Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO AO PAI

ARIANISMO – HERESIA GNÓSTICA PERENE: uma diferença com Orlando Fedeli

Arai Daniele

O fato que o espírito das velhas heresias do gnosticismo, arianismo e pelagianismo, para ficar só nestas, esteja presente depois de tantos séculos, deve indicar algo de importante para compreender o que seja. Para começar, diga-se logo que toda heresia pode convergir a uma matriz, à gnose espúria que é presunção de conhecimento contrário à fé. Trata-se, pois, da ferida perene da rebelião que manchou a alma de todo ser humano com o pecado original.

Mesmo querendo diferenciar as piores formas de heresias, podemos ficar com três: – contra a autoridade do Pai Criador, em ambos os Testamentos, com Marcionismo; a pelagiana, pela qual o homem pode dispensar a ajuda divina para operar em verdade. E, finalmente, a pior, o arianismo, que negando a igualdade do Filho com o Pai, nega a Palavra de Deus, que é o Mistério da Santíssima Trindade. Com isto supera toda outra heresia pois ataca a verdade mais alta, do Verbo de Deus, descrita no Evangelho de São João.

O arianismo foi das heresias mais maléficas desde o período de transição entre a afirmação do Cristianismo, cujo culto foi aceito em 313 pelo Império Romano e o seguinte dos grandes Concílios ecumênicos. Não só, durou com seus estragos na formação da Cristandade, desde seu início nesse século IV d. C, até meados do século X d. C.; ,as o seu espírito adeja ainda.

Voltando a tratar desse assunto, recorri a alguns trabalhos que me parecem mais adequados ao momento religioso sob o desvio ariano conciliar que vivemos. Entre estes, «Présence d’Arius» de Hughes Kéraly, em francês (Ed. Martin Morin, 1981), mas também a quanto o amigo Orlando publicou sobre gnose e gnosticismo no sito Montfort, onde consta também o título «Nova missa; câncer da Igreja». E aqui é implícita a heresia do falso culto a Deus.

Ora, se toda a bestialidade modernista, maçônica, conciliar ecumenista do «novus ordo» ouvidas pelos católicos nestes quase sessenta anos de domínio modernista, desviou tantos, ao mesmo tempo deve-se reconhecer que apurou a fé de muitos. Já explicava Newman, o cardeal vindo da heresia anglicana: “nenhuma doutrina é definida antes de ser combatida.”

Claro, essa luta é em nome da mesma Fé imutável, independente de qualquer nosso melhor entendimento; requer, para ser enfrentada, manter-se firme nos grandes princípios de modo a consolidar a nossa capacidade de resistência católica. Essa resiliência hoje, mais investiga antigas heresia, como a ariana, e mais compreende o que seja o Vaticano 2, que parece novo, mais demonstra o que tem em comum com elas, Basta considerar o retorno às mesmas confusões ecumenistas, para ver que seus problemas surgem de sua alienação ao princípio de que a verdade vem de Deus aos homens , não no sentido oposto.

Em meu livro que analisa os desvios conciliares à luz de todo o Magistério precedente de todos os papas, «l’Eclisse del Pensiero Cattolico» (Ed. Europa, Roma, 1997), demonstro a contraposição ao pensamento «teândrico» católico, das idéias «androteístas» conciliares. É o gnosticismo que impregnou o pensamento dos bispos reunidos em concílio, sob João 23 e Paulo 6, para elaborar uma «nova Pentecostes» não ecumênica mas ecumenista!

Tudo partindo de um plano pré-estabelecido de abertura e reunião das crenças do mundo. Não mais a Religião única da Verdade, mas de “verdades” gnósticas da própria larva modernista dos novos mestres. Basta ouvir Bergoglio, que a cada dia emite novas ideias de seu pessoal repertório.

Mas passemos ao arianismo, para depois descrever o martírio de um santo que recusou a comunhão com esses hereges, embora seus sacramentos fossem praticamente os mesmos.

A presença da heresia ariana hoje

Como se sabe, a palavra heresia vem do grego e significa escolha.  As velhas heresias que reaparecem hoje de modo tortuoso, como a de Ario, ou Arius, seguem uma escolha anti – Trinitária.

Ario, presbítero de Alexandria no Egito, foi autor dessa «escolha herética» que, segundo a ortodoxia da Igreja, atenta à Verdade no campo da Cristologia, pois tange ao entendimento teológico que se tem da Pessoa de Jesus Cristo da Trindade Santa.

A Cristologia é o ramo da Teologia dedicada ao conhecimento da natureza de Jesus Cristo; segunda Pessoa da Trindade divina, que tem a substância de Deus Pai, Criador –  e do Espírito Santo, a terceira Pessoa, tendo-Se encarnado neste mundo humano.

A heresia foi combatida pelos mais sábios entre os doutos da Igreja Cristã Primitiva, como Santo Atanásio, mas também pelo povo fiel.  Ário não queria aceitar que Jesus Cristo fosse Deus encarnado, mas sim um homem extraordinário, argumentando que não partilhava da mesma substância de Deus, porque criado por Deus como toda outra criatura humana. Assim, negava a eternidade de Cristo, encarnação do Verbo divino, Filho de Deus. A partir de sua respeitável formação intelectual como presbítero em Alexandria, centro intelectual da Ásia Menor, fez vários adeptos entre os bispos e dai no mundo político.

O primeiro a defender a ortodoxia transmitida pelos Apóstolos e confrontar Ario  diretamente foi o Bispo de Alexandria, Alexandre que, percebendo o perigo dessa rebelião doutrinal, reuniu um Sínodo local, em 318 d. C, que contou com cem bispos aproximadamente. Os bispos condenaram Ario como herege e divulgaram a decisão a bispos de outras dioceses e ao papa Silvestre, que a acolheu. Mesmo assim, Ario, apresentando a sua heresia como interpretação do Evangelho, conseguiu importantes adesões de adeptos interessados em pilotar as disputas teológicas no mundo político que buscava ideias convenientes para unir os povos; era a idéia ecumenista da época.

A situação tornou-se preocupante e o imperador Constantino, que era assessorado pelo Bispo Ósio de Córdoba, na Espanha, convocou um Concílio ecumênico em 325 d. C, realizado em Niceia. O Concílio reuniu cerca de trezentos bispos de várias regiões e definiu o dogma que Jesus Cristo como Filho de Deus foi gerado, não criado da mesma substância e natureza do Pai, desde toda a eternidade; a ideia de Ario, assim como a de que o mundo não fora criado por Deus do nada (ex nihilo), é pois herética. Constantino acatou as decisões do Concílio de Niceia e exilou Ario, condenando as suas obras.

Após a resolução do Concílio, 325 d. C, um presbítero da cidade de Nicomédia, Eusébio, passou a difundir o semi-arianismo, tentando a reabilitação da heresia, mitigada. Esta corrente alastrou-se logo e seu efeito se fez sentir sobre o imperador Constantino que, já em 327, anistiou Ario, permitindo que regressasse à Alexandria.

O Bispo de Alexandria então já não era Alexandre mas Atanásio, que a Igreja viria a canonizar pela sua luta contra a heresia de Ario. Foi um  dos mais importantes e sábios mestres da Igreja Cristã Primitiva a combater a heresia do arianismo.

Santo Atanásio (295 d. C – 373 d. C) manteve-se na linha ortodoxa de repúdio ao arianismo desde o seu início. Ao longo das décadas de 330 e 340 d. C, Atanásio teve de enfrentar duramente a organização ariana (ou semiariana) no Egito e em grande parte da Igreja oriental.

Eusébio de Nicomédia, o partidário de Ário, conseguira formar uma seita arianista que exerceu grande poder dentro da Igreja, e chegou a influenciar bispos do Oriente e a excomungar Atanásio para desterrá-lo por duas vezes. Atanásio só foi reabilitado pela Igreja com o Concílio de Sárdica em 346 d. C, que reafirmou as concepções ortodoxas do Concílio de Niceia, confrontando mais uma vez o arianismo.

Contudo, o imperador Constâncio, na década de 350 d. C, deu muito espaço à heresia ariana, chegando a obrigar o então papa Libério a excomungar Atanásio em 357 d. C. Nas décadas seguintes, de 360 e 370, sobretudo após a morte do imperador, Atanásio e outros sábios da Igreja, como Santo Hilário, continuaram isolados a defender a ortodoxia relativa à Trindade e a combater a heresia ariana.

Gnose, Religião oculta da História

“Quando se estuda a gnose entra-se num labirinto cheio de brumas, tentando descobrir segredos que permitirão chegar a um mistério. Não é de estranhar que o tema se preste a confusões.” Fedeli empenhou-se a desmascarar a «gnose» com armas culturais. Nisto ele polemizou com Olavo de Carvalho nesse campo, comum a ambos.

Trata-se da solução do combate cultural anticomunista do Olavo, impraticável a breve, porque leva tempo para preparar a moçada; se é que chega a ser conclusivo nesse “labirinto cheio de brumas”.  No entanto, pode indicar um verdadeiro atalho, hoje esquecido, que foi lembrado no começo do século XX por S, Pio X, mas abandonado em seguida. É do Cristianismo, da Civilização e Ordem cristãs que existem e só precisam ser restauradas. A partir dela sabemos qual a plena cultura sobre o homem e o seu fim, sobre a família e a sociedade, portanto de seus opostos, para reagir.

Mas a sua Cidadela é a Igreja Católica. É claro que se esta foi abalada, arruinada, e depois ocupada, a solução cultural e religiosa  para agir na sua reedificação, é testemunha-lo, conforme a situação dos tempos.

Nesta especificação – segundo os tempos -, alguém pode querer ler uma deriva modernista. Nada disto. O nefasto modernismo quis aplicar este agir onde não podia, ao cerne do Cristianismo, isto é, à sua plena cultura sobre o homem e o seu fim, sobre a família e a sociedade, portanto opondo-se ao que vem do Alto, a favor das falsas culturas modernas que operam para destruí-lo.

Também é claro que o reconhecimento dos diversos pensamentos da parte dos mais doutos é útil e necessário, e podemos seguir essa crítica do Orlando quando estabelece distinções entre panteísmo e gnose em crenças “hinduístas, do Egito, China e Caldéia, passando por Heráclito e Parmênides, pelo sufita Ibn Arabi, Campanella até Diderot, Kant, Novalis e os românticos.” Tudo bem se esses pensamentos são citados em função do seu anticristianismo. “O panteísmo é naturalista, monista e tende ao racionalismo. A gnose é dualista, anti- cósmica e anti-racionalista”.

Sim, mas reconhecendo que há sistemas gnósticos ambíguos quanto ao mundo material, enquanto, há sistemas panteístas que vêm a transformação da matéria em espírito, no sentido evolucionista, como quis o jesuíta Teilhard de Chardin para o Vaticano 2.

Ao conceituar a «gnose» segundo sua pretensão de ser “o conhecimento do incognoscível”, conceituação que desvela a contradição anticristã típica da gnose, em oposição à Palavra divina, ao Verbo. Como se vê, quando a gnose repele a inteligência e a lógica como enganadoras, rejeita a estrutura do pensamento em si, que é ordenado à Verdade, contrapondo-lhe um conhecer intuitivo, ligado a algum poder secreto do homem, que gera todo e qualquer «esoterismo»!

“Conhecer o incognoscível, de fato, significa dar ao homem o conhecimento de Deus e do mal, coisas impossíveis de compreender. De fato não podemos compreender ou conhecer a própria essência de Deus que é ser infinito e transcendente, impossível de ser captado por nosso intelecto. Também não podemos entender o mal e o pecado: o mal enquanto ser não existe, e o mal moral não tem razão que o justifique. Assim, a gnose pretende oferecer ao homem um conhecimento natural que o colocaria em posição de compreender – e portanto superar – a Deus, de compreender a mal, e, ademais, de conhecer sua natureza mais íntima, que seria divina.

“A gnose é então a religião que oferece ao homem o conhecimento do bem e do mal. Ora, sabe-se que a árvore do fruto proibido do Éden era exatamente a árvore do conhecimento ou ciência do bem e do mal (Gen. II,10). Assim, teria sido a gnose a tentação de Adão. Com efeito, a serpente prometeu a nossos primeiros pais que, se comessem o fruto proibido, “seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gen., III,5).”

Tudo acontece no mundo da consciência, da cultura e da religião, em chave favorável ou contrária à consciência, à cultura e à fé cristã. Eis o principal guia do agir, que é o atalho que indiquei acima para enfrentar questões políticas a partir da cultura essencial da Religião; sim porque o sábio reconhece a contraposição que há em somente duas maneiras de pensar: a Fé, «pistis» e o que se pensa ver como conhecimento não discursivo e ilógico na «gnose».

Neste sentido a «cultura» necessária ao católico é ao mesmo tempo a mais ampla, simples e lógica e me agrada resumi-la com as palavras do pensador Juan Donoso Cortés, como expus no meu artigo deste site: https://promariana.wordpress.com/2014/03/08/a-filosofia-de-donoso-cortes-dugin-olavo-e-seu-inverso-conciliar/

Todo pensamento, ideologia, crença desviada da trilha da Verdade,  é relacionado à essa tendência gnóstica de rapto prometeico do conhecimento. Portanto, exprime uma profunda inquietação do espírito humano, que não pode encontrar harmonia e tranquilidade senão na Palavra divina.

Eis que Santo Agostinho a exprimia dizendo: « Fizeste-nos para ti Senhor, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousar em ti ». Na ciência de Deus tudo está contido, desde a Teologia, que o Vaticano 2 quis mudar, até a mais alta Política cristã, que a miséria política atual quer anular. Mas é fato que sem a Verdade as almas morrem.

O testemunho e a defesa da Verdade na Igreja precede qualquer outro debate que hoje, na ausência de um papa católico, é mais que ocioso, arrisca ser testemunho de uma falsa realidade.

E como isto implica a deturpação do culto a Deus, seguirá o exemplo de martírio de um santo para testemunhá-lo.

AS BEM-AVENTURANÇAS COMO FRUTOS DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da sua encíclica “Acerbo Nimis”, promulgada em 21 de Abril de 1905:

«Sabemos que para muitos a tarefa do catequista não é bem vista, porque comumente não é tida como importante, sendo pouco talhada aos aplausos das pessoas. Mas isso, em nossa óptica, é juízo nascido do imediatismo, e não da Verdade. Nós, sem dúvida, admitimos que sejam dignos de louvor aqueles sagrados oradores que se dedicam com zelo sincero â Glória de Deus, seja em defesa da manutenção da Fé, seja para o encómio dos heróis do Cristianismo. Todavia, a fadiga deles, supõe outra, isto é, a dos catequistas; onde essa faltar, faltam os fundamentos e trabalham em vão os que edificam a casa. Frequentemente, os sermões floridos, que repercutem em aplauso nas grandes concentrações, ARRISCAM SIMPLESMENTE ACARICIAR OS OUVIDOS; NÃO COMOVEM DE FACTO OS ÂNIMOS DAS PESSOAS. Ao contrário da instrução catequética, porque esta, embora humilde e simples, faz o que o próprio Deus disse a Isaías: “Como a chuva e a neve descem do Céu, e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a Palavra que sai da Minha boca: Ela não torna a Mim sem fruto; antes, ela cumpre a Minha Vontade, e assegura o êxito da missão para a qual a enviei” (Is 55, 10-11).

O mesmo pensamos ter de dizer dos sacerdotes, que para ilustrar as Verdades Religiosas compõem densos livros; merecendo por isso ser recomendados. Mas quantos são os que lêem  tais volumes, correspondendo em frutos ao suor e ao zelo de quem os escreveu?

Onde o ensinamento do catecismo é feito como se deve, não há nunca desvantagem para quem o escuta.

Já que é útil repetir, para incentivar o zelo dos Ministros do Santuário, são muitos – e cada dia crescem mais – os que ignoram as Verdades Religiosas. De Deus e da Fé Cristã, possuem apenas aquela ciência que lhes permite viver como idólatras no meio da Luz do Cristianismo.  Quantos são os que, embora não tão jovens, mas já adultos e até em idade provecta, ignoram totalmente os principais Mistérios da Fé; os quais, ouvido o Nome de Cristo, respondem: “Quem é… para que eu creia n’Ele?” (Jo 9,36).

Em consequência disso: Não constitui para eles problema incentivar e nutrir ódio contra o próximo; estabelecer contratos injustíssimos; dar-se a especulações desonestas; apossar-se dos bens do próximo com ingente usura e maldade. E mais: Ignoram como a Lei de Cristo não só proscreva essa acções torpes, mas também condene pensá-las e desejá-las; e entretidos por um motivo qualquer, abandonando-se aos deleites sensuais, SERVEM-SE SEM ESCRÚPULOS DE TODA A SORTE DE PÉSSIMOS PENSAMENTOS, MULTIPLICANDO OS PECADOS MAIS DO QUE OS CABELOS DA CABEÇA.

Este género, voltamos a dizer, não está sòmente entre os pobres filhos do povo, ou entre camponeses,  mas sim – e talvez em número ainda maior – entre os de classes mais elevadas, e também entre os que a ciência enobrece, MAS QUE, APOIADOS NUMA VÃ ERUDIÇÃO, CRÊEM PODER RIDICULARIZAR A RELIGIÃO E ” INJURIAM O QUE NÃO CONHECEM (Jd 10).»
Tal como afirma São Pio X, diminuir a catequese é minar pela base os alicerces da Fé Católica no povo e preparar gerações, ou modernistas e ateias, ou mimético nominalistas e supersticiosas. Efectivamente, o analfabetismo religioso das grandes massas, populares, ou cultas segundo os padrões do mundo, CONSTITUI A MAIOR CHAGA DE TODOS OS TEMPOS NA VIDA DO CORPO MÍSTICO. Novamente se assevera: É religiosamente analfabeto quem não conhece a Deus pela Fé formada pela Caridade perfeita e pela Graça Santificante. Mas para obter de Deus tão grande Graça, seja criança, seja adulto, É NECESSÁRIO FREQUENTAR COM PROVEITO O CATECISMO, SEGUNDO A CAPACIDADE INTELECTUAL NATURAL DE CADA UM. INSISTE-SE: A POUCA INTELIGÊNCIA NATURAL NÃO CONSTITUI, NEM PODE CONSTITUIR, ÓBICE ALGUM À POSSE DO ORGANISMO SOBRENATURAL, NA EXACTA MEDIDA EM QUE É ESSE MESMO ORGANISMO, A SUPRIR, POR VIA SOBRENATURAL, AQUILO QUE FALTA À NATUREZA. O catecismo é necessário porque constitui condição extrínseca Providencial à actuação da Graça. Deus Nosso Senhor, na Sua Eterna Sabedoria, providenciou um estrito paralelismo, conquanto extrínseco, entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural.

Seja-me permitido aconselhar o Catecismo Católico Popular de Francisco Spirago, em três volumes, escrito no século XIX, concebido em três níveis, completíssimo, precioso auxiliar do bom catequista; disponível em português, para ser descarregado da Internet no sítio “Obras Católicas”.

Mas se o catequista não estiver empolgado de verdadeiro amor Sobrenatural a Deus Nosso Senhor e ao próximo por amor de Deus, o seu ensino ficará privado daquela seiva, daquele Lume, que deverá abrasar a alma dos catequizandos. Ora esse Lume é, e só pode ser, o nosso organismo Sobrenatural; diz-se “organismo”por analogia com o nosso organismo natural, sobretudo as nossas potências operativas ou faculdades da inteligência e da vontade, que radicam na essência da alma. Ora a Graça Santificante, que é um Hábito entitativo Sobrenatural, filosòficamente, sendo um acidente, possui como sujeito imediato de aderência a essência mesma da alma. Também se denomina esta Graça como inabitação do Espírito Santo. A Graça Santificante SÓ ESTÁ PRESENTE NUMA ALMA QUE AME A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS. Consequentemente, a Graça Santificante e a Caridade perfeita caminham a par, com a diferença de que a primeira é, como já vimos, um Hábito entitativo, e a segunda é um Hábito operativo que adere à vontade.

Toda a Revelação, toda a Teologia, todas as realidades Sobrenaturais, foram queridas por Deus Nosso Senhor, como possuindo uma profunda analogia com a Ordem Natural; tal é perfeitamente compreensível se nos recordarmos que Deus é o Autor da natureza, e que a vida Sobrenatural da Graça nos faz participar da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade e Santidade Divina. Porque a alma adornada com a Graça Santificante É ACIDENTALMENTE, AQUILO QUE DEUS É ESSENCIALMENTE. Todavia essa analogia não é produto de um capricho Divino, PORQUE É METAFÍSICA E INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM INCRIADO.

Os Frutos do Espírito Santo constituem como que o pleno desabrochar da nossa vida Sobrenatural no que ela possui de gratificante, de celestial, de indissolùvelmente consolador. As Bem-Aventuranças são também consideradas frutos do Espírito Santo, mas noutro sentido, porque os frutos, em sentido estrito, são por assim dizer contemplativos, ao passo que as Bem-Aventuranças possuem ainda um aspecto prático, conquanto já introduzam, ou sejam mesmo operativamente, especulativamente, constitutivas da contemplação. A razão profunda para isto filia-se na realidade Divina dos Dons do Espírito Santo em nós. Nas virtudes, são as nossas faculdades que, sustentadas pela Graça Divina, produzem elas mesmas intelecções e volições Sobrenaturais, sim, mas operadas por nós. Nos Dons do Espírito Santo, é o próprio Deus que deposita nas nossas faculdades, sem nós, os actos de inteligência e de vontade. Para isso a alma enriquecida com a Graça Santificante possui Hábitos receptivos para que melhor acolha a acção do Espírito Santo, ainda que a possa repudiar.

O nosso progresso na vida Sobrenatural é constitutivo de uma unificação e de uma simplificação, quer no plano da inteligência, quer no plano da vontade e da operação prática; neste quadro conceptual, o Fim Supremo e Absoluto, que é Deus, vai-se sobrepondo com verdadeira hegemonia Sobrenatural, quer no plano da contemplação especulativa quer no plano da operação moral prática; os meios, os fins secundários, e o Fim Absoluto e Primário vão-se unificando num real antegozo da Eterna Beatitude. Consequentemente, as Bem-Aventuranças constituem uma fonte intrínseca de felicidade; tal sucede porque o cumprimento da Lei Moral é perfeitamente homogéneo com a recompensa celeste da virtude, tão homogéneo, que a única garantia de verdadeira felicidade só pode então ser a perfeição moral Sobrenatural. Assim se compreende que as Bem-Aventuranças sejam já, de algum modo, constitutivas da contemplação. Porque os Dons do Espírito Santo da Sapiência, do Entendimento e da Ciência são especulativos, sim, mas possuem uma faceta indirectamente prática. Especulativo, é tudo o que tem razão genérica de Fim eminentemente Objectivo, contemplado como Verdade e Bem em si mesmo; prático, é tudo aquilo que possui razão genérica de meio, ou mesmo de fim secundário, em ordem ao Fim Primário.

 Bem-Aventurados os pobres em espírito; Bem-Aventurados os puros de coração: Ora os pobres em espírito são aqueles que têm o coração desapegado das riquezas e das glórias mundanas; e mesmo se, por dever de hierarquia social, possuírem tais riquezas – sabem como usá-las, ordenadamente, para maior Glória de Deus, salvação das almas, e socorro dos pobres; os puros de coração são aqueles que, embora em contacto operativo prático com o mundo – não se macularam, permanecendo totalmente vinculados aos Bens Eternos. Não olvidar que o grande segredo da conciliação da vida activa com a vida contemplativa, É DE QUE A ACÇÃO DEVE BROTAR DA SUPERABUNDÂNCIA DA CONTEMPLAÇÃO. A diferença entre especulação e contemplação reside  em que esta última, unifica, simplifica e aprofunda extraordinária e Sobrenaturalmente a primeira, sendo tendencialmente realizada pelos Dons do Espírito Santo, sobretudo a Sapiência o Entendimento e a Ciência.  

Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça; Bem-Aventurados os que choram: A fome e sede de Justiça é o anelar pela Lei de Deus e Seu cumprimento; é o colocar na Lei Divina toda a sua esperança, mesmo neste mundo; é a fome e ânsia de Verdade Divina, de Bem Divino, de Santidade Divina. A alma com verdadeira fome e sede de Santidade nunca se detém no caminho para Deus, porque sabe que PARAR É MORRER, e no rumo árduo que conduz ao Altíssimo, os meios são perfeitamente homogéneos com o Fim, e por maiores que sejam os sofrimentos, sobretudo de ordem moral, uma tal senda constitui já um antegozo real do Céu; aqueles que pela contrição perfeita choram os próprios pecados, é porque amam a Deus, Sobrenaturalmente, sobre todas as coisas; mesmo aqueles que só têm atrição dos seus pecados, receberão a Caridade perfeita e a Graça Santificante com a absolvição sacramental. De uma maneira geral, devemos nutrir a maior repulsa moral objectiva pelo grande e negro oceano de pecados e heresias que é, e sempre foi, este paupérrimo mundo. Bem-Aventurados os misericordiosos, os mansos, os pacíficos, os que sofrem perseguição por amor da Justiça: Os misericordiosos são aqueles que sabem como sublimar sobrenaturalmente a virtude da Justiça, quer na sua vida pessoal, quer em qualquer função pública que porventura desempenhem; os mansos são aqueles que, salvaguardada a virtude da Justiça, sabem reagir com brandura às ofensas recebidas, moderando sobrenaturalmente os ímpetos do apetite irascível; os pacíficos são aqueles que sabem ser a Paz constitutiva da Beatitude, mesmo neste mundo, porque a realidade bélica entrou no mundo pelo pecado de Adão, sendo atributo fundamental da maldade do homem. Todavia, os obreiros da Paz de Cristo não são, nem podem ser, os pacifistas, mas aqueles que consideram que sendo os homens, em geral, maus, e inimigos do Nome Cristão, será sempre necessária da parte dos bons, e depois da proclamação solene da Verdade, também uma atitude bélica, não apenas de legítima defesa, mas até ofensiva no sentido preventivo; os que sofrem perseguição por amor da justiça, são aqueles que, sendo, em princípio, obreiros da Paz de Cristo no Reino de Cristo, sofrem por isso, e sofrerão sempre, as agruras deste mundo mau, no plano físico e no plano moral. Nosso Senhor revelou-nos claramente que o mundo haveria sempre de perseguir os Seus discípulos, tal como O perseguiram a Ele, e quanto mais um homem fosse piedoso mais encarniçadamente seria afrontado – mas o Príncipe da Paz estaria, como estará, permanentemente com ele.

Evidentemente que as Bem-Aventuranças reflectem e constituem um elevadíssimo grau de Santidade; como tal, promanam mais dos Dons do Espírito Santo do que das virtudes, porque, de certo modo, nos conferem o Céu ainda cá na Terra, conjugando e harmonizando, Sobrenaturalmente, a contemplação oriunda dos Dons do Espírito Santo, a operação especulativa através das virtudes Teologais, e a operação prática da actividade moral. Segundo São Tomás, sendo as Bem-Aventuranças frutos do Espírito Santo, nem todos os frutos são Bem-Aventuranças, porque toda a suavidade Sobrenatural que promana da vida da Graça no cumprimento da Lei de Deus é fruto do Espírito Santo. Consequentemente, a Visão de Deus, na Eternidade, QUE É A BEM-AVENTURANÇA EM SENTIDO ABSOLUTAMENTE EMINENTE, constitui o FRUTO SUPREMO DA NOSSA PREDESTINAÇÃO, DA NOSSA ELEIÇÃO CARACTERIZADAMENTE GRATUITA.

Sabemos que no Céu permanecem a Caridade, a Graça Santificante, e os Dons do Espírito Santo enquanto Hábitos receptivos escatològicamente actualizados e imóveis, logo também permanecem as Bem-Aventuranças na sua dimensão especulativa. Anàlogamente, as virtudes morais enquanto Hábitos operativos integrar-se-ão também na Eternidade Beatífica. Sòmente a Fé e a Esperança, porque apanágio do estado de via, não permanecem na Eternidade.

Segundo São Tomás, a Visão Beatífica constitui uma operação eminentemente especulativa, operação da inteligência, pois que a alma na posse da Fé e da Esperança, da Graça Santificante e da Caridade perfeita, anela com todas as suas forças Sobrenaturais por entrar no Céu, mais ainda à hora da morte. Mas só Deus a pode consagrar, eternamente, imutàvelmente, física e moralmente, na contemplação da Sua Essência Incriada.

Nunca olvidemos, na nossa ascensão para Deus Nosso Senhor, QUE O PRINCÍPIO, OS MEIOS, OS FINS SECUNDÁRIOS, E O FIM PRIMÁRIO, SÃO ABSOLUTAMENTE HOMOGÉNEOS, PORQUE SOBRENATURAIS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 11 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 O TEMPO E A ETERNIDADE DA SANTA MADRE IGREJA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Mystici Corporis”, promulgada em 29 de Junho de 1943:

«Cristo é Autor e Operador de Santidade. Já que nenhum acto salutar pode haver que d’Ele não derive como Fonte Soberana. “Sem Mim – diz Ele – nada podeis fazer (Cf. Jo 15,5). Se nos sentimos movidos à dor e contrição dos pecados cometidos, se com temor e esperança filial nos convertemos a Deus, é sempre a Sua Graça que nos comove. A Graça e a Glória brotam de uma inexaurível plenitude. Sòmente aos membros mais eminentes do Seu Corpo Místico enriquece o Salvador, contìnuamente, com os Dons do Conselho, Fortaleza, Temor, Piedade, para que todo o corpo cresça cada dia mais em Santidade e perfeição. E quando, com rito externo, se ministram os Sacramentos da Santa Igreja, é Ele que opera o efeito deles nas almas. É Ele também, que nutrindo os fiéis com a própria Carne e Sangue, serena os movimentos desordenados das paixões; é Ele que aumenta as Graças e prepara a futura Glória das almas e dos corpos. Todos esses tesouros da Divina Bondade, reparte Ele aos membros do Seu Corpo Místico, não só enquanto os obtém do Eterno Pai, como Vítima, Eucarística na Terra, e como Vítima glorificada no Céu, mostrando as Suas Chagas e apresentando as Suas súplicas; mas também porque “SEGUNDO A MEDIDA DO DOM DE CRISTO”(Ef 4,7)ESCOLHE, DETERMINA E DISTRIBUI, A CADA UM AS SUAS GRAÇAS. Donde se segue que do Divino Redentor, como de Fonte manancial, “TODO O CORPO BEM ORGANIZADO E UNIDO RECEBE POR TODAS AS ARTICULAÇÕES, SEGUNDO A MEDIDA DE CADA MEMBRO, O INFLUXO E ENERGIA QUE O FAZ CRESCER E APERFEIÇOAR NA CARIDADE”(Ef 4,16//Cf.Cl 2,19).

O que até aqui expusemos, Veneráveis irmãos, explicando resumidamente o modo como Cristo Senhor Nosso, quer que da Sua Divina plenitude desça sobre a Santa Igreja a plenitude dos Seus Dons, para que ela se Lhe assemelhe o mais possível, serve para explicar a terceira razão que demonstra como o Corpo Social da Igreja é Corpo de Cristo, isto é, por ser o nosso Salvador Aquele que Divinamente sustenta a Sociedade que fundou.

Observa Bellarmino, como muita subtileza, que com esta denominação de Corpo, Cristo não quer dizer sòmente que Ele é a Cabeça do Seu Corpo Místico, senão também que sustenta a Santa Igreja, DE TAL MANEIRA QUE A IGREJA É COMO QUE UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE CRISTO. Afirma-o também o Doutor das gentes, quando na Epístola aos Coríntios, chama, sem mais, Cristo à Igreja (I Cor 12,12), imitando decerto o Divino Mestre que, quando ele perseguia a Igreja,lhe bradou do Céu: “Saulo, Saulo, porque Me persegues?”(cf. At 9,4; 22,7;26,14).

Antes, São Gregório Nisseno, diz-nos que o Apóstolo, repetidamente, chama Cristo à Igreja; nem vós, veneráveis irmãos, ignorais aquela sentença de Agostinho: “Cristo prega a Cristo”.»

 

Como ensina o trecho acima transcrito, a Santa Madre Igreja deve ser concebida como UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO; efectivamente, assim como Nosso Senhor, na Sua Pessoa Divina, possui uma Natureza Humana que é elevada a uma existência e a uma Dignidade Divina e Infinita, assim a Santa Igreja, na sua Pessoa Moral de Direito Divino, possui igualmente uma Natureza Humana, uma existência humana, que tudo deve orientar no sentido da salvaguarda do Depósito Sagrado da Revelação cuja custódia lhe foi confiada por Nosso Senhor.

A Santa Madre Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Sumo e Eterno Sacerdote; cumpre assinalar, que Nosso Senhor não é Sacerdote por uma qualidade acidental, Nosso Senhor É SUBSTANCIALMENTE SACERDOTE, E O É PELA ENCARNAÇÃO DO VERBO DE DEUS. Não olvidar que Nosso Senhor é também substancialmente Santo, embora a Sua Santíssima Alma humana possua igualmente a Graça Acidental Santificante, a Caridade e os Dons do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja é assim eminentemente Sacerdotal, porque é nela, só nela, com ela e por ela, que Nosso Senhor ofereceu, cruentamente, na Cruz, o Seu Supremo Sacrifício, e o renova incruentamente nos nossos Altares, com o concurso instrumental dos Seus sacerdotes. Consequentemente, a Santa Madre Igreja, enquanto Corpo Místico de Cristo, é igualmente, à sua maneira, substancialmente sacerdotal. Recebendo, habitualmente, o influxo misterioso, constitutivamente sacerdotal, da sua Divina Cabeça, a Santa Igreja produz e irradia copiosíssimos e dulcíssimos frutos Sobrenaturais, que fecundam a Terra, e irão povoar o Céu, pois todos os Bens Sobrenaturais são necessàriamente, transcendentalmente, Bens Eternos. Exactamente por isso, assim como Nosso Senhor nasceu e viveu no tempo, mas pertence imarcescìvelmente à Eternidade; assim também a Santa Madre Igreja, que nasceu do Lado trespassado de Jesus e peregrina no tempo, na realidade é Eterna. Mesmo o Santo Sacrifício da Missa, que é celebrado e adorado neste pobre mundo, na Eternidade não será celebrado – SERÁ CONTEMPLADO NA FORMA DA ESSÊNCIA DIVINA.  

Nenhuma acção sobrenaturalmente boa, mesmo materialmente exígua e completamente oculta, ficará esquecida na Eternidade, porque o que confere dimensão moral ao agir é a Caridade, o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus. Neste quadro conceptual, as mais pequenas vicissitudes da História da Igreja, desde que ilustradas pelas Virtudes Teologais e Morais e pelos Dons do Espírito Santo – POSSUIRÃO UMA CORRESPONDÊNCIA E UMA RECOMPENSA ETERNA. Porque mesmo as nossas boas acções, neste mundo, são uma pequeníssima gota de água face ao imenso oceano da Verdade e do Bem que nos espera na Eternidade. Renovamos o que temos referido tantas vezes: A Eternidade não é um tempo sem fim; É A SUPERAÇÃO ABSOLUTA DA CONDIÇÃO TEMPORAL, PORQUE ESTA É SUCESSÃO, NUMERAÇÃO, DISPERSÃO, AO PASSO QUE A ETERNIDADE É A POSSE TOTAL DO SER E DO TEMPO, É A PERFEITA IMUTABILIDADE, É UM PRESENTE PERPÉTUO, MESMO PARA A CRIATURA GLORIFICADA.

Mas a imutabilidade não é atributo próprio de Deus?

A Imutabilidade Metafísica, sim; mas a imutabilidade dos eleitos do Reino dos Céus é uma IMUTABILIDADE ONTOLÓGICA, ESCATOLÓGICA.

E no Inferno? No Inferno, essa imutabilidade tem de ser concebida totalmente em negativo, o que só intensifica, de forma incalculável, impensável, a dor e o sofrimento.

No purgatório, embora pertença já à Eternidade, existe uma comensurabilidade extrínseca com o tempo do mundo, a qual também se verifica para os eleitos do Céu, até ao fim do mundo.

A Igreja militante, que vive neste mundo, não tem jurisdição alguma sobre a Igreja padecente e a Igreja triunfante, apenas pode influir na primeira como sufrágio, e na segunda como tributo de honra prestado aos Santos, e que redunda, em última análise, na Glória proclamada ao Autor de toda a Santidade.

Todavia, a Cátedra de São Pedro e Nosso Senhor Jesus Cristo, CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA DA IGREJA MILITANTE.  

É certo que Nosso Senhor Jesus Cristo, quando andava pelo mundo, como Homem mortal, era simultaneamente viador e compreensor, vivia no tempo, mas a parte superior da Sua Alma Santíssima estava na Eternidade e contemplava beatìficamente a Deus.

Coloca-se a seguinte questão: O Sacrifício oferecido por Nosso Senhor na Cruz, era evidentemente uma oblação a Deus; mas então também era dirigida a Si mesmo, Jesus Cristo, que era Deus?  Sem dúvida que sim, e não existe qualquer contradição; assim como Nosso Senhor Se retirava frequentemente para orar a Deus, assim igualmente Lhe oferecia o Sacrifício Redentor. Tal sucede porque Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo verdadeiro Deus, também era verdadeiro Homem; e embora a Sua Pessoa fosse Divina, era uma Pessoa Divina revestida hipòstaticamente de uma verdadeira Natureza Humana, uma Inteligência humana, uma Vontade humana, uma sensiblidade humana, uma temporalidade humana, uma Jurisdição humana, ainda que submetida hipostàticamente à única Pessoa Divina.

Podemos e devemos afirmar que Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra e ao tempo para, soberanamente, nos libertar desses mesmos elementos. Neste quadro conceptual, o milenarismo é hediondo, POIS COLOCA NA TERRA E NO TEMPO AQUILO QUE, EM ABSOLUTO, PERTENCE AO CÉU E À ETERNIDADE. E se houve Padres que, como Santo Ireneu, professaram realmente o milenarismo, sem com isso soçobrarem na heresia, é porque nessa recuada época o Sagrado Património, objectivamente revelado, ainda se encontrava numa fase remota de explicitação. Professar hoje o milenarismo é pretender repristinar arqueologìsticamente a Santa Doutrina, ignorando o desenvolvimento homogéneo, mas de extraordinária riqueza, de dezanove séculos e meio de História da Igreja.

Mas a Doutrina Católica evoluiu ou não, ao longo dos séculos?

Evidentemente que não; sustentar o contrário é modernismo. O Património objectivamente revelado, até à morte do Apóstolo São João, por volta do ano 100, É ABSOLUTAMENTE IMUTÁVEL. Mas a compreensão que a Santa Madre Igreja dele possui pode e deve aprofundar-se, enriquecer-se, embora sempre no mesmo sentido e na mesma espécie cognitiva Sobrenatural; PORQUE TAL É QUERIDO PELA PRÓPRIA PROVIDÊNCIA DIVINA, NA EXACTA MEDIDA EM QUE TAL É METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE COMENSURÁVEL COM A NATUREZA TEMPORAL E HISTÓRICA DA MESMA SANTA MADRE IGREJA, NA SUA FASE MILITANTE, E COM A CONDIÇÃO DO HOMEM HISTÓRICO CUJA OPERAÇÃO FACTÍVEL E AGÍVEL PODE E DEVE DESENVOLVER-SE NO ESPAÇO E NO TEMPO DESTE NOSSO MUNDO CORRUPTÍVEL.

O tempo, na sua dispersão, existe para que o sublimemos na e pela nossa santificação, em ordem a que, com o auxílio de Deus, mesmo continuando no mesmo tempo – O UNIFIQUEMOS, O SIMPLIFIQUEMOS, O RECTIFIQUEMOS SOBRENATURALMENTE. Toda a actividade da Santa Madre Igreja peregrina segundo esse objectivo, quando exerce a função Magisterial, quando celebra o Santo Sacrifício da Missa, quando administra os Sacramentos – PREPARA-NOS A ETERNIDADE, PROCEDENDO POR UMA VERDADEIRA INCOACÇÃO, UMA REAL PARTICIPAÇÃO, QUE SÒMENTE A GRAÇA E AS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS PODEM CONFERIR.

A Santa Madre Igreja constitui assim, no tempo, O ÚNICO E SOBERANO LUME, A ÚNICA IRRADIÇÃO, DA ETERNIDADE.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 27 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

     

SÓ NO AMOR DOS SAGRADOS CORAÇÕES O MUNDO TERÁ PAZ

Arai Daniele

O Papa São Pio X, na Carta Apostólica “Notre Charge Apostolique”, (25 de Agosto de 1910) ensinava: «Não existe verdadeira fraternidade fora da caridade cristã, que por amor de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador, abrange todos os homens, para os consolar a todos, e para os conduzir a todos, à mesma fé, e à mesma felicidade eterna do Céu.»
«Separando a fraternidade da Caridade Cristã, assim entendida, a democracia, longe de ser um progresso, constituiria um desastroso recuo para a civilização.

«A mesma doutrina católica nos ensina também que a fonte do amor ao próximo se acha no amor a Deus, Pai comum e fim comum, de toda a família humana, no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual somos membros, e a tal ponto, que consolar um infeliz é fazer bem ao próprio Jesus Cristo. qualquer outro amor é ilusão e sentimento estéril e passageiro.»

Por tudo isto, não se pode prescindir do zelo pela restauração intelectual e moral deste Amor sobrenatural para manter um verdadeiro bem e um mínimo de ordem, mesmo material.

E aqui é bom lembrarmos os desígnios divinos em dois momentos históricos que condicionam o atual: o da vigília da Revolução Francesa, e o das convulsões revolucionárias do início do século XX.

O primeiro caso refere-se aos fins do reinado de Luís XIV, entre 1680 e 1715. Então o escritor Paul Hazard situou o fluxo sintomático de mais ou menos todas as atitudes mentais cujo conjunto conduziria à revolução… “a crise da consciência européia”.

Após a morte do rei, o movimento subversivo desenvolveu-se com grande virulência e não há historiador objetivo que negue a ação das sociedades secretas, que então surgiram por toda parte, no ódio e assalto contra a Ordem cristã.

Nesta época, havia sido pedida por Jesus a consagração desse Reino ao Seu Sagrado Coração. É importante notar como o culto ao Coração de Jesus, nobilíssima parte de Seu divino corpo e símbolo de seu Amor infinito, era dado justamente para enfrentar a revolução do ódio racionalista, camuflado nas palavras liberdade, igualdade e FRATERNIDADE.

Porém esse pedido de devoção ao Amor do Sagrado Coração não foi atendido então, e sabemos o resultado catastrófico disto para a ordem e paz das sociedades.

As aparições de Nossa Senhora nos últimos dois séculos

No segundo caso, o desígnio divino era de suscitar o amor dos homens à imagem do Imaculado Amor maternal de Maria.

Foi assim que no tempo em que tal revolução cortava cabeças na França, na Itália, que seria invadida pelas tropas revolucionária de Napoleão, muitas imagens de Nossa Senhora começaram a mover milagrosamente os olhos para dar força ao povo católico. O fato histórico é realmente pouco conhecido, apesar de sua grande importância religiosa. É narrado no livro de Rino Cammilleri e Vittorio Messori (Gli occhi di Maria, Rizzoli, Milano 2001, 319 pp.). Trata dos milagres, às dezenas – ocorridos na Itália Central, de Ancona a Perugia, de Rimini a Recanati, de Jesi a Civitavecchia e em Roma, de 1796 al 1797 com imagens de Nossa Senhora, cujos olhos animaram-se, segundo a reconstrução de diversos processos canônicos, para certificar a autenticidade de 26 casos com testemunhos colhidos de todas as categorias sociais: “dos párocos às marquesas, do comandante da Guarda Civil ao Padre capuchinho, do porteiro ao arquiteto e assim por diante, numa amostra de história italiana dos tristes anos da ocupação napoleônica, e de suas perseguições sociais e religiosas, com furtos e rapinas do patrimônio artístico, transferidos para Paris.

Mas aqui não se trata de grandes e famosos quadros da Virgem Maria, mas de imagens populares, algumas nas esquinas de bairros populares de Roma e no resto da Itália, em contraste com a ostentada prosopopéia iluminista e revolucionária injetada por Napoleão.

O contraste com esse Imperador iniciou em Roma, no dia após a solenidade de reconhecimento dos restos mortais do francês José Benedito Labre que, mendigo em Roma, mas santo diante de Deus.

No verão de 1796 o Bonaparte entrava na Península para semear terror e morte. Ao mesmo tempo, A Virgem Maria intervinha para consolar e reforçar Seu povo na Fé. E quando esse imperador soube e encarou uma Sua imagem em Ancona, titubeou e não teve força para mandar destruir a imagem que o desarmou com o seu olhar animado.* Alguém escreveu que, exilado na ilha Santa Helena, tal lembrança ajudou a converter-se!

Do mesmo modo que na Itália, anos depois – em Paris, em 1830 – Maria Imaculada na noite de 18 para 19 de julho de 1830, onze dias antes do golpe de estado que levaria ao poder Luís Felipe Égalité, filho do regicida Orléans, confiou Sua Medalha milagrosa à jovem religiosa Catarina Labouré do Convento da Rua Du Bac, em Paris.

Era a vigília do golpe de estado de 30 de julho de 1830 e Nossa Senhora apareceu em Paris, na capela da “rue du Bac” das Filhas da Caridade, à humilde noviça, que depois se tornou santa. Esta ouviu a Virgem Maria, que com os olhos cheios de lágrimas, profetizava as grandes desgraças que estavam para abater-se sobre a humanidade.

Em 27 de novembro, a Virgem Imaculada confiou a Catarina a missão de propagar a “Medalha Milagrosa” para sustentar os fiéis e a Igreja com a invocação: — Oh Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a Vós. Esse «rei burguês» trouxe o retorno da idéia da revolução com todas as suas insídias, mas que, com a aparência de uma salvaguarda monárquica, iria reforçar a perseguição ao Cristianismo. Começou por colocar o judaísmo no mesmo nível das confissões cristãs, reforçando o clima de liberalismo religioso e ointer-confessionalismo, hoje de moda, assim, reconciliando na França a Revolução com o Trono. Em 1832 a França orleanista chegou a apoderar-se de Ancona para abater o Papa.

Seguiram as aparições marianas, em 1846 a La Salette, antes da grande convulsão marxista de 48. Seguiram em 1858 em Lurdes. Em 1871 em Pontmain, depois da derrota francesa de Sédan do ano antes, da ocupação prussiana e da Comuna de Paris.

Finalmente, em 1917 a Fátima, pouco antes da Revolução bolchévica, causadora de centenas de milhões de mortos pelo mundo afora. Ainda em 1933 a Beauraing e a Banneux, quando subia ao poder Hitler na Alemanha.

Não se diga, pois, que diante de tantos perigos e ameaças, mesmo sociais, Deus não deu algum sinal à Sua Igreja. Esta é a questão que, embora seja extremamente importante, é questão incrivelmente esquecida. Sua resposta a esta questão capital nos deve orientar sobre a luminosa seqüência de aparições marianas que vieram prevenir sobre os grandes perigos revolucionários modernos, que de 1830 até hoje se sucedem numa escalada vertiginosa.

A consideração fundamental é esta: a intervenção sobrenatural precede uma ameaça política à vida religiosa, mas a verdadeira ameaça, invisível, está no interior da Igreja, é relativa à defesa da fé, da doutrina, do culto, do clero, da hierarquia e do pontificado. Nossa Senhora veio à “rue du Bac”, como a La Salette e Fátima, avisar sobre erros políticos, mas para a defesa da Roma católica.

A mensagem de ajuda é antes de tudo para que o Pontífice Romano tenha um novo apoio inestimável para preservar a Fé íntegra e pura no amor sobrenatural suscitado por Deus à imagem do amor de Maria Imaculada que em Lourdes, em 1858, disse “Eu sou a Imaculada Conceição”, confirmando assim a plena oportunidade do dogma proclamado pelo papa Pio IX em 1854, para saber que eram de apoio ao Papa.

O papa Bento XV escreveu: “Desde os três primeiros séculos, durante os quais a terra ficou empapada com o sangue dos cristãos, pode-se dizer que nunca a Igreja atravessou uma crise tão grave como aquela em que entrou no fim do século XVIII.” E também: “É sob os efeitos da louca filosofia resultante da heresia dos Inovadores e da sua traição que os espíritos saíram em massa dos caminhos da razão e que explodiu a Revolução, cuja extensão foi tal que abalou as bases cristãs da sociedade, não só em França, mas paulatinamente em todas as nações.” (A.A.S. 7/3/1917). De fato, só a revolução, que estava para realizar-se nesse pontificado, ultrapassaria todo esse ódio.

Se é importante notar como o culto ao Coração de Jesus simboliza culto ao seu Amor infinito dado para enfrentar a revolução do ódio oculto atrás da palavra fraternidade, tanto mais hoje que o ódio manifesta-se de todos os modos contra o Cristianismo.

Para enfrentar tanto ódio destrutivo Jesus quer ver associado ao Amor sobrenatural ao seu Sagrado Coração o Amor Imaculado do Coração de sua Mãe. Há então que lembrar que nas aparições de Fátima, Jesus diz como quer suscitá-lo.

A vidente Lúcia confirmará esse desígnio com a explicação dada por Nosso Senhor sobre a razão pela qual não operaria a conversão da Rússia sem que o papa fizesse a consagração pedida: “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o Seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu Divino Coração, a devoção deste Coração Imaculado.” (DOC. p. 415).

Só nesse Amor o mundo encontrará paz. Por isto, nesta data de Fátima e num momento histórico que pelas sua impiedades – que procedem de tantos em posição de «autoridades» – parecem invocar um grande castigo do Céu, também na ordem material, queremos lembrar o recurso oferecido por Deus.

Assim, em seguida, republicamos o essencial do que temos lembrado tantas vezes: A questão lamentavelmente suspensa da Mediação de Maria Santíssima

Sabemos que o Papa é o alvo final da revolução extrema que pretende “liquidar” o Cristianismo e a autoridade que representa Deus na Terra, a dar frutos da apostasia. E sabemos que o Segredo de Fátima trata justamente da «liquidação» do Papa católico nestes tempos, com a promessa de ajuda mediada por Nossa Senhora.

Por esta razão, nestes últimos tempos em que a Mãe de Deus apareceu na terra nos momentos mais críticos para a sobrevivência da Cristandade, esta «Mediação» deveria justamente ter merecido a maior atenção da Igreja, de modo a ser melhor reconhecida e recebida por todos os fiéis. Mas assim não é porque ainda hoje há grandes dúvidas sobre o valor dessa intervenção mariana, como se pode verificar de diversos escritos dos quais pode-se citar o do Bispo Graber de Ratisbona e o do eminente Bispo Antônio de Castro Mayer, que segue.

  • «Pio XII foi chamado papa de Fátima porque foi sagrado bispo precisamente no dia 13 de maio de 1917, data em que a Virgem Santíssima visitou seus filhos da Terra, aparecendo a três pastorzinhos em Fátima, Portugal, e consignando-lhes salutar mensagem de paz. O título atribuído a Pio XII está a indicar que Fátima e sua mensagem não são um fato particular, que visaria apenas os três videntes da Cova da Iria. Fátima alcança todos os homens. Pertence à história da Igreja. É elemento que interessa à salvação de todos os homens. Não é uma revelação pública. A revelação pública, com efeito, impõe o ato de fé, sob pena de pecado grave; e terminou com a morte do último apóstolo. No entanto, com o encerramento da revelação pública, não ficaram os fiéis privados da graça de revelações que os auxiliassem a viver sempre mais fielmente como cristãos e a melhor cuidarem de sua salvação eterna. Tais revelações são ditas privadas, embora sujeitas ao controle da Santa Igreja. «Entre elas há muitas que interessam, de modo geral, a toda a Igreja, a todos os fiéis. Exemplo palpitante são as revelações de Jesus Cristo a Santa Margarida Maria Alacoque, às quais está vinculada a difusão, altamente santificante, da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Revelações como esta a Santa Margarida Maria não são públicas no sentido clássico. Mas também não podem ser chamadas meramente privadas, como se colimassem o bem tão-só da pessoa, ou das pessoas que a receberam. Elas têm caráter universal, como atesta o exemplo citado das revelações a Santa Margarida Maria. Entre estas estão, sem dúvida, as aparições e mensagem de Fátima. Poderíamos, mesmo, dizer que a mensagem de Fátima é a revelação ou profecia universal da nossa época, para indicar a amplitude de seu alcance. Marginalizando Fátima, afasta-se o fator da paz legado aos filhos pela Medianeira de todas as graças. Eis que, sobre ela, há toda uma literatura e não poucos documentos papais. Não é só. Pois, à medida que correm os anos e se agravam no mundo as desordens de toda espécie, o silêncio, que acoberta a revelação do Terceiro Segredo confiado aos três videntes de Fátima, e que, de si, já deveria ter sido rompido, sublinha sempre mais o alcance e valor inestimável dessa graça que, com as aparições e mensagem de Fátima, a misericórdia de Deus concedeu à Igreja e aos homens. (Da Apresentação do livro «Entre Fátima e o Abismo». A. Daniele, TAQ , SP, 1988)

Também o conhecido mariólogo Pe. Gabriele Roschini coloca essa questão de fé nos seguintes termos: “É discutido se na mediação de Maria, além da causalidade moral (de intercessão), deva-se admitir também a causalidade física instrumental” [de intervenção?] («Dizionario di Mariologia», Studium, “Studium, Roma, 1961, p. 349; Enc. Cat. ed. 1959, volume XIII, p. 576). Portanto, não é sem base dizer que a questão da Mediação universal de Maria» é conexa à Mensagem de Fátima, que por sua vez se ocupa de lembrar aos homens o que é de fé para o bem e também para a paz na terra.

Foi assim que, às vésperas da Revolução Bolchevique, Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos de Fátima o “segredo” que alertava sobre “ao erros espalhados pela Rússia” e os enormes perigos para os homens, se eles não voltassem ao caminho certo. Após a desastrosa 1ª Guerra Mundial, viria “outra guerra pior.”

Se mesmo depois disso o mundo não reavaliasse seus erros, viria um terceiro flagelo, mais devastador das guerras, e tão sorrateiro ao ponto de permanecer secreto e, portanto, incompreensível durante um longo tempo para os que esqueceram a visão católica que nada pode ser mais mortal para a humanidade do que a «supressão» do Pastor da Igreja de Deus, resultante então na apostasia universal. E esta geração vive tudo o que foi profetizado em Fátima.
A este ponto, pode-se negar a intervenção divina na vida da humanidade? Na Revelação isto aconteceu através da participação de Maria, que levou pais e santos da Igreja a prever a sua continuação nos últimos tempos.

Estamos de volta à questão central do Segredo referida a uma perseguição sem precedentes na sequência do “grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”. Foi profetizada assim a “supressão” do “Pastor”, o equivalente à retirada do poder divino por um tempo? Hoje o sabemos porque uma vez “tirado do meio” o poder que fez de obstáculo aos erros do mundo, este estaria enredado num desastre político pior do que as grandes guerras. Tudo iniciou com a eleição maçônica de Roncalli, João 23, o modernista, censor de Fátima e subversor da Tradição.

Na verdade, a perseguição da ordem natural e divina na terra, o mundo, em nome da liberdade, dissipa o amor ao bem e à verdade que detém o mal e a falsidade em toda sociedade humana: o mundo privado da Autoridade da lei divina é enredado em erros e crimes.

O mistério do «terceiro segredo» torna-se claro apenas à luz desta “liquidação” da suprema Autoridade católica que é o obstáculo ao mal e à grande apostasia insuflada pelos mandados do Anticristo.

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