORDEM NA SOCIEDADE HUMANA SE ACONTECESSE ALGUMA PERTURBAÇÃO, E CONSERTASSE O QUE SE TIVESSE ESTRAGADO. (…)

Todos conhecem, veneráveis irmãos, qual seja a origem verdadeira do matrimónio. Ainda que os detractores da Fé Cristã evitem conhecer a Doutrina perpétua da Santa Igreja acerca desta matéria, e se esforcem, desde há muito, em apagar a memória de todas as gentes e de todos os séculos, não conseguiram extinguir, nem enfraquecer, a luz e a força da Verdade. Lembramos coisas conhecidas por todos, e que ninguém poderia pôr em dúvida: Deus, no sexto dia da Criação, DEPOIS DE TER FORMADO O HOMEM DO PÓ DA TERRA, E TER-LHE INSPIRADO O SOPRO DA VIDA, quis dar-lhe uma companheira, que prodigiosamente, tirou do lado do próprio homem adormecido. Assim procedendo, Deus providentíssimo, QUIS QUE AQUELE CASAL FOSSE O PRINCÍPIO NATURAL DE TODOS OS HOMENS, DO QUAL HAVIA DE PROPAGAR-SE O GÉNERO HUMANO, E POR GERAÇÕES NUNCA INTERROMPIDAS DEVIA CONSERVAR-SE PARA TODO O TEMPO. E AQUELA UNIÃO DO HOMEM E DA MULHER, PARA MELHOR RESPONDER AO CONSELHO SAPIENTÍSSIMO DE DEUS, DESDE ENTÃO MOSTROU EM SI, COMO QUE IMPRESSAS E ESCULPIDAS, ESPECIALMENTE, DUAS PROPRIEDADES PRINCIPAIS, SOBREMODO NOBRES, ISTO É, A UNIDADE E A PERPETUIDADE.

E vemos isso declarado, e solenemente ratificado pelo Evangelho, por Vontade Divina de Nosso Senhor Jesus Cristo, O Qual atestou aos Judeus e aos Apóstolos que o matrimónio, por sua própria instituição, se deve dar sòmente entre dois, isto é, o homem e a mulher, QUE DOS DOIS FORMA-SE UMA SÓ CARNE; E QUE POR VONTADE DE DEUS, É TÃO ÍNTIMO E FORTEMENTE UNIDO, QUE NINGUÉM ENTRE OS HOMENS PODE DESFAZÊ-LO OU ROMPÊ-LO. “O HOMEM UNIR-SE-Á À SUA MULHER E SERÃO OS DOIS UMA SÓ CARNE, PORTANTO, O QUE DEUS UNIU, O HOMEM NÃO DEVE SEPARAR” (Mt 19, 5-6).

Contudo, esta forma de conúbio, tão nobre e sublime, aos poucos começou a se corromper e a faltar entre os gentios; e até entre os hebreus pareceu como que obscurecida e obnubilada. Efectivamente, entre estes, era hábito comum, quanto às mulheres, que a cada homem fosse lícito ter mais de que uma; mas em seguida, quando Moisés lhes concedeu a faculdade do repúdio, “por causa da dureza dos seus corações” (Mt 19,8) foi ABERTO O CAMINHO O DIVÓRCIO”.

E entre os gentios, custa a crer em quanta depravação e corrupção caíram as núpcias, como algo submetido aos erros e à cupidez de cada povo. Todos os povos, mais ou menos, pareceram esquecer a noção e a origem verdadeira do matrimónio; e sobre o casamento foram promulgadas leis que mais pareciam reflectir a índole dos governos do que as leis da natureza. Os ritos solenes, introduzidos ao arbítrio dos legisladores, faziam com que as mulheres surtissem o nome honesto de esposa, ou o infame de concubina; e chegou-se a tal ponto, que pela autoridade dos chefes da república, era disposto a quem fosse permitido contrair núpcias, e a quem não, visto que as leis exigiam muitas coisas contrárias à equidade, e muitas em favor da injustiça. Além disso, a poliandria, a poligamia e o divórcio, foram a causa de que o vínculo conjugal afrouxasse grandemente. Introduziu-se ainda a máxima confusão nos direitos e deveres mútuos dos cônjuges, visto que o marido adquiria a propriedade da esposa, e muitas vezes, sem nenhuma causa justa, mandava que ela, retomadas as suas coisas, se afastasse. E ele, levado por libido desenfreada e indomável, podia impunemente “vaguear entre os lupanares à procura de escravas, como se a culpa não dependesse da dignidade mas da vontade “(São Jerónimo, carta 77 -3). E nestes desregramentos do homem, nada era mais miserável do que a condição da mulher, rebaixada a tamanho aviltamento, A SER TIDA EM CONTA DE INSTRUMENTO DESTINADO A SATISFAZER A LIBIDO, OU A PROCRIAÇÃO DOS FILHOS. NEM CAUSAVA VERGONHA ALGUMA QUE AQUELAS, QUE DEVIAM SER TIDAS COMO ESPOSAS, FOSSEM COMPRADAS OU VENDIDAS COMO COISAS, E AO MESMO TEMPO FACULTAVA-SE AO PAI E AO MARIDO O PODER DE INFLIGIR A MORTE À MULHER. Era forçoso, que uma família saída destes conúbios fosse considerada como propriedade do Estado, ou como escrava do pai de família, ao qual as leis também haviam concedido o poder, não sòmente de efectuar ou desfazer, a seu arbítrio, o matrimónio dos filhos, MAS TAMBÉM DE EXERCER SOBRE ELES O DESUMANO PODER DE VIDA E DE MORTE.»

 

 

 

 

 

O machismo constitui um dos mais aberrantes aspectos do pecado mortal masculino, e é igualmente incompatível com a Fé Teologal, mesmo informe.

É certo que o varão é, genética e psico-fisiològicamente, totalmente o oposto da mulher, MAS TRATA-SE DE UMA OPOSIÇÃO COMPLEMENTAR. Tal complementaridade é contudo assimétrica, ou seja, o varão tem, fisiológica e mesmo psicològicamente, mais necessidade do complemento feminino do que o inverso:”E o homem exclamou: É osso dos meus ossos, e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, visto ter sido tirada do homem” (Gn 2,23). É absolutamente evidente, integrando mesmo a Lei Divina Sobrenatural, que essa complementaridade fisiológica e psicológica se deve repercutir socialmente. Porque a natural dependência da mulher em relação ao varão NÃO CONSTITUI UMA INFERIORIDADE ONTOLÓGICA, mas uma hierarquia funcional inerente às leis da Criação.

A escravização da mulher pelo varão, ao longo das idades, demonstra ostensivamente como o pecado original atinge com mais violência o segundo do que a primeira, e a razão é simples: É o varão que transmite o pecado original, e não a mulher.

Argumenta-se, que no Antigo Testamento, a mulher era considerada propriedade do homem, quer do pai, quer do marido, e conclui-se pela imperfeição essencial desta realidade.

O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo explicou porquê, declarando que foi por causa da DUREZA DO VOSSO CORAÇÃO. É que as instituições do Antigo Testamento constituem como que o pedagogo que conduz à plenitude de Jesus Cristo, podem consequentemente encerrar graves imperfeições, como que assimilando os costumes dos povos vizinhos. Assinale-se, todavia, algo de importantíssimo: É conhecido que a mulher estéril podia facilitar ao seu marido as suas escravas para através delas adquirir legalmente geração, como fez Sara, mulher de Abraão, com a escrava Agar; MAS TODAS ESTAS REALIDADES SÓ EXISTIAM EM ORDEM EXCLUSIVA À PROCRIAÇÃO, E A RIGOROSAMENTE MAIS NADA. Neste quadro conceptual, se as instituições do Antigo Testamento abriam certas excepções às propriedades essenciais do matrimónio, EM CASO ABSOLUTAMENTE NENHUM DIMINUIAM A ESSÊNCIA DA PROPAGAÇÃO DA ESPÉCIE, EM PARTICULAR DO POVO ELEITO. Consequentemente, é completamente absurdo apresentar o Antigo Testamento e suas instituições legais como lugar de devassidão moral e permissividade sexual. Se é certo que o adultério da mulher era considerado uma violação do direito de propriedade do marido, não era menos verdade, que essa violação constituia igualmente um atentado à Lei Divina. O contrato matrimonial era contudo essencialmente assimétrico (em virtude da dureza de coração dos Judeus, e de se estar numa fase recuada da Revelação) porque se um homem casado tinha relações com uma mulher livre (sem marido, sem pai e sem irmão varão)não cometia adultério. MAS NO PRINCÍPIO FUNDADOR DA ESPÉCIE HUMANA NÃO FORA ASSIM: O contrato matrimonial era perfeitamente simétrico, porque os esposos eram uma só carne. Logo a violação da fidelidade conjugal era IGUALMENTE GRAVE PARA AMBAS AS PARTES.

Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, zénite da Revelação, restituiu o matrimónio à sua dignidade primitiva, abolindo qualquer transigência fruste às suas propriedades essenciais, e entregando-o à suprema Jurisdição, Teológica e Canónica, da Santa Madre Igreja.

É um facto, que em todas as civilizações se tende a penalizar o adultério da mulher, enquanto que se desculpa, e até valoriza, o adultério masculino. Poder-se-ia argumentar que o impulso sexual é muito mais intenso e definido no varão do que na mulher, assim se aceitando também a existência de prostituição feminina, e rejeitando acerbamente o inverso. A própria Santa Madre Igreja, na sua Doutrina, sempre ensinou que os magistrados só podem tolerar a prostituição se houver grave perigo de molestação para as mulheres honestas, ou para evitar a sodomia. Todavia, a mesma Santa Igreja, sempre DECLAROU DE IGUAL GRAVIDADE MORAL, QUER O ADULTÉRIO FEMININO, QUER O MASCULINO. E a razão profunda reside na já citada perfeita simetria do vínculo conjugal, entre baptizados, que constitui uma entidade moral de Direito Divino Sobrenatural, logo absolutamente intangível, independentemente da constituição psico-fisiológica de cada sexo.

O machismo, enquanto paganismo, enquanto gravíssima miséria moral, autêntica peste social, considerando a mulher como objecto sexual pertencente ao homem, despreza também, totalmente, a função reprodutiva das relações entre os sexos, razão porque coage, invariàvelmente, a mulher ao aborto.

O machista sente-se no pleno direito de matar a mulher, se no seu entender patológico, esta lhe for infiel, e procede assim na base de um sentimento de posse ABAIXO DO ANIMAL, numa reacção que rigorosamente nada tem a ver com as legislações do Antigo Testamento, as quais possuiam UM FUNDAMENTO RELIGIOSO, FAMILIAR E SOCIAL, CARACTERIZADAMENTE OBJECTIVO.

É UM VERDADEIRO CRIME ASSIMILAR O MACHISTA QUE ASSASSINA A MULHER A QUALQUER FORMA DE LEGALIDADE DIGNA DESSE NOME, NOMEADAMENTE, A DO ANTIGO TESTAMENTO.

O único fundamento para o Estado Católico punir o adultério,  DE AMBOS OS SEXOS, mesmo com a pena de morte, nalguns casos, é a já referida violação de um vínculo de Direito Divino Sobrenatural.

Verdadeiramente, o conceito de adultério não procede em relação aos denominados “casamentos civis”, pois à Luz Sobrenatural da Fé Católica, estes não constituem senão concubinatos legais, inventados pela maçonaria, ainda antes da revolução de 1789, para conduzir os baptizados a unirem-se à margem do Direito Canónico; nada pois tem a ver com o casamento legítimo entre não baptizados, mas sob a Jurisdição indirecta da Santa Madre Igreja, que sempre os considerou intrìnsecamente indissolúveis;  e nunca olvidar que a legalidade dos estados laicos é essencialmente material e não formal, e de uma materialidade bastarda.

O conceito de adultério só pode ser medido, objectivamente, pelo Direito Divino Sobrenatural e consectàriamente pelo Direito Canónico, que continua a ser o promulgado em 1917.

São os homens que, na sua loucura, no seu vandalismo mundanista, subjectivista e terrenista, apenas logram observar o adultério numa base estritamente horizontalista.

Os cidadãos do Céu jamais podem conspurcar-se com as categorias sociais do mundo; elas estão condenadas eternamente. A família monogâmica e indissolúvel existe para povoar o Céu; as relações espúrias do mundo, os machismos, os ciúmes diabólicos, os crimes passionais, os abortos, a mentalidade contraceptiva, todas essas realidades pertencem ao Inferno.

A grandeza moral, e a verdadeira felicidade das almas, só pode residir no cumprimento Sobrenatural dos seus deveres para com Deus Nosso Senhor, no perfeito conhecimento de que tais deveres, substancialmente considerados, NÃO RESULTAM DE UMA ARBITRARIEDADE DO PRÓPRIO DEUS, MAS SÃO INTRÌNSECA, METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE, CONFORMES À VERDADE E AO BEM ABSOLUTO E INCRIADO.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 11 de Novembro de 2017

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A INFALIBILIDADE DAS CANONIZAÇÕES

Escutemos o Papa Pio XI, num trecho da Homilia pronunciada na solene Missa Pontifical, no dia da Canonização dos Bem-Aventurados mártires João Fisher e Tomás Moro – 19 de Maio de 1935:

 

« Assim como Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo as palavras de São Paulo, é Eterno e Imutável, hoje e por todos os séculos, a Igreja fundada por Ele não sucumbirá mais aos assaltos dos inimigos. As gerações passam e sucedem-se com o tempo. Mas se as instituições humanas desaparecem diante da maré movente dos séculos, se as ciências humanas iluminadas com uma glória efémera se transformam sucessivamente, a Cruz de Cristo, Ela, emerge imutável por sobre as ondas, e sem jamais desfalecer, imumina os povos com o esplendor benéfico das Verdades Eternas.

De vez em quando serpenteiam novas heresias, que revestindo aparências de verdade, não demoram a disseminar-se e a propagar-se. Mas ninguém poderá jamais rasgar a túnica sem costura. Os negadores e os inimigos da Fé Católica, impulsionados por uma audácia tão presunçosa como obstinada, retomam a cada instante a sua luta encarniçada contra o nome Cristão; mas aqueles que eles arrancam pela morte dos braços da Igreja militante, elevam-nos até aos Céus ao fazê-los mártires.  E como eloquentemente diz São Gregório Magno: “A Religião do Cristo, fundada sobre o sistema da Cruz, NÃO PODE SER DESTRUÍDA POR NENHUM GÉNERO DE CRUELDADE; as perseguições não enfraquecem a Santa Igreja, mas pelo contrário fazem-na crescer, e a messe do Senhor incessantemente se cobre sempre de novas searas, enquanto que as sementes arrebatadas pela tempestade renascem e multiplicam-se”.

Estes pensamentos, plenos de esperança e de conforto surgem no nosso espírito, enquanto que após haver elevado estes dois Bem-Aventurados mártires às honras da Santidade, nós nos preparamos, na Majestada da Basílica Vaticana, a deles bosquejar os méritos. Ilustres campeões e glórias do seu País, no início de uma terrível perseguição à Santa Igreja, eles foram dados ao povo cristão, segundo as Palavras do Profeta Jeremias: “Como uma cidadela fortificada, uma coluna de ferro, uma muralha de bronze”. Nada os perturbou, nem as falsidades dos heréticos, nem as ameaças dos poderosos. Eles foram como os chefes e os mestres da gloriosa falange de estes numerosos crentes saídos de todas as classe da sociedade, que em toda a Grã-Bretanha, se opuseram com uma constância invencível aos novos erros, e que vertendo o seu sangue, testemunharam da sua indefectível devoção para com a Santa Sé.

João Fisher, notável pela doçura da sua natureza e pela sua vasta erudição nas ciências Sagradas e nas ciências profanas, distinguiu-se tão bem no seio dos seus concidadãos pela sua sageza e pela sua virtude, que sob os auspícios do próprio Rei de Inglaterra, foi nomeado Bispo de Rochester. No desempenho desta função, ele testemunhou uma tal piedade para com Deus, e uma tal Caridade para com o próximo, e aplicou-se tão activamente a defender a integridade da Doutrina Católica, que o seu palácio assemelhava-se mais a uma igreja e a uma Universidade do que a uma habitação privada. (…)

Mas ainda que que ele fosse doce e afável para com todos os pobres e os desgraçados, quando se tratava de defender a integridade da Fé e a pureza dos costumes, ele não temia – como um outro precursor do Senhor do qual tomava o nome com orgulho – de proclamar a verdade diante de todos, sem excepção, e de salvaguardar, por todos os meios, os Divinos ensinamentos da Santa Igreja. E a razão pela qual ele foi submetido a julgamento e sofreu a suprema prova do martírio, foi por haver querido, corajosamente, demonstrar, reivindicar,  e defender a Santidade do Matrimónio Cristão – indissolúvel para todos, mesmo para aqueles que estão coroados com o diadema real; e ainda para defender o Primado hierárquico do Romano Pontífice.

O segundo astro de santidade, que iluminou com a sua esteira resplandecente este período sombrio da História, foi Tomás Moro, grande chanceler do Rei de Inglaterra. Dotado de uma inteligência extraordinàriamente penetrante, bem como da maior erudição em todas as espécies de conhecimento, ele gozava a tal ponto da estima e da afeição dos seus concidadãos, que depressa pode ocupar os mais altos cargos da magistratura. A preocupação da perfeição cristã decerto não lhe faltava, tal como o zelo e a Caridade em querer conseguir para as almas a salvação Eterna. O fervor das suas orações – não recitava ele, quando as suas ocupações lhe permitiam, as horas canónicas? Ele defendia a Fé Católica e a integridade dos costumes no seu eloquente testemunho. De carácter tão fortemente temperado e tão corajoso com João Fisher, ele soube, quando viu a pureza da Doutrina Cristã  exposta a graves perigos, desprezar com energia os afagos do respeito humano, resistir ao chefe supremo do Estado, como lhe prescrevia o seu dever, face à sua estrita obrigação de obediência a Deus e à Igreja, e finalmente, renunciar com dignidade ao alto cargo que desempenhava. Foi por isso aprisionado, ele também; mas nem as lágrimas da sua esposa, nem dos seus filhos, não lograram desviá-lo da recta via da Verdade e da Virtude – LEVANTANDO OS OLHOS PARA O CÉU. Surge-nos, nestas tristes circunstâncias, COMO UM EXEMPLO DE FIRMEZA CRISTÃ. FOI ASSIM QUE AQUELE QUE, POUCOS ANOS ANTES, HAVIA ESCRITO UMA OBRA ACERCA DO DEVER DOS CATÓLICOS DE NÃO FUGIR DA MORTE, QUANDO SE É CHAMADO A DEFENDER A FÉ, CAMINHOU DITOSO DA PRISÃO AO SUPLÍCIO, E DO SUPLÍCIO VOOU ATÉ ÀS ALEGRIAS DA ETERNA BEATITUDE.»

 

 

 

 

Certo artigo, há pouco publicado em sítio tradicionalista, negava a infalibilidade das canonizações. O problema é que o autor desse artigo era incapaz de proceder à distinção entre os vários graus de infalibilidade.

Deus Nosso Senhor É o Primeiro Infalível, com Infalibilidade absoluta de grau estritamente metafísico. Exactamente, porque DEUS NOSSO SENHOR É TODA A VERDADE E SÓ A VERDADE, E MEDIDA DE TODAS AS OUTRAS VERDADES; E NA MEDIDA EM QUE DEUS É O SEU SER, É TAMBÉM TODA A SANTIDADE E SÓ A SANTIDADE.

Infalível é não só aquele que não se engana, MAS AQUELE QUE SE NÃO PODE ENGANAR. É assim um termo que traduz uma realidade eminentemente de direito. E não sòmente em sentido negativo (exclusão do erro) mas em sentido positivo (profissão da Verdade).

Sabemos que o Romano Pontífice é infalível, quer no seu Magistério Ordinário, quer no seu Magistério extraordinário; todavia, no Magistério Ordinário, existe uma articulação orgânica entre as diversas asserções dos diversos Papas, em geral expendidas na forma de encíclicas, e consequentemente nenhuma promulgação ordinária vale, absolutamente, por si mesma como infalível, mas sim o confronto racional, íntrínseco e orgânico, entre todas elas e com o Magistério Ordinário da Igreja e Extraordinário da Igreja e do Papa. Já neste último, cada asserção VALE POR SI MESMA DE FORMA ABSOLUTA, apenas com confronto extrínseco com o restante Magistério. CONTUDO, AMBOS OS MAGISTÉRIOS SÃO INFALÍVEIS, NÃO SÓ PORQUE EXCLUEM, DE DIREITO, O ERRO, MAS TAMBÉM PORQUE PROFEREM A VERDADE DIVINA.

Todas as asserções que declaram ou explicitam a Revelação são Infalíveis, mas se não forem formalmente definidas incorporam apenas o Património do Magistério Ordinário, da Santa Igreja, e, ou, do Papa.

As canonizações dos santos encarnam no denominado Património de Fé Eclesiástica, pois abarcam elementos de Fé Católica e de Moral, mas igualmente elementos humanos, naturais, históricos, que concernem a existência mortal da alma proposta para os Altares.

Não é possível, tècnicamente, definir como Dogma de Fé a infalibilidade das canonizações, porque os elementos naturais e históricos inerentes a um processo de Beatificação e Canonização, enquanto tais, na sua individualidade, não são formalmente revelados. Exceptuam-se, como é evidente, os elementos atinentes à vida de Nossa Senhora, de São João Baptista e dos Apóstolos, porque esses, sim, integram, de pleno direito, a Revelação.

Mas se os elementos históricos da vida dos santos não são revelados, não é menos certo, que a Infalibilidade da Santa Madre Igreja, prometida solenemente por Nosso Senhor Jesus Cristo, essa sim, confere toda a cobertura e toda a certeza ao Juízo da mesma Santa Madre Igreja versando sobre tais matérias. Porque pertence formalmente à essência mais profunda da Fé Católica que Nosso Senhor jamais poderia permitir que a Sua Igreja conduzisse as almas ao erro letal de venerarem e procurarem imitar a conduta de uma pessoa condenada eternamente. Consequentemente, o Romano Pontífice, na sua prerrogativa funcional de infalibilidade, é assistido Sobrenaturalmente para que jamais proclame a santidade de alguém que o não merece. Embora possa não proclamar a santidade de alguém que o merece.

Argumenta-se que a Revelação terminou com a morte do último Apóstolo, e é verdade; mas como já se referiu, tècnicamente, a santidade de uma alma, nos seu elementos Histórico-Naturais, não integra o Depósito de Fé, constitui, sim, uma verdade de Fé Eclesiástica infalível, MAS QUE NÃO EXAURE, ABSOLUTAMENTE, METAFÌSICAMENTE, O CONCEITO DE INFALIBILIDADE, O QUE JÁ SUCEDE QUANDO SE TRATA DA DEFINIÇÃO DE UM DOGMA DE FÉ.

Sabemos, por exemplo, que na Eternidade as almas e os corpos são ontològicamente imutáveis – ONTOLÓGICA, MAS NÃO METAFÌSICAMENTE; PORQUE SÒMENTE DEUS É METAFÌSICAMENTE IMUTÁVEL. Todavia, possuímos a certeza absoluta da nossa perene imutabilidade e paz na visão da Divina Essência, e que nada, absolutamente nada, a perturbará.

Anàlogamente, a infalibilidade da Fé Eclesiástica constitui para nós a garantia absoluta de que aqueles que veneramos se encontram realmente no Céu, e mais ainda, são os Príncipes do Céu. As certezas pròpriamente de Fé definida não diminuem as certezas da Fé eclesiástica, PORQUE UMAS E OUTRAS SÃO CONSTITUTIVAS DAS HIERARQUIAS NATURAIS E SOBRENATURAIS, CUJO FUNDAMENTO RESIDE NA LEI ETERNA.

O facto de no primeiro milénio de História da Igreja as canonizações dependerem indirectamente do Romano Pontífice, em nada infirma a sua perfeita legalidade e infalibilidade. Efectivamente, à medida que os séculos decorriam, era cada vez maior a intervenção do Vigário de Cristo nessas canonizações. Cumpre assinalar, que a diferença entre beatificação e canonização, começou por se constituir na base de um culto que, iniciando-se numa ou mais dioceses (beatificação), podia, por vezes, disseminar-se pela Igreja inteira, com aprovação do Romano Pontífice (canonização). Foi o grande Papa Alexandre III (1159-1181) que, em definitivo, colocou directamente sob a autoridade do Bispo de Roma o processo das beatificações. Mas sòmente no Pontificado de Urbano VIII (1623-1644) ficou absolutamente definida a distinção entre a beatificação (autorização de culto) e canonização (preceituação de culto).

A concepção modernista da “santidade” bem como das “canonizações” encontra-se nos antípodas infernais da Fé Católica. Nesse quadro conceptual, que é o de toda a amaldiçoada seita conciliar, cada homem, só porque é homem, é também um “Cristo”, em virtude do princípio SUBSTANCIAL de divinização que o anima; note-se que princípio substancial de divinização já constitui panteísmo; pois que a Doutrina Católica considera a Graça Santificante UM PRINCÍPIO ACIDENTAL DE SANTIFICAÇÃO – É TOTALMENTE DIFERENTE! E na exacta medida em que é um “Cristo” cada homem merece ser canonizado.

É certo que os modernistas estritamente ateus e libertinos, como Bergoglio, já não são sensíveis a esta doutrina de cada homem ser um “Cristo”, pelo simples facto de que para eles é absolutamente indiferente que Nosso Senhor Jesus Cristo – mesmo só diabòlicamente considerado como um puro homem – tenha existido ou não. Consequentemente, para esses homens, a canonização só pode constituir um galardão póstumo para os serviços prestados à causa da Humanidade concebida segundo a escatologia comunista de síntese plena da materialidade com a idealidade, do público com o privado, do orgânico com o inorgânico, da natureza com a cultura e com o trabalho e a técnica. Mas tudo isto sem a nota de uma certa transcendência panteísta, antropoteísta, que é apanágio de modernistas mais moderados como Karol Wojtyla, os quais hauriram directamente em Teilhard de Chardin.

Porque a seita conciliar, a seita anti-Cristo, segundo os planos da maçonaria internacional, DEVERÁ SEMPRE MANTER OS CONTORNOS DA SANTA MADRE IGREJA – MAS EM NEGATIVO INFERNAL!

 

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 22 de Outubro de 2017

 

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

A DEMOCRACIA DEICIDA DE PÔNCIO PILATOS

Escutemos o Papa Pio XI, num trecho da sua encíclica “Quas Primas”, promulgada em 11 de Dezembro de 1925:

 

 

«Se os homens, pública e privadamente, reconhecem o Poder Soberano de Cristo, necessàriamente virão benefícios incríveis à inteira sociedade humana, como liberdade justa, tranquilidade e disciplina, paz e concórdia. A dignidade régia de Nosso Senhor, como de alguma maneira torna sagrada a autoridade humana dos príncipes e dos chefes do Estado, assim enobrecendo os deveres dos cidadãos e a sua obediência. Neste sentido, o Apóstolo Paulo inculcando às esposas e aos servos  o respeitar Nosso Senhor Jesus Cristo no seu respectivo marido e senhor, admoestava claramente que não deveriam obedecer a eles como homens, mas como representantes de Cristo, porque não seria conveniente que homens, redimidos por Cristo, servissem a outros homens: “Fostes comprados a alto preço, não vos torneis servos dos homens”(ICor 7,23). E se os príncipes e magistrados legítimos estivessem convencidos de mandar, não tanto por direito próprio, quanto por mandato do Rei Divino, entende-se fàcilmente, qual o uso santo e sapiente que farão da sua autoridade, e qual o interesse do bem comum e da dignidade dos súbditos eles usarão na feitura das Leis, e ao exigir a execução delas. Dessa forma, tirada toda a forma de sedição, florescerão e consolidar-se-ão a ordem e a tranquilidade: Ainda que o cidadão possa ver nos príncipes e nos chefes de Estado homens semelhantes a ele, ou por algum motivo indignos e vituperáveis, não se subtrairá contudo da sua autoridade QUANDO RECONHECE NELES A IMAGEM E A AUTORIDADE DE CRISTO, DEUS E HOMEM. Por aquilo que se refere à concórdia e à paz, é manifesto que quanto mais vasto é o reino e mais largamente abrange o Género Humano, tanto mais os homens se tornam conscientes daquele vínculo de irmandade que os une. Essa consciência como que afasta e dissipa os conflitos frequentes, também assim alivia e diminui as amarguras. E se o Reino de Cristo, como de direito, abraça todos os homens, assim de facto verdadeiramente os abrace. Porque deveríamos desesperar daquela paz que o Rei Pacífico trouxe à Terra, Aquele Rei – digamos- que veio para reconciliar todas as coisas, que não veio para ser servido, mas para servir os outros, e que mesmo sendo o Senhor de todos, tornou-Se exemplo de humildade, e esta virtude principalmente inculcou, junto com a Caridade; e além disso, afirmou: “O Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve”?

Oh! Que felicidade poderíamos gozar, se os indivíduos, as famílias, e a sociedade, se deixassem governar por Cristo?

Então, verdadeiramente – para usar as palavras que o nosso predecessor, Leão XIII, há vinte e cinco anos dirigia a todos os Bispos do orbe católico – se poderiam curar tantas feridas, então todo o direito readquiriria a força antiga, voltariam os bens da paz, cairiam das mãos as armas e as espadas, quando todos de boa mente aceitassem o Império de Cristo, Lhe obedecessem, e toda a língua proclamasse: Que Nosso Senhor Jesus Cristo está na Glória de Deus Pai.»

 

 

 

 

A interrogação formulada a Nosso Senhor Jesus Cristo por Pôncio Pilatos – “QUE É A VERDADE?” (Jo 18,37) Encerra a mais grave, e a mais dramática, questão que se pode colocar à condição humana. Efectivamente, da resposta, ou da ausência dela, dimanam opções existenciais fundamentais, para o ente racional, para as famílias, e para a sociedade civil e política. Certamente, e é triste reconhecê-lo, a grande maioria das pessoas, em todas as épocas e em todos os lugares, não logra colocar, formalmente, perante si mesmo, uma tal questão; limita-se a adoptar, mimèticamente, nominalmente, as crenças, usos e costumes do meio onde vive, quaisquer que eles sejam.

Constituiu sempre um grande erro da Santa Madre Igreja – erro, aliás, puramente humano, que de maneira alguma põe em causa a sua Infalibilidade Sobrenatural – o considerar como reais as chamadas conversões em massa, consequentes à conversão de um rei, por exemplo, Clóvis, rei dos Francos em 496, no tempo do Papa Anastácio II. Esse tipo de “conversões” foram sempre – em virtude do pecado original e pecados actuais – puramente nominais. Neste quadro conceptual, também jamais houve “povos católicos” no sentido mais verdadeiro e Sobrenatural do termo, mas sim povos baptizados, e realmente enquadrados, espiritual e temporalmente, pela Santa Madre Igreja, o que já era muito bom.

QUE É A VERDADE? NEGANDO A EXISTÊNCIA DE UMA VERDADE OBJECTIVA ETERNA E IMUTÁVEL, PILATOS REFERENDOU DEMOCRÀTICAMENTE O DESTINO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO – ENTREGANDO-O À MULTIDÃO. Assim o nome de Pilatos permaneceu no Símbolo dos Apóstolos, como síntese de todos os agnosticismos e de todos os ateísmos da História da Humanidade. A MESMA MULTIDÃO QUE UMA SEMANA ANTES HAVIA ACLAMADO A NOSSO SENHOR, AGORA SOLICITAVA A SUA CRUCIFICAÇÃO – É ASSIM O GÉNERO HUMANO!

O concílio Vaticano 2 foi o concílio de Pilatos, pois havendo renegado o Caminho, a Verdade, e a Vida, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, preferiu buscar a “verdade” nas paixões ululantes e miméticas das multidões, na cegueira absoluta das modas e caprichos da massa supersticiosa e fàcilmente fanatizável.

QUE É A VERDADE? Percorramos as ruas, em qualquer país, para ouvir as respostas; quantos responderão, formal e convictamente, que a Verdade, a Verdade Sobrenatural, é, e só pode ser, a Verdade Católica, a Verdade Revelada de Nosso Senhor Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem.

Como dizia Monsenhor Lefebvre em 1990, Deus Nosso Senhor é totalmente desconhecido desta civilização, e também desta nova repulsiva Igreja que ocupou o lugar da Santa Igreja Católica.

Se não há uma Verdade Objectiva, Eterna e Imutável, como se hão-de fundamentar as constituições e as leis dos Estados? Na vontade e no capricho cego das multidões? Por causa desse absurdo fomos conduzidos a esta paupérrima pseudo-civilização pós-Cristã, que depois de ter negado tudo, parece apoiar-se sòmente na opulência científica e técnica e nos bens puramente materiais.

O amaldiçoado concílio Vaticano 2, patrocinado pela maçonaria internacional, substituiu a Verdade e a Bondade Objectiva do Ser, quer natural, quer Sobrenatural, pela livre opção subjectivista, aniquilante, deicida, suicida, pois que retira completamente o sentido à vida, quer individual, quer em sociedade.

A ausência do Papa e a presença do anti-papa, constitui um horrendo poço do abismo em permanente comunicação com as potências do Inferno, envenenando contìnuamente o mundo através dos canais institucionais usurpados, que pertencem de Direito à Santa Madre Igreja. É certo que Bergoglio é muito mais comunista que pròpriamente democrata, sendo que utiliza os princípios democráticos para relativizar e aniquilar o mais que puder os vestígios arruinados da Fé Católica.

O QUE É A VERDADE? A maçonaria internacional apostou forte em como um dia aquele que aparentemente se encontrasse no Trono de Pedro, haveria de responder a essa questão com a mil vezes anatematizada proposição 58 do Decreto “Lamentabili”:” A verdade não é menos imutável do que o homem, pois evolui nele, com ele, e por ele”. Esta constitui a síntese perfeita de todo o hediondo magistério da seita conciliar e dos seus papas da morte de Deus. Sintetiza, Marx, Voltaire, Lutero, Sartre, num só vómito infernal, num só aborto monstruoso que apenas poderá dar lugar à Parúsia Final.

A democracia revolucionária de Pilatos renova e agrava o pecado de Adão, não só porque concretizou històricamente o deicídio de Nosso Senhor, como porque se sedimentou e institucionalizou ao longo dos séculos, e imagine-se, acabou por constituir a única fonte de legitimidade política universalmente aceite. Os papas da morte de Deus, desde Roncalli, cometeram o deicídio de louvar incessantemente a democracia revolucionária, que é a democracia da ONU, requintadamente ateia, completamente cega e estéril, abortista e sodomita. Assim procedendo, tais homens tornaram-se piores do que judas, e estão, no Inferno, muito abaixo dele.

Porque se a fonte de legitimidade política radica na denominada “vontade popular”, então, pura e simplesmente, ESSA LEGITIMIDADE NÃO EXISTE, NA EXACTA MEDIDA EM QUE, METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE, SÓ DEUS NOSSO SENHOR SE FUNDAMENTA NECESSÀRIAMENTE A SI MESMO (ASSEIDADE), CONSTITUINDO TAMBÉM O FUNDAMENTO DE TODAS AS CRIATURAS, AS QUAIS, NÃO SE PODEM PRETENDER BASTAR A SI MESMAS SEM SE AUTO-DESTRUÍREM, QUE É O QUE A HISTÓRIA DEMONSTRA, E A CUJO PAROXISMO ESTAMOS TESTEMUNHANDO. Mesmo no caso, frequentíssimo, de um governante pessoalmente indigno, sòmente o enquadramento constitucional Católico em que ele se mova, pode nobilitar, sustentar e autorizar, toda a cadeia hierárquica político-administrativa que dele dependa.  A Lei do homem, a Lei da Criação, não pode possuir fundamento imanente, sòmente a Lei Eterna pode explicar e reger toda a realidade criada, quer esta queira, quer não. Aqueles que não se quiserem deixar governar pela Lei da Caridade Sobrenatural, SÊ-LO-ÃO PELA LEI DA FORÇA PUNITIVA UNIVERSAL, TEMPORAL E ETERNA, DE DEUS NOSSO SENHOR.

Como repetidamente venho afirmando, A ESSÊNCIA DA DEMOCRACIA É AGNÓSTICA E ATEIA, POIS PRESSUPÕE QUE O HOMEM ESTÁ ABANDONADO A SI MESMO, PRIVADO DE QUALQUER REFERÊNCIA QUE SEJA METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE CONSTITUTIVA DO SEU PRÓPRIO SER.

Se a verdade filosófica e Teológica se origina do homem e nele evolui como, em última análise, constitui o ensinamento caracterizadamente essencial da seita conciliar – PARA QUÊ VIVER? Coerentemente, a seita apenas poderá responder que a vida só poderá conservar algum sentido enquanto perdurarem os gozos materiais que ela proporciona. Consequentemente, o aforismo “quero tudo e já”, que define de uma forma especial a actual civilização ocidental, é perfeitamente consequente com o magistério conciliar; o qual também não possui qualquer horizonte moral, nem um pouco sequer, que lhe permita condenar a eutanásia – EM NOME DE QUÊ? Efectivamente, se não há nada a não ser o homem “deus de si mesmo”- QUAL PODERÁ SER O VALOR REDENTOR DO SOFRIMENTO? EVIDENTEMENTE QUE NENHUM.

É que na base dos anti- valores filosóficos, políticos e sociais, da democracia de Pilatos – ACABA POR VALER TUDO!

Argumentar-se-á com a tese da Declaração dos direitos do homem de 26 de Agosto de 1789 – promulgada pela Constituinte francesa e que serviu de preâmbulo à constituição de 1791 – pois que no seu artigo 4 proclamava “que a liberdade consiste em fazer tudo o que não prejudique ninguém”; pelo menos, argumentam os ímpios, este princípio impor-se-ia por si mesmo de forma absoluta. Mas tal é completamente falso, pois que esse dito “princípio” é cem por cento ateu, imanente, relativista, e DERRETE, INEXORÀVELMENTE, COMO UM MONTE DE NEVE AOS RAIOS ARDENTES DO SOL, PERANTE A FORÇA TREMENDAMENTE EGOÍSTA DO REFERIDO AFORISMO “QUERO TUDO E JÁ”- Só não sabe isto quem não conhece a humanidade e suas hiantes chagas morais.

Nunca algum “princípio” religioso, filosófico, político ou social, de raiz imanente, poderá alguma vez sarar, ou mesmo mitigar, as dores  morais desta pobre humanidade – ESSE FOI SEMPRE O ENSINAMENTO  DA SANTA MADRE IGREJA, DEPOSITÁRIA QUE É DA MEDICINA CELESTE, A LEI ETERNA, A ÚNICA, QUE NA SUA TRANSCENDÊNCIA, PODE NÃO APENAS SALVAR SOBRENATURALMENTE O HOMEM, MAS ATÉ MESMO FAZÊ-LO DITOSO NESTE MUNDO MORTAL.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 26 de Outubro de 2017

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

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Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

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