Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ASCENSÃO SOBRENATURAL PARA DEUS COMO ÚNICO FIM DO HOMEM

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

  • (Ao lado a face do corpo preservado incorrupto de Santa Bernadette)

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Tametsi Futura”, promulgada em 1 de Novembro de 1900:

«De nenhuma forma e nunca ter conhecido Jesus é grande infelicidade, contudo não é perfídia nem ingratidão; mas repudiá-l’O ou esquecê-l’O, depois de O ter conhecido, é um delito tão espantoso e insano, que é difícil acreditar possa acontecer a um homem. Com efeito, Cristo é o princípio e a origem de todos os Bens: E como não era possível resgatar o Género Humano sem a obra benéfica d’Ele, assim não é possível conservá-lo no Bem sem o concurso da Sua Graça. “Pois não há, debaixo do Céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12). Qual seja a vida humana em que falta Jesus, “Poder de Deus e Sabedoria de Deus”, quais sejam os costumes, a qual termo desesperado se chegue, não no-lo mostram suficientemente, com o seu exemplo, os povos privados da Luz Cristã? Relembrar um pouco a imagem que Paulo traçou deles (Cf Rom 1): CEGUEIRA DO INTELECTO; PECADOS CONTRA A NATUREZA; FORMAS MONSTUOSAS DE SUPERSTIÇÕES E DE LIBIDO; PARA QUE CADA UM SE SINTA LOGO REPLETO DE COMPAIXÃO, E AO MESMO TEMPO, DE HORROR.

Todos os que se põem fora do recto caminho, VAGUEIAM ÀS CEGAS, E AFASTAM-SE DA META DESEJADA. Da mesma forma, AO SE REJEITAR A LUZ PURA E SINCERA DO VERDADEIRO, SUCEDEM ERROS PERNICIOSOS, AS TREVAS INEVITÀVELMENTE OBSCURECERÃO A MENTE, E O CORAÇÃO ENTRISTECE. COM EFEITO, QUE ESPERANÇA DE SAÚDE PODE HAVER PARA QUEM ABANDONA O PRINCÍPIO E A FONTE DA VIDA? ORA O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA, É SÒMENTE O CRISTO: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA”(Jo 14,6); DE TAL FORMA QUE, ABANDONADO O CRISTO, FALTARÃO AQUELES PRINCÍPIOS NECESSÁRIOS PARA TODA A SALVAÇÃO.

Daqui fácilmente aparece, o que se deve esperar do erro e da soberba daqueles, que desprezada a Soberania do Redentor,colocam o homem acima de todas as coisas, e querem o Reino absoluto e Universal da natureza humana; também se, na prática, não podem conseguir esse reino, e até nem saibam definir bem no que ele consiste. O Reino de Jesus Cristo toma forma e consistência da Caridade Divina: O amor santo e ordenado é o fundamento e o compêndio dele. Daqui, necessàriamente, derivam os seguintes princípios: É preciso cumprir bem o próprio dever; não se deve nunca cometer uma injustiça ao próximo; é preciso estimar as coisas terrenas como inferiores às celestes; é preciso amar a Deus sobre todas as coisas. Bem diferente é aquele domínio do homem, que abertamente recusa Cristo, ou que descuida conhecê-l’O, funda-se todo sobre o egoísmo, que não conhece a Caridade, nem o espírito de sacrifício. Segundo o ensinamento de Jesus, é também lícito ao homem mandar, mas o deve fazer só naquela condição possível, isto é, ANTES DE TUDO DEVE ELE SERVIR A DEUS, E DEVE TOMAR DA LEI DE DEUS AS NORMAS E O GUIA DA PRÓPRIA VIDA.»
Santo Agostinho conta nas suas “Confissões”a história de dois homens a caminho da corte de um grande rei, congeminando a melhor forma de cair nas boas graças desse soberano, a fim de conseguirem alcançar uma notável posição social e copiosas riquezas. Mas a certa altura um deles diz para o outro:”Diz-me, o que estamos a fazer, para quê tantas canseiras, tanto esforço, tantas desilusões, o que estamos buscando afinal? A amizade de um homem? Olhai, SE EU QUISER SER AMIGO DE DEUS, POSSO LOGRÁ-LO HOJE MESMO!

E os dois homens arrepiaram caminho, dirigindo-se para um convento.

A História do mundo, enquanto tal, não é mais do que um estrebuchar de seres pensantes, que indiferentes ao grande Oceano da Verdade e do Bem, preferem guerrear-se por pequenos seixos que vão encontrando pelo tosco caminho.

O poeta Indiano Tagore (1861-1941), evidentemente não cristão, mas também não apóstata, dizia: “Quando peregrinares pela estrada fora, não te preocupes em colher as belas flores que vais encontrando; segue caminhando e elas alegrarão o teu caminho”.

Os grandes centros de gravitação deste mundo são o poder e a riqueza; tal acontece porque este mesmo mundo é totalmente oposto, até mesmo ao mais simples aforismo da sã filosofia, que nos assegura que a felicidade se encontra mais na renúncia do que na posse.

Foi o pecado original que separou, moralmente, o mundo de Deus. A ESSÊNCIA DA FÉ CATÓLICA RESIDE, PRECISAMENTE, NESTA INIMIZADE MORAL E MORTAL COM O MUNDO, POR CAUSA DE DEUS NOSSO SENHOR, CONHECIDO, AMADO E SERVIDO, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS. O AMALDIÇOADO VATICANO 2 CONSPIROU PARA CONGRAÇAR DEUS E O HOMEM, NÃO PELA CONVERSÃO DESTE, MAS PELA SUA MONSTRUOSA DEIFICAÇÃO.

O espírito mau do mundo é de todos os tempos; nunca se caia no tremendo erro de considerar que na denominada “Idade da Fé” o mundo era bom, não, o mundo foi sempre mau; o que existiam era instituições cristãs muito fortes, um poder civil em geral fiel à Santa Igreja, mesmo quando pessoalmente indigno, e uma fina flor de cristãos de elevada nobreza doutrinal e moral; todavia, a grande massa era composta de gente muito grosseira, não no sentido de ser de condição humilde, mas simplesmente porque, embora baptizada, era uma massa nominal e supersticiosa.

A nossa ascensão para Deus será pois indissociável do combate contra um mundo moralmente corrompido, com a hodierna e essencial agravante do desaparecimento da Santa Madre Igreja como realidade social e cultural – Mas esta constitui sòmente a face negativa dessa ascensão; a parte eminentemente positiva remete absolutamente para uma SUPERAÇÃO DO MUNDO, MESMO NO QUE ELE POSSUI DE NATURALMENTE BOM, O QUE SÓ SE PODE OBTER COM A GRAÇA DE DEUS. PORQUE SÒMENTE POR VIA SOBRENATURAL PODEREMOS REPARAR, EM GRANDE PARTE, MAS NÃO TOTALMENTE, A FERIDA NA NATUREZA, EM NÓS DEIXADA PELO PECADO ORIGINAL. Exactamente por isso, a Santa Madre Igreja impôs o celibato, disciplinarmente aos sacerdotes seculares, mas constitutivamente aos religiosos e clero regular; para que mais fácilmente acedam à Santidade, e não em virtude de qualquer dualismo. Mas igualmente impôs a voto de pobreza ao clero regular, não porque as riquezas sejam, em si, más, mas porque em consequência do pecado original e dos pecados actuais, tais riquezas poderão constituir sério obstáculo à contemplação das realidades Eternas, e pior ainda – tornar-se adictivas.

A diferença de regime entre o clero secular e o clero regular, reside em que este último está ainda mais rigorosamente obrigado à Santidade.  

A tese da superação implica igualmente que sempre e cada vez mais a alma opere, interior e exteriormente, por motivos estritamente Sobrenaturais. Neste particular, os Dons do Espírito Santo possuem uma função primordial, nomedamente a Sapiência e o Entendimento, pois  colocam a alma de tal forma “em meio Divino” que aperfeiçoam caracterizadamente as virtudes Teologais e Morais, robustecendo a Graça Santificante. A nossa prova de Eternidade consistirá na avaliação da medida da nossa Caridade, bem como da Graça Santificante. NINGUÉM SE PODE SALVAR SE NÃO AMAR, SOBRENATURALMENTE, A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.

A contemplação deve compreender-se como uma unificação progressiva do organismo Sobrenatural. Enquanto que na meditação, a alma exercita, com o auxílio da Graça, uma pluralidade de actos de inteligência e vontade; na contemplação processa-se uma notável tendência à simplificação da vida interior; tal não implica um retrocesso, mas um acrisolado aprofundamento da vida Sobrenatural – PORQUE DEUS É SIMPLES! NÃO É COMPOSTO DE PARTES, É SÓ ELE PRÓPRIO.

Mas mesmo na vida exterior, que deve reflectir fielmente a vida interior, se deve manifestar uma tal simplificação e unificação. E isto é tanto mais verdade quanto o desenvolvimento da vida Sobrenatural na alma diminui extraordinàriamente a necessidade psicológica da permanente renovação e diversificação dos estímulos externos. A alma contemplativa SABE ESSENCIALMENTE COMO GOVERNAR SOBRENATURALMENTE OS BENS CRIADOS. Exactamente por isso, existem almas, que mesmo vivendo, materialmente, no seio do mundo, logram alcançar, com o auxílio de Deus, uma grande Santidade.

Neste quadro conceptual, é perfeitamente compreensível, como a estratégia da maçonaria internacional, que no século XIX expulsava os monges dos seus conventos, requintou os seus métodos, e com o amaldiçoado concílio Vaticano 2, INTRODUZIU AS IDEIAS DO MUNDO NOS MESMOS CONVENTOS, TORNANDO INSUPORTÁVEL A VIDA PENITENTE E ESCONDIDA DO MUNDO – PARA QUÊ, SE HÁ LIBERDADE RELIGIOSA? E OS QUE FICARAM CAÍRAM NAS MAIORES ABERRAÇÕES CONTRA A NATUREZA.

Consequentemente, constitui um grande crime, pretender alterar o comportamento exterior das pessoas sem de forma alguma tentar transformar sobrenaturalmente a vida interior – é o que fazem os hipócritas de todos os tempos e lugares. Evidentemente, que os pecados puramente exteriores também ofendem a Deus; razão porque o Magistério da Santa Madre Igreja sempre ensinou, que mesmo aos dementes, é necessário impedir-lhes as consumações mais grosseiras do pecado exterior. E o Estado, enquanto braço secular da Santa Madre Igreja, deve impedir o mais possível as manifestações públicas, e por vezes mesmo só exteriores, do pecado e do vício. Mas tal constituiria enorme hipocrisia se não se produzir um esforço coerente e permanente de transformação Sobrenatural das almas. Desgraçadamente, assinalam-se na História da Igreja muitos períodos e lugares em que o esforço pastoral se preocupou sòmente com as aparências sociais, com o “fica bem”, quase abandonando a realidade, bem mais árdua, da conquista Sobrenatural das almas para Deus Nosso Senhor.

Mas como pode ser isso se a Igreja é Santa? A Santa Igreja é Santa porque a sua Pessoa Moral de Direito Divino é Santa, porque foi fundada pelo Verbo Encarnado, dispondo permanente e eminentemente do Sacrifício do Calvário renovado no Sacrifício da Missa, bem como dos Sacramentos que dele irradiam; A Santa Igreja dispõe e custodia, por instituição Divina, de toda a Revelação Sobrenatural, que a Cátedra de São Pedro deve, defender, propagar, clarificar e explicitar. MAS SE É DIVINA, A SANTA IGREJA TAMBÉM É HUMANA, COMPOSTA, NA MAIORIA DOS CASOS, DE HOMENS QUE A HISTÓRIA ECLESIÁSTICA REVELA COMO MEDIANOS, E ATÉ FREQUENTEMENTE MEDÍOCRES, INCLUINDO CERTOS PAPAS. Mas foi A PROVIDÊNCIA DIVINA QUE ASSIM O QUIS E ASSIM O CONSTITUIU, PORTANTO OS DESÍGNIOS ÚLTIMOS DE DEUS NOSSO SENHOR DEVEM CUMPRIR-SE DESTA FORMA, E NÃO DE QUALQUER OUTRA.

Nunca olvidemos que ninguém pode ascender para Deus Nosso Senhor, sem grandes sofrimentos, sobretudo de ordem Moral, e sem passar pelo amor devoto a Nossa Senhora, a nossa querida Mãe do Céu. Pois que ela própria, em Fátima, disse à Lúcia: “E TU SOFRES MUITO, NÃO TE PREOCUPES, EU NUNCA TE DEIXAREI, O MEU IMACULADO CORAÇÃO SERÁ O TEU REFÚGIO, E O CAMINHO QUE TE CONDUZIRÁ ATÉ DEUS.”»

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 12 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A CONDIÇÃO HUMANA É ESSENCIALMENTE IMUTÁVEL

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em passagens do JURAMENTO ANTI-MODERNISTA, integrado na encíclica “Sacrorum Antistitum”, promulgada em 1 de Setembro de 1910:

«Eu abraço firmemente e acolho total e singularmente o que o Magistério infalível da Santa Igreja definiu, afirmou e proclamou, sobretudo aqueles capítulos da Doutrina que contradizem directamente os erros deste tempo.

Primeiro: Confesso que Deus, Princípio e Fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza, e também pode ser demonstrado com a luz natural da razão, por meio das coisas que foram feitas, isto é, por meio das obras visíveis da Criação, como Causa por meio dos efeitos.

Segundo: Admito e reconheço as provas externas da Revelação, isto é, as Acções Divinas, antes de tudo, os milagres e as profecias, como sinais certíssimos da origem Divina da Religião Cristã, e os considero ser PERFEITAMENTE ADAPTADOS À INTELIGÊNCIA DE TODAS AS GERAÇÕES, E DE TODOS OS HOMENS, TAMBÉM OS DESTE TEMPO.

Terceiro: Creio igualmente com firme Fé, que a Santa Igreja, Guardiã e Mestra da Palavra Revelada, foi instituída, imediata e directamente, PELO MESMO VERDADEIRO E HISTÓRICO JESUS CRISTO, ENQUANTO VIVIA ENTRE NÓS, e que ela foi edificada sobre Pedro, Príncipe da Hierarquia Apostólica, e sobre os seus sucessores, para sempre.

Quarto: Acolho sinceramente a Doutrina da Fé, transmitida até nós pelos Apóstolos, por meio dos Padres Ortodoxos, no mesmo sentido, E SEMPRE COM O MESMO CONTEÚDO, e por isso afasto totalmente A HERÉTICA INVENÇÃO DA EVOLUÇÃO DOS DOGMAS, QUE PASSAM DE UM SIGNIFICADO A OUTRO, DIFERENTE DAQUELE QUE ANTES RETINHA A IGREJA. Do mesmo modo condeno cada erro com que, ao Divino Depósito entregue por Cristo à Sua Esposa para ser por ela fielmente guardado, VEM SUBSTITUÍDA A INVENÇÃO FILOSÓFICA, OU A CRIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA HUMANA, LENTAMENTE FORMADA COM O ESFORÇO DOS HOMENS, APERFEIÇOANDO-SE PARA O FUTURO, NUM PROGRESSO INDEFINIDO.

Quinto: Por certo terei fixo e sinceramente confesso que a Fé NÃO É SENTIMENTO RELIGIOSO CEGO QUE IRROMPE DA OBSCURIDADE DO SUBCONSCIENTE, POR IMPULSO DO CORAÇÃO, E POR INCLINAÇÃO DA VONTADE MORALMENTE FORMADA, MAS VERDADEIRO ASSENTIMENTO DO INTELECTO, E VERDADE RECEBIDA DO EXTERIOR, MEDIANTE A ESCUTA, PELOS QUAIS, SOB O FUNDAMENTO DA AUTORIDADE DE DEUS SUMAMENTE VERAZ, NÓS CREMOS QUE SÃO VERDADEIRAS TODAS AS COISAS QUE DE DEUS, CRIADOR E SENHOR NOSSO, FORAM DITAS, ATESTADAS E REVELADAS. (…)

Declaro-me enfim, totalmente avesso, em geral, ao erro com o qual os modernistas consideram que, na Sagrada Tradição, nada há de Divino, ou algo de muito pior, ADMITEM-NO DE MODO PANTEÍSTA, FAZENDO COM QUE NADA MAIS RESTE SENÃO O SIMPLES FACTO DE IGUALAREM-SE OS FACTOS COMUNS DA HISTÓRIA; declaro pertencer àqueles homens que continuam, através das gerações que se sucedem, com o seu empenho, habilidade e engenhosidade, a Escola iniciada por Nosso Senhor Jesus Cristo e Seus Apóstolos. CONSERVO, PORTANTO, E CONSERVAREI ATÉ AO ÚLTIMO SUSPIRO DA MINHA VIDA, A FÉ DOS PADRES NO CARISMA CERTO DA VERDADE QUE FOI, É, E SERÁ SEMPRE NA SUCESSÃO DO EPISCOPADO DOS APÓSTOLOS; NÃO PARA QUE SE MANTENHA O QUE PODE PARECER MELHOR E MAIS ADAPTADO, SEGUNDO A CULTURA PRÓPRIA DE CADA ÉPOCA, MAS PARA QUE NÃO SEJA NUNCA ACREDITADA E COMPREENDIDA DE MODO DIFERENTE, A ABSOLUTA E IMUTÁVEL VERDADE ANUNCIADA DESDE O INÍCIO PELOS APÓSTOLOS.»

 

  •   *Há imensas pessoas que pensam que a eclosão da ciência e da técnica, sobretudo nos últimos cem anos, modificaram essencialmente a humana condição; e que ao substituir as categorias do mundo Bíblico por uma visão científica do Universo, determinariam irrevogàvelmente o fim do Catolicismo Integrista.

Todavia, no que concerne à condição humana, a única descontinuidade ontológica consistiu precisamente no pecado original, em consequência do qual, a Humanidade, na pessoa da sua família original, decaiu da privilegiada condição, Sobrenatural, Preternatural e Natural, em que havia sido criada, soçobrando numa era negra de pecado, em que, quantitativamente, o mal suplantaria em muito o Bem, neste paupérrimo mundo.    

Tal como refere o Juramento anti-modernista, as conquistas da ciência e da técnica NÃO MODIFICARAM, NEM PODIAM MODIFICAR, A CONSTITUIÇÃO ONTOLÓGICA DOS HOMENS, OS PRIMEIROS PRINCÍPIOS E AS CARACTERÍSTICAS E LIMITAÇÕES DA SUA INTELIGÊNCIA, OS PRIMEIROS PRINCÍPIOS DA SUA OPERAÇÃO MORAL.

Poder-se-á argumentar da seguinte forma: São Tomás ensina que cada espécie é única e em si mesma inalterável. Como conciliar isto com a realidade de Adão e Eva no Paraíso Terrestre?

Sem dúvida que cada espécie é metafísica e ontològicamente única, e enquanto tal imutável. É certo que na Ordem Natural a espécie humana é por definição mortal e passível; neste quadro conceptual, como pôde o homem ser imortal e impassível no Paraíso Terrestre? Apenas o pôde ser por PRIVILÉGIO EXTRÍNSECO, SOBRENATURAL E PRETERNATURAL. O Paraíso Terrestre foi providenciado como um lugar verdadeiramente celestial, sòmente inferior à própria Visão Beatífica da Eternidade. Ora o sofrimento e a morte, em si mesmos naturais, constituem uma privação de ser indigna da abundância dos Bens Sobrenaturais presentes no Paraíso Terrestre; exactamente por isso, os Dons Preternaturais da imortalidade e da impassibilidade só puderam ser facultados ao Homem, estritamente em ordem aos Sobrenaturais.

Conclui-se portanto que a imutabilidade natural da espécie só pode ser parcial e extrìnsecamente modificada pela elevação ao estado Sobrenatural, com necessário enriquecimento em Dons Preternaturais.

Os Anjos gozam, na Ordem Natural, de uma santidade ontológica e substancial estritamente natural. Cada Anjo, que recorde-se constitui em si mesmo uma espécie, pelo facto de ser criado, só pode possuir uma impecabilidade e uma santidade inerentes à perfeição específica da própria natureza. Tal sucede porque os Anjos são formas espirituais não limitadas, nem limitáveis, pela matéria. A pecabilidade dos Anjos só lhes advém pela sua elevação à Ordem Sobrenatural.

Assim se compreende como Adão e Eva não foram simplesmente reduzidos ao estado de natureza danada e totalmente imerecedora de Graças ulteriores – PORQUE PELA REDENÇÃO, COM EFEITOS ETERNOS, DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, LHES FOI MINISTRADA A GRAÇA DA PENITÊNCIA. Mas não recuperaram os Dons Preternaturais, permanecendo com uma grave ferida na natureza, QUE A GRAÇA MEDICINAL E A GRAÇA ELEVANTE NÃO SARAM TOTALMENTE.

Neste enquadramento, jamais a ciência e a técnica poderiam alterar a condição humana, nem mesmo acidentalmente. A morte, a doença, o sofrimento, as guerras, continuam a integrar a condição humana, hoje como ontem. Há quem pense que, pelo menos, será possível eliminar a guerra; mas a História do século XX, e a actual situação internacional, bem demonstram que os homens continuam intrìnsecamente maus, na sua grande maioria, e que pelo contrário, é de esperar um incremento do factor bélico com a escassez inevitável e progressiva, por exemplo do petróleo, e a longo prazo, também da água potável. Poderão igualmente argumentar que os progressos da medicina alteraram a condição humana, mas não é verdade, o facto dos homens viverem mais vinte ou trinta anos, se não fizerem penitência, só agravará substancialmente o amaríssimo oceano de pecados que é este mundo.

Quanto ao pseudo-argumento do derrube das categorias Bíblicas pelo conhecimento científico: É certo que embora a Revelação tenha encarnado numa História Sagrada absolutamente verdadeira, a Sagrada Escritura e a Tradição, E POR ISSO MESMO TAMBÉM O MAGISTÉRIO DA SANTA MADRE IGREJA, não possuem funcionalmente o objectivo de ensinar aos homens, de forma científica, a constituição íntima das coisas visíveis; mas pelo contrário, ministrar aos homens o conhecimento e o amor Sobrenatural das coisas de Deus, utilizando analogias simples extraídas do quotidiano concreto da vida no campo, como sempre fez Nosso Senhor Jesus Cristo nos Evangelhos. A Inerrância Bíblica deve ser compreendida na base do que ficou expresso: Ausência de todo e qualquer erro formal no texto Sagrado. Não se pode olvidar que a Sagrada Escritura possui como Autores Deus e o homem – o Primeiro como Causa Principal, o segundo como causa instrumental; consequentemente, o texto Sagrado DEPENDE, IMEDIATAMENTE, TODO DE DEUS E TODO DO HOMEM.

Quando em Malaquias 1,11 é revelada por Deus a existência futura de um Sacrifício perfeitíssimo e Universal, que jamais seria superado ou igualado, o Profeta explana a Revelação Divina com os recursos naturais de que dispõe, como homem situado no seu tempo e na sua cultura; assim, exprime esse Sacrifício futuro com as categorias conceptuais próprias dos sacrifícios de animais que conhecia,  ou seja – ACTUA COMO CAUSA INSTRUMENTAL!

O argumento das categorias Bíblicas, portanto, não colhe.

Poderão ainda acrescentar: Mas será possível acreditar nos milagres Bíblicos numa época em que o homem foi à Lua e transplanta, com êxito, corações e fígados? Se o homem consegue tais êxitos é porque Deus Nosso Senhor lhe outorgou a inteligência proporcionada, sim, PORQUE O HOMEM NÃO É O SEU SER, NÃO É A SUA INTELIGÊNCIA. Aliás o homem não cria nada, apenas transforma, substancial e acidentalmente, os materiais com que Deus enriqueceu o planeta onde vive, combinando as leis físicas e químicas, que conhece cientìficamente, de modo a produzir utilidades que lhe apurem a qualidade de vida, o que em si mesmo, é perfeitamente legítimo.

Todavia, o denominado progresso científico e técnico, conquanto real, em última análise, é ilusório, visto que nunca, nem o Anjo, nem os homens, nem inteligência alguma criada, poderão exaurir todo o cognoscível científico, pois não possuem as chaves das Essências, as chaves do Ser, e consequentemente jamais poderão alterar essencial e até acidentalmente, a sua condição. Com a arrepiante agravante, de no Género Humano, em virtude do pecado original, enquanto que o conhecimento científico e técnico se transmite fàcilmente de geração em geração, o mesmo se não pode dizer da Sabedoria Religiosa, Filosófica e Moral. Muito provàvelmente será esta incomensurabilidade, que agudizada, acarretará as catástrofes bélicas e ecológicas do próximo século.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

FÁTIMA: REVELAÇÃO PRIVADA OU PROFECIA PARA NOSSOS TEMPOS?

   Arai Daniele

São Paulo ensina: “Não abafai o Espírito, não desprezai as profecias.” (Ts 5:19-20)

Quem conhece a apresentação que Dom Antônio de Castro Mayer fez a meu livro «Entre Fátima e o Abismo – Considerações e Fatos sobre o Segredo que desafia o Pontificado e assombra a Cristandade», sabe como o preclaro Bispo insistia sobre a questão de enorme importância de não classificar Fátima simplesmente como «revelação privada». Sua Excia. Sempre deixou clara essa sua relação estreita com a verdade da «Mediação universal de Nossa Senhora, da qual se ocupou.

Há diversos outros estudos sobre essa verdade, que já podia ter sido proclamada dogmática depois de tantas intervenções de Maria Santíssima na história recente para o bem das almas. Há o de mons. Rudolph Graber, bispo de Regensburg, autor de «Atanásio e a Igreja do Nosso Tempo», que disse em 1965: “Deve fazer-se uma distinção cuidadosa entre a revelação pessoal e aquelas cuja mensagem se declara ser para toda a humanidade. A primeira pode ser ignorada com equanimidade. As outras, porém, devem ser tomadas a sério. A Mensagem de Fátima pertence a esta categoria.”

Por conseguinte, Fátima não é apenas uma revelação privada opcional. Fátima situa-se numa categoria mais elevada, a de uma revelação pública e profética, que impõe uma obrigação à Igreja e a todos os Católicos. Além destes bispos devem-se citar alguns teólogos, como seja o Padre Joseph de Ste. Marie, professor do Teresianum de Roma, que deu uma resposta importante a essa questão. Ele nos lembra que em Efésios 2:20 São Paulo diz que a fundação da Igreja estão os apóstolos, mas também profetas. Portanto há que ouvir e obedecer aos profetas do Novo Testamento.

«Lendo os Atos dos Apóstolos, vemos que além do carisma dos apóstolos, fala do carisma dos profetas do Novo Testamento. Certamente, a Igreja não só é fundada sobre o carisma apóstolos, mas também é de origem divina; Na verdade, foi o próprio Jesus Cristo a afirmar a inseparabilidade entre a Igreja e os apóstolos, assim como de seus sucessores, os bispos. Isto aplica-se em particular ao papado. Nesta sede, não abordar esse argumento, mas o da obrigação de escutar e obedecer à voz autêntica dos profetas. No caso de Fátima: da Rainha dos Profetas.

«Três tipos de revelação – é  dever da hierarquia verificar, descobrir e decidir se uma mensagem provem realmente de Deus. Na verdade, o V Concílio de Latrão, realizado em 1515, estabeleceu com uma definição que a tarefa de decidir a interpretação definitiva de uma profecia. ele pertence ao Papa de Roma. A Igreja reconhece três tipos de revelação autêntica. São eles: o depósito público da Revelação Divina, a Sagrada Tradição contida na Sagrada Escritura; as revelações privadas; e as revelações proféticas públicas. A recusa a acreditar na Revelação Divina depositada nas Escrituras é um pecado contra a virtude teologal da fé. Além disso, há o que chamamos de revelações privadas. Em outras palavras, se eu tivesse uma visão de Nossa Senhora, que nunca tive e da qual certamente não sou digno, mas se hipoteticamente eu a tivesse e Ela me mandasse rezar dez décadas do Terço, para o meu bem, seria uma revelação privada. A Mensagem de Fátima ultrapassa de muito isto.

«Em primeiro lugar a Mensagem de Fátima é pública e dirige-se a toda a humanidade, contendo avisos de consequências muito graves se não for escutada. Em seguida lembremos que a Mensagem foi ratificada por Deus por meio do grande Milagre do Sol, testemunhado por 70 mil pessoas, Ainda, essa Mensagem foi profética – portadora de profecias que se realizaram. A Igreja pronunciou-se sobre a Aparição que trouxe a Mensagem de Fátima, considerando-a verdadeira e reconhecendo a sua Festa a 13 de Maio. O Padre Joseph de Sainte Marie, Carmelita e eminente teólogo (falecido na década de 1980), escreveu: “Uma vez que o Papa tenha julgado e reconhecido que uma profecia procede, na verdade, de Deus, então ele tem de lhe obedecer – não como quem obedece ao profeta, mas como quem obedece a Deus.”

“Farei um milagre que todos hão de ver, para crer”

São Tomás de Aquino diz que Deus envia profetas em épocas diferentes segundo propósitos específicos. Fátima é, claramente, única, por se tratar de um aviso público transmitido por Nossa Senhora, um pedido público para o nosso tempo, e ratificado pelo Milagre do Sol. Nós aprendemos a obrigação que ela impõe, lendo aquilo que Nossa Senhora nos pediu que fizéssemos: rezássemos o Terço todos os dias, pediu-nos que fizéssemos sacrifícios pelos pecadores; que oferecêssemos o nosso dever quotidiano como um ato de sacrifício, pediu-nos ainda que fizéssemos a devoção dos Cinco Primeiros Sábados de reparação, e ofereceu-nos o Escapulário Castanho. Tudo isto são deveres e práticas piedosas que é necessário que façam parte das nossas vidas. ~

Nossa Senhora teve Sua Mensagem ratificada pelo grande Milagre do Sol, a 13 de Outubro de 1917, testemunhado por 70 mil pessoas – mesmo por aqueles que lá tinham ido para troçarem do evento, e que vieram espantados por aquilo que tinham visto. Os Seus revestem-se, pois de uma verdadeira obrigação. Não menos obrigação põe o pedido ao Papa para que consagre a Rússia, em união com os Bispos do mundo, ao Imaculado Coração de Maria, de acordo com as especificações de Seu pedido. Para a conversão da Rússia, Nossa Senhora pediu um ato tão simples!

Ao considerar a dimensão enorme dessa graça que Nossa Senhora prometeu  – de converter a Rússia e dar ao mundo algum tempo de paz, fica-se abismado como os Papas e os Bispos tivessem prestado pouca ou nenhuma atenção à promessa, e igualmente o povo católico não perseverasse em jejuar e fazer alguma penitência difícil para manter a atenção a esse pedido da Mãe de Deus.

«O que falta para a conversão da Rússia»

Este é o título do livro do padre M. Dias Coelho (Fundão, 1939), do qual se reproduz o início.

«Não falta quem ataque ou diminua as revela­ções privadas, sob o pretexto de que elas nada de novo trazem, nem podem trazer, ao depósito da Revelação. Outros, numa atitude aparentemente mais benigna, desprezam-nas, alegando que só a Grande Revelação merece confiança e que ela é suficiente para orientar e enriquecer a vida cristã.

«Apesar de insensatas, estas opiniões não são heréticas, mas podem considerar-se perigosas. Baseiam-se com efeito num erro crassíssimo, ou por outra, em dois grandes erros — um, a negação da presença esclarecedora e doutrinadora do Espírito Santo, na Igreja, em todas as etapas da sua história; outro, a afirmação de que a Bíblia contem a revelação formal e explícita de todas as verdades divinas.

«O Espírito Santo não assistiu à Igreja apenas no início, enquanto se compuseram os livros sagrados. Assiste-lhe sempre até ao fim dos séculos, como a própria Escritura ensina. E esta assistência não é meramente de ordem negativa — para impedir o erro; é também de ordem positiva, para esclarecer, definir e estimular o conhecimento de certas verdades que, doutro modo, continuariam em estado embrionário.

«É certo que a Bíblia contém todas as verdades reveladas. Mas muitas delas encontram-se lá ape­nas em síntese, tal como a árvore se encontra na semente. É uma revelação virtual que, atenta a natureza humana, seria só por si, incapaz de ilu­minar a inteligência dos fiéis.

«Quem supre esta falta?

«A assistência perene do Espírito Santo que preside a toda a Igreja.

«Não é apenas o Papa quando fala «ex cathedra», não são apenas os Bispos reunidos em Concílio, é toda a Igreja docente e discente que é animada, dirigida e esclarecida pelo Paráclito.

«Ele é o Espírito donde procede todo o movi­mento e toda a acção. Ele é o Principio e o Fim de tudo o que é bom. Ele é a luz que ilumina e inflama, de mil modos e maneiras, os chefes e os súbditos, os grandes e os pequenos, os dirigentes e os dirigidos, os sábios e os ignorantes. Todos dele participam, embora em grau diferente e para fins diversos: a Hierarquia para comandar; os fiéis para obedecer e, às vezes, para sugerir.

«As revelações privadas são o maior argumento a favor desta verdade. Elas mostram bem como é verdadeira e fecunda a presença do Espírito dentro da Igreja. As grandes devoções do Cristianismo donde nasceram, senão das revelações privadas? Donde veio o Rosário? Donde, a festa e a devo­ção ao Coração de Jesus, donde a consagração ao Imaculado Coração de Maria? Qual a origem do escapulário, da medalha milagrosa, da solenidade do Corpus Christi?

«É certo que todas estas devoções têm as suas bases escriturísticas, mas não fossem as aparições e os pedidos expressos da Mãe de Deus, ou de seu Divino Filho, e elas não só não se tornariam populares, como nem sequer teriam nascido.

«Ninguém diga também que se trata de facto­res inúteis ou insignificantes. Toda a gente sabe papel importantíssimo que o terço desempenhou na história da Igreja, sobretudo em momentos particularmente difíceis, como foi a heresia dos albigenses e a guerra de Lepanto. Quanto às outras devoções, a História, os devocionários e a experiência própria de cada um de nós, está cheia experiência própria de cada um de nós, estão cheios do testemunhos a mostrar o seu extraordinário poder de intercessão junto de Deus.

«A FÉ NAS REVELAÇÕES PRIVADAS

«Falamos apenas das revelações privadas que a Igreja aprovou e reconheceu, como dignas de crédito. Não somos obrigados a acreditá-las com fé divina, nem mesmo com fé eclesiástica. Podemos portanto negá-las aberta ou veladamente, sem perigo de heresia. Será porém sensata e prudente uma tal atitude? Ou por outras palavras, qual a confiança que uma revelação privada nos merece?

«Toda a gente vê que embora a fé exigida não seja eclesiástica, não pode ser também puramente humana, como é a fé prestada a uma notícia dos jornais, ou a qualquer pessoa que connosco trata. A Igreja só aprova as revelações privadas, depois dum estudo exaustivo, capaz de dissipar toda a dúvida prudente. Este facto porém não exigia de nós, mais que uma fé humana, uma vez que o dito estudo é feito com elementos e dados necessariamente humanos.

«Além desse estudo, porém, a Igreja recorre à oração — oração do próprio bispo que julga a causa e oração dos fiéis a quem a intenção se recomenda. E recorre sobretudo à graça do Espí­rito Santo cuja unção divina penetra e fecunda tudo quanto ela ensina ou faz. Quer dizer, numa aprovação episcopal, não fica apenas comprome­tida a competência humana dum homem, mas também a autoridade e a competência eclesiástica dum bispo.

«É por isso que a fé a prestar a uma aparição devidamente reconhecida pela Igreja, não deve ser simplesmente humana. Alguns autores cha­mam-lhe eclesial, para a distinguir da eclesiástica em que se empenha não apenas a autoridade dum bispo, mas a de toda a Igreja.

«Negar a realidade duma intervenção sobrena­tural que a Hierarquia reconhece é, por isso, pelo menos, uma atitude temerária e perigosa. No caso de Fátima, o problema adquire uma amplitude maior e mais grave. Não é apenas o testemunho de um bispo que está em causa. De tal maneira Fátima se impôs à Igreja, que é já hoje multidão de dignitários eclesiásticos que sobre ela se pronunciaram. Seria impossível recolher num só volume, por maior que fosse, todos os depoimentos orais ou escritos que a Hierarquia prestou no caso de Fátima. «Não são apenas os bispos e os cardeais de Portugal. São os de toda Cristandade, com os sumos pontífices à frente (Bento XV, Pio XI e Pio XII, os Papas de Fátima).»

E o padre Messias Coelho aqui conclui:  “Depois de tantos documentos episcopais e pontifícios, alocuções, pastorais, cartas, etc., acerca das aparições da Cova da Iria, pode dizer-se que negar a realidade de Fátima quase equivale a negar o magistério ordinário da Igreja.”

«Se quisermos ser exactos, deveremos dizer que no fundo desta atitude de menosprezo pelas reveIações privadas, há um pedacinho de espírito protestante. Não porque se atribui à Bíblia, uma im­portância demasiada, mas porque se limita a Pala­vra do Deus. Fechando a porta às intervenções do Espírito Santo, através do magistério perene da Igreja, reduz-se a Escritura a um monumento do passudo, monumento grandioso, é certo, mas que não passará dum testemunho estático, duma espécie de mausoléu. Ora a Bíblia é muito mais do que isso. É a Palavra de Deus, Palavra, sempre actual (“sempre viva, Palavra de ontem, de hoje e de sempre, que, mercê da presença do Espírito Santo, se vai constantemente desdobrando em novos e cada vez mais profundos ensinamentos.

«Não se trata evidentemente dum aumento objectivo de verdades, mas apenas dum aumento subjectivo. Ou por outra, duma maior conscien­cialização da Palavra Divina. O que só virtual­mente estava revelado, passa a tornar-se sensível, a merecer maior atenção da nossa parte, tal como as imagens que uma criança recebe na primeira idade, sem de forma alguma as entender, se tor­nam progressivamente inteligíveis, com o desen­volvimento psíquico que acompanha o rodar dos anos.

É por isso que negar as aparições canonica­mente reconhecidas, equivale a negar, ou pelo menos, a restringir a presença inefável e luminosa do Espírito de Deus na Santa Igreja e, o que não será menos grave, a mutilar, ou a dificultar a acção do mesmo Espírito, dentro de nós próprios.

«ESTA PALAVRA «MENSAGEM»

«Por querer, ou sem querer, já várias vezes se tentou diminuir o valor da revelação da Cova da Iria, por causa desta palavra, MENSAGEM. O caso parece anedótico, mas realmente não o é. Quando se fala de La Salette, Lourdes, Pontmain, Banneaux, Beauraing, etc., o facto da apari­ção, considerada em si mesma, parece ser tudo — o resto, o diálogo entre a Virgem e os videntes assume uma importância, a bem dizer, secundá­ria. Esse é o motivo por que tantas vezes se men­ciona o nome daquele santuário, sem acrescentar mais nada. A Mãe de Deus manifestou-se ao Mundo e essa manifestação constitui, já de si, um testemunho da existência, do poder e da extensão extra-celeste do sobrenatural. Nisto se condensa uma grande parte da revelação feita naqueles santuários.

«Foi talvez por isso que em várias aparições, a Visão se manteve silenciosa e estática. Nem gestos nem palavras. A sua presença na Terra era tudo o que interessava.

«Que diferente, porém foi a atitude do Céu, na Cova da Iria! Também ali houve a presença do Sobrenatural, várias vezes e de vários modos expressa; mas houve além disso a palavra — pala­vra tao grande em extensão e em profundidade, que só quem não conheça o que Nossa Senhora disse e sugeriu na Cova da Iria, hesitará em chamar as aparições de Fátima, a maior revelação da história da Igreja, depois dos tempos evangélicos. A maior riqueza de Fátima está portanto na­quilo que a Mãe de Deus disse — ou por outras palavras — na sua mensagem.

«Não será porém um abuso falar-se de mensagem, a respeito de Fátima?

É aqui que têm naufragado vários teólogos sobretudo do estrangeiro. Partindo do princípio que mensagem significa novidade, como não há, nem pode haver novidades substanciais em Fátima, nem em qualquer outra aparição — S. Paulo frisou bem este ponto — concluem que em Fátima não há nenhuma mensagem e que só por abuso, ou ignorância, se poderá falar em mensagem de Fátima.

«Nada mais falso. Ainda que o vocábulo mensagem significasse coisa nova, ainda assim, havia motivo para se falar rigorosamente coisa nova, ainda assim, havia mo­tivo para se falar da mensagem de Fátima. Há com efeito, duas espécies de novidade — novidade de ideias e novidade de exposição, ou ex­pressão, das mesmas ideias. A primeira refere-se a coisas novas, a conceitos que antes se desconhe­ciam — esta foi a mensagem de Cristo, quando falou da Santíssima Trindade, da filiação divina do género humano, etc. coisas que o mundo igno­rava. A segunda refere-se à maneira de exprimir coisas ou conceitos já de si velhos, mas insuficien­temente apreciados, ou de certo modo esquecidos. Este é o caso de Fátima. Toda a gente sabe que o inferno é uma verdade do Evangelho. Contudo, no tempo das aparições, quantos não esqueciam esse dogma? Quantos pregadores se ocupavam dele ? Quantos filósofos o não negavam aberta­mente e quantos escritores, numa atitude de en­cantadora liberalidade e não menos infantil inge­nuidade, tentavam diminuir a dureza e a duração das suas penas? Fátima veio rectificar a doutrina e repor o dogma no seu lugar próprio e escriturístico. Mas há novidades maiores na Cova da Iria. No Evan­gelho fala-se do Coração da Mãe de Deus. Nunca nenhum teólogo porém sonhou que seria tão im­portante a consagração ao mesmo Coração Ima­culado dum país oficialmente ateu, como é a Rús­sia. Nunca ninguém supôs que Nossa Senhora tivesse tantos e tais direitos à reparação que pediu aos pastorinhos, pelos pecados cometidos contra o Seu Filho. Isto foi de certo modo uma novidade. A doutrina estava na Bíblia, mas só em botão. Fátima fê-la desabrochar. Trouxe-lhe mais luz, mais força, mais amplitude.

«Se não fosse Fátima, ainda hoje continuaríamos a duvidar, não só se Nossa Senhora teria direito a consagração da Rússia, como até se esse país lhe podia ser oficialmente consagrado. Mas ainda que Fátima não apresentasse nenhuma novidade deste ou doutro género, ainda assim teríamos razão para falar da mensagem de Fátima.»

A Verdade essencial da Mensagem de Fátima é a da Mediação universal de Maria!

SERÁ QUE A IGREJA SEM PAPA PERMANECE AINDA INFALÍVEL?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Debrucemo-nos sobre passagens da encíclica “Satis Cognitum”, promulgada pelo Papa Leão XIII, no dia 29 de Junho de 1896:

«Por isso Jesus Cristo convidou todos os mortais presentes e futuros, para que O seguissem como Salvador e Chefe, e não sòmente como indivíduos particulares, mas também como associados e realmente unidos, juntos de coração, para formar de uma multidão um povo jurìdicamente constituído em sociedade, e uno pela unidade da Fé, de meios, de Fim, e de hierarquia. Assim dotou a Igreja de todos aqueles princípios naturais que originam a sociedade humana, na qual os indivíduos atingem a perfeição própria da sua natureza; Ele pois conferiu à Igreja tudo o que é necessário para que todos os que queiram ser filhos adoptivos, possam conseguir uma perfeição conforme à sua dignidade, e obter a salvação. Portanto, a Santa Igreja, como mencionamos noutro lugar, é guia para as coisas celestes, e Deus a ela encarregou que providenciasse e estabelecesse o que diz respeito à religião, e que governasse com poder próprio, e com toda a liberdade, a sociedade cristã. Por isso, ou não conhecem bem a Igreja, ou caluniam-na, os que a acusam de querer intrometer-se nas coisas civis, ou invadir os direitos do Estado. Mais ainda, Deus fez que a Igreja fosse de longe superior a todas as outras sociedades; efectivamente, o Fim a que tende é muito mais excelso do que aquele ao qual tendem as outras sociedades, quanto a Graça supera a natureza, e os bens imortais superam os caducos (…)

É evidente que por vontade e mandato de Deus, a Igreja seja fundada sobre Pedro, como um edifício sobre seu fundamento. Ora a natureza e a força do fundamento consiste em fazer com que as diversas partes do edifício se mantenham ligadas entre si, e que à obra seja necessário aquele vínculo de estabilidade e firmeza, sem o qual todo o edifício cai em ruínas.

É portanto próprio de Pedro sustentar e conservar unida e firme a Igreja, num conjunto indissolúvel. Mas quem pode cumprir uma tarefa tão grave sem o poder de mandar, proibir e julgar, que verdadeira e pròpriamente se denomina Jurisdição? Efectivamente, sòmente em virtude desse poder se sustentam as cidades e os Estados. Uma primazia de honra, e aquela faculdade frágil de aconselhar e admoestar, que se denomina direcção, não podem ser muito úteis, nem para a unidade, nem para a firmeza. O poder de que falamos, nos é indicado e confirmado por estas palavras:

“E as portas do Inferno não prevalecerão contra ela”.»

 

A Igreja Eterna, na sua tripla condição – de militante, de padecente e de gloriosa, Pessoa Moral de Direito Divino, na plenitude da Sua Divina Constituição, já encerra, em si mesma, a Cátedra de São Pedro, com todas as suas prerrogativas de infalibilidade. Efectivamente, no plano de Direito, a Santa Madre Igreja nunca pode ser separada do seu orgão supremo.

A Igreja militante, temporal, detém, necessàriamente, a faculdade de legislar sobre o processo a empregar para dotar a Cátedra de São Pedro do respectivo suporte – o Papa.

Esse processo modificou-se um pouco ao longo do tempo, como é natural, pois não constitui, em si mesmo, matéria de Direito Divino Sobrenatural.

O Papa é Papa porque é o Bispo de Roma, e não o contrário; não se trata de um acaso, ou de um jogo de palavras. Na realidade é de DIREITO DIVINO A ROMANIDADE DA SANTA IGREJA CATÓLICA; mesmo durante o cativeiro de Avinhão (1307-1377) os Papas continuaram titulares da Diocese Romana. Isto acontece, porque São Pedro tendo ido para Roma, aí estabeleceu e centralizou verdadeiras estruturas episcopais, pelas quais, por inerência, passaram também a correr os assuntos concernentes à Igreja Universal. Por isso a Diocese Romana é a Mãe de todas as dioceses e a matriz da Catolicidade da Santa Igreja.

Neste quadro conceptual, o Bispo de Roma era eleito, nos primeiros mil anos da História da Igreja, como qualquer outro Bispo. É um erro gigantesco afirmar que em épocas passadas o Papa “era eleito democràticamente”. O que acontecia era que para a escolha de um Bispo, portanto também o de Roma, eram auscultados os desejos dos representantes mais qualificados do povo, e numa escala mais elevada, era também consultado o clero diocesano, mas quem decidia em derradeira instância eram os Bispos da Província Eclesiástica respectiva.

Já nos Actos dos Apóstolos (Act 6,3-7) observamos como os mesmos Apóstolos consultavam os representantes populares acerca de quem lhes parecia ser digno de receber o diaconado; e São Paulo, na primeira carta a Timóteo, dizia: “É necessário obter o bom testemunho daqueles que são de fora” (I Tim 3,7).

Dada a composição e estrutura da sociedade de então, uma tal consulta revelava-se um óptimo meio de evitar os indignos e captar as pessoas idóneas e piedosas.

Infelizmente o poder temporal logrou  intrometer-se na eleição do Papa. Tendo sido regularmente eleito o Papa São Bonifácio I (418-422); o Imperador Honório foi chamado a decidir pela validade da eleição, que havia sido contestada por um anti-papa de nome Eulálio. O resultado foi o próprio Bonifácio I haver solicitado ao Imperador, que velasse pela ortodoxia da eleição do seu sucessor, criando aí um precedente. Imitando São Bonifácio I, o Papa São Simplício (468-483) solicitou idêntica providência ao Imperador Odoacro.

Mais tarde, São Símaco (498-514), que também tivera como adversário o anti-papa Lourenço, socorreu-se igualmente da decisão arbitral de Teodorico, rei dos Ostrogodos, o qual vencera Odoacro, rei dos Hérulos. São Símaco no pleno uso dos seus poderes pontificais, concentrou no clero de Roma a faculdade de exprimir o voto consultivo sobre a eleição de um novo Papa, excomungando todos aqueles que preparassem a eleição de um novo Papa ainda em vida do seu antecessor.

Convém recordar que a faculdade, concedida pelos Papas, ao Imperador, para que este confirmasse a eleição papal, consistia numa ratificação extrínseca, a todo o tempo revogável, e que era concernente sobretudo ao EXERCÍCIO do Poder Pontifical, mais do que ao próprio pontificado em si mesmo.

O século X, na História da Igreja, foi o chamado século de ferro, e os especialistas não estão sempre de acordo sobre aqueles que devem ser considerados Papas ou anti-papas. É dessa época que nasceu a lenda anti-católica da “papisa Joana,” baseada numa péssima mulher, realmente existente, Marozia de seu nome, que rivalizava no mal com sua irmã Teodora; apoderando-se, pelos seus “casamentos,”dos destinos romanos, Marozia e Teodora fizeram e desfizeram vários “papas”; João X, por exemplo, foi mandado estrangular por Marozia; João XI, filho de Marozia e de Alberico I, senhor de Roma, foi (?) papa aos vinte anos (931-936), enquanto Alberico II, seu irmão governava temporalmente os Estados Romanos, sendo assim o Património de São Pedro dividido entre dois irmãos. Após o falecimento de João XI, seu irmão Alberico, no leito de morte, fez jurar a nobreza romana que elegeriam Papa, na primeira oportunidade, a seu filho Octaviano, que veio a chamar-se João XII. Existem as mais sérias dúvidas sobre a legitimidade desta eleição, como de outras na mesma época. Embora moralmente depravado, não consta que João XII tenha violado os seus deveres funcionais.

Mais tarde, já no século XI, houve três supostos Papas, que igualmente envergonharam a Santa Igreja de Deus: Bento IX, Silvestre III e Gregório VI; o primeiro, Bento IX, ABDICOU PARA SE CASAR, MAS COMO O CASAMENTO NÃO SE REALIZASSE, TENTOU READQUIRIR O SUPOSTO PONTIFICADO. Valeu à Santa Igreja, nessa época, o grande Imperador Henrique III (1046-1056), o qual convocou o sínodo de Sutri (1046) no qual conseguiu a abdicação de Gregório VI, e escorraçou, em aliança com o povo romano, Bento IX e Silvestre III. Ora uma assembleia eclesiástica pode declarar que A ou B não foram Papas, mas não pode depor nenhum Papa; donde se infere que Bento IX e Silvestre III NUNCA FORAM PAPAS.

É necessário acrescentar que a História Eclesiástica e a História civil são algo vacilantes quando estudam esta remota época, em que se agitam tenebrosas sombras, AS MAIORES DA HISTÓRIA DA IGREJA ATÉ AO VATICANO 2.

Seja como for, Henrique III conseguiu sanear a situação, e por sua influência directa foram eleitos – Clemente II, que outorgou ao Imperador a referida faculdade de ratificação da eleição Papal, Dâmaso II, e o grande Bruno de Toul, que veio a chamar-se São Leão IX. Note-se que este último Papa deixou bem claro que se considerava tal, fundamentalmente, pela eleição do clero e episcopado Romano, e não pela ratificação imperial.

Em 1059, o Papa Nicolau II (1059-1061) promulgou a Bula “In Domine Domini”na qual reformulava inteiramente o modo de eleição papal, confiando-a, em exclusivo, aos Cardeais Bispos, embora o eleito pudesse provir dos Cardeais presbíteros e dos Cardeais diáconos. O cardinalato emergira naturalmente ao longo dos séculos como dignidade e eminência nas funções Sagradas.  Outro aspecto de magna importância consubstanciou-se na clarificação da ratificação imperial como não constitutiva do próprio Pontificado, porque posterior à eleição e anterior à consagração; mas se até aí tal ratificação facultava EFICÁCIA JURÍDICA EXTRÍNSECA ao EXERCÍCIO do Poder Pontifical, de Nicolau II em diante passava a constituir mera formalidade honorífica de reverência para com o Imperador.

Desgraçadamente o filho de Henrique III, Henrique IV, era em tudo o contrário do pai; e toda a questão das investiduras se reduzia precisamente à luta do Romano Pontífice contra a intromissão de Jurisdições leigas na vida da Santa Igreja. Nunca a Santa Mãe Igreja podia conceber que os Bispos recebessem dos grandes senhores feudais, em associação com o feudo temporal, a própria instituição canónica, a qual só podia promanar do Papa. São Gregório VII (1073-1085), foi o grande triunfador moral da tirania de Henrique IV, e preparou o caminho para a concordata de Worms em 1122, entre Calisto II e Henrique V, a qual regularizou as relações do Poder Imperial com o poder eclesiástico, impedindo a Igreja de se feudalizar, isto é, de se secularizar, como simples instituição político-cultural. Em 1179, o grande Papa Alexandre III (1159-1181), na Bula “Licet de Vitanda”,  instituiu a regra dos dois terços de sufrágios necessários para a eleição do Romano Pontífice, terminando igualmente com a exclusão do direito de sufrágio, no Conclave, para os Cardeais presbíteros e Cardeais diáconos, questão essa que já havia provocado o cisma de Anacleto em 1130.

Em 1274, no segundo Concílio de Lyon, Gregório X instituiu o conclave, obrigando os cardeais à clausura, com os alimentos progressivamente racionados, até se proceder à eleição de um novo Pontífice.

Uma questão portanto se impõe: Em tempos de Sede Vacante, qualquer que seja a sua origem, como se manifesta a infalibilidade da Santa Madre Igreja?

O orgão Cátedra de São Pedro possui com o Salvador um vínculo de Direito Divino Providencial, indefectível, e perfeitamente intangível às vicissitudes históricas. Embora actualmente possa estar vago, isto é, não possuir suporte humano, conserva a potencialidade permanente para tal. Além disso a Santa Madre Igreja é quem faz o Papa, possuindo VIRTUALMENTE os poderes que o Papa possui actualmente. Um Concílio ecuménico, no caso de falecimento do Papa que o convocou, não tem poderes para proclamar uma canonização, todavia pode sempre ser eleito um novo Papa que a proclamará. Note-se que quando um Papa proclama uma canonização, a santidade do canonizado é uma verdade de Fé Eclesiástica Infalível. Todavia o Papa pode recusar canonizar uma pessoa que seja efectivamente santa. No caso da decisão ser negativa (não canonizar) – tal decisão não é infalível; pode ter havido uma falha no processo canónico, QUE NÃO É SUPRIDA NUMA DECISÃO NEGATIVA. Pode ainda o Romano Pontífice pensar que é inoportuna determinada canonização embora, em princípio, a pessoa em causa o mereça. Quantos santos há no Céu cuja santidade foi neste mundo apenas conhecida por Deus. A INFALIBILIDADE, NO SENTIDO MAIS ESTRITO, COBRE APENAS A DECISÃO POSITIVA.

Todos os poderes do Papa, ENQUANTO PAPA, existem pois virtualmente na Santa Igreja. Mas então, e se a Igreja não elege um Papa, como ficam os seus poderes? Sempre virtuais?

De modo algum. A Santa Madre Igreja é infalível no seu Magistério Universal Ordinário, o qual existe não só no espaço, mas de uma forma muito especial, no tempo; existe todo um Sagrado Património Dogmático, Moral e Filosófico, INFALÍVEL, E QUE NÃO É VIRTUAL, MAS PERFEITAMENTE ACTUAL. O que a Santa Igreja, SEM PAPA ACTUAL, NÃO PODE FAZER, É PROFERIR DEFINIÇÕES EXTRAORDINÁRIAS. Na realidade o Magistério extraordinário da Santa Mãe Igreja exerce-se em Concílio ecuménico, o qual só pode ser convocado pelo Papa; e todas as decisões desse Concílio, para se tornarem Magistério Extraordinário da Igreja, têm de ser, ao menos tàcitamente, aprovadas pelo Romano Pontífice.

O INAUFERÍVEL TESOURO DO MAGISTÉRIO UNIVERSAL E ORDINÁRIO DA IGREJA, ASSOCIADO ÀS INFINITAS RIQUEZAS DAS DEFINIÇÕES JÁ PROFERIDAS, EM DEZANOVE SÉCULOS E MEIO DE FÉ, DE ESPERANÇA E DE CARIDADE, APRESENTAM-SE COMO SUFICIENTES PARA SUPORTAR UM LONGO PERÍODO DE SEDE VACANTE; LONGO, MAS NÃO DEMASIADO LONGO, PORQUE A SANTA MADRE IGREJA, CUJA CABEÇA GLORIOSA É NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, NECESSITA, NA SUA PEREGRINAÇÃO MORTAL POR ESTE POBRE MUNDO, DE UMA CABEÇA VISÍVEL, TERRENA, COMO DERRADEIRA INSTÂNCIA E DERRADEIRO FUNDAMENTO DE UNIÃO SOBRENATURAL COM O PRINCÍPIO DE TODA A VERDADE E DE TODA A SANTIDADE – NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.        

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Agosto de 2014

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

NÃO ÀS DETURPAÇÕES DO CATECISMO E DA TEOLOGIA

  • O novo catecismo» ensina que Cristãos e Judeus devem esperar  «analogamente» juntos a vinda de Messias (nº 830). Assim, a fé na volta de Nosso Senhor Jesus Cristo seria posta ao lado da crença que nega Sua vinda.
  • O que pode manifestar essa deturpação da Verdade em forma de catecismo? De qual Igreja ou Sinagoga pode vir isso?

*  *   *

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«Ainda que seja sumo e pleno o poder de Pedro, não se julgue, contudo, que ele seja o único. Com efeito, Aquele que estabeleceu Pedro como fundamento da Igreja, “elegeu também doze, a que chamou Apóstolos”(Lc 6,13). Como é necessário que a Autoridade de Pedro se perpetue no Bispo de Roma, assim os Bispos, como sucessores dos Apóstolos, herdam deles o Poder Ordinário, e portanto a Ordem Episcopal, pertence necessàriamente à constituição íntima da Santa Igreja. Ainda que eles não tenham uma autoridade suma, plena e universal, contudo não se devem julgar como simples “vigários” do Bispo de Roma, PORQUE TÊM UM PODER PRÓPRIO, e com razão devem ser considerados “présules” ordinários dos povos que regem.

Porém como o sucessor de Pedro é sòmente um, e os sucessores dos Apóstolos são muitos, é conveniente que se veja quais são as relações, por Constituição Divina, destes com aquele.

E em primeiro lugar é certa e evidente a necessidade da união dos Bispos com o Sucessor de Pedro; pois dissolvendo-se esse vínculo, necessàriamente se dissolve e se dispersa a própria multidão dos cristãos, de modo a não poder formar de nenhuma maneira um só corpo e um só rebanho. ” A saúde da Igreja depende da dignidade do Sumo Sacerdote, e se não se lhe dá um poder especial e superior a todos, haverá na Igreja tantos cismas quantos são os sacerdotes”(São Jerónimo). É bom, portanto, advertir QUE NADA FOI CONFERIDO AOS APÓSTOLOS SEPARADAMENTE DE PEDRO, MAS MUITAS COISAS A PEDRO SEPARAMENTE DOS APÓSTOLOS. João Crisóstomo, ao comentar a afirmação de Cristo (Jo 21,15) pergunta-se: “Por que Cristo, deixados os outros, fala destas coisas sòmente a Pedro? E responde: “Porque era o primeiro entre os Apóstolos, a boca dos discípulos, o chefe do seu Colégio. Com efeito, sòmente ele era designado por Cristo como fundamento da Igreja; a ele fora entregue a faculdade de ligar e de desligar, era o único ao qual fora dado APASCENTAR; pelo contrário, quanto de autoridade e de ministério receberam os Apóstolos, o receberam juntamente com Pedro: “Se a condescendência Divina quis alguma coisa fosse comum entre ele e os outros príncipes(Apóstolos), NÃO CONCEDEU, A NÃO SER POR ELE,,AQUILO QUE NÃO NEGOU AOS OUTROS. TENDO RECEBIDO SÒZINHO MUITAS COISAS, NADA PASSOU PARA OUTROS, SEM A SUA PARTICIPAÇÃO” (São Leão Magno).»

Um dos grandes escândalos do actual combate anti-seita conciliar e anti-papas da morte de Deus consiste no recurso incessante a revelações privadas antigas ou modernas. Assinale-se que a Providência Divina só extraordinàriamente recorre a essas revelações, nas quais, em rigor, o bom católico é livre de não acreditar, por não integrarem o Tesouro da Revelação Sobrenatural, ou seja da intervenção, essencial, objectiva, positiva e de Direito de Deus na História humana, comunicando-nos, providencialmente, o Lume da Sua Verdade e Santidade, em ordem à Sua Glória e à Salvação dos homens. As revelações denominadas particulares são intervenções Divinas, não de Direito, mas de facto, não essenciais, mas acidentais, MAS QUE EXPRIMEM CARACTERIZADAMENTE, A DELICADEZA, A MISERICÓRDIA SUBLIME DA PROVIDÊNCIA; nada podendo acrescentar, ou cercear, à Revelação própriamente dita.

É conhecido como continuam, por esse mundo fora, a existir “papas” que se dizem constituídos directamente por Nosso Senhor Jesus Cristo, em Revelações particulares. ORA ISSO É TEOLÒGICAMENTE IMPOSSÍVEL E ABSURDO; vejamos porquê:

Nunca uma revelação particular pode interferir, de Direito, no governo Sobrenatural da Santa Madre Igreja, nem modificar ou interpretar o Direito Canónico, nem explicitar, de qualquer modo que seja, a Revelação pròpriamente dita, ou o Direito Divino Sobrenatural. Argumentar-se-á: Mas Nossa Senhora de Fátima pediu a Devoção dos primeiros Sábados, e a Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração; não serão estes actos eminentemente religiosos?

Nossa Senhora, com estas solicitações, nunca podia interferir na Jurisdição do Papa e dos Bispos; manifestou apenas um desejo do Céu, desejo, sem dúvida, incorporado na economia da Divina Providência, MAS NUM PLANO DE FACTO E ACIDENTAL, NÃO INTRÍNSECO E ESSENCIAL. Sem dúvida que os Papas cometeram um grande erro não escutando os desejos do Céu, mas não SE TRATOU DE UM ERRO CONSTITUTIVAMENTE FUNCIONAL DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO, NEM UM ERRO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO; FOI UMA FALTA DE DEVOÇÃO PESSOAL DOS PAPAS, COM REFLEXOS GRAVES NA VIDA DA IGREJA E DO MUNDO.

O Bom Católico que rejeita Fátima, não comete qualquer heresia, nem sequer está próximo da heresia, nem vai contra uma conclusão teológica, ou contra um facto Dogmático, MAS DEMONSTRA UMA MUITO ACENTUADA FALTA DE DEVOÇÃO, QUE PODE INFLUIR NA ECONOMIA DE FACTO DA SUA VIDA SOBRENATURAL – DEBILITANDO-A, OU ELIMINANDO-A.        

A DEVOÇÃO ESTÁ PARA A VIRTUDE DA RELIGIÃO, COMO O PLANO DE FACTO ACIDENTAL ESTÁ PARA O PLANO DE DIREITO ESSENCIAL.

Ora o que acabámos de referir, é valido igualmente para as Aparições de Nosso Senhor Jesus Cristo. JAMAIS NOSSO SENHOR PODIA VIR À TERRA PARA DESIGNAR UM SEU VIGÁRIO, SEJA EM QUE SITUAÇÃO FOR, MESMO NA TRAGÉDIA IMENSA QUE ESTAMOS A VIVER. PORQUE ISSO SERIA INTERFERIR DIRECTAMENTE EM REALIDADES QUE DEUS NOSSO SENHOR DEIXOU ENTREGUES À PRUDÊNCIA E À SABEDORIA DOS HOMENS, SEMPRE AUXILIADOS, EVIDENTEMENTE, PELA GRAÇA DIVINA.

A ESCOLHA DO PAPA, E SEUS PROCESSOS, COMPETE ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE À IGREJA MILITANTE, PORQUE SÓ NESTA O ROMANO PONTÍFICE POSSUI JURISDIÇÃO. NESTE QUADRO CONCEPTUAL SE AFIRMA QUE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E O SEU VIGÁRIO CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA DA IGREJA MILITANTE, VISTO O PAPA NÃO SER CABEÇA DA TOTALIDADE DO CORPO MÍSTICO, O QUAL SE ESTENDE TAMBÉM AO REINO DOS CÉUS E AO PURGATÓRIO.

É conhecido como todas as Aparições são submetidas a um crivo muito rigoroso, nos planos Dogmático, Moral, e da sã Filosofia; qualquer óbice neste sentido obriga a excluir de imediato a origem Divina a essa Aparição. Todavia, mesmo que uma Aparição não contenha nada contra a Fé e a Moral, não significa que seja verdadeira. Compete ao senhor Bispo da Diocese, onde ocorreu determinada Aparição, pronunciar-se em definitivo pelo valor dessa Aparição. Trata-se aqui de uma DECISÃO, EM SI MESMA, HUMANA, SOBRE UM ACONTECIMENTO TERRENO, MAS TOTALMENTE ILUMINADA PELA FÉ E PELA GRAÇA DE ESTADO DO BISPO EM CAUSA. Quando acreditamos em Fátima e em Lurdes, procedemos com uma crença humana, embora integralmente enquadrada pela Fé Sobrenatural.

Do que fica dito, bem podemos deduzir o quão perniciosa é a vivência da Religião quando baseada em “revelações” que não tenham sido absolutamente certificadas pela autoridade eclesiástica, e até, como no caso de Fátima e Lurdes, ratificada pela própria autoridade do Romano Pontífice, sobretudo Pio XI e Pio XII, embora a título de Magistério autêntico.

Ainda que incorra no risco de desagradar a certas pessoas, devo chamar a atenção para erros graves, para não dizer heresias, que se encontram nas revelações da Bem-Aventurada Ana Maria Taigi. Quando se lê, como palavras de Nosso Senhor: “Desdenha dos santos modernos e dedica-te só aos antigos”; ISTO É UMA HERESIA, PORQUE A SANTA MADRE IGREJA, NA PESSOA DO ROMANO PONTÍFICE É INFALÍVEL EM TODAS AS CANONIZAÇÕES, E TODAS ELAS SÃO JURÍDICO-TEOLÒGICAMENTE IGUAIS. É perfeitamente legítimo os fiéis sentirem mais afinidades com um santo do que com outro; sem dúvida que há santos mais perto de Deus do que outros; mas a expressão empregue é herética. Nessas pseudo- visões Nosso Senhor utiliza conceitos e expressões indignas do Verbo Encarnado; é inaudita a forma como são referidos os Sucessores de Pedro. A referência a uma conversão geral de todo o mundo, tornado uma espécie de Paraíso terrestre, sofre influências do milenarismo, e de qualquer modo, contradiz a Revelação Evangélica do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a qual, o mundo é, e seria sempre, o principal inimigo da alma, e que na época da Parúsia a Fé estaria como que reduzida à expressão mais simples. Assinale-se que a Bem-Aventurada Ana Maria Taigi era analfabeta, como a grande maioria das mulheres do seu tempo, e que o texto das revelações foi escrito por um seu secretário, sacerdote. De qualquer modo, Ana Maria Taigi nunca foi canonizada, portanto a infalibilidade da Santa Madre Igreja nunca foi comprometida neste caso.

Que o Catecismo possa constituir o núcleo fundamental da nossa vida religiosa, da nossa ascensão Sobrenatural; e para os mais cultos, também Santo Tomás, sobretudo na sua Suma Teológica, possa constituir nutrimento salutar para a nossa alma, quer na ordem intelectual, quer na ordem doutrinal.

Santo Tomás possui a Sabedoria de distinguir, mas não separar, a Teologia da Filosofia; a Teologia Dogmática da Teologia Moral; o resultado é um monumento orgânico, essencialmente, objectivamente, indissolúvel, infrangível, perene até ao fim dos tempos – e por toda a Eternidade; porque harmoniza, com absoluta objectividade, a Verdade e a Santidade da Revelação, do Pensamento Divino, com o mais sublime zénite a que pode chegar a inteligência humana, iluminada pela Graça e pelos Dons do Espírito Santo.

Recordemos que o diabo é o pai da mentira, o autor de todas as falsas revelações, de todas as confusões, de todos os ardis.

O autor deste artigo, iludido por falsas informações, deslocou-se a Palmar de Troya, em 1978, mas apenas para sentir o mau odor de satanás; mas também lá encontrou almas de boa fé oriundas da Austrália. Os mais reputados autores de Doutrina Ascética e Mística, ensinam que os enganos de satanás começam por possuir um certo encanto – MAS PROGRESSIVAMENTE VÃO REVELANDO UM ODOR HORRÍVEL; foi precisamente o que me aconteceu em Palmar de Troya.

Quem não souber – com a inteligência habitualmente elevada pela Fé Teologal, e o coração ilustrado pela Caridade – o Catecismo Católico, jamais poderá abismar-se sobrenaturalmente nos Mistérios de Fátima; esta constituirá sempre para essa alma uma espécie de conto de fadas, como aliás, desgraçadamente, também sucederá com todo o Dogma Católico.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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