Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A RELAÇÃO TRANSCENDENTAL ENTRE O CORPO E A ALMA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em passagens da sua encíclica “Communium Rerum”, promulgada em 21 de Abril de 1909:

«Entre essas desventuras públicas, devemos gritar mais alto e intimamente as grandes verdades da Fé, não apenas aos povos, aos humildes, aos aflitos, mas também aos poderosos, aos que vivem bem, aos árbitros e conselheiros das Nações; INTIMAR A TODOS AS GRANDES VERDADES, que a História confirma nas suas terríveis lições sangrentas; como esta de que “O PECADO É A VERGONHA DOS POVOS” (Pr 14,34). “Os poderosos serão provados com rigor”  (Sab 6,7), daí a advertência do Sl 2:”E agora reis, sede prudentes; deixai-vos corrigir, juízes da Terra. Servi a Deus com temor, beijai Seus pés com tremor, para que Se não irrite e pereçais no caminho”. E de tais ameaças, é de esperar mais amargas as consequências, quando as culpas sociais se multiplicam, QUANDO O PECADO DOS GRANDES E DO POVO ESTÁ, ANTES DE TUDO, NA EXCLUSÃO DE DEUS E NA REBELIÃO À IGREJA DE CRISTO – DÚPLICE APOSTASIA SOCIAL, QUE É FONTE LASTIMÁVEL DE ANARQUIA, DE CORRUPÇÃO, DE MISÉRIA SEM FIM, POR PARTE DOS INDIVÍDUOS E DA SOCIEDADE.

Que de tais culpas nós podemos nos tornar partícipes, com o silêncio e com a indolência, coisa não rara até entre os bons, cada um dos sagrados pastores considere dito a si para a defesa da sua grei, e aos outros inculque oportunamente o que Santo Anselmo escrevia ao poderoso Príncipe da Flandres: “Peço, esconjuro, admoesto, aconselho, como vosso fiel, meu senhor,  e como em Deus verdadeiramente amado, que não acrediteis nunca que diminua a dignidade de Vossa Alteza, se amais e defendeis a liberdade da Esposa de Deus e vossa Mãe, a Santa Igreja, nem pensai humilhar-vos  se a exaltais, nem acrediteis enfraquecer-vos se a fortificais. Vede, olhai ao redor; os exemplos estão ao alcance da mão, considerai os Princípes que a impugnam e a espezinham, de que lhes serve e aonde chegam? Isso fica bastante claro, não há necessidade de o dizer.”

Cabe a vós, portanto, veneráveis irmãos, que a Divina Providência constituiu Pastores e guias do povo Cristão, resistir bravamente contra essa funesta tendência da moderna sociedade de adormecer numa vergonhosa inércia, entre a perversidade da guerra contra a religião, procurando vil neutralidade, feita de débeis recursos e compromissos, em desfavor do justo e do honesto, esquecendo do que foi dito claramente por Jesus: “Quem não está co’Migo está contra Mim” (Mt 12,30). Não que os ministros de Cristo não devam ser pródigos em Caridade paterna, pois a eles se referem sobretudo as palavras do Apóstolo: “Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar alguém a todo o custo” (ICor 9,22); não que não convenha, ás vezes, ceder no próprio direito, embora lícito e requerido pelo bem das almas. De tal falta, a suspeita não recairá sobre vós, que sois estimulados pela Caridade de Cristo. Trata-se de atitude condescendente, feita sem o mínimo prejuízo do dever, não tocando os princípios imutáveis e eternos da Verdade e Justiça.»  

 

O nosso Catecismo, por muito bom que seja, e estou pensando, por exemplo, no Catecismo Católico Popular de Francisco Spirago, não faculta, nem pode facultar, certas noções intelectualmente muito mais profundas, mas que são muito úteis, porque, embora filosóficas, constituem, em si mesmas, uma barreira extremamente sólida à penetração da heresia, mesmo para as almas já favorecidas com os Bens Sobrenaturais; pois é certo que a Fé Teologal, muito especialmente quando formada pela Caridade perfeita e pela Graça Santificante, ministra a cultos e a incultos, POR VIA SOBRENATURAL, certas noções muito necessárias àquela relativa inteligência dos Mistérios proporcionada a pobres criaturas. Evidentemente que as referidas noções, ministradas por via Sobrenatural, são incomensuráveis com os conceitos pròpriamente filosóficos, pois superam-nos infinitamente, mas de modo algum os tornam inúteis, tanto mais que são muito poucas as pessoas enriquecidas com a Caridade perfeita e a Graça Santificante. Em séculos passados, alguns santos, pregando ao povo, solicitavam a Deus que lhes fizesse saber o número de assistentes em estado de Graça – ora a média era de, aproximadamente, 1 em 1000. Consequentemente, a profissão da sã filosofia, facilita, EXTRÌNSECAMENTE, o acesso aos Bens Sobrenaturais, pois só Deus é o Autor de toda a Graça.

Quando se diz que, com a morte, a alma se separa do corpo, trata-se de uma separação ontológica, pois subsiste a ESSENCIAL RELAÇÃO TRANSCENDENTAL. Para compreender isto, devemos pensar que quando Deus Nosso Senhor cria as almas, tal significa que a alma é concriada com o material genético fornecido com os pais, e é esse mesmo material genético, que recriado, INDIVIDUALIZA A ALMA, PORQUE ESTA CONSUBSTANCIA A UNIDADE ESPECÍFICA, ENQUANTO A MATÉRIA ACTUALIZA E DETERMINA, INDIVIDUALMENTE, ESSA UNIDADE. Tal acontece também nos animais e plantas COM A ABSOLUTA DIFERENÇA DESTES NÃO POSSUÍREM ALMA ESPIRITUAL.

Nos Anjos, cada um constitui uma espécie, que concentra num só ente toda a riqueza e perfeição ontológica que, nos seres materiais, é repartida por uma multidão de indivíduos. A forma encerra a qualidade, a inteligibilidade, a perfeição; a matéria encerra a extensão, a quantidade, o espaço, o tempo, a história.   

Neste quadro conceptual, assimila-se com muito mais proficiência o significado da expressão “relação transcendental”. Aqui reside a razão mais profunda da impossibilidade metafísica da reencarnação. Efectivamente, NEM DEUS PODE FAZER COM QUE UMA ALMA RESSUSCITE COM UM CORPO ORGÂNICAMENTE DISTINTO DAQUELE QUE TRANSCENDENTALMENTE LHE PERTENCE. PORQUE DEUS É OMNIPOTENTE, MAS NO ÂMBITO DO SER, LOGO SÓ PARA AQUILO QUE PODE SER REALIZADO. AQUILO QUE VIOLA A NECESSIDADE DO SER, A NECESSIDADE METAFÍSICA – É UM NADA! A ESSÊNCIA DE DEUS É CONSTITUTIVA DAS NECESSIDADES METAFÍSICAS, E O COROLÁRIO É QUE NEM DEUS PODE AGIR CONTRA ELAS, POIS AGIRIA CONTRA A SUA PRÓPRIA ESSÊNCIA. Deus só pode conferir realidade fora de Si às essências metafísicas das coisas, MAS ENTÃO TEM QUE RESPEITAR ESSAS ESSÊNCIAS TAIS QUAIS SÃO.

A reencarnação é assim UMA ABERRAÇÃO FILOSÓFICA E TEOLÓGICA. Mas também o milenarismo é atingido por semelhante impossibilidade, porque Deus Nosso Senhor, como Criador, não pode reactivar o processo vital da alma com o composto orgânico que transcendentalmente lhe corresponde, PARA FAZER ESSAS ALMAS VOLTAR À TERRA CORRUPTÍVEL E TEMPORAL. Só o Criador pode operar a Ressurreição, qualquer que ela seja, e não a pode realizar, escatològicamente, como Novíssimo do homem, para o recolocar de novo na Terra corruptível. SERIA UMA CONTRADIÇÃO.

As almas separadas do corpo, não são pessoas, porque carecem, ainda que provisòriamente, de um elemento fundamental da definição da espécie humana. Por isso, a Ressurreição final nelas consolidará, extensivamente, quantitativamente, a sua Glória Eterna. Não lhes aumentará, formalmente, a Glória, mas a restauração da unidade corpo-alma desenvolverá extrìnsecamente essa Glória.

As almas separadas, na Ordem Natural, possuem um conhecimento mútuo perfeitíssimo, o qual supera essencialmente os meios que na Terra utilizamos para nos conhecermos uns aos outros. Se nos recordarmos que a alma, como elemento específico, é determinada e individualizada pela matéria, não teremos dificuldade em compreender isto.

A alma constitui a forma substancial do composto humano enquanto tal. Só possuímos uma forma substancial, que é formalmente racional, e virtualmente sensível, vegetativa, inorgânica e primordial.

O que define a identidade do nosso corpo, não são os átomos e as moléculas individualmente consideradas, mas sim a UNIDADE ORGÂNICA DO COMPOSTO CORPO-ALMA. E essa unidade orgânica fica como impressa na alma, conferindo a já citada relação transcendental.

No composto corpo-alma a união ontológica processa-se na natureza; nesta perspectiva, a intelectualidade difunde-se, no limite, até ao mais profundo da sensibilidade, e esta ascende, no limite, até ao mais elevado da intelectualidade.  Consequentemente, até os nossos pensamentos mais espiritualizados, mais universais, mais necessários, possuem, nem que seja, uma sombra remota de sensibilidade.

A dualidade corpo-alma numa só forma substancial, coloca o homem nos confins de ambos os mundos: O material e o espiritual.

Santo Agostinho, bem como toda a escola de raiz platónica, considera a alma separada como Pessoa, ao contrário da escola Tomista, a qual é absolutamente preferível. Os Agostinianos, tal como o seu Mestre, tendem a considerar o corpo como um peso positivo para a alma, um obstáculo para o conhecimento e para a meditação e a contemplação. Muito pelo contrário, os Tomistas pensam que a alma separada permanece, de alguma maneira, como amputada, completamente incapaz do conhecimento sensitivo do singular, embora possa aceder a este por via intelectual, como os Anjos. Só que estes, por constituição ontológica, não têm acesso sensível ao singular, ao passo que os homens devem possuí-lo. Na Ordem Natural, só Deus pode socorrer a alma separada infundindo-lhe espécies inteligíveis.  Por exemplo, as pobres almas do purgatório, na posse da Graça Santificante e dos Dons do Espírito Santo, mas não gozando da visão beatífica, nem de estímulos sensoriais terrenos, encontram-se numa situação penosa, sem o seu corpo; Deus Nosso Senhor pode, contudo, socorrê-las mediante a já citada infusão de espécies intelectivas adequadas ao seu estado, quer dizer, suprindo, de algum modo, a falta de sentidos corporais.

A Doutrina, em si mesma filosófica e Tomista, da relação transcendental entre o corpo e a alma, explica os grandes enigmas da vida e da morte. Afasta TODO E QUALQUER EVOLUCIONISMO, MESMO MODERADO, POIS QUE ANATEMATIZA A TESE QUE SUSTENTA QUE O CORPO DE ADÃO E EVA HAJA EVOLUÍDO A PARTIR DE OUTROS SERES VIVOS. A Sagrada Escritura é bem clara: ” Deus formou o homem do pó da terra, e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida”(Gn 2,7). Isto é: O Homem foi criado à parte dos outros seres e a partir da matéria bruta. Pena foi que Pio XII, na encíclica “Humani Generis” tivesse perdido uma riquíssima oportunidade de definir formalmente o que, de resto, se encontra com absoluta nitidez nas Escrituras. Foi com certeza o dito Cardeal Bea, maçon infiltrado, o responsável directo por esta falha de um Pio XII, já sem saúde e muito debilitado.

Nunca olvidemos que sem Santo Tomás, bem como sem os legítimos e homogéneos desenvolvimentos doutrinais operados ao longo dos séculos por filósofos e teológos Tomistas, o combate anti-modernista permanecerá sempre, irremediàvelmente, diminuído.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 17 de Agosto de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

«A FIGURA DESTE MUNDO»: OBRA IMPORTANTE RELEGADA À SOMBRA

Arai Daniele

Quando nos anos Sessenta, o mundo católico percebeu com grande espanto que forças preternaturais agiam no interior da Igreja para mutá-La, capitaneadas por elementos clericais estranhos guindados à Sede Suprema, uma reação literária começou. Foram desde então publicados em várias línguas livros com estudos sobre a Liturgia da Santa Missa e tudo mais. Deviam servir de alarme para prevenir e suscitar a reação católica à delapidação de tesouros religiosos de valor inestimável, mas o juízo final ficava justamente dependendo dos intrusos ocupantes, que detinham a Cátedra, ironicamente, de primeiros defensores da Fé.

Só podia ser tudo isso o resultado de um estremo castigo então, mas ainda hoje não se entende essa lição.

Para falar do livro em questão, «A Figura deste Mundo», que me foi dado pelo Autor, Dr. José benedito Pacheco Salles, gostaria de coloca-lo na sequência de outras obras dessa reação literária, inevitavelmente neutralizada, como veremos, pelas ditas «supremas autoridades». Mas antes de entrar na exposição de seu conteúdo, devo dizer que já neste sito, em 2012, tratamos por alto da matéria, sob o título «Figura deste mundo sedeplenista», para defende- lo de de um ataque desatinado do prof. Carlos Nougué. Este estudioso, frequentador do Convento da Santa Cruz e de seu padre espiritual, dom Tomás, recebera deste o encargo de atacar o «sedevacantismo», usando a obra de que dispunham, em termos filosóficos. Ela representaria o maior perigo para a Fé! ou seja a «tese sedevacantista»!

Mais tarde soube-se que o faziam para sustentar a própria tese – “da legitimidade de um papa herege” (havia e há para todos os gostos!). Vou pois retomar de passagem meu artigo sobre umas tiradas desse ataque projetado em «vestes tomistas!

«O trabalho SOBRE « A Tese Sedevacantista Derivada De A Figura Deste Mundo, De Pacheco Salles» pretende contestar o «sedevacantismo», iniciando com o erro de não definir esse termo. Isto é contrário a toda reta filosofia, em especial de São Tomás de Aquino, de quem o autor Carlos Nougué se diz professor. Para compensar esse erro, aliás, para prosseguir disfarçando-o, fala de três divisões fundamentais de «sedevacantismo» (!), das quais a sua primeira versão estaria no livro não publicado do Dr. J. B. Pacheco Salles. Isto já denota, da parte do Autor, a necessidade de um texto elaborado tomisticamente para retorquir a uma suposta «filosofia sedevacantista» à altura de seu filosofar!

«Ora, uma realidade, como seja a da ausência de um Papa católico na Sede da Verdade, deve ser enfrentada pelo que é e não por interpretações intelectuais dela. Se o menino diz que o rei está nu, basta olhar. Ninguém vai perguntar em base de que doutrina o disse. A crítica a uma doutrina, para ser razoável, deve referir-se a algo de definível, senão, por estruturadas que possam parecer essas análises, na verdade são como uma caça a fantasmas. Assim é nesse caso, porque nunca houve uma «doutrina» desse assim chamado «sedevacantismo» do Pacheco Salles ou de outros amigos. Desse jeito, como se verá, do primeiro erro de indefinição da «doutrina sedevacantista do Pacheco», certamente seguirão outros na série, até de outras espécies de antisedevacantismo de teor escolástico!»

Acrescento en passant, que depois o Nougué – do Papa herege -, vai também defender um magistério papal, mas herético! Como se vê tudo no fim se liga, fica só de fora a razão do ataque central à obra do Pacheco Salles, que iniciou com a caça sobre a questão dos sensus fidei e de uma profissão de fé externa certa. Por isto escrevi: « De um critério externo também certo, ou seja, sem nenhuma possibilidade de erro, só há o magistério infalível da Igreja. Mas ai se coloca a pergunta: o Magistério proclama uma verdade porque é certa, ou esta é certa porque proclamada pelo Magistério? O que vem antes? Mais, não depende a aceitação do Magistério de uma fé precedente?» Mas agora sabemos que, para ele, Nougué, o Magistério pode errar, assim como o papa pode ser herege! Uma nova igreja no brejo!

«Quanto a esse “sensus fidei do povo cristão”, este se limitaria a ser: «outra maneira de dizer “consensus fidelium in doctrinam fidei”, e refere-se ao fato de que a “universitas fidelium in credendo falli nequit”, ou seja, quando a universalidade ou totalidade “moral” dos fiéis católicos professa uma verdade como sendo de fé, não pode enganar-se».

Agora também sabemos que esse autor aplica isto ao «mundo católico atual», o mundo infetado pelo Vaticano 2! « Ora, se «isto, sim, “é critério infalível da divina Tradição (cf. a Tese XII do Cardeal Franzelin, em Tractatus de divina Traditione, edit. 3ª, Romae 1882) e verdade de fé católica” do P. Calderón, (ibid.), a este ponto, pergunta-se, quanto essa descrição de fé coletiva possa superar a verdade ensinada nas Escrituras da fé pela qual cada fiel pode e deve anatematizar quem traz outro evangelho, seja ele um anjo ou um apóstolo… (Gl 1, 8). Sim porque hoje aparecem «autoridades apostólicas» apoiadas na infinita papelada «magisterial» do Vaticano 2 sobre a nova consciência coletiva da igreja (deles).

A este ponto pode-se começar a notar como a única crítica pública à obra que vamos expor é inconsistente e errada, até no projeto que pretendia seguir.

«Quanto à opinião tratada no livro do Pacheco sobre a «obediência», não se vê como isto possa ser fundamental para a análise do Autor sobre o tal «sedevacantismo», da falta de um papa católico na Sé de Pedro; até o «sedevacantista» Homero Johas o criticou. O que deveria ser tratado é a questão da vacância da Autoridade que ensina a doutrina que procede da Revelação, substituída pela presença de outra «autoridade» que ensina algo que não procede da Revelação, mas alegando falsamente essa fonte, como faz no ponto 2 a «Dignitatis humanae» do Vaticano 2.

Se o Pacheco erra, tentando defender sua «fé interior», que dizer do Autor alegando como certo o que não pode defender, isto é que na Sé de Pedro há representação do ensino segundo «autoridade imediata de Deus», quando a realidade do «magistério dos papas conciliares» é a da perfídia contra a Fé, pela qual seria desnecessária a conversão até dos Judeus.

Aqui temos a definição de um sedeplenista: alguém plenamente embebido pela próprias vãs conclusões, que pretende ensinar, no caso do Carlos Nougué! Mas passemos ao sério.

Os livros de que queria falar podem ser resumidos, pela sua oportunidade, naqueles do Padre Joaquín Sáenz y Arriaga (12 de outubro de 1899 – 28 de abril de 1976), foi um teólogo católico mexicano . Jesuíta de 1916 a 1952, mais tarde foi um duro crítico das decisões do Vaticano 2 e dos papas conciliares. Em 1972, foi declarado excomungado pela conferência dos bispos do México, porque considerado o promotor de idéias sedevacantistas. Quando jovem, Sáenz Arriaga cresceu no espírito Cristero , Miguel Pro e outros mártires católicos que lutaram contra o governo maçônico e comunista do México na década de 1920, quando os católicos enfrentaram as esquadras com o grito ¡! Viva Cristo Rey! Sáenz y Arriaga deu sempre grande ênfase à doutrina católica da “Realeza de Cristo”, contra o secularismo e a separação da igreja e do estado. Quando as reformas do Vaticano 2 iniciaram a inverte-las e implementadas no México e na América do Norte , o Padre Sáenz y Arriaga liderou a luta contra essa deriva. Em seguida compreendeu e sustentou a necessidade de uma rejeição da nova Igreja Conciliar, e foi um dos primeiros a sustenta que, desde a morte do Papa Pio XII, a Sede Santa ficou sede vacante em Roma, com esses «papas» adotando ensinamentos heréticos. Suas idéias estão em seus livros «La nueva iglesia montiniana» (1971), e «Sede Vacante: Paulo VI já não é um Papa legítimo) (1973) . Nesses livros, afirmou que Montini havia perdido sua autoridade papal por heresia pública, pertinente e manifesta. Em reação a suas atividades, o cardeal mexicano Miranda declarou oficialmente que o Padre Sáenz y Arriaga incorrera em excomunhão.

Em seu último testamento, escrito três dias antes de sua morte, Sáenz y Arriaga escreveu: ” Minha vida e tudo o que é muito precioso para mim, sacrifiquei por Cristo, pela Igreja e pelo Papado” e acrescentou: “Que o Último grito da minha alma seja o dos nossos mártires mexicanos – Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe.” Após sua morte, o trabalho de Sáenz y Arriaga foi continuado pelos Pes. Adolfo Zamora e Moisés Carmona no México; Pelo Pe. Francis E. Fenton e seus associados no Movimento Católico Romano Ortodoxo, e Pe. Burton Fraser, SJ, nos Estados Unidos .

«Considerações sobre o “Ordo Missae” de Paulo VI» (1970)

O Estudo mimeografado com esse título tem por autor Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira e foi distribuído com o patrocínio de Dom Mayer (e da TFP) a todos os Bispos do Brasil. Depois foi traduzido em francês para ser publicado na França. No entanto ficou armazenado para ser distribuído só anos mais tarde, por razões que alhures relatarei. Lá foi distribuído e m 1975.

Aqui seguiremos algo do que o livro expõe do pensamento ainda “condicional” de Dom Mayer. Note-se que no trabalho original a hipótese do papa herege está na sua Iª parte. Na p. 37, 4. A questão central, lemos: “Haverá circunstâncias em que se possa e se deva dizer que Nosso Senhor estabeleceu que sustentaria, pelo menos por algum tempo a jurisdição de um papa eventualmente herege?”. No livro em francês poderia ser traduzido: “Existiriam circunstâncias nas quais se poderia e se deveria dizer que Nosso Senhor decidiu manter, pelo menos durante certo tempo, um papa herético em sua jurisdição?” (p. 276).

A Questão central é posta, portanto, no condicional de uma dúvida que o estudo deve enfrentar. Não há dúvida, porém, que diante de heresia em «documentos pontifícios e conciliares» (é o assunto do Xº Capítulo), os fiéis devem resistir (Cap. XIº). E aqui é citada a posição de Dom Mayer, citando a carta de aprovação do ilustre Bispo de Campos ao magnífico «Vade-mécum do Católico Fiel», que convida à oposição  à nova heresia que hoje invade todo o orbe. (p. 68; 320).

É sobre o modo de resistir, sem recorrer à Lei da Igreja que, com o Dr. Homero Johas relevamos lacunas no livro que acarretam uma posição «teórica» variável na «prática»: – segundo as «circunstâncias»; – durante «certo tempo»; – segundo grau de «notoriedade e divulgação pública» (280). Assim o livro justificaria uma posição subjetiva (moral de circunstância) diante de um delito objetivo real (heresia), mas considerando este dependente de um juízo sobre condições contingentes!

Minha intenção foi sempre testemunhar o modo como Dom Mayer empenhou-se em seguida para desfazer essas lacunas diante do delito contra o Culto divino exposto em seguida, mas que foi concretizado deliberadamente por Paulo 6. A posição final de Dom Mayer diante dos efeitos devastadores da mutação conciliar só foi conhecida no decorrer do tempo.

Chegamos, assim, ao livro «a Figura do mundo», do autor que conheceu todos estes enigmas. Aqui publicarei o início do Prefácio. Sua digitação tem sido difícil e onerosa, mas vale a pena saber que outro pensador brasileiro levantou-se, já então, assim como Gustavo Corção e bem poucos outros, para denunciar a maior traição religiosa de todos os tempos.

A FIGURA DO MUNDO,  INÍCIO DO PREFÁCIO

“Há dois modos fundamentais e exclusivos de conceituar a Deus, o Ser Supremo. Ou admitimos que Deus é absolutamente transcendente ao mundo e a qualquer criatura, o inteiramente Outro. Ou então admitimos que Deus e de algum modo imanente ao mundo, em grau menor ou maior, que em sua expressão máxima é o panteísmo, ou seja, a dissolução da divindade no universo, posição não muito diferente do ateísmo. Ao passo que a primeira conceituação é única e indivisível, a outra já se caracteriza por uma quase infinidade de matizes e aproximações que vão desde uma transcendência incompleta até o aniquilamento do panteísmo, passando pelo imanentismo das teorias neoplatónicas. Muitos rejeitam a transcendência absoluta pelo medo de caírem no agnosticismo que nega a possibilidade da demonstração da existência de Deus pela razão natural. É porque, sem o saber, caíram na concepção kantiana do conhecimento: só seria autêntico o conhecimento cujo conteúdo objetivo estivesse determinado; ou seja, em termos escolásticos, só seria válido o conceito em que alguma quididade nos fosse efetivamente dada, mais ou menos perfeitamente. Mas não seria autêntico o conhecimento cujo objeto fosse apenas indicado ou simplesmente cogitado mesmo como necessário, se faltar a efetiva notificação do quid est em si mesmo, pois não seria suficiente uma imperfeita aproximação conceptual para resolver a questão an est. Em outras palavras, somente o conhecimento chamado dianoético seria admissível. Por causa disto houve tomistas que afirmaram ser Deus simultaneamente transcendente e imanente ao mundo. E naquilo em que seria imanente se encontraria justamente a ponte em que o espírito humano teria livre-trânsito para chegar até Ele, afastando-se assim todo risco de agnosticismo ou fideísmo.”

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE AS ACÇÕES DE DUPLO EFEITO

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua alocução ao Congresso da União Católica Italiana das Parteiras – 29 de Outubro de 1951:

« No centro desta Doutrina, o Matrimónio aparece como instituição ao serviço da vida. Em estreita conexão com esse princípio, Nós, segundo os ensinamentos constantes da Santa Igreja, temos defendido uma tese que é um dos fundamentos essenciais, não só da moral conjugal, como também da moral social em geral, e segundo a qual o atentado directo à vida humana inocente como meio para atingir um fim – no caso presente para o fim de salvar outra vida – é ilícito.

A vida humana inocente, em qualquer condição em que se encontre, está, desde o primeiro instante da sua existência, subtraída a qualquer ataque voluntário e directo. Trata-se de um direito fundamental da pessoa humana, de um valor geral na concepção cristã da vida, o qual é válido, tanto para a vida ainda escondida no seio da mãe, como para a que já viu a luz, tanto contra o aborto directo, como contra a morte directa da criança, antes, durante, ou depois do parto. Por muito fundada que possa ser, para o Direito profano ou para o Eclesiástico, e para algumas consequências civis e penais, a distinção entre aqueles diversos modos do desabrochar da vida – nascida ou ainda por nascer – segundo a Lei Moral, trata-se em todos aqueles casos de um grave e ilícito atentado contra a inviolabilidade da vida humana.

Este princípio vale tanto para a vida da criança como para a vida da mãe. Nunca e em nenhum caso ensinou a Igreja que a vida da criança deve preferir-se à da mãe. É um erro colocar a questão na base desta disjuntiva: Ou a vida da criança, ou a da mãe. Não: NEM A VIDA DA CRIANÇA, NEM A DA MÃE, PODEM SER OBJECTO DE UM ACTO DE SUPRESSÃO DIRECTA.

Quanto a uma e a outra, só pode haver uma exigência: Fazer todo o esforço para salvar a vida de ambos – da mãe e do filho (Cfr. Pio XI: Encíclica “Casti Connubii” 31 Dezembro 1930.

É sem dúvida uma das mais belas e nobres aspirações da medicina procurar sempre novos caminhos para assegurar a vida de ambos. Mas, se não obstante todos os progressos da ciência, se dão, e continuarão a dar casos, em que deve contar-se com a morte da mãe, quando esta queira dar nascimento à vida que traz dentro de si, e não destruí-la violando o Mandamento da Lei de Deus “NÃO MATARÁS”- não resta ao homem, que até ao último momento se esforçará por ajudar e salvar, outra solução senão inclinar-se com respeito perante as Leis da Natureza, bem como das disposições da Divina Providência.

Objecta-se, porém, que a vida da mãe, especialmente de uma mãe de numerosa família, é sempre de um preço incomparàvelmente superior à vida de uma criança que ainda não nasceu. A aplicação da teoria da balança dos valores, no caso que agora nos ocupa, encontrou acolhimento nas discussões jurídicas. Mas a resposta a essa angustiosa objecção não é difícil: A inviolabilidade da vida de um inocente não depende do seu maior ou menor valor. Há já mais de dez anos, que a Santa Igreja condenou formalmente a exterminação da vida “considerada sem valor”; e quem conhece os tristes antecendentes que provocaram tal condenação, quem sabe ponderar as funestas consequências a que se chegaria se se quisesse MEDIR A INTANGIBILIDADE DA VIDA INOCENTE SEGUNDO O SEU VALOR – sabe bem apreciar os motivos que levaram a esta determinação.

Além disso, quem pode julgar com certeza qual das duas vidas é na realidade mais preciosa? Quem pode saber o caminho que percorrerá essa criança, e as grandes obras que poderá realizar? E a perfeição que poderá alcançar? COMPARAM-SE AQUI DUAS GRANDEZAS, E O SEGREDO DE AMBAS CONTINUA INTEIRAMENTE DESCONHECIDO. (…)

Temos usado sempre, propositadamente, a expressão “atentado directo contra a vida inocente”; porque, por exemplo, se a salvação da vida da futura mãe INDEPENDENTEMENTE DO SEU ESTADO DE GRAVIDEZ, requeresse uma intervenção cirúrgica urgente, ou outra aplicação terapêutica, que tivesse como CONSEQUÊNCIA SECUNDÁRIA a morte do feto; tal acto não poderá já chamar-se um atentado directo contra a vida inocente. Nestas condições, a operação pode ser lícita, como outras intervenções médicas semelhantes, sempre que se trate de um bem de alto valor como é a vida, e não seja possível adiar aqueles meios terapêuticos até ao nascimento da criança, ou recorrer a outro remédio eficaz.»

No texto precedente, que se integra no Magistério Autêntico do Romano Pontífice, é perfeitamente claro como este Magistério NÃO PODE SER HERÉTICO, NEM MESMO ERRADO NO PLANO FILOSÓFICO OU MORAL. Imagine-se, por exemplo, que Pio XII, após haver expendido esta sã Doutrina, proclamava o princípio da liberdade religiosa. Imediatamente, automàticamente, o precioso, o excelso, conteúdo Dogmático e Moral enunciado FICAVA RELATIVIZADO E CONSEQUENTEMENTE ANIQUILADO PELA FORMA LIBERAL. Efectivamente, se há liberdade religiosa, é porque tanto faz seguir os preceitos da Fé Católica como não seguir. Ora dado o carácter extremamente obrigatório, extraordinàriamente elevado, das Verdades e da Moral Católica, evidentemente, quem é que vai abraçar uma religião de excepcional exigência, se há liberdade religiosa? Foi esta a estratégia dos heresiarcas do Vaticano 2; é também esta a estratégia dos heresiarcas da neo-Fraternidade apóstata. Que ninguém se iluda.

As pessoas do mundo, mesmo os católicos nominais, encaram o aborto como o acto de extrair um dente; é algo banal, que se justifica por causas menores, como a comodidade de umas férias, ou o sexo não desejado do bébé. E a seita conciliar dá cobertura plena a tudo isto, com o seu liberalismo ateu, a sua apostasia, o seu profundo ódio à Fé Católica, com total irrisão do Sacramento da Penitência.

Quem escreve estas linhas, quando adolescente, ao ler o livro “As Indias Negras” de Júlio Verne, deparou-se com um episódio que nunca esqueceu: Uma certa personagem, com alguém sem sentidos sustentado pelo seu braço, estava sendo içado por uma corda que começava a desfibrar-se; essa personagem tinha duas opções – ou soltar a pessoa que transportava, a qual cairia no abismo, para com a mão agora livre agarrar a corda numa zona mais acima do local onde esta se desfazia, ou pura e simplesmente deixar-se cair no abismo junto com a pessoa que sustentava. Quer dizer, ou sacrificava positivamente uma pessoa no acto de se salvar, ou morria junto com essa pessoa.

Ontem, perto de Lisboa, ocorreu uma tragédia pelo menos parcialmente assimilável a uma situação limite de duplo efeito: Uma avioneta avariada aterrou na praia superlotada de banhistas, matando dois. Segundo os especialistas, a amaragem tinha grandes probabilidades de ser fatal para os pilotos.

O duplo efeito, um bom, o outro mau, sucede quando na mesma acção que provoca o efeito bom, causa-se igualmente o efeito mau. A LEI MORAL, SEMPRE ENSINADA PELA SANTA MADRE IGREJA, PROÍBE QUE PARA PRODUZIR, ESSENCIALMENTE, UM EFEITO BOM, SE PRODUZA, TAMBÉM ESSENCIALMENTE, POSITIVAMENTE, UM EFEITO MAU. A ACÇÃO, TODAVIA, SERÁ PERMITIDA E ATÉ OBRIGATÓRIA, QUANDO A CAUSALIDADE DO EFEITO MAU FOR APENAS SECUNDÁRIA E ACIDENTAL.

Consequentemente, segundo o exemplo do livro, a personagem não podia, de forma alguma, soltar a pessoa sem sentidos que sustentava com o braço, e assim salvar-se. No exemplo real da avioneta, o piloto tinha que tentar amarar, pois era quase certo que mataria alguém se aterrasse na praia, como de facto matou. No caso da gravidez mortal para a mãe, é proibido atentar directamente, essencialmente, positivamente, contra a vida do feto, nem que seja pela extracção do útero canceroso, ou da trompa de Falópio na gravidez ectópica. Pelo contrário, a gestante pode e deve continuar a tomar os remédios, que já tomava antes da gravidez, mesmo que tais remédios possuam o efeito SECUNDÁRIO E ACIDENTAL, de dissolver a mesma gravidez.

Esta Doutrina só pode ser compreendida por quem possua, não só a Fé Católica, mas igualmente a Graça Santificante e a Caridade. Porque só a participação Sobrenatural na Natureza Divina, na Inteligência Divina, na Santidade Divina, pode facultar a FORÇA SOBRENATURAL que é necessária para assimilar uma Doutrina QUE TRANSCENDE ABSOLUTAMENTE AS PERSPECTIVAS E AS PRIORIDADES HUMANAS E TERRENAS; UMA DOUTRINA QUE SIGNIFICA O COLAPSO DE TODAS AS ILUSÕES HUMANAS, DE TODOS OS PRECONCEITOS DESTE POBRE MUNDO, POIS QUE É UMA DOUTRINA CATÓLICA, LOGO CELESTE E ETERNA.

A doutora Joana Beretta Mola (1922-1962) que se imolou no Altar Sobrenatural do seu dever de mãe cristã – mesmo deixando neste mundo mais quatro filhos – recusando o aborto denominado terapêutico que lhe era proposto, e tendo consciência perfeita, como médica, da gravíssima situação clínica em que se encontrava. A doutora Joana, sacrificou-se, não por amor à vida em si mesma, como referiu sacrìlegamente a seita conciliar, MAS POR AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS. A doutora Joana amou, certamente, a vida; MAS AMOU-A SOBRENATURALMENTE EM DEUS, COM DEUS E POR DEUS.

O mundo, a seita conciliar, desconhecem absolutamente estas alturas, estas grandezas, estas maravilhas. Em particular o Estado laico, o Estado ateu, não alcança, nem pode alcançar, estes ascendentes Sobrenaturais, para os quais não encontra, nem pode encontrar, explicação.

Neste quadro conceptual, os juízes representantes do estado laico que vão apreciar este caso da avioneta NÃO TÊM MORAL PARA TAL. Se querem ser coerentes com aquilo que representam, só podem absolver. Que princípios invocarão para condenar? Como já referi, a decisão do piloto foi objectivamente imoral, porque o foi à Luz de PRINCÍPIOS ETERNOS E UNIVERSAIS.  Mas a esmagadora maioria dos cidadãos procederia de forma idêntica, a começar pelos Juízes. É nestes casos que o comum dos homens sente por vezes, embora sem fruto e quase inconscientemente, o apelo De UMA MORAL TRANSCENDENTE, QUE É A MORAL DOS SANTOS, E NO CÉU SÓ HÁ SANTOS. MAS PARA SAIR VITORIOSO DE UMA PROVAÇÃO DESTE TIPO, É NECESSÁRIO, COMO REFERI, A PREPARAÇÃO RELIGIOSA E SOBRENATURAL, ASCÉTICA E MÍSTICA, AO LONGO DE TODA UMA VIDA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 3 de Agosto de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral  

NACIONALISMO E PATRIOTISMO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Bento XV, num trecho da sua encíclica “Maximum Illud”, promulgada em 30 de Novembro de 1919:

«Uma vez que a Igreja de Deus é Universal, e portanto, em nada estrangeira junto a nenhum povo, assim é conveniente que em cada Nação haja sacerdotes capazes de conduzir, como mestres e guias, para a vida Eterna os próprios conterrâneos. A Santa Igreja, portanto, poderá considerar-se bem fundada, e a obra do missionário cumprida, onde existe quantidade suficiente de clero local, bem instruído e digno da sua excelsa vocação. Ainda que se levantasse a tempestade da perseguição para abater aquela Igreja, não caberia o temor de que, com bases e raízes tão saudáveis, ela não pudesse resistir vitoriosamente.

Esta Sé Apostólica sempre insistiu para que esta importantíssima tarefa fosse bem compreendida pelos superiores das Missões, e com todo o empenho efectuada; isso o comprovam os antigos e os novos colégios fundados nesta cidade (de Roma) para a formação dos clérigos no exterior, especialmente os de rito oriental. E isso porque ainda existem regiões nas quais, embora a Religião Católica tenha chegado há séculos, pode ser localizado um clero local ainda bastante diminuto. Também existem povos que, embora tendo já atingido tal grau de civilização, que podem apresentar homens preparados em todos os campos, da indústria e das ciências, todavia ainda não puderam ter bispos próprios que os governassem, nem sacerdotes tão influentes que pudessem guiar seus concidadãos, ainda que há séculos estejam sob a influência do Evangelho e da Santa Igreja. Isto mostra que, ao educar o clero destinado às missões, até aqui seguiu-se um método defeituoso e parcial.

Para superar, pois, um tal inconveniente, queremos que a Sagrada Congregação da Propaganda da Fé assuma, como crê oportuno, medidas e disposições adaptadas para as várias regiões, interesse-se da fundação e bom andamento dos Seminários, regionais e interdiocesanos, e vigie de modo particular a formação do clero nos singulares vicariatos e nas diferentes missões.

E agora dirigimos o discurso a vós, dilectíssimos filhos, que cultivais a vinha do Senhor, de quem mais directamente depende a propagação da Fé e a salvação de inúmeras almas. Antes de tudo, é necessário que tenhais em grande consideração a excelsa vocação. Pensai que o encargo a vós confiado é Divino, E QUE ESTÁ MUITO ACIMA DOS PEQUENOS INTERESSES HUMANOS; porque vós levais a Luz a quem jaz nas sombras da morte, encaminhais para o Céu a quem corre para a ruína Eterna. Considerando, portanto, que a cada um de vós foi dito pelo Senhor: “Esquece o teu povo e a casa do teu pai” (Sl 44,11), RECORDAI QUE NÃO DEVEIS PROPAGAR O REINO DOS HOMENS, MAS O DE JESUS CRISTO, NÃO CONGREGANDO CIDADÃOS À PATRIA TERRENA, MAS À CELESTE. DAÍ SE COMPREENDE QUANTO SERIA DEPLORÁVEL, SE EXISTISSEM MISSIONÁRIOS, QUE ESQUECIDOS DA PRÓPRIA DIGNIDADE, PENSASSEM MAIS NA SUA PÁTRIA TERRESTRE DO QUE NA SUPREMA; E ESTIVESSEM PREOCUPADOS EM DILATAR A INFLUÊNCIA, E DE VER SEMPRE E ANTES DE TUDO CELEBRADO O SEU NOME E A SUA GLÓRIA. ESSA SERIA UMA DAS MAIS TRISTES CHAGAS DO APOSTOLADO, QUE PARALISARIA NO MISSIONÁRIO O ZELO DAS ALMAS, E RETIRARIA TODA A SUA AUTORIDADE JUNTO DOS INDÍGENAS. Afinal, também os bárbaros e os selvagens entendem muito bem o que quer e busca o missionário, e se ele tem outros objectivos além do bem espiritual do próximo.»

 

Vivemos num mundo em que qualquer edifício espiritual e até Sobrenatural necessita possuir, de alguma maneira, uma base material. Logo a começar na nossa alma, localizada no espaço e no tempo mediante o corpo, e que sòmente através deste logra o conhecimento natural; e note-se bem, segundo a Filosofia Tomista, canonizada pela Santa Madre Igreja, a alma separada não é pessoa. Encontra-se frequentemente quem julgue nobilitar a alma, de alguma forma desvalorizando o corpo e a matéria; esquece-se, todavia, que AMBOS CONSTITUEM OBRA E CRIAÇÃO DE DEUS. Para a filiação Platónico-Agostiniana, a alma separada é pessoa, sustentando tal em virtude de conceber incorrectamente elementos essenciais, tais como, matéria, forma e espírito. O Tomismo SALVAGUARDA INTEGRALMENTE A DIGNIDADE DA CRIAÇÃO, HIERARQUIZANDO OBJECTIVA E TEOLÒGICAMENTE OS SEUS ELEMENTOS.

A Santa Madre Igreja sempre anatematizou as concepções “pneumáticas” sobre si própria; mas igualmente anatematizou as concepções puramente jurídico-orgânicas: A Santa Igreja não é uma entidade puramente espiritual, etérea, impalpável, edificada pelo sentimento religioso dos cristãos e só a isso redutível. Mas a Santa Igreja também não consiste apenas numa orgânica jurídica, estritamente positiva, que só nos elementos humanos e terrenos apure a sua entidade e neles se resolva. A Santa Madre Igreja é Divina na sua Personalidade, e Humana, tal como Nosso Senhor Jesus Cristo; possui uma alma, que é o Sacrossanto Depósito da Fé e todos os Bens Sobrenaturais intrínsecos nos quais participam os católicos em estado de Graça; e possui igualmente um corpo, naquilo que é mais profundamente humano e jurídico-orgânico, sem excluir os Bens sobrenaturais mistos, naquilo que possuem de humano e terreno. Logo a Santa Madre Igreja não é Divina por um acidente Sobrenatural, como sucede com as almas em estado de Graça, a Santa Igreja é Divina, substancialmente, como o seu próprio Fundador.

A Santa Madre Igreja, necessàriamente, sempre possuiu perfeita consciência da sua ASCENDÊNCIA SOBRENATURAL FACE AOS ESTADOS. Logo começando pelo Império Romano, cujas estruturas, e cuja unidade político-administrativa, providencialmente serviram para a consolidação e enraizamento do poder eclesiástico. Infelizmente os povos denominados “Bárbaros” jamais conseguiram instaurar uma orgânica politico-administrativa sequer semelhante ao Império Romano; dessa descompensação brotou a exaustão e o detrimento do poder público na fluidez e promiscuidade com a esfera privada. Coube à Santa Madre Igreja, aos seus doutores, aos seus monges mais cultos, a conservação do Património cultural da Civilização durante essas épocas de dissolução.

Porque os Bens Sobrenaturais da Revelação também são bens civilizacionais. Na exacta medida em que as legítimas realidades deste mundo, só lucram, só proliferam, quando, e só quando, extrìnsecamente ilustradas pelo Lume da Divina Revelação, O QUE SÓ A ESPOSA DE CRISTO PODE FACULTAR.

Consequentemente, o nacionalismo, ENQUANTO HIPERTROFIA E DIVINIZAÇÃO DOS PODERES DESTE MUNDO – ESTÁ LIMINARMENTE CONDENADO! No texto acima transcrito do Papa Bento XV, é extremamente vigorosa a asserção da hegemonia indiscutível da Fé Católica e da Santa Madre Igreja sobre as orgânicas deste mundo, quaisquer que elas sejam, até mesmo dos próprios Estados.

Todavia, um olhar sobre a História Universal demonstra-nos que, na imensa maioria dos casos, os governantes civis, os Reis, os nacionalismos, procuraram utilizar e explorar para proveito próprio – ou na melhor das hipóteses, como factor de coesão político-social – a Santa Madre Igreja; confiscando-lhe as aparências, mas desdenhando-lhe a Doutrina.

O Sacro Império Romano constituiu precisamente uma tentativa parcialmente bem sucedida de moderar eficazmente os nacionalismos e as infidelidades dos reis e grandes senhores,  mediante um poder Imperial constituído pelo Romano Pontífice. Oficialmente, tal Império durou de 962, com Otão I sagrado por João XII (que pode não ter sido um verdadeiro papa), até 1806, quando Napoleão lhe pôs, formalmente, termo. O problema fundamental que dilacerava as relações entre o Sacerdócio e o Império sintetizava-se na seguinte questão: Possuirá o poder civil, pelo Direito Natural, um ascendente real sobre o Poder Religioso e Sobrenatural da Santa Madre Igreja e do Romano Pontífice? É evidente que o Magistério Eclesiástico e Papal sempre respondeu que não: MUITO PELO CONTRÁRIO, ERA A SANTA IGREJA, COMO ÚNICA DEPOSITÁRIA DA DIVINA REVELAÇÃO, QUE POSSUÍA UM PODER SUPREMO SOBRE A ESFERA CIVIL, SEMPRE EM ORDEM À FINALIDADE RELIGIOSA E SOBRENATURAL PROSSEGUIDA CONSTITUTIVAMENTE PELA MESMA IGREJA.

É conhecida a grande turbulência causada pela questão das investiduras, em que a Santa Madre Igreja correu o perigo de se feudalizar, particularizando-se, e portanto secularizando-se. Pois que o poder espiritual não pode ser conferido pelo poder temporal, a não ser em situações extraordinárias e por expressa delegação Papal.

Frederico II, (1194-1250) por exemplo, chamado Imperador de pura laicização; se perseguiu os heréticos, foi apenas por razões políticas e não religiosas. Obrigado pelo Papa à VI Cruzada, selou uma aliança com o Sultão e fez-se coroar rei de Jerusalém; derrotou a Liga Lombarda que unia cidades italianas e o Romano Pontífice numa frente que combatia a tirania imperial. Foi finalmente deposto pelo Papa Inocêncio IV, no primeiro concílio de Lião, em 1245. Mesmo na Idade Média, os Imperadores afrontaram imenso a Santa Sé. Mas houve também um santo: Santo Henrique II, sucessor de Otão III, também notável Imperador. O seu Império durou de 1014 a 1024, protegeu a Santa Igreja, EM PRIMEIRO LUGAR, POR MOTIVOS ESTRITAMENTE RELIGIOSOS; visto que a Santa Igreja, muito secundàriamente, pode e deve constituir, igualmente, um cimento político para as sociedades. Sagrado Imperador pelo Papa Bento VIII, Henrique II foi o primeiro a receber, além da Coroa, um Globo dominado pela Cruz de Cristo, símbolo do Poder Universal. Santo Henrique II foi canonizado em 1046, e sua mulher, Santa Cunegunda, em 1200.

As lutas medievais entre o Sacerdócio e o Império, conquanto ostentassem a grande miséria da condição humana, NÃO VIOLAVAM AINDA UM PRINCÍPIO FUNDAMENTAL. Todavia, o tratado de Vestefália, em 1648 – condenado solenemente pelo Papa Inocêncio X – coroando dois séculos de naturalismo político, de maquiavelismo, e finalmente de protestantismo, RECONHECENDO ESTE COMO RELIGIÃO DE DIREITO PÚBLICO DO IMPÉRIO, E LAICIZANDO O DIREITO INTERNACIONAL, OBLITEROU ATROZMENTE A RAZÃO DE SER DESSE IMPÉRIO COMO INSTÂNCIA ÚLTIMA AO DISPOR DO ROMANO PONTÍFICE PARA DISCIPLINA CATÓLICA DOS ESTADOS.

A partir dessa ominosa data os nacionalismos passaram a impor incondicionalmente a razão do estado, acima não só do Direito Natural, mas também do Direito Divino Sobrenatural e

da Santa Madre Igreja, Mestra de Verdade e de Santidade, que de agora em diante valeria apenas aquilo que os interesses terrenos, e muito frequentemente criminosos, dos Estados caprichassem em determinar.

O nacionalismo constitui um verdadeiro crime de deicídio, porque coloca o Estado no lugar da Santa Madre Igreja. Ora, os Estados constituem realidades circunscritas à vida na Terra, e só nesse sentido são necessários e queridos por Deus. Mas a Santa Madre Igreja É DA TERRA E É DO CÉU, PORQUE É ETERNA. Os Estados são constituídos e fundados por homens, por razões humanas, conquanto legítimas. A Santa Madre Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e como já se afirmou, É DIVINA E É HUMANA, MAS TAL COMO EM NOSSO SENHOR, A SUA PERSONALIDADE É DIVINA, DE DIREITO DIVINO SOBRENATURAL.

Infelizmente, nem os regimes políticos vigentes, em meados do século XX, em Espanha e Portugal, personificados em Franco e Salazar, nem esses, sobretudo o português, se eximiram à pagã gloríola do nacionalismo. Exactamente porque viveram muito mais de aparências do que de realidades. Mas enquanto que no regime de Franco houve uma intenção séria de restauração da Fé Católica, o Estado Novo Português viveu apenas de aparências e da exploração da Fé Católica e da Igreja para fins políticos e sociais. O ESTADO NOVO PORTUGUÊS FOI UM NACIONALISMO ATEU, PRECISAMENTE PORQUE REJEITOU POSITIVA E OFICIALMENTE A INTRODUÇÃO DO SANTÍSSIMO NOME DE DEUS NA CONSTITUIÇÃO.

Opondo-se radicalmente ao nacionalismo, a Santa Madre Igreja sempre canonizou o patriotismo enquadrando-o no domínio do quarto Mandamento: “Honrarás pai e mãe e todos os legítimos superiores”. Como foi dito, a Pátria terrena, Sociedade perfeita em sentido deficiente, ainda que essencialmente inferior à Santa Madre Igreja, Sociedade perfeita em sentido eminente, é contudo necessária à vida na Terra, porque sòmente no seu seio o indivíduo pode lograr a satisfação do conjunto das suas necessidades. Além disso, o homem é gregário por sua mesma condição e definição ontológica, e o estado constitui a forma mais perfeita de gregarismo. A Santa Madre Igreja deve nobilitar esse gregarismo, ELEVANDO-O À ORDEM SOBRENATURAL, e nesse quadro conceptual, acalentar o verdadeiro patriotismo, fundamentado numa concepção do estado e da sociedade caracterizadamente orgânico-essencialista, porque sòmente a Luz da Santíssima Trindade, Aquela que brota da Eternidade e a ela conduz, pode dulcificar e pacificar as almas, congraçando eficazmente os corações.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 27 de Julho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

POR FIM SERÁ A VIRGEM IMACULADA «ASSUNTA» A NOS VALER

Assunção de Maria Santíssima

Nossa Senhora em Lourdes disse a Bernadette no seu dialeto patois… “Que soy era Immaculada Councepciou” – “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Personificou assim, assumindo como nome próprio a maravilha operada por Deus, o que nenhum outro ser humano mereceu.
Na língua italiana o Papa usou o nome «Assunta», que é privilégio exclusivo da Virgem Maria, lembrada na Festa da Assunção da Imaculada Mãe de Deus e nossa.
Por isto repetimos esse nome na nossa língua, embora ainda não consagrado pelo uso.
Com a mesma certeza pela qual sabemos que nem todas as ladainhas ideadas pelos fiéis podem conter toda a nobreza de nomes e títulos da santíssima Virgem Maria, sabemos que Ela é a Mulher forte e a Mãe que vai nos valer nessa hora terrível que vive a Igreja.

DOGMA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA EM CORPO E ALMA AO CÉU Constituição Apostólica do Papa Pio XII, «Munificentissimus Deus»

1. Deus munificentíssimo, que tudo pode, e cujos planos de providência são cheios de sabedoria e de amor, nos seus imperscrutáveis desígnios, entremeia na vida os povos e dos indivíduos as dores com as alegrias, para que por diversos caminhos e de várias maneiras tudo coopere para o bem dos que o amam (cf. Rm 8, 28).
2. O nosso pontificado, assim como os tempos atuais, tem sido assediado por inúmeros cuidados, preocupações e angústias, devido às grandes calamidades e por muitos que andam afastados da verdade e da virtude. Mas é para nós de grande conforto ver como, à medida que a fé católica se manifesta publicamente cada vez mais ativa, aumenta também cada dia o amor e a devoção para com a Mãe de Deus, e quase por toda parte isso é estímulo e auspício de uma vida melhor e mais santa. E assim sucede que, por um lado, a santíssima Virgem desempenha amorosamente a sua missão de mãe para com os que foram remidos pelo sangue de Cristo, e por outro, as inteligências e os corações dos filhos são estimulados a uma mais profunda e diligente contemplação dos seus privilégios.
3. Deus, que desde toda a eternidade olhou para a virgem Maria com particular e pleníssima complacência, quando chegou a plenitude dos tempos (Gl 4, 4) atuou o plano da sua providência de forma que refulgissem com perfeitíssima harmonia os privilégios e prerrogativas que lhe concedera com sua liberalidade. A Igreja sempre reconheceu esta grande liberalidade e a perfeita harmonia de graças, e durante o decurso dos séculos sempre procurou estudá-la melhor. Nestes nossos tempos refulgiu com luz mais clara o privilégio da assunção corpórea da Mãe de Deus.
4. Esse privilégio brilhou com novo fulgor quando o nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De fato esses dois dogmas estão estreitamente conexos entre si. Cristo com a própria morte venceu a morte e o pecado, e todo aquele que pelo batismo de novo é gerado, sobrenaturalmente, pela graça, vence também o pecado e a morte. Porém Deus, por lei ordinária, só concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar o fim dos tempos. Por esse motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa.
5. Mas Deus quis excetuar dessa lei geral a bem-aventurada virgem Maria. Por um privilégio inteiramente singular ela venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos.
6. Quando se definiu solenemente que a virgem Maria, Mãe de Deus, foi imune desde a sua concepção de toda a mancha, logo os corações dos fiéis conceberam uma mais viva esperança de que em breve o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da assunção corpórea da virgem Maria ao Céu. »

Pio XII continua lembrando as contínuas petições de católicos de todas posições e nações para esta definição dogmática. Tudo juntamente aos estudos e investigações que mostraram com maior realce os elementos desta solene verdade no depósito da fé cristã, confiado à Igreja. De argumento certo e seguro para demonstrar a assunção corpórea da bem-aventurada virgem Maria, mistério que respeita à glorificação celestial do corpo da augusta Mãe de Deus, não podia ser conhecido por nenhuma faculdade da inteligência humana só com as forças naturais, mas de verdade revelada por Deus.

«Por esta razão todos os filhos da Igreja têm obrigação de a crer firme e fielmente. Pois, como afirma o mesmo concílio Vaticano,

“temos obrigação de crer com fé divina e católica, todas as coisas que se contêm na palavra de Deus escrita ou transmitida oralmente, e que a Igreja, com solene definição ou com o seu magistério ordinário e universal, nos propõe para crer, como reveladas por Deus”. (Conc. Vat. I, Const. dogm. Dei Filius, Fide catholica, cp. 3).

Desde o início os fiéis grandes e pequenos da Igreja…
«não tiveram dificuldade em admitir que, à semelhança do unigênito Filho de Deus, também a excelsa Mãe de Deus morreu. Mas essa persuasão não os impediu de crer expressa e firmemente que o seu sagrado corpo não sofreu a corrupção do sepulcro, nem foi reduzido à podridão e cinzas aquele tabernáculo do Verbo divino. Pelo contrário, os fiéis iluminados pela graça e abrasados de amor para com aquela que é Mãe de Deus e nossa Mãe dulcíssima, compreenderam cada vez com maior clareza a maravilhosa harmonia existente entre os privilégios concedidos por Deus àquela que o mesmo Deus quis associar ao nosso Redentor. Esses privilégios elevaram-na a uma altura tão grande, que não foi atingida por nenhum ser criado, excetuada somente a natureza humana de Cristo »… «Entre os teólogos escolásticos, não faltaram alguns, que, pretendendo penetrar mais profundamente nas verdades reveladas, e mostrar o acordo entre a chamada razão teológica e a fé católica, notaram a estreita conexão existente entre este privilégio da assunção da santíssima Virgem e as demais verdades contidas na Sagrada Escritura… força de argumentos baseada na incomparável dignidade da sua maternidade divina e em todas as graças que dela derivam: a santidade altíssima que excede a santidade de todos os homens e anjos, a íntima união de Maria com o seu Filho, e sobretudo o amor que o Filho consagrava a sua Mãe digníssima… houve quem citasse a este propósito as palavras do Salmista: “Erguei-vos, Senhor, para o vosso repouso, vós e a Arca de vossa santificação” (Sl 131, 8); e na Arca da Aliança, feita de madeira incorruptível e colocada no templo de Deus, viam como que uma imagem do corpo puríssimo da virgem Maria, preservado da corrupção do sepulcro, e elevado a tamanha glória no céu. Do mesmo modo, ao tratar desta matéria, descrevem a entrada triunfal da Rainha na corte celeste, e como se vai sentar a direita do divino Redentor (Sl 44, 10. 14-16)… Os doutores escolásticos vislumbram igualmente a assunção da Mãe de Deus não só em várias figuras do Antigo Testamento, mas também naquela mulher, revestida de sol, que o apóstolo s. João contemplou na ilha de Patmos (Ap 12, ls.). Porém, entre os textos do Novo Testamento, consideraram e examinaram com particular cuidado aquelas palavras:

“Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres” (Lc 1,28),

pois viram no mistério da assunção o complemento daquela plenitude de graça, concedida à santíssima Virgem, e uma singular bênção contraposta à maldição de Eva. »…

«Todos esses argumentos e razões dos santos Padres e teólogos apóiam-se, em último fundamento, na Sagrada Escritura. Esta nos apresenta a Mãe de Deus extremamente unida ao seu Filho, e sempre participante da sua sorte »… também na Paixão da Igreja…
«Os santos Padres apresentam a virgem Maria como nova Eva, sujeita sim, mas intimamente unida ao novo Adão na luta contra o inimigo infernal. E essa luta, como já se indicava no Protoevangelho, acabaria com a vitória completa sobre o pecado e sobre a morte, que sempre se encontram unidas nos escritos do apóstolo das gentes (cf. Rm 5;6;lCor 15,21-26; 54-57). Assim como a ressurreição gloriosa de Cristo constituiu parte essencial e último troféu desta vitória, assim também a vitória de Maria santíssima, comum com a do seu Filho, devia terminar pela glorificação do seu corpo virginal. Pois, como diz ainda o apóstolo, “quando… este corpo mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá o que está escrito: a morte foi absorvida na vitória” (1Cor 15,14).»

O Papa julga chegado o momento estabelecido pela providência de Deus para proclamar solenemente este outro privilégio insigne da Virgem Maria.

«Nós, que colocamos o nosso pontificado sob o especial patrocínio da santíssima Virgem, à qual recorremos em tantas circunstâncias tristes, nós, que consagramos publicamente todo o gênero humano ao seu imaculado Coração, e que experimentamos muitas vezes o seu poderoso patrocínio, confiamos firmemente que esta solene proclamação e definição será de grande proveito para a humanidade inteira, porque reverte em glória da Santíssima Trindade, a qual a virgem Mãe de Deus está ligada com laços muito especiais. É de esperar também que todos os fiéis cresçam em amor para com a Mãe celeste, e que os corações de todos os que se gloriam do nome de cristãos se movam a desejar a união com o corpo místico de Jesus Cristo, e que aumentem no amor para com aquela que tem amor de Mãe para com os membros do mesmo augusto corpo. E também é lícito esperar que, ao meditarem nos exemplos gloriosos de Maria, mais e mais se persuadam todos do valor da vida humana, se for consagrada ao cumprimento integral da vontade do Pai celeste e a procurar o bem do próximo. Enquanto o materialismo e a corrupção de costumes que dele se origina ameaçam subverter a luz da virtude, e destruir vidas humanas, suscitando guerras, é de esperar ainda que este luminoso e incomparável exemplo, posto diante dos olhos de todos, mostre com plena luz qual o fim a que se destinam a nossa alma e o nosso corpo. E, finalmente, esperamos que a fé na assunção corpórea de Maria ao céu torne mais firme e operativa a fé na nossa própria ressurreição… Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.
«Razão porque, se alguém, que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.

A horrenda situação atual no mundo e na Igreja tem uma solução certa
Nas horas mais cruciais para a sobrevivência do Cristianismo na Terra, julgaram os Papas ter chegado o momento estabelecido pela providência de Deus para proclamar solenemente um privilégio insigne da Virgem Maria.
Dom Mayer dizia que faltava e talvez fosse ainda mais urgente, proclamar o dogma da Mediação Universal de Maria. De fato, o mundo católico tem beneficiado nos últimos tempos das aparições de Nossa Senhora, ligados à Mediação, questões ainda indefinidas.
Para alguns parece que, na horrenda situação que seguiu o V2, isto já esteja «caducado»!
Mas se é justamente nas horas mais cruciais que se manifesta a ajuda divina! Primeiro, como prova extrema da fé, esperança e caridade do Resto fiel.
Depois, porque Deus, que age através dos homens, manifestará assim que essa ação transcende todo poder humano. Será o milagre para a conversão da sociedade humana, que desde o livro da Genesis, acontecerá pelo poder da Mulher com a Sua estirpe.
Hoje a Cristandade vive uma hora «terminal», mas dispõe de Sua Promessa profética.

Resumo de razões que reforçam a certeza da Promessa profética

“Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cuja sabedoria e elevação reservou para Si” (Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, São Luis Maria Grignion de Montfort).

Por isto, já vislumbrar a especial parte de Maria no esplendor da Criação de Deus é uma graça. Tanto mais acolher a sequência dos seus sinais, como foram dados em tempos tempestuosos: em Paris (na Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, na Rue du Bac), na Montanha de La Salette e finalmente em Fátima.
São luminosos sinais de salvação para os nossos tempos.
Sobre a posição de Maria SS. nos eternos desígnios divinos, temos os trechos escriturais, do Antigo e Novo Testamento, lembrados pelos Papas em contínuas ocasiões.
Aqui há que referir-se a esta era presente de ataque revolucionário contra a Cristandade.
Sobre a sequência das Aparições de Maria SS, antecipando e seguindo com avisos e ajudas, qual pontual contraponto para reforçar a fé em tempos cruciais, temos escrito. Os títulos dos artigos já parecem contar a sequência histórica vivida neste tempo.

Em «Nasceu Maria, Sacrário Vivo do Coração de Jesus», se fala da urgente Milícia de Oração pedida; há íntima ligação de «Fátima e o Segredo do Sagrado Coração de Jesus». São os reforços vistos «No Segredo de Fátima o Termo da Grande Conjura Histórica».
De fato, «Quando o Papa recorreu, Maria Ss. o atendeu em Fátima», mas havia dúvidas.
«Segredo de Fátima: Maravilha ou Engano?»; «Fátima – Objeções – Profecia Política»!
«Fátima Profecia Pública» e Milagre do Sol sem precedentes. Todavia, a luta não era só terrena, transcendia toda política: «Fátima e as etapas do Anticristo: Jerusalém e Roma».
«Fátima ignorada: Papa abatido: apostasia e tribulação»; «Delito e Castigo na Profecia de Fátima»: «Segredo de Fátima – Profecia da Hecatombe Católica». O fato é que havia «Soldados no Segredo da Paixão de Nossa Senhora de Fátima», foi atentado organizado para abrir o Vaticano ao «suspeito»: O «Bom papa conciliar» da operação anti-Fátima
O engano torna-se universal: «Fátima e o Mistério do Cristianismo drogado».
Isto abrange todo campo religioso e até as aparições de Nossa Senhora e o Seu Segredo.
Com a Profecia removida surgem idéias do fim da Promessa: «Fátima, a Parusia e o Neo-Milenarismo». No entanto, «Fátima: o Milagre prometido da Consagração da Rússia», lembra que a promessa de 1917 se acorda com a situação política e religiosa presente, da «Rússia na Promessa de Maria em Fátima», é como se pela «Profecia de Fátima: a Rússia aguarde a Conversão de Roma».

Enfim, tudo indica que na mesma Igreja Católica faltou e falta a plena consciência do que significa a presença da Virgem Maria em toda a História da Criação divina.
Isto embora a Tradição dos Padres, confirmada pelos Papas, e cada vez mais até Pio XII, defina privilégios e títulos de Nossa Senhora, segundo os desígnios de Deus.
Por isto, é com fé e esperança que continuamos a divulgar o que a Igreja ensina sobre nossa Santíssima Senhora e Mãe, que vai além da Escritura.
A intervenção de Maria Santíssima em Fátima não está diretamente da Revelação, mas a confirma na Religião revelada da «Intervenção divina» no mundo, em qualquer tempo histórico; no nosso, através da Mãe de Deus. Salve Maria, Imaculada Virgem Assunta!

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica