Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O ÓDIO TERRÍVEL DA SEITA CONCILIAR AO CULTO MARIANO

Escutemos o Papa Leão XIII,  em excertos da sua encíclica “Magnae Dei Matris”, promulgada em 8 de Setembro de 1892:

«Com efeito, quando recorremos a Maria, nós recorremos à Mãe da Misericórdia, a qual está tão bem disposta para connosco que em qualquer necessidade nossa, sobretudo naquelas espirituais, logo espontâneamente, sem sequer ser invocada, vem em nosso socorro,  e nos participa aquele tesouro da Graça de que, desde o princípio, recebeu de Deus a plenitude, para poder tornar-se digna Mãe d’Ele. É essa superabundância de Graça – o mais eminente de todos os outros inumeráveis privilégios – que eleva a Virgem muito acima de todos os homens e de todos os Anjos, e a aproxima, mais do que toda a criatura, a Cristo: “É coisa grande em qualquer santo possuir tanta Graça que baste à salvação de muitos; mas se tivesse dela tanta que fosse suficiente à salvação de todos os homens do mundo, seria o máximo; e isto verifica-se em Cristo,e na Bem-Aventurada Virgem”(Santo Tomás, opusc VIII, super salut. angelica). É portanto difícil dizer quanto se torne agradável a Maria o nosso obséquio, quando a saudamos com o louvor do Anjo, e repetimos o mesmo louvor, formando como que uma coroa devota. Porque todas as vezes reavivamos nela, de certa forma, a lembrança da sua dignidade sublime, bem como da Redenção do Género Humano, que Deus iniciou por meio dela. Por conseguinte, relembramos-lhe também aquele vínculo Divino e indissolúvel pelo qual está unida às alegrias e dores, humilhações e triunfos de Cristo, ao guiar e assistir os homens para a salvação Eterna. Jesus Cristo quis, na Sua Bondade, tornar-Se-nos semelhante, e dizer-Se e mostrar-Se Filho do Homem, e por isso nosso irmão, para que nos aparecesse mais luminosa a Sua Misericórdia para connosco: “Convinha que em tudo se mostrasse semelhante aos irmãos para ser um Sumo Sacerdote misericordioso”(Heb 2,17). Assim, Maria, pelo facto de ter sido escolhida para Mãe de Jesus Cristo, Nosso Senhor – que é simultaneamente nosso irmão – teve, entre todas as mães, a missão singular de manifestar e derramar sobre nós a Sua Misericórdia. Além disto, como somos devedores a Cristo de nos ter tornado, de certa forma, participantes do Seu próprio direito DE CHAMAR E TER A DEUS COMO PAI, assim, igualmente, Lhe somos devedores de nos ter tornado, amoràvelmente, participantes do Seu direito DE CHAMAR E TER MARIA COMO MÃE. E como, por natureza, o nome de Mãe É ENTRE TODOS O MAIS DOCE, e no nome de Mãe está posto o termo de confronto de todo o amor terno e solícito, todas as almas piedosas sentem – ainda que a sua língua não consiga exprimi-lo – que uma flama imensa de amor condescendente e operoso arde em Maria, que é nossa Mãe, não por natureza, mas pela vontade de Deus. Por isso ela vê e penetra, muito melhor do que qualquer outra mãe, todas as nossas coisas: As necessidades da nossa vida; os perigos públicos e privados que nos ameaçam; as dificuldades e os males com que nos debatemos; E SOBRETUDO A LUTA ÁSPERA QUE DEVEMOS SUSTENTAR PARA A SAÚDE DA ALMA CONTRA INIMIGOS VIOLENTÍSSIMOS. E nessas, como em muitas outras angústias da vida, mais de qualquer outro, pode e deseja trazer aos seus filhos queridos, consolações, força e ajudas de toda a espécie.»

O culto Mariano constitui a expressão mais determinante, e mais acrisolada, da humildade, da simplicidade, e da sinceridade Sobrenatural, que devem presidir à vida mortal de todo o católico. Efectivamente, SE NÃO FORMOS COMO AS CRIANÇAS NÃO ENTRAREMOS NO REINO DOS CÉUS, E MARIA SANTÍSSIMA É A NOSSA MÃE SOBRENATURAL, A NOSSA MÃE DO CÉU.

Disse Nossa Senhora à Lúcia de Fátima: “E tu sofres muito? Não te preocupes, eu nunca te deixarei, o meu Coração Imaculado será o teu refúgio, e o caminho que te conduzirá até Deus.”

E noutra ocasião, Lúcia pediu a Nossa Senhora para a levar para o Céu, juntamente com Jacinta e Francisco. E Nossa Senhora respondeu: “Sim, o Francisco e a Jacinta levo-os em breve, tu, porém, ficas cá mais algum tempo, Deus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar”. Com estas palavras, os pastorinhos ficaram a conhecer que, infalìvelmente, se salvariam, ou seja, que estavam confirmados em Graça.

Sem Maria não podemos alcançar o seu Divino Filho; todos os hereges, apóstatas, protestantes, liberais e modernistas, odiaram e odeiam profundamente a Nossa Senhora, Lutero disse dela as piores barbaridades. O culto de Maria Santíssima, no quadro da Sagrada Família, reflecte com a maior fidelidade O ESPECÍFICO DA FÉ CATÓLICA, porque este se consubstancia NA RENÚNCIA ORDENADA A TUDO – PARA TUDO ALCANÇAR. A Sagrada Família, e nela Maria Santíssima, como a criatura mais perto de Deus que jamais existiu e existirá, incluindo os Anjos, constitui um verdadeiro Céu na Terra, ONDE O FUNDAMENTO E O PRINCÍPIO SÃO TAMBÉM O FIM. Na realidade, se bem quisermos definir a alma de Nossa Senhora, o denso Mistério Sobrenatural da sua Santidade sem par, creio bem que nele vislumbramos essa plena transparência, essa Luz bendita, essa suavidade inefável, na qual a criatura puríssima, saída das mãos de Deus, a Ele regressa amorosamente, sem qualquer solução de continuidade, sem que as vicissitudes desta vida a possam macular, seja de que forma for. Por isso Nossa Senhora representa para nós, entre as puras criaturas, o nosso mais perfeito modelo, a Medianeira mais poderosa, a Protectora mais fiel, o reflexo mais perfeito de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao contrário das teses de uma falsa Teologia, o mérito não promana da dificuldade subjectiva e da penosidade das boas obras, MAS DA CARIDADE SOBRENATURAL COM QUE SÃO REALIZADAS, CARIDADE ESSA, QUE AS TORNA INTRÌNSECAMENTE FÁCEIS E GRATIFICANTES. Caso contrário, o santo, que na medida em que progride na Graça de Deus, cumpre com tanto maior facilidade os Mandamentos da Lei de Deus, incluindo as obras de super-rogação, esse santo perderia progressivamente os méritos – O QUE É ABSURDO! Bem inversamente – AUMENTA OS SEUS MÉRITOS!

É por todas estas razões que a seita conciliar, a seita anti-Cristo, que saiu do amaldiçoado Vaticano 2, odeia profundamente o culto Mariano, quer destrui-lo, na realidade já o destruiu, como se verificou na monstruosa mistificação do passado 13 de Maio em Fátima.

Há quem considere a proclamação de Montini (Paulo VI) de Nossa Senhora como Mãe da Igreja, durante o concílio, como  prova da sua grande devoção por Maria Santíssima. Mas na realidade, apenas se tratou de uma fraude modernista para lançar areia nos olhos dos católicos fiéis. O Próprio Monsenhor Lefebvre foi enganado, pois considerou tal proclamação como a clara afirmação do essencial ascendente de Direito Divino do Papa sobre o Concílio; e sê-lo-ia certamente, se Montini não fosse um agente da maçonaria. Truque análogo usou o mesmo Montini quando visitou o Santuário de Fátima em 13 de Maio de 1967; um Santuário, note-se, que nessa época ainda era tradicional. Mas também há que reconhecer que há cinquenta anos o plano letal da maçonaria para destruir a Santa Madre Igreja ainda não se encontrava totalmente explicitado. O apego que muitos ainda nutriam por aquele que aparecia como Papa só demonstrava a sua boa fé.

A repulsa dos anti-teólogos da morte de Deus pelo culto Mariano, também se foi explicitando estratègicamente ao longo dos anos, amordaçando a irmã Lúcia, deturpando-lhe os escritos, edificando em Fátima um verdadeiro templo maçónico, no qual Nosso Senhor Jesus Cristo é representado como um demónio, e promovendo, satanicamente, “aparições” de senhoras progressistas, um pouco por todo o mundo. Com Bergoglio, essa explicitação atingiu o seu zénite, na asquerosa irrisão da piedade mariana, na aberta propagação da mais torpe libertinagem, isto é, das modas, que a Mensagem de Fátima declara virem a ofender muito a Nosso Senhor.

Tudo na seita conciliar concorre para o ateísmo, NEM É PARA O PROTESTANTISMO, É PARA O ATEÍSMO. Constituindo a piedade Mariana um escudo infrangível para tudo o que combate Nosso Senhor, é evidente que as ordens da maçonaria são para ir modificando, subliminalmente, as mensagens Marianas, sobretudo de Fátima e Lourdes, corrompendo igualmente a arquitectura, a liturgia, a administração e funcionamento dos respectivos santuários, COM O OBJECTIVO DERRADEIRO DE NELES OBLITERAR A LUZ CELESTE, SUBSTITUINDO-A PELAS TREVAS DO INFERNO. ISTO, COMO É ÓBVIO, SEM QUALQUER PREJUÍZO PARA A RECOLHA DO OURO DOS FIÉIS, FONTE IMPORTANTE E INSUBSTITUÍVEL DOS RÉDITOS DA MAÇONARIA.

É conhecida a fúria com que os republicanos portugueses arremeteram contra os primórdios de Fátima, chegando a ameaçar os videntes presos com um caldeirão a ferver e dinamitando o lugar das Aparições. Mas como dizia o Cardeal Cerejeira: “Não foi a Santa Igreja que impôs Fátima, foi Fátima que se impôs à Igreja”. Muito maior tem sido a fúria com que a seita conciliar procura, não tanto destruir ou silenciar, mas falsificar Fátima. Porque o grande plano da maçonaria, como bem explanou Monsenhor Delassus, NÃO ERA DESTRUIR FÌSICAMENTE A SANTA IGREJA, NUM ATAQUE EXTERIOR, MAS NA APARÊNCIA, FALSIFICÁ-LA, USURPANDO AS SUAS ESTRUTURAS COMO TROMBETA DA MAÇONARIA INTERNACIONAL.

Sendo Nossa Senhora, a nossa querida Mãe do Céu, a criatura mais excelsa jamais criada – porque se é certo que os Anjos, na Ordem Natural, são muito mais perfeitos do que Maria, esta ultrapassa-os, mesmo ao mais perfeito, na Ordem Sobrenatural – a falsificação do seu culto e da sua Imaculada Pessoa, concorre extraordinàriamente para DESMOBILIZAR E ESTERILIZAR A VIDA SOBRENATURAL DOS FIÉIS, LANÇANDO-OS NA DESESPERANÇA DAS REALIDADES CELESTES.

Não olvidemos que, por delicadeza sublime da Providência, foi na época do laicismo que mais se incrementou o culto Mariano, que mais frequentes e mais importantes foram as manifestações celestes de Nossa Senhora; tal se fundamenta, precisamente, no precioso arrimo, no imarcescível refrigério, que o culto de hiperdulia faculta às almas de boa vontade, ao verificarem como é grande, como é Sobrenaturalmente transformante, o Poder da Graça de Deus, que a tão eminente dignidade elevou a Sua Mãe.

 

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 19 de Novembro de 2017

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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Artigos ainda não publicados do ilustre Sr. Arai Daniele

Por Pro Roma Mariana:

Caros leitores, como já tenhamos dito, o Sr. Arai, ainda vivo, permitiu-nos a publicação dos seus antigos artigos, incluindo os não finalizados (como o seguinte). O artigo parece a ser um fragmento de uma obra o que infelizmente não conhecemos. 

Usamos a oportunidade também para lembrá-los o seu sentido de humor: ele inventou o termo de tratar os antipapas conciliares por “sua satanidade”.

 

 

Vº SINAL DA VACÂNCIA APOCALÍPTICA NO SEGREDO DE MARIA SS.: –

Abertura do Vaticano 2º: distância da profecia de desgraças… de Fátima

Dia 11 de outubro de 1962 o espírito que guiava João 23 mostrou suas feições no discurso de abertura desse concílio. Depois de lembrar ainda a inspiração recebida do alto com o tal “toque inesperado, um lampejo de suprema luz”, e a comunicação dada disto aos cardeais, o inspirado passou a justificar a oportunidade da iniciativa grandiosa.
Falou do aggiornamento e da necessidade dele para a Igreja com um almejado salto na direção do pensamento moderno.
Nesse sentido há duas passagens significativas que devem ser consideradas: “Parece-nos dever divergir desses profetas de desdita que pressagiam eventos funestos, como se pairasse a ameaça do fim do mundo. Nos tempos modernos há quem não veja senão prevaricação e ruínas; dizem que nossa época, comparada às passadas, foi piorando; comportam-se como se nada houvessem aprendido da história, que é mestra de vida, e como se no tempo dos concílios ecumênicos precedentes tudo tivesse decorrido na plenitude de um triunfo da idéia, da vida cristã e da justa liberdade religiosa.”
Neste discurso, que também diverge — para não dizer contraria — a linguagem profética da Igreja de todos os tempos, somente queremos registrar uma objetiva discordância com tudo o que está dito na mensagem de Fátima.
Se já na parte conhecida fala-se de fomes, guerras, perseguições à Igreja e ao santo padre, o que haveria na parte escondida que deveria ter sido dada a conhecer em 1960?
Afinal, se o terceiro segredo ficou censurado para evitar alarme, como é que agora até a lembrança disso parece repreensível? A única resposta plausível a essas interrogações é a aversão ao conteúdo da mensagem de Fátima, por demais “pessimista e retrógrado”, e a procura da distância dos que a lembravam e pediam que fosse publicada e cumprida.
A segunda passagem significativa concerne à repressão dos erros no passado: “Vemos, na passagem de uma época a outra, que as opiniões dos homens se sucedem, excluindo-se reciprocamente, e os erros apenas despontam, freqüentemente esvanecem como névoa ao sol. A Igreja sempre se opôs a esses erros, os condenou mesmo com a máxima severidade. Agora, contudo, a Esposa de Cristo prefere usar o remédio da misericórdia antes que o da severidade.”
João 23 lembra perigosos erros e costumes atuais que desprezam Deus e sua Lei, mas “os homens mostram-se hoje, finalmente, propensos a condená-los por si mesmos”!
Que contraste gritante com as preocupações de Pio XII poucos anos antes.
Um Concílio da Igreja, primeiro deste século, para ser moderno no sentido normal dessa palavra, deveria pôr em foco os fatos principais de nossa época, para submetê-los ao juízo do multissecular magistério da Igreja, que, por meio de sua hierarquia reunida em assembléia, os ordenaria ao fim último do homem e de sua sociedade terrena. Em outras palavras, a Igreja militante reunida, deveria, frente aos grandes fatos contemporâneos, julgá-los segundo o bem e o mal que podem causar aos indivíduos e aos povos.
“O que for bom deve ser abraçado e o que for mau condenado”. (I Ts, 5)
Ora, os dois eventos decisivos de nossos tempos para a salvação ou castigo das almas e dos povos, aconteceram em 1917. Foram a Aparição de Fátima e a Revolução soviética que tomou conta da Rússia, e espalharia seus erros pelo mundo como está na mensagem de Fátima. As guerras, fomes, perseguições e o surgir de seitas e ideologias perniciosas, estão essencialmente ligados ao espírito revolucionário que atingiu o ápice do poder no comunismo. Esta foi a visão católica da história contemporânea que prevaleceu, bem ou mal, até o pontificado de Pio XII, que reconhecia na Revolução o processo global de todas as rebeliões individuais da história humana, organizado sob tantos diversos nomes: “Este se encontra em todo lugar e no meio de todos, sabe ser violento e sub-reptício. Nestes últimos séculos tentou levar a termo a desagregação intelectual, moral e social da unidade no organismo misterioso de Cristo. Quis a natureza sem a graça; a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; por vezes a autoridade sem a liberdade. É um inimigo que se tornou sempre mais concreto, com uma falta de escrúpulos que nos deixa atônitos: Cristo sim, mas Igreja não. Depois: Deus sim, Cristo não. Finalmente o grito ímpio: Deus morreu, aliás nunca existiu. Segue a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre fundamentos que nós não hesitamos em indicar como sendo a principal responsável da ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus. O inimigo empenhou-se e esforça-se para que Cristo seja um estranho nas universidades, nas escolas, nas famílias, nas administrações e justiça na atividade legislativa, na reunião das nações, onde se decide sobre a guerra ou paz.” (Pio XII, discurso aos homens da A.CL, 12-10-52)
Assim é descrito o processo revolucionário cujos fundamentos principais foram a pseudo-reforma protestante, o liberalismo da revolução francesa e, no nosso século, o marxismo-leninismo da revolução russa, que dava força a tantos diversos socialismos. Só não foi descrito o ritmo de crescimento desse processo. Isto somos nós, diante dos efeitos do Vaticano 2 a testemunhar. Se o processo andou depois da Renascença, marchou depois da Bastilha e correu com o domínio bolchevista, hoje se precipita depois das aberturas desse conciliábulo satânico e isto a despeito dos avisos de Fátima. A razão já foi vista: ao invés de reforçar as barreiras contra o processo revolucionário, os mentores desse processo conciliar houveram por bem fazer acordos de convivência com as igrejas-membro do conselho protestante, com as lojas da maçonaria liberal e com o Soviet supremo do comunismo internacional. Com isto seus trabalhos foram condicionados: o seu fim precípuo passou a ser não mais a defesa da fé, mas a promulgação da liberdade de consciência de marca liberal-maçônica, que por sua vez abriria as portas ao neo-ecumenismo e tornaria incoerente a condenação de erros como o comunismo. Restava, porém, uma pedra de tropeço que concentrava ao mesmo tempo o contrário disso tudo, lembrando os dogmas e devoção marianos, o inferno e os erros da Rússia. O Vaticano 2 não poderia conciliar estes quatro pontos com as prioridades citadas antes. Para abrir-se a estas, deveria fechar-se a Fátima.
Naturalmente, tudo isto de modo muito dissimulado.
Soube-se depois, pelo próprio secretário do papa, que esse texto recebeu a colaboração da eminência parda, o arcebispo de Milão Montini, feito cardeal logo nos primeiros dias do pontificado de Roncalli, de quem foi conselheiro e depois sucessor com o nome de Paulo 6. Partilhavam claramente as mesmas idéias acima expostas, que de novo só tinham a aparência, pois já haviam sido, elas mesmas, condenadas pelo magistério da Igreja. Eram, de fato, os conceitos modernistas da evolução e progresso do pensamento humano. Pois a verdade seria capaz de impor-se por sua própria força intrínseca num enriquecimento progressivo, dispensando condenações dos que se lhe opõem.
Em vista de tal evolução do pensamento, da moral e da compreensão da verdade, o único erro seria pressagiar a possibilidade de tempos piores. Eis a nova heresia!
Neste ponto não há nenhuma ironia em constatar que toda a pretensa novidade do discurso inaugural do Vaticano 2, em face da verdade e da realidade do mundo, voltava-se contra o próprio concílio, porque o utopismo progressista não é vigilante abertura para o real, mas fechamento aos riscos, aos perigos, aos erros, aos castigos e às profecias, como se nada disto existisse e como se, ao contrário, não fossem os profetas de venturas e paz, os enganadores e falsos, segundo as Sagradas Escrituras. Basta percorrê-las: “E o Senhor destruirá num só dia a cabeça e a cauda de Israel, os que obedecem e os que governam. O ancião e o homem respeitável são a cabeça, e o profeta que ensina a mentira é a cauda. E os que chamam ditoso a este povo, enganando-o (…) serão precipitados na ruína”. (Isaías, 9, 14). “Coisas espantosas e estranhas aconteceram nesta terra: os profetas profetizavam a mentira, e os sacerdotes aplaudiram-nos com suas mãos; e o meu povo amou essas coisas. Que castigo não virá, pois, sobre esta gente no fim de tudo isto?” (Je 5,30). “Assim diz o Senhor” — Ai dos profetas insensatos que seguem seu próprio espírito sem ter visto nada! Os teus profetas, ó Israel, são como raposas entre ruínas. E não subistes a brechas, nem fizestes muralha em defesa da casa de Israel, para resistir no combate, no dia do Senhor.” (Ez 13,3-5) “Ai, Senhor Deus! É possível que tenhas permitido (aos falsos profetas) que enganem este povo de Jerusalém dizendo: — tereis paz! E eis que a espada penetra até a alma.” (Je 4,10).
Pode-se citar inúmeras passagens bíblicas denunciando os falsos profetas de venturas, cuja adocicada demagogia populista se transforma em fel, na aversão ao profeta veraz. “Ai de vós quando os homens vos louvarem! Porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas.” (Lc 6, 26). Esquecidos desse ensinamento, muitos eclesiásticos, desde então, demonstraram o que eram, repetindo aos homens o que gostavam de ouvir e ocultando o que lembrava males e perigos. Não admira, pois, o apoio que receberam dos chefes os demolidores críticos da mensagem de Fátima. Destes, o mais cáustico, embora não elaborasse mais que conjeturas baseadas na mentalidade corrente, foi o jesuíta belga Eduardo Dhanis. Dedicou anos à tentativa de reduzir a aparição e a mensagem à medida de uma ilusão infantil somada a pias invenções com apenas uns pontos de verdade. Seriam fenômenos místicos possíveis em ambientes ignorantes e alheios ao progresso da psicologia e maturação religiosa do homem moderno. Com toda essa “nova ciência”, Dhanis, que era professor de teologia em Louvain, foi convidado pela Universidade Gregoriana de Roma, da qual em 1963 Paulo 6 o nomeava reitor. Quando morreu, soube-se por um artigo em sua homenagem no Osservatore Romano (20-2-79) que fora uma das pessoas em quem o Montini depositara mais confiança. Importante também foi sua parte durante o V2, e nisto se associou a outros bem-sucedidos inimigos de Fátima, como Karl Rahner, Kloppenburg e outros, citados por padre Alonso.
Neste ponto, é importante verificar se há uma efetiva oposição entre o espírito de Fátima e o espírito do concílio, para então entender como isto se manifestou nos trabalhos do Vaticano 2. Ora, este, como disse João 23 no discurso inaugural, que resume suas idéias, as do futuro Paulo 6º e de muitos, queria a abertura da Igreja para o mundo, evitando condenações e atacando os profetas anti-modernos que condenavam o mal e lembravam castigos. Mas isto era justamente o oposto do espírito de Fátima. Havia então que fazer esquecer sua mensagem, redimensionando seus avisos e pedidos.
Senão, vejamos: O primeiro ponto são os dogmas marianos da Imaculada Conceição, da Assunção e da Mediação universal de Maria, ainda não definido, mas que tem o consenso de toda a Igreja. A aparição e a mensagem dada representam um chamado a essas verdades de fé católicas que os protestantes não aceitam e o ecumenismo esconde.
O segundo ponto é a devoção especial a Nossa Senhora e seu Imaculado Coração, que além de passar pelos dogmas católicos todos contra os quais se debatem as heresias em particular e o modernismo em geral, realiza a mediação de Maria através da pedida consagração. E qual melhor ocasião para a consagração que um concílio, quando os bispos do mundo estão reunidos com o papa?
O terceiro ponto é a lembrança do inferno que Nossa Senhora na aparição de 13 de julho fez ver aos pastorzinhos, demonstrando a extrema importância para os homens de considerarem o castigo terrível que comporta a ofensa a Deus, sem conversão e penitência. É o ensinamento de sempre da Igreja no seu trabalho pastoral.
E se a aparição veio lembrá-lo é porque seria esquecido ou modificado.
O quarto ponto, enfim, é o perigo dos erros espalhados pela Rússia, de que veio advertir Maria Santíssima em Fátima (1917), dias antes da tomada do poder na Rússia pela revolução comunista. Esta representou para a humanidade uma catástrofe sem precedente: milhões de mortes pela fome e guerra civil, abolição dos direitos naturais dos homens, destruição de seus valores fundamentais e perseguição da religião para a imposição do ateísmo de estado. Tudo isso concerne de modo especial à Igreja, que já havia condenado e prevenido contra essa doutrina intrinsecamente perversa.
Note-se que estes pontos constituiriam um programa obrigatório para a Igreja reunida em concílio nesta época histórica, mesmo se esta época fosse marcada somente pelo advento do comunismo e sem a aparição extraordinária de Fátima: os papas e os bispos sempre recorreram à Virgem Maria para combater os inimigos mortais da Fé e da Igreja. O perigo próximo é o comunismo e suas seqüelas, que naturalmente era preciso mencionar publicamente e convocar os fiéis à defesa.
Mas, o que aconteceu nesse Concílio do Vaticano quanto a tudo isto?

As verdades de Fé tornaram-se hoje incompreensíveis porque foram obscurecidas na Igreja conciliar. O comportamento de seus chefes diante do sinal de Fátima está a demonstrá-lo. Este, lembrando o ensinamento de sempre, os interpela tacitamente.
O Reino de Cristo não é imposto, mas deve ser invocado antes de todos pelo Papa fiel. Esta invocação já é sigilo de sua fidelidade, à qual se liga a legitimidade da função vigária; de fato o Papa representa o mandato de Cristo, não o personaliza.
No seu Nome toda a vitória é possível; sem Ele, domina o que se Lhe opõe, porque visto que a Verdade rege a vida social, a substituição da idéia cristã pela ecumenista abre ao avanço de todos os erros e perversões, das quais o Vaticano hoje è «sede».
Sim, porque a «filosofia» modernista impôs o plano eclesial aberto a toda indiferença ecumenista e compromisso doutrinário libertário. Isto aconteceu no Vaticano 2º que, como vimos, opõe-se — não de modo frontal, mas entranhadamente — a Fátima.
Repetimos o que já o Cardeal Patriarca de Lisboa, Antônio Ribeiro, na Assembléia de maio 1972 do Episcopado português em Fátima, disse: “Pelos silêncios, negações, hostilidades levadas a cabo contra Fátima, a nossa peregrinação de hoje deseja ser também ato de desagravo.” E apontou para o “furor anti-mariano” que seguiu o Vaticano 2º na frase de seu mentor Karl Rahner: “Ideologias não precisam de mãe”.
Toda verdade cristã é sinal de contradição com o mundo, nessa ocasião foi sinal de contradição com o «papa conciliar» hostil à Profecia de Fátima, mas aberto aos aplausos festivos por parte dos inimigos declarados da Igreja. Isto já revela quem era o clérigo que abriu a Igreja ao Inferno das heresias e inaugurou a estirpe dos «conciliares»…

O ESMAGAMENTO DOS BONS PELOS MAUS

Escutemos o Papa São Pio X, em passagens da sua Epístola Apostólica “Notre Charge Apostolique”, promulgada em 25 de Agosto de 1910:

«Que se deve pensar da promiscuidade em que se acharão agrupados os jovens católicos com heterodoxos e incrédulos de toda a espécie, numa obra desta natureza? ESTA NÃO SERÁ MIL VEZES MAIS PERIGOSA PARA ELES DO QUE UMA ASSOCIAÇÃO NEUTRA? Que se deve pensar deste apelo a todos os hererodoxos e a todos os incrédulos para virem comprovar a excelência das suas convicções no terreno social, numa espécie de concurso apologético, COMO SE ESTE CONCURSO NÃO DURASSE JÁ HÁ DEZANOVE SÉCULOS, EM CONDIÇÕES MENOS PERIGOSAS PARA A FÉ DOS FIÉIS, E SEMPRE COM VANTAGEM PARA A SANTA IGREJA CATÓLICA?

Que se deve pensar deste respeito a todos os erros e deste estranho convite, feito por um católico a todos os dissidentes, de fortificarem suas convicções, pelo estudo, e delas fazer as fontes, sempre mais abundantes, de novas forças? Que se deve pensar de uma associação em que todas as religiões, e mesmo o livre pensamento, podem manifestar-se altamente à vontade? Porque os sillonistas que nas conferências públicas, e em outras ocasiões, proclamam altivamente sua Fé individual, não pretendem, certamente, fechar a boca aos outros, e impedir que o protestante afirme seu protestantismo e que o céptico afirme seu cepticismo. Que pensar, enfim, de um católico, que ao entrar no seu círculo de estudos deixa à porta o seu catolicismo, para não assustar os seus camaradas, que sonhando com uma acção social desinteressada,  têm repugnância de a fazer servir ao triunfo de interesses, de facções, ou mesmo de convicções, quaisquer que elas sejam? Tal é a profissão de fé da nova Comissão Democrática de Acção Social, que herdou a maior tarefa da antiga organização, e que assim afirma, “desfazendo o equívoco em nome do maior Sillon, tanto nos meios reaccionários, como nos meios anticlericais”, está aberta a todos os homens “respeitadores das forças morais e religiosas, e convencidos de que nenhuma emancipação social verdadeira será possível  sem o fermento de um generoso idealismo.”(…)

Quando se pensa em tudo o que foi preciso de forças, de ciências, de virtudes Sobrenaturais, para estabelecer a Cidade Cristã, e nos SOFRIMENTOS DE MILHÕES DE MÁRTIRES, e nas Luzes dos Padres e dos Doutores da Igreja, e no devotamento de todos os heróis da Caridade, e numa poderosa hierarquia nascida no Céu, e nas torrentes de Graça Divina, e tudo isto edificado, travado, compenetrado pela vida e pelo Espírito de Jesus Cristo, a Sabedoria de Deus, o Verbo feito Homem; quando se pensa, dizíamos, em tudo isto, FICA-SE ATEMORIZADO AO VER NOVOS APÓSTOLOS SE ENCARNIÇAREM POR FAZER MELHOR, ATRAVÉS DE UM VAGO IDEALISMO E DE VIRTUDES CÍVICAS. QUE É QUE ELES QUEREM PRODUZIR? QUE É QUE SAIRÁ DESTA COLABORAÇÃO? Uma construção puramente verbal e quimérica em que se verão coruscar, promìscuamente, e numa confusão sedutora, as palavras liberdade, justiça, fraternidade e amor, igualdade e exaltação humana? E tudo baseado numa dignidade humana mal compreendida?

Será uma agitação tumultuosa, estéril, e que aproveitará aos agitadores de massas? Sim, na realidade, pode-se dizer que o Sillon escolta o socialismo, o olhar fixo numa quimera.

Tememos que ainda haja pior. O resultado desta promiscuidade em trabalho, o beneficiário desta acção social cosmopolita só poderá ser uma democracia, QUE NÃO SERÁ, NEM CATÓLICA, NEM PROTESTANTE, NEM JUDAICA; uma religião, (porque o Sillonismo, os chefes o afirmaram, é uma religião) mais universal do que a Igreja Católica, reunindo todos os homens, tornados assim irmãos e camaradas “NO REINO DE DEUS” – NÃO SE TRABALHA PELA IGREJA, TRABALHA-SE PELA HUMANIDADE.»

Teològicamente, o mal, enquanto privação qualificada de ser, existe para maior resplendor do Bem; Deus Nosso Senhor não quer positivamente o mal, mas permite-o, no quadro Providencial da Ideia Eterna e Incriada que possui do mundo.

A presença tremendamente maciça do mal no mundo, no seu fundamento puramente metafísico, radica na contingência das criaturas, as quais NÃO SÃO O SEU SER, NÃO POSSUEM EM SI A RAZÃO ÚLTIMA DA VERDADE E DA BONDADE DO SER. Sòmente em Deus, se consubstancia a perfeitíssima identidade entre o princípio dos seres e a sua Lei operativa e teleológica – por isso se afirma que Deus Uno e Trino é infinitamente santo.

Ser bom, sobrenaturalmente bom, é participar realmente, acidentalmente, dessa Santidade Divina; a mais nada devemos aspirar. Mas como se pode ser bom se se possui um conceito aberrante de Deus? Ora a grande  maioria dos homens, mesmo em épocas de Fé, possui uma concepção rudemente mimetizada e tosca de Deus. Repetidamente tenho asseverado, que mesmo padecendo de uma grande falta de cultura, segundo os padrões do mundo, podemos e devemos amar Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus. Porque os caminhos da Graça sobrepujam infinitamente as vias dos conhecimentos puramente humanos. Assinale-se, contudo, que um sistema filosófico falso, qualquer que ele seja, se for positivamente professado – DESTRÓI A FÉ SOBRENATURAL!

A grande razão de queixa dos maus contra os bons, é constitutiva, DE UMA AMEAÇADORA SOMBRA MORAL OBJECTIVA, QUE ELES NÃO SUPORTAM, PORQUE LHES RECORDA PERMANENTEMENTE AS SUAS FALTAS. Cumpre registar, que a ruína moral, nomeadamente os denominados delitos comuns, provocam sempre um remorso de consciência; remorso, aqui, não significa arrependimento, mas a própria corrosão aniquilante do mal na alma desviada, essa corrosão possui fundamento perfeitamente objectivo decorrente da violação da Lei Divina. E aqueles que, embora afastados da Fé Católica, conservam ainda um mínimo de padrões éticos, também sentirão essa corrosão aniquilante? Sentem-na de forma diversa, atenuada, como que numa inquietação, uma insatisfação existencial, provocada pelo sinete da contingência criatural, não correspondido pelo reconhecimento e adoração do verdadeiro Deus, no seio da verdadeira Religião.  EVIDENTEMENTE, QUE QUANTO MAIS PERCUCIENTE É O AGUILHÃO DO REMORSO ANIQUILANTE, MAIS OS MAUS SE INSURGEM, CRUELMENTE, CONTRA OS BONS. E isto é tanto mais verdade, porque os maus, autenticamente, desesperam-se por não poderem evitar uma certa reverência para com os bons. Ora esta reverência também possui fundamento objectivo, na exacta medida em que as Leis Divinas, que são Leis do Ser, nunca podem ser violadas sem que se verifique uma contra-reacção, um queixume amargo, da natureza agredida.

Exemplo incisivo do que acabo de afirmar, é facultado pela atitude da seita anti-Cristo face aos verdadeiros católicos: O ódio tenebroso, a perseguição voraz, a consciência profunda, mas dissimulada, da imensa superioridade teológica e moral dos católicos fiéis, e sobretudo, a MÁ FÉ dos modernistas, indissociável de um remorso triturante, fazem deles OS PIORES HOMENS DO NOSSO TEMPO, PIORES QUE OS MUÇULMANOS. É conhecido como o próprio Lutero era um demónio autêntico, mau como as cobras, cego pelo fanatismo anti-Cristo, capaz de todos os crimes.

Nunca olvidemos o aforismo que nos garante que DESTRUÍDO O SOBRENATURAL, NÃO FICA O NATURAL, MAS O ANTI-NATURAL.

Os inimigos jurados da Fé Católica, opressores dos bons, são, em geral, grandes criminosos de delito comum, porque uma pessoa realmente com determinados princípios éticos, conquanto não católica, é sempre respeitadora.

Por vezes os santos foram perseguidos atrozmente por pessoas menos boas, até mesmo medíocres, mesmo eclesiásticos. É conhecido como o Padre Pio foi atormentado durante longos anos pelo Santo Ofício; foi Pio XII, que uma vez eleito, ordenou ao Santo Ofício que cessasse todas as perseguições. A causa deste tipo de acontecimentos deve buscar-se na acção misteriosa de satanás – permitida por Deus pelos nossos pecados – que sente grande orgulho em intrigar, colocando os menos bons contra os bons, aproveitando a ferida na natureza e o ruído produzido pelo pecado do mundo em geral; e frequentemente, até lançando os bons contra os bons. Exemplos afins também encontramos na vida dos santos e dos seus conflitos com a Inquisição. A razão profunda é fácil de individualizar: Os santos, obras primas da Graça Divina, elevam a dignidade humana, participação na Santidade Divina, até a um zénite, que causa engulhos e invejas a homens medianos e até medíocres que constituem a normalidade eclesiástica, mesmo em épocas de Fé.

O mundo – na acepção moralmente pejorativa com que Nosso Senhor Jesus Cristo o qualificou – na sua soberba, sempre gostou de rodear os bons de uma clareira de enorme indiferença, cristalizada no sentimento de exclusão, processo tanto mais doloroso para os discípulos de Nosso Senhor, quanto eles se sentem como “não existentes”; o que não sucede com o ataque positivo e directo. E isto, a nível familiar, profissional e social. Para já não falar na abordagem psiquiátrica, em que a fidelidade sem reservas a Nosso Senhor Jesus Cristo é punida com a morte social. Nunca olvidando, que as sanções sociais são sempre inversamente proporcionais às sanções legais.

A perseguição aos bons e fiéis discípulos de Nosso Senhor, cruenta ou incruenta, constituirá sempre perene testemunho da grande miséria humana, do terrível pecado da Humanidade, e em síntese, de como este pobre mundo é, na realidade, a ante-câmera do Inferno, e onde os Bens Sobrenaturais são invariàvelmente, os mais desprezados, os mais ridicularizados, e os mais flagelados.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 8 de Outubro de 2017

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O SATANISMO DO ISLÃO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral 

Escutemos o Papa Pio VII, na Carta Apostólica “Post tam diuturnitas” dirigida ao bispo de Troyes, em França, condenando a “liberdade de cultos e de consciência” concedida pela Constituição de 1814 (Luís XVIII):

«Um outro motivo de pena pelo qual o nosso coração é ainda mais vivamente afligido, e que – nós confessamo-lo – nos causa um tormento, uma opressão, e uma angústia extremas, tal é o artigo 22 da Constituição. Não sòmente aí se permite a liberdade de cultos e de consciência, para nos servirmos dos próprios termos do artigo, mas ainda se promete apoio e protecção a essa liberdade, e além disso, aos ministros do que se denomina “os cultos”. Não são certamente necessários longos discursos, quando nos dirigimos a um bispo como vós, para vos fazer ver claramente de que ferida mortal, a religião católica em França, se acha atingida, por tal artigo. Pelo facto mesmo que se estabelece a liberdade de todos os cultos, sem distinção, confunde-se a Verdade com o erro, e coloca-se ao nível das seitas heréticas e mesmo da perfídia judaica, a Santa e Imaculada Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica, fora da qual não há salvação. Além disso, prometendo-se favor e apoio às seitas heréticas, bem como aos seus ministros, tolera-se e favorece-se, não apenas as suas pessoas, mas também os seus erros. Constitui para sempre a desastrosa e para todo o sempre deplorável heresia que Santo Agostinho menciona nestes termos: “Ela afirma que todos os heréticos se encontram no bom caminho e falam verdade, absurdo tão monstruoso que não posso crer que uma seita o professe realmente”».

Sabemos pelas Sagradas Escrituras e pela Sagrada Tradição que a Revelação Sobrenatural encarnou numa História Verdadeira, que é a História da Salvação; todos os seus elementos são religiosos e foram, infalìvelmente, dispostos pela Divina Providência em ordem à maior Glória de Deus e salvação das almas. Portanto, qualquer elemento pseudo-religioso que não se integre com absoluta perfeição no plano da Revelação, é obra, não de Deus Nosso Senhor, mas do príncipe das trevas, do próprio satanás.
Porque assim como só há um Deus, que é a Santíssima Trindade, só há um Redentor, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente só existe, e SÓ PODE EXISTIR uma Revelação, um só pensamento Divino sobre a Humanidade, uma só Providência. Pretender pluralizar o conceito de Revelação é desenbocar no ateísmo, no niilismo, na toxicodependência, na eutanásia.
Que se proclame com toda a veemência: ALÁ É, OBJECTIVAMENTE, UM DEMÓNIO, E A CULTURA ISLÂMICA É UMA CORRUPÇÃO GROTESCA DO DIREITO NATURAL.
Infelizmente, há quem produza asserções no sentido de assimilar o Islão a um determinado tipo de religião natural. Todavia no nosso estado de natureza sobrenaturalmente elevada, caída, e remida, não existe verdadeiramente lugar para uma religião do estado natural. Pois que a Graça é ministrada a todas as almas, embora de forma qualitativamente desigual, e toda a Graça, mesmo a medicinal, nos foi merecida por Nosso Senhor Jesus Cristo.                                                                                 Em primeiro lugar o Islão possui uma falsíssima noção de Deus, mesmo quando cotejada com a concepção de Deus que existiria num hipotético estado de pura natureza, na qual não haveria mistérios revelados, e na qual portanto não obteríamos o conhecimento do Mistério da Santíssima Trindade; para o Islão, Deus, ou antes, alá, é uma força cega, imprevisível, irracional, grosseira, ABERRANTE AO ESTUDO FILOSÓFICO E COMPLETAMENTE ESPÚRIO À REVELAÇÃO TEOLÓGICA.
É certo que há cerca de 1ooo anos, filósofos houve no Islão que tentaram, à sua maneira, conjugar a filosofia grega e o pseudo-dogma islâmico; efectivamente Avicena (980-1037), e Averrois (1126-1198) não se conseguiram libertar do finitismo aristotélico, nem das tendências neo-platónicas do emanatismo, impedindo-se assim de rectamente integrar o Mundo, o Homem, e Deus numa unidade verdadeiramente analógica, e por isso mesmo qualificadamente fecunda. Foi precisamente pelo facto da herança da filosofia
clássica surgir deformada pelo racionalismo árabe, que só ulteriormente esses tesouros puderam ser recolhidos pelos teólogos católicos. Sabe-se que São Tomás de Aquino, que desconhecia a língua grega, dispunha de um tradutor próprio – Frei Guilherme de Moerbeck.
Cumpre assinalar, que antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Humanidade se encontrava, SOBRENATURALMENTE, numa situação ontológica inferior àquela que depois veio a adquirir pelos méritos da Cruz – OS DONS DA GRAÇA ERAM MENOS PERFEITOS. Por isso mesmo, as graves deficiências dos filósofos gregos na concepção de Deus, necessitam de ser compreendidas nesta óptica; anàlogamente, no Antigo Testamento, os mais santos dos homens não se podem comparar, nem na Fé, nem na Esperança, nem na Caridade, aos justos do Novo Testamento; Nosso Senhor o afirmou: «Não há, entre os homens nascidos de mulher ninguém maior do que João Baptista, no entanto o mais pequeno no Reino dos Céus é maior do que ele» (Mt 11,11). E não será demais acrescentar, que Santo Tomás refutou FORMALMENTE Aristóteles com os mesmos elementos que dele MATERIALMENTE haurira; e que tais elementos NÃO SÃO RELIGIOSOS, mas simplesmente intelectuais e racionais, especificantes do Homem, enquanto animal racional, e que 2500 anos antes de Nosso Senhor, se encontravam em estado mais puro, mais vernáculo, POIS AINDA NÃO HAVIAM SIDO UTILIZADOS PARA RENEGAR O PRÓPRIO SENHOR JESUS. Portanto se na Ordem Natural, a Humanidade pré-Cristã, sobrecarregada com o pecado original, ainda não renegara o seu Criador e Redentor, conservando por isso uma certa integridade (não a integridade original) de faculdades; por outro lado recebia menos ilustrações Sobrenaturais, porque a Revelação ainda não se havia completado em Nosso Senhor Jesus Cristo; por outro lado, a Humanidade posterior à Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, enriquecida com mais Luz Sobrenatural, encontra-se, sobretudo nos últimos cinco séculos de negações, muito mais debilitada nas suas faculdades espirituais naturais.
O Islão desconhece tudo isto, pois os seus maiores filósofos existiram, como vimos, já há mil anos. Muitas pessoas da Tradição, mesmo cultas, afirmam e elogiam o “grande rigor moral do Islão” que não pactua com a pornocracia ocidental – puro dislate! Já olvidaram que o mesmo Islão pratica a poligamia, considerando-a mesmo uma virtude perante alá? Que o “paraíso” islâmico É CARNAL! um jardim de virgens (as huris) à disposição dos bravos servidores de alá? O facto de eles cobrirem patològicamente as mulheres SÓ DEMONSTRA A SUA DEPRAVAÇÃO MORAL, INCAPAZ DE ENCARAR COM NATURALIDADE E INOCÊNCIA O CORPO HUMANO CRIADO POR DEUS; na realidade qualquer reserva de princípio em relação ao corpo humano (ENQUANTO TAL) só demonstra fraqueza moral e não virtude: Adão e Eva perturbaram-se com a sua nudez, DEPOIS DO SEU PECADO E POR CAUSA DO SEU PECADO, PORQUE TINHAM PERDIDO A GRAÇA SANTIFICANTE E TODAS AS VIRTUDES MORAIS SOBRENATURAIS. Ora o Islão desconhece, em absoluto, a Ordem Sobrenatural e corrompe grosseiramente a Ordem Natural; escraviza o sexo feminino, sendo a mulher propriedade do pai, ou do irmão mais velho, e transitando ulteriormente para a propriedade do marido; por isso o adultério é considerado uma violação do direito de propriedade; um homem casado que se liga a uma mulher livre – NÃO COMETE ADULTÉRIO; e aqui existem certas semelhanças com a legislação do Antigo Testamento, o que não nos deve surpreender pelas razões já aludidas.
O Islão conserva contudo UMA CERTA NOÇÃO, AINDA QUE ESSENCIALMENTE DIMINUÍDA, DE OBJECTIVIDADE DA TRANSCENDÊNCIA, NOÇÃO COMPLETAMENTE EXTINTA NA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL. Por isso eles não concebem a separação da lei civil da lei religiosa, à excepção dos países já laicizados, como a Turquia, a Tunísia, e em parte, o Egipto. Efectivamente, se uma realidade religiosa é objectiva, OBRIGA TAMBÉM OBJECTIVAMENTE, E O ESTADO TEM DE LHE CONFERIR COBERTURA LEGAL; mas se constitui um puro sentimento subjectivo, então o Estado, que por sua natureza é objectivo, nada terá a ver com o assunto.
PORTANTO, A SEITA CONCILIAR, A SEITA ANTI-CRISTO É MUITÍSSIMO PIOR DO QUE O ISLÃO, POIS SE ESTE ADORA OBJECTIVAMENTE O DEMÓNIO, A SEITA ANTI-CRISTO DESTRUIU A PRÓPRIA ESSÊNCIA OBJECTIVA DA TRANSCENDÊNCIA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Junho de 2014

UNA SENTENCIA REFUTADA POR SAN ROBERTO BELARMINO Y HOY REINDIVICADA POR LOS DOMÍNICOS DE AVRILLÉ Y MONS. WILLIAMSON

EL PAPA HEREJE SÓLO PIERDE EFECTIVAMENTE EL PONTIFICADO LO CUANDO INTERVIENE UN ACTO DECLARATORIO DE SU HEREJÍA

Efectivamente, como expone Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, en su obra: Implicaciones Teológicas y Morales del Nuevo “Ordo Missae”, mimeografiado por el autor en Junio de 1971, Sao Paulo – Brasil, p. 163 a 176, recomendada por Mons. Lefebvre, pero que fue arrinconada y ocultada por los superiores y profesores del Seminario, teniendo que obtenerla y leerla a escondidas 1981-1982 en Albano, esa sentencia fue refutada por San Roberto Belarmino quién fue el alma del Concilio de Trento, y que a continuación vemos:
«Conforme a esta cuarta sentencia, el Papa nunca pierde el pontificado por el propio hecho de su caída en herejía. Sino que, para que su destitución se haga efectiva, es necesario que haya un acto declaratorio de su defección en la fe.
Como es obvio, tal declaración no puede ser una decisión judicial en sentido estricto, dado que el Papa no tiene en la tierra superior que lo juzgue; sino que será una mera declaración no judicial, en razón de la cual el propio Jesucristo destituirá al Papa.
Los principales seguidores de esta cuarta sentencia son Cayetano y Suarez. (…)

REFUTACIÓN DE ESTA SENTENCIA POR: SAN ROBERTO BELARMINO
San Roberto Belarmino, que no aprueba esta cuarta sentencia, la refuta así: “La cuarta opinión es la de Cayetano; para quien (de autor. papae et conc., cap. 20 et 21) el Papa manifiestamente herético no está ‘ipso facto’ depuesto, pero puede y debe ser depuesto por la Iglesia. A mi juicio, esa
sentencia no puede ser defendida. Pues, en primer lugar, se prueba con argumentos de autoridad y de razón que el hereje manifiesto esta ‘ipso facto’ depuesto. El argumento de autoridad se basa en San Pablo (Epist. ad Titum, 3), que ordena que el hereje sea evitado después de dos
advertencias, es decir, después de revelarse manifiestamente pertinaz, lo
que significa antes de cualquier excomunión o sentencia judicial. Es eso lo que escribe San Jerónimo, agregando que los demás pecadores son excluidos de la Iglesia por sentencia de excomunión, pero los herejes se apartan y separan a sí mismos del cuerpo de Cristo. Ahora bien, el Papa que permanece Papa no puede ser evitado, pues ¿cómo habríamos
de evitar nuestra propia cabeza? ¿Cómo nos apartaríamos de
un miembro unido a nosotros?
Este principio es certísimo. El no cristiano no puede de modo alguno ser Papa, como lo admite el propio Cayetano (Ibídem, cap. 26). La razón de ello es que no puede ser cabeza el que no es miembro; ahora bien, quien no es cristiano no es miembro de la Iglesia; y el hereje manifiesto no es cristiano, como claramente enseñan San Cipriano (lib.4, Epist. 2), San Atanasio (ser. 2 cont. Arian.), San Agustín (lib. de grat. Christ., cap. 20), San Jerónimo (cont. Lucifer.) y otros; luego el hereje manifiesto no puede ser Papa.
A eso responde Cayetano (in Apol. pro tract. praedicto cap.25 et in ipso tract. cap.22) que el hereje no es cristiano ‘simpliciter’, mas lo es ‘secundum quid’. Pues, dado que dos cosas constituyen al cristianismo -la fe y el carácter- el hereje, habiendo perdido la fe, aún está de algún modo adherido a la Iglesia y es capaz de jurisdicción; por lo tanto, todavía es
Papa, pero debe ser destituido, toda vez que está dispuesto, con disposición ultima, para dejar de ser Papa. Como el hombre que aún no está muerto, pero se encuentra ‘in extremis’. Contra eso: en primer lugar, si el hereje, en virtud del carácter, permaneciese, ‘in actu’, unido a la Iglesia, nunca podría ser cortado y separado de ella ‘in actu’, pues el carácter es indeleble. Pero no hay quien
niegue que algunos puedan ser ‘in actu’ separados de la Iglesia. Luego, el
carácter no hace que el hereje, este ‘in actu’ en la Iglesia, sino que es tan
solo una señal de que él estuvo en la Iglesia y de que a ella debe volver.
Análogamente, cuando la oveja yerra por las montañas, el carácter en
ella impreso no hace que ella esté en el redil, sino que indica de que redil
huyo y a que redil debe ser nuevamente conducida. Esa verdad tiene una
confirmación en Santo Tomás, que dice (S. Theol. III, 8, 3) que no están ‘in
actu’ unidos a Cristo los que no tienen fe, sino que sólo lo están
potencialmente; y Santo Tomas ahí se refiere a la unión interna, y no a la
externa, que se hace por la confesión de la fe y por las señales visibles.
Por lo tanto como el carácter es algo interno, y no de externo, según
Santo Tomás el mero carácter no une, ‘in actu’, el hombre a Cristo.
Todavía contra el argumento de Cayetano: o la fe es una disposición
‘simpliciter’ necesaria para que alguien sea Papa, o tan solo para que lo
sea de modo más perfecto (‘ad bene esse’). En la primera hipótesis, en el
caso de que esa disposición sea eliminada por la disposición contraria,
que es la herejía, inmediatamente el Papa deja de ser tal: pues la forma
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no puede mantenerse sin las disposiciones necesarias. En la segunda
hipótesis, el Papa no puede ser depuesto en razón de la herejía, él puede
en caso contrario debería también ser dispuesto por ignorancia,
improbidad y otras causas semejantes que impiden la ciencia, la
probidad y de modo más disposiciones necesarias para que sea Papa de
modo más perfecto (‘ad bene esse Papae’). Además, de eso, Cayetano
reconoce (tract. praed., cap. 26) que, por la ausencia de las disposiciones
necesarias no ‘simpliciter’, mas tan sólo para mayor perfección (‘ad bene
esse’), el Papa no puede ser depuesto.
A eso, Cayetano responde que la fe es una disposición ‘simpliciter’
necesaria, mas parcial, y no total; y que, por lo tanto, desapareciendo la
fe el Papa todavía puede continuar siendo Papa en razón de la otra
parte de la disposición que es el carácter el cual todavía permanece.
Contra ese argumento: o la disposición total, constituida por el carácter
y por la fe es ‘simpliciter’ necesaria, o no lo es, bastando entonces la
disposición parcial. En la primera hipótesis, desapareciendo la fe ya no
resta la disposición ‘simpliciter’ necesaria, pues la disposición necesaria
‘simpliciter’ era total, y la total ya no existe. En la segunda hipótesis, la fe
solo es necesaria para un modo más perfecto de ser (‘ad bene esse’), y
por lo tanto su ausencia no justifica la deposición del Papa. Además de
eso, lo que se encuentra en la disposición última para la muerte,
inmediatamente deja de existir, sin intervención de ninguna otra fuerza
extrínseca, como es obvio. Luego, también el Papa hereje deja de ser
Papa por sí mismo, sin ninguna disposición.
Por fin, los Santos Padres enseñan unánimemente, no sólo que los
herejes están fuera de la Iglesia, sino también que están ‘ipso facto’
privados de toda jurisdicción y dignidad eclesiástica. San Cipriano (lib.2,
Epist. 6) dice: “afirmamos que absolutamente ningún hereje y cismático
tiene poder y derecho algún”’; y enseña también (lib.2, epist.1) que los
herejes que retornan a la Iglesia deben ser recibidos como laicos,
aunque hayan sido anteriormente presbíteros u obispos en la Iglesia.
San Optato (lib.1 cont. Parmen.) enseña que los herejes y cismáticos no
pueden tener las llaves del reino de los cielos, ni ligar o desligar. Lo
mismo enseñan San Ambrosio (lib.1 de poenit., cap. 2), San Agustín (in
Enchir., cap. 65), San Jerónimo (lib. Cont. Lucifer). (…).
El Papa San Celestino I (Epist. ad J. Antioch., que figura en el Concilio de
Éfeso, tom. I, cap. 19) escribió: ‘Es evidente que permaneció y permanece
en nuestra comunión, y no consideramos destituido, a aquél que ha sido
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excomulgado o privado del cargo, ya sea episcopal o clerical, por el
obispo Nestorio o por otros que lo siguen, después que estos comenzaron
a predicar la herejía. Pues la sentencia de quien ya se revelo como
debiendo ser depuesto, a nadie puede deponer’.
Y en carta al Clero de Constantinopla, el Papa San Celestino I dice : ‘La
autoridad de nuestra Sede Apostólica determinó que no sea considerado
depuesto o excomulgado el obispo, clérigo o simple cristiano que haya
sido depuesto o excomulgado por Nestorio o sus seguidores, después
que estos comenzaron a predicar la herejía. Pues quien con tales
predicciones defeccionó de la fe, no puede deponer o remover a quien
quiera que sea’.
Lo mismo repite y confirma San Nicolás I (Epist. ad Michael).
Finalmente, también Santo Tomas enseña (S. Theol., II-II, 39, 3) que los
cismáticos pierden inmediatamente toda jurisdicción, y que será nulo lo
que intenten hacer con base en alguna jurisdicción.
No tiene fundamento lo que algunos responden a eso: que esos Padres
se basan en el Derecho antiguo, mientras que actualmente, por el Decreto
del Concilio de Constanza, sólo pierden la jurisdicción los que son
nominalmente excomulgados y los que agreden a clérigos. Ese
argumento –digo- no tiene valor alguno, pues aquellos Padres, afirmando
que los herejes pierden la jurisdicción, no alegan Derecho humano
alguno, que por otro lado en aquella época tal vez no existiese respecto
de esa materia, sino que argumentan con base en la propia naturaleza
de la herejía. El Concilio de Constanza sólo trata de los excomulgados, es,
decir, de los que perdieron la jurisdicción por sentencia de la Iglesia,
mientras que los herejes ya antes de ser excomulgados están fuera de la
Iglesia y privados de toda jurisdicción. Pues ya fueron condenados por
su propia sentencia, como enseña el Apóstol (Tit. 3, 10-11) es decir, fueron
cortados del cuerpo de la Iglesia sin excomunión, conforme explica San
Jerónimo.
Además de eso, la segunda afirmación de Cayetano de que el Papa hereje
puede ser verdadera y autoritariamente depuesto por la Iglesia, no es
menos falsa que la primera. Pues si la Iglesia depone al Papa contra la
voluntad de este está ciertamente por encima del Papa: el propio
Cayetano sin embargo defiende en el mismo tratado lo contario de esto.
Cayetano responde que la Iglesia, deponiendo al Papa, no tiene autoridad
sobre el Papa, sino solamente sobre el vínculo que une a la persona con el
Pontificado. Del mismo modo que la Iglesia, uniendo el Pontificado a tal
persona, no está por eso por encima del Pontífice, así también puede la
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Iglesia separar el Pontificado de tal persona en caso de herejía, sin que se
diga que está por encima del Pontífice.
Pero contra eso se debe observar en primer lugar que, del hecho del que el
Papa depone Obispos, se deduce que el Papa está por encima de todos los
Obispos, aunque el Papa al deponer a un Obispo no destruya la
jurisdicción episcopal si no tan sólo la separe de aquella persona. En
segundo lugar, deponer alguien del Pontificado contra la voluntad del
depuesto, es sin duda una pena; luego, la Iglesia al deponer a un Papa
contra la voluntad de éste, sin duda lo está castigando; a ahora bien
castigar es propio del superior y del juez. En tercer lugar, dado que,
conforme enseñan Cayetano y los demás tomistas, en la realidad el todo y
las partes tomadas en su conjunto son la misma cosa, quien tiene
autoridad sobre las partes tomadas en su conjunto, pudiendo separarlas
entre sí, tiene también autoridad sobre el propio todo constituido por
aquellas partes.
Está también desprovisto de valor el ejemplo de los electores, dado por
Cayetano, los cuales tienen el poder de designar a cierta persona para el
Pontificado, sin tener con todo poder sobre el Papa. Pues, cuando algo
está siendo hecho, la acción se ejerce sobre la materia de la cosa futura, y
no sobre el compuesto, que aún no existe; pero cuando la cosa está siendo
destruida, la acción se ejerce sobre el compuesto, como se torna patente
en la consideración de las cosas de la naturaleza. Por lo tanto, al crear al
Pontífice, los Cardenales no ejercen su autoridad sobre el Pontífice, pues
éste aún no existe, sino sobre la materia, esto es, sobre la persona que por
la elección tórnase dispuesta para recibir de Dios el Pontificado. Pero si
depusiesen al Pontífice, necesariamente ejercerían autoridad sobre el
compuesto, es decir sobre la persona dotada del poder pontificio, es decir,
sobre el Pontífice”.
QUINTA SENTENCIA – CAYENDO EN HEREJÍA MANIFIESTA, EL PAPA
PIERDE ‘IPSO FACTO’ EL PONTIFICADO
Esta sentencia es defendida por numerosos teólogos de renombre, tales como San
Roberto Belarmino, Sylvius, Pietro Ballerini, Wernz-Vidal, Cardenal Billot.
DEFENSA DE ESTA SENTENCIA POR SAN ROBERTO BELARMINO.
Después de refutar las demás sentencias sobre el asunto, San Roberto Belarmino
expone su posición en los siguientes términos:
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“Luego, la opinión verdadera es la quinta, de acuerdo con la cual el Papa
hereje manifiesto deja por sí mismo de ser Papa y cabeza, del mismo
modo que deja de ser cristiano y miembro del cuerpo de la Iglesia; y por
eso puede ser juzgado y punido por la Iglesia. Ésta es la sentencia de todos
los antiguos Padres, que enseñan que los herejes manifiestos pierden
inmediatamente toda jurisdicción, y concretamente de San Cipriano (lib. 4,
epist. 2) el cual así se refiere a Novaciano, que fue Papa (antipapa) en el
cisma que hubo durante el Pontificado de San Cornelio: ‘No podría
conservar el Episcopado, y fue anteriormente hecho Obispo, se apartó del
cuerpo de los que como él eran Obispos y de la unidad de la Iglesia’. Según
afirma San Cipriano en ese pasaje, aunque Novaciano hubiese sido
verdadero y legítimo Papa, con todo habría decaído automáticamente del
Pontificado en caso de que se hubiese separado de la Iglesia.
Esa es la sentencia de grandes doctores recientes, como Juan Driedo (lib.4
Scrip. et dogmat. Eccles. cap. 2, par. 2. sent. 2), el cual enseña que sólo se
separan de la Iglesia los que son expulsados, como los excomulgados, y los
que por sí mismos de Ella se apartan y a Ella se oponen, como los herejes y
los cismáticos . Y en su séptima afirmación, sustenta que en aquellos que se
apartaron de la Iglesia, no resta absolutamente ningún poder espiritual
sobre los que están en la Iglesia. Lo mismo lo dice Melchor Cano (lib.4 de
loc., cap.2), enseñando que los herejes no son partes ni miembros de la
Iglesia, y que no se pueden ni si quiera concebir que alguien sea cabeza y
Papa, sin ser miembro y parte (cap. ult. ad argument.12). Y enseña en el
mismo lugar, claramente, que los herejes ocultos todavía son de la Iglesia,
partes y miembros, y que por lo tanto el Papa hereje oculto aun es Papa.
Esa es también la sentencia de los demás autores que citamos en el libro I
‘De Eccles’.
El fundamento de esta sentencia es que el hereje manifestó no es de modo
alguno miembro de la Iglesia, es decir, ni espiritualmente ni
corporalmente, lo que significa que no lo es por unión interna ni por unión
externa. Porque inclusive los malos católicos están unidos y son miembros,
espiritualmente por la fe, corporalmente por la confesión de la fe y por la
participación en los sacramentos visibles; los herejes ocultos están unidos y
son miembros, aunque solamente por unión externa; por el contrario, los
buenos catecúmenos pertenecen a la Iglesia tan sólo por una unión
interna, no por la externa; pero los herejes manifiestos no pertenecen de
ningún modo, como ya probamos”».
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Y esta es la sentencia que Da Silveira hace suya en esta obra, y que podemos ver en
la siguiente apreciación final:
«Nos dispensamos de presentar nuevamente las razones que pueden ser alejadas
contra la quinta sentencia. Ellas ya fueron expuestas en páginas anteriores.
Como diremos en el capítulo siguiente, juzgamos que esta quinta sentencia es la
verdadera y que Wernz-Vidal tiene razón al decir -interpretando a San Roberto
Belarmino- que le Papa eventualmente hereje pierde el Pontificado ‘ipso facto’ en
el momento en que su herejía se torne “notoria y divulgada de público”».
Luego el problema no es que los Dominicos de Avrillé y Mons. Williamson saquen
sentencias refutadas (y trasnochadas) pues eso depende a veces del gusto de aquel
que apetece alimentarse de cadáveres teológicos, y como sobre gustos no hay nada
escrito, pues que reine la libertad. El problema grave, es que tanto los unos como el
otro, con esta sentencia pretendan aplastar, rechazar, y refutar la consideración
teológica de la sentencia que afirma lo contrario, es decir que un Papa puede perder
el pontificado por herejía “ipso facto”, en el momento en que su herejía se torne
pública, notoria y manifiesta; por esto, teológicamente es inadmisible e inaceptable
que pretendan impedir que los fieles saquen la única conclusión evidente que
teológicamente se impone, dada la herejía más que manifiesta y pública,
condensada y recapitulada hoy por Francisco, quién llegó incluso a decir: “no
existe un Dios católico”. Y es dogma de fe que el Dios que nos propone la Iglesia
Católica, Apostólica y Romana, es el Dios Uno y Trino, Un solo Dios verdadero y
tres Personas Divinas: Padre, Hijo y Espíritu Santo. Mayor herejía imposible de
afirmar. Y esto, que sepa no ha sido denunciado, rechazado y condenado por
ninguno de los Obispos de la Neo-Fraternidad Sacerdotal San Pío X, ni de la
pretendida y falsamente autodenominada “Resistencia”, como debiera ser y se
esperaba.
P. Basilio Méramo
Bogotá, 23 de Abril de 2015

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que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

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