Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

OS ESTÍMULOS FINITOS E A FRUIÇÃO DA VERDADE E DO BEM INFINITOS

Escutemos o Papa Bento XV, num trecho da sua encíclica “Humani Generis Redemptionem”, promulgada a 15 de Junho de 1917:

«Jesus Cristo, com a morte na Cruz, cumpriu a Redenção do Género Humano, para conduzir os homens à conquista da vida Eterna, através da obediência aos Seus preceitos; não se serviu senão da voz de Seus pregadores, aos quais se encarregou de anunciar, em todo o mundo, o que é necessário crer e fazer para ser salvos. “Aprouve a Deus, pela loucura da pregação, salvar os que crêem”(ICor 1, 21). Escolheu, portanto, os Apóstolos, e depois de lhes conferir, por meio do Espírito Santo, Dons adequados para missão tão importante, disse-lhes: “Ide, por todo o mundo,  proclamai o Evangelho a toda a criatura”(Mc 16,15). E ESSA PREGAÇÃO RENOVOU A FACE DA TERRA.  Afinal, se as mentes humanas se desfizeram de inúmeros erros e se voltaram para a verdade; se os ânimos contaminados pelos vícios se converteram à excelência de todas as virtudes, esta conversão, consequência da Fé Cristã, certamente deve-se à acção da pregação: “Pois a Fé vem da pregação e a pregação é pela Palavra de Cristo”(Rm 10,17). Por isso, uma vez que pelo querer de Deus as coisas se conservam, em virtude das causas que as produziram, é evidente, que a pregação da Sabedoria Cristã é destinada pela Providência Divina a continuar a Obra da Salvação Eterna, sendo enumerada entre o que é mais grave e importante; a quem devemos em particular dirigir os nossos cuidados e os nossos pensamentos, sobretudo, se em algum lugar estiver diminuindo  a sua integridade originária, com prejuízo da sua eficácia.

Na realidade, é isso que se junta, veneráveis irmãos, a todas as outras misérias dos tempos actuais, que, como nunca, nos deixam angustiados. Afinal, se observamos quantos são os que se dedicam à pregação da Palavra Divina, devemos constatar que é tal como talvez  nunca tenha sido no passado. E se consideramos a que ponto chegaram os costumes públicos e privados, bem como as instituições dos povos, vemos com de dia para dia crescem em toda a parte o desprezo  e o esquecimento das coisas Sobrenaturais; pouco a pouco, há distanciamento da austeridade da virtude Cristã, e cada sempre mais se volta à torpe vida dos pagãos.

Em verdade, são várias e múltiplas as causas desses males, ninguém, no entanto, poderá negar que se deve deplorar o facto de que os pregadores não hajam proporcionado remédios suficientes. Talvez a Palavra de Deus já não seja tal e qual o Apóstolo a definia, VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE QUE ESPADA DE DOIS GUMES? OU TALVEZ O LONGO USO ATENUOU-LHE O FIO? Se essa não declara em cada ponto a sua força, a culpa é certamente dos que não a usam como deveriam. Na realidade, também não se pode dizer que os Apóstolos a usaram numa época melhor do que a nossa, como se então houvera mais docilidade para com o Evangelho, ou menor contumácia à Lei Divina?

Assim, portanto,  nós compreendemos o que nos cabe levar a qualquer parte, como o máximo zelo, dada a gravidade da situação, a pregação da Palavra Divina no sentido daquela regra à qual deve ser dirigida, segundo a vontade de Cristo Senhor e as Leis da Igreja; a isso exorta a consciência do nosso Ofício Apostólico e o exemplo dos nossos dois mais próximos predecessores.»

A História Universal resume-se em duas realidades fundamentais: A narração dos crimes dos poderosos e a descrição das ilusões, das hipocrisias, dos falsos ídolos, das grandes massas populares, em todas as épocas e lugares. Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para nos redimir, para nos reabrir as Portas do Céu, mas igualmente para nos iluminar o caminho que, necessària e obrigatòriamente, devemos trilhar para alcançar a Salvação Eterna.

Na ascensão da alma para Deus Nosso Senhor – ensina-nos a Teologia ascética e mística –  existem, em geral, duas fases perfeitamente delimitadas: Na primeira fase, que abarca a via purgativa e iluminativa, a alma procura desprezar e expulsar de si, violentamente, incondicionalmente, tudo o que é terreno e humano, para se dedicar só a Deus; na segunda fase, correspondente mais à via unitiva, nos seus estádios superiores, a alma, nutrida pela Graça de Deus de abundante Sabedoria Celestial, começa a compreender, pràticamente, que a Criação, embora terrena e corruptível, É POSITIVAMENTE BOA, e como tal, PODE E DEVE SER SOBRENATURALMENTE GOVERNADA. Efectivamente, todas as naturezas, com seus acidentes, criadas por Deus, enquanto criadas, são verdadeiras e boas, devendo ser governadas de acordo com a razão das suas essências, a qual reside incriada e imutàvelmente na Lei Eterna, participada em nós pela consciência moral elevada ao estado Sobrenatural.

O governo Sobrenatural das realidades naturais tem que ter na devida conta que estas entidades são contingentes, finitas, e que jamais saciam, nem podem saciar, permanente e definitivamente, a inteligência e a vontade. Consequentemente, as pessoas do mundo procuram incessantemente diversificar e renovar os estímulos exteriores, sem jamais encontrarem a Paz. Evidentemente, que a nossa condição, temporal, corruptível e mortal, de alguma forma exige que os nossos sentidos, bem como a nossa inteligência, sejam convenientemente estimulados, em ordem à nossa própria relação útil com o meio, e ao nosso progresso intelectual, espiritual e moral. Todavia, o próprio das pessoas denominadas “normais” É UMA DESORDEM PROFUNDA NESSA MESMA RELAÇÃO COM O MEIO, CONCRETIZADA NA BUSCA IMODERADA DE ESTÍMULOS, BEM COMO NA AUSÊNCIA TOTAL, OU QUASE TOTAL, DE PRUDÊNCIA, NATURAL E SOBRENATURAL.

A Prudência, virtude intelectual em meio moral, constitui a chave da NECESSÁRIA UNIDADE DE OPERAÇÃO QUE NOS DEVE ENCAMINHAR PARA O REINO DOS CÉUS; a Prudência faculta-nos o agível concreto, que na imensidade das opções possíveis, mais serve o conjunto de todas as virtudes e mais Glória tributa à Santíssima Trindade.

É impossível encontrar a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo no turbilhão desordenadíssimo dos estímulos mundanos. E o pior é o efeito adictivo: Tornam-se necessários, progressivamente, cada vez mais e maiores estímulos para produzir a mesma sensação de saciedade.

Nada do que é contingente e finito pode preencher adequadamente a inteligência e a vontade. Só o nosso Princípio que é Deus Nosso Senhor, e que constitui, de uma forma ou outra, o nosso Fim último, só Ele, PODE SACIAR SEM FARTAR, ETERNA E IMUTÀVELMENTE O NOSSO ESPÍRITO . Os objectos do mundo, por definição da sua própria contingência, sempre saturam, exigindo uma diversificação dos estímulos. Mas Deus Nosso Senhor jamais satura, MESMO NESTE MUNDO, O HOMEM DE DEUS JAMAIS SE CANSA DE PENSAR E DE ADORAR O SEU CRIADOR – JAMAIS! E se já é assim neste mundo, o quanto será na Eternidade, em que o Grande Oceano da Verdade e do Bem será TUDO PARA TODOS. Porque os Bens Sobrenaturais, ao contrário das coisas deste mundo, NÃO DIMINUEM, NEM PODEM DIMINUIR, POR MAIOR QUE SEJA O NÚMERO DE ANJOS E DE ALMAS QUE DELES PARTICIPE, NESTE MUNDO E NA ETERNIDADE.

Existem pessoas, sem Fé, que dizem: “Ah! Mas eu depois vou acabar por me fartar de Deus”. Em primeiro lugar, as pessoas que assim se exprimem não possuem a menor ideia do que seja Eternidade; esta não é um tempo sem fim (o que é contraditório, visto não existirem numeráveis infinitos) MAS UMA REALIDADE ESSENCIAL E ABSOLUTAMENTE SUPERADORA DO TEMPO E DA SUCESSÃO, É UMA ESPÉCIE DE PRESENTE PERPÉTUO, UMA POSSE DO SER E DO TEMPO, SEM ALTERAÇÃO NEM DISPERSÃO SUCESSIVA. Além disso, estas pessoas não possuem qualquer conceito de Deus, nem da Ordem Sobrenatural, senão contemplariam, intuitivamente, que de Deus nenhuma criatura, Anjo ou homem, se pode fartar, nem na Ordem Sobrenatural, nem mesmo na Ordem Natural. Os habitantes do Céu encontram-se plenamente, Eternamente, saciados, mas nunca fartos.

O amaldiçoado latrocínio Vaticano 2 macaqueou que a maçonaria internacional, simulando ser a Igreja Católica, CONDENASSE, OU QUISESSE CONDENAR, OS CATÓLICOS À LIBERDADE DE OLHAREM ESTE MUNDO E AS SUAS VAIDADES COMO O ÚNICO PORTO DE FELICIDADE  QUE PODERIAM, ALGUMA VEZ, SONHAR ATINGIR. Para a hedionda seita conciliar SÓ O HOMEM EXISTE, SÓ EXISTE ESTE MUNDO. Por causa disso, o processo apóstata, CONDUZIDO POR SATANÁS, que durava há seis séculos, SOFREU NOTÁVEL ACELERAÇÃO.

Os bens deste mundo, ao contrário dos Bens Sobrenaturais, são, por definição, escassos, à excepção do ar atmosférico, por disposição Divina. Logo, e cada vez mais, a luta de todos contra todos, e de uma forma especial, o combate de morte contra um planeta, cujos recursos são limitados, não podendo facultar a todos os habitantes altos padrões de vida, progressivamente definirá a vida na Terra como uma ante-câmara do Inferno, não só para as almas, o que já é, mas igualmente para os corpos.

Deus Nosso Senhor, na Sua Criação, tudo proporcionou em função da chave das essências e do recto uso dos bens materiais em sociedades e Estados convenientemente hierarquizados e organizados. Se os homens fossem bons, todos e cada um dos habitantes da Terra disporiam do suficiente amparo material para a sua condição. As tremendas assimetrias de bens que se verificam no planeta, DEVEM-SE ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE À APOSTASIA DOS HOMENS, À SUA MALDADE INTRÍNSECA, ÀS SUAS DESORDENADÍSSIMAS PAIXÕES, AO SEU DESVAIRAMENTO ESSENCIAL. Foi Nosso Senhor Jesus Cristo Quem disse: “Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça e tudo o resto vos será dado por acréscimo”. Mas os homens não são justos; daí a tremenda anarquia na repartição dos bens, e por derradeira consequência – a bestial agressão criminosa à saúde do planeta Terra.     

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 18 de Janeiro de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E A SUA VIRGINDADE

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua encíclica “Sacra Virginitas”, promulgada em 25 de Março de 1954:

«A Sagrada virgindade e a perfeita castidade, consagrada ao serviço de Deus, conta-se, sem dúvida, entre os mais preciosos tesouros deixados como herança à Santa Igreja pelo seu Fundador. (…)

Não se pode contar a multidão daqueles que, desde os começos da Igreja até aos nossos tempos, dedicaram a sua castidade a Deus, uns conservando ilibada a própria virgindade, outros consagrando-Lhe para sempre a viuvez, outros finalmente escolhendo, em penitência dos seus pecados, uma vida perfeitamente casta; todos esses, porém, propuseram abster-se para sempre dos deleites da carne por amor de Deus. A Doutrina dos Santos Padres sobre a grandeza e o mérito da virgindade, seja incitamento e forte sustentáculo para todas essas almas, a fim de perseverarem no sacrifício oferecido, e não retomarem para si, nem a mínima parte, do holocausto já colocado sobre o Altar de Deus.

Não podem, portanto, reivindicar o título de virgens as pessoas que se abstêm do matrimónio por puro egoísmo, ou para evitarem seus encargos, como nota Santo Agostinho, ou ainda por amor farisaico e orgulhoso à própria integridade corporal. Já o concílio de Gangres condena a virgem e o continente que se afastam do matrimónio por o considerarem coisa abominável e não pela beleza e santidade da virgindade. (…)

Julgamos oportuno, veneráveis irmãos, mostrar agora mais exactamente porque motivo o amor de Cristo leva as almas generosas a renunciarem ao matrimónio, e quais são os laços misteriosos que existem entre a virgindade e a perfeição da Caridade Cristã. Já as palavras de Jesus Cristo, que mencionamos acima, davam a entender que a perfeita abstenção do matrimónio liberta os homens dos pesados encargos e deveres deste. Inspirado pelo Espírito Santo, o Apóstolo das gentes dá o motivo dessa libertação: “Quero que vivais sem inquietação… o que está casado está cuidadoso das coisas que são do mundo, como há-de agradar à sua mulher – e está dividido”(ICor 7, 32-33). Note-se, porém, que o Apóstolo não repreende os maridos por estarem cuidadosos das esposas, nem as esposas por procurarem agradar aos maridos, MAS NOTA QUE ESTÃO DIVIDIDOS OS CORAÇÕES ENTRE O AMOR DO CÔNJUGE E O AMOR DE DEUS, E QUE ESTÃO DEMASIADO ABSORVIDOS PELOS CUIDADOS E OBRIGAÇÕES DA VIDA CONJUGAL, PARA PODEREM ENTREGAR-SE, FÀCILMENTE, À MEDITAÇÃO DAS COISAS DIVINAS. Compreende-se, portanto, porque é que as pessoas que desejam dedicar-se ao Divino serviço, ABRAÇAM O ESTADO DE VIRGINDADE COMO LIBERTAÇÃO, QUER DIZER, PARA PODEREM MAIS INTEIRAMENTE SERVIR A DEUS E CONTRIBUIR COM TODAS AS FORÇAS PARA O BEM DO PRÓXIMO.

(…) Como escreve o doutor angélico: “O uso do matrimónio impede a alma de se dedicar totalmente ao serviço de Deus” (Summa Theol.II-II q. 186 art.4)

Deve notar-se, além disso, que não é apenas por causa do ministério Apostólico que os sacerdotes renunciam completamente ao matrimónio – É TAMBÉM PORQUE SÃO MINISTROS DO ALTAR. Porque se já os sacerdotes do Antigo Testamento se abstinham do uso do matrimónio, enquanto serviam no Templo, com receio de serem considerados impuros pela Lei, como o resto dos homens ( cf.Lv 15, 16-17; 22,4// ISam 21, 5-7)), com quanta mais razão não convém que os ministros de Jesus Cristo, que todos os dias oferecem o Sacrifício Eucarístico, se distingam pela castidade perpétua? São Pedro Damião exorta os sacerdotes à castidade perfeita, com esta pergunta: Se o nosso Redentor amou tanto a flor de uma pureza intacta, que não só quis nascer de um ventre virginal, mas quis também ser entregue aos cuidados de um guarda virgem, e isso, quando ainda criança vagia no berço, dizei-me: A quem quererá Ele confiar o Seu Corpo, agora que reina na imensidão dos Céus?

Enfim, a virgindade consagrada a Jesus Cristo constitui, por si mesma, tal testemunho de Fé no Reino dos Céus e tal prova de amor ao Divino Redentor, que não é de admirar dê frutos tão abundantes de santidade. Inumeráveis são as virgens e os apóstolos que professam a castidade perfeita; constituem a honra da Santa Igreja pela excelsa santidade da sua vida. De facto, a VIRGINDADE DÁ ÀS ALMAS FORÇA ESPIRITUAL CAPAZ DE ÀS LEVAR ATÉ AO MARTÍRIO: É A LIÇÃO MANIFESTA DA HISTÓRIA, QUE PROPÕE À ADMIRAÇÃO DE TODOS GRANDE MULTIDÃO DE VIRGENS, DESDE SANTA INÊS ATÉ SANTA MARIA GORETTI.

Deve-se contudo reconhecer, sem rodeios, que por ser a virgindade mais perfeita do que o matrimónio, não se segue que seja necessária para alcançar a perfeição cristã. PODE-SE CHEGAR A SER SANTO MESMO SEM FAZER VOTO DE CASTIDADE, COMO O PROVAM NUMEROSOS SANTOS E SANTAS QUE A SANTA IGREJA HONRA COM CULTO PÚBLICO, OS QUAIS FORAM FIÉIS ESPOSOS E DERAM EXEMPLO DE EXCELENTES PAIS OU MÃES DE FAMÍLIA; além disso, não raro se encontram pessoas casadas que buscam com todo o empenho a perfeição cristã.

Também se há-de notar que Deus não impõe a todos os cristãos a virgindade, como ensina o Apóstolo São Paulo: “Quanto às virgens, não tenho Mandamento do Senhor, mas dou conselho”(ICor 7,25). Portanto, é só conselho a  castidade perfeita: CONDUZ COM MAIOR CERTEZA E FACILIDADE À PERFEIÇÃO EVANGÉLICA E AO REINO DOS CÉUS “AQUELES A QUEM ISTO FOI CONCEDIDO”(Mt 19,11); por isso, como bem adverte Santo Ambrósio, “a castidade não se impõe, mas propõe-se”.»   

Ao contrário do que geralmente se pensa, a perturbação que muito frequentemente as pessoas sentem quando abordam estes assuntos É FRUTO DA FALTA DE VIRTUDE, E NÃO O OPOSTO. Todo o que Deus Nosso Senhor criou, É ONTOLÒGICAMENTE BOM, POSSUINDO MESMO UMA DETERMINADA SANTIDADE ONTOLÓGICA, APESAR DA SUA CONTIGÊNCIA METAFÍSICA. NÃO HÁ NATUREZAS NEM ACIDENTES MAUS, SENDO QUE O MAL É UMA PRIVAÇÃO QUALIFICADA DE SER.

Foi-me colocada a interessante questão de saber porque é que Nosso Senhor não poderia ter contraído matrimónio, sendo que moralmente era infinitamente perfeito, porque embora a Sua Natureza humana fosse, necessàriamente, finita e criada, recebia, hipostàticamente, do Verbo de Deus uma INFINITA DIGNIDADE MORAL. A resposta mais sintética à questão formulada é: PORQUE TAL NÃO COMPETIA, TEOLÒGICAMENTE, AO VERBO ENCARNADO. É conhecido como a essência do matrimónio é a procriação e a educação qualificada do Género Humano. Consequentemente, era impossível e contraditório para Nosso Senhor Jesus Cristo o matrimónio, PORQUE, TEOLÒGICAMENTE, COMO VERBO ENCARNADO, E COMO REDENTOR DE UM SACRIFÍCIO DE VALOR INFINITO, RENOVADO NOS NOSSOS ALTARES, E COMO SUMO SACERDOTE DE DIGNIDADE INFINITA, NÃO LHE COMPETIA, EM ABSOLUTO, CONTRIBUIR PARA A PROPAGAÇÃO DA ESPÉCIE HUMANA. Cumpre assinalar, que nunca se pode dizer que cada homem, individualmente, em si mesmo, se encontra obrigado a tal contribuição; procriar, não é obrigação que se imponha a ninguém a título individual; nem aos reis, porque existe sempre o recurso ao conceito e à realidade extremamente fecunda de “Família Real”. É hedionda e a todos os títulos anatematizada a asserção de que um homem virgem é menos homem, ou até nem é homem. A função da humana procriação, SÓ EXISTIRÁ NESTE MUNDO MORTAL, PORQUE NA ETERNIDADE SERÃO TODOS COMO IRMÃOS EM CRISTO SENHOR. O matrimónio, instituído Sobrenaturalmente no Paraíso Terrestre, na sua essência (a procriação), bem como nas suas propriedades essenciais (unidade e indissolubilidade), foi, sim, elevado por Nosso Senhor Jesus Cristo à dignidade de Sacramento; donde se infere que para os baptizados o contrato matrimonial de Direito Natural É ABSOLUTAMENTE INDISSOCIÁVEL DO SACRAMENTO. E mais ainda: Se os noivos, ou sòmente um deles, nutrirem a intenção positiva de excluir a recepção do Sacramento, a sua essência, ou alguma das suas propriedades essenciais – O MATRIMÓNIO É INVÁLIDO!

O que se vem afirmando de Nosso Senhor Jesus Cristo é anàlogamente válido para Nossa Senhora, e embora mais remotamente, também o é para São José. A Bem-Aventurada sempre Virgem Maria Mãe de Deus, jamais poderia dar À Luz sem ser casada, o que seria uma infâmia inaudita, expondo-a a ser apedrejada; por outro lado, Nosso Senhor era Filho de Deus, não podendo, em absoluto possuir um verdadeiro e biológico pai humano, além de que Nossa Senhora jamais poderia ter outros filhos, PORQUE TEOLÒGICAMENTE TAL ERA IMPOSSÍVEL E SERIA UMA IGNOMÍNIA PARA NOSSO SENHOR – PORTANTO NOSSA SENHORA TERIA DE SER PERPÈTUAMENTE VIRGEM; MAIS AINDA: SENDO ISENTA DO PECADO ORIGINAL E DANDO À LUZ O FILHO DE DEUS FEITO HOMEM, JAMAIS PODERIA SOFRER DORES DE PARTO, OU MESMO QUALQUER LESÃO ANATÓMICA, NO ACTO DO NASCIMENTO DE JESUS.

No atinente a São José, é evidente que o seu consórcio Sagrado com Nossa Senhora exclui para ele, necessàriamente, qualquer matrimónio anterior, além de que não podendo Maria Santíssima ter qualquer outro filho além de Jesus, segue-se que São José foi perpètuamente virgem. Assinale-se que a Assunção de São José é uma verdade perfeitamente definível por um futuro Papa. É muito desagradável pensar que a Sagrada Família esteja parcialmente separada no Céu, sem a presença em corpo e alma de São José.

É evidente que todas estas verdades são edificadas a partir do Dogma que nos assegura que a essência constitutiva do matrimónio, e da sexualidade em sentido estrito – É A PROCRIAÇÃO! Ora, este santíssimo ensinamento foi renegado pelo latrocínio Vaticano 2, quando inverteu as finalidades do matrimónio e proclamou o princípio da liberdade religiosa. Todavia, não foi a Santa Madre Igreja a proclamar tal – MAS SIM A MAÇONARIA INTERNACIONAL.

A Santa Madre Igreja, na sua santíssima Doutrina, de Deus recebida, jamais nutriu qualquer preconceito contra a sexualidade humana, a qual, enquanto tal, criada que foi por Deus, possui uma santidade ontológica própria, como já afirmámos, DESDE QUE VERDADEIRAMENTE ENQUADRADA NA LEI DIVINA QUE A REGE.

São Tomás é bem claro: Os corpos gloriosamente ressuscitados serão sexuados, embora a função reprodutora já haja sido superada no Reino dos Céus. Houve Padres da Igreja, como São Gregório Nisseno, que pensaram que o corpo humano originalmente criado no Paraíso Terrestre não possuía a função sexual, a qual apenas teria surgido após o pecado e por causa do pecado, é falso, trata-se de uma tese dualista. São Tomás, na gigantesca limpidez e simplicidade do seu intelecto bem como da sua santidade, é peremptório: A função sexual, em si mesma é santa, o que a torna depravada é a miséria humana que não respeita, de forma alguma, em todas as épocas e lugares, o enquadramento de Lei Divina que a ordena, legitima e nobilita.

Quando a Santa Madre Igreja considera o estado de virgindade superior ao do matrimónio, tal não significa, de modo nenhum, que estabeleça que o matrimónio seja um mal menor, porque ESSA É UMA AFIRMAÇÃO HERÉTICA. É em consequência da miséria moral dos homens, provocada pelo pecado original e pelos pecados actuais, que se torna menos difícil ascender para Deus no estado de virgindade do que no estado matrimonial, na exacta medida em que quando a virtude DE AMBOS OS esposos é muito, muito, grande, não há pràticamente diferença entre o estado de virgindade e o estado matrimonial, PORQUE TAL DIFERENÇA ADVÉM TODA DA FALTA DE SANTIDADE DAS PESSOAS. Aliás, como diz o Papa Pio XII, a história da Igreja regista como houve almas que se santificaram, autêntica e positivamente, no seio do matrimónio.

Porque quer no estado de virgindade, quer no do matrimónio, ninguém está dispensado de, com o auxílio da Graça de Deus, TENDER POSITIVAMENTE PARA O ALTÍSSIMO, JAMAIS CONFESSANDO PARA CONSIGO MESMO O PROPÓSITO LETAL: “BASTA, JÁ ME SANTIFIQUEI O BASTANTE, NÃO QUERO SER SANTO, CONTENTO-ME COM O INDISPENSÁVEL”. Não esqueçamos que NO CÉU SÓ HÁ SANTOS, e que quem não quer avançar -cai!

O que acontece é que a abstenção do matrimónio por amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, torna a ascensão para Deus Nosso Senhor, menos difícil, e nela é sobretudo mais certo e garantido alcançar altos graus de santidade e assim glorificar mais o Criador.                         

Toda esta doutrina foi radicalmente, premeditadamente, destruída pela seita conciliar; pois que no seu agnosticismo e ateísmo torna cem por cento inútil e absurda qualquer espécie de ascese. Mais ainda: Foi pelo facto da seita conciliar, isto é, da maçonaria internacional, continuar a pregar, MATERIALMENTE, o ideal do celibato e da virgindade, SONEGANDO CONCOMITANTEMENTE, DELIBERADAMENTE, INTENCIONALMENTE, as forças Sobrenaturais absolutamente necessárias ao cumprimento desse ideal, foi por isso mesmo, que em virtude da tremenda, da descomunal, contradição doutrinal e moral, entre o ideal materialmente sustentado e a sonegação de vida Sobrenatural, foi isso mesmo – QUE ATIROU PADRES E BISPOS PARA A SODOMIA, A PEDERASTIA E A PEDOFILIA, para queimar etapas. Mas esta é uma verdade incómoda, extremamente incómoda, como todas as verdades, e que por isso ninguém quer reconhecer, ao menos pùblicamente. Todavia, enquanto não forem pùblica, oficial e solenemente reconhecidas determinadas verdades, cada vez mais o reino de satanás sobre a Terra se dilatará (se acaso ainda é possível) em extensão, profundidade e rapidez. A tristíssima história da Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X, está aí para o demonstrar.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 12 de Janeiro de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral       

A ABSOLUTAMENTE LETAL SEPARAÇÃO ENTRE RELIGIÃO E MORAL

Escutemos o Papa Pio XI, em passagens da sua encíclica “Caritate Christi”, promulgada em 3 de Maio de 1932:

«Sabemos muito bem, e convosco veneráveis irmãos deploramos que em nossos dias, a ideia e as palavras “expiação e penitência” tenham perdido em grande parte, e para muitos, a virtude de suscitar aqueles entusiasmos do coração e aqueles sacrifícios heróicos, que em outros tempos infundiam, quando se apresentaram aos olhos dos homens de Fé como que marcados pelo sinete de Deus, à imitação de Cristo e dos Seus Santos.

Nem faltam alguns que quereriam pôr de parte as mortificações externas como coisas de tempos idos; e não falemos do moderno “homem autónomo” que despreza a penitência como expressão de índole servil. E é óbvio, efectivamente, que quanto mais se debilita a Fé em Deus, tanto mais se ofusca e desaparece a ideia de um pecado original e de uma primitiva rebelião do homem contra Deus; e por isso ainda mais se perde a noção da necessidade da penitência e da expiação.

Nós, pelo contrário, veneráveis irmãos, devemos, por

obrigação do nosso múnus pastoral, levantar bem alto estes nomes e estes conceitos, e conservá-los em sua lídima significação e genuína nobreza, e ainda mais na sua prática e urgente aplicação à vida cristã. A isto nos move a própria defesa de Deus e da Religião que estamos propugnando, porquanto a penitência é, por sua natureza, um reconhecimento e restauração da Ordem Moral NO MUNDO QUE SE FUNDAMENTA NA LEI ETERNA, isto é, no Deus vivo. Aquele que oferece a Deus a satisfação pelo pecado, RECONHECE POR ISSO MESMO A SANTIDADE DOS SUPREMOS PRINCÍPIOS, A SUA FORÇA ÍNTIMA DE OBRIGAÇÃO, A NECESSIDADE DE UMA SANÇÃO CONTRA QUEM OS TRANSGRIDE. É, sem dúvida, um dos mais perigosos erros do nosso tempo, o ter-se pretendido separar a moralidade da religião, minando, assim, toda a base sólida de qualquer legislação. Este erro intelectual, podia passar despercebido, e parecer menos perigoso, quando se circunscrevia a poucos, e a Fé em Deus era ainda um Património comum da Humanidade, sendo tàcitamente pressuposta mesmo por aqueles que dela já não faziam abertamente profissão.

Hoje, porém, que o ateísmo se está infiltrando nas classes populares, as consequências práticas de tal erro, TORNARAM-SE TERRÌVELMENTE PALPÁVEIS E ENTRAM NO MUNDO DAS TRISTÍSSIMAS REALIDADES. EM VEZ DAS LEIS MORAIS QUE SE DESVANECEM JUNTAMENTE COM A PERDA DA FÉ EM DEUS, IMPÕE-SE A VIOLÊNCIA DA FORÇA BRUTA, QUE ESMAGA TODO O DIREITO. A lealdade antiga, a rectidão nas transacções, e no comércio mútuo, tão decantadas até pelos próprios retóricos e poetas do paganismo, cede agora o passo às especulações sem consciência, tanto nos negócios próprios como nos alheios. E na verdade, como pode manter-se um contrato, seja ele qual for, e que valor pode ter um tratado ONDE FALTE TODA A GARANTIA DE CONSCIÊNCIA? E como se pode falar em garantia de consciência, ONDE DESAPARECEU TODA A FÉ E TODO O SANTO TEMOR DE DEUS? SUPRIMIDA ESTA BASE DIVINA, CAI COM ELA TODA A LEI MORAL. E já não há remédio algum que possa impedir a lenta, mas inevitável, RUÍNA DOS POVOS, DAS FAMÍLIAS, DO ESTADO, E DA PRÓPRIA CIVILIZAÇÃO HUMANA.»

Sabemos que o Dogma não pode ser separado da Moral, esta, efectivamente, constitui a face operativa do Dogma. Todavia, ambos, Dogma e Moral, SÃO RELIGIÃO; na exacta medida em que as nossas boas acções, bem como os nossos sofrimentos, devem ser, Sobrenaturalmente, oferecidos a Deus, NUM VERDADEIRO E PRÓPRIO ACTO DA VIRTUDE DA RELIGIÃO. Consequentemente, não devemos dizer sòmente que a Religião é a base da Moral, porque esta é, essencialmente, constitutivamente, Religião.

Etimològicamente, o termo “religião” provém do termo latino “religio” e do verbo “religare”, quer dizer: Vincular, prender, unir;  significando então “Religião” a relação transcendental, de ordem Metafísica e Teológica, que une a criatura espiritual a Deus Nosso Senhor.

O Dogma faculta-nos os conteúdos cognitivos, Sobrenaturais, que devem enriquecer infinitamente a nossa inteligência, mediante o Hábito Teologal da Fé, o qual só Deus pode fundamentar, e só Deus pode conceder. Mas essa elevação da inteligência procede de um acto de vontade, pois os referidos conteúdos cognitivos NÃO SÃO, NEM PODIAM SER, EVIDENTES POR SI MESMOS. Se o fossem, o crente não seria crente, mas um estudioso de fenómenos histórico-culturais ou físico-biológicos. Na nossa vida quotidiana, neste tristíssimo mundo, nós somos bombardeados com infindáveis fontes de conhecimentos, dos quais não podemos possuir experiência directa, mas nos quais geralmente acreditamos, segundo a veridicidade e veracidade da fonte. Mas em determinadas matérias, sobretudo científicas, existe uma muito grande, ou mesmo total, identificação entre representação, objecto representado, e objecto significado. Por isso a ciência é positiva, ao passo que as disciplinas literárias e filosóficas são, preponderantemente, não positivas; pois que nelas o acto de ser do sujeito produz certa mediação entre a representação, o objecto representado e o objecto significado. Mas positividade não é, de maneira nenhuma sinónimo de objectividade. A Fé Teologal é infinitamente objectiva, mas não é, nem podia ser positiva. Mesmo os “Preambula Fidei”, por exemplo, as provas filosóficas da existência de Deus, sendo perfeitamente racionais – “ex ratione”; integram, porém, o concurso do acto de ser moral do sujeito – “cum voluntate”. A Fé Teologal, por outro lado, é “ex voluntate” e “cum ratione”. Um indivíduo moralmente medíocre, jamais poderá atingir a essência da Sã Filosofia, embora possa ser exímio, como frequentemente sucede, nas falsas filosofias do mundo.

Deve contudo assinalar-se, que no comum dos crentes, dos verdadeiros crentes, não dos nominais, o acto de Fé Teologal incorpora já, sobrenaturalmente, a certeza do ser de Deus Revelador, Infinitamente Veraz e Infinitamente Verídico.

Deste quadro conceptual se infere, que a ÚNICA MORAL, NÃO SÓ TEM DE SER RELIGIOSA, COMO TEM DE SER NECESSÀRIAMENTE SOBRENATURAL. Uma moral puramente natural, não só permanece infinitamente aquém da salvação Eterna, como não se insere num PRINCÍPIO TRANSCENDENTE, EFICAZ E HABITUAL, QUE ASSEGURE A ESTABILIDADE, A EXTENSÃO E A PROFUNDIDADE DA VIRTUDE. Por isso a virtude puramente natural é, incerta, volúvel, caduca e etérea. É que as consequências fortíssimas do pecado original só podem ser combatidas, com a ajuda de Deus, e em meio Sobrenatural.

Aniquilar a Religião como Moral Sobrenatural para só ficar com uma moral laica, como diz o Papa Pio XI, é erradicar em absoluto todos os fundamentos e  toda a finalidade e sentido da nossa vida aqui na Terra. Efectivamente, até os animais possuem o instinto, QUE É, DE CERTA FORMA, UM PRINCÍPIO DE ORDEM PROVIDENCIAL, neles enxertado pelo Criador ao serviço do conjunto da Criação, e que os deve governar, ainda que de forma determinista. Na criatura espiritual, esse instinto é substituído, na Ordem Natural, pela sindérese, isto é, pelos primeiros princípios da moral, que residem em nós, SÓ PELA REALIDADE DO NOSSO SER ESPIRITUAL ENQUANTO É SER, MAS COMO PRINCÍPIOS QUE REFLECTEM A LUZ DE DEUS. O pecado original e suas consequências, NÃO PODE ATINGIR, INTRÌNSECAMENTE, TAIS PRINCÍPIOS, TODAVIA, DESCOORDENA E SUBVERTE, GRAVEMENTE, A APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS ÀS VICISSITUDES DO QUOTIDIANO. Além disso, quanto mais elevada em Graça está uma alma, mais livre ela é, mais ágil e nobremente se automovimenta na Verdade e no Bem.  Donde se infere, mais uma vez, que a verdadeira e mais sólida virtude é impossível na Ordem Natural.

O nosso organismo Sobrenatural, pela Graça Santificante, pela Caridade perfeita, pelos Dons do Espírito Santo, enxerta em nós, NÃO APENAS UM REFLEXO, MAS UMA PARTICIPAÇÃO FORMAL NA LEI ETERNA, PARTICIPAÇÃO ESSA, QUE NOS CONFERE, ACIDENTALMENTE, A PRÓPRIA VIDA, A PRÓPRIA SANTIDADE DE DEUS. O corolário destas maravilhas, É QUE NA NOSSA ALMA, A RAZÃO COGNITIVA E SOBRENATURAL DA FÉ É A RAZÃO DA NOSSA CARIDADE E A RAZÃO DA NOSSA OPERAÇÃO MORAL.

Todavia, não é apenas a um nível puramente individual que esta participação se deve processar. O conjunto da sociedade humana não depende menos de Deus do que os indivíduos isolados. Os Poderes que regem as sociedades devem também participar ingentemente da Lei Eterna Sobrenatural, e consegui-lo-ão como braços seculares da Santa Madre Igreja. Só assim se constituirão como poderes formalmente considerados. Caso contrário, na melhor das hipóteses, serão poderes puramente materiais, dotados de um ascendente também puramente material – A FORÇA BRUTA. E aqueles poderes caracterizadamente oriundos do mundo do crime, como o nazismo, o estalinismo, ou o estado islâmico, nem poderes materiais são, mas realidades directamente infernais. A seita conciliar, à sua maneira, como máfia do ateísmo, como multinacional da cleptocracia e da pederastia, deve ser considerada um poder directamente infernal.

As legislações privadas do ÚNICO E VERDADEIRO LEGISLADOR, estão intrìnsecamente exauridas de Ser, de Verdade, de Bem, constituem um puro “nada”, porque flutuam na incerteza, na precariedade, e na mais profunda contingência. Como foi dito, só se podem manter pela força bruta, porque não possuem o Direito Divino Sobrenatural, não gozam daquela perenidade, daquela inconcussa solidez, que é sòmente o apanágio infrangível das coisas de Deus. Exactamente por isso, as legislações do mundo mudam contìnuamente, não apenas acidentalmente, mas essencialmente. Certamente que o próprio dinamismo natural da vida terrena, MESMO SEM PECADO ORIGINAL E PECADOS ACTUAIS, obrigaria a um evolução puramente acidental da legislação, como aconteceu com o Direito Canónico da Santa Madre Igreja ao longo da História. Mas aquilo a que assistimos neste pobre mundo, quer no espaço, quer no tempo, É A UMA EXTREMA RELATIVIDADE DAS LEGISLAÇÕES E DOS REGIMES POLÍTICOS. Ora, relatividade significa NADA! Porque a contingência, a abaleidade, sem o Absoluto, sem a Asseidade Divina – dissolve-se em puro nada! Neste particular, o “filósofo” menos incoerente do século XX, terá sido Sartre, pois sintetizou literàriamente O PAVOROSO CAOS COGNITIVO E MORAL DO HOMEM CONTEMPORÂNEO, PARA O QUAL, DE RESTO, BEM CONTRIBUIU. O termo “Filosofia”, significa amor da Sabedoria, portanto, Filosofia, verdadeiramente, só há uma, que é a Tomista. As “filosofias” do nada – são anti-filosofias, E MATAM A INTELIGÊNCIA E A ALMA, BEM COMO A TODOS OS BENS SOBRENATURAIS.

E tanto é assim, que a maçonaria internacional, na sua tremenda perversidade, e sabendo perfeitamente QUE UMA INSTITUIÇÃO QUE MUDA, ESSENCIALMENTE, E SE CONTRADIZ NÃO PODE SER DIVINA, USURPOU E CORROMPEU AS FUNÇÕES MAIS ALTAS DA SANTA MADRE IGREJA, PARA QUE AS ALMAS FIÉIS CONCLUÍSSEM: Ah! AFINAL MUDOU TUDO, PORTANTO NÃO ERA ESTA A VERDADEIRA RELIGIÃO. Foram milhões, sobretudo entre os melhores, que perderam a Fé à conta deste falso raciocínio.

Não olvidemos que a Fé Teologal, formada pela Caridade, É CONFIRMADA NAS OBRAS. Não, evidentemente, pela magnitude material dessas obras, que frequentemente não depende de nós, MAS PELO AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, COM QUE SÃO REALIZADAS. Porque os Mandamentos da Lei de Deus não são arbitrários, mas intrìnsecamente conformes à Verdade e ao Bem Absoluto e Incriado. Diz o Apóstolo Santiago:”Se alguém escuta a Palavra e a não põe em prática, assemelha-se ao homem que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se como era. Aquele, porém, que medita com atenção a Lei perfeita da liberdade, e nela persevera, não como ouvinte que fàcilmente se esquece, mas como cumpridor fiel dos Seus preceitos, ESTE ENCONTRARÁ A FELICIDADE NO QUE FIZER”(Tg 1,22-25).

O grande São Lourenço, arquidiácono do Papa Xisto II martirizado em 10 de Agosto de 258, tendo sido intimado a entregar os tesouros da Igreja, prodigalizou uma multidão de indigentes, dizendo:” Estes são os tesouros da Igreja, que pelas esmolas recebidas, nos acumulam um tesouro Eterno no Céu.”   

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 10 de Agosto de 2017 Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

FORO INTERNO E FORO EXTERNO NA AUTORIDADE DA SANTA MADRE IGREJA

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«Ainda que Deus possa operar de per si, com Seu Poder, o que opera a natureza criada, contudo Ele quis, com benigno conselho da Sua Providência, SERVIR-SE DOS HOMENS PARA AJUDÁ-LOS; e como, na Ordem Natural, serve-se da obra e contribuição do homem para comunicar às coisas a perfeição conveniente,  assim também procede para conceder a santidade e a salvação ao homem. Ora é sabido que não pode haver nenhuma comunicação entre os homens a não ser por meio das coisas externas e sensíveis. Por isso (O Verbo) assumiu a natureza humana e “tendo a condição Divina, esvaziou-Se a Si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana”(Fl 2, 6-7); e assim, morando na Terra, ensinou pessoalmente a Sua Doutrina e os preceitos da Sua Lei.

E como era conveniente que a Sua Missão Divina fosse perene, reuniu à Sua volta alguns discípulos da Sua Doutrina e tornou-os participantes do Seu Poder, e tendo chamado do Céu sobre eles o Espírito da Verdade, mandou-lhes percorrer toda a Terra, pregando fielmente o que lhes tinha ensinado e mandado, para que todo o Género Humano pudesse conseguir a santidade na Terra e a felicidade Eterna no Céu.

Por essa finalidade e por força desse princípio, foi gerada a Santa Igreja, a qual, se considerarmos o fim último a que é dirigida e as causas próximas da santidade, é certamente espiritual; mas se considerarmos os membros que a compõem e os meios que levam à consecução dos Dons espirituais, é externa e necessàriamente visível. Os Apóstolos receberam a missão de ensinar através de sinais que são percebidos pela vista e o ouvido; e eles não a cumpriram de outra forma, a não ser que com ditos e factos que impressionam os sentidos. E assim a sua voz, atingindo externamente os ouvidos, produziu a Fé nos ânimos: “POIS A FÉ VEM DA PREGAÇÃO, E A PREGAÇÃO É PELO MANDATO DE CRISTO”(Rom 10,17). E ainda que esta Fé, ou a adesão à Verdade primeira e suprema, de per si, esteja contida na mente, contudo é preciso que se manifeste com uma profissão explícita: “POIS QUEM CRÊ DE CORAÇÃO OBTÉM A JUSTIÇA, E QUEM CONFESSA COM A BOCA OBTÉM A SALVAÇÃO”(Rom 10,10). Assim também para o homem não há nada de mais interno do que a Graça Celeste, que produz a santidade, mas os instrumentos ordinários e principais para nela participar são externos: Chamamo-los Sacramentos, que são administrados com ritos determinados, por pessoas escolhidas exactamente para isso. Jesus Cristo mandou aos Apóstolos e seus sucessores em perpétuo que instruíssem e dirigissem as gentes, e a elas mandou acolher a sua Doutrina e estar submetidas e obedientes ao seu poder. Todavia, esses direitos e deveres recíprocos no Cristianismo, não só não se poderiam manter, mas nem mesmo se iniciam, a não ser através dos sentidos, intérpretes e indicadores das coisas.

É por isso que muitas vezes as Escrituras Sagradas chamam à Igreja ora “Corpo” ora “Corpo de Cristo”. “Ora vós sois o Corpo de Cristo” (ICor 12,27). Como Corpo ela é visível, e enquanto é de Cristo é um Corpo vivo, operante e vital, porque Jesus Cristo a guarda e sustenta com Seu Poder imenso, como a videira alimenta e torna frutíferos os seus ramos. Como nos animais o princípio de vida é Eterno e completamente escondido, contudo revela-se e manifesta-se pelo movimento e atitude dos membros, assim também na Santa Igreja, o princípio de vida Sobrenatural manifesta-se com evidência pelas suas acções.»

A constituição ontológica do homem, animal racional, situa-se na fronteira do mundo material com o mundo espiritual, sintetizando um meio de conhecimento que vincula o concreto sensível ao abstrato inteligível. O homem é um animal racional e não um espírito encarnado; efectivamente, o corpo não constitui um estorvo, um peso entenebrecedor do conhecimento, mas o único meio através do qual o homem pode captar a realidade envolvente. A ALMA SEPARADA NÃO É PESSOA, ENCONTRANDO-SE AMPUTADA DE ALGO QUE É ESSENCIAL AO COMPOSTO HUMANO – A SUA UNIDADE ORGÂNICA. Deus concede à alma separada, que ainda não goze da Divina visão, determinadas espécies inteligíveis, ministrando-lhe certos conhecimentos que ela já não pode obter mediante o corpo, COM O QUAL A ALMA PERMANECE EM RELAÇÃO ESSENCIALMENTE TRANSCENDENTAL.

Segundo a Doutrina Tomista, sempre absolutamente preferível, todo o conhecimento humano é edificado a partir de bases sensíveis concretas. Não há ideias inatas, nem actuais, nem virtuais, o que existe é a inteligência humana, COM POTENCIALIDADE PARA CONHECER TODO O SER, PORQUE ELA PRÓPRIA É SER, criada por Deus, O Qual também criou todo o Universo, que também É SER; e é precisamente no seio desta transcendental e analógica simpatia, e por meio dela, que a alma pode extrair o inteligível actual do sensível, bem como proceder à indução filosófica e científica, realmente amplificadora do conhecimento. Porque, ao contrário da Tese Escotista, o sensível não é actualmente inteligível, mas apenas virtualmente, deixando assim margem ao seu processamento por parte do denominado entendimento agente.

Nós só podemos conhecer o que vai na alma seja de quem for por qualquer forma de manifestação externa; jamais por transmissão de pensamento, que é impossível neste vida mortal, mas que ocorre entre almas separadas e entre Anjos, e entre Anjos e almas separadas. 

Desde sempre  que a Santa Madre Igreja distinguiu entre foro externo e foro interno, podendo este ser sacramental ou extra-Sacramental. O GOVERNO EXTERNO das almas, na sua relação Sobrenatural com Deus, mas passando necessàriamente pelos Seus representantes, consagra de uma forma especial a unicidade da Verdade, da Infalibilidade e da Santidade da Santa Madre Igreja, como Pessoa Moral de Direito Divino e Corpo Místico de Cristo. Todavia seria absurdo que a Instituição fundada por Deus Nosso Senhor não gozasse de poderes efectivos no que concerne ao GOVERNO EXTERNO E SOCIAL das almas, o qual vela pela boa ordem, hierárquica e orgânica, da FACE HUMANA DO CORPO MÍSTICO, utilizando o seu poder de constrangimento espiritual, bem como – através do Estado verdadeiramente Católico – o seu poder de coacção temporal. Assinale-se, contudo, que em caso de defecção das potências civis, A SANTA MADRE IGREJA POSSUI PODERES DIRECTOS DE COACÇÃO TEMPORAL; POIS QUEM PODE O SOBRENATURAL, PODE O NATURAL, EM ORDEM AO SOBRENATURAL.

Teològica e Canònicamente, desde sempre constituiu prática rigorosa da Santa Madre Igreja, o separar a jurisdição no foro externo da jurisdição no foro interno, muito especialmente no foro interno sacramental, o qual refere a alma absolutamente ao seu Criador e Consumador, com a Mediação do Tribunal da Penitência. E tão sagrado é ele, que o confessor jamais pode fazer uso exterior dos conhecimentos que possa ter obtido na administração do Sacramento da Penitência. A ciência adquirida através da Confissão é ciência negativa, é como se não existisse. E na longa história de escândalos e apostasias com que, através dos séculos, por vezes nos deparamos, ressalta um facto sublime: Não há relatos de violação qualificada do segredo sacramental, mesmo por parte de sacerdotes e bispos apóstatas, que poderiam utilizar este processo para rebaixar homens de Igreja que, eventualmente, tivessem caído nalgum pecado mais odioso.

Não é verdade que a Santa Madre Igreja não cuide e não exerça a sua autoridade sobre a vida puramente interior dos fiéis. Ela cuida caridosamente dos bens internos das almas, como cuida da sua boa ordem exterior. Sem esquecer que através de manifestações exteriores é perfeitamente possível, e até necessário, governar a intimidade da alma.

Porque o Corpo Místico de Cristo, cuja Cabeça terrena constitui uma só autoridade com a Cabeça Divina, sem deixar de o ser, forma igualmente uma SOCIEDADE, VISÍVEL, PERFEITA, DE DIREITO PÚBLICO SOBRENATURAL. É esta última, mais a sua cabeça terrena, que foi usurpada pela maçonaria internacional na segunda metade do século XX. Note-se, porém, que uma realidade institucional que é usurpada continua a existir, de Direito, na sua personalidade moral, na formalidade da sua orgânica, embora, materialmente, de facto, encontre-se expelindo as blasfémias e as barbaridades da entidade usurpadora.

Em tempo algum Nosso Senhor Jesus Cristo e os Apóstolos negaram a possibilidade de um eclipse da visibilidade da Santa Madre Igreja. Muito pelo contrário. A Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição, apontam precisamente para isso: A TENSÃO ESCATOLÓGICA DA TRADIÇÃO E DA DOUTRINA CATÓLICA SÃO CONSTITUTIVAS DE UMA PROJECÇÃO E INDICAÇÃO MUITO OSTENSIVA NO SENTIDO DE UMA APOSTASIA UNIVERSAL. ESTAMOS NELA! O QUE DEUS NOSSO SENHOR EXIGE DE NÓS, É SÓ AQUILO QUE PODEMOS FAZER, COM AS NOSSAS ESCASSAS POSSIBILIDADES MATERIAIS. AMEMOS SOBRENATURALMENTE A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS, E DA SUPERABUNDÂNCIA DA NOSSA CARIDADE, DA NOSSA CONTEMPLAÇÃO, DAREMOS O MAIS BELO TESTEMUNHO DA NOSSA FIDELIDADE À SANTÍSSIMA TRINDADE E À SUA GLÓRIA EXTRÍNSECA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 9 de Janeiro de 2019 Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A GRAÇA SOBRENATURAL COMO PRINCÍPIO DE UNIDADE E SANIDADE DAS NOSSAS VIDAS

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua Encíclica “Fulgens Corona”, promulgada em 8 de Setembro de 1953:

«Parece-nos que a Santíssima Virgem, a qual em todo o curso da sua vida, nunca se afastou em nada dos preceitos e dos exemplos do seu Divino Filho – quer nas alegrias de que foi suavemente inundada, quer nas tribulações e nas dores mais atrozes que a constituíram Rainha dos Mártires – parece-nos, repetimos, que a todos e cada um de nós diga aquelas palavras que proferiu nas Bodas de Caná, apontando Jesus Cristo aos servos do banquete: “Fazei tudo o que Ele vos disser”(Jo 2,5). Parece que cabe a nós repetir a todos hoje essa mesma exortação num sentido ainda mais vasto, visto que é de absoluta evidência que a raiz de todos os males com que são atormentados os homens, com tanta aspereza e veemência angustiados os povos e as Nações, provém do facto de muitos “abandonaram a Fonte de Água viva e abriram cisternas para si, cisternas desconjuntadas que não podem conter água”(Jr 2,13) e abandonaram aquele  que ùnicamente é “O CAMINHO A VERDADE E A VIDA”(Jo 14,6). Se, portanto, se errou,  é necessário voltar ao caminho recto; se as trevas dos erros perturbaram as mentes, devem ser, sem demora, dissipadas pela Luz da Verdade; se aquela morte, que é a verdadeira morte, se apoderou das almas, é necessário recuperar a vida com vivo e eficaz desejo; referimo-nos àquela vida celeste que não conhece ocaso, porque tem a sua origem em Cristo Jesus, com quem gozaremos nos Céus a Bem-Aventurança Eterna, se com ânimo confiante e fiel O seguirmos nesta terra de exílio.

Isso nos ensina e exorta a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, nossa dulcíssima Mãe, que nos ama com verdadeiro amor, sem dúvida, mais do que todas as mães terrestres. Como sabeis, veneráveis irmãos, os homens de hoje têm grande necessidade dessas exortações e convites, para que voltem para Cristo e se conformem diligente e eficazmente com Seus ensinamentos, quando tantos tentam desarraigar da sua alma a Fé Cristã, ora astuciosamente ou  com insídias ocultas, ora com uma propaganda e exaltação clara e obstinada dos seus erros, propalados com tanta ostentação como se fossem glória do progresso e do esplendor deste século. MAS, REJEITADA A NOSSA SANTA RELIGIÃO E NEGADAS AS DETERMINAÇÕES DIVINAS QUE SANCIONAM O BEM E O MAL, É SUMAMENTE EVIDENTE QUE PARA QUASE NADA SERVEM AS LEIS, E COMO QUE FICA REDUZIDA AO MÍNIMO A AUTORIDADE PÚBLICA; POR VIA DE CONSEQUÊNCIA, OS HOMENS, PERDIDA A ESPERANÇA E A CERTEZA DOS BENS IMORTAIS, COM ESSAS ENGANADORAS DOUTRINAS, COMO POR SUA PRÓPRIA NATUREZA, PROCURAM IMODERADAMENTE OS BENS TERRENOS, COBIÇAM ÀVIDAMENTE OS DO PRÓXIMO, E QUANDO A OCASIÃO E A POSSIBILIDADE SE PROPORCIONAR, APODERAR-SE-ÃO DELES, MESMO PELA FORÇA. Daqui nascem os ódios, as invejas, as rivalidades, e as discórdias entre os cidadãos; daqui vem a perturbação na vida pública e privada, e gradualmente se arruínam os fundamentos do Estado, que difìcilmente poderão ser mantidos e reforçados pela autoridade das leis civis e dos governantes; daqui, finalmente, deriva a depravação dos costumes pelos espectáculos licenciosos, pelos livros, jornais e crimes sem conta»

A unidade constitui uma propriedade transcendental do ser. Qualquer ente é tanto mais ele próprio quanto mais uno for. É PELA UNIDADE QUE QUALQUER ENTE É ELE MESMO. Acontece, frequentemente, que assoberbados pelas ocupações exteriores, as pessoas sentem necessidade de se recolherem, para se reencontrarem a si próprias; ora isto mais não é do que consolidar uma unidade ontológica que se sente debilitada.

Quanto mais verdadeiro e bom é um ente mais unidade possui, e também mais ser.

Nesta nossa peregrinação terrena é muito frequente encontrar pessoas altamente deficitárias em unidade psicológica e espiritual. A vida, o tempo e as ocupações constituem factores preponderantes no desagregar da nossa unidade ontológica, e consequentemente, da nossa individualidade psicológica e espiritual.

Sòmente a Graça Santificante pode constituir, e constitui efectivamente, um princípio verdadeiramente estável e profundo de unidade psicológica e espiritual.

Vivemos numa época realmente pré-escatológica; os confessionários estão vazios, até porque já quase não há sacerdotes válidos, mas os consultórios de psicólogos e psiquiatras estão cheios. Quando há uma catástrofe, já ninguém pensa em chamar um sacerdote, mas sim um psicólogo. Isto sem falar na enorme clientela para toda a espécie de bruxaria. Fala-se muito em depressões, em medicamentos anti-depressivos, MAS A TEOLOGIA DA GRAÇA, MEDICINAL, ELEVANTE ACTUAL E SANTIFICANTE É ABSOLUTAMENTE DESCONHECIDA. Sempre foi o grande sonho da maçonaria: UM MUNDO SEM O MENOR VESTÍGIO, PÚBLICO, SEMI-PÚBLICO E ATÉ DOMÉSTICO, DA SANTA MADRE IGREJA E DA FÉ CATÓLICA – A ELE CHEGÁMOS! 

A Graça Santificante impede as depressões, claro que não impede o sofrimento moral Sobrenatural sem o qual não nos podemos santificar; todavia o conceito de depressão possui já como pressuposto uma anemia espiritual derivada da habitual ausência de organismo Sobrenatural; a depressão é a doença das sociedades urbanas, totalmente materialistas e hedonistas, desumanamente pulverizadas de um são convívio familiar e laboral, sociedades fruto da industrialização e da maior e mais cruel artificialização da existência. As grandes massas, completamente cegas para as coisas de Deus, correm para a ruína comum.

A Graça Santificante, infundida logo no Santo Baptismo, constitui um tesouro infinito na Ordem Sobrenatural, possuindo mesmo dulcíssimos efeitos medicinais na saúde da alma, e até mesmo, por vezes, indirectamente, na saúde do corpo. Porque os Bens Sobrenaturais pressupõem bens Preternaturais medicinais que constituem um refrigério para as consequências do pecado original, para a ferida na natureza, e são um bálsamo para a concupiscência em desordem. 

A alma enriquecida e nobilitada pela Graça Santificante unifica, e consequentemente também simplifica a sua vida, em todos os domínios. Por outro lado, os Dons do Espírito Santo, consectários que são da Graça Santificante, iluminam e ilustram de tal forma a nossa alma, que projectam horizontes e perspectivas caracterizadamente novas à nossa peregrinação terrestre, perspectivas essas radicalmente inacessíveis a quem não possui vida Sobrenatural; o mundo dos primeiros e dos segundos difere como a noite do dia, só se mantendo as aparências mais superficiais. Basta pensar nisto: Se os homens, sendo só e apenas matéria, se podem equiparar aos brutos, sem nenhum princípio essencial que os distinga, tal gera um padrão de reacção pessoal, familiar e social, medularmente diferente, do daqueles outros, para quem os homens são corpo e alma, chamados na Terra a amar Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus.

A presença da Graça Santificante nas almas – ou a sua ausência – irradia consequências, não apenas no plano pessoal e familiar, mas igualmente na esfera social e política. Aqui reside a razão profunda das piores guerras que enlutaram a Humanidade terem ocorrido, precisamente, no século XX – O SÉCULO MAIS ÍMPIO E MAIS HEDIONDO, POIS QUE NELE SE OPEROU A SINERGIA QUANTITATIVA DE TODO O MAL DO MUNDO, TAL COMO SE PROCESSOU A SINERGIA DE TODOS OS CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E TÉCNICOS.

A Graça Santificante nas almas muito aperfeiçoa, extrìnsecamente, a inteligência natural. No Paraíso Terrestre, Adão e Eva, podiam ignorar e certamente ignoravam – MAS NÃO PODIAM ERRAR. Porque a sua privilegiada condição Preternatural e Sobrenatural, as suas ideias infusas como casal fundador da espécie humana, era absolutamente incompatível com o erro, não só religioso, mas também no que concerne à Ordem Natural.

A Graça Santificante, participação na Natureza Divina, supera infinitamente a cultura que o mundo pode dar; os maiores sábios, se não estiverem na Graça de Deus, nada aproveitarão eternamente da sua sabedoria humana, a qual até lhes pode ser positivamente nociva, pois que rejeitam a Lei d’Aquele que tudo criou, e que possui a Chave das Essências.

Referimos há pouco que a Graça Medicinal sara, até certo ponto, numa ordem Preternatural, a ferida na natureza e as desordens da concupiscência; mas a Graça Santificante,    essencialmente elevante, sobretudo quando atinge um alto grau, pode extinguir totalmente o fogo da concupiscência desordenada, visto que o mal não reside na própria concupiscência, MAS NA SUA DESORDEM, ORIUNDA DO PECADO ORIGINAL.

A acção prática, operativa, deve constituir a vertente exterior do nosso ser interior, numa coerência tendencialmente perfeita. Pois bem, quanto maior for a unidade do nosso ser, mais fàcilmente a ordem prática reflectirá, homogèneamente, com toda a limpidez e transparência, a ordem especulativa, O QUE SÒMENTE A GRAÇA SANTIFICANTE PODE FACULTAR.

A Graça Santificante enxerta-nos de pleno direito no Corpo Místico, recebendo assim todos os eflúvios Sobrenaturais de Nosso Senhor Jesus Cristo, bem como dos outros membros, merecendo Sobrenaturalmente em plenitude, e acumulando tesouros para a Eternidade. Efectivamente, as boas acções, mesmo realizadas sob o influxo da Graça Actual, mas em pecado mortal, em nada merecem para o Tesouro da vida Eterna, podendo, contudo, preparar e dispor de certo modo, moralmente, a alma a acolher ulteriormente os Bens Sobrenaturais. Na realidade, não podemos sequer preparar-nos para receber a Graça de Deus com as nossas forças naturais – É DEUS QUEM NOS PREPARA PARA DEUS!

Anàlogamente, os pecados veniais não extinguem nem diminuem a Graça Santificante, mas DEBILITAM A ALMA, TORNANDO MAIS FÁCIL A QUEDA MORTAL. Porque com o pecado venial nós não obliteramos o Fim último, apenas não nos orientamos para Ele da forma mais directa.

Todas estas sublimes realidades são, não apenas ignoradas, mas odiosamente rejeitadas pela seita conciliar, QUE É A MAÇONARIA INTERNACIONAL. Exactamente por isso, as ruínas morais e até físicas de vão acumulando em progressão cada vez mais acelerada.

Só Deus Nosso Senhor pode, verdadeiramente, socorrer as descomunais misérias humanas; nenhuma ciência, nenhuma técnica, nenhuma psicologia, nenhuma psiquiatria, pode nem mesmo servir de paliativo para a absoluta demencialidade  em que consiste as criaturas, transcendentalmente  portadoras do sinete da contingência, o procurarem renegar, procedendo como Adão e Eva, querendo prescindir d’Aquele que, queiram ou não, constitui o seu Princípio e o seu Fim.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 5 de Janeiro de 2019 Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Veritati Catholicæ

Non Habemus Papam. Em defesa da verdadeira Igreja Católica. Contra a falsa igreja ecuménica de Mário Bergoglio

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