Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

POSSUIRÁ A HISTÓRIA, EM SI MESMA, ALGUM SENTIDO?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Fulgens Radiatur”, promulgada em 21 de Março de 1947:

«Fulgurante de Luz, Bento de Núrsia, glória da Itália e de toda a Igreja, resplandece como astro na cerração da noite. Quem pacientemente estudar a sua gloriosa vida e adentrar, à luz da História, o tempestuoso tempo em que viveu, há de sentir, indubitàvelmente, a realidade da promessa que o Senhor deixou aos Apóstolos e à sociedade que fundara: “Estarei convosco todos os dias, até à consumação dos tempos”(Mt 27, 20). Sentença e promessa, que jamais perderá, por certo, a sua actualidade, porque se envolve no curso dos séculos, que a Divina Providência governa e encaminha. COM EFEITO, QUANDO MAIS AUDAZES E AGRESSIVOS OS INIMIGOS DA RELIGIÃO, E MAIS TEMEROSOS OS BAIXIOS EM QUE SE AGITA A NAU VATICANA DE PEDRO, QUANDO TUDO, FINALMENTE, SE VAI A DESMORONAR, E JÁ PERECEU DE TODO A ESPERANÇA HUMANA, ENTÃO, PRECISAMENTE, O AMIGO QUE NÃO FALTA,  O DIVINO CONSOLADOR, DISPENSADOR DOS TESOUROS CELESTIAIS, JESUS CRISTO, APARECE PARA RECONSTITUIR AS FILEIRAS ABALADAS, COM NOVOS CONTINGENTES DE ATLETAS, QUE SAIAM A DEFENDER EM CAMPO A REPÚBLICA CRISTÃ, QUE A REINTEGREM, COMO ANTIGAMENTE, E QUE SE PUDER SER, COM O AUXÍLIO DA GRAÇA, A ENRIQUEÇAM DE NOVAS CONQUISTAS. Entre esses atletas, refulge com luz particular “Bento, que duplamente o foi: Por Graça e por Nome”. Por especialíssimo desígnio da Providência, salientava-se NAS TREVAS DO SÉCULO o santo Patriarca, à hora precisa em que a situação da Santa Igreja e dos povos atravessava uma crise profunda. O Império Romano, que atingira o apogeu da glória, estendendo-se, por efeito de uma política justa e moderada aos povos mais diversos, a ponto de afirmar um dos seus escritores que melhor do que Império chamar-se-lhe-ia Padroado de Terra, como tudo o que é humano, tinha declinado para o ocaso. Debilitado e corrompido por dentro, esfacelado, por fora, pelas repetidas incursões dos bárbaros que desciam do setentrião, o Ocidente afundava-se na mais completa ruína. Nesta horrível procela, cheia de perigos e destroços, donde surgiria à Humanidade a esperança de auxílio, a garantia de salvar da voragem, intactas ao menos, as relíquias do seu Património? DA SANTA IGREJA CATÓLICA. Efectivamente, todos os empreendimentos e instituições, baseados ùnicamente no arbítrio dos homens, que recìprocamente se sucedem e engrandecem, no rodar do tempo, vêem, em virtude da própria fragilidade essencial, decair e arruinar-se. A Santa Igreja, porém, possui, derivante do próprio Fundador, a propriedade de fruir da vida Divina, de um vigor incessante,que lhe permite sair da luta com os homens e as coisas SEMPRE VENCEDORA, apta para arrancar, ainda do entulho, uma idade nova e mais feliz, reagregando os povos, COM O INFLUXO DOS PRINCÍPIOS CRISTÃOS, NUMA SOCIEDADE REJUVENESCIDA.»

 

 

Segundo Santo Agostinho, a História Universal constitui um drama imenso, em que bons e maus, eleitos e réprobos, imersos na humana condição, na aparência, inextricàvelmente, prosseguem objectivos contingentes, ainda que, de uma forma ou de outra, concorram para consecução da Glória extrínseca de Deus, a qual constitui o Fim primário da Criação. A Providência Divina tudo Eternamente dispôs para que o ingente mal que existe neste mundo servisse ao resplendor do Bem.

Quanto mais perfeita é uma criatura, na Ordem Natural, mais eficazmente tende para o Bem, também na Ordem Natural. Os Anjos são as mais perfeitas de todas as criaturas que Deus criou, consequentemente, possuem uma santidade ontológica própria, uma impecabilidade, na mesma Ordem Natural. Poder-se-á colocar a questão de saber se é possível mérito nestas condições? E a resposta é plenamente afirmativa. Afinal, também Nossa Senhora era impecável NA ORDEM SOBRENATURAL, não por via da natureza, MAS POR VIA DE UMA GRAÇA DE PRIVILÉGIO, ABSOLUTAMENTE ÚNICA.  Os Anjos são impecáveis APENAS NA ORDEM NATURAL, uma vez sobrenaturalmente elevados, podem pecar, como de facto pecaram. O mérito, natural ou Sobrenatural, não se pode considerar como uma conquista pessoal, independentemente do Criador. Deus é o Autor de todo o mérito, conquanto este seja absolutamente real; e a razão profunda para tal radica na transcendentalidade da causalidade Divina.

Neste quadro conceptual, DEUS É O AUTOR TRANSCENDENTE DA HISTÓRIA. A Acção de Deus Nosso Senhor não se filia numa relação terrena e humana. Porque o Anjo e o Homem, só pelo facto de existirem, já estão em relação TRANSCENDENTAL com Deus; e Este está em relação denominada DE RAZÃO com as suas criaturas. Tal sucede porque TUDO O QUE EXISTE É VIRTUALMENTE EM DEUS. NÃO SE PODE ADICIONAR O SER DAS CRIATURAS AO SER DE DEUS. O ACTO CRIADOR MANIFESTA FORA DE DEUS, CONTINGENTEMENTE, EXTRÌNSECAMENTE, AS PERFEIÇÕES DO MESMO DEUS.

O homem foi criado à Imagem e Semelhança de Deus; a condição humana, também no que ela contém de trágico, reconduz-nos para a definição da natureza humana como situada nos confins do mundo material com o mundo espiritual, num autêntico microcosmo, que consegue penetrar na essência sensível e concreta da realidade material – o que não acontece com o Anjo.

A História pode assim ser considerada como um desenvolvimento contingente e finito do Pensamento Divino e Eterno no que concerne à Sua Glória extrínseca. JÁ QUE A GLÓRIA INTRÍNSECA E INCRIADA É TRANSCENDENTALMENTE INDISSOCIÁVEL DO MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

Donde se infere que a História parece arbitrária, mas não é! Não é, porque a Sabedoria Eterna e Infinita de Deus Uno e Trino, podia criar ou não, mas qualquer que fosse a decisão, ELA SÓ PODIA SER ETERNA. E o motivo formal primário dessa mesma Criação só poderia ser a Glória extrínseca de Deus; motivo secundário, integrado no fim primário, é a felicidade Sobrenatural da criatura espiritual.

A História, para um pensador católico, deve ser concebida linearmente, e não circularmente, com tempos e civilizações paralelas. Nem com isto se excluem determinadas analogias entre as civilizações, radicadas na unidade do Género Humano. Existe, todavia, UMA CONTINUIDADE ESSENCIAL, PROVIDENCIAL, FORMA CARACTERIZADORA DA HISTÓRIA UNIVERSAL.

Já quanto às concepções hegelianas, aqui, uma concepção Histórico-Filosófica absolutamente errada arruína totalmente a Fé Católica. Porque a História, para Hegel, constitui, nas suas vicissitudes materiais, como que a face exterior da “ideia universal”; e na sua inteligibilidade, a História seria o modo como o finito constitui um momento na vida do “infinito”. Porque Hegel denomina “deus” a ideia universal completamente indeterminada, e que por isso mesmo também, segundo Hegel, constitui O NADA!?! A primeira contradição hegeliana processa-se entre o tudo e o nada da ideia universal, e constitui a fonte de todas as outras contradições, que em Hegel NÃO SÃO FORMALMENTE HISTORICIZADAS. Será que não se vê claramente o como, à luz da Fé Católica, TUDO ISTO É ATEÍSMO. Todavia, os documentos da seita conciliar apresentam-se,  consistentemente, envenenados com o hegelianismo. A síntese de toda a ideologia conciliar assume-se como o desenvolvimento de “deus” no homem, e do homem em “deus”; consequentemente, em última análise, “deus” só se realizaria integralmente no homem. Um verdadeiro panteísmo, ou ateísmo aureolado e cultivado.

Sem dúvida que Deus Nosso Senhor Se revela, positivamente, na História humana, mas revela-Se objectiva e transcendentalmente, com a Majestade e Dignidade do Criador à Sua criatura. Fora da Fé Católica o próprio conceito de Deus é irremediàvelmente deturpado, e consectàriamente, também a noção de Revelação.

A continuidade da História pressupõe um Princípio em Adão e Eva, e exige o Fim Escatológico Consumado pelo Criador e Redentor do homem. A Eternidade não é História, porque esta é temporal, sucessiva, dispersiva, contingente, ao passo que a Eternidade supera infinitamente todas as vicissitudes humanas.

Todavia é na História que os eleitos preparam a sua Bem-Aventurança Eterna, conhecendo, amando e servindo a Deus, por entre grandes provações e perseguições onde prestam testemunho da Verdade d’Aquele que glorificam.

Se não soubermos encontrar o verdadeiro sentido transcendente da História Humana, então só nos restará o absurdo e o nada de entes que se debatem sem lei e sem finalidade alguma. Ora, esse verdadeiro sentido da História só a Fé Católica no-lo pode facultar. PORQUE, DE DIREITO, A LEI DA HISTÓRIA É NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, EMBORA, NO PLANO DE FACTO, A LEI DA HISTÓRIA SEJA A DO MAIS FORTE.

A História Universal é, antes de tudo, a História da maldade humana, da recusa humana em aceitar a hegemonia da Lei Eterna, o suavíssimo jugo da Caridade Divina. Porque ainda que os homens não possam, de maneira alguma, eximir-se a determinadas realidades que são constitutivas da própria Criação, eles assumem-nas em negativo infernal. Tomemos como exemplo a realidade do poder: Os homens, depois do pecado original, não podem subtrair-se ao ditame da sua natureza corrompida que impera a necessidade de um poder essencialmente coactivo no seio de cada unidade política. Todavia constituem esse poder na base de pensamentos, preconceitos e paixões puramente humanas, e não fundamentando-se na sua origem Divina e Incriada, tal como ensina a Santa Madre Igreja.      

A História Universal poderia ter sido boa, se os homens fossem bons, isto é, se não tivesse havido pecado original; efectivamente, tudo no Paraíso Terrestre apontava para que este mundo fosse sobretudo – Uma ante-câmara do Céu. Mas o pecado original e os decorrentes pecados actuais transformam-no – Numa ante-câmara do Inferno.

Nunca olvidemos que a Santa Madre Igreja, sociedade perfeita em sentido eminentíssimo, de Direito Divino Sobrenatural, sobrepuja eficazmente todas as Sociedades perfeitas em sentido deficiente,  que tais são os Estados nacionais. O nacionalismo está liminarmente condenado pela Doutrina Católica; mas não o patriotismo, que se integra no quarto Mandamento da Lei de Deus. Mas a História, a partir do século XIV, também testemunha as lutas fratricidas e atrozes entre estados nacionais e nacionalistas, muitas vezes em detrimento dos interesses superiores da Santa Igreja e das almas, ainda que procurando simular o contrário. A Cristandade Medieval, com todas as suas sombras, lograva frequentemente evitar tais lutas,  mediante a constituição sacral da união entre a Cátedra de São Pedro e o Império. A Autoridade suprema deste mundo, mesmo temporal, reside no Vigário de Cristo; SÓ ESTE VÍNCULO PODE CONFERIR À HISTÓRIA, A SUA UNIDADE, A SUA VERDADE, A SUA BONDADE. SÓ ATRAVÉS DESTA SUPREMA AUTORIDADE, NUNCA NENHUM PODER SERÁ TIRÂNICO, PORQUE ORIGINADO E IRRADIADO, SOBRENATURALMENTE, SOB O NOME SANTÍSSIMO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, CRIADOR, REDENTOR E CONSUMADOR, BEM COMO CAUSA EFICIENTE, EXEMPLAR, MERITÓRIA E FINAL DE TODA A SANTIDADE DO AGIR HISTÓRICO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 25 de Junho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

O PODER APOSTÓLICO NO SANGUE DE CRISTO E O TESTEMUNHO CATÓLICO, na polêmica P. Ricossa X P. Belmont

Pro Roma Mariana

MYSTICI.Corporis.

Arai Daniele

O católico tem o dever nesta suma crise da Igreja, que perdura há mais de meio século, de professar a ausência de quem representa a Autoridade Apostólica para preservar e defender a Fé íntegra e pura diante de falsos pastores, intentos a alterá-la. Hoje estes ocupam justamente a Sede Apostólica e não se pode imaginar crise mais completa, especialmente porque uma geração quase inteira os reconhecem papas, até «santos».

O mistério é de tal ordem, que mesmo quem tem olhos para ver precisou do seu tempo para reconhecê-lo e lembrar que isto exige o testemunho público da verdadeira Fé, transmitida pela Igreja sem solução de continuidade. Ora, o testemunho sobre os falsos pastores demanda a presença dos verdadeiros, se não se pretende inventar uma Igreja sem a Autoridade procedente de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A este ponto se alertou contra o perigo do «conclavismo», entendendo-o como um abusado…

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DOM ANTÔNIO DE CASTRO MAYER E A PROFECIA DE FÁTIMA

Arai Daniele

Além de todos os testemunhos que o Bispo emérito de Campos prestou na sua Diocese, em São Paulo e onde lhe foi possível sobre Fátima, aqui quero considerar como estes eram afins também ao conteúdo da terceira parte do Segredo, que só se veio a conhecer no ano 2000, quando ele já havia falecido.

A primeira questão foi enfrentar o «mito» de Fátima como «revelação privada».

Nesse sentido basta ler a sua apresentação da edição brasileira de meu livro “Entre Fátima e o Abismo”, sobre o «Segredo que interpela o Pontificado e assombra a Cristandade (1987):

APRESENTAÇÃO

«Pio XII foi chamado papa de Fátima porque foi sagrado bispo precisamente no dia 13 de maio de 1917, data em que a Virgem Santíssima visitou seus filhos da Terra, aparecendo a três pastorzinhos em Fátima, Portugal, e consignando-lhes salutar mensagem de paz.

O título atribuído a Pio XII está a indicar que Fátima e sua mensagem não são um fato particular, que visaria apenas os três videntes da Cova da Iria. Fátima alcança todos os homens. Pertence à história da Igreja. É elemento que interessa à salvação de todos os homens.

Não é uma revelação pública. A revelação pública, com efeito, impõe o ato de fé, sob pena de pecado grave; e terminou com a morte do último apóstolo.

No entanto, com o encerramento da revelação pública, não ficaram os fiéis privados da graça de revelações que os auxiliassem a viver sempre mais fielmente como cristãos e a melhor cuidarem de sua salvação eterna. Tais revelações são ditas privadas, embora sujeitas ao controle da Santa Igreja.

Entre elas há muitas que interessam, de modo geral, a toda a Igreja, a todos os fiéis. Exemplo palpitante são as revelações de Jesus Cristo a Santa Margarida Maria Alacoque, às quais está vinculada a difusão, altamente santificante, da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Revelações como esta a Santa Margarida Maria não são públicas no sentido clássico. Mas também não podem ser chamadas meramente privadas, como se colimassem o bem tão-só da pessoa, ou das pessoas que a receberam. Elas têm caráter universal, como atesta o exemplo citado das revelações a Santa Margaria Maria.

Entre estas estão, sem dúvida, as aparições e mensagem de Fátima. Poderíamos, mesmo, dizer que a mensagem de Fátima é a revelação ou profecia universal da nossa época, para indicar a amplitude de seu alcance. Marginalizando Fátima, afasta-se o fator da paz legado aos filhos pela Medianeira de todas as graças.

Eis que, sobre ela, há toda uma literatura e não poucos documentos papais. Não é só. Pois, à medida que correm os anos e se agravam no mundo as desordens de toda espécie, o silêncio, que acoberta a revelação do Terceiro Segredo confiado aos três videntes de Fátima, e que, de si, já deveria ter sido rompido, sublinha sempre mais o alcance e valor inestimável dessa graça que, com as aparições e mensagem de Fátima, a misericórdia de Deus concedeu à Igreja e aos homens.

Com o fim de auxiliar a apreciação dos eventos de Fátima, o sr. Daniele, apreciado colaborador de revistas altamente qualificadas, torna públicos os seus estudos sobre as vicissitudes que vêm acompanhando [XI]  a revelação e o significado do último segredo de Fátima. Trabalho sério, altamente recomendável por si mesmo e mais ainda pelo assunto que versa.

+ ANTÔNIO DE CASTRO MAYER BISPO

Segredo que interpela o Pontificado e assombra a Cristandade

Ora, naquela época Dom Mayer sozinho e após juntamente a Mgr Marcel Lefebvre, sentiram o dever de «interpelar o Pontificado» que assombrava a Cristandade com seus documentos, atos e obras, em incanceláveis documentos escritos. Essas interpelações são as que contam  para a História da Igreja, mas hoje estão relegadas ao olvido pelos que se dizem ser seus continuadores. Trata-se de:

– três estudos, sobre o Novus Ordo Missae, sobre a declaração Dignitatis humanae (DH) do Vaticano II e sobre a carta Octogesima adveniens, enviadas em 1974 a Paulo VI, e mais tarde publicadas sob a forma de artigos e de livro;

– a Carta aberta com o Manifesto Episcopal que, junto a Mons. Marcel Lefebvre, dirigiu no mês de novembro de 1983 a João Paulo II “com os sentimentos de São Paulo de fronte a São Pedro:  No dia 9 de dezembro de 1983 foi tornada pública uma carta a João Paulo 2º com um documento anexo pelo qual o arcebispo Marcel Lefebvre e o bispo Antônio de Castro Mayer denunciavam as causas principais da profunda crise que dilacera a Igreja e a sociedade contemporânea. Si si no no a anunciou (n.º 17, ano IX): A carta e documento anexo entregues à Sua Santidade não regateiam comentários, denunciam com clareza e franqueza as causas da terrível situação em que está a Igreja, iluminando a figura dos dois insígnes bispos, cujo amor pela Igreja e pelas almas vibra em cada linha. Essa denúncia é confirmada amplamente nos fatos dolorosos, nos números negativos em todos os setores (vocações, confissões, freqüência à missa dominical, etc.), nos seminários fechados, nos conventos desertos, na dispersão dos fiéis, em breve, nos frutos amargos que uma reforma de cunho protestante produziu na Igreja católica.

“O angustiado apelo dos dois prelados evoca também a dissensão manifestada de modos diversos, mas com idêntico conteúdo, nestes anos pós-conciliares por diversas autoridades eclesiásticas. Mencionaremos alguns principais: os cardeais Ottaviani e Bacci com o ‘breve exame crítico do novo Ordo Missae’; o Cardeal Siri com a revista Renovatio e o livro Getsemani; o arcebispo Arrigo Pintonello no manifesto de dezembro de 1976; ‘chegou a hora de dizer basta à sistemática traição da Fé’ e na revista Seminari e Teologia, o cardeal Hoeffner no discurso em Fulda, que denuncia a ruptura com a tradição; o bispo de Ratisbona, Graber no livro Athanasius; o bispo holandês Gjissen, na sua oposição à Conferência Episcopal Holandesa; o bispo norte-americano Dwyer, na carta de 31-7-75 a Paulo VI, e no artigo ‘A catedral devastada’. Deus queira que o número dessas testemunhas corajosas da fé aumente sempre.

“A denúncia dos dois bispos reflete o pensamento de muitos outros bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis que sofrem com a humilhação da Igreja, mas não dispõem de meios para fazer ouvir a própria voz, ou porque lhes faltam força e coragem para falar contra a corrente, enfrentando as inevitáveis conseqüências, ou por que cedem a um falso conceito de obediência.

“O eclipse da Igreja, que é mãe e mestra, torna infrutuosa a redenção para a maioria das almas e acelera a decadência moral da sociedade com todas as espantosas conseqüências que presenciamos com a difusão da droga, da homossexualidade, do crime, do terrorismo, do divórcio, do aborto, etc. Eis que os bispos não podem, não devem ficar em silêncio para não faltar à missão que receberam de Nosso Senhor Jesus Cristo.” Segue-se a carta:

“Beatíssimo Padre: Permita-nos Vossa Santidade que, com filial franqueza, lhe apresentemos as reflexões que seguem.

A situação da Igreja é tal, há uns vinte anos, que se assemelha a uma cidade ocupada.

Milhares de sacerdotes e milhões de fiéis acham-se num estado de angústia e de perplexidade, motivado pela ‘autodestruição da Igreja’: os erros contidos em documentos do Concílio Vaticano II, as reformas pós-conciliares, especialmente a reforma litúrgica, as falsas concepções difundidas por documentos oficiais, os abusos de poder cometidos por membros da hierarquia deixam os fiéis perturbados e confusos. Semelhante situação vem causando em muitos a perda da fé, o resfriamento da caridade, e destruindo o conceito de unidade da Igreja no tempo e no espaço.

Sensibilizados pelas angústias de tantas almas desorientadas que, em todo o mundo, desejam perseverar na identidade da mesma fé e da mesma moral, tal como definida pelo magistério da Igreja ou por ela ensinada de modo constante e universal, nós bispos da Santa Igreja Católica, sucessores dos apóstolos, julgamos que não nos seria lícito calar sem sermos cúmplices de obras malignas (cf. 2 Jo. 11).

Eis porque, baldadas as diligências feitas, nestes últimos 15 anos em caráter particular, vemo-nos obrigados a intervir publicamente junto a Vossa Santidade para denunciar as causas precípuas desta angustiante situação da Igreja e suplicar-lhe que, usando de seus poderes pontifícios, ‘confirme seus irmãos’ na fé que nos foi fielmente transmitida pela tradição apostólica (cf Lc. XXII, 32).

Com este propósito, tomamos a liberdade de, em anexo, apontar a Vossa Santidade mais pormenorizadamente, embora não de modo exaustivo, erros principais que estão na raiz desta situação trágica e que já foram condenados por vossos predecessores:

  1. — Um conceito ‘latitudinarista’ e ecumênico da Igreja, dividida em sua fé (condenado especialmente pelo Syllabus, n.° 18; DS. 2918).
  2. — Um governo colegiado e uma orientação democrática da Igreja (condenado especialmente pelo Concílio Vaticano I; DS. 3055).
  3. — O falso conceito de direitos naturais do homem que aparece claramente no documentado sobre a liberdade religiosa do Concílio Vaticano II (condenado especialmente em ‘Quanta cura’ de Pio IX e ‘Libertas’ de Leão XIII).
  4. — A falsa concepção do poder do papa (cf. DS. 3115).
  5. — A concepção protestante do santo sacrifício da Missa e dos sacramentos (condenada pelo Concílio de Trento, sessão XXII).
  6. — E, finalmente, de modo geral, a livre difusão de erros e heresias (como novo humanismo, evolucionismo, naturalismo, socialismo, comunismo, etc.), caracterizada pela supressão do Santo Ofício.

Tais erros em documentos oriundos de fontes tão excelsas criam, na Igreja, um profundo mal-estar e perplexidade em muitos fiéis. Trata-se, Santíssimo Padre, não de fiéis reticentes no acatamento da autoridade pontifícia, e sim, pelo contrário, de membros do clero e leigos que têm como base de sua fé a adesão profunda e inabalável à cátedra de São Pedro.

Com todo o respeito, ousamos dizer a Vossa Santidade: é urgente que esse mal-estar cesse logo, porque o rebanho se dispersa e as ovelhas abandonadas estão seguindo mercenários. Nós conjuramos Vossa Santidade, pelo bem da fé católica e da salvação das almas, a que rea-[167]-firme as verdades contrárias a esses erros. Verdades que nos foram ensinadas pela bimilenar Igreja de Jesus Cristo.

Dirigimo-nos a Vossa Santidade com os sentimentos de São Paulo com relação a São Pedro, quando aquele o censurava por não seguir a verdade do Evangelho (cf. Gl. 2,11-4). Com esta atitude, cumprimos um dever para com os fiéis que perigam na fé.

São Roberto Belarmino, exprimindo, aliás, um princípio geral de moral, afirma que se deve resistir ao pontífice cuja ação seja prejudicial à salvação das almas (cf. ‘De Romano Pontífice’, lib. 2, c. 29). É com a intenção de auxiliar Vossa Santidade que lançamos este grito de alarme, que se torna ainda mais veemente diante dos erros, para não dizer heresias, do Novo Código de Direito Canônico, e as cerimônias e discursos ao ensejo do 5.° Centenário de Lutero…»

Verdadeiramente, ultrapassaram-se os limites.- O ano seguinte, em vista do silêncio sobre as gravíssimas questões apontadas, numa entrevista ao Jornal da Tarde de S. Paulo, punha-se a questão: pode subsistir essa Igreja conciliar na Igreja católica, que há séculos ensina como dogma de fé ser a única Esposa de Cristo e, portanto, a única Arca de Salvação? Além disso havia a questão de localizar a origem de tanto engano e saber até que ponto o responsável supremo pela fé podia eximir-se de responder a estas gravíssimas questões, enquanto, na prática, acelerava o processo ecumênico.

Dom Mayer respondeu: “Na raiz de todo esse mal está o falso ecumenismo instalado com o Vaticano II. Este apresenta-se mais como uma práxis que como uma doutrina. A doutrina encontra-se na declaração Dignitatis Humanae, com a qual o Concílio quis sancionar como direito natural do homem a liberdade religiosa, entendida como liberdade de religião. Para a doutrina católica esse direito seria uma aberração lógica, se antes não fosse uma blasfêmia, como foi dito no Manifesto Episcopal. De fato, é impensável que a Igreja, cuja voz é a mesma voz de Deus, possa afirmar o direito do homem de escolher entre as mais variadas concepções humanas de Deus, contra a verdade única que Deus mesmo revelou de Si.

«A doutrina, portanto, contida nessa declaração conciliar é herética. O Vaticano II, declarando direito natural do homem seguir a religião ditada pela própria consciência, ou não seguir nenhuma, proclama o direito ao erro. Ora, o erro não pode ser o fundamento de direito algum. O erro é contra a natureza humana feita para a verdade. Como pode ele reivindicar conformidade com essa natureza ? Acresce que nessa matéria há uma lei divina que importa na obrigação por parte do homem de professar a religião católica. Como poderia a Igreja conceder direito contra essa vontade soberana? Pior ainda: como poderia dizer que esse direito contra a vontade divina é um direito natural? Fundado, pois, na própria natureza humana? Só admitindo que o homem está acima de Deus! Ora, isso é pior que heresia: é uma aberrante apostasia! Portanto, o Concílio Vaticano II proclamou uma heresia objetiva. Os que seguem e aplicam essa doutrina têm demonstrado uma pertinácia que normalmente caracteriza uma heresia formal. Ainda não os acusamos categoricamente dessa pertinácia para dirimir a mínima possibilidade de ignorância sobre questões tão graves. De qualquer modo, mesmo que essa pertinácia não se manifestasse na forma de uma efetiva ofensa à fé, manifesta-se claramente na omissão em defendê-la.

«A Igreja que adere formal e totalmente ao Vaticano II com suas heresias não é nem pode ser a Igreja de Jesus Cristo. Para pertencer à Igreja católica, à Igreja de Jesus Cristo, é preciso ter fé, ou seja, não pôr em dúvida ou negar um artigo sequer da Revelação. Ora, a Igreja do Vaticano II aceita doutrinas que são heréticas, como vimos. Pode-se admitir, porém, a possibilidade de que haja fiéis em boa fé que não sabem ter o Vaticano II aderido à heresia. Mas, bispos? É difícil admiti-lo, mesmo não a excluindo como possibilidade absoluta.

«Quanto à possibilidade de que um papa governe a Igreja rejeitando o que ela definiu, a história registra o caso do papa Honório I, condenado postumamente pelo III Concílio Ecumênico de Constantinopla e pelo papa São Leão II, por ter “… permitido com uma traição sacrílega que fosse manchada a fé imaculada.” (DZ 563)

«É certo, porém, que a Igreja católica é a única Esposa de Cristo. Não há outras. Apresentá-la como “uma entre outras” é equiparar a verdade ao erro, o que é a essência de toda heresia. Uma Igreja engajada irreversivelmente nesse ecumenismo pós-conciliar não é a Igreja de Cristo, Igreja Católica Apostólica Romana. Os católicos, para conservar-se fiéis aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, devem estar alertas e vigilantes para não se deixarem levar por essa falsa igreja.” (Entrevista concedida ao Jornal da Tarde de São Paulo, dia 6/11/1984.)

CARTA DOS DOIS BISPOS AO PAPA  (para o Sínodo de 1985)

«Durante quinze dias, antes da festa da Imaculada Conceição, Vossa Santidade decidiu reunir um Sínodo Extraordinário em Roma, a fim de fazer do Concílio Vaticano II, encerrado há vinte anos, “uma realidade sempre mais viva.” Permita que por ocasião deste evento, nós que participamos ativamente no Concílio, possamos apresentar-vos respeitosamente nossas apreensões e augúrios, para o bem da Igreja e a salvação das almas que nos foram confiadas.

««Estes vinte anos, segundo o prefeito da sagrada Congregação da Fé em pessoa, evidenciaram suficientemente uma situação que confina numa verdadeira autodemolição da Igreja, salvo nos meios onde a milenar Tradição da Igreja foi mantida. A mudança operada na Igreja nos anos sessenta, concretizou-se e afirmou-se no Concílio pela “Declaração sobre a Liberdade Religiosa”: outorgando ao homem o direito natural de ser isento da coação que a lei divina lhe impõe de aderir à fé católica para salvar-se, coação que necessariamente se traduz nas leis eclesiásticas e civis submetidas à autoridade legislativa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

«Essa liberdade de toda coação da lei divina e das leis humanas em matéria religiosa está inscrita entre as liberdades proclamadas na Declaração dos Direitos Humanos, declaração ímpia e sacrílega condenada pelos papas e em particular pelo papa Pio VI em sua encíclica Adeo nota, de 23 de abril 1791, e sua alocução no consistório de 17 de junho de 1793.»

«Dessa declaração sobre a liberdade religiosa emana como de uma fonte envenenada:

1) O indiferentismo religioso dos estados, mesmo católicos, que se realiza desde há 20 anos sob a instigação da Santa Sé.

2) O ecumenismo levado avante sem cessar por vós mesmo e pelo Vaticano, ecumenismo condenado pelo magistério da Igreja e em especial pela encíclica Mortalium animos do papa Pio XI.

3) Todas as reformas consumadas desde há 20 anos na Igreja para agradar aos heréticos, aos cismáticos, às falsas religiões e aos inimigos declarados da Igreja como os judeus, os comunistas e os maçons.

4) Esta libertação da coação da Lei divina em matéria religiosa evidentemente vai fomentar a libertação da coação em todas as leis divinas e humanas e mina toda autoridade em todos os campos, especialmente no da moral.

Nós não cessamos de protestar, no Concílio e depois do Concílio, contra o inconcebível escândalo desta falsa liberdade religiosa, nós o fizemos com a palavra e com escritos, privada e publicamente, apoiando-nos nos documentos mais solenes do Magistério da Igreja, entre outros: o Símbolo de Atanásio, o IV Concílio de Latrão, o Syllabus (p.15), o Concílio do Vaticano I (Dz 3008) e sobre o ensino de Santo Tomás de Aquino a respeito da fé católica [Sum. Theol., IIa, questões 8 a 16], ensino que foi sempre o da Igreja durante cerca de 20 séculos, confirmado pelo direito e suas aplicações.

«Eis porque, se o próximo Sínodo não voltar ao magistério tradicional da Igreja em matéria de liberdade religiosa, mas confirmar esse grave erro, fonte de heresias, nós teremos o direito de pensar que os membros do Sínodo não professam mais a fé católica.

«De fato, eles agirão contrariamente aos princípios imutáveis do Concílio Vaticano I que afirmou em sua IV secção, no Cap. IV, “O Espírito Santo não foi prometido aos Sucessores de Pedro para permitir-lhes de publicar, segundo suas revelações, uma nova doutrina, mas para guardar santamente e expor fielmente com sua assistência as revelações transmitidas pelos Apóstolos, isto é, o depósito da Fé.”

Nesse caso, nós não podemos senão preservar na Santa Tradição da Igreja e tomar todas as decisões necessárias a fim de que a Igreja conserve um clero fiel à fé católica, capaz de repetir com São Paulo: “tradidi quod accepi.” (Transmitimos o que recebemos.)

«Santo Padre, a vossa responsabilidade está gravemente comprometida nessa nova e falsa concepção da Igreja que conduz o clero e os fies à heresia e ao cisma. Se o Sínodo sob a vossa autoridade perseverar nessa orientação, não sereis mais o Bom Pastor.»

Naqueles mesmos dias, a um passo da sede desse sínodo, realizava-se uma conferencia internacional sobre o Segredo de Fátima.

O espírito ecumênico de Assis não é conciliável como o verdadeiro ecumenismo fiel de Fátima que convida ao retorno à fé, à esperança e à caridade católicas. Foi assim que uma imagem de Nossa Senhora de Fátima levada a Assis por peregrinos da Calábria ficou excluída das igrejas naquela ocasião. Devemos, agora, saber o que declararam os dois bispos fiéis em relação a este ato inaudito:

DECLARAÇÃO (como conseqüência dos acontecimentos da visita de João Paulo II à Sinagoga e ao Congresso das Religiões em Assis). — Roma mandou nos perguntar se tínhamos a intenção de proclamar nossa rutura com o Vaticano por ocasião do Congresso de Assis.

«Parece-nos que a pergunta deveria, antes ser esta: o senhor acredita e tem a intenção de declarar que o Congresso de Assis consuma a rutura das autoridades romanas com a Igreja Católica? Porque é precisamente isto que preocupa àqueles que ainda permanecem católicos.

«Com efeito, é bastante evidente que, desde o Concílio Vaticano II, o papa e os episcopados se afastam, de maneira cada vez mais nítida, de seus predecessores.

«Tudo aquilo que foi posto em prática pela Igreja para defender a Fé nos séculos passados, e tudo o que foi realizado pelos missionários para difundi-la, até o martírio inclusive, é considerado doravante como uma falta da qual a Igreja deveria se acusar e pedir perdão.

«A atitude dos onze papas que, desde 1789 até 1958, em documentos oficiais, condenaram a revolução liberal, é considerada hoje como “uma falta de compreensão do sopro cristão que inspirou a revolução.”

«Donde a reviravolta completa de Roma, desde o Concílio Vaticano II, que nos faz repetir as palavras de Nosso Senhor àqueles que O vinham prender. “Haec est hora vestra et potestas tenebrarum.” Esta é a vossa hora e o poder das trevas. (Lc, 22:52-53)

«Adotando a religião liberal do protestantismo e da revolução os princípios naturalistas de J.J. Rousseau, as liberdades atéias da Constituição dos Direitos do Homem, o princípio da dignidade humana já sem relação com a verdade e a dignidade moral, — as autoridades romanas voltam as costas a seus predecessores e rompem com a Igreja católica, e põem-se a serviço dos que destroem a cristandade e o Reinado Universal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

«Os recentes atos de João Paulo II e dos episcopados nacionais ilustram, de ano para ano, esta mudança radical de concepção da fé, da Igreja, do sacerdócio, do mundo, da salvação pela graça. O cúmulo desta rutura com o magistério anterior da Igreja, depois da visita à sinagoga, se realizou em Assis. O pecado público contra a unicidade de Deus, contra o Verbo Encarnado e Sua Igreja faz-nos estremecer de horror: João Paulo II encorajando as falsas religiões a rezar a seus falsos deuses: escândalo sem medida e sem precedente. Poderíamos retomar aqui nossa declaração de 21 de novembro de 1974, que permanece mais atual que nunca.

«Quanto a nós, permanecendo indefectivelmente na adesão à Igreja Católica e Romana de sempre, somos obrigados a verificar que esta religião modernista e liberal da Roma moderna e conciliar se afasta cada vez mais de nós, que professamos a Fé católica dos onze papas que condenaram esta falsa religião. A rutura, portanto, não vem de nós, mas de Paulo VI e de João Paulo II, que rompem com seus predecessores.

«Esta negação de todo o passado da Igreja por estes dois papas e pelos bispos que os imitam é uma impiedade inconcebível e uma humilhação insuportável para aqueles que continuam católicos na fidelidade a vinte séculos de profissão da mesma Fé.

«Por isso, consideramos como nulo tudo o que foi inspirado por este espírito de negação: todas as Reformas pós-conciliares, e todos os atos de Roma realizados dentro desta impiedade.  Contamos com a graça de Deus e o sufrágio da Virgem Fiel, de todos os mártires, de todos os papas até o Concílio, de todos os santos e santas fundadores e fundadoras de ordens contemplativas e missionárias, para que venham em nosso auxílio na renovação da Igreja pela fidelidade integral à Tradição.

Buenos Aires, 2 de dezembro de 1986

† Marcel Lefebvre Arcebispo-Bispo emérito de Tulle

† Antônio de Castro Mayer, Bispo emérito de Campos que concorda plenamente com a presente declaração e a faz sua.- »

Mons. Antônio de Castro-Mayer dizia publicamente, como o fez durante as consagrações episcopais de Ecône em 1988, que estamos sem papa e que no Vaticano há um antipapa.

Em virtude destas vicissitudes que abalam a Igreja e de modo especial da grande apostasia que atingiu o mundo após o arquivamento do «Segredo», que seria mais claro justamente em 1960, quando se iniciava o novo curso conciliar, os católicos têm o direito de pensar que o Segredo diga respeito ao Vaticano II e aos seus autores. A prova de que assim não seja compete aos depositários de tal mensagem divina. Mas estes, enquanto abrem as portas da Igreja a toda novidade, emblematicamente, censuraram e depois manipularam a próprio favor a interpretação da Mensagem profética de Nossa Senhora de Fátima.

Ora, o que Dom Mayer sempre afirmou é o que ali está contido: «Uma só Fé, um só Batismo uma só Igreja Santa Católica e Apostólica.» Também o «Terceiro Segredo» publicado pelo mesmo Vaticano contem a morte do Papa com todo o seu séquito fiel e isto seria mais claro já desde os meados de 1960, desde então “estamos sem papa e no Vaticano há um antipapa”! Dom Mayer viu e testemunhou essa realidade, confirmada em Fátima, antes de conhecer o Segredo revelado!

Louvado seja Deus e Sua Santíssima Mãe!

VIRTUDE FORMAL SOBRENATURAL E RESULTADO CONCRETO E MATERIAL

 

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Haurietis Aquas”, promulgada em 15 de Maio de 1956:

«E assim, do elemento corpóreo, que é o Coração de Jesus Cristo, e do Seu natural simbolismo, é legítimo e justo que, levados pelas asas da Fé, nos elevemos, não só à contemplação do Seu Amor sensível, porém a mais Alto, até a consideração e adoração do Seu excelentíssimo Amor infuso, e finalmente, num voo sublime e doce ao mesmo tempo, até à meditação e adoração do Amor Divino do Verbo Encarnado, já que à Luz da Fé, pela qual cremos que na Pessoa de Cristo estão unidas a Natureza Humana e a Natureza Divina, podemos conceber os estreitíssimos vínculos que existem entre o amor sensível do Coração físico de Jesus e o Seu duplo amor espiritual – o humano e o Divino. Em realidade, não devem esses amores ser considerados simplesmente como coexistentes na adorável Pessoa do Redentor Divino, mas também como unidos entre si com vínculo natural, visto que ao Amor Divino está subordinado o humano, espiritual e sensível, OS QUAIS SÃO UMA REPRESENTAÇÃO ANALÓGICA DAQUELE. Com isso não pretendemos que no Coração de Jesus se deva ver e adorar a chamada Imagem Formal, quer dizer, a representação perfeita e absoluta do Seu Amor Divino, não sendo possível, como não é, representar adequadamente, por qualquer Imagem criada a íntima essência desse amor; mas a alma fiel, venerando o Coração de Jesus, adora juntamente com a Igreja o símbolo e como que a marca da Caridade Divina, Caridade que com o Coração do Verbo Encarnado chegou até a amar o Género Humano, contaminado com tantos crimes.

Portanto, neste assunto tão importante como delicado, é necessário ter sempre presente que a verdade do simbolismo natural, que relaciona o Coração físico de Jesus com a Pessoa do Verbo, repousa toda na Verdade primeira da União Hipóstatica; quem isto negasse renovaria erros mais de uma vez condenados pela Santa Igreja, por contrários à Unidade da Pessoa de Cristo em duas Naturezas íntegras e distintas.

Essa Verdade fundamental permite-nos entender como o Coração de Jesus é o Coração de uma Pessoa Divina, quer dizer, do Verbo Encarnado, e que, por conseguinte, representa e nos põe ante os olhos todo o Amor que Ele nos teve e ainda nos tem. E aqui está a razão por que, na prática, o culto do Sagrado Coração de Jesus é considerado como a mais completa profissão da Religião Cristã. Verdadeiramente, a Religião de Jesus Cristo funda-se toda no Homem-Deus Mediador; DE MANEIRA QUE NÃO SE PODE CHEGAR AO CORAÇÃO DE DEUS SENÃO PASSANDO PELO CORAÇÃO DE CRISTO, CONFORME O QUE ELE MESMO AFIRMOU:”EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA. NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM” (Jo 14,6). Assim sendo, fàcilmente deduzimos, que pela própria natureza das coisas, o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é o culto ao Amor com que Deus nos amou por meio de Jesus Cristo, e ao mesmo tempo o exercício de Amor que nos leva a Deus e aos outros homens; ou dito de outra forma, este culto dirige-se ao Amor de Deus para connosco, propondo-O como Objecto de adoração, de acção de Graças e de Imitação; e tem por fim A PERFEIÇÃO DO NOSSO AMOR A DEUS E AOS HOMENS, mediante o cumprimento cada vez mais generoso do “MANDAMENTO NOVO”, que o Divino Mestre legou como Sagrada Herança aos Seus Apóstolos quando lhes disse:”UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU, QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI”.»

 

Este paupérrimo mundo não concede importância alguma à verdadeira Virtude Sobrenatural, nem hoje, nem ontem, nem  em tempo algum, em lugar algum; EXACTAMENTE PORQUE O ÓDIO À VIRTUDE CONSTITUI PARTE ESSENCIAL DA NATUREZA MORAL DO MUNDO, TAL COMO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO O DEFINIU: O PRIMEIRO E MAIS TERRÍVEL INIMIGO DA ALMA.

Uma realidade quase sòmente mobiliza as pessoas do mundo: A EFICÁCIA MATERIAL; POIS SÓ ESTA É GERADORA DE RIQUEZA E PODER. Ora, Nosso Senhor Jesus Cristo admoestou-nos severamente para a caducidade intrínseca dos meios materiais, ainda que legítimos, face ao valor Eterno dos Bens Sobrenaturais. A casa sobre rocha da parábola Evangélica, consiste precisamente numa vida edificada sobre o ascendente absoluto da bondade Sobrenatural das nossas acções face à sua eficácia material.

Na escola, nos empregos, sempre houve pessoas que, com a Graça de Deus, se esforçavam por executar, um trabalho, um serviço, que embora ficasse, materialmente, muito longe da perfeição, incorporava e irradiava a Caridade Sobrenatural, a vontade de cumprir, o melhor possível a Lei de Deus, ou seja, precisamente aquela disposição celestial de que este mundo mau se ri e despreza afrontosamente.  

É inteiramente falsa aquela concepção que concebe a Teologia Moral como abrangendo as realidades necessárias apenas à salvação Eterna, remetendo para a Teologia Ascética e Mística tudo o que é necessário para a Santidade. É falsa esta concepção, em primeiro lugar porque no Céu só há santos, e depois porque quem não trabalhar a sério para a santidade e se detiver dizendo: “Isto já basta”; essa alma condenar-se-á quase de certeza. PORQUE, NA VIDA ESPIRITUAL, QUEM PÁRA – RECUA!

Consequentemente, a nossa vida tem que reflectir, o mais possível, a Imagem de Deus Nosso Senhor, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem; é imperioso que a nossa alma se insira nos pensamentos e nos afectos Soberanos do Verbo Encarnado. Certamente, mesmo que Deus nos conceda uma vida longa na Terra, e por mais que, com o auxílio de Deus, meditemos e contemplemos os Mistérios Sobrenaturais, permaneceremos sempre infinitamente aquèm da realidade Divina em Si mesma. E a própria visão Beatífica não é plenamente compreensiva, porque é metafìsicamente impossível ao finito compreender o Infinito. Mas tal não nos dispensa, bem pelo contrário, de procurarmos tender, sempre e cada vez mais, para Deus; porque quanto mais ascendermos rumo à Verdade Infinita, MAIS NECESSIDADE TEREMOS DELA, E MAIS INTENSAMENTE A ELA NOS ORDENAREMOS.

Santa Bernadette de Lourdes (1845-1879) era uma religiosa doente, com muito pouca serventia, mesmo dentro do Convento, mas tudo o que realizava era plenamente com espírito e intenção verdadeiramente Sobrenatural; e foi assim que se santificou, ajudando no que podia as irmãs enfermas, oferecendo a Deus os seus próprios padecimentos, incluindo as humilhações que sofria. São Domingos Sávio (1842-1857) também possuía pouca saúde, mas só procurava elevar-se para Deus. Numa redacção escolar versando o tema dos maiores desejos alimentados pelos pequenos alunos, ele escreveu: “Peço a Deus que me faça santo”. Repare-se que ele não afirmou que queria ser santo, mas que queria que Deus Nosso Senhor o fizesse santo. E o que é facto é que se tornou o confessor mais jovem da História da Igreja.

A  SANTIDADE NÃO DEPENDE DA GRANDEZA E EFICÁCIA DAS OBRAS FEITAS. ESSE MÉRITO, PURAMENTE MATERIAL, PRIVADO DA GRAÇA, DEIXÊMO-LO PARA O MUNDO MAU. ALÉM DISSO, A GRAÇA ATRAI A GRAÇA, OS DONS DO ESPÍRITO SANTO ATRAEM OS DONS, PORQUE OS BENS SOBRENATURAIS CONSTITUEM CONDIÇÃO INTRÍNSECA PROVIDENCIAL DE NOVOS BENS. E NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, CONSOLAÇÃO MAIOR DO QUE AQUELA QUE PROMANA DA CONSCIÊNCIA SOBRENATURAL DO DEVER CUMPRIDO.   

Certamente, neste mundo é legítima e necessária a perfeição técnica, sem a qual é impossível o exercício de determinadas profissões, não é isso que está em causa, na exacta medida em que se pode ser um óptimo profissional e um óptimo católico. Mais ainda, a Graça de Deus, o organismo Sobrenatural, aperfeiçoam e nobilitam de tal modo, extrìnsecamente, todo o composto corpo-alma, que a competência profissional, frequentemente, muito se enriquece. Todavia, não possuindo carácter milagroso, esse organismo Sobrenatural não pode suprir certas carências essenciais da natureza. Mas como Deus Nosso Senhor criou o mundo  reflectindo natural e contingentemente as perfeições Incriadas, e na Ordem Sobrenatural como participando delas mesmas; é por demais evidente, que enquanto os homens, a título individual e colectivo, cumprirem as determinações Divinas, O MUNDO PROSPERARÁ, MESMO NUMA ORDENADA E SUFICIENTE EFICÁCIA TEMPORAL E TÉCNICA. Muito pelo contrário, o real e concreto progresso técnico que verificamos, totalmente desacompanhado da necessária forma Religiosa e Moral, em vez de edificar, trucida as almas, projectando-as no abismo. Monsenhor Lefebvre recordava muitas vezes como no seu apostolado africano testemunhara como o progresso religioso e moral das aldeias era indissociável de um certo bem estar temporal, mas numa perfeita proporção, nunca um progresso temporal que comprometesse o Bem Sobrenatural.

Mesmo aqueles que por dever familiar, hierárquico e orgânico, são obrigados a possuir e a transmitir riqueza aos seus descendentes, podem e devem cumprir o dever religioso de sobriedade e desapego dos bens terrenos considerados em e por si mesmos. Os ricos condenados por Nosso Senhor no Evangelho são aqueles que nutrem um apreço desordenado pelas coisas da Terra, QUER AS POSSUAM DE FACTO, QUER NÃO. Uma pessoa pode ser materialmente pobre e amar descompassadamente os bens que não tem – e queria, DESENFREADAMENTE, ter!

A grande ruína religiosa e moral dos homens reside, essencialmente, na ausência daquele equilíbrio material de operação que, sobrenaturalmente, assumido faz os santos. O pecado original transtornou profundamente a hierarquia dos seres e dos fins que deve presidir a toda a vida intelectual e moral. Neste quadro conceptual, a História Universal apresenta-se como o reino da força e da bestialidade, e jamais como o Reino da inteligência elevada pela Graça e preparando-se para a Eterna Glória. E a imensa tristeza que recobre essa hegemonia da força bruta face aos valores do espírito que conhece, ama e serve a Deus, operou no Coração do Verbo Encarnado, imensamente mais sensível do que o de qualquer outro homem, aquela intraduzível e Sagrada Agonia do Horto, em que a Sua Inteligência humana contemplou a História Universal, que com todo o seu oceano negro de pecados, de crimes de toda a espécie, faz resplandecer, apesar de tudo, com inefável fulgor, a Caridade perfeitíssima dos eleitos, bem como a Luz Sobrenatural da Santa Madre Igreja, inexoràvelmente sempre perseguida, MAS SEMPRE E ETERNAMENTE DIVINA.       

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 21 de Junho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

OS ESPINHOS CRAVADOS NOS SAGRADOS CORAÇÕES

Pro Roma Mariana

Sagrados Corações

Arai Daniele

Cada espinho no Coração de Jesus e no de Maria corresponde a um mau pensamento de quem ignora, despreza ou contraria a verdade da salvação, pela qual Cristo sofreu o Sacrifício de Amor que funda Sua Igreja.

Esta verdade foi pregada ao mundo todo a partir do Ocidente cristão, mas na segunda metade do século XX justamente ai passou a predominar um novo espírito que se estende a toda a terra. E assim, mais e mais pastores da Igreja comprometeram-se direta ou indiretamente com o ateísmo e os erros que a Rússia difundiu no mundo, como foi advertido na mensagem de Fátima, na qual foi pedida sua consagração ao Imaculado Coração de Maria, para a obtenção da paz no mundo.

Depois desse período não se tratou mais das guerras no Ocidente, que haviam favorecido o governo soviético, no tempo de Bento XV e Pio XI. Até então, porém…

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