Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, MILAGRES FORA DA SANTA MADRE IGREJA

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica   “Adiutricem Populi”, promulgada em 5 de Setembro de 1895:

«É difícil dizer qual a amplidão e eficácia que tiveram os socorros de Maria Santíssima quando foi elevada, junto a seu Filho, àquele fastígio de Glória que convinha à sua dignidade e ao esplendor dos seus merecimentos. Com efeito, de lá, segundo os desígnios de Deus, ela começou a vigiar sobre a Santa Igreja, a assistir-nos e a proteger-nos como Mãe; de tal forma, que  depois de ter sido a cooperadora na Redenção humana, tornou-se  também, pelo poder quase ilimitado que lhe foi conferido, a dispensadora da Graça que em todo o tempo deriva dessa Redenção. Por isso as almas cristãs, obedecendo como que a um instinto natural, sentem-se justamente arrastadas para Maria – para comunicar-lhe, com toda a confiança, seus projectos, suas angústias e suas alegrias; para, com total disponibilidade, entregar-se  a si mesmas e suas coisas à sua bondade e cuidados. Por esse motivo justíssimo todos os povos e ritos renderam-lhe louvores, que foram aumentando com o consentimento dos séculos. Daí os títulos que lhe foram conferidos de “Nossa Senhora, Medianeira Nossa”, “Reparadora do  mundo inteiro”, “dispensadora dos Bens Celestes”.

Ora como a Fé é o fundamento e o princípio dos Dons Divinos, pelos quais o homem é elevado acima da ordem na Natureza para os Bens Eternos, celebra-se justamente a sua mística influência na adquirição e frutificação da Fé. Efectivamente, Maria é aquela que gerou “O Autor da Fé”, e que por causa da sua Fé foi saudada como Bem-Aventurada. Diz São Germano Constantinopolitano: “Ninguém, ó Virgem Santíssima, tem conhecimento pleno de Deus a não ser por teu meio, ó Mãe de Deus; ninguém recebe Dons da Misericórdia Divina a não ser por teu intermédio”. E também não pode parecer exagerada a afirmação de que foi especialmente pela sua guia e ajuda que, até entre obstáculos e adversidades enormes, a Sabedoria e os ordenamentos evangélicos difundiram-se tão ràpidamente por todo o mundo, instaurando em todo o lugar uma nova ordem de Justiça e Paz. Sem dúvida, essa consideração devia estar no ânimo de São Cirilo de Alexandria quando, dirigindo-se à Virgem lhe dizia: “Graças a ti os Apóstolos pregaram aos povos a Doutrina da Salvação; graças a ti a Cruz é louvada e adorada no mundo inteiro; graças a ti os demónios são afugentados e o homem é chamado de volta ao Céu; graças a ti toda a criatura presa nos erros da idolatria é reconduzida ao conhecimento da Verdade; graças a ti os fiéis chegaram ao Baptismo e foram fundadas Igrejas em toda a parte do mundo”.

Além disso, segundo o louvor do mesmo doutor, ela foi “poderosíssimo ceptro da verdadeira Fé”, pelo cuidado contínuo que teve em manter, firme, intacta e fecunda entre os povos a Fé Católica. Há provas numerosíssimas e bem conhecidas, confirmadas, por vezes, por acontecimentos prodigiosos. Aconteceu sobretudo nos tempos e nas regiões nos quais se teve de deplorar o enfraquecimento da Fé por causa da indiferença, ou atacada pelo contágio pernicioso dos erros, que o socorro clemente da Virgem se manifestou de maneira particular. Foi então que, graças a seu impulso e apoio, surgiram homens eminentes por santidade e zelo apostólico, prontos a rechaçar os ataques dos perversos, a reconduzir as almas à prática e ao fervor da vida cristã. Finalmente, Príncipes e Pontífices Romanos, guardas e defensores da Fé, tiveram o hábito de recorrer sempre ao Nome da Mãe Divina: Uns na direcção das suas guerras sagradas, outros na promulgação de seus decretos solenes; e sempre experimentaram seu poder e protecção.»
Os milagres constituem, providencialmente, a ilustração Divina da Verdade da Revelação, da elevação do Homem ao estado Sobrenatural, bem como da Sacralidade da Santa Madre Igreja com Depositária da mesma Revelação. O milagre é como que a impressão digital com que Deus Nosso Senhor assinala especialìssimamente a Sua existência, e o cuidado que nutre pela Criação.

Por vezes consideram-se milagres em sentido estrito certas alterações de ordem física, por exemplo, o desvio de uma bala, ou mesmo a cura de uma doença; todavia, tais intervenções podem ser realizadas pelos Anjos sob a Autoridade de Deus. Já as ressurreições exigem, em absoluto, uma operação Divina directa e fundamental, ainda que a criatura possa aí exercer uma causalidade instrumental, mas extremamente remota.

A Criação foi constituída segundo uma ordem caracterizadamente hierárquica; de modo que os Anjos assumem o encargo de ministros de Deus para o governo do Universo e para a Guarda das pessoas e instituições; no que os Anjos podem realizar, Deus não intervém directamente.

Os milagres, físicos e morais, não pressupõem uma violação da Lei, mas sòmente uma não aplicação dessa mesma Lei, por disposição do Autor da mesma Lei e no quadro da Providência Divina.

Deus não governa, nem jamais governou, o mundo através de milagres. Mesmo quando eles eram abundantes, como na Idade Apostólica, até ao termo da Revelação, por morte do Apóstolo São João, mesmo nesse tempo, conquanto uma Providência especialíssima velasse pelo desenvolvimento da Santa Madre Madre, Deus não a governava por meio de milagres, mas sustentava-a com Graças e Carismas extraordinários, ilustrando-os, também copiosamente, com milagres físicos e morais.

Neste quadro conceptual, se apenas Deus Nosso Senhor pode realizar essas excepções às leis da natureza, e se a Santa Madre Igreja é a única depositária da Verdade da Revelação e dos tesouros inauferíveis dos Mistérios Sobrenaturais, então daqui se infere de que sòmente no seio da Santa Madre Igreja pode haver milagres, físicos e morais. Assinale-se que os demónios não podem realizar milagres em sentido estrito, mas apenas prodígios, pois mesmo no Inferno, ainda detêm certo domínio sobre a matéria. Deus permite essa acção demoníaca para castigo dos maus e para provar ascèticamente a fidelidade dos bons.

Nossa Senhora, como Corredentora e Medianeira de todas as Graças, possui mais poder do que todos os Anjos juntos, pela influência moral celestial que detém sobre o Coração Sacratíssimo do seu Divino Filho. Nossa Senhora, por si mesma, como criatura, não pode fazer milagres, mas a sua posição na hierarquia do Reino dos Céus está elevada acima de todas as criaturas, incluindo os Anjos, pois participa da Natureza e da Visão Divina de forma absolutamente única.

A Providência Divina integra as orações de Maria como as de nenhum outro santo, nem como de todos os santos reunidos. É conhecido como as orações das criaturas não alteram os desígnios da Providência, porque esta, na Sua Eternidade, já é extrínseca e acidentalmente constitutiva delas (orações) todas. Todavia Maria Santíssima pode e deve considerar-se excepção a essa regra, precisamente porque é Mãe de Deus; A MEDIAÇÃO DE MARIA DETÉM COM O VERBO DE DEUS A FORÇA DE UNIÃO QUE UMA MÃE TEM COM SEU FILHO, E QUE O FILHO TEM COM SUA MÃE. NÃO ESQUECENDO QUE O VERBO É DEUS E MARIA PURA CRIATURA. Mas foi ela quem preparou a Divina Vítima que Se havia de imolar no Altar da Cruz.      

Mas será Maria Santíssima, ela própria, um milagre?

A Infinita Sabedoria Divina manifesta-se fundamentalmente no facto de haver constituído Maria Santíssima sem necessidade de qualquer milagre físico ou moral; apenas com o concurso da perfeição das Suas Leis, naturais e Sobrenaturais.  

No Paraíso Terrestre não existiriam milagres, físicos ou morais; a imortalidade, integridade e impassibilidade corporal, ali, não constituiriam milagres, porque inteiramente concordes com as Leis Preternaturais e Sobrenaturais dessa privilegiada condição. O conceito de milagre implica uma excepção positiva a uma Lei, física ou moral. A conversão, mesmo à hora da morte, de um herege empedernido, envolve um milagre, porque supõe uma excepção positiva às Leis da economia Sobrenatural da Graça.

OS MILAGRES EXISTEM PARA SOCORRER A MISÉRIA DA CONDIÇÃO HUMANA, FÍSICA E SOBRETUDO MORAL; E ASSIM PROCEDENDO, ANUNCIAM A GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS. Em sentido estrito, a Glória extrínseca de Deus é anunciada com mais fulgor pela perfeição, integridade e racionalidade das Suas Leis, do que pela sua excepção.

Assim como existe perfeita unidade e imutabilidade no sistema de Leis físicas que regem a Criação; assim também no sistema de Leis Religiosas e Morais. Porque todas reconduzem à Infinita fecundidade da Lei Eterna, Princípio de Ordem, Incriado, de toda a natureza, criada ou possível. Consequentemente, o princípio da liberdade religiosa é o maior absurdo, a maior infâmia, o maior aniquilamento, e a maior blasfémia, que pode haver; PRECISAMENTE PORQUE ROMPE, OU PRETENDE ROMPER, A UNIDADE DE SOBERANIA NA CRIAÇÃO. É assim lógico que aqueles que defendem o dito princípio exaltem também o “pluralismo dos milagres”; ainda que realmente possuam uma concepção mágica e até psicadélica do milagre, tal como possuem um conceito sentimentalista e panteísta da religião. QUANDO SE FALSEIA O CONCEITO DE DEUS, FALSEIA-SE PROPORCIONALMENTE O CONCEITO DE MILAGRE. Donde se infere que só na única e verdadeira Religião podem e devem existir milagres, COMO INFALÍVEL TESTEMUNHO DA ÚNICA SOBERANIA DA CRIAÇÃO. A miséria humana tende a abraçar a Fé quando é confrontada com uma excepção às Leis da Natureza. Ainda que os mais ímpios consigam resistir às mais flagrantes demonstrações da misericórdia Divina; mas também são muitos os convertidos, por exemplo, com o milagre do Sol, em Fátima, a 13 de Outubro de 1917. Aliás, para obsequiar piedosamente este milagre – contemplado por Pio XII nos jardins do Vaticano, não é necessário acreditar numa espécie de colapso astrofísico; basta que se acredite num milagre óptico, em grande escala, e EMINENTEMENTE OBJECTIVO.      

O grande milagre moral que esperamos é a reconstituição da Santa Madre Igreja e a Restauração do Papado. Mesmo uma Igreja com uma expressão quantitativa muito menor do que no passado, É E SERÁ SEMPRE A SANTA MADRE IGREJA. Esse milagre que esperamos ardentemente, GLORIFICARÁ A DEUS NO CORAÇÃO DOS ELEITOS E NA UNIDADE MILITANTE DO CORPO MÍSTICO, E SERÁ MOTIVO DE GRANDE ALEGRIA ACIDENTAL NOS SANTOS DO CÉU. PARA AGRADECER TÃO GRANDE MILAGRE MORAL SERÁ DEFINIDO O DOGMA DE MARIA SANTÍSSIMA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS. NOSSO SENHOR QUE ILUSTROU A IGREJA APOSTÓLICA COM TÃO COPIOSAS GRAÇAS E CARISMAS, NÃO FALTARÁ AOS SEUS ELEITOS DA IDADE PÓS-CRISTÃ E PRÉ-ESCATOLÓGICA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Janeiro de 2017

 

«CREDO ERGO SUM» PRETERE O «PENSO LOGO EXISTO» DA SEITA CONCILIAR

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Arai Daniele

Sobre o erro epocal de Descartes já se tratou e escreveu em inumeráveis tratados e críticas. Mas a questão é contrapor àquela frase lapidar, que assim entrou na história e na filosofia, outra do pensamento católico para neutraliza-la, que valeria mais que inteiros tratatos porque poderia ficar impressa nas mentes para ser repetida. No título tentamos isto na convicção de partir da verdade evangélica ditada por Jesus no fim do Evangelho de São Marcos:

  •  (Mc 16, 14-16).“Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam a comer. Repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que O tinham visto ressuscitado. E Jesus disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura. O que crer e for batizado, será salvo. O que, porém, não crer, será condenado.»

Esse passo evangélico toca a questão do «crer», seja dos Apóstolos, seja como necessidade absoluta para a salvação. Já em Isaias (7, 9, ou 8, 9) lemos: “Se não acreditardes não compreendereis”, autoriza pois uma inversão do pensamento comum que diz: fazei-me compreender para que eu possa crer. Ao que Santo Agostinho responde: “Creia para poder compreender” (serm. 43,4). Compreender significa seguir a trilha do discernimento, a partir do dom natural do pensar de que somos dotados. Assim a especulação filosófica era no passado entendida como interna e derivada da fé religiosa, que exalta o exercício da inteligência pois esta reconhece estar diante de verdades inatingíveis pela ciência humana. Para S. Agostinho a fé é passo inicial para entender a criação, mas nem por isto há que deixar de usar sempre a inteligência para avaliar os conhecimentos correntes. (Ep. 120,1,3)

Tendo o passo evangélico citado tocado a questão do «crer cristão» como necessidade absoluta para a salvação, ele por isto foi sempre muito contestado, por exemplo na Bíblia de Jerusalém. Já tratamos disso no nosso artigo «Curto circuito na desordenada resistência anti-acordista», sob o título : – As heresias de Lutero foram superadas pela Roma conciliar.

Visto que aqui reside o grave problema, vamos resumir o conteúdo dessas reformas, que constituem o bloco de um plano com a marca do condenado modernismo. De fato, para ficar nos termos diretos e simples, procura-se inverter o que seja a fé necessária para a salvação – que só pode vir do Juízo de Deus – com juízos humanos da boa vontade sobre o que se prefere  subjetivamente. A boa vontade seria uma «fé atualizada» aos costumes modernos; o «bem» deduzido hoje pelas religiões reconciliadas e equiparadas pela ação dos poderes do mundo!

Lemos o efeito devastador dessas ideias inoculadas na Roma caótica dos nossos tempos no jornal da Conferência dos Bispos Italianos, “L’Avvenire, – Società e Cultura”: «Sull’importanza del confronto con il luteranesimo [Sobre a importância do confronto com o luteranismo]: “Martin Lutero foi um grande reformador”… [embora, fosse um tremendo herege, acrescentamos]. No artigo se confessa que: “a Igreja Católica deixou-se inspirar no Concilio Vaticano II também pelas ideias de Lutero, pondo em ato depois um processo de renovação” [ou reforma protestantizante]!

Sendo isto verdade, como demonstram os fatos dentro e fora da Igreja, o que devemos pensar sobre o efeito do «pensamento» dominante no Vaticano, senão que este elaborou uma outra igreja protestantizada na sua doutrina e liturgia, que não é mais a Católica? E isto pode ser confirmado até por luteranos «tradicionalistas», como seja o pastor Richard Wurmbrand (1909-2000), que reconheceu, surpreso, que atualmente a «Igreja católica» é incompreensível e mudou mais do que Lutero podia pretender ou pensar.

Compreende-se isto nas letras e nas palavras dos sumos interpretes do Vaticano 2. Portanto este pode ser visto idealmente como um «Luterano 2º», adultério loquaz que foi além até do que poderia ter sido um «Luterano Iº» presidido pelo heresiarca!

Assim, João Paulo 2º, dia 6 de dezembro de 2000, referindo-se aos ensinamentos da «Lumen Gentium» -16, diz: «Todos os justos do mundo, mesmo os que ignoram Cristo e a Sua Igreja, sob o influxo da graça, e quem procura Deus com o coração sincero, é chamado a edificar o Reino de Deus». A este ponto a fé na graça que é a nova lei de Cristo seria supérflua para a salvação! Lutero não teria aceito esta afirmação pela qual Karol Wojtyla ecumenisticamente dispensa a necessidade da fé evangélica para a justificação que salva. Nem Lutero teria feito afirmações com as quais os conciliares dispensam a necessidade da fé e do seu Batismo.

Nas reuniões das «grandes religiões» de Assis e em encontros inter-religioso, especialmente com os judeus, são confirmados em modo implícito que não há necessidade de converter-se a Cristo para ser justificado, porque para a religião conciliar, todos estão no bom caminho seguindo a própria «boa fé», ou consciência, como repete Bergoglio. No caso dos judeus consiste em conservar e apelar-se à Antiga Aliança, ignorando e negando a Nova e eterna instituída por Jesus Cristo Salvador. Daí que também não seria preciso evangelizar o mundo para converter toda criatura e fazer prosélitos, pois não seria verdade evangélica que só «quem crer e for batizado será salvo», e «quem não crer será condenado», Palavras de Jesus Cristo.

Esta “conclusão” do Evangelho de São Marcos (16, 16) na Bíblia de Jerusalém é apresentada por Gianfranco Ravasi, hoje cardeal (e papabile), que lembra ser este passo «embaraçador» omitido em algum código antigo, o que justificaria sua omissão nos evangelhos conciliares. Assim seria omitida também a Ascensão de Nosso Senhor que está em seguida a este «passo».

A questão, porém, é que se a fé pudesse ser supérflua para a salvação, tanto mais seria a Igreja conciliar que o ensina como missão de seu clero, na vigilância de sua hierarquia e a implícita confirmação infalível de seu «sumo pontífice». Veja-se a pérfida contradição de quantos a partir de cargos clericais pregam a natureza opcional destes na sociedade moderna, o que se estenderia logicamente aos sacramentos e a tudo o mais.

A «profunda religiosidade de Lutero», invocada por João Paulo 2º, serve à nova «justificação do Luterano 2º» através da influência e prestigio da falsa «nova teologia» daqueles que se tornaram os seus grandes peritos: Rahner, Schillebeeckx, Congar, De Lubac, von Balthasar, Ratzinger e companhia. Isto para citar os nomes mais tristemente aprovados pelos caudilhos da fatal abertura ao «abismo» da Revolução, que professam as declarações do Vaticano 2 sobre liberdade de consciência e religiosa, judaísmo e direitos humanos e suas implicações dogmáticas, visando a fé conciliar, mais universal, que «complete» ou substitua a Fé católica.

O primeiro «profeta conciliar», Ângelo Roncalli – João 23, clérigo de «genial simplicidade», segundo Jean Guitton, foi eleito papa para «justificar» esse novo iluminismo ecumenista, como demonstrou. Assim, apareceu a igreja conciliar que vai além de Lutero, da qual J. Ratzinger foi grande promotor e Bergoglio novo profeta. Será que aceitar estes clérigos como enviados por Nosso Senhor para confirmar a Fé – jamais a heresia – e impingir que isto seja fidelidade ao papado católico, não seja sinal de apostasia? Isto implica para os tradicionalistas admitir que esta ideia circule pelo mundo com o aval da Sé infalível.

Mesmo quem recusa o Vaticano 2, execra suas beatificações de desviados e reuniões como a de Assis, aceitando a legitimidade pontifícia de hereges, embarca numa implícita cumplicidade contra a qual Mgr Lefebvre e Dom Mayer juntos se manifestaram. Basta lê-los. O contrário desse testemunho episcopal é de quem pactua com o aparato que destrói a Igreja: se não justificam o Luterano 2º, suas pompas e suas obras, reconhecem quem o promove cobrindo-se com o nome de Cristo. Isto na ordem lógica é ignorar a causa do mal, para se sentir desculpado acusando os seus efeitos! Que interroguem suas consciências, porque pelo inestimável dom da fé recebida para ser professada e defendida, sem fazer a menor aceção de pessoas e cargos se ela é alterada, deverá prestar contas. Que leiam com atenção pelo menos o mandato divino da Epístola aos Gálatas (1, 8), em especial o Evangelho sobre os falsos Cristos dos últimos tempos. Acordar-se com quem traz um novo Evangelho, confirma tacitamente cumplicidade com a obra que perde multidões.

Uma «resistência anti-acordista» que se dedica a resistir aos efeitos, como sejam os erros e heresias do Vaticano 2, para ser coerente na caridade e eficaz na fé, deveria antes resistir a sua causa, no caso aos seus mandantes, revestidos de uma falsa «legitimidade» para desviar com a redobrada falsidade de fazê-lo em nome da mesma Igreja de Deus. E quem o admite, exibindo erudição religiosa a propósito, redobra assim a confirmação de uma tácita cumplicidade.

Não podemos calar diante de novos erros e deslizes, especialmente se provêm de bispos. Já explicamos as críticas a mgr Williamson diversas vezes também em italiano, língua que ele conhece, com o objetivo de chegar a um testemunho católico de resistência comum que deixe de pôr ignorar que a autoridade de nossa Santa Mãe Igreja é abusada pelas falsos pastores. Alguns já entendem quanto seja desviante crer na «autoridade pontifical e magisterial» que opera com um magistério de rutura, segundo «iluminações» dos tempos! Sim, porque à luz da Doutrina católica e da mesma lógica isto implica renúncia à comunhão na verdadeira Igreja e tanto mais à representação de sua autoridade no Magistério católico com um anti-magistério!

A Encíclica «Qui pluribus» sobre fé e religião, foi promulgada pelo Papa Pio IX, em 9 de Novembro de 1846, contra o liberalismo político sobre a religião, e o indiferentismo perante: «A viva e infalível autoridade de Deus, que só existe na Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo sobre Pedro, com a promessa que sua fé nunca faltaria e que teria sempre legítimos sucessores nos Pontífices. Estes, são reconhecíveis por professarem a mesma profissão de Fé de Pedro sem interrupção na sua Cátedra; de modo que «onde está Pedro ali está a Igreja»  ( Santo Ambrósio, in Ps. 40, 30, Migne PL. 14, Colec. Conc. 6, col. 971-A 1134-B), que fala pelo Romano Pontífice e vive sempre nos seus sucessores, exercendo a sua jurisdição e dando, aos que a buscam, a verdade da fé. Por isto, as palavras divinas devem ser recebidas no sentido dado por esta Cátedra de São Pedro que, mãe e mestra das Igrejas, sempre conservou a fé de Jesus Cristo Nosso Senhor, íntegra e pura; a mesma que ensinou aos fiéis mostrando- lhes a todos a senda da salvação e a doutrina da verdade incorruptível.»

Hoje, subsiste uma ignorância invencível na aplicação da Lei da Igreja sobre um «eleito papa» que já antes de sua eleição professava uma ideia desviada para a mutação modernista da Fé com as «verdades corruptíveis do mundo». Esta conclusão, embora pareça terrível para a fé, é clara e ditada pela mesma Igreja: o candidato ao papado deve professar a fé católica para confirmá-la no mundo – é condição ontológica – para que sua eleição seja válida; não adianta escondê-lo com míseros sofismas, que são também ofensivos à Lei divina da Santa Igreja.

Toda Autoridade de jurisdição na Igreja é concedida por Deus diretamente ao Papa eleito legitimamente para confirmar a Fé; não vem da Igreja nem procede dos cardeais eleitores, que podem unanimemente errar sobre a pessoa que elegeram papa!

CREIO NA IGREJA que ensina ser a Voz de Deus na Terra e o Papa a encarna, pois seu poder de jurisdição vem imediatamente de Deus, e por isto é infalível e incompatível com o erro. Assim se deve crer para ser, para estar na Igreja de Deus. Ora, de Roncalli a Ratzinger esta fé faltou e foram eles a demonstrá-lo nas suas obras no curso do Vaticano 2, da revolução litúrgica à abominação de Assis, isto, para desgraça do mundo e apostasia na Igreja, ficou demonstrado. O que falta para acusar o vergonhoso silêncio desta geração, não sobre as más obras, mas sobre a ilegitimidade dos «papas» que as promoveram contra a única Igreja de Deus?

O católico é consciente de ser a Igreja, porque professa a sua fé. Hoje, na vacância da Sé pela morte por um tempo do Papado, não se pode aceitar passivamente os conclaves conciliares que produziram quem visava a mutação da Igreja com um concílio e depois quem continuasse o Vaticano 2. Quem aceita torna-se cúmplice da continuação dessa desolação conciliar.

Voltando ao tema justamente levantado pelo sr. Michael Matt, Editor do «The Remnant», escrevemos que hoje, finalmente se alarga o círculo dos católicos chamados restantes, «remnant» em inglês, que «ousam» dizer, ao contrário de Mueller, o atual nº one, garante da fé conciliar, que pode haver erro humano no Vaticano 2 e portanto no conclave papal (Thursday, December 15, 2016, Papal Elections: God’s Will vs. Human Error – Written by The Remnant Newspaper). Sobre essa verdade vital e óbvia, para a honra da Santa Igreja, há que insistir a tempo e a contra tempo, mas evitando dois erros graves: o primeiro de confundir «mau papa» com «falso papa». O segundo, abominável, de confundir o que Deus permite, eventualmente para tirar de um mal um bem maior, com o que Deus concede. Ora a autoridade do papa eleito não é concedida pelos cardeais nem pela Igreja, mas diretamente por Deus mesmo. Se esse «papa eleito» era herege modernista e mação antes dessa eleição, alguém ousaria dizer que Deus desconhecia as intenções dessa alma desviada e lhe dá o poder papal para desviar os povos? Que alguém diga isso, sabendo que a doutrina desse eleito é anticatólica, está blasfemando. Ora os que professam a possibilidade de um papa herege, mas legítimo, isto é, eleito dentro dos cânones da legislação infalível da Igreja, são legiões, é o caso dos «tesistas», do Nougué dos monges e inadvertidamente, de tantos outros. Que despertem enquanto é tempo no amor da Verdade ou no temor do juízo de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sinal de contradição, causa de queda e ressurreição de muitos em Israel (Lc 2). A Igreja é a Nova Israel e testemunha a Fé que desvela os secretos pensamentos de muitos, que transpassam os Sagrados Corações.

Louvado seja Deus que suscita e sustenta a débil fidelidade humana contra tais erros!

SANTA MADRE IGREJA SOMOS NÓS

Fé e Magistero

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da  sua encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«Ainda que Deus possa operar, de per Si, com Seu Poder, o que opera a natureza criada, contudo Ele quis, com benigno conselho da Sua Providência, servir-Se dos homens para ajudá-los; e como, na Ordem Natural, serve-Se da obra e da contribuição do homem para comunicar às coisas a perfeição conveniente, assim também procede para conceder a Santidade e a Salvação ao homem. Ora é sabido que não pode haver nenhuma comunicação entre os homens a não ser por meio das coisas externas e sensíveis. Por isso assumiu a Natureza Humana, e “tendo a condição Divina esvaziou-Se a Si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Fl 2,6-7); e assim, morando na Terra, ensinou pessoalmente a Sua Doutrina e os preceitos da Sua Lei. (…)

Disso deriva que erram grave e fatalmente os que forjam na mente, a seu talante, uma Igreja latente e não visível; assim como os que a julgam instituição humana com um determinado  ordenamento de disciplina e de ritos externos, mas sem a comunicação perene dos Dons e da Graça Divina, e sem as coisas que, com manifestação clara e quotidiana, atestem que sua vida deriva de Deus. Ora, causa repulsa que ambas as coisas sejam a Igreja de Jesus Cristo, quanto o homem seja sòmente corpo, ou sòmente espírito. O conjunto e a união dessas duas partes são absolutamente necessários à Santa Igreja, assim como a íntima união da alma e do corpo para a natureza humana. A Santa Igreja não é como um corpo morto, MAS É O CORPO DE CRISTO DOTADO DE VIDA SOBRENATURAL.  E como Jesus Cristo, nossa Cabeça e exemplo, não é todo Ele, se considerarmos n’Ele, sòmente, a Natureza Humana visível, como fazem os fotinianos e os nestorianos, ou sòmente a Natureza Divina invisível, como costumam fazer os monofisitas, MAS É UM SÓ POR AMBAS AS NATUREZAS,  A VISÍVEL E A INVISÍVEL, NAS QUAIS SUBSISTE. Assim, o Seu Corpo Místico não é verdadeira Igreja, a não ser por isso, que suas partes visíveis atingem a força e a vida dos Dons Sobrenaturais, bem como dos outros elementos, dos quais manam a razão de ser e sua própria natureza. Como a Santa Igreja é o que é por vontade e instituição Divina, ASSIM TEM DE PERMANECER PARA SEMPRE. SE NÃO PERMANECESSE A MESMA, COM CERTEZA NÃO SERIA FUNDADA PARA SEMPRE, E O  PRÓPRIO FIM AO QUAL TENDE SERIA DELIMITADO POR DETERMINADOS CONFINS DE TEMPO E LUGAR; ORA, AMBAS AS COISAS REPUGNAM À VERDADE. ESSA UNIÃO DE COISAS VISÍVEIS E INVISÍVEIS, EXACTAMENTE POR SER NATURAL E CONGÉNITA NA SANTA IGREJA, POR VONTADE DIVINA, DEVE NECESSÀRIAMENTE PERDURAR ENQUANTO HOUVER IGREJA.  Por isso São João Crisóstomo dizia: “Não te afastes da Igreja, pois não há nada mais forte do que a Igreja. A tua esperança é a Igreja, a tua salvação é a Igreja, o teu refúgio é a Igreja. Ela é mais alta do que o Céu, mais vasta do que a Terra. Nunca envelhece,  mas permanece sempre jovem; com efeito, para demonstrar a sua firmeza e estabilidade, a Escritura chama-a Monte. ” E Santo Agostinho: “Os gentios acreditam que a Religião Cristã deve viver neste mundo por um tempo determinado, e depois nada mais. Até que o Sol nasce e se põe, ela há-de durar como o sol, isto é, até que dure o volver dos séculos, não falhará a Santa Igreja, ou o Corpo de Cristo sobre a Terra”. E diz a mesma coisa noutro lugar: “Vacilará a Igreja, se vacilar o fundamento, mas em que vacilará o Cristo? … Não vacilando o Cristo, nem ela se inclinará em Eterno. Onde estão aqueles que dizem  que a Santa Igreja se extinguiu no mundo, quando ela nem ao menos se pode inclinar?”.»

 
Há muitos católicos, não sedevacantistas, mas também não anti-sedevacantistas, que de boa fé, sustentam que o único motivo de não abraçarem a tese sedevacantista reside no facto da Santa Madre Igreja ainda se não haver pronunciado sobre o assunto. Todavia nós questionamos: Mas que Igreja? Onde pensam que ela se encontra? Conhecemos bem o como esses católicos rejeitam identificar a Igreja oficial com a Santa Madre Igreja; ora exactamente por isso, inquirimos: Mas que Igreja?

Em 1970, o Dr Xavier da Silveira defendia que jamais se chegaria a uma situação em que a totalidade da face humana do Corpo Místico se encontrasse totalmente destruída pelo modernismo, pela sida letal do princípio ateu da liberdade religiosa – TODAVIA É NESSA SITUAÇÃO QUE ESTAMOS NESTE ANO DO CENTENÁRIO DE FÁTIMA.

Qual é a autoridade realmente católica que estes católicos esperam invocar? Os bispos da Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X? Mas estes têm traído, HABITUALMENTE, a causa católica, num crescendo a partir do falecimento de Monsenhor Lefebvre; e esse crescendo atingiu já a extrema gravidade de deicídio, alta traição à Santa Madre Igreja, e genocídio de almas. Objectar-se-á que os bispos Tissier de Mallerais e Galarreta não estão plenamente solidários com Fellay. De qualquer modo, estes bispos têm SACRIFICADO ATROZMENTE A FÉ CATÓLICA PARA SALVAGUARDAREM UMA UNIDADE PURAMENTE HUMANA – A UNIDADE DA DITA FRATERNIDADE.  

Os bispos dissidentes da mesma Fraternidade? Estes permanecem num cinzentismo enigmático; e Monsenhor Williamson até terá afirmado que há milagres fora da Igreja Católica, e que a “missa” nova pode ser boa. Talvez este Monsenhor não saiba, mas hoje em dia, pràticamente, cada paróquia e cada “padre” possui uma “missa” diferente, de sua pessoal confecção. E porquê? Porque esses ditos “padres” mais não fazem do que aplicar nas suas vidas o proclamado princípio ateu da liberdade religiosa; princípio que a Fraternidade, QUE FOI DE SÃO PIO X, já aceitou na pessoa dos seus chefes principais e que está maculando irremediàvelmente a alma dos seus sacerdotes e dos seus fiéis.

Quanto à linhagem do bispo Tuck – aliás qualificada por Monsenhor Gérard des Lauriers, abalizado teólogo, da confiança do Papa Pio XII e de Monsenhor Castro Mayer – sendo verdadeiramente católica, não constitui autoridade, pela simples razão da resistência católica, sobretudo após a morte de Monsenhor Lefebvre e de Monsenhor Castro Mayer, ter sido reduzida a farrapos, pois que o Vaticano anti-Cristo tem logrado dilacerar-lhe a unidade: E ONDE NÃO HÁ UNIDADE NÃO HÁ UM PRINCÍPIO DE AUTORIDADE.       

E a Unidade da Santa Madre Igreja, onde está? A unidade que foi obliterada NÃO É A UNIDADE TEOLÓGICA E TRANSCENDENTAL DO CORPO MÍSTICO, QUE É INDEFECTÍVEL, PORQUE O SEU FUNDAMENTO É NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. A unidade que foi e continua sendo destroçada É A DA PARTE AINDA VIVA DA FACE HUMANA DO CORPO MÍSTICO, É A DA RESISTÊNCIA CATÓLICA.

Mas a proposição já citada não poderá ser invertida na forma: Sem autoridade não há unidade? Compete, sem dúvida, à parte ainda viva da face humana do Corpo Místico reconstituir em si a unidade transcendental do Corpo Místico, como aliás terá de reconstituir a Autoridade Papal, a Cabeça terrena do mesmo Corpo Místico. Mas UM MÍNIMO DE UNIDADE É ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA PARA RECONSTITUIR A AUTORIDADE – E ESSA UNIDADE, QUE SÓ A GRAÇA SANTIFICANTE E A CARIDADE PODEM OPERAR, NÃO EXISTE.

Passemos a outro aspecto do problema:

O problema da seita conciliar ser, ou não, a Igreja Católica, de os “papas” conciliares serem, ou não, verdadeiros Papas, insiste-se, NÃO É UM PROBLEMA TEOLÓGICO – É UM PROBLEMA LÓGICO!

Sem querer fatigar os meus leitores, passo a repetir a seguinte tese LÓGICA:

O EXERCÍCIO CONCRETO E HABITUAL DE UMA FUNÇÃO NÃO PODE SER CONTRADITÓRIO COM A DEFINIÇÃO DO PRINCÍPIO CONSTITUTIVO DESSA MESMA FUNÇÃO. Esta é uma Tese lógica, aceite universalmente pelo Direito Constitucional e pelo Direito Civil. Não é uma princípio de Direito – É UM PRINCÍPIO LÓGICO; PERFEITAMENTE REDUTÍVEL AO PRINCÍPIO DA IDENTIDADE E NÃO CONTRADIÇÃO, TRAVE MESTRA DE TODO O PENSAMENTO, HUMANO, ANGÉLICO E DIVINO.

Porque é que a Santa Madre Igreja seria isenta deste princípio? Por Direito Divino? O princípio da identidade e não contradição É METAFÌSICAMENTE CONSTITUTIVO DO PENSAMENTO DIVINO.

A grande tragédia da nossa resistência católica, É A FALTA DE FÉ, e mesmo quando há Fé, A FALTA DE CARIDADE SOBRENATURAL, QUE DEVE IRRADIAR DA CABEÇA DO CORPO MÍSTICO PARA OS SEUS MEMBROS, COMO CAUSA EFICIENTE PRINCIPAL, CAUSA MERITÓRIA, CAUSA EXEMPLAR, CAUSA INSTRUMENTAL E CAUSA FINAL.

Os nossos resistentes, frequentemente, só pensam nos seus interesses pessoais, no seu prestígio social e humano, nas suas vaidades, nos seus caprichos, isto é, SÓ PENSAM EM TERMOS DE MUNDO; E JAMAIS NA DIGNIDADE INFINITA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, TÃO ABSOLUTAMENTE OFENDIDA PELA AMALDIÇOADA SEITA VATICANO 2.

Sim, a Santa Madre Igreja somos nós, não os membros mortos do Corpo Místico, mas os vivos, aqueles que possuem a Graça Santificante, e precisamente porque a possuem é mister que se constituam como um corpo de combate, porque só eles podem, pela Graça de Deus, com a Mediação de Maria Santíssima, fazer ressurgir a verdadeira Igreja Católica, Apostólica, Romana.     

Apenas quando houver um acordo substantivo, amplo, fundamentado e nutrido pelas virtudes Teologais e Morais, sobre a natureza essencialmente lógica do problema que enfrentamos, se poderão congregar forças para a restauração do Papado; o qual se revelará, ulteriormente, verdadeiro cimento da maior Unidade e da maior Caridade dos filhos de Deus.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 3 de Janeiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

VIRTUDES SOBRENATURAIS E ABERRAÇÕES DO MUNDO

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua Encíclica “Libertas”, promulgada em 20 de Junho de 1888:

«É pois necessário que a regra da nossa vida seja por nós constante e religiosamente pedida não sòmente à Lei Eterna, mas também a todas e cada uma das Leis que Deus, na Sua Infinita Sabedoria, no Seu Infinito Poder, e pelos meios que Lhe aprouveram, quis transmitir-nos, e que nós podemos conhecer com segurança, por sinais evidentes, e não deixar nenhum lugar a dúvida. E isso tanto melhor, que essas espécies de Leis, tendo o mesmo princípio, o mesmo Autor do que a Lei Eterna, harmonizam-se perfeitamente com a razão e aperfeiçoam o Direito Natural: Além de que, aí encontramos incluído o Magistério do próprio Deus, que para impedir que a nossa inteligência e a nossa vontade caiam no erro, as conduz e guia com a mais benévola direcção. Deixemos, pois, santa e inviolàvelmente reunido aquilo que não pode ser separado, e que Deus nos encontre, em todas as coisas, segundo o ordena a própria razão natural, submissos e obedientes às Suas Leis.    (…)

Sem dúvida alguma, entre todos os deveres do homem, o maior e o mais santo é aquele que ordena a ele que renda a Deus um Culto de Piedade e de Religião. E esse dever não é senão uma consequência do facto de nós estarmos perpètuamente sob a dependência de Deus, governados pela vontade e pela Providência de Deus, E DE QUE SAÍDOS DELE, PARA ELE DEVEMOS VOLTAR.

DEVE-SE ACRESCENTAR QUE NENHUMA VIRTUDE, DIGNA DESSE NOME, PODE EXISTIR SEM A RELIGIÃO, POIS A VIRTUDE MORAL É AQUELA CUJOS ACTOS TÊM POR OBJECTO TUDO O QUE CONDUZ A DEUS, CONSIDERADO COMO SUPREMO E SOBERANO BEM DO HOMEM; E POR ISSO É QUE A RELIGIÃO, QUE “PRATICA OS ACTOS TENDO POR FIM DIRECTO E IMEDIATO A HONRA DIVINA” (São Tomás II- II, q. 81, a.6), É A RAINHA E AO MESMO TEMPO A REGRA DE TODAS AS VIRTUDES. E se se pergunta, qual, entre todas essas religiões opostas, se deve seguir, com exclusão das outras, a razão e a natureza unem-se para nos responder: A que Deus prescreveu, e que é fácil de distinguir, graças a certos sinais exteriores, pelos quais a Divina Providência a quis tornar reconhecível, pois que em coisa de tanta importância o erro acarretaria consequências muito desastrosas. É POR ISSO QUE OFERECER AO HOMEM A LIBERDADE RELIGIOSA, É DAR-LHE O PODER DE DESVIRTUAR OU ABANDONAR IMPUNEMENTE O MAIS SANTO DOS DEVERES, AFASTANDO-SE DO BEM IMUTÁVEL, A FIM DE SE VOLTAR PARA O MAL. ISSO, JÁ O DISSEMOS, NÃO É LIBERDADE, E SIM DEPRAVAÇÃO DA LIBERDADE – E UMA ESCRAVIDÃO DA ALMA NA ABJECÇÃO DO PECADO.»

Escutemos a seguinte passagem extraída do Livro do Profeta Isaías:

«Como a chuva e a neve descem do Céu, e para lá não voltam, sem haver regado a terra, tornando-a fértil e produtiva, dando semente ao semeador e pão em abundância. Assim acontece com a Minha Palavra: Não volta para Mim,(para Deus) sem haver realizado a Minha vontade e cumprido a sua Missão.» Is 55, 10-12

Este pobre mundo não conhece a virtude! Por definição. Foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo Quem solenemente declarou que o mundo é o maior inimigo da alma, inimigo dos Bens Celestes, inimigo de Nosso Senhor e do Seu Reino. É certo que por muito mau que seja o mundo sempre haverá um resto fidelíssimo a Nosso Senhor e à Sua Igreja, por mais diminuto que quantitativamente seja; só que pela própria natureza das coisas, o mal provoca sempre muito mais ruído do que o Bem. A virtude que acabamos de invocar é fundamentalmente a virtude Sobrenatural, PORQUE SÓ ESTA MERECE A ETERNA BEATITUDE, SÓ ESTA NOS TORNA PARTICIPANTES NA NATUREZA DIVINA, NA INTELIGÊNCIA DIVINA, NA CARIDADE DIVINA.

A Santa Madre Igreja nunca negou a existência de virtudes naturais, necessàriamente limitadas e parciais e tendencialmente temporárias; PORQUE SÓ A GRAÇA SANTIFICANTE, AO SOBRENATURALIZAR A VIRTUDE, LHE CONFERE UMA ESTABILIDADE, UM ALCANCE, UM HORIZONTE, E ATÉ UM HEROÍSMO, COMPLETAMENTE IMPOSSÍVEIS NA ORDEM NATURAL. Especìficamente, a virtude da castidade, NA SUA PERPETUIDADE E PERFEIÇÃO, segundo o estado de cada um, É IMPOSSÍVEL NA ORDEM NATURAL, MESMO COADJUVADA PELA GRAÇA MEDICINAL PRETERNATURAL. A amaldiçoada maçonaria, no seu plano de destruição da Santa Madre Igreja, sempre premeditou aproveitar a generalização da mais hedionda corrupção no clero e nos fiéis, em consequência do aniquilamento da Ordem Sobrenatural, como arma poderosíssima na consecução do seu diabólico plano. ORA A PROCLAMAÇÃO DO PRINCÍPIO ATEU DA LIBERDADE RELIGIOSA, SÓ POR SI, DISSOLVEU EM PROFUNDIDADE A ORDEM SOBRENATURAL, CORROMPENDO TAMBÉM A ORDEM NATURAL. Neste quadro conceptual, compreende-se perfeitamente que as seitas e lojas maçónicas sintetizassem neste único ponto todas as reivindicações que apresentaram ao concílio.

As virtudes naturais, quando existam, necessitam apoiar-se na denominada religião natural, A QUAL É NECESSÀRIAMENTE, RIGOROSAMENTE, MONOTEÍSTA, TEÍSTA, OBJECTIVISTA, PROVIDENCIALISTA, AINDA QUE SEGUNDO UMA ORDEM NATURAL, E EXCLUI O PRINCÍPIO DA LIBERDADE RELIGIOSA. O ISLÃO NÃO PROFESSA A RELIGIÃO NATURAL, NEM O JUDAÍSMO, NEM AS SEITAS PROTESTANTES, NA EXACTA MEDIDA EM QUE TODOS OBLITERAM GRAVEMENTE O CONCEITO DE DEUS. Evidentemente, a Humanidade nunca viveu numa ordem estritamente natural; foi constituída, com desmedido privilégio, na Ordem Sobrenatural e na Ordem Preternatural; perdidas estes Dons pelo pecado de Adão, foi a mesma Humanidade redimida e restaurada nos Bens Sobrenaturais por Nosso Senhor Jesus Cristo, MAS PERMANECEU A FERIDA NA NATUREZA, E TAL IMPEDE A CARACTERIZAÇÃO DE UMA ORDEM PURAMENTE NATURAL.

As virtudes naturais, possuem uma realidade própria, uma bondade, formal e positiva; todavia a sua exigência mútua é muitíssimo menor do que nas virtudes Sobrenaturais; porque nestas existe, necessàriamente, uma unidade Teológica e Transcendental, umas não podem existir sem as outras, e sempre com perfeição tanto mais aproximada quanto maior for o grau de Santidade da alma em questão: Não se pode ser justo se não se for casto, ainda que se possa ser um pouco mais justo do que casto, ou o inverso. E a razão profunda para tudo isto reside na proximidade Sobrenatural com Deus Nosso Senhor, na participação da Natureza Divina, Fonte imarcescível de toda a Unidade, de toda a Verdade, e de toda a Santidade.

E as pessoas que nem sequer se submetem, ainda que imperfeitamente, ao Direito e à Moral Natural, poderão possuir virtudes? Aqueles, que com sinceridade, não se sintonizam objectivamente, ainda que com imperfeições, com o Direito Natural, só podem possuir virtudes em sentido estritamente material, não formal. Se nem sinceridade possuírem, então só lhes resta o caos intelectual e moral, a anarquia da operação; é esta, desgraçadamente, a condição da grande maioria dos seres humanos, em todas as épocas, e em todas as latitudes.    

Os comunistas poderão possuir virtudes? Existem certos homens, muito raros, em que é visível uma forte sinceridade e coerência interior, ainda que, como é obvio, orientadas para os antípodas da verdade e do bem objectivos. De tais homens se comenta, com razão, que teriam sido muito bons católicos, até mesmo santos, se acaso Deus os tivesse convertido. Álvaro Cunhal, Secretário geral do Partido Comunista Português, (1913-2005) teve muitos católicos a rezar por ele, porque, apesar de tudo, Providencialmente, é mais provável que Deus Nosso Senhor converta um comunista austero e coerente, do que um bruto gozador da vida. Nunca se pode colocar limites à Divina Misericórdia, conquanto Deus não governe o mundo e as almas através de milagres, físicos ou morais.

Santo Tomás de Aquino expende como o homem deve sempre obedecer ao ditame da sua consciência sincera; todavia, para ser salvo não basta uma consciência sincera, que pode estar errada, mas que necessário formar e seguir uma consciência recta, isto é, OBJECTIVAMENTE VERDADEIRA. Consequentemente, a sinceridade interior é necessária mas de modo algum suficiente para alcançar o bom porto da Eternidade. Quem é sincero, justifica apenas muito parcialmente a sua racionalidade, a sua espiritualidade. São Paulo constitui o exemplo consumado de uma sinceridade ardente, mas objectivamente fora da Verdade e CONTRA A VERDADE. E não se afirme que para a rectificação da alma na sua conversão à Fé Católica é necessária a inteligência natural e a cultura deste mundo, porque não é: É APENAS NECESSÁRIO O APELO DIVINO SOBRENATURAL. Quem não é sincero, fracassa duplamente, como homem, criado à Imagem de Deus, e como filho adoptivo de Deus Nosso Senhor, por Ele redimido, e amorosamente chamado a participar da Sua Vida Íntima Trinitária.

É mediante as virtudes que o homem deve afeiçoar-se à Ordem Divina Sobrenatural, conformando concomitantemente a Criação com essa mesma Ordem. Porque tudo o que promana de Deus Nosso Senhor deve a Ele retornar, sublimado pela semelhança Divina da sua vida moral. A vida dos santos constitui-se assim como um ACTO DE RELIGIÃO QUE ATRAVESSA TODA UMA VIDA. Porque tudo aquilo que somos na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, tudo devemos a Deus, e tudo devemos consagrar a Deus. Porque só o que foi ilustrado com o Lume, com a Unção, da Verdade e do Bem Sobrenatural, possuirá um VALOR ETERNO, que poder algum poderá arrebatar, para maior Glória de Deus e Salvação das almas.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 30 de Dezembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral     

A VONTADE DE DEUS NO CONCLAVE CATÓLICO E NO «OUTRO»

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http://remnantnewspaper.com/web/index.php/remnant-television/item/2933-papal-elections-gods-will-vs-human-error

  • Quem tiver a paciência de ouvir essa nota em inglês do Editor Matt do «The Remnant» tenha o cuidado de observar o erro básico de quem confunde «bad pope»: papa ruim com um falso papa. Tudo está, como ele justamente, diz na Vontade de Deus. Ora ele diz que nada pode garantir que Deus queria o Vaticano 2. Justo em parte, Porque a verdadeira questão é que Deus conhecendo as intenções dos homens não quer um papa com a fé desviada do V2 que vai desviar milhões e corromper o mundo. E aqui se manifesta com certeza a Vontade positiva de Deus, não permissiva: dando o poder diretamente ao Papa na sua eleição; poder que não vem da Igreja nem dos cardeais. Então a pergunta real é: quem pode crer que Deus deu poder aos «papas conciliares? Estes, de Joâo 23 a Bergoglio estão demolindo a Igreja e contra a Vontade de Deus nunca foram papas mandados por Deus.

 

Arai Daniele

Desde a morte de Pio XII, tornaram-se mais espessas as trevas espirituais que vivemos, mas que poucos distinguem, porque a maioria está cada vez mais nela imersa. A marcar tal tempo, visto que a referência é sempre a Igreja de Deus, só pode ser o afastamento da Sua Santa Vontade, que Nela se manifesta de forma mais direta e especial.

Então vamos ver por etapas como isto pode ter ocorrido com explicações reconhecíveis, hoje como ontem, na mesma vida de Sua Santa Igreja. Porque algo de demolidor ocorreu depois da morte de Pio XII, que seria «mais claro em 1960″ explicado sobre o «Terceiro Segredo», da morte do Papado com o seu séquito.

Papa Pacelli morreu em outubro de 1958, deixando a Igreja, conforme ele mesmo confessou em vista do nível de grande parte de seus clérigos, à beira do dilúvio. O filósofo panteista e bergsoniano Jean Guitton, que frequentava o Vaticano como amigo de G.B. Montini, afirmou que Pio XII conhecia bem a situação e dizia no fim que seria o “último Papa”, o último anel de uma bimilenar corrente. Isto, embora a Igreja no fim dos anos 50 parecesse flórida.

Considerando por exemplo o País das estatísticas, em 1959 havia nos EUA 39.505.475 católicos, 3.481.498 a mais com relação a 1958, e 12.787.132 a mais com relação a 1949. Um aumento de quase 50% em dez anos. São cifras da Enc. Britannica (1960), em um espantoso contraste com as de monsenhor George Kelly The Battle for the American Church, Doubleday, NY, 1981: “Depois do concílio, cerca de 10 milhões de católicos (30%) deixaram de ir à missa dominical; cerca de 2 milhões a menos inscreveram-se em escolas católicas; há meio milhão a menos de batizados e 50 mil conversões a menos.” Seguem as estatísticas da perda de fé entre os fiéis: quanto aos religiosos, 50 mil freiras deixaram os conventos entre 1966-76; 10 mil sacerdotes abandonaram o seu ministério e a matrícula nos seminários caiu de 50 mil para 17 mil. Da fé destes é melhor não falar.

Pio XII devia saber que uma crise inaudita na Fé avançava “no mesmo seio e nas vísceras da Igreja”, pois isto já havia sido visto por São Pio X no começo do século. De fato, uma corrente revolucionária liberal havia penetrado em todo o corpo da Igreja Católica e pretendia abri-la ao mundo; era o modernismo caracterizado pela ânsia de liberdade para as consciências em vias de emancipação dos mandamentos; pela igualdade entre crenças, cedendo na exclusividade da Religião católica para a salvação; e a fraternidade sem um pai comum, mas baseada na natural bondade e igual dignidade dos homens. Seria o batismo do iluminismo dominante. Mas para isto havia que rebaixar o Magistério dos Papas com uma «nova teologia» que visse toda autoridade nas fontes patrísticas estudadas pelos estudiosos, exegetas e linguistas modernos.

Mas voltemos ao conclave no fim de outubro de 1958 para a sucessão papal. Sabemos que os principais vigilantes da preservação da Fé então, ou sejam o cardeal Alfredo Ottaviani e o cardeal Domenico Tardini, concordaram entre eles que havia que eleger um papa de transição, evitando nesse sentido o jovem cardeal Siri, que para Pio XII seria o mais razoável e firme na doutrina no meio de um bom número de medíocres de doutrina incerta.

Pois bem, nesse clima de incerteza os dois cardeais influentes citados decidiram apoiar um candidato que embora caísse na descrição dessa pobre maioria, parecia o mais dócil pela sua bonomia otimista, para com ele entabular um acordo, que consta das memórias de Ottaviani, «Il Carabiniere della fede», confiada ao meu amigo jornalista Emilio Cavaterra. São quase todos dados conhecidos, assim como a condição que fossem mantidos nos seus cargos. Consta então que o cardeal Ottaviani usou sua autoridade para fazer confluir os votos dos membros da “Curia” e do cardeal Masella para Roncalli.

Foi assim que as tendências reformistas que avançavam, segundo as previsões e denúncias dos papas até Pio XI, haviam obtido um seu representante «papal» para «demistifica-las» como problemas de outros tempos, como «profecias de desgraças» diante de um futuro radioso! Assim, essa corrente que se mantivera quase clandestina sob a figura autoritária de Pio XII, estava madura para operar à luz do dia. Era só questão de colher o momento justo da elevação desse «bom papa», aberto finalmente ao mundo moderno.

O momento propício chegou com o conclave eleitor do cardeal Roncalli, que assumiu o nome do antipapa João XXIII, o célebre antipapa Baldassarre Cossa – Giovanni XXIII, qur havia convocado o Concílio de Constança, que o teria deposto.  No dia 28 de outubro de 1958, os grandes  eleitores de João 23 foram, como se viu acima, os cardeais Ottaviani e Tardini. Aliás, além daquele acordo consta, e não sei se está no livro, mas me foi relatado em vista de minha questão a Cavaterra sobre o dossiê Roncalli, que este lhe foi exposto. Tratava-se do que se sabia de seus precedentes modernistas no ensino de história da Igreja nos seminário de Bérgamo e de Roma. Em vista do dossiê, Roncalli não hesitou, escreveu sobre ele: eu não sou modernista! Isto bastou para que os dois cardeais, mais crédulos que vigilantes, se dessem por satisfeitos. Ora se dirá: então existe esse dossiê no antigo Santo Ofício! Não. João 23 o retirou, junto ao do seu amigo Montini. Fato que ficou conhecido publicamente pelas mesmas suas palavras dizendo qual era o poder de um papa, até para suprimir dossiês reais.

Estas passagens e outras serão narradas aqui para que se tenha ideia do caráter enganador de Angelo Roncalli, João 23. “O processo relativo a Roncalli, presente nos arquivos do Vaticano, foi removido por ele. Um crime perfeito, não fosse Roncalli um tagarela que se orgulhava de suas bravatas, mesmo no âmbito das questões mais séria”. De fato ele admitiu publicamente isso. (veja Nichitaroncali, p. 41). Se alguém duvidar, demonstre que esse conhecido processo completo ainda está nos arquivos do Vaticano. Em qualquer caso, ninguém nega que Roncalli prestou tanto o juramento antimodernista como depois o papal para em seguida operar no sentido contrário, isto é, ser o iniciador de um processo de mudança profunda na Igreja justamente no sentido do que havia negado com juramento posto sob severo juízo de Deus. Foi assim que o conhecido e ilustre exegeta, Mons. Spadafora, citou para qualificar esse vendaval na Fé, a afirmação de outro filósofo, amigo de Montini, Jacques Maritain: “O modernismo do tempo de Pio X, em comparação à febre neo-modernista moderna, não foi que um modesto resfriado” («Le Paysan de la Garonne»). Isto graças aos enganos de João 23.

A questão do concílio “inspirado”

A mentira do concílio inspirado  teria revelado nas suas mesmas «memórias» essa hipocrisia: “Resumo de grandes graças feitas a quem tem pouca estima de si mesmo, mas recebe boas inspirações e as aplica com humildade e confiança (…). Segunda graça. Mostrar-me como simples e de imediata execução algumas ideias pouco complexas, aliás, simples, mas de vasto alcance e responsabilidade no sucesso de próximo futuro.” Note-se que Roncalli de um lado demonstra no seu diário humildade, mas ao lado de uma imensa estima pelas próprias ideias e inspirações, decisivas pelo alcance que tiveram no mundo.

Mas antes de expor o alcance do que pensa, finge parca “estima de si”! Continua: “sem nunca ter pensado antes, no primeiro colóquio com o meu Secretário de Estado, dia 20 de Janeiro de 1959, despontaram as palavras «Concílio Ecumênico», «Sínodo diocesano» e «recomposição do código de Direito Canônico» e, contrariamente a qualquer minha suposição ou imaginação sobre isto. O primeiro a ficar surpreso desta minha proposta fui eu mesmo, sem que ninguém jamais antes me tenha indicado isto. E dizer que me pareceu tão natural no seu imediato e contínuo desenvolvimento” (1).

O Padre Ricossa de «Sodalitium» resume a história dessa inspiração (2). “A versão do protagonista, João XXIII: é, portanto, clara e concorde: 1) A decisão de fazer um Concílio ecumênico foi uma ‘inspiração divina’ (21). 2) Ele teve esta inspiração apenas cinco dias antes de anunciar publicamente o Concílio, ou seja dia 20 de Janeiro, falando com o Cardeal Tardini. 3) Nunca antes havia pensado no Concílio, por isto ficou surpreso com o que ele mesmo disse. 4) Nunca ninguém falou disso antes com ele. ‘Esta versão é conhecida por todos e oficialmente credenciada ao ponto que Paulo VI no dia 29 de setembro de 1963 diz, em louvor a João, que o concílio ecumênico foi convocado e aberto por «disposição divina’ (3), e também João Paulo II acrescentará: ‘… Ele ligou seu nome ao maior evento transformador do nosso século: a convocação do Vaticano II, intuído por ele, como confessou, ser uma inspiração misteriosa e irresistível do Espírito Santo’ (25.XI.1981) [discurso de 26 de Novembro 1981, para o centenário do nascimento de Roncalli] (4). Trata-se então de versão oficial e credenciada. Com apenas a falha de ser totalmente FALSA.”

“Esta versão oficial, passada por verdadeira pelos papas conciliares, é tão ignominiosamente falsa que deve ser negada até pelos mesmos historiadores filo roncallianos como Hebblethwaite ou de tipo progressista, mas sérios, como o P. Martina, SJ, não disposto a endossar acriticamente a mitologia joanina obrada pelos historiógrafos tipo Falconi, Balducci, Zizola e similares”. Continua o P. Ricossa (5): “A falsidade das afirmações Roncalli-Montini-Wojtylianas a respeito é estabelecido, documentado e aceito por todos os historiadores. Estes fazem saltos mortais para não chamar Roncalli de mentiroso. Embaraçado, Hebblethwaite escreve: ‘Claramente, o papa João não podia querer dizer que nunca pronunciou a palavra «Concílio» antes de 20 de Janeiro 59: seria simplesmente falso’ !

A igreja conciliar nasceu e cresceu na MENTIRA

Como se vê, basta aprofundar um pouco a história real desta falsa igreja que pretende substituir a Igreja de Deus, instituída há dois mil anos por Jesus Cristo para a nossa salvação, para entender a gravidade da adulteração da Vontade de Deus. Ora do nefasto tempo de Roncalli até o de Bergoglio ocupando a Sede vaticana, alguns grupos e personagens até agora «sedeplenistas» azedados, isto é que querem ver ali um «papa» posto pela Vontade de Deus, começam a procurar uma saída “legal” a partir deste degradante «papado conciliar», remontando a um possível erro radical no último conclave.

Antonio Socci já havia levantado a questão, quase uma certeza para ele, que outros, como o Rv. Paul Kramer, sem hesitação, aceitaram, porque Bergoglio é mesmo um comprovado herege.

Como já escrevi em outro lugar, eu estive com Kramer em uma de suas visitas a Portugal, para mostrar a ele, nos seus próprios documentos (que gravou em um iphone) que as heresias que imputa a Bergoglio já estão no Vaticano 2. Não foi possível para ele negá-lo, mas eu não sei se mudou de ideia. O engano é bastante difundido, mesmo entre tradicionalistas porque serpenteia um ódio sem sentido contra aqueles que se atrevem a desafiar os conclaves desde o  tempo do apóstata João 23. No entanto, hoje como ontem, as razões para a legítima contestação na base do direito da Igreja são as mesmas: são os desvios do “candidato papal” intencionado a alterar a Igreja de acordo com as necessidades dos tempos modernistas.

Os cardeais eleitores não sabiam? Talvez. Mas desde que o momento em que o “eleito” assumiu o poder papal, esse clérigo suspeito operou tudo segundo seus princípios desviados e introduziu os cúmplices suspeitos da “atualização modernista”, fatos que comprovam o desvio herético do eleito, que torna sua eleição nula. Como se sabe, a condenação da heresia para a Igreja, não se limita a prova em documentos escritos, mas também em atos e gestos e cumplicidade com os hereges e heresias já publicamente condenados.

Para os nossos leitores que só recentemente converteram-se à Fé Católica, estes fatos tão funestos e aparentemente inverosímeis devem ser lidos no espírito da mesma Revelação sobre o fim dos tempos das nações cristãs. “Então aparecerão falsos pastores e falsos Cristos e enganarão muitos” (Mt 24).

Os convertidos nesta última hora da história cristã receberam de Nosso Senhor uma graça tão extraordinária, que devem cultivar na santidade pessoal com todas as forças. Não serve procurar nos outros a santidade, mas responder à chamada que recebeu, na imitação de Cristo nosso adorável Mestre e Salvador.

Deus revelou Sua Vontade que se manifesta através da Igreja. Seus clérigos podem mentir e degenerar, mas a Palavra resta, porque a Vontade de Deus não muda. No conclave católico o poder do eleito Papa vem diretamente de Deus, não dos cardeais nem da Igreja. É um fato invisível até que a obra desse «papa eleito» não manifeste quem ele é no cumprimento da Vontade de Deus na Igreja. Se este trouxer «outro Evangelho» (Gl 1, 8), os fiéis devem reagir pois, como já está escrito e codificado pela Igreja, esses conclaves são nulos e condenáveis. O caso contrário seria atribuir de modo blasfemo a culpa a Deus, que se pensa os ter autorizado diretamente no conclave, a eles conferido o Poder de Sua Vontade! Uma mentirosa infâmia! E o combate no testemunho da Verdade é querido por Nosso Senhor, toca o Seu Sagrado Coração e ao Coração Imaculado de Maria.

Eis o apelo de Fátima na defesa da Religião que converte e sem a qual não somos nada. Que a Misericórdia divina se compadeça dessa geração sem pastores, mas também do Resto que conserva essa chama da Fé.

Notas

19 – GIOVANNI XXIII. Il Giornale dell’anima, Edizioni di Storia e Letteratura. V. Ed. Roma 1967. pp. 359-360. Texto parcialmente reproduzido por Hebblethwaite, pp. 446-447. Com estas palavras se encerra o diário de João XXIII. [Evidências do autor].

20 – P. Francesco RICOSSA, Il papa del Concilio (12° capítulo), Sodalitium n. 34, 1993, p.12.

21 – Cf. Giornale dell’anima, op. cit., p. 359, nota 1, na qual Loris Capovilla repete as mesmas palavras de João XXIII.

22 – Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. I, 1963, p. 168. Citado por LORIS CAPOVILLA, em: AA.VV., Come si è giunti al Concilio Vaticano II, Massimo, Milão, 1988, p. 38.

 

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