Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

COMPORTARÁ A FÉ CATÓLICA ALGUMA FORMA DE CRIATIVIDADE?

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Divini Illius Magistri”, promulgada em 31 de Dezembro de 1929:

«Portanto, no próprio objecto da sua missão educativa, isto é: “Na Fé e na instituição dos costumes, O PRÓPRIO DEUS FEZ A IGREJA PARTICIPANTE DO MAGISTÉRIO DIVINO E, POR BENEFÍCIO SEU, IMUNE AO ERRO; POR ISSO É ELA MESMA MESTRA SUPREMA E SEGURÍSSIMA DOS HOMENS, E LHE É NATURAL O INVIOLÁVEL DIREITO À LIBERDADE DO MAGISTÉRIO”( Leão XIII, encíclica “Libertas” 20/6/1888).

E por necessária consequência, a Santa Igreja é independente  de qualquer autoridade terrena, tanto na origem como no exercício da sua missão educativa, não só relativamente ao seu próprio objecto, mas também acerca dos meios necessários e convenientes para dela se desempenhar. Por isso,  em relação a qualquer outra disciplina e ensino humano, que considerado em si é património de todos, indivíduos e sociedades, a Santa Igreja tem direito independente a usar dele, e sobretudo de julgar a medida em que passa a ser favorável ou prejudicial à educação cristã. E isso, já porque a Santa Igreja, como sociedade perfeita tem direito aos meios para os seus fins, já porque todo o ensino, como toda a acção humana, tem necessária relação de dependência do fim último do homem, e por isso não pode subtrair-se às normas da Lei Divina.

É isso mesmo que Pio X, de santa memória, declara com esta límpida sentença: “Em tudo o que fizer o cristão, não lhe é lícito desprezar os Bens Sobrenaturais, antes, segundo os ensinamentos da Sabedoria Cristã, deve dirigir todas as coisas ao Bem Supremo, como a Fim último: Além disso, todas as suas acções, enquanto são boas ou más em ordem aos bons costumes, isto é, enquanto concordam ou não com o direito natural e Divino, estão sujeitas à Jurisdição da Santa Igreja.

É pois com pleno direito que a Igreja promove as letras, as ciências e as artes, enquanto necessárias ou úteis à educação cristã, e a toda a sua obra para a salvação das almas, fundando e mantendo até escolas e instituições próprias em todo o género de disciplina e em todo o grau de cultura. Nem se deve considerar como estranha ao seu maternal Magistério a própria educação física, como hoje a apelidam, precisamente porque é um meio que pode prejudicar ou beneficiar a educação cristã. (…)

O exercício deste direito não pode considerar-se ingerência indevida, antes, é preciosa providência maternal da Santa Igreja, tutelando os seus filhos contra os graves perigos de todo o veneno doutrinal e moral. E até esta vigilância, assim como não pode criar algum verdadeiro inconveniente, assim não pode deixar de produzir eficaz incitamento à ordem e bem estar das famílias e da sociedade civil, afastando para longe da juventude aquele veneno moral que nesta idade, inexperiente e volúvel, costuma ter mais fácil aceitação e mais rápida extensão na prática. Pois que sem a recta instrução religiosa e moral, como sapientemente adverte Leão XIII – “TODA A CULTURA DOS ESPÍRITOS SERÁ DOENTIA: OS JOVENS, SEM O HÁBITO DE RESPEITAR A DEUS, NÃO PODERÃO SUPORTAR DISCIPLINA ALGUMA DE VIDA HONESTA, E ACOSTUMADOS A NÃO NEGAR JAMAIS COISA ALGUMA ÀS SUAS TENDÊNCIAS, FÀCILMENTE SERÃO INDUZIDOS A PERTURBAR OS ESTADOS”.(encíclica “Nobilissima Gallorum Gens”- 8/2/1888)»

 

 

Uma das expressões mais aberrantes jamais utilizadas por Bergoglio é precisamente a de “criatividade do Espírito Santo”. Com esta expressão, Bergoglio sintetiza com crueza todo o espírito modernista da amaldiçoada seita conciliar, o qual flutua, subjectivamente, entre o ateísmo e o agnosticismo, sendo este cambiante perfeitamente coerente com a patologia imanentista que é absolutamente letal para a Fé Católica.

As pessoas do mundo proclamam gostar da imprevisibilidade da existência, que lhes permite serem criativas e assim diversificarem e multiplicarem melhor os estímulos que a vida lhes oferece. É certo que a inteligência – enquanto facilidade e eficácia na constituição aprofundada de princípios abstractos que nos conduzam, não apenas a uma contemplação noética do mundo, mas igualmente a uma capacidade de nele ùtilmente intervir e operar – É, EM SI MESMA, CRIADORA; visto que o processamento espiritual e objectivo da realidade concreta é indissociável de um modo próprio, de uma singularidade, que de alguma forma interpreta a mesma realidade, conquanto, no plano ontológico e metafísico SEJA A REALIDADE OBJECTIVA QUE MEDE A INTELIGÊNCIA E NÃO O CONTRÁRIO. Porque é a inteligência que nos faculta a maior ou menor eficiência na produção da cultura; porque esta mais não é do que uma orgânica de princípios abstractos que enriquecem objectivamente o espírito. Por exemplo: A Santa Madre Igreja sempre ensinou que a inteligência humana pode, fìsicamente, concluir naturalmente pela existência de Deus (se bem que Deus não “existe”, DEUS É, as criaturas existem, foram criadas, DEUS É INCRIADO) embora muitos homens, moralmente, não cheguem a tal conclusão, ou concebam-na de modo aberrante. Consequentemente, o acto intelectual (ex ratione) é sempre orientado pelo acto de ser do sujeito. Neste quadro conceptual, se a inteligência humana, fisicamente, pode, mas, moralmente, nem sempre procede em conformidade, é precisamente porque o acto de ser interpreta, constitutiva mas quase inconscientemente, o acto da inteligência, neste se exercendo. E mesmo nas crianças muito pequenas, nas quais ainda não é concebível um acto moral de ser, mesmo nelas, a organização da percepção orientada pela inteligência e para a inteligência, nesta se exercendo, varia de sujeito para sujeito, PORQUE METAFÌSICAMENTE NÃO PODEM EXISTIR DOIS ENTES ABSOLUTAMENTE IGUAIS NA SUA INDIVIDUALIDADE. Nestes casos, os actos de inteligência são individualmente diferentes, MAS COMPLETAM-SE NA PERFEIÇÃO DA ESPÉCIE, LOGO ENRIQUECEM-SE MÙTUAMENTE.

Sabemos, também, que há pessoas notàvelmente mais criativas do que outras; e aqui estará em causa o tipo qualitativo de inteligência em perfeita unidade com a vontade, pois que existe entre elas uma proporção transcendental, e a vontade exprime concretamente a profundidade do acto de ser. A criatividade, rectamente concebida, é perfeitamente legítima. Porque as pessoas, formalmente, com mais tonalidade criativa, são também, frequentemente, as mais inteligentes. Deus providenciou para que a inteligência humana desbravasse as opacidades da constituição íntima do mundo, irradiando uma determinada luz de sageza compreensiva sobre as obras de Deus Nosso Senhor.

Os entes contingentes não podem criar em sentido metafísico e transcendental; nem mesmo podem receber de Deus a faculdade de criar, ainda que a título instrumental, pelo simples facto de que a causa instrumental necessita de um ponto de apoio para a sua operação, e o acto Criador, por definição, em nada se apoia, porque é infinitamente simples. As criaturas podem, sim, transformar as substâncias já criadas por Deus, quer dizer, podem modificar e substituir as formas, quer as substanciais, quer as acidentais. Não podem criar, nem aniquilar. As criaturas inteligentes podem, legìtimamente, inventar, no sentido de articular, harmonizar, combinar, as diversas leis da natureza, de modo a produzirem novos artefactos, novos instrumentos, susceptíveis de incrementar a comodidade da vida. As criaturas inteligentes podem também reproduzir, artìsticamente, as realidades criadas por Deus, insuflando nas suas obras o lume ideal da sua própria inteligência, bem como da sua própria afectividade. Desta forma fazem resplandecer certas facetas da Criação, manifestando-lhes a suprema harmonia, o supremo diálogo, das propriedades transcendentais do ser, Entidade, Unidade, Verdade, Bondade – É ISSO A BELEZA! Consequentemente, as criaturas inteligentes podem, na Ordem Natural, criar em sentido impróprio, por analogia, DESDE QUE RESPEITEM AS LEIS QUE DEUS IMPÔE À SUA OBRA; LEIS QUE NÃO SÃO, DE FORMA ALGUMA ARBITRÁRIAS, MAS QUE SÃO CONSTITUTIVAS DA PRÓPRIA NATUREZA ABSOLUTA E INCRIADA; NÃO OLVIDEMOS QUE O SER DO MUNDO É VIRTUALMENTE EM DEUS.

Passando à Ordem Sobrenatural da Revelação, da qual é depositária a Santa Madre Igreja; devemos solenemente proclamar que a única forma de actividade, não de criatividade, que pode existir, é a explicitação da própria realidade objectiva da Revelação, mediante a dedução de elementos formalmente revelados mas ainda não advertidos, total ou parcialmente, pela Santa Madre Igreja. Por exemplo: Os Dogmas Marianos foram formal e objectivamente revelados, encontrando-se nas Fontes da Revelação, mas por disposição e delicadeza  da Divina Providência, só lentamente, homogèneamente, se foram explicitando, SOBRETUDO NA IDADE DO LAICISMO, embora já Santo Anselmo (1033-1109) fosse piedoso devoto da Imaculada Conceição. Certificamo-nos assim QUE NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, NOVIDADES NA NOSSA SANTA FÉ, COMO TAMBÉM NELA NÃO PODE HAVER ESPÍRITO CRIATIVO. Pode-se conceber, igualmente, outro modo de explicitação da Fé, MEDIANTE O CRESCIMENTO NA CARIDADE SOBRENATURAL, DA SANTIDADE, O QUAL INFUNDE NA ALMA ILUSTRAÇÕES CADA VEZ MAIS PROFUNDAS E EXTENSAS – MAS SEMPRE PERFEITAMENTE HOMOGÉNEAS, SEGUNDO O MESMO E ÚNICO PRINCÍPIO DA FÉ – SOBRE OS DOGMAS, SOBRE A MORAL, SOBRE A SÃ FILOSOFIA, E ATÉ MESMO SOBRE AS COISAS NATURAIS, DILATADA, EXTRÌNSECAMENTE, QUE FICA A NOSSA INTELIGÊNCIA NATURAL. É evidente que aqui também não haverá lugar para qualquer criatividade ou novidade.

Aliás, cumpre assinalar, que a sã Filosofia, o Tomismo, pràticamente já canonizado, CONSTITUI OBJECTO SECUNDÁRIO DA INFALIBILIDADE DA SANTA MADRE IGREJA, PODENDO CONSIDERAR-SE COMO VIRTUALMENTE REVELADO. Mas aqui também não podem existir novidades. Porque o desenvolvimento histórico do Tomismo também só pode ser homogéneo e segundo o mesmo princípio, na exacta medida em que ao aplicar-se a realidades novas, o Tomismo nunca perde a sua identidade, procedendo assim à incorporação do novo na Sabedoria regeneradora e salvífica do Essencialismo, assimilando num único Princípio tudo o que for realmente são. É pois evidente, que pertence à Verdade Teológica e Filosófica, e à operação moral que lhe é inerente, irradiar a sua luz benfazeja e integradora sobre tudo o que, CRIADO POR DEUS NOSSO SENHOR, PARA ELE DEVE VOLTAR.

 

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 4 de Junho de 2018

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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A SOBERANA FORTALEZA SOBRENATURAL DE VON GALEN

Escutemos o Papa Pio XI, num trecho da sua encíclica “Mit Brennender Sorge”, promulgada em 14 de Março de 1937:

 

«A Divina Missão que a Igreja desempenha entre os homens e por meio deles deve desempenhar, PODE SER DOLOROSAMENTE ESCURECIDA PELO ELEMENTO HUMANO, excessivamente humano, que misturando-se ao bom trigo do Reino de Deus nele medra como joio daninho. Quem conhece a Palavra do Salvador sobre o escândalo e sobre os homens escandalosos, sabe como os julga a Santa Igreja, e com ela cada um dos seus filhos. Mas aquele que, fundando-se nestas lamentáveis incoerências entre a Fé e a vida, entre as palavras e os actos, entre o porte exterior e os sentimentos interiores de certos indivíduos – ainda que estes fossem muitos – esquece, ou deixa voluntàriamente na sombra e no silêncio um sem número de virtudes autênticas, espírito de sacrifício, amor fraterno, heroísmo de santidade, em tantos membros da Igreja – manifesta uma cegueira injusta e condenável. E quando se vê que a rígida medida com que julga a odiada Igreja se põe de lado quando se trata de outras sociedades muito ligadas à sua afeição e interesse, então se vê claro que, mostrando-se ferido no seu pretenso sentido da pureza, revela-se semelhante àqueles que, segundo a frase incisiva do Salvador, vêem o argueiro no olho do seu irmão e não reparam na trave do seu. No entanto, embora não seja pureza de intenção, nem ofício muito digno, julgar-se alguém com vocação para examinar as sombras humanas da Igreja, e embora os poderes sacerdotais transmitidos por Deus aos seus sacerdotes não dependam do seu valor humano, nem da sua elevação moral, não é menos verdade, que em nenhuma época da História indivíduo algum de qualquer sociedade pode livrar-se do dever de examinar lealmente a sua consciência, caminhar, mesmo dolorosamente, no caminho da pureza e da santidade, criando em si próprio o homem novo, ou seja, renovando a sua vida espiritual. Na nossa encíclica sobre o sacerdócio, e na encíclica sobre a Acção Católica, insistimos no Sagrado dever de todos os filhos da Igreja, sobretudo dos que pertencem ao estado sacerdotal e religioso, bem como dos leigos que colaboram no Apostolado, de acordar a vida e a Fé naquela harmonia que a Lei de Deus e da Santa Igreja instantemente reclamam de todos. E hoje voltamos a repetir gravemente: NÃO BASTA FAZER PARTE DA IGREJA DE CRISTO, É PRECISO SER MEMBRO VIVO DA IGREJA, EM ESPÍRITO E VERDADE. E são membros vivos só os que vivem em estado de Graça, e contìnuamente NA PRESENÇA DE DEUS, NA INOCÊNCIA, NA SINCERA E CONTRITA PENITÊNCIA. Quando o Apóstolo das gentes, vaso de eleição, sujeitou o corpo, como escravo, ao azorrague da mortificação, para não ser réprobo, ele que pregou aos outros Doutrina de Salvação, que outro caminho poderá haver para os obreiros do Reino de Deus, senão o da íntima união do Apostolado com a santificação própria? Só desta maneira, se pode mostrar à humanidade de hoje, e primeiro aos contraditores da Igreja, que o sal da Terra e o fermento do Cristianismo não se corrompeu, está são e pronto para levedar e renovar ou rejuvenescer espiritualmente os homens de hoje tocados, se não já corrompidos, da dúvida e do erro. Caídos na indiferença, enfastiados e cansados de acreditar, longe de Deus, têm mais do que nunca necessidade – ainda que discordem -dessa renovação espiritual. Só uma nova Cristandade, com consciência de si, em cada um dos seus membros, RENEGANDO DA HERANÇA E DO ESPÍRITO DO MUNDO, tomando a sério os Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, VIVENDO NO AMOR DE DEUS E DO PRÓXIMO, poderá e deverá ser exemplo e guia para o mundo PROFUNDAMENTE DOENTE, o qual busca ainda quem o levante e lhe aponte o caminho da Salvação, se se não quer que sobrevenha uma ingente catástrofe, ou uma decadência indescritível.»

 

«TU NÃO SEGUIRÁS A MULTIDÃO NA PRÁTICA DO MAL»

(Êxodo 23,2)

 

Os falsos profetas da revolução conciliar, apóstata, é conhecido como tudo corrompem, até os exemplos mais sublimes de fortaleza Sobrenatural, como aquele do grande Bispo de Munster, O LEÃO DE MUNSTER, que de uma forma extraordinàriamente corajosa e viril invectivou com extrema violência as autoridades nazis, as quais haviam já iniciado a concretização da eliminação dos doentes mentais e físicos mais graves, considerados lixo pela sua inutilidade social. Nunca se deixe de advertir que Clemente Augusto Von Galen (1878-1946) arriscou imensamente a sua vida com esta atitude. Recordemos os estudantes e professores da Universidade de Munique – o movimento “Rosa Branca”, acusados de propaganda contra o regime nazi, e que logo foram guilhotinados, em 1943. Von Galen só não foi imediatamente executado porque os chefes nazis temeram uma insurreição popular na Renania-Vestefália; deixaram, pois, para depois da guerra o ajuste de contas, que o próprio Hitler declarava contarem até ao último centavo.

Nunca, na História do regime Nazi, ninguém o atacou com um desassombro e uma acutilância semelhante à de Von Galen. Em três homilias proferidas na Catedral de Munster, Von Galen, Bispo de Munster desde 1933, escalpelizou a maldade do regime nazi, fojo de criminosos de delito comum, com o seu racismo, o seu paganismo, a sua sanha homicida e trituradora de todos os direitos Divinos e humanos. Dizia Von Galen: “NEM OS LOUVORES, NEM AS AMEAÇAS, PODERÃO AFASTAR-ME DE DEUS.

Todavia, o modernismo agnóstico e ateu do Vaticano 2 apoderou-se também da figura de Von Galen, transformando-o, mentirosamente, sacrìlegamente, hediondamente, num defensor dos direitos humanos revolucionários, QUE SÃO OS DIREITOS DO HOMEM SEM DEUS, DO HOMEM QUE SE FAZ “deus” DE SI PRÓPRIO. Muito pelo contrário, Von Galen salientou-se toda a vida como um infrangível inimigo dos princípios revolucionários, da democracia, do liberalismo, do modernismo. Von Galen preparou-se toda uma vida, com a Graça de Deus, com os Dons do Espírito Santo, para o momento em que teve de escolher, POR AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS, incorrer num perigo mortal para dar pleno testemunho da Verdade e do Bem. Porque, como é conhecido da vida dos santos, ordinàriamente, não se alcança um alto grau de virtude Sobrenatural, de Santidade, de um dia para o outro, não; são necessários muitos sofrimentos sobrenaturais, sobretudo de ordem moral, muitas privações, muita solidão interior, muita meditação e contemplação, até se poder aceitar, alegremente, como uma Graça, como um privilégio, o ser chamado a dar a vida por Nosso Senhor Jesus Cristo, como Ele deu a Sua por nós (mutatis mutandis).

É possível, em certos casos, dar a vida pelo próximo, sem a Graça Santificante, ùnicamente com o auxílio da Graça Medicinal e da Graça Actual Elevante, mas tal acção NÃO ALCANÇA A SALVAÇÃO ETERNA, POR NÃO POSSUIR MÉRITO SOBRENATURAL. Não foi esse o caso de Von Galen, por mais que o contradigam os modernistas, apostados em fazer dele um MÁRTIR DOS DIREITOS HUMANOS. Von Galen, como já se referiu, abominava, com todas as suas forças, os ideais revolucionários, e como tal, JAMAIS SE SEPARARIA SOBRENATURALMENTE DE DEUS, MESMO COM O PREÇO DA PRÓPRIA VIDA.

Como não lhes convinha atingirem directamente Von Galen, os nazis enviaram para campos de concentração algumas dezenas de sacerdotes e religiosos da diocese de Munster, alguns dos quais jamais regressaram.

Von Galen não foi mártir, porque não chegou a derramar o seu sangue, fìsicamente; mas foi um confessor EXCEPCIONALMENTE HERÓICO DA FÉ CATÓLICA, DA MORAL CATÓLICA. A amaldiçoada seita anti-Cristo “beatificou” Von Galen(9/10/2005), precisamente como um “campeão dos direitos humanos”, logo numa perspectiva puramente humana e terrena, QUE É A ÚNICA QUE A SEITA ANTI-CRISTO CONHECE E AMA.

Von Galen, com o seu exemplo, ensina-nos que não só não nos devemos calar perante o mal, COMO DEVEMOS COMBATÊ-LO POSITIVAMENTE, COM AS ARMAS QUE NOS FOREM MAIS CONVENIENTES.

Só seremos dispensados de o fazer, quando por debilidade intrínseca da forma religiosa, político-coactiva, em que nos movemos, a nossa acção provoque, directamente, homogèneamente, um mal ainda maior. No caso de Von Galen, sabe-se que o regime nazi suspendeu provisòriamente o programa de eutanásia. Foi neste enquadramento que o Papa Pio XII omitiu certas condenações, em si mesmas necessárias e justas, mas que no contexto da guerra mundial iriam provocar uma verdadeira hecatombe no seio da comunidade católica ao alcance da besta nazi. Todavia, Pio XII delegou nos Bispos a faculdade de agirem, positivamente, em defesa da Verdade e da Justiça, de acordo com as circunstâncias e os lugares.

Ensina-nos a Doutrina Católica que a maior, e única, recompensa Sobrenatural para aqueles que cumprem a Lei de Deus – É O PRÓPRIO DEUS! Os confessores e os mártires encontram assim a maior felicidade Sobrenatural em proclamarem formalmente a Glória de Deus; consequentemente, a sua operação moral, por mais penosa que seja num plano meramente humano, ENCONTRA EM SI MESMA A SUA PRÓPRIA RECOMPENSA.

 

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 31 de Maio de 2018

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A SINERGIA DAS FORÇAS DO MAL

«PRM: Um artigo do mesmo autor, sobre o assunto que os homens não são moralmente piores que nas épocas anteriores, é “O modernismo e a dissolução de ser”, publicado em 4 de Março, 2014. A nossa opinião é que embora que não sejam piores, são mais tolos. Vivemos numa idade de estupidez apocalíptica.»

 

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da alocução pronunciada ao Consistório em 16 de Dezembro de 1907:

«Prestes a deixar a Igreja, adquirida com o Seu Sangue, e de passar deste mundo a Seu Pai, Nosso Senhor Jesus Cristo nos predisse, por várias vezes e muito claramente, QUE NÓS SERÍAMOS SEMPRE O ALVO DAS PERSEGUIÇÕES DOS NOSSOS INIMIGOS, E QUE NUNCA, SOBRE ESTA TERRA, NOS FALTARIAM ADVERSIDADES. O QUE HAVIA CONSTITUÍDO O QUINHÃO DO ESPOSO, DEVERIA, EFECTIVAMENTE, SER O DA ESPOSA. Ao Esposo tinha sido dito: “Reina no meio dos Teus inimigos”(Ps 109,2); da mesma forma, a Esposa deveria estender o seu Império de um oceano ao outro, através dos seus inimigos, e no meio de combates, até que ela entrasse na Terra Prometida, para gozar da felicidade e da tranquilidade Eterna.

Este oráculo do Divino Redentor, nós o vemos, hoje como em todos os tempos, cumprir-se à letra. Aqui, trava-se em batalha ordenada e em guerra aberta; acolá, recorre-se à astúcia e a estratagemas dissimulados; mas por todo o lado vemos a Santa Igreja assaltada. Todos os seus direitos, quaisquer que eles sejam, são combatidos e calcados aos pés; as suas leis, aqueles mesmos que as desprezam são aqueles que deveriam salvaguardar a sua (da Igreja) autoridade; simultâneamente, uma inundação de jornais ímpios e imorais profana a santidade da Fé e a pureza da Moral, com o maior detrimento das almas, bem como de não menor prejuízo para a sociedade civil – QUE SE DISSOLVE! Vós próprios, que haveis contemplado estes factos noutros lugares muitas vezes, haveis podido, não há muito tempo, no nosso próprio país, constatá-los quase sob os vossos olhos.

Mas a estes males, eis que se adiciona um outro, que é, incontestàvelmente, de uma gravidade extrema: Um certo espírito ávido de novidades se dissemina cada vez mais; impaciente perante qualquer disciplina e qualquer autoridade, ele coloca em discussão a Doutrina da Igreja, e mesmo a Verdade revelada por Deus, esforçando-se por abalar, até aos seus fundamentos,  a nossa santíssima Religião. É com este espírito que estão animados – prouvesse a Deus que fossem menos numerosos – aqueles que abraçam, com uma espécie de impetuosidade cega, as aspirações mais audaciosas, das quais exaltam, incessantemente, as palavras de ciência, crítica, progresso, civilização. Com detrimento da Autoridade, tanto do Pontífice Romano, tanto dos Bispos, eles lançam uma dúvida metódica, plena de impiedade, sobre os fundamentos mesmos da Fé; especialmente, aqueles de entre eles que pertencem ao clero, desdenhando o estudo da Teologia Católica, logram haurir de fontes envenenadas a sua filosofia, a sua sociologia, a sua literatura. Eles reclamam-se com grandes gritos de não sei que consciência laica em oposição com a consciência católica, e arrogam-se o direito, bem como a missão, de corrigir e reformar as consciências católicas.

Certamente, seria necessário lamentarmo-nos, se tais homens, abandonando o seio da Igreja, passassem para as fileiras dos nossos inimigos declarados; mas, o que é bem mais deplorável,  É QUE ELES ALCANÇARAM UM TAL GRAU DE CEGUEIRA, QUE ELES SE CRÊEM AINDA E SE PROCLAMAM FILHOS DA IGREJA, AINDA QUE HAJAM RENEGADO, DE FACTO, SENÃO MESMO POR PALAVRA, O JURAMENTO DE FIDELIDADE QUE PRESTARAM NO BAPTISMO.

É assim que, MOVIDOS POR UMA FALACIOSA TRANQUILIDADE DE CONSCIÊNCIA, ELES PROSSEGUEM NAS SUAS PRÁTICAS CRISTÃS, NUTREM-SE DO CORPO SANTÍSSIMO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, E MESMO – HORROR – SOBEM AO ALTAR PARA AÍ OFERECER O SANTO SACRIFÍCIO; E ENTRETANTO, AS SUAS OPINIÕES, QUE PROFESSAM COM UMA OBSTINAÇÃO IRREDUTÍVEL, DEMONSTRAM QUE ELES PERDERAM A FÉ, E QUE CONQUANTO SE CONSIDEREM AINDA A BORDO DO NAVIO – LAMENTÀVELMENTE JÁ NAUFRAGARAM!

 

Foi Nosso Senhor Jesus Cristo, que de uma forma dogmàticamente definitiva, nos revelou este pobre mundo como sendo o primeiro grande inimigo da alma dos verdadeiros e piedosos fiéis. Nosso Senhor declarou solenemente que a maior e mais profunda hostilidade entre a Santa Madre Igreja, Sua dilecta Esposa, e este mundo – SERÁ PERPÉTUA!

Constitui assim uma verdadeira heresia sustentar que a apostasia reinante constitui apenas um preâmbulo para a conversão universal do mundo; INSISTO – TRATA-SE DE UMA VERDADEIRA HERESIA, QUE PODERÁ SER MATERIAL NAS ALMAS SEM ESTUDOS TEOLÓGICOS E SEM CATECISMO, MAS QUE CONSTITUI HERESIA FORMAL NAS PESSOAS DE ESTUDO. Uma tal tese constitui como que um subproduto, julgado inofensivo, do condenadíssimo milenarismo, mas é tão anti-católico como este.

A Sagrada Escritura e a Santa Tradição convergem nìtidamente na revelação de uma progressiva apostasia do Género Humano, apostasia que será totalmente universal e irreversível aquando da Parúsia final. Ora, a nossa época é, indubitàvelmente pré-escatológica.

Mas será que os homens se vão tornando piores com o evolver dos séculos? Sabemos que a Providência Divina consente a satanás que opere uma determinada provação sobre os homens. Todos os males deste mundo, mesmo as intervenções satânicas, destinam-se a requalificar, a sublimar, o Bem. Deus não quer o mal em si mesmo e por si mesmo; o que Deus quer, globalmente, é um mundo onde embora, quantitativamente, haja muito mais mal do que Bem, porque a grande maioria dos homens são maus, todavia o Bem e a Santidade de poucos, qualitativamente, VENCE O MAL DE MUITOS!

Mas também é certo, que a acção de satanás tem produzido uma sinergia das forças do mal ao longo dos séculos. Existe sinergia sempre que se processa uma concentração e uma coerência na acção de diversos factores, em ordem à consecução de determinado efeito. Por exemplo: Se as forças de vários homens se concentrarem actuando perfeitamente em simultâneo, serão eficazes em levantar um grande peso; se contudo essa concentração de esforços for deficiente, o resultado será medíocre. Satanás tem logrado, nos últimos séculos, com o auxílio, primeiro da imprensa, e depois do rádio e da televisão, da técnica em geral, não tanto aumentar a maldade essencial intrínseca nas almas, mas alinhar acumulativamente as más acções dos homens, gerando um terrível ruído extrínseco e material, que como que multiplica a sensação positiva de mal. Se um mau exemplo for reproduzido na televisão, de modo a que milhões de pessoas, em perfeita simultaneidade, dele tomem conhecimento, tal poderá causar uma verdadeira explosão de forças maligas com resultado bem mais tenebroso do que se não existisse tal simultaneidade social do estímulo mau.

Há muita gente que pensa que a enorme vaga de legalização do aborto dos últimos 60 anos, em todo o mundo, é constitutiva de um crescimento essencial de malícia humana. Mas tal não é, em absoluto, verdade; PORQUE ESSE PROCESSO É APENAS CONSEQUÊNCIA DO GRANDE PROGRESSO DA MEDICINA, ALINHADO COM O NOTÁVEL DESENVOLVIMENTO TÉCNICO DAS FUNÇÕES DO ESTADO.

Mas então a apostasia conciliar também não constituiu um impulso nesse sentido? Sem dúvida que sim, mas como acelerador, sobretudo em Itália, onde os comunistas e maçons, imediatamente após o encerramento do amaldiçoado Vaticano 2 (1965) logo propuseram no Parlamento, e conseguiram, a legalização do divórcio (1969), e do aborto (1978), com a total passividade altamente colaborante dos modernistas da Democracia dita Cristã. Com Pio XII, não teria sido possível um tal descaramento na terra Sagrada de Itália, berço do Catolicismo.

As forças do mal, para se ostentarem materialmente, NECESSITAM SER SOCIALIZADAS COM EFICÁCIA. Como já referimos, o primeiro grande instrumento para tal foi a invenção da imprensa, em meados do século XV.

Não afirmamos que não haja um determinado aumento acidental de maldade humana, evidentemente que também há – MAS É SÒMENTE ACIDENTAL, NÃO ESSENCIAL. Todavia, no plano da manifestação extrínseca e material da maldade humana, O SÉCULO XX FOI O PIOR DOS PIORES, PORQUE NELE TODAS AS FORÇAS DO MAL DESFRALDARAM AO VENTO DO INFERNO, EM TOTAL LIBERDADE, EM TOTAL IMPUNIDADE.

O Género Humano, depois do pecado original, não sofreu mais nenhuma transformação ontológica fundamental. Mas a condição espiritual dos homens que renegam a Cristo é muito pior do que a condição daqueles que viveram sem Cristo. Exactamente por isso é que São Tomás pôde recolher materialmente certos elementos da filosofia aristotélica, e nós hoje não podemos utilizar rigorosamente nada das filosofias modernas, sobretudo a partir do século XVII; porque tais filosofias foram concebidas por espíritos profundamente corrompidos pela execração à Pessoa adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Neste quadro conceptual, há também a considerar uma acumulação do mal através das idades que vai enfraquecendo de alguma maneira o espírito humano. É que enquanto o possível progresso espiritual e moral de uma geração não é transmissível à geração seguinte; a maldade moral de uma geração logra debilitar a geração seguinte; tal acontece devido à grande tendência para o mal semeada em nós pelo pecado original.

Insiste-se: O que se acaba de referir não significa, de modo nenhum, que os homens de hoje sejam essencialmente piores, na sua qualidade moral, do que os homens de antanho.

Que se afirme muito claramente: A TRISTE SITUAÇÃO A QUE CHEGOU A HUMANIDADE, BEM COMO OS TERRÍVEIS MALES PROVOCADOS PELO ECLIPSE DA SANTA MADRE IGREJA, TUDO ISSO É ABSOLUTAMENTE IRREVERSÍVEL.

Tal não nos deve lançar no desespero, na exacta medida em que Nosso Senhor nunca faltará com a Graça aos Seus eleitos. Cumpre-nos assim certificar a nossa fidelidade na perfeição da Doutrina e na perfeição da face prática da Doutrina que é a Moral. Que o equilíbrio Sobrenatural de atitudes constitua a nota distintiva, o carácter Sagrado, daqueles que são chamados a viver nesta idade pós-Cristã.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 28 de Maio de 2018

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

PORQUE REINA A SODOMIA NA SEITA CONCILIAR?

«PRM: o artigo é muito oportuno. O mês de Junho será de LGBT (let God burn them, id est, ou LGBTQ=let God burn them quickly) especialmente nos Estados Unidos (USA =the Union of Sodomy and Abortion) mas também em Portugal. Logo, neste artigo vê-se que a apostosia pode ter castigos deste tipo, especialmente para os reprovados (os que ultrapassaram todas as marcas, portanto já não têm esperança). Antes da abominação desoladora (desolate abomination/abominable desolation) eis a obaminação desoladora (desolate obamination).

A passagem bíblica relevante, na Vulgata Sistino-Clementina, versão normativa da Igreja, é:

Rom  2:18 Revelátur enim ira Dei de cælo super omnem impietátem, et injustítiam hóminum eórum, qui veritátem Dei in injustítia détinent : 19 quia quod notum est Dei, maniféstum est in illis. Deus enim illis manifestávit. 20 Invisibília enim ipsíus, a creatúra mundi, per ea quæ facta sunt, intellécta, conspiciúntur : sempitérna quoque ejus virtus, et divínitas : ita ut sint inexcusábiles. 21 Quia cum cognovíssent Deum, non sicut Deum glorificavérunt, aut grátias égerunt : sed evanuérunt in cogitatiónibus suis, et obscurátum est insípiens cor eórum : 22 dicéntes enim se esse sapiéntes, stulti facti sunt. 23 Et mutavérunt glóriam incorruptíbilis Dei in similitúdinem imáginis corruptíbilis hóminis, et vólucrum, et quadrúpedum, et serpéntium.

24 Propter quod trádidit illos Deus in desidéria cordis eórum, in immundítiam, ut contuméliis affíciant córpora sua in semetípsis : 25 qui commutavérunt veritátem Dei in mendácium : et coluérunt, et serviérunt creatúræ pótius quam Creatóri, qui est benedíctus in sǽcula. Amen. 26 Proptérea trádidit illos Deus in passiónes ignomíniæ : nam féminæ eórum immutavérunt naturálem usum in eum usum qui est contra natúram. 27 Simíliter autem et másculi, relícto naturáli usu féminæ, exarsérunt in desidériis suis in ínvicem, másculi in másculos turpitúdinem operántes, et mercédem, quam opórtuit, erróris sui in semetípsis recipiéntes. 28 Et sicut non probavérunt Deum habére in notítia, trádidit illos Deus in réprobum sensum, ut fáciant ea quæ non convéniunt, 29 replétos omni iniquitáte, malítia, fornicatióne, avarítia, nequítia, plenos invídia, homicídio, contentióne, dolo, malignitáte : susurrónes, 30 detractóres, Deo odíbiles, contumeliósos, supérbos, elátos, inventóres malórum, paréntibus non obediéntes, 31 insipiéntes, incompósitos, sine affectióne, absque fóedere, sine misericórdia. 32 Qui cum justítiam Dei cognovíssent, non intellexérunt quóniam qui tália agunt, digni sunt morte : et non solum qui ea fáciunt, sed étiam qui conséntiunt faciéntibus. »

 

Escutemos o Papa Leão XIII, num trecho da sua encíclica “Libertas”, promulgada em 20 de Junho de 1888:

«Sem dúvida alguma, entre todos os deveres do homem, o maior e o mais santo,  é aquele que lhe ordena que renda a Deus um culto de piedade e de Religião. E esse dever não é senão  uma consequência do facto de nós estarmos perpètuamente sob a dependência de Deus, governados pela vontade e providência de Deus, e de que, saídos d’Ele, a Ele devemos voltar.

Deve-se acrescentar, de que nenhuma virtude digna desse nome pode existir sem Religião, pois a virtude moral é aquela cujos actos têm por objecto tudo o que conduz a Deus, considerado como Supremo e Soberano Bem do homem; e por isso é que a Religião que “pratica os actos tendo por fim directo e imediato a honra Divina”É A RAINHA, E AO MESMO TEMPO, A REGRA DE TODAS AS VIRTUDES. E se se pergunta qual, entre todas essas religiões opostas, se deve seguir, com exclusão das outras, a razão e a natureza unem-se para nos responder: A que Deus prescreveu e que é fácil de distinguir, graças a certos sinais exteriores, pelos quais a Divina Providência a quis tornar reconhecível, POIS QUE EM COISA DE TANTA IMPORTÂNCIA O ERRO TERIA CONSEQUÊNCIAS DESASTROSAS. É por isso que oferecer ao homem a liberdade de que falamos (a liberdade religiosa),É DAR-LHE O PODER DE DESVIRTUAR OU ABANDONAR IMPUNEMENTE O MAIS SANTO DOS DEVERES, AFASTANDO-SE DO BEM IMUTÁVEL, A FIM DE SE VOLTAR PARA O MAL. Isso, já o dissemos, não é liberdade, E SIM DEPRAVAÇÃO DA LIBERDADE, E UMA ESCRAVIDÃO DE ALMA NA ABJECÇÃO DO PECADO.

Encarada do ponto de vista social, essa liberdade quer que o Estado não renda culto algum a Deus, ou que não autorize nenhum culto público; que nenhuma religião seja preferida a outra, que todas sejam consideradas como tendo os mesmos direitos, sem mesmo ter atenção com o povo, nem quando esse povo faz profissão de catolicismo. Mas, para que assim fosse, seria necessário que realmente a sociedade civil não tivesse nenhum dever para com Deus, ou que tendo-o, pudesse impunemente afastar-se dele – o que é igual e manifestamente falso. Com efeito, não se pode pôr em dúvida que a reunião dos homens em sociedade seja obra da vontade de Deus; e isso, quer se considere em seus membros, quer se considere na sua forma que é a Autoridade, na causa, quer no número e importância das vantagens que ela encontra no homem. Foi Deus Quem fez o homem para a sociedade, e o uniu aos seus semelhantes, a fim de que as necessidades da sua natureza, às quais os seus esforços isolados não poderiam dar satisfação, as possam encontrar na comunidade. Eis aí, por que a sociedade civil, como sociedade, deve necessàriamente reconhecer Deus como seu principal Autor, e,por conseguinte, render ao Seu Poder e à Sua Autoridade, a homenagem do Seu culto. Nem segundo a Justiça, nem segundo a razão, O ESTADO PODE SER ATEU, OU, O QUE VIRIA A DAR NO ATEÍSMO, ESTAR ANIMADO A RESPEITO DE TODAS AS RELIGIÕES, COMO SE DIZ, DAS MESMAS DISPOSIÇÕES, E CONCEDER-LHES INDISTINTAMENTE OS MESMOS DIREITOS.»

Escutemos São Paulo numa passagem da Epístola aos Romanos:

«Considerando-se sábios, tornaram-se néscios, e trocaram a Glória de Deus incorruptível por figuras de homem corruptível, de aves, de quadrúpedes e de répteis.

Por isso, Deus, segundo os desejos dos seus corações, OS ENTREGOU À IMPUREZA, A FIM DE QUE NELES SE DEGRADASSEM OS PRÓPRIOS CORPOS; ELES QUE TROCARAM A VERDADE DE DEUS PELA MENTIRA, que veneraram a criatura e lhe prestaram culto, de preferência ao Criador, O Qual é bendito por todos os séculos. Amen.

Por este motivo Deus os entregou às paixões degradantes, pois as suas mulheres mudaram o uso natural, em outro uso que é contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, abrasaram-se na mútua concupiscência, praticando uns com os outros o que é indecoroso, e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento.

E como não procuraram ter de Deus conhecimento perfeito, entregou-os Deus a um sentimento pervertido. (…) Esses, conquanto conhecessem bem o Decreto de Deus: DE QUE SÃO DIGNOS DE MORTE OS QUE TAIS COISAS PRATICAM, não só as cometem, como também aprovam os que a praticam.»

(Rom 1,22-32)

A maçonaria internacional, no seu infernal plano para usurpar a seu serviço a face humana do Corpo Místico, juntamente com a nomenclatura e aparência da própria autoridade da Santa Madre Igreja, jamais olvidou que a corrupção extrema de costumes, entre clero e fiéis,  seria da maior utilidade para a consecução desse plano.

É do conhecimento, não só da Teologia, mas também do Catecismo aprofundado, que sem a Graça Medicinal é FÌSICAMENTE impossível ao homem o pleno cumprimento material da Lei Natural; e é igualmente MORALMENTE impossível tal cumprimento sem a Graça Elevante Sobrenatural actual. Mas se considerarmos certos aspectos mais penosos e difíceis da Lei Natural, num contexto do dramatismo essencial da vida, ENTÃO, PARA VENCER TODAS ESSAS VICISSITUDES JÁ É MORALMENTE NECESSÁRIA A GRAÇA SANTIFICANTE.

Para amar a Deus sobre todas as coisas de um modo natural, é absolutamente necessária a Graça Medicinal, a qual possui, ontològicamente, carácter Preternatural sarando, em certa medida, a ferida da natureza.

A seita conciliar, como é sabido, destruiu toda a Ordem Sobrenatural, na exacta medida em que obliterou todo o Dogma, toda a Moral, e toda a sã Filosofia; mas por isso mesmo, por arrastamento, arruinou igualmente a Ordem Natural.

O liberalismo, muito mais do que o comunismo, possui esta terrível eficácia de seduzir, queimando tudo à sua volta. Não duvidemos: FOI O LIBERALISMO QUE ANIQUILOU A FACE HUMANA DA SANTA MADRE IGREJA – O LIBERALISMO E NÃO O COMUNISMO. A forma liberal aplicada, premeditadamente, a um enunciado doutrinário, Católico, materialmente verdadeiro – redú-lo, de imediato, A PÓ E CINZA! E a grande vantagem para a maçonaria, reside em que essa aniquilação se processa de modo tendencialmente subliminal. E sabe-se que a psicologia humana possui muito poucas defesas contra processos subliminais.

Neste quadro conceptual, a maçonaria internacional, TAMBÉM POR MOTIVOS ECONÓMICOS, manteve o celibato, e até enaltecendo-o MATERIALMENTE; ora, esta invocação dos benefícios religiosos da ascese, COM SIMULTÂNEA E PREMEDITADA SONEGAÇÃO DAS FORÇAS SOBRENATURAIS NECESSÁRIAS À SUA EFECTIVAÇÃO E À SUA VIVÊNCIA, PROVOCOU NO CLERO UMA CONTRADIÇÃO INTELECTUAL E MORAL, TÃO PROFUNDA, TÃO DEVASTADORA, TÃO IMPOSSÍVEL DE SUPORTAR – QUE LANÇOU O MESMO CLERO NA PEDERASTIA, E ATÉ NA PEDOFILIA – PARA QUEIMAR ETAPAS!   Reside aqui a origem última da monstruosa crise moral que a seita conciliar atravessa. Registe-se, que a grande maioria do “clero” actual – É INVÁLIDO, SEM O CARÁCTER DA ORDEM!

Nunca se deixe de advertir, que a MAÇONARIA CONSPIROU DELIBERADAMENTE, PREMEDITADAMENTE, PARA POSSUIR UM “CLERO” SODOMITA, TAL COMO NO PASSADO SE ESFORÇAVA POR TER UM CLERO CASADO. Nada na seita conciliar sucede por acaso, não, foi tudo preparado, com esmero diabólico, para surtir determinadas consequências.

Como já foi afirmado, é necessária a Graça Santificante para resistir a certas solicitações diabólicas que a vida suscita. E nós hoje sabemos que a Santa Igreja, nos tempos imediatamente anteriores ao Vaticano 2, essa Igreja – SANTA NA SUA PERSONALIDADE DE DIREITO DIVINO, NO SEU SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA, NOS SEUS SACRAMENTOS – possuía, contudo, a maioria dos seus membros em pecado mortal habitual. Efectivamente, o falso concílio Vaticano 2 não surgiu do nada; e mesmo com papas falsos, se a maioria, ou pelo menos, parte substancial, dos bispos conciliares FOSSE COMO VON GALEN, o Vaticano poderia ficar ocupado pelos anti-Cristos, MAS A PARTE SÃ DA SANTA MADRE IGREJA ERGUER-SE-IA COMO UM TODO, E AMPUTARIA COM EXTREMA SEVERIDADE OS MEMBROS PODRES, PROSSEGUINDO HISTÒRICAMENTE NA SUA MISSÃO, EMPUNHANDO GLORIOSAMENTE O ESTANDARTE DE NOSSO SENHOR JESUS.

O que é que se pode esperar de homens vivendo habitualmente em pecado mortal? E num ambiente “religioso” francamente entusiasmado na proclamação do princípio da liberdade religiosa, do compromisso com o mundo e com o progresso social? E quando muitos desses homens vivem em comunidade, por vezes em colégios e outros estabelecimentos povoados de crianças e adolescentes? A MISÉRIA HUMANA É IMENSA, E SE RECUSA OS BENS SOBRENATURAIS, NÃO HÁ NADA, RIGOROSAMENTE NADA, QUE A POSSA SALVAR DAS PIORES E MAIS HORRENDAS ABERRAÇÕES. OS CHAMADOS MEIOS NATURAIS, APENAS A PRECIPITARÃO NUM DESESPERO AINDA MAIS PROFUNDO.

Monsenhor Lefebvre, já há mais de quarenta anos referia-se frequentemente à extrema dificuldade do clero em respeitar a lei do celibato, doutrinado que estava sendo pelo liberalismo conciliar. A maçonaria sempre soube perfeitamente, ainda que não o confessasse pùblicamente, que A DESTRUIÇÃO DOS BENS SOBRENATURAIS SERIA CONSTITUTIVA DA TRANSFORMAÇÃO DA SANTA IGREJA NUMA SEITA NATURALISTA E TERRENISTA; E QUE O MEIO MAIS EFICAZ PARA O CONSEGUIR ERA FAZER RECONHECER OFICIALMENTE O DITO PRINCÍPIO DA LIBERDADE RELIGIOSA. Mas, muita atenção, a Santa Madre Igreja, na sua Indefectibilidade, na sua Infalibilidade, na sua Santidade, JAMAIS RECONHECEU ESSE AMALDIÇOADO PRINCÍPIO, FOI A A MAÇONARIA INTERNACIONAL QUE O RECONHECEU, SIMULANDO CONSTITUIR A AUTORIDADE DA SANTA IGREJA, USURPANDO A CÁTEDRA DE PEDRO E AS CÁTEDRAS EPISCOPAIS.

Exactamente por isso, a Santa Madre Igreja jamais se transformou numa seita terrenista, tendo sido eclipsada pela maçonaria, a qual aparenta ocupar legalmente os postos eclesiásticos, com  A CUMPLICIDADE TOTAL DAS POTÊNCIAS CIVIS, REALMENTE ALIVIADAS POR JÁ NÃO SENTIREM, OFICIAL E PÙBLICAMENTE, ANATEMATIZADO O SEU LAICISMO DEICIDA.

Certamente, sempre houve pecados contra a natureza no seio da Santa Madre Igreja e entre o clero, sempre houve, e de que maneira, violações da lei do celibato. Mas havia a consciência de que se infrigia a Santa Lei de Deus; E as Fontes Sobrenaturais de Santidade, o Santo Sacrifício da Missa e os Sacramentos, estavam sempre objectivamente disponíveis. Mas agora NÃO HÁ NADA, A SITUAÇÃO É DE TOTAL AMORALIDADE, A PRÓPRIA ORDEM NATURAL ENCONTRA-SE IRREMEDIÀVELMENTE ARRUINADA. TUDO SE EXTINGUIU NO INFERNO NIILISTA E ANARQUISTA.

Insiste-se: As potencialidades Sobrenaturais – não em sentido metafísico – do Género Humano encontram-se exauridas. É A UM PEQUENINO RESTO, QUE NÃO DOBROU O JOELHO DIANTE DE BAAL, QUE COMPETE CONTINUAR A LEVAR A CRUZ DA IGREJA DE CRISTO.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 24 de Maio de 2018

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

DOUTE AMER SUR SŒUR LUCIE PLIABLE AU NOUVEL ORDRE RELIGIEUX.

Arai Daniele

Très répandue est la pensée selon laquelle le Message prophétique de Fatima repose, et  sur  le témoignage de vie dans le sein de l’Eglise de Sœur Lucie, voyante et confidente de Notre-Dame, et sur ses déclarations. Dans le monde catholique traditionaliste, les dévots de Fatima aimeraient se convaincre que sœur Lucie a résisté à la mutation qui promeut le nouvel ordre religieux élaboré en Vatican II, lequel se donne faussement pour être conforme à l’esprit de l’Eglise bimillénaire. Cela dure depuis près de soixante ans et la religieuse a bien montré jusqu’à sa mort en 2005 qu’elle y était plongée.

Un travail important sur la vie de Lucie fut publié par la Contre Réforme Catholique,  laquelle nie purement et simplement que la religieuse ait succombé aux nouveautés, excluant toutefois la « messe » néo-protestante de Montini ainsi que d’autres diktats des « papes conciliaires ». Or, le fondateur de la CRC, l’abbé de Nantes, qui est allé trois fois à Rome pour accuser publiquement ces derniers d’hérésies, a accepté lui-même ces changements ! Comment peut-on croire qu’il ait fourni une analyse objective sur la voyante, alors que, étant encore en vie, elle est par lui « canonisée » et  comme le dernier lien entre le ciel et la terre ?

La vérité exige plutôt de considérer l’état psychologique plus détaillé de Sœur Lucie face aux nouvelles « autorités » qui, pour elle, étaient revêtues de la puissance du Christ, de sorte que leur volonté était celle du Seigneur, ainsi qu’elle l’a déclaré clairement  dans ses Mémoires.

Cette détermination de Lucie doit servir de point de départ à l’explication de certaines contradictions dans lesquelles elle est tombée dans la période postérieure à 1959, à savoir, en ce qui concerne le temps après Pie XII quand la troisième partie du secret de Fatima devait être publiée. C’est depuis lors que l’on fut pris d’un doute amer sur l’acceptation ou non du nouvel ordre religieux par la sœur, autrement dit de sa pleine acceptation des innovations liturgiques et doctrinales.

Et ce doute est troublant et lancinant au point de donner lieu à l’hypothèse de deux Sœur Lucie : une vraie sœur Lucie réduite au silence absolu et soumise à un martyre spirituel, une fausse sœur Lucie, faire-valoir de la nouvelle religion et de ses protagonistes.

Dans l’approfondissement de la réaction psychologique de Lucie face à sa responsabilité de dépositaire d’un « secret » concernant la vie de l’Eglise et le salut du monde, le remplacement de la carmélite est exclu par les témoignages de sa famille et par la comparaison déséquilibrée entre la probabilité d’un sosie humain (non démon) et l’opération romanesque de la substitution permanente d’une voyante mondialement connue et observée, sans laisser aucune piste, aucune trace, aucun soupçon.

Remarquons qu’il n’était nul besoin de remplacer Lucie, les preuves de son obéissance sans faille aux autorités religieuses étaient suffisantes. Au for interne, la sœur pouvait  bien réprouver certaines injonctions, mais la question est de savoir si elle a cédé ou non sur ce qui est contraire à l’essence du secret et des paroles de la Mère de Dieu, par le fait d’un état psychologique de sujétion, à la limite de l’asservissement sinon de la servilité.  Le cas extrême et emblématique concerne l’interview de Lucie par le  Père Augustin Fuentes, le 27/12/1957.

Les considérations suivantes commencent par le contraste entre les mots inspirés à la Sœur par la Vierge Marie au sujet de la bataille décisive déclenchée par le diable contre l’Eglise et la rétractation publique ultérieure que Lucie fit de ses propres déclarations. Cette étonnante dénégation, en accusant le Père, ne revient-elle pas à dire que le Père Fuentes se serait livré à une fabulation ou à une forgerie ? Le fait que, selon sa conception de l’obéissance, elle devait se soumettre à l’ordre de l’évêque de Coimbra, Dom Ernesto Sena de Oliveira, publié le 9 juillet 1959, ne devait-il pas provoquer une crise dans la conscience de la messagère du ciel ?

Notez que ceux qui suivent les questions de Fatima et sont fournis en livres contenant des lettres de Sœur Lucie de toutes les périodes, sont surpris qu’il n’y en ait aucune durant la période allant de 1955 à 1969 : quatorze années de silence épistolaire ! Le fait est que dans ce temps il y avait une importante controverse au sujet de son entretien avec le Père Fuentes et de sa rétractation correspondante. L’épisode est connu et ici résumé : « Face à une nouvelle Eglise et à ses dirigeants qui se sont distancés des « prophètes de malheurs », selon le mot de Roncalli, donc de Fatima, Lucie, pour être fidèle aux paroles de la Mère de Dieu sur la situation désastreuse de l’Eglise et du monde après Pie XII, pouvait-elle sans douloureux conflit de conscience feindre d’ignorer la déviation diabolique de Rome ? Quel pouvait être l’état de son âme, sachant que les mots sur des maux très sérieux révélés lors de l’interview se sont avérés exacts ? Etant inspirée par Notre-Dame, comment aurait-elle pu être induite en erreur ou les interpréter faussement ?

En suite l’événement à signaler est le voyage de Roncalli à Fatima, comme légat pontifical, au cours duquel il révéla une  sourde aversion pour le secret de la Vierge. Il s’y était rendu le 13 mai 1956, et devant un demi-million de fidèles, avait prononcé pour l’occasion une homélie en portugais parlant de l’évènement de Fatima comme: «… précurseur d’une nouvelle Pentecôte dont le parfum céleste commence maintenant à mesurer l’étendue et les mystérieuses richesses ». Roncalli décrivit ensuite les apparitions, mais il semble qu’il voulait rejeter les mots du secret sur l’Enfer en disant: « Pour le 13 Juillet, quelques incertitudes ! Mais Jacinta clairement résoudre tout doute : Non, le diable ne peut pas être ; le diable est si mauvais et il est sous le sol ». (Écrits et discours du Patriarche de Venise, Paulist Press, 1959 v.2, pp. 423, 425).

Notez l’ambiguïté de la phrase. La vision donnée par la Très Sainte Vierge Marie aux petits bergers, leur montrant l’enfer avec ses démons, avait formé leur conscience et leur avait donné la volonté de se sacrifier pour les pécheurs. Pour Roncalli, la vision est réduite à une sorte de blague enfantine ! La raison pour laquelle un haut dignitaire ecclésiastique, extrêmement rusé, était décidé à s’opposer au secret de Fatima, malgré l’attente universelle de sa divulgation, était son aversion pour ce qu’il appelait « les prophéties de malheurs », parce que antithétiques à son projet global de conciliation de l’Eglise avec le monde moderne et de construction d’un nouvel ordre religieux mondial.

Deux ans et demi plus tard, en inaugurant Vatican 2, non seulement il mettra le Secret au secret, mais il fera aussi censurer l’interview de Sœur Lucie au Père Fuentes, interview qui est, comme on le sait, l’écho des avertissements et conseils de Notre-Dame du Rosaire.

Qui peut savoir ce qui a pesé sur l’esprit de Sœur Lucie dans la période 1958-1969, période sans lettres ni journal enregistrés et connus ? Par conséquent, on ne peut que constater la flagrante contradiction entre la grave sévérité des paroles inspirées par la Mère de Dieu à sa confidente qui les a transmises au Père Fuentes et la rétractation qui a suivi. Et parallèlement, entre ces confidences au Père Fuentes et l’esprit calamiteux du nouvel ordre imposé à l’Eglise en vue de sa destruction, par Roncalli et Montini, pour la période concernée.  L’Esprit-Saint ne se contredit pas ; mais la sœur se croyait liée par l’obéissance, absolue jusqu’à en être erronée, à ces « papes conciliaires ». Et c’est probablement ce qui fit basculer sa conscience dans l’acceptation affichée de la religion de Vatican II. La contradiction interne ne pouvait se résoudre que par un héroïque non possumus ou par un lâchage. Ce dernier explique les deux périodes contradictoires dans la vie de sœur Lucie.

Le refus de Lucie accompagné d’une note de la Curie de Coimbra

Le journal local, dans un encart payé, donne une  nouvelle en grandes lettres : « Sœur Lucie nie ». Séparément, est publiée la note suivante de la Curie : « La Curie diocésaine de Coimbra peut annoncer que Sœur Lucie, après avoir donc dit tout ce qu’elle pensait devoir dire à propos de Fatima, et qui se trouve dans plusieurs ouvrages publiés sur Fatima, au moins de Février 1955 à ce jour,  n’a rien dit d’autre et n’a donc autorisé quiconque à publier quoi que ce soit qui puisse être attribué à Fatima. Coimbra, 2 Juillet 1959. » Voilà la date de la censure : février 1955 ! Cela permettait de nier ce qui a été publié en 1957 par le Père Fuentes !

On voulait nier l’avertissement de l’attaque finale imminente du diable contre l’Église en tant que « prophétie de malheurs » alarmiste pour les « temps nouveaux » ! Et cela avec le concours de Lucie ? Et celle-ci a collaboré au sabotage des paroles véridiques reçues par elle de la Mère de Dieu !… Cependant, puisque les déclarations de sœur Lucie sont véridiques, ainsi que les gens le pensent et que même la religieuse ne l’a pas nié plus tard, elles ont nécessité une intervention urgente de Marie à Fatima.

Quelle chose est donc arrivée en 1959 laissant entendre que les propos de Lucie étaient pure imagination et contraires à l’esprit de Vatican II ? Rien autre que l’étrange élection de Roncalli à Rome ? Venons-en aux événements qui succédèrent à l’entrevue évoquée plus haut.

Le 9 Octobre le pape XII meurt et le 28 suivant est élu le Cardinal Roncalli, sous le nom de Jean XXIII. De celui-ci, la sœur avait probablement déjà une idée à cause de son discours entendu à Fatima en 1956 et diffusé par la radio nationale. Toutefois, on peut penser que son élection suscita la joie au Carmel de Lucie, car il avait la réputation d’un homme simple et bon, capable de remplacer dignement Pie XII. En fait, il causa une énorme surprise dans sa façon de faire inhabituelle de pape nouvellement élu, par des visites dans les hôpitaux, les paroisses et les prisons de Rome. Des informations circulaient dans le monde, dessinant un portrait de Jean 23 « papa buono » et défenseur de la paix avec tous. C’est ainsi qu’au Carmel de Coimbra il semblait un bon présage. Mais qu’est-ce que cela pouvait signifier pour la messagère de Fatima qui avait entendu les mots d’une lutte imminente contre l’Église et Notre-Dame ? Peut-être s’était-elle trompée en imaginant des catastrophes à l’encontre du sentiment général de paix !… Puis, dès les premiers jours de Roncalli au Vatican, vint l’ordre de la Curie de Coimbra de refuser un nouvel « entretien » au Père Fuentes.  Donc quelques mois seulement avant la sortie de l’avis annonçant que la troisième partie du secret ne serait pas publiée et ne le serait peut-être jamais.

Les objections de Jean 23 contraires au mystère de Fatima devinrent de plus en plus évidentes. Mais la mauvaise notion d’obéissance à outrance persistait, en dépit de ce que Lucie croyait vrai, indiquant, en l’absence de déclarations formelles de la carmélite, qu’elle était prête à obéir au détriment même de la crédibilité de Fatima. Ainsi, les années passèrent dans le silence de Rome et de Lucie sur les avertissements de Notre-Dame de Fatima. L’ordre était de suivre les nouveaux « papes conciliaires » et d’accuser ceux qui soulevaient des doutes au sujet de leur doctrine.

Lettre au Dr Alcino, 27/12/1969.

Au cours de la période où le monde catholique commençait à jeter le doute sur la légitimité de Paul 6, qui venait de promulguer une « nouvelle messe » dans l’esprit de Vatican II, la religieuse avait  écrit au docteur Alcino :

« Bon Nouvel An … unis au leader suprême, qui est le Pape Paul VI. Il n’y en a pas un autre qui soit vrai, ni choisi par Dieu comme la tête de son Corps mystique sur la terre. Il est le guide de son peuple. Peuple de Dieu, qui forme l’Église militante dont nous avons le bonheur d’être membres ;  nous devons rester fidèles et fermes dans la foi, l’espérance et la charité, ainsi que le représentant du Christ sur la terre, en suivant son enseignement, ses directives. Si quelqu’un dit le contraire, ne lui donne pas de crédit, celui-là est en erreur ; ils sont ceux mentionnés par le Seigneur dans son Evangile : « Les branches qui se séparent de la vigne, dépérissent, tarissent et ne servent qu’à être jetées dans le feu pour y brûler. »

Après 1969 on eut enfin des lettres de sœur Lucie, avec un langage prolixe, pour recommander la fidélité à la nouvelle Eglise. Elle veut communiquer sa fidélité = obéissance totale ?

Des supposées visites de la Madone à Lucie, au Carmel.

Dans le livre publié par le Carmel, où l’on fait un résumé de ses mémoires, durant la période antérieure à 1958, rappelons-le, le passage de la 1ère visite de la sainte Vierge à Lucie au Carmel du 22 Août 1949, lui donnant la lumière sur le chemin qu’elle devait suivre, comme avant à Fatima dans la « septième apparition » (?), désignant l’obéissance à l’évêque comme à la volonté de Dieu ».

Le 31.12.1979. Sœur Lucie décrit ce moment de prière intense : « Dans mon esprit tout était sombre et l’amertume dans mon cœur ! Comment, Seigneur, ton Eglise ne peut périr ! Est-ce que vous n’avez pas promis de rester avec nous jusqu’à la fin des temps ? Ne lui avez-vous pas donné pour mère Votre propre Mère parce qu’elle est sa protectrice, pour la défendre contre tant d‘ennemis et pour l’aider dans les voies sinueuses des difficultés de la vie? N’avez-vous pas promis l’aide du Saint-Esprit, lumière et source de la grâce, force et sagesse, qui éclaire les esprits et les guide dans les voies de la vérité, de la justice et de l’amour ? Si c’est exact, Seigneur, prends ma vie, parce que d’abord je veux mourir, plutôt que d’arrêter de te servir et de t’aimer… Alors une main douce a touché mon épaule, c’était la douce Mère qui m’avait écouté: « Dieu vous a entendue et m’envoie vous dire que nous devons intensifier notre prière et notre travail pour l’unité de l’Eglise, les évêques avec le Saint-Père, avec les évêques et les prêtres pour diriger le peuple de Dieu pour dans les voies de la vérité, de la foi, de l’espérance et de l’amour, unis dans le Christ notre Sauveur. »

 Après cette rencontre, on écrit qu’elle se sentit en paix. Mais le 15 Mars 1980, dans un autre moment d’obscurité (sentant peut-être retardé son départ au ciel), elle reçoit la caresse d’une visite maternelle pour son réconfort… « Accrochée sur moi une nuit très sombre, que seul Dieu connaît et peut dissiper… Contre toute attente, la Mère de Dieu entre dans ma cellule pour une courte visite … : « Dieu est votre confort… C’est pour le servir que vous restez. »

Le drame dans l’esprit de Sœur Lucie… tout était sombre et l’amertume dans mon cœur… est restée, mais non pour témoigner de la vérité sur les nombreux maux sévissant dans l’Eglise ? Voilà – le doute amer sur Sœur Lucie pliable au nouvel ordre religieux -, parce qu’il est impossible que la Mère de Dieu encourage les catholiques à être unis à des destructeurs de l’Eglise et de la religion catholique avec l’apostasie conciliaire. Est-ce que Sœur Lucie a bien vérifié de ne pas recevoir des signes du Malin?

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