Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

GNOSE NA «NOVA TEOLOGIA DE BAIXO» DE RATZINGER, ignorada pelo P. Paulo Ricardo?

Arai Daniele piero-della-francesca

Quem seguiu a nossa publicação do estudo de Dom Antônio de Castro Mayer sobre a «Nova Teologia», já se inteirou de como essa novidade teologal pretende tratar o sobrenatural sem seguir a estrutura filosófica tomista aristotélica, que começa por definir a verdade. Dirão, como faz o PP. Ricardo, que repete sempre: esta é outra filosofia, decadente, ou seja a neo-tomista leonina, pois sua aplicação católica foi defendida pelo papa Leão XIII e sucessores. Por exemplo pelo papa Pio XII e teólogos como o P. Garrigou Lagrange e o mesmo Dom Mayer. Santo Tomás não seria, ele mesmo «tomista» dessa escola, mas muito mais agostiniano.

Sobre a visão teológica do Autor da Suma, não há dificuldade em qualificá-la de insuperável, pois, pode ser traduzida inteiramente para a atualidade, como para qualquer tempo. Não há dúvida, pois, que reaver a sua acuidade em autores do presente é impossível, mas o esforço de aplicar o seu avançado pensamento universal aos tempos modernos é mais que louvável.

O “tomismo leonino” quer ser isso bem ou mal. Ao contrário, a «nova teologia» é outra coisa; é pretensão de retorno às fontes, o dito «ressourcement spirituel», no desprezo de tudo o que se ordenou no campo da religião nestes séculos, com a desculpa de superar a fixidez tradicional, especialmente no rigor do Magistério.

Como se pode verificar, em períodos em que o pensamento humano passa por fases por assim dizer transitórias, senão decadentes, esse rigor é desprezado; opta-se pela imaginação e pela novidade. Foi o tempo que precedeu as revoluções européias, especialmente a francesa. Nessa época, em matéria de pensamento religioso, preferia-se um vago agostianismo ao tomismo. Para depois deixar também aquele a favor de uma falsa idéia enciclopédica. Inaugurava-se o tempo do cientificismo. A ler a tal grande enciclopédia, até Voltaire deu boas risadas por algumas besteiras que queriam fazer passar por ciência.

E não haveria que tentar essa revolta do «conhecimento científico» também em religião? É claro que na idade moderna esta tentação era cada vez mais forte para tentar desfazer o que se pretendia fossem os tabus da Escritura sobre a Criação com o evolucionismo. Um dos acontecimentos religiosos nesse sentido, que interessou os novos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade do pseudo cientista e místico, o jesuíta Teilhard de Chardin (1881-1955), inventor de um sistema teológico conhecido como «teologia da evolução»!

Este teólogo foi justamente impedido de publicar seus livros, considerados pela igreja católica como nocivos e de conteúdo hereticoide. Precisou vir o Vaticano 2 para inverter tudo. Mas já então seus comentaristas mais apaixonados eram protestantes ou o d. Hélder Câmara, encantado por sua personalidade humanitarista, que se serviu de sua ordem durante toda a  vida.

O ambiente cultural jesuítico sempre casou bem com o seu evolucionismo literário. Sim, porque os mais argutos analistas críticos de sua obra, concordam trata-se de ficção científica.

De fato, a proposta «teológica» de Teilhard de Chardin, que parte da evolução, a qual ele chama de “luz que ilumina todos os fatos, curva a que devem seguir todas as linhas”, tem como ponto de convergência «cristã» o que chama de “lei da consciência e da complexidade”, com a tendência de evolução por parte da matéria, que a faz tornar-se cada vez mais complexa!

Processo, segundo ele, resumidos em => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. Segue em milhares de séculos a «noosfera», que significa a «camada mental» e a «hominização», fase em que o seu processo evolutivo «adquire consciência de si mesmo»! Ai entra a sua etapa final e Teilhard começa a se apoiar na teologia para ver o futuro da evolução no «ponto Alfa»; que converge no que chama de Ponto Ômega = a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. Deus aparece como causa final, mais que causa eficiente do universo, dando perfeição a tudo em Cristo: centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. O Cristo ponto Ômega. (veja «O Ômega da liturgia conciliar; lançar em órbita o sacerdócio católico!» PRM.

A razão não seria exclusividade humana, mas propriedade geral da vida. Eis uma teologia reflexo da idéia naturalista e panteísta contrária a Bíblia e também à razão. Ela divaga pelas elucubrações de um universalismo panteístico, prometendo um «happy end» para tudo e para todos, sem nenhuma alusão à graça de Deus; uma das razões da sua difusão, pois o homem moderno aceita qualquer entorpecente que se apresente em nome da ciência.

É claro que isto ia agradar ao otimista e bonachão Roncalli e a uma hierarquia decadente, a tal ponto que, apesar do disfarce das palavras ambíguas, influenciou em cheio o Vaticano 2. Hoje é a mesma Rádio Vaticana, «voz do papa e da Igreja em diálogo com o mundo», a confirmara a «influência do pensamento de Teilhard de Chardin no Concílio Vaticano II»:

«05/06/2013, Cidade do Vaticano (RV) – No Quadro Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a refletir sobre os elementos presentes na Igreja e na sociedade que criaram condições favoráveis à Convocação do Concílio Vaticano II. Destacaremos hoje, o pensamento de Teilhard de Chardin… considerado o primeiro católico de projeção universal no campo da ciência a assumir uma posição totalmente positiva em relação à teoria evolucionista … suas proposições conseguiram conciliar e sintetizar o que parecia ser contraditório e dual: a idéia de criação e evolução.» Depois há quem lembre que ele continuava «condenado» pelo prefeito do s. Ofício, ainda sob Roncalli, João 23; tudo era já então pura aparência.

TEILHARD DE CHARDIN E AS NOVAS TEOLOGIAS

Quem se aprofundou no estudo das ligações da «nova teologia» de De Lubac e companhia com a gnose, como é o caso do P. Ennio Innocenti, descreve esse «vespeito teologal» desde suas remotas origens. Aqui não há espaço para essa erudita análise, Mas quem se quiser aprofundar nessa muito interessante questão, tem hoje a disposição um duplo compêndio em italiano, verdadeiro dicionário da matéria sobre as origens gnóstica da «nova teologia»; Padre Ennio Innocenti, «La Gnosi Spuria» (Città Ideale, Prato, 2013, p. 92 ss). «7.1. H. De Lubac : “Il Rinascimento di Pico della Mirandola come «alba incompiuta»”.

Ai é descrito como se desenvolveu a partir do «humanismo renascentista» a «gnose conciliar». (LA GNOSI DELLA «NUOVA TEOLOGIA» MONTATA DALLO SPIRITO DEL VATICANO 2)

Hoje, depois de sessenta anos da implementação desastrosa da Vaticano 2, muitos ainda acreditam que, nesse contexto, a luta contra a Tradição apoiada pela eterna Roma foi motivada apenas pelo espírito protestantizzante representada pelos grandes prelados do Reno. Eles eram os portadores da rebelião à Cúria e, portanto, ao que derivava do poder de Pedro. Para neutraliza-lo mobilizaram seus grandes oráculos teologais, quais Rahner, Ratzinger e similares para mais tarde virarem a mesa dos esquemas preparados durante dois anos.

Mas se eles puderam fazê-lo e também alterar o que era predeterminado pela lei da Igreja a propósito, é porque tinham o consentimento de João 23, assim como este tinha antes, por sua vez, silenciosamente anulado decisões dos Papas, Pio XI e Pio XII sobre o ecumenismo tendo mais que consentimento da Maçonaria. Tudo acontecia em ação concertada para o domínio da utópica teologia modernista, aberta a uma nova ordem mundial, em detrimento da Ordem Cristã.

Vamos brevemente ver os estágios dessa inversão planeada pelo Vaticano 2 em dois níveis: – político – liquidar a condenação do que era a “intrinsecamente perversa ideologia, com a qual não é aceitável nenhuma colaboração em qualquer campo com o comunismo, por qualquer um que queira salvar a civilização cristã”. Em termos políticos com o pérfido acordo de Metz, de não condenar o comunismo no Vaticano 2 como está na Enc. «Divini Redemptoris», Pio XI, 1937) em troca da vinda de alguns popes ortodoxos autorizados a vir a Roma pelo governo soviético;

– No nível doutrinal, revertendo a convicção da “Nova Teologia” (TL) condenada pela Enc. Humani generis de Pio XII (1950). João 23 fê-lo, convidando aqueles teólogos, afastados todos do ensinamento por causa dessa doutrina desviada, para serem conselheiros do concílio. São eles: Henri de Lubac, Jean Daniélou, Chennu O.P., Hans Urs von Balthasar, Yves Congar.

Pois bem, segundo De Mattei na sua história do Vaticano 2, Congar reivendica no seu diário a paternidade parcial ou total de muitos de seus documentos: Lumen Gentium, De Revelatione, De ecumenismo, Declaração sobre as religiões não cristãs, Schema XIII [Gaudium et Spes], De Missionibus, De Libertate religiosa, de presbyteris”.

Pode-se realmente ver as suas pegadas nesses documentos e outros relacionados. Sua seria uma obra divina para construir aquele admirável novo mundo no auge da dignidade do ser humano moderno emancipado. Este plano obscuro está resumido em palavras mais explícitas numa única ordem global para as duas cidades descritas por Santo Agostinho, o plano passou após uma longa viragem teologal, por exemplo, no texto de “Gaudium et Spes”:

  • 40c) Diálogo entre a Igreja e o mundo – Esta compenetração da cidade terrena com a celeste só pela fé se pode perceber; mais, ela permanece o mistério da história humana, sempre perturbada pelo pecado, enquanto não chega a plena manifestação da glória dos filhos de Deus. Procurando o seu fim salvífico, a Igreja não se limita a comunicar ao homem a vida divina; espalha sobre todo o mundo os reflexos da sua Iuz, sobretudo enquanto cura e eleva a dignidade da pessoa humana, consolida a coesão da sociedade e dá um sentido mais profundo à quotidiana atividade dos homens. Ela pensa, assim, que por meio de cada um dos seus membros e por toda a sua comunidade, muito pode ajudar para tornar mais humana a família dos homens e a sua história. Além disso, ela muito aprecia a contribuição que as outras igrejas cristãs ou comunidades eclesiais têm dado e continuam a dar para a consecução do mesmo fim. E está também firmemente persuadida de que pode receber muita ajuda, de vários modos, do mundo, pelas qualidades e ação dos indivíduos e das sociedades, na preparação do Evangelho. A seguir expõem-se alguns princípios gerais para promover convenientemente o intercâmbio e a ajuda recíproca entre a igreja e o mundo, nos domínios que são de algum modo comuns a ambos.

‘A consecução do mesmo fim’ implica aqui pelo menos uma contradição, pois ou a prioridade deste fim é a Fé, ou a consecução de uma concórdia terrena. Ora, a prioridade cristã está no ensinamento evangélico: ‘Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, tudo o mais vos será dado por acréscimo’ (Mt 6, 33). E a Igreja sempre ensinou que o primeiro fim que o cristão deve almejar para a sociedade é o triunfo da Fé, que tem por consequência tudo o mais: a fraternidade humana, na harmonia também terrena. Mas aqui o fim almejado não é o da Fé vista a colaboração e intercâmbio com outras igrejas e com o mundo agnóstico, o que significa com outras crenças. O fim prioritário de todas estas, por assim dizer cidades, só poderia ser pois os valores e a felicidade mundana.  Então, somente cidades que aceitam ‘idéias religiosas’ afins podem falar de compenetração; impossível para Santo Agostinho.

Q este ponto, sabemos que a influência para a mutação teológica do Vaticano 2 não veio apenas da escola de Karl Rahner ou mesmo vagamente da ficção de Teilhard de Chardin, mas de grupos de modernistas como Roncalli relacionadas com estes da “nova teologia”, dito “ressourcement”, do qual o brasileiro P. Paulo Ricardo é adepto, sendo discípulo de Ratzinger.

Este grupo inicialmente se tinha aliado aos rahnerianos cardeais do Reno. Entre eles figurava Joseph Ratzinger, que com Rahner colaborou para escrever o padrão de “Dei Verbum”, obra decisiva na nova maneira conciliar de ler a Revelação. Mas depois de um curto período de tempo, Ratzinger tornou-se ciente das diferenças com o “mestre”, que era de outro planeta! Tanto que ele deixou a importante revista “Concilium” com a qual colaborou junto a Rahner e Edward Schillebeeckx, para inaugurar outra, “Communio”, juntamente com os da NT.

É bom, em seguida, ir mais fundo na origem e essência desta “Nova Teologia”, condenada pela “Humani Generis” de Pio XII, em 1950, e agora dominante. Basta pensar que os teólogos chamados por João 23 para preparar o Vaticano 2 tornaram-se guias doutrinais, bem como para os seus produtos, tais como a “Redemptor hominis” João Paulo 2º, que, eventualmente, os recompensou, fazendo-os cardeais, de Lubac, Congar e Von Balthasar.

Os autores de obras condenadas por Pio XII, algumas décadas mais tarde, eram promovidos e honrados pelos “papas conciliares». O que aconteceu! Eles ou o Papado tinha mudado? E que todos os católicos e aceitem! Perdeu-se a memória ou aceitou-se a mudança de religião?

O ponto central da «gnose» das grandes mudanças sempre foi: uma nova dignidade humana! Mas não será esta, fora e contra o conceito evangélico de filhos de Deus, a tentação original de «ser como deuses»?

Seguindo a origem gnóstica da «nova teologia» de De Lubac exposta pelo Padre Innocenti, («La Gnosi Spuria», veja «7.1. H. De Lubac : “Il Rinascimento di Pico della Mirandola come «alba incompiuta», veremos que o ideal de transformação eclesial vem de longe e ficou incompleto. Ali vemos toda a magia obscura dos poderes ocultos representados no famoso quadro de Piero della Francesca etiquetado «Madonna e Santi e Federico da Montefeltro» (1472-1474): precisamente, o pêndulo (um ovo? O ovo cosmico?) que pende sobre a «cheia de graça», «Venus» do tempo da Redenção. No geometrismo de Piero della Francesca encontra-se este particular; uma expressão de tensão metafísica – como observado por muitos autores -, quase a querer significar um «centro» absoluto, um lugar divino. Aqui, porém, sob o pêndulo, não está a Virgem Mãe «umile ed alta più che creatura», mas o nome do «humanista místico» Pico della Mirandola (da aurora inacabada = do culto do homem).

De Lubac (apaixonado pela idéia, garante o apresentador Bouyer, fala de Pico, de seus ideais e de sua importância em alguns de seus escritos.» em seu tempo, a obra do conde della Mirandola, foi considerada pouco aceitável e o papa Inocêncio VIII ordenou uma comissão para seu exame e das teses a ela contrárias. Três teses de Pico foram consideradas heréticas e três com sabor de heresia, e outras sete com censuras diversas. Na base dessa análise o Papa proibiu a disputa… ao invés, em seguida as teses foran publicadas fora da Itália devido à má fé de Pico. Mas Lorenzo o Magnífico o protegeu em Florença.» detalhes anotados por De Lubac.

Faz falta hoje entre nós do Orlando Fedeli, para a análise dos neo-gnósticos, que demonstre como esses erros da gnose chegam até nós para desvirtuar a Fé. Alguém dirá: se trata só de teses teóricas! Sim, mas com elas se passou do Culto a Deus a diversos cultos à alta dignidade do homem, que tudo acaba por justificar; até interpelar Deus como fez Ratzinger, cultor da NT e de Paulo 6 em Auschwitz: – “Onde estava Deus que permitiu todos esses males”!

E quando a gnose penetra na Sede da Igreja, mesmo se tudo parece aceitável para muitos, mesmo Bergoglio, o que ocorreu foi uma inversão religiosa que criou a nova religião do culto humano na completa compenetração da Cidade de Deus com a Cidade do homem (veja Gaudium et Spes). Nela, não é mais Deus que julga os homens, mas os prelados que se permitem interpelar Deus!

A SABEDORIA DO PRESÉPIO

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O NATAL DE SANTO ESTEVÃO NO SEU MARTÍRIO

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “QuamQuam Pluries”, promulgada em 15 de Agosto de 1889:

Com efeito, nos momentos difíceis, e de maneira particular, quando o poder das trevas parece tudo ousar para a ruína da Religião Cristã, a Santa Igreja costuma invocar e suplicar, com fervor e constância maior, a Deus, seu Fundador e Protector, interpondo também a intercessão dos santos, e especialmente da Virgem Mãe de Deus, porque da protecção deles espera o mais válido apoio aos seus interesses. E cedo ou tarde manifestam-se  os frutos das orações piedosas, e das esperanças que ela pôs na Bondade de Deus.

Ora, Veneráveis irmãos, vós conheceis as adversidades do nosso tempo, QUE É BEM MAIS PREJUDICIAL PARA A RELIGIÃO CRISTÃ DO QUE AQUELES QUE PASSARAM. VEMOS COMO NUM GRANDÍSSIMO NÚMERO DE FIÉIS DESABA A FÉ, FUNDAMENTO DE TODAS AS VIRTUDES CRISTÃS; RESFRIA-SE A CARIDADE; A JUVENTUDE CRESCE NA DEPRAVAÇÃO DOS COSTUMES E DAS IDEIAS; A IGREJA DE CRISTO É ASSALTADA POR TODO O LADO COM A VIOLÊNCIA E A FRAUDE; FAZ-SE UMA GUERRA FEROZ AO PONTIFICADO; COM OUSADIA CRESCENTE CORROEM-SE OS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS DA RELIGIÃO. Não é preciso demonstrar, por ser demasiado conhecido, até que ponto se chegou nesta descida, nos derradeiros tempos, e o que se quer fazer de pior ainda. (…)

Na bondade materna de Maria, sabemos encontrar um refúgio seguro, e temos a certeza de que a nossa esperança nela não é vã. Se, em centenas de outras ocasiões, particularmente graves para o cristianismo, ela fez sentir a eficácia da sua ajuda, por que deveríamos duvidar que não queira repetir as provas do seu poder e do seu favor, quando os fiéis, todos juntos em humildade de espírito, e com constância, a invocarem. (…)

Os motivos pelos quais São José é expressamente considerado Padroeiro da Igreja, e pelos quais, por sua vez, a Santa Igreja espera da sua protecção e intercessão uma ajuda poderosíssima, devem ser procurados no facto de ele ter sido Esposo de Maria e Pai legal de Jesus Cristo. É daqui que se originam a sua dignidade, a sua Graça, a sua Santidade e a sua Glória. Com certeza, a dignidade da Mãe de Deus é tão sublime que não se pode encontrar nada de mais excelso. Mas é também verdade que assim como São José está ligado a Maria pelo vínculo conjugal, ninguém, mais do que ele, se aproximou daquela dignidade excelsa, que situa a Mãe de Deus acima de todas as criaturas. Com efeito, o matrimónio, entre todas as sociedades e uniões, forma aquela mais íntima, da qual naturalmente deriva uma participação recíproca dos bens entre os cônjuges. Por isso, se Deus escolheu José como esposo da Virgem, com isso não sòmente o tornou campanheiro da sua vida, testemunha da sua virgindade, defensor da sua honestidade, mas pelo motivo da própria sociedade conjugal, o tornou também participante da sua dignidade sublime.

Consequência espontânea dessa sua dúplice dignidade, eram os deveres naturalmente próprios dos pais de família, pelos quais sendo José chefe dessa família, ERA TAMBÉM O GUARDIÃO, O ADMINISTRADOR, O DEFENSOR LEGÍTIMO E NATURAL. Efectivamente, ele cumpriu, durante a sua vida, esses deveres e encargos. Com sua solicitude terníssima e amorosa de cada dia, JOSÉ SEMPRE DEFENDEU SUA ESPOSA E O FILHO DE DEUS; para ambos proporcionou com o seu trabalho a alimentação e tudo o que é necessário à vida. SALVOU AO FILHO A VIDA AMEAÇADA PELO CIÚME DE UM REI, PROCURANDO-LHE UM REFÚGIO SEGURO; E NOS INCÓMODOS DAS VIAGENS, NAS ASPEREZAS DO EXÍLIO, FOI SEU COMPANHEIRO CONSTANTE, A AJUDA E O SUSTENTO DA VIRGEM E DE JESUS.

Ora essa casa Divina que José dirigiu com funções paternas, continha em germe a Igreja nascente. A Virgem Santíssima é Mãe de Deus, mas é também Mãe de todos os Cristãos, que gerou no Calvário, no sofrimento infinito do Redentor, Jesus Cristo é, de certa forma, O PRIMOGÉNITO DOS CRISTÃOS, QUE LHE SÃO IRMÃOS POR ADOPÇÃO E REDENÇÃO.»

 

A Sabedoria, a verdadeira Sabedoria, tal como foi expendida nos Livros Sapienciais, portanto ainda no Antigo Testamento, mas que foi essencialmente enriquecida pela Revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo, numa participação muito mais profunda na Natureza Divina, na Inteligência Divina, na Caridade Divina. A Sabedoria de que falamos, NADA TEM A VER COM A SABEDORIA TERRENA E PURAMENTE HUMANA, MESMO LEGÍTIMA; não depende dos dons da inteligência natural, nem da cultura haurida nas escolas e universidades deste pobre mundo. Porque a Sabedoria de que falamos SÒMENTE DEUS A PODE FACULTAR; e tanto é assim, que o Dom do Espírito Santo mais nobre e importante, de certo modo constituindo a raiz de todos os outros, é precisamente o Dom da Sabedoria ou Sapiência.

Os Dons do Espírito Santo estão ao serviço do aprimoramento das Virtudes Teologais e Morais, todavia, não se devem confundir com estas. Efectivamente, enquanto nas Virtudes são as nossas faculdades, que com o auxílio de Deus, produzem elas próprias pensamentos e volições; nos Dons do Espírito Santo é o próprio Deus Nosso Senhor que enxerta directamente esses pensamentos e essas volições nas nossas faculdades, às quais compete acolhê-los (ou não) mediante Hábitos Sobrenaturais receptivos, depositados em nós com a Graça Santificante. Neste quadro conceptual, as Virtudes são mais nossas mas participam menos de Deus, os Dons são menos nossos mas participam mais de Deus. Mas É PELAS VIRTUDES E PELA GRAÇA SANTIFICANTE QUE SEREMOS JULGADOS NO EXAME DA ETRRNIDADE. Pelo Dom da Sapiência podemos contemplar como Deus Nosso Senhor é, realmente, Infinitamente Verdadeiro e Bom; pela Virtude da Fé formada pela Caridade, podemos apenas conhecer rectamente e amar Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus. As espécies inteligíveis e as moções da vontade dos Dons, sendo produzidas directamente por Deus em nós, sem nós, são Sobrenaturalmente mais ricas do que aquelas espécies e moções constituídas pelas nossas faculdades, com o auxílio de Deus. Consequentemente, possuem os Dons uma extensão vastíssima, com grande definição do particular, o que não pode acontecer com as espécies naturais, para uma luz intelectual humana.   

Sem Sabedoria não há Santidade, porque sem Sabedoria nós não podemos conhecer a Deus Nosso Senhor com perfeição suficiente para O amar Sobrenaturalmente sobre todas as coisas. Todavia, o acto Sobrenatural de Atrição, ou seja da dor pelos nossos pecados por causa do castigo Eterno que eles merecem, e após a Recepção válida do Sacramento da Penitência, é necessário e suficiente para Deus comunicar à alma a Graça Santificante e a Caridade perfeita, sem as quais ninguém pode franquear as Portas do Reino dos Céus.

É pela Sabedoria que a alma católica contempla, não apenas a Verdade e a Bondade Infinitas de Deus, mas igualmente A PRÓPRIA GLÓRIA DA SANTÍSSIMA TRINDADE, ISTO É, DA VIDA ÍNTIMA DE DEUS, DE CUJA FELICIDADE, A ALMA SOBRENATURALMENTE PARTICIPA.

Eis o Mistério de Deus Uno e Trino, que É Eternamente na Sua Glória, mas Se Revela na Encarnação do Verbo Divino, nascido no tempo, na maior pobreza humana, correspondente à Sua posição de Criador e Redentor daqueles entre os quais escolheu, nascer, viver e morrer. Todo esse grande Mistério está perfeitamente incorporado, sublimado, no Presépio de Belém.

Ao nascer tão pobremente, Nosso Senhor Jesus Cristo santificou a pobreza, senão a material, ao menos a de espírito, sem a qual é impossível entrar nos Céus. Pois que Deus Nosso Senhor fazendo-Se Homem, santificou, sem dúvida, a matéria, mas concomitantemente apresentou e sublinhou a superioridade essencial da vida espiritual e Sobrenatural – rumo à Eternidade.

Nascendo no seio de uma Família Humana, enalteceu-a como célula fundamental da sociedade, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, e mais ainda: Fazendo-Se Criança no seio de uma Família, Nosso Senhor, que enquanto Verbo Divino é membro da Consubstancial Família da Eterna Trindade Santíssima, ratificou sobrenaturalmente a Lei Natural de que todo o ser humano tem direito a nascer e a desenvolver-se no seio de uma família composta por pai e mãe – e não de qualquer outra entidade.

Ao nascer virginalmente de uma Mulher, Nosso Senhor sacralizou a vida desde a concepção, e mesmo antes da concepção, pois que Nossa Senhora e São José apenas se uniram por causa do seu Divino Filho, para O acolherem e protegerem; consequentemente o matrimónio existe apenas e só para a procriação e educação de novos seres humanos.

Nosso Senhor, que É o Rei Eterno do Universo, aceitou submeter-Se à Autoridade de uma Família Humana, precisamente para demonstrar COMO SÓ NA SANTIDADE A AUTORIDADE E A LIBERDADE SE ADEQUAM PERFEITAMENTE. Exactamente também por isso é que a família possui total ascendente – lógico e ontológico, natural e sobrenatural – face à sociedade.

O santo Presépio encerra assim toda a Sabedoria que dele queiramos haurir: PORQUE É A PARTIR DELE QUE A SANTIDADE INCRIADA E SUBSTANCIAL IRRADIA COM MÁXIMA EFICÁCIA OS BENS DA SANTIDADE CRIADA E ACIDENTAL.

Não olvidemos que a felicidade Sobrenatural do santo Presépio, da Sagrada Família – não esquecendo que o Menino Jesus possuiu a idade da razão logo desde a concepção – é um verdadeiro Céu na Terra, mas que pode e deve ser em nós reproduzido pela recepção piedosa da Sagrada Eucaristia. Porque o Menino Jesus não deixou de existir quando Jesus Se fez Homem, pois que uma das propriedades verdadeiramente maravilhosas dos corpos gloriosos consiste precisamente na faculdade de poderem assumir, realmente, qualquer idade.

O Menino Jesus, Nossa Senhora e São José, ESTÃO E ESTARÃO ETERNAMENTE CONNOSCO NO PRESÉPIO DE BELÉM!

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 22 de Dezembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

NATAL CATÓLICO E CARNAVAL PAGÃO

OS MELHORES VOTOS DE UM SANTO NATAL AOS NOSSO LEITORES

Pro Roma Mariana

E o Verbo se fez carne. Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação,
desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria. E SE FEZ HOMEM.
Santo Natal a todos!

*   *   *

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

ESCUTEMOS O PAPA PIO XII EM EXCERTOS DA SUA RADIOMENSAGEM DO NATAL DE 1942 “CON SEMPRE NUOVA FRESCHEZZA”:

«Com sempre novo frescor de alegria e de piedade, dilectos filhos do Universo inteiro, cada ano, ao ocorrer o Santo Natal, ressoa do Presépio de Belém aos ouvidos dos cristãos, repercutindo-se docemente nos seus corações a mensagem de Jesus, que é luz no meio das trevas: uma mensagem que ilumina, com o esplendor de celestial verdade, um mundo obscurecido por erros trágicos, que…

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III – OU ETAIT LA REACTION CATHOLIQUE AUX DEVIATIONS DE VATICAN 2 ?  

 

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PRM

Pour faire une comparaison pratique, on peut dire que la différence consiste dans le fait que, si Honorius, sans vouloir dénaturer la Foi, a tout de même permis son adaptation aux convenances de la politique du monde en suivant Sergius et la volonté de l’empereur Héraclius, la volonté des antichrists conciliaires, totalement acquise au modernisme condamné par saint Pie X, était d’adapter l’Eglise à une politique de globalisation et de syncrétisme religieux, selon les desseins explicites des Loges, lesquelles ont d’ailleurs tramé leurs élections[1].

Rappelons-nous ici d’une importante réaction, aujourd’hui oubliée, de prélats et de laïcs durant Vatican II. Nous le faisons en citant un auteur qui s’indigna de cette réaction. Il s’agit du progressiste Henri Fesquet dans son « Journal du Concile »[2]. C’est un volumineux livre d’un conciliariste, actif et convaincu. Le 16 octobre 1965, il écrit :

« Sur la définitive adoption par le Concile de la déclaration Nostra ætate, de ce jour, le vote « met fin » à un nombre incroyable de pressions, initiatives, visites, cartes, pamphlets, traités qui submergèrent le Secrétariat pour l’unité des Chrétiens, pendant trois ans (p. 966). » Ainsi Fesquet, enthousiaste du nouveau cours révolutionnaire imprimé à l’Eglise, s’indigne de qui a réagi à ce changement : « Quand seront connues les particularités de ces diverses initiatives pour faire avorter ou réduire à l’insignifiance la déclaration conciliaire, il faut rester confus devant tant de passion, aberration et surtout d’ignorance et de bestialité.

« D’un autre côté, beaucoup de lamentations, parce qu’en vérité la dernière version présentée par le Secrétariat pour l’unité avait perdu quelque chose de son mordant. Et surtout quelle peine que les véritables raisons pour lesquelles furent effectuées ces modifications soient restées en partie obscurcies pour de pieux motifs. La diplomatie romaine prévalut sur une franchise absolue. Mais il faut reconnaître que la Déclaration, comme elle fut votée, sauva l’essentiel [c’est une véritable et propre restitution du jugement religieux aux religions en général et au judaïsme en particulier !]. Les observateurs qui, durant les interventions, avaient répandu les voix les plus alarmantes, se trompèrent de beaucoup. Vatican II réalisa, grosso modo, la volonté de Jean XXIII, accusant sévèrement l’antisémitisme. L’Eglise reconnut implicitement ses erreurs passées en la matière, qui sont lourdes, durables et nombreuses. La nouvelle mentalité œcuménique a vaincu les préjugés anciens. A cet effet, le vote de vendredi inaugura une page blanche dans l’histoire des relations entre Rome et les Juifs. Jusqu’au dernier jour, les antisémites catholiques [c’est l’accusation de toujours] s’unirent pour tenter de bâillonner le Concile. Déjà, nous avons souligné le pamphlet italien de Don Zaga. Un autre de Léon de Poncins accusant les évêques, qui approuvèrent le texte de l’an passé, d’inconscients.[3] »

Sous le sous-titre ironique Une déclaration digne d’un antipape (page 967), Fesquet poursuit : « Mais il faut par dessus tout mentionner le tract de quatre pages que reçurent les évêques. Il est précédé d’un paragraphe aussi long qu’étrange : « Aucun Concile ni aucun pape ne peut condamner Jésus, l’Eglise catholique, Apostolique et Romaine, ses pontifes (le tract donne la liste des quinze papes ‘’antisémites’’, de Nicolas 1er au XIII° siècle à Léon XIII) et ses illustres Conciles. Mais la déclaration  sur les juifs contient implicitement une telle condamnation, et pour cette très bonne raison elle devrait être rejetée. »

Dans ce texte, commente Fesquet, on lit encore ces paroles épouvantables : « Les hébreux désirent maintenant amener l’Eglise à se condamner tacitement et à changer de face devant le monde entier. Il est évident que seulement un antipape ou un conciliabule pourrait approuver une déclaration de cette sorte ? C’est ce que pensent, comme nous, un nombre toujours plus grand de catholiques épars dans le monde, lesquels sont décidés à travailler de la manière qui sera nécessaire pour sauver l’Eglise d’une telle ignominie. »

« Qui a signé ce pamphlet ? Trente mouvements catholiques entre lesquels, pour la France, les revues Itinéraires, Nouvelles de la Chrétienté, la Cité catholique, dont la revue Verbe (qui s’appela après Permanences) est bien connue, l’Action Fatima-la-Salette, et le Mouvement traditionnel catholique. Voici le nombre des autres mouvements classés par nationalité : E.U.A (3), Italie (3), Mexique (3),  Chili (2), Allemagne (1), Autriche (1), Brésil (1), Venezuela (1), Jordanie (1). La France, comme on le voit, avec 5 mouvements, a le triste privilège d’être en premier. J’ajoute qu’il est très difficile d’interpréter les votes négatifs desquels nous parlions plus haut : 10 abstentions plus 250 non placet (il ne plaît pas, vote négatif). [Surprenante est ici la surprise de Fesquet !]. Votèrent contre le Schéma dans une proportion inconnue les évêques des pays arabes, les évêques d’extrême-droite et quelques évêques mécontents que le texte actuel fût moins précis et moins fort que celui adopté en 1964 [4]. »

Ainsi écrivit le journaliste progressiste Henri Fesquet, enthousiaste des ouvertures conciliaires, prétendant réduire au silence avec mépris ceux qui les contestaient. Il apparaît qu’il y réussit…

Ici, il est donc indispensable de rappeler le cas de cette manifestation de la réaction laïque aux mutations dans l’Eglise, quand, à la fin de Vatican II, fut approuvée la Déclaration Nostra ætate, avec son ignoble désertion devant les « crédos » en général et celui du judaïsme en particulier. Désertion qui implique une véritable inversion dans la doctrine et dans la mission de convertir à l’unique Foi catholique immuable.

Il est aussi important de noter que la conduite du Cœtus Internationalis Patrum (regroupement des Pères conciliaires de tendance traditionaliste) ne fut pas inspirée par l’archevêque Marcel Lefebvre, comme lui-même l’a reconnu, mais par l’archevêque de Diamantina, Geraldo de Proença Sigaud, ami de Mgr Castro Mayer (Brésil). Toutefois, la mentalité de la résistance était imprégnée par la culture catholique française de l’époque : idées sur la politique avant tout et sur les accords diplomatiques[5].

Pour cette raison, tout indique que prévalut alors la tendance d’adapter la réaction catholique à la Révolution conciliaire selon les principes d’une simple opposition démocratique et non selon les principes de la défense intransigeante de la Loi de Dieu ; Révolution conciliaire inspirée par les idées de Liberté, Egalité et Fraternité de la Révolution française, avec la conséquence d’une rupture d’avec l’erreur et l’abus, contrairement à ce qu’entendait le pape saint Pie X, au début du XX° siècle. Après ce saint pape, vinrent les trois papes diplomatiques (Benoît XV, Pie XI, Pie XII)[6], qui, sans s’en rendre compte, ouvrirent la voie aux antichrists de Vatican II, autrement dit aux bourreaux et assassins de la Papauté et de la Chrétienté.

L’habitude de cohabiter avec les erreurs révolutionnaires conditionna depuis lors la résistance louable mais dévertébrée au pouvoir « apparent », intrus, qui se présentait désormais au sommet de l’Eglise. Ainsi, sans une opposition définie, vigoureuse et organisée, selon la Loi de l’Eglise, passa l’impie subversion œcuménique de Nostra ætate qui transféra les clés du jugement unique du Christ au panthéon des religions, plus surtout à celle qui est éminemment antichrétienne et qu’on peut bien nommer la religion de la « Shoah », laquelle domine aujourd’hui la direction de la pensée et des puissances mondiales[7].

Or, les catholiques doivent avoir présent à l’esprit que le « Mystère d’iniquité » n’a pas pour cause première les ennemis extérieurs de la Foi, mais la trahison de ses défenseurs[8].

Saint Paul enseigne : « Avant le Mystère d’iniquité doit venir l’apostasie ».

La défense réside dans la pensée droite et dans la conservation et l’usage des recours légaux dont est dotée l’Eglise catholique. Pour cela, existe le Code de Droit Canon promulgué par saint Pie X[9].

On considère aussi que, pendant Vatican II, il y eut, comme il vient d’être dit,  l’action du Cœtus Internationalis Patrum qui réunit des centaines de prélats du monde entier pour défendre la Foi « à la lumière de la doctrine traditionnelle de l’Eglise et du Magistère des Souverains Pontifes ». Mais cela n’empêcha nullement l’approbation par tous de documents pour le moins ambiguës, de doctrine libérale et moderniste [et même hérétiques puisque modernistes], comme s’ils avaient été catholiques ! Pour cette raison, il advint de la légitime réaction catholique qu’elle se dispersa, parce que les membres de ce Cœtus se lassèrent, pour la majeure partie d’entre eux, d’être traités de désobéissants et de réactionnaires au pape et schismatiques potentiels, accusations provenant justement de cette désinformation qui visait à répandre le poison et à discréditer tous ceux qui se montraient fidèles à la mémoire de l’Eglise catholique. On voit cela dans la page de Fesquet.

Restèrent ainsi dans la résistance catholique à peine de petits groupes, très divisés et malheureusement désarticulés jusqu’à aujourd‘hui[10].

Déformé et utilisé à rebours dans la crise actuelle, le concept de suprême autorité du Vicaire du Christ divisa au lieu d’unir. Il est historiquement important de faire ressortir qu’à l’époque de Vatican II, il ne manqua pas une seule prise de position devant tant de tromperie moderniste et judaïsante, mais qu’elle se cassa à cause d’une tromperie encore plus grande, celle du devoir d’obéir à n’importe quel prix à la volonté de Montini-Paul VI. Mgr Lefebvre et Mgr Castro Mayer réagirent quand Montini substitua à la sainte Messe une cène néo-protestante fruit de l’esprit conciliaire. La conscience sacerdotale de nombreux prêtres et un certain nombre de fidèles se sentirent profondément blessés par les innovations dans le domaine liturgique, ce qui détermina une réaction toutefois très partielle de la part du clergé et des fidèles catholiques. Même ainsi, dans les diverses publications qui entendaient défendre l’honneur de la sainte Messe et la pureté de son culte, il paraissait impossible de le faire sans recourir à cette même autorité qui perpétrait les innovations[11]. Fut alors désertée la seule position juste et efficace consistant à mettre au clair les raisons de soupçonner la présence d’un faux pape promoteur d’un conciliabule, raisons qu’exprimait le concept catholique par lequel on pouvait seulement expliquer de telles altérations et démolitions du christianisme, de l’Eglise et de la vie chrétienne.

Tout se passait comme si une telle possibilité, démontrée réelle devant le fait irrécusable du désastre de dimension inimaginable, ne demandait pas une réaction qui ne devait pas trouver les catholiques inertes et absents, mais au contraire les obligeait à installer une défense proportionnelle, sans faire acception de personne, même et surtout de l’occupant de la charge papale.

Dans les années qui suivirent Vatican II, il devint rapidement évident que l’esprit de Vatican II et sa praxis, de teneur spécifiquement « moderniste » et « évolutionniste », totalement opposés à la doctrine et à la foi de l’Eglise, ne pouvaient avoir été ourdis et permis que grâce à un faux pouvoir suprême ayant approuvé et encouragé les déclarations profondément antiévangéliques et anti traditionnelles d’un conciliabule manipulé par des forces étrangères et adverses à la Vérité chrétienne.

Et la Foi était tellement en jeu qu’à partir de là, non seulement rien de ce qui la blessait ne fut évité mais, au contraire, ces attaques continuent de façon scandaleuse.

Beaucoup, peut-être de « bonne foi », mais en opposition à la vraie à la Foi, en vinrent à croire, en suivant les pasteurs conciliaires, que les religions monothéistes adoraient le même Dieu et pouvaient par conséquent se réconcilier autour de questions temporelles, en laissant de côté leurs divergences, c’est-à-dire rien moins pour les catholiques que le divin Rédempteur Jésus-Christ, seconde Personne de la Très Sainte Trinité !

C’est ainsi qu’en l’absence d’un énergique témoignage  catholique et canonique quant au danger suspendu sur l’Eglise et les fidèles, les antichrists conciliaires ont eu et conservent toute liberté de poursuivre leur œuvre diabolique au-delà de toute limite et d’autant plus impunément que les prêtres de la FSSPX, qui prétendent défendre la Foi et l’Eglise, leur font allégeance, dans l’espoir de recevoir d’eux la (fausse) juridiction qui leur fait défaut. Du coup, le peu qui reste du témoignage catholique est tragiquement réduit au mépris, à l’impuissance, à l’éparpillement[12].

« Quand le fils de l’Homme reviendra sur la terre, pensez-vous qu’il trouvera encore la foi ? » ratz-et-menorah

 Joseph Aloïs Ratzinger allume les lampes du chandelier à sept branches, le 12 mars 2000, à la Basilique  Saint-Pierre, lors de la cérémonie de « repentance ».


[1] L’esprit d’adaptation ou de conciliation ou encore de compromission ne s’est malheureusement pas éteint avec Honorius ! Tant s’en faut. Il a violemment ressurgi au moment de la Révolution française. La politique des papes postrévolutionnaires, de Pie VII avec le concordat de 1801 à Pie XII et son glissement vers la démocratie chrétienne, en passant par Léon XIII et son ralliement à la République maçonnique, par Pie XI et sa manie concordataire, la condamnation de l’action française et la trahison des Cristeros, cette politique a nécessairement abouti au syncrétisme religieux et politique de Vatican II. Voilà qui pourrait déciller quelques yeux parmi ceux qui s’imaginent que la Révolution au Vatican est née en 1960, alors qu’elle avait germé 160 ans plus tôt, infusant le venin du concordatisme dans les veines de l’Eglise. (Sujet traité en détail par Maurice Canioni dans son livre Dieu sera servi et glorifié.) En fait Honorius n’est que le « grand ancêtre » des papes postrévolutionnaires et surtout des « antichrists conciliaires » qui ont surclassé le modèle !

[2] Tout le Concile jour par jour, Mursia, Milan, 1967.

[3]  Dans son livre Le judaïsme et le Vatican, (ESR, sans date), Léon de Poncins reproduit cette citation et l’on constate quelques variantes par rapport à la version ci-dessus. Par exemple il dit « stupidité » et non « bestialité ». La stupidité, privation totale d’esprit, a perdu de sa force, on l’emploie souvent pour dire en dépit du bon sens ; la bestialité est le caractère de l’homme qui se livre à tous les instincts de la brute. De Poncins ne dit pas que les évêques sont « inconscients » (irréfléchis) mais « ignorants » (de la nature de leurs actes).

[4] Sur ce sujet, lire de Michel Laurigan les deux études publiées par les Editions du Sel, série « Etudes » : L’Eglise et la Synagogue depuis Vatican II, juin 2007 et Chronologie d’un engrenage (De Nostra ætate en 1965 à la Synagogue de Cologne en 2005), février 2006.

[5] Le fameux concordatisme engendré par la Convention concédée par Pie VII au 1er Consul Napoléon Bonaparte en 1801.

[6] Lesquels avaient été précédés notamment par Pie VII et Léon XIII, le pape du ralliement.

[7] Les trois alinéas ci-dessus confirment la thèse du concordatisme, bien développée et étayée dans le livre déjà cité Dieu sera servi et glorifié.

[8] Trahison qui fait des défenseurs des ennemis intérieurs.

[9] Wojtyla lui en a substitué un autre différent, ce qui est une preuve supplémentaire que la secte de Vatican II est totalement étrangère à l’Eglise puisqu’elle SA doctrine, SON culte, SES prêtres, SA loi, etc.

[10] Parmi les prélats qui ont tous accepté globalement Vatican II, les quelques divergents sont devenus des pseudo-résistants et même qu’en reste-t-il ? Où sont-ils ? Que font-ils, ces chiens muets ? Quant aux laïcs, ils se sont rapidement organisés par petits groupes pour bénéficier du ministère des quelques prêtres demeurés fidèles ; ils ne pouvaient que rester isolés et désarticulés étant donnée l’absence totale de hiérarchie. Par contre, l’entreprise de Mgr Lefebvre a absorbé toutes les initiatives, récupéré pour ses lieux de culte la grande majorité des fidèles traditionalistes, facilitée en cela par la disparition progressive des prêtres âgés pour, en fin de compte ramener les fidèles vers la Secte dont ils s’étaient séparés.

[11] On a appelé cela « l’erreur commune » ! On veut bien l’admettre jusqu’à un certain point, mais quand, devant l’accumulation des ruines, il devenait évident que toute la hiérarchie trahissait, il n’était plus possible de se laisser berner au motif d’un coupable légalisme. Défendre le sacerdoce et la Messe était une œuvre sainte et urgente mais elle ne devait pas aller sans d’abord démasquer et dénoncer les traitres. Quand Mgr Lefebvre s’est agenouillé aux pieds de Montini, qualifié par lui-même d’ « antichrist », pour lui demander de lui laisser faire l’expérience de la Tradition bimillénaire, il montrait que le sang des premiers Apôtres ne coulait pas dans ses veines ! Il s’est révélé en cette circonstance un servile serviteur de « l’appareil ecclésiastique » mais non un deuxième Athanase !  La Tradition est l’enseignement de Jésus-Christ, transmis par les Apôtres, par écrit et oralement. Elle comprend également une série de préceptes moraux, de règles liturgiques et de normes de gouvernement ecclésiastiques. Or, cette Tradition reçue des Apôtres a été fidèlement transmise par l’Eglise pendant près de deux mille ans. Il n’est pas convenable d’en faire l’objet d’une « expérience », comme si elle n’était qu’un mode d’action, qu’une méthode pastorale. Le lefebvrisme confond fautivement Tradition (Depositum fidei) et Traditionalisme, lequel est le mouvement des catholiques qui résistent à leur pape  pour faire comme avant Vatican II. Certes, cette action n’exclut pas la transmission de la Tradition (Dep. Fid.), mais elle est gravement hypothéquée en ce qu’elle soutient qu’un antichrist (ennemi du Christ) représente le Christ. En cela, le Traditionalisme contredit formellement la Tradition et la Loi (voir saint Jean, 1ère épître). Notons  que la confusion s’aggrave encore parce que la Tradition est dite l’assemblée des traditionalistes (pèlerinages de la tradition, écoles de la tradition, etc.). C’est une manie du lefebvrisme de dédoubler le sens des mots pour en masquer le vrai sens.

[12] Ils ne cessent de répéter, à force de discours, de bulletins, de prêches : « Nous avons un pape ! » Aujourd’hui, ils ont un antichrist pour pape, demain – qui sait ? – ils auront l’Antéchrist pour pape  car ils ne désirent pas un vrai successeur de saint Pierre.

II – UNE ENIGME APPARENTE : HERESIE D’UN PAPE OU « PAPE HERETIQUE » ?

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Dans la présente crise ecclésiale on ne surfe pas sur l’hypothèse irréalisable, on est submergé par les faits et la criante réalité, lesquels ne doivent pas entrer en collision avec une compréhension erronée de l’indéfectibilité promise. Chacun peut se poser honnêtement ces questions : Le Vicaire du Christ peut-il être un antichrist ? Un pape destructeur de la Foi, de la Morale et traitre à l’Eglise peut-il conserver la fonction pontificale avec ses prérogatives ? Et si tout simplement, il s’agissait d’un faux pape ? Il est donc nécessaire et urgent d’apporter à ces questions des réponses conformes à la Doctrine et à la Loi de l’Eglise et non des opinions discutables. C’est ce que s’apprête à faire l’auteur.

Etant donné que la complicité délibérée d’une hérésie est hérésie, faute d’autant plus grave qu’elle procède d’un pape, le premier doute est résolu avec le cas d’Honorius : c’est l’hérésie qui a fait de lui un pape hérésiarque et condamné pour cela, car tout hérétique est par le fait même excommunié.

Mais ce qui est classé comme « hypothèse théologique du pape hérétique » représente un premier pas pour un jugement qui suit deux directions.

La première direction.

Un vrai Pape peut sombrer dans l’hérésie, plus par adhésion obstinée à ce qui va contre la Foi que par complicité avec des hérétiques. Nous avons vu la répugnance de saint Robert Bellarmin, du cardinal Billot et d’autres à accepter cette hypothèse à cause des raisons décrites[1]. Or, toutes ces considérations rappellent qu’il y a des différences entre les degrés des responsabilités et le genre de prévarication des hérétiques, même si les peines dérivées de ces condamnations sont égales. Pourtant, même si Honorius fut condamné avec Sergius et les autres par saint Léon II, la cause de sa condamnation est différenciée : « … vario modo eius condamnentionem referens : …cum Honorio, qui flammam hæretici dogmatis non, ut decuit Apostolicam auctoritatem, incipientem exstinxit, sed, negligendo conforvit » (Ep. Ad Ervige) ; « …et Honorium, qui hanc Apostolicam  Ecclesiam non Apostolicæ traditionis doctrina lustravit,sed profana proditione immaculatam fidem subvertere conatus est[2]. »

Dans le cas de l’hérésie d’Honorius il y a des données certaines à considérer. Il s’agit d’une grave prévarication de sa charge dont a résulté une perfidie profanatrice : il avait reçu cette charge pour défendre la Foi intègre et pure et pourtant il l’a trahie. Il est clair que la négligence dans la défense de la Foi de la part d’un pape entraine des conséquences plus graves que le délit d’hérésie chez d’autres autorités subalternes. C’est la raison pour laquelle ce pape hérétique est condamné pour le délit le plus grave. Et dans le droit de l’Eglise, la peine infligée pour avoir favorisé l’hérésie est égale à celle de l’hérésie (Canon 2209, 1). De plus, la condamnation d’Honorius a été confirmée par le fait que, par ce seul délit contre la Foi, quelqu’un peut être jugé après sa mort, comme il advint à ce pape (æterna condemnatione, Kirch, 1807).

Mais dans ce cas, le délit de « favoriser » l’hérésie, équivalant à l’hérésie, doit-il nécessairement signifier la perte de la Foi personnelle ? « On perd la Foi par l’apostasie ou l’hérésie, c’est-à-dire lorsqu’un baptisé rejette toutes ou quelques unes des vérités [et même une seule, dit saint Thomas] de la Foi, ou les met en doute par un acte délibéré[3]. »

La deuxième direction, étrangement ignorée : Si celui qui est élu au souverain Pontificat était déjà dans l’hérésie au moment de son élection, celle-ci est invalide car il n’avait pas ou plus la foi catholique, condition sine qua non pour être élu et reconnu vrai pape. Tout hérétique est par le fait excommunié ; s’il est clerc, il est déposé de son ordre. Il est évident qu’un sujet excommunié à cause de sa révolte, retranché de la société des fidèles, ne peut être la tête de l’Eglise s’il n’en est pas ou plus membre. Il ne s’agit pas là d’une hypothèse théologique, mais d’une donnée de la Loi divine : le sujet manquant de la condition ontologique pour être catholique ne peut donc être ni éligible ni validement élu.

Il est vrai que ce jugement est difficile à porter de la part d’un peuple catholique parce que celui-ci doit avoir une Foi suffisamment éclairée et ferme pour reconnaître objectivement la réelle manifestation hérétique dans les propos, les écrits et les œuvres de « l’hérétique fait pape », et ensuite, pour faire face à l’usurpateur de la chaire de l’Autorité divine, en s’appuyant fermement sur la Foi et la Loi de l’Eglise.

Inutile de dire, qu’à de rares exceptions près, ces conditions sont tragiquement absentes depuis un demi-siècle. Cependant ce serait une grave erreur d’affirmer que la sainte Eglise manque de moyens divins et légaux pour résoudre cette gravissime perfidie[4].

Nous allons voir dans l’histoire de l’Eglise comment de saints Papes ont pourvu l’Eglise des lumières et moyens sûrs pour réagir à ce drame de notre temps qui appelle des châtiments apocalyptiques en punition de la grande apostasie.

Sur les questions relevant de la Loi de l’Eglise, nous rappellerons ici un document très important et actuel du Pape Paul IV[5] dont le zèle pour les choses de l’Eglise fut continué par saint Pie V.

Le Pape Paul IV est celui qui revigora l’Inquisition Romaine dans une période très critique pour la défense de la foi pure et intègre. Il renouvela alors la condamnation du rationalisme de Lélio et Fausto Socini (hérétiques issus du protestantisme), condamna comme relaps Pietro Carnesecchi (groupe de Viterbe), l’humaniste Aonio Paleario et Michel du Bray, dont la doctrine était un compromis entre le protestantisme et le futur jansénisme. On peut imaginer comment ces prestigieux théologiens hétérodoxes et ces faux maîtres auraient fait carrière comme spécialiste d’un « Trente II ». Ainsi, cela arriva dans le temps de Vatican II avec les « experts » type Karl Rahner, De Lubac, Hans Küng, Schilleebeckz, Congar, Ratzinger et compagnie, pour la réalisation de ce qu’on pourrait appeler « Luthérian II ». Avec le jeune Aloïs Joseph Ratzinger devait se développer le post-modernisme.

Un vrai pape assisté par l’Esprit-Saint doit empêcher que l’Eglise ne s’ouvre à l’esprit du monde par la faute de prélats à la Foi corrompue et promus par tromperie jusqu’à une haute dignité ecclésiastique.

Paul IV essaya d’éviter cela, pour son temps et pour l’avenir, en enseignant que si un clerc élu par un conclave, même légitime et à l’unanimité des cardinaux, se révélait de suite dévié de la Foi catholique par ses œuvres, dans ce cas, l’assistance du Saint-Esprit se reporterait sur les fils de l’Eglise afin qu’ils reconnaissent la nullité de l’élection et résistent à cette terrible opération d’infiltration et de destruction de l’Eglise[6].

Il est superflu de noter que, même si cela a été codifié dans le Droit Canon seulement au début du XXe siècle, les lois concernant l’Autorité divine du Pape dans l’Eglise sont de Droit divin et par conséquent immuables.

Le jugement d’un pape « hérétique ».

Dans le cas du pape Honorius, aucune autorité dans l’Eglise n’a dit qu’il « a manqué publiquement à la foi catholique » (canon 188, 4), autrement il faudrait dire aussi qu’après cette défaillance « pour cause de renonciation tacite [à la foi], son office « s’est rendu vacant ipso facto, sans nécessité de la relative déclaration » (Ibid.) ; et ayant perdu sa charge, ses actes en tant que pontife ont été nuls. Condition qui n’a pas été considérée[7].

À propos du canon 188, 4 du Code de 1917 (abrogé par K. Wojtyla), le livre «La nouvelle messe de Paul VI, qu’en penser ?» Arnaldo Xavier da Silveira, guidé par Mgr de Castro Mayer, écrit : « Une analyse de cette bibliographie montre que le can. 188,4 fournit des arguments de poids en faveur de la thèse qu’un pape éventuellement hérétique perde sa charge ipso facto, quand son hérésie devient notoire et publiquement divulguée. (Note, p. 275) ».

Ces auteurs semblent ignorer que la première partie du Code ne traite pas de condamnations ou de peines, mais de l’état des personnes dans l’Eglise (leur élévation dans la hiérarchie et leur fonction). Et dans ce cas, il ne s’agit pas du pape comme d’un clerc différent des autres et au-dessus d’un Droit divin. Il est impossible qu’en parlant du Droit dans l’Eglise, on puisse nier que tout ce qui regarde l’Autorité divine, fondement du Droit dans l’Eglise, ne soit pleinement de Droit divin.

À ce point, il faut comprendre que le jugement d’un pape pour hérésie porte nécessairement sur deux questions indissolublement liées : la nature de l’hérésie et l’identité du coupable. En fait, si sur la définition de ces questions perdure l’existence des hypothèses, le jugement ne se porterait pas sur le pape puisque son identité de pape serait incertaine. C’est-à-dire, si une hérésie révèle que nous avons affaire à un pape putatif, on ne peut plus parler de jugement du pape.

Maintenant, pour connaître toute la vérité sur l’authenticité de celui qui se présente revêtu de l’autorité papale, il ne suffit pas d’un témoignage humain. La certitude qu’un pape a vraiment reçu cette charge ne s’épuise pas avec les faits matériels (formes et modalités canoniques). Dans  l’ordre de l’Eglise, « les faits matériels ne constituent pas le droit » (DS 2959), même si « l’unanimité des cardinaux » attribuait cette charge à un dévié de la foi, soit par ignorance humaine soit par malice, comme l’a défini avec autorité le pape Paul IV dans la Bulle Cum ex apostolatus. L’authenticité de la charge de représenter Dieu sur terre est liée avant tout à la fidélité publique à son Evangile, selon la Parole : « Mais quand même si quelqu’un, fût-ce nous-mêmes (les Apôtres), fût-ce un ange venu du ciel, vous annonçait un Evangile différent de celui que nous vous avons annoncé, qu’il soit rejeté ! » Pour que la charge de Vicaire de Jésus-Christ soit authentiquement occupée, l’élu doit manifester une foi infaillible et une pleine fidélité [à sa mission] afin d’affermir ses frères.

Dans le livre de Xavier da Silveira, à partir de la page 232, on analyse le cas du pape Pascal II. Par les données écrites, on peut comprendre encore mieux que l’unanimité des théologiens ne porte pas (malgré l’insistance de l’auteur) sur la possibilité d’hérésie d’un pape, mais sur le fait qu’un pape peut-être jugé s’il est question d’une déviation dans la Foi. En outre, vu que personne n’a jamais supposé que le pape Pascal II a été déchu de son pouvoir pontifical dans la question de la concession des investitures épiscopales au pouvoir séculier, imposée par l’empereur, il y a une différence de nature entre une infraction au droit ecclésiastique et une déviation dans la Foi évangélique. La matière serait incomplètement traitée sans mentionner, sur la perte de la charge pontificale pour hérésie, la pensée de l’Eglise exposée dans les documents qui suivent.

Dans un sermon, le Pape Innocent III déclare : « In tantum fides mihi necessaria est ut cum de ceteris peccatis solum Deum iudicem habeam, propter solum peccatum quod in fide committitur possein ab Ecclesia iudicare ».

On lit dans le Decretum de Gratien, le canon attribué à saint Boniface le martyr : « Qu’aucun mortel n’ait la présomption d’accuser le pape de faute car, étant donné qu’il lui incombe de juger tous les hommes, personne ne devrait le juger, à moins qu’il ne s’écarte de la foi ».

Decretum de saint Yves de Chartres : « Huius (i.e. papæ) culpas istic redarguere præsumit mortalium nullus, quia cunctos ipse iudicaturus a nemine est iudicandus, nisi deprehendatur a fide devius » (Dublanchy D.T.C.) Saint Yves a affirmé que pour le simple fait d’agir d’une manière contraire à un canon en rapport avec un dogme, Pascal II n’était pas devenu hérétique : « Nous ne souhaitons pas priver les clés principales de l’Eglise (c’est-à-dire le pape) de leur pouvoir, quelle que soit la personne placée sur le siège de Pierre, à moins qu’elle ne s’écarte manifestement de la vérité évangélique ».

Cette position de saint Yves de Chartres corrobore celle de saint Hugues de Grenoble et de saint Godefroy d’Amiens. Saint Bruno de Segni reconnaissait lui aussi explicitement que le pape perdrait sa charge s’il devenait hérétique.

Le jugement d’une autorité dans l’Eglise doit partir de deux certitudes : 1° Sans la Foi, il n’y a pas de pape ; 2° L’Eglise peut et doit juger le dévié dans la Foi même s’il se prétend orthodoxe. Pour ce jugement, il doit être distingué l’ordre de l’Etre du domaine de la société humaine.

Dans le 1er cas, l’hérétique se juge par lui-même[8] (Tit. III, 11), par sa propre volonté il s’est retranché lui-même du corps de l’Egliseen devenant un incroyant. Il est déchu ipso facto de sa charge sine nulla declaratione, même si ce fait n’est pas notoire. Cet homme n’est plus dans l’Eglise.

Dans le 2ème cas, ce n’est pas l’homme déchu, mais la société qui doit être informée par la déclaration qui permettra de remplacer la fausse autorité par une autre légitime[9]. Il est par conséquent juste, nécessaire et urgent d’inverser les termes de la question, en remplaçant le jugement du « pape hérétique » par « le jugement de l’« hérétique élu pape ».

Il faut déclarer les hérétiques comme déjà jugés par Dieu. L’Eglise doit condamner l’usurpation profanatrice du Lieu Saint (le Siège de Pierre) et guider les fidèles au rejet public de celui qui « apporte un autre Evangile » (saint Paul). Telle a toujours été la doctrine catholique sur la juridiction dans l’Eglise, codifiée en 1917 (Cf. canon 188,4)[10].

Conclusion.

Etant donné que pour arriver à un juste jugement de quiconque, il faut connaître au-delà de tout doute la nature du délit devant la Loi, l’identité et les conditions du délinquant ainsi que sa relation avec un tel délit, si ces questions appartiennent au domaine des hypothèses, ce jugement serait impossible. Ce n’est pas le cas du pape Honorius, qui a été jugé justement pour la nature d’un délit aggravé par sa fonction de pape et de son devoir conséquent, lesquels il a trahi.

Mais si un tel pape a été condamné de façon exemplaire à cause d’une ambigüité qui, aujourd’hui, dans ce calamiteux temps de Vatican II, semble incompréhensible, que faut-il dire des «antichrists conciliaires» placés sur le siège de Pierre se présentant comme papes, dans leurs macroscopiques hérésies et blasphèmes qui sont un scandale sans précédent ?!

Si on peut considérer qu’Honorius avait malgré tout conservé un certain esprit de foi et que sa trahison en est encore justement plus grave, on ne peut pas dire la même chose des « antichrists conciliaires », lesquels ne sont fidèles qu’à leur nouvel évangile maçonnique. Certainement, le même levain de convenance politique et d’ouverture aux dictats du monde rapproche le cas d’Honorius de celui des « antichrists conciliaires », mais quelle différence frappante de dimension et de calendrier pour leurs hérésies.

[1] Cette répugnance s’explique aisément. Comment saint Robert Bellarmin au XVIIe siècle et même Billot au XXe auraient-ils pu imaginer le complet naufrage dans la foi de toute la Hiérarchie, de toute l’Eglise enseignante ? Seule Notre-Dame de la Salette l’avait prédit en 1846. Il est vrai que le cardinal Billot avait déclaré : « Je croirai à la Salette quand Paris sera brûlé et Marseille englouti. »

[2] DS 563.

[3] Catéchisme du cardinal Gasparri, Q. 522, p. 182, Delacroix, 2009.

[4] L’ignorance et la léthargie des fidèles sont la navrante conséquence de l’affadissement du clergé. C’en est arrivé au point où ils ne voient plus, ne comprennent plus, admettent tout, acceptent tout, sont indifférents à tout. Tel clergé apostat, tels fidèles apostats. « Vous êtes, vous, le sel de la terre. Mais si le sel s’affadit, avec quoi le salera-t-on ? Il n’est plus bon qu’à être jeté dehors et piétiné par les hommes. » (Matt. V, 13)

[5] Pape de 1554 à 1559.

[6] Important ! Il ne suffit pas de résister, comme le font apparemment les lefebvristes, mais d’abord de déclarer nulle l’élection, faute de quoi la résistance, non seulement participe d’un esprit de désobéissance et de schisme, mais par l’allégeance et l’obédience aux antichrists est une collaboration à leur œuvre destructrice par le fait qu’ils entraînent les âmes dans la secte satanique sous le voile de la dévotion.

[7] Cependant, il a été dit plus haut : « Il est vrai que ces lettres, traitant d’une question de foi, étaient des actes publics du Pontife Romain… [lequel] a été également rejeté de la sainte Eglise… et anathématisé… » La difficulté se résout probablement grâce au mot « publiquement ». Honorius n’a pas divulgué lui-même publiquement ses erreurs ; ses lettres ont été adressées privément à Sergius et c’est ce dernier qui a pris l’initiative de s’en servir. Fernand Mouret écrit : « On doit seulement remarquer, et cela suffit pour montrer que le dogme de l’infaillibilité pontificale est de ce chef à l‘abri de toute attaque, que nulle part le pape Honorius n’est condamné comme ayant enseigné l’hérésie ex cathedra. L’adhésion solennelle faite par les Pères du Concile à la lettre du pape Agathon, où il est dit que nul de ses prédécesseurs n’a manqué à son devoir de confirmer ses frères dans la foi, corroborant, s’il en était besoin, cette interprétation. » (Histoire générale de l’Eglise, t. 3, p. 119) On joue donc de deux façons sur le mot « publiquement » puisque les lettres d’Honorius ne relevant pas de la publication ex cathedra sont le fait du docteur privé. Mais comment être « rejeté de la sainte Eglise » et ne pas perdre « son office » ? Ce point demeure litigieux. Ce qui permet à la FSSPX de barboter dans ce litige. Elle dit en effet, que « les papes », n’utilisent pas leur infaillibilité, ne prononcent rien ex cathedra, et donc qu’on ne peut mette en cause ni leur légitimité ni leur fonction. Mais ces dits « papes » s’adressent à toute la chrétienté et parlent au monde entier grâce aux moyens modernes de communications et aux multiples voyages. Leurs discours, écrits et actes sont par le fait dépourvus de caractère privé ; et c’est bien en tant que « papes » qu’ils agissent, sont accueillis et « exercent » le magistère ordinaire universel. D’autre part, c’est oublier que les encycliques sont infaillibles dans leurs conclusions bien qu’elles ne soient pas promulguées ex cathedra. Pour ne rien dire des actes concernant le culte (Lex orandi, lex credendi) et la discipline imposés à toute la « chrétienté ».

[8] « Un tel homme est un dévoyé et un pécheur qui se condamne lui-même. » Tit. III, 11.

[9] On voit par là la gravissime responsabilité des instances de la FSSPX qui, non seulement ne dénoncent pas les intrus, mais leur font allégeance et obédience. Dans l’état actuel de l’apostasie universelle de « ceux qui font profession de servir Jésus-Christ », il n’y a plus aucune autorité légitime mandatée pour une telle déclaration et une telle condamnation. Il reste au « petit nombre de ceux qui y voient » à porter témoignage.

[10] Don Mauro Tranquillo (abbé Emmanuel du Chalard de Taveau) écrit imprudemment pour la FSSPX : « Jusqu’au dernier instant du dernier jour précédant le retour du Christ, les hommes bénéficieront des sacrements qui assurent le salut, donc il y aura forcément un pape de qui seul procède toute juridiction ». On avait bien compris que cette juridiction fait cruellement défaut à la Fraternité ! Et aussi qu’il fallait absolument éviter que la clientèle n’ouvre les yeux et ne finissent par comprendre que les sacrements illicites et la messe  una cum un « antichrist » déplaisent à Dieu ! Voilà donc un exemple flagrant prouvant que la Fraternité comprend de travers l’indéfectibilité promise et qu’elle la fait servir à son propre intérêt et non à celui de l’Eglise ni au  bien des âmes.

 

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