Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Missa “sine una cum Francisco, antipapa haereticorum”

«PRM: veja-se o comentário do Alberto»

Hoje, dia 13 de Novembro 2018, realizou-se a primeira Missa PÚBLICA tradicional sedevacantista em Portugal. (No passado houve missas “sine una cum”, por exemplo, na casa do nosso amigo, Sr. Arai, mas sem publicidade. A maioria dos fieis veio também com o sacerdote, e foram poucos os fieis portugueses que aproveitaram. Neste caso a situação é bem outra.) Deo gratias. Agradecemos ao Sr. Rui Machado por disponibilizar o lugar e por tantos sacrifícios, não só financeiros, mas muito mais. Próxima vez vamos fazer uma publicidade à maneira no nosso sítio. Parece que a Fraternidade apostata que foi do São Pio X,está a ladrar (e também latir), a tentar a fazer publicidade negativa contra a nossa iniciativa, especialmente contra o Sr. Rui Machado (que Deus lhe pague). Há muitas coisas a dizer sobre a dita fraternidade, tornada uma seita, satélite da “igreja” conciliar, mas tudo será feito na altura certa (tempus Dei, id est).

A CERTEZA SOBRENATURAL DE QUE ESTAMOS NA VERDADE

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Mediator Dei”, promulgada em 20 de Novembro de 1947:

«Todo o conjunto do culto que a Santa Igreja rende a Deus deve ser interno e externo. É externo porque o exige a natureza do homem, composto de corpo e alma, pois Deus dispõe que “pelo conhecimento das coisas visíveis sejamos atraídos pelas coisas invisíveis”(Missal Romano, Prefácio da Natividade), porque tudo o que vem da alma é naturalmente expresso pelos sentidos; e ainda porque o culto Divino pertence não sòmente ao particular mas também à colectividade humana; consequentemente é necessário que seja social, o que é impossível, no âmbito religioso, sem vínculos e manifestações exteriores; e, enfim, porque é um meio que põe particularmente em evidência a unidade do Corpo Místico, acrescenta-lhe santos entusiasmos, consolida-lhe as forças, intensifica-lhe a acção: “Se bem que, com efeito, as cerimónias, em si mesmas, não contenham nenhuma perfeição e santidade, SÃO TODAVIA ACTOS EXTERNOS DE RELIGIÃO QUE, COMO SINAIS, ESTIMULAM A ALMA À VENERAÇÃO DAS COISAS SAGRADAS, ELEVAM A MENTE À REALIDADE SOBRENATURAL, NUTREM A PIEDADE, FOMENTAM A CARIDADE, AUMENTAM A DEVOÇÃO, ROBUSTECEM A FÉ, INSTRUEM OS SIMPLES, ORNAMENTAM O CULTO DE DEUS, CONSERVAM A RELIGIÃO, E DISTINGUEM OS VERDADEIROS DOS FALSOS CRISTÃOS E DOS HETERODOXOS.
Mas o elemento essencial do culto deve ser o interno. É necessário, com efeito, viver sempre com Cristo, dedicar-se todo a Ele, a fim de que n’Ele, com Ele e por Ele, se dê Glória ao Pai. A Sagrada Liturgia requer que estes dois elementos estejam ìntimamente ligados; o que ela não se cansa jamais de repetir sempre que prescreve um acto externo de culto. Assim, por exemplo, a propósito do jejum, nos exorta: “A fim de que se opere de facto em nosso íntimo, o que a nossa observância professa externamente”(Missal Romano, Secreta da Féria V depois do segundo Domingo da Quaresma). DE OUTRO MODO A RELIGIÃO SE TORNA UM FORMALISMO SEM FUNDAMENTO E SEM CONTEÚDO. Sabeis, Veneráveis irmãos, que o Divino Mestre considera indignos do Templo Sagrado e expulsa dele os que crêem honrar a Deus sòmente com o som de bem construídas palavras e com atitudes teatrais, e estão persuadidos de poderem prover de modo adequado à sua salvação sem arrancar da alma os vícios inveterados. A Igreja, portanto, quer que todos os fiéis se prostrem aos pés do Redentor para professar-Lhe o seu amor e a sua veneração; quer que as multidões, como as crianças que andaram ao encontro de Cristo quando entrava em Jerusalém com alegres aclamações, acompanhem o Rei dos reis e o Sumo Autor de todos os benefícios, aclamando-O com o canto de Glória e de agradecimento; quer que haja orações em seus lábios, ora súplices, ora alegres e agradecidas, com as quais, como os Apóstolos junto do Lago Tiberíades, possam experimentar o auxílio da Sua Misericórdia e do Seu Poder; ou como Pedro, no Monte Tabor, a Deus se abandonem, e a todas as Suas coisas, nos místicos transportes da contemplação.»

Quando cogitamos profundamente acerca da humana condição, é forçoso concluir que sem Deus Nosso Senhor, sem a Lei Eterna, o homem seria, verdadeiramente, O ÚNICO ABORTO DA CRIAÇÃO; tudo cumpriria a sua finalidade, EXCEPTO OS ENTES ESPIRITUAIS. Embora em negativo infernal, Sartre viu isso, e por isso ensinava que “O HOMEM É O SER PELO QUAL O NADA ENTRA NO MUNDO”. O ateísmo de Sartre é um ateísmo postulatório, visto emergir de uma decisão existencial, não de provas ou pseudo-provas nesse sentido. Onde reside a diferença especificante da intelectualidade humana, aí mesmo vê Sartre um princípio aniquilante. Evidentemente, sem um fundamento Metafísico, Ontológico e Moral, que só pode ser Deus Uno e Trino, a consciência humana flutuaria no nada, porque qualquer pensamento, qualquer decisão, qualquer acto de vontade, permaneceria, irremediàvelmente, carente de justificação, de razão de ser, e portanto seria indissociável de uma aniquilação.
Mas nós, católicos, E SÓ OS CATÓLICOS, sabem que não é assim, sabem que o mundo e o homem possuem um sentido, um fundamento, uma finalidade transcendente, perfeitamente objectiva; sabem que estamos na Terra, não para irradiar o nada, MAS PRECISAMENTE, PARA CRESCER EM SER, EM VERDADE, EM SANTIDADE, MEDIANTE A NOSSA ACTIVIDADE MORAL. Porque existe um sentido ontológico e moral para a vida, assim, necessàriamente, tem de existir uma finalidade: O PRINCÍPIO, O FIM E OS MEIOS, SÓ PODEM SER ABSOLUTAMENTE HOMOGÉNEOS.
E todas estas realidades são tanto mais verdadeiras e belas, quanto nós fomos ELEVADOS À ORDEM SOBRENATURAL, e assim irradiamos, operativamente, o resplendor da Lei Eterna como PARTICIPANTES DA PRÓPRIA SANTIDADE DE DEUS. Sim, porque quem possui a Graça Santificante reflecte adequadamente a Imagem de Deus Nosso Senhor, O Qual, por Sua vez, Se vê fielmente espelhado pela alma elevada em Graça.
A Verdade e a Santidade não suportam a contradição, o menor erro as destrói. Os primeiros princípios do conhecimento, que SÃO no homem, enquanto ele é ser, em si mesmos considerados, no PARAÍSO TERRESTRE, TAIS PRINCÍPIOS, CONDUZIRIAM A QUE ADÃO E EVA JAMAIS PUDESSEM ERRAR, EMBORA PUDESSEM IGNORAR. O erro, mesmo puramente intelectual, constitui fruto amaríssimo do pecado original e actual. A deformidade moral acarreta sempre, em menor ou maior grau, o erro intelectual. E o mundo, os Anjos e os homens, foram criados pela Verdade e para a Verdade; o erro, mesmo puramente intelectual, é privação de ser. Nem com isto queremos afirmar que na presente condição decaída e remida da humanidade, qualquer erro intelectual se possa, sem mais, imputar a qualquer pecado, visto que até os maiores santos se não puderam furtar ao ruído ontognoseológico de um mundo terrìvelmente ferido pelo pecado. Podemos mesmo afirmar, que Nossa Senhora, a nossa querida Mãe do Céu, em assuntos de menor importância, também errou, porque imersa num mundo corrompido.
Quanto mais objectiva é a inteligência, mais verdadeira é; nesta perspectiva, todos os subjectivismos padecem de uma tremenda cegueira intelectual e de uma capital esterilidade moral.
A Fraternidade, QUE FOI DE SÃO PIO X, encontra-se mais do que nunca eivada dessa cegueira e dessa esterilidade. Como se atrevem a comparar a situação religiosa actual com a da época do denominado Grande Cisma do Ocidente, mas que na realidade não foi cisma, POIS NINGUÉM TEVE A INTENÇÃO DE ROMPER FORMALMENTE COM A CÁTEDRA DE SÃO PEDRO. TRATOU-SE DE UM DIFERENDO POLÍTICO, HUMANO, COROLÁRIO DA MISÉRIA DA CONDIÇÃO HUMANA. A FÉ NÃO ESTAVA EM CAUSA. AGORA, MUITO PELO CONTRÁRIO, A FÉ ENCONTRA-SE TOTALMENTE DESTRUÍDA DENTRO DA AMALDIÇOADA SEITA CONCILIAR, VERDADEIRO CADÁVER DA SANTA IGREJA, E EM VIAS DE O SER NA PRÓPRIA FRATERNIDADE, A QUAL, AO MENOS AS CHEFIAS, ESTÁ DE MÁ FÉ, OBSTINA-SE NESSA MESMA MÁ FÉ. Entraram por um caminho falso, em parte por culpa de Monsenhor Lefebvre, que quando das Sagrações, recusou comprometer a sua autoridade Episcopal numa declaração oficial e solene de vacatura do Sólio Pontifício; durante estes últimos trinta anos, os maçons, bem instalados dentro da Fraternidade, foram-na trabalhando, usando métodos subliminais, tal como na seita conciliar, MINANDO-LHE EM PRIMEIRO LUGAR AS BASES RACIONAIS, AS QUAIS SÃO ÓBVIAS, MESMO PARA OS NÃO CRENTES; RECUSANDO AOS SEUS SACERDOTES O ACESSO À LUZ INCRIADA DA VERDADE ÚLTIMA, BASE DE TODA A FILOSOFIA E TEOLOGIA. Nomeadamente, recusando o seguinte princípio de Direito Natural, e que é, e sempre foi, aplicado – não de forma extrínseca, mas EXERCENDO-SE INTRÌNSECAMENTE – em todo o Direito Civil, Administrativo e Constitucional: O EXERCÍCIO CONCRETO DE UMA FUNÇÃO NÃO PODE SER CONTRADITÓRIO COM A DEFINIÇÃO DO PRINCÍPIO CONSTITUTIVO DESSA MESMA FUNÇÃO. A SANÇÃO PARA ESSA CONTRADIÇÃO NEM É A INVALIDADE – É A INEXISTÊNCIA!
Ao violar grosseiramente este princípio, a dita Fraternidade cai no total ridículo e absurdo no seio dos meios mais cultos, gerando, dentro de si mesma, o princípio da célere autodestruição, QUE É AQUILO QUE A MAÇONARIA PRETENDE A TODO O CUSTO.
Se esta hedionda seita conciliar com seus falsos papas do diabo, papas da morte de Deus, fosse, por absurdo, a verdadeira Santa Madre Igreja – ENTÃO AS PROMESSAS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO SERIAM FALSAS E VÃ A NOSSA FÉ.
A dita Fraternidade TOMBA ASSIM NO ATEÍSMO, E PIOR AINDA, TOMBA NO ANIQUILAMENTO SARTREANO, POIS COM UMA SUA PRETENSA DECISÃO EXISTENCIAL-MAÇÓNICA REDUZ A NADA TODA A LÓGICA, TODA A FILOSOFIA E TODA A TEOLOGIA. JULGAM-SE GRANDES INTELECTUAIS, MAS SÃO É ASINÁRIOS COMPLETOS, AO TRAÍREM A FÉ CATÓLICA, E TRAÍREM IGUALMENTE A SIMPLES RAZÃO NATURAL DE QUALQUER PESSOA MÌNIMAMENTE HONESTA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Novembro de 2018

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

ESPÍRITO DE DIÁLOGO É APOSTASIA

Escutemos o Papa Bento XV, num trecho da sua encíclica “Maximum Illud”, promulgada em 24 de Novembro de 1919:

«E agora dirigimos a discurso a vós, dilectíssimos filhos, que cultivais a vinha do Senhor, de quem mais directamente depende a propagação da Fé e a salvação de inúmeras almas. Antes de tudo, é necessário que tenhais em grande consideração a excelsa vocação. Pensai que o encargo a vós confiado é Divino e que está MUITO ACIMA DOS PEQUENOS INTERESSES HUMANOS, PORQUE VÓS LEVAIS A LUZ A QUEM ESTÁ NAS SOMBRAS DA MORTE, ENCAMINHAIS PARA O CÉU A QUEM CORRE PARA A RUÍNA ETERNA. Considerando, portanto, que a cada um de vós foi dito pelo Senhor: “Esquece o teu povo e a casa do teu pai”(Sl 44,11), RECORDAI QUE NÃO DEVEIS PREGAR O REINO DOS HOMENS, MAS O DE JESUS CRISTO, NÃO CONGREGANDO CIDADÃOS À PATRIA TERRENA, MAS À CELESTE. Daí se compreende o quanto seria deplorável se existissem missionários que, esquecidos da própria dignidade, pensassem mais na sua pátria terrestre do que na suprema; e estivessem preocupados em dilatar a influência, e de ver sempre e antes de tudo celebrado o seu nome e a sua glória. ESSA SERIA UMA DAS MAIS TRISTES CHAGAS DO APOSTOLADO, QUE PARALISARIA NO MISSIONÁRIO O ZELO DAS ALMAS E RETIRARIA TODA A SUA AUTORIDADE JUNTO AOS INDÍGENAS. Afinal, também os bárbaros e os selvagens entendem muito bem o que é que busca o missionário, e conhecem por meio da intuição se ele tem outros objectivos além do seu bem espiritual. (…)
Seja o missionário, portanto, exemplarmente humilde, obediente e casto. Especialmente, seja piedoso, dedicado à oração e em contínua união com Deus, patrocinando com zelo, junto a Ele, a causa das almas. Pois, quanto mais unido a Deus, tanto mais abundantemente lhe será comunicada a Graça do Senhor. Ouça a exortação do Apóstolo:”Como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimentos de compaixão, de bondade, de humildade, mansidão, longanimidade”(Cl 3,12). Com a ajuda dessa virtudes, removidos todos os obstáculos, é fácil e em conformidade com a verdade o acesso aos corações, não havendo vontade que lhe possa resistir. Por isso, o missionário, imitando Jesus Cristo, ARDE EM CARIDADE, TAMBÉM PARA COM OS MAIS DISTANTES PAGÃOS, FILHOS DE DEUS, REDIMIDOS COM O MESMO SANGUE DIVINO, não se irrita com a sua rudeza, não se atemoriza diante da perversidade dos seus costumes, não os despreza ou desdenha, não os trata com aspereza e severidade, mas procura cativá-los com a doçura da benignidade cristã, PARA CONDUZI-LOS UM DIA A ABRAÇAR CRISTO – O BOM PASTOR.
E qual adversidade, qual travessia ou perigosa contingência, poderá desencorajar semelhante mensageiro de Jesus Cristo? Nenhuma, pois reconhecido como é para com o Senhor que o chamou a uma missão tão excelsa, está disposto a tudo tolerar generosamente – os desconfortos, os insultos, a fome, as privações, até mesmo a morte – CONTANTO QUE SE LIVRE UMA SÓ ALMA QUE SEJA DAS FAUCES DO INFERNO.»

O conceito de diálogo, pressupõe, objectivamente, fundamental paridade nas coordenadas de acesso à verdade e ao bem, semelhança profunda de imparcialidade perante os mistérios da existência e da vida, bem como idêntica dignidade moral. Logo só é possível o diálogo na posse, proporcionada, de uma verdade comum. E Foi exactamente com estes parâmetros, concebidos em negativo infernal, que o amaldiçoado Vaticano 2 rebaixou, essencialmente, a face humana do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo até ao nível de uma qualquer organização naturalista e humanitária. Efectivamente, a seita conciliar, oficialmente, considera ser um agente de “procura da verdade” em unidade solidária com as outras ditas “religiões”, as quais abraça num amplexo que envolve necessàriamente todo o Género Humano, pois é neste e na sua evolução divinizadora e vital que residiria essa mesma “verdade”, ou seja, “deus”. Neste quadro conceptual, todas as ditas “religiões”, a começar na seita conciliar, constituiriam “orgãos de verdade da Humanidade”. Admitidas estas demoníacas premissas, nenhum homem, nenhuma instituição, poderia mais defender uma Verdade Absoluta e Objectivamente Revelada sem incorrer em CRIME DE LESA-HUMANIDADE. É exactamente por esta razão que os verdadeiros católicos são perseguidos e conculcados, sem perdão, pela seita que usurpou a face humana do Corpo Místico.
Nosso Senhor Jesus Cristo JAMAIS DIALOGOU, porque Deus não pode dialogar com as suas criaturas. DEUS É, METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE, TITULAR DE TODOS OS DIREITOS E NENHUM DEVER; AS CRIATURAS POSSUEM TODOS OS DEVERES E NENHUM DIREITO, NEM MESMO A SEREM CRIADAS. TODAVIA, UMA VEZ CRIADAS, DEUS NOSSO SENHOR TAMBÉM NÃO PODE PROCEDER DE MODO CONTRADITÓRIO COM A ESSÊNCIA DAS SUAS MESMAS CRIATURAS.
Nosso Senhor anunciou-Se a Si mesmo e ao Reino dos Céus, COMO REALIDADES ESTRITAMENTE OBRIGATÓRIAS, SOB PENA DE CONDENAÇÃO ETERNA. PORQUE O NOSSO DESTINO SOBRENATURAL É GRATUITO DA PARTE DE DEUS, MAS INTEGRALMENTE OBRIGATÓRIO DA PARTE DO HOMEM.
Toda a Sagrada Escritura, em todas as suas páginas, expõe e ratifica a absoluta Soberania de Deus sobre a Sua Criação, bem como os castigos, temporais e Eternos, para todos aqueles que se atrevem, ainda que ao de leve, a contestar essa Soberania. É necessário rasgar todas as páginas da Bíblia, uma por uma, para poder sonhar com o princípio da liberdade religiosa, com a bondade e sacralidade das coisas temporais, com a felicidade terrena completamente divorciada dos Bens Sobrenaturais.
A Santa Madre Igreja, à semelhança do seu fundador, jamais dialogou com o mundo, mesmo com o preço das mais cruentas perseguições. Porque A UNIDADE, E A VERDADE DA SANTA IGREJA NÃO SÃO A UNIDADE E A VERDADE DO GÉNERO HUMANO. PORQUE A VERDADE DA SANTA IGREJA É SOBRENATURAL, E A VERDADE DO MUNDO É NATURAL, SENDO, POIS, INCOMENSURÁVEIS. ALÉM DISSO, O MUNDO CORROMPE MORALMENTE ESSA MESMA VERDADE NATURAL QUE LHE DEVIA SER CONSTITUTIVA.
A Santa Madre Igreja constitui UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE CRISTO, SENDO ASSIM, SIMULTANEAMENTE, DIVINA E HUMANA. A VERDADE DA SANTA IGREJA É A VERDADE DE CRISTO, VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM.
A Santa Madre Igreja SEMPRE IMPÔS AOS POVOS E NAÇÕES ESSA MESMA VERDADE, NÃO DIALOGOU, IMPÔS, COM A MESMA AUTORIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. PORQUE A AUTORIDADE DA SANTA IGREJA É A AUTORIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO; JÁ QUE A CÁTEDRA DE SÃO PEDRO FORMA COM JESUS CRISTO UMA SÓ CABEÇA DA IGREJA.
Os missionários que ao longo dos séculos levaram a Verdade de Cristo aos povos cegos pela idolatria, IMPUSERAM ESSA MESMA VERDADE, NÃO DIALOGARAM, IMPUSERAM, COM O AUXÍLIO DO BRAÇO SECULAR, A DESTRUIÇÃO DOS ÍDOLOS, DA FEITIÇARIA, DA POLIGAMIA.
NÃO SE DIALOGA COM O ERRO E O MAL, NÃO SE DIALOGA COM O DIABO E OS REPRESENTANTES DO DIABO. Na base da unidade ontológica e racional da espécie humana, FALA-SE COM AS PESSOAS, COM UMA CARIDADE REPASSADA DE FIRMEZA E OBJECTIVIDADE. Fundamentado na sua própria autoridade particular, ninguém pode usar de violência, a não ser por legítima defesa, própria ou alheia; a imposição que expendemos é institucional, da Santa Madre Igreja e do seu braço secular – O Estado Católico.
Aquele que dialoga, coloca-se ao mesmo nível do seu adversário. Citámos há pouco o conceito de unidade ontológica e racional da espécie humana; contudo, essa base é insuficiente para falarmos de “diálogo”, visto ser um pressuposto ontológico que possibilita a comunicação entre indivíduos de uma mesma espécie. O conceito de diálogo da Igreja com o mundo é caracterizadamente diferente: Aqui o pressuposto consubstancia-se no facto de ambos procurarem uma “verdade” imanente em que a “fé” constitui o seu próprio objecto, sempre numa base de emanatismo panteizante e divinizante. Muito pelo contrário, A FÉ CATÓLICA, OBJECTIVAMENTE REVELADA E SOBRENATURAL, É ABSOLUTAMENTE INCOMENSURÁVEL COM QUALQUER POSIÇÃO SUBJECTIVISTA, TERRENISTA E NATURALISTA. Donde se conclui que dialogar é apostatar, como o fez o amaldiçoado concílio, como o fizeram Roncalli e Montini nas suas hediondas carreiras maçónicas, como cancros apodrecendo o tecido vital da Igreja pré-conciliar.
Neste enquadramento, Montini terá sido o primeiro a proclamar oficialmente que o trabalho das Missões, daí em diante, só poderia conceber-se na base do diálogo – E LOGO AÍ DESTRUIU, PREMEDITADAMENTE, FRIAMENTE, TODO O ESFORÇO MISSIONÁRIO DA SANTA IGREJA. Evidentemente, todo aquele que abandona as suas raízes para partir para as missões, SÓ O PODE FAZER POR AMOR A UMA VERDADE OBJECTIVA E SOBRENATURAL, NUNCA POR UM IDEAL HUMANO E TERRENO. A República Portuguesa de 1910, tendo proscrito todas as Missões religiosas católicas, pretendeu substituí-las pelas denominadas “missões laicas”; não que a República tivesse quaisquer preocupações religiosas, simplesmente, o que a movia, tal como a todos os outros Estados de antiga Tradição Católica, era o perigo iminente da desnacionalização. Evidentemente que as missões laicas falharam, precisamente porque ninguém se iria sacrificar por uma razão puramente terrena e política. A República foi obrigada a recuar e restaurou as Missões Católicas.
Nesta perspectiva, há muito que se extinguiu totalmente o esforço missionário católico. Os denominados “missionários” actuais, não passam de funcionários da ONG seita conciliar, bem instalados, e com preocupações apenas sociais e sanitárias. O problema da desnacionalização, é lógico, que também já se não coloca.
Muito pelo contrário, o próprio Monsenhor Lefebvre, com uma longa experiência como missionário, relata-nos como o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e a Graça Sobrenatural transformavam aquelas pobres aldeias indígenas, não apenas espiritualmente, moralmente, mas também materialmente, civilizacionalmente, polìticamente. Àqueles que afirmavam, muito antes do concílio, que primeiro era necessário ministrar, às populações indígenas, condições básicas, de ordem material, para depois poderem assimilar o Evangelho, Monsenhor Lefebvre retorquia que, comprovadamente – ERA EXACTAMENTE O CONTRÁRIO!
Deus Nosso Senhor, segundo as Suas mais solenes promessas, nunca priva do realmente indispensável aqueles que buscam acima de tudo o Seu Reino e a Sua Justiça (Lc 12,31).

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 10 de Novembro de 2018

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

O TEMPO E A ETERNIDADE DA SANTA MADRE IGREJA

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Mystici Corporis”, promulgada em 29 de Junho de 1943:
«Cristo é Autor e Operador de Santidade. Já que nenhum acto salutar pode haver que d’Ele não derive como Fonte Soberana. “Sem Mim – diz Ele – nada podeis fazer (Cf. Jo 15,5). Se nos sentimos movidos à dor e contrição dos pecados cometidos, se com temor e esperança filial nos convertemos a Deus, é sempre a Sua Graça que nos comove. A Graça e a Glória brotam de uma inexaurível plenitude. Sòmente aos membros mais eminentes do Seu Corpo Místico enriquece o Salvador, contìnuamente, com os Dons do Conselho, Fortaleza, Temor, Piedade, para que todo o corpo cresça cada dia mais em Santidade e perfeição. E quando, com rito externo, se ministram os Sacramentos da Santa Igreja, é Ele que opera o efeito deles nas almas. É Ele também, que nutrindo os fiéis com a própria Carne e Sangue, serena os movimentos desordenados das paixões; é Ele que aumenta as Graças e prepara a futura Glória das almas e dos corpos. Todos esses tesouros da Divina Bondade, reparte Ele aos membros do Seu Corpo Místico, não só enquanto os obtém do Eterno Pai, como Vítima, Eucarística na Terra, e como Vítima glorificada no Céu, mostrando as Suas Chagas e apresentando as Suas súplicas; mas também porque “SEGUNDO A MEDIDA DO DOM DE CRISTO”(Ef 4,7)ESCOLHE, DETERMINA E DISTRIBUI, A CADA UM AS SUAS GRAÇAS. Donde se segue que do Divino Redentor, como de Fonte manancial, “TODO O CORPO BEM ORGANIZADO E UNIDO RECEBE POR TODAS AS ARTICULAÇÕES, SEGUNDO A MEDIDA DE CADA MEMBRO, O INFLUXO E ENERGIA QUE O FAZ CRESCER E APERFEIÇOAR NA CARIDADE”(Ef 4,16//Cf.Cl 2,19).
O que até aqui expusemos, Veneráveis irmãos, explicando resumidamente o modo como Cristo Senhor Nosso quer que da Sua Divina plenitude desça sobre a Santa Igreja a plenitude dos Seus Dons, para que ela se Lhe assemelhe o mais possível, serve para explicar a terceira razão que demonstra como o Corpo Social da Igreja é Corpo de Cristo, isto é, por ser o nosso Salvador Aquele que Divinamente sustenta a Sociedade que fundou.
Observa Bellarmino, como muita subtileza, que com esta denominação de Corpo, Cristo não quer dizer sòmente que Ele é a Cabeça do Seu Corpo Místico, senão também que sustenta a Santa Igreja, DE TAL MANEIRA QUE A IGREJA É COMO QUE UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE CRISTO. Afirma-o também o Doutor das gentes, quando na Epístola aos Coríntios, chama, sem mais, Cristo à Igreja (I Cor 12,12), imitando decerto o Divino Mestre que, quando ele perseguia a Igreja,lhe bradou do Céu: “Saulo, Saulo, porque Me persegues?”(cf. At 9,4; 22,7;26,14).
Antes, São Gregório Nisseno, diz-nos que o Apóstolo, repetidamente, chama Cristo à Igreja; nem vós, veneráveis irmãos, ignorais aquela sentença de Agostinho: “Cristo prega a Cristo”.»

Como ensina o trecho acima transcrito, a Santa Madre Igreja deve ser concebida como UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO; efectivamente, assim como Nosso Senhor, na Sua Pessoa Divina, possui uma Natureza Humana que é elevada a uma existência e a uma Dignidade Divina e Infinita, assim a Santa Igreja, na sua Pessoa Moral de Direito Divino, possui igualmente uma Natureza Humana, uma existência humana, que tudo deve orientar no sentido da salvaguarda do Depósito Sagrado da Revelação cuja custódia lhe foi confiada por Nosso Senhor.
A Santa Madre Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Sumo e Eterno Sacerdote; cumpre assinalar, que Nosso Senhor não é Sacerdote por uma qualidade acidental, Nosso Senhor É SUBSTANCIALMENTE SACERDOTE, E O É PELA ENCARNAÇÃO DO VERBO DE DEUS. Não olvidar que Nosso Senhor é também substancialmente Santo, embora a Sua Santíssima Alma humana possua igualmente a Graça Acidental Santificante, a Caridade e os Dons do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja é assim eminentemente Sacerdotal, porque é nela, só nela, com ela e por ela, que Nosso Senhor ofereceu, cruentamente, na Cruz, o Seu Supremo Sacrifício, e o renova incruentamente nos nossos Altares, com o concurso instrumental dos Seus sacerdotes. Consequentemente, a Santa Madre Igreja, enquanto Corpo Místico de Cristo, é igualmente, à sua maneira, substancialmente sacerdotal. Recebendo, habitualmente, o influxo misterioso, constitutivamente sacerdotal, da sua Divina Cabeça, a Santa Igreja produz e irradia copiosíssimos e dulcíssimos frutos Sobrenaturais, que fecundam a Terra, e irão povoar o Céu, pois todos os Bens Sobrenaturais são necessàriamente, transcendentalmente, Bens Eternos. Exactamente por isso, assim como Nosso Senhor nasceu e viveu no tempo, mas pertence imarcescìvelmente à Eternidade; assim também a Santa Madre Igreja, que nasceu do Lado trespassado de Jesus e peregrina no tempo, na realidade é Eterna. Mesmo o Santo Sacrifício da Missa, que é celebrado e adorado neste pobre mundo, na Eternidade não será celebrado – SERÁ CONTEMPLADO NA FORMA DA ESSÊNCIA DIVINA.
Nenhuma acção sobrenaturalmente boa, mesmo materialmente exígua e completamente oculta, ficará esquecida na Eternidade, porque o que confere dimensão moral ao agir é a Caridade, o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus. Neste quadro conceptual, as mais pequenas vicissitudes da História da Igreja, desde que ilustradas pelas Virtudes Teologais e Morais e pelos Dons do Espírito Santo – POSSUIRÃO UMA CORRESPONDÊNCIA E UMA RECOMPENSA ETERNA. Porque mesmo as nossas boas acções, neste mundo, são uma pequeníssima gota de água face ao imenso oceano da Verdade e do Bem que nos espera na Eternidade. Renovamos o que temos referido tantas vezes: A Eternidade não é um tempo sem fim; É A SUPERAÇÃO ABSOLUTA DA CONDIÇÃO TEMPORAL, PORQUE ESTA É SUCESSÃO, NUMERAÇÃO, DISPERSÃO, AO PASSO QUE A ETERNIDADE É A POSSE TOTAL DO SER E DO TEMPO, É A PERFEITA IMUTABILIDADE, É UM PRESENTE PERPÉTUO, MESMO PARA A CRIATURA GLORIFICADA.
Mas a imutabilidade não é atributo próprio de Deus?
A Imutabilidade Metafísica, sim; mas a imutabilidade dos eleitos do Reino dos Céus é uma IMUTABILIDADE ONTOLÓGICA, ESCATOLÓGICA.
E no Inferno? No Inferno, essa imutabilidade tem de ser concebida totalmente em negativo, o que só intensifica, de forma incalculável, impensável, a dor e o sofrimento.
No purgatório, embora pertença já à Eternidade, existe uma comensurabilidade extrínseca com o tempo do mundo, a qual também se verifica para os eleitos do Céu, até ao fim do mundo.
A Igreja militante, que vive neste mundo, não tem jurisdição alguma sobre a Igreja padecente e a Igreja triunfante, apenas pode influir na primeira como sufrágio, e na segunda como tributo de honra prestado aos Santos, e que redunda, em última análise, na Glória proclamada ao Autor de toda a Santidade.
Todavia, a Cátedra de São Pedro e Nosso Senhor Jesus Cristo, CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA DA IGREJA MILITANTE.
É certo que Nosso Senhor Jesus Cristo, quando andava pelo mundo, como Homem mortal, era simultaneamente viador e compreensor, vivia no tempo, mas a parte superior da Sua Alma Santíssima estava na Eternidade e contemplava beatìficamente a Deus.
Coloca-se a seguinte questão: O Sacrifício oferecido por Nosso Senhor na Cruz, era evidentemente uma oblação a Deus; mas então também era dirigida a Si mesmo, Jesus Cristo, que era Deus? Sem dúvida que sim, e não existe qualquer contradição; assim como Nosso Senhor Se retirava frequentemente para orar a Deus, assim igualmente Lhe oferecia o Sacrifício Redentor. Tal sucede porque Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo verdadeiro Deus, também era verdadeiro Homem; e embora a Sua Pessoa fosse Divina, era uma Pessoa Divina revestida hipòstaticamente de uma verdadeira Natureza Humana, uma Inteligência humana, uma Vontade humana, uma sensibilidade humana, uma temporalidade humana, uma Jurisdição humana, ainda que submetida hipostàticamente à única Pessoa Divina.
Podemos e devemos afirmar que Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra e ao tempo para, soberanamente, nos libertar desses mesmos elementos. Neste quadro conceptual, o milenarismo é hediondo, POIS COLOCA NA TERRA E NO TEMPO AQUILO QUE, EM ABSOLUTO, PERTENCE AO CÉU E À ETERNIDADE. E se houve Padres que, como Santo Ireneu, professaram realmente o milenarismo, sem com isso soçobrarem na heresia, é porque nessa recuada época o Sagrado Património, objectivamente revelado, ainda se encontrava numa fase remota de explicitação. Professar hoje o milenarismo é pretender repristinar arqueologìsticamente a Santa Doutrina, ignorando o desenvolvimento homogéneo, mas de extraordinária riqueza, de dezanove séculos e meio de História da Igreja.
Mas a Doutrina Católica evoluiu ou não, ao longo dos séculos?
Evidentemente que não; sustentar o contrário é modernismo. O Património objectivamente revelado, até à morte do Apóstolo São João, por volta do ano 100, É ABSOLUTAMENTE IMUTÁVEL. Mas a compreensão que a Santa Madre Igreja dele possui pode e deve aprofundar-se, enriquecer-se, embora sempre no mesmo sentido e na mesma espécie cognitiva Sobrenatural; PORQUE TAL É QUERIDO PELA PRÓPRIA PROVIDÊNCIA DIVINA, NA EXACTA MEDIDA EM QUE TAL É METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE COMENSURÁVEL COM A NATUREZA TEMPORAL E HISTÓRICA DA MESMA SANTA MADRE IGREJA, NA SUA FASE MILITANTE, E COM A CONDIÇÃO DO HOMEM HISTÓRICO CUJA OPERAÇÃO FACTÍVEL E AGÍVEL PODE E DEVE DESENVOLVER-SE NO ESPAÇO E NO TEMPO DESTE NOSSO MUNDO CORRUPTÍVEL.
O tempo, na sua dispersão, existe para que o sublimemos na e pela nossa santificação, em ordem a que, com o auxílio de Deus, mesmo continuando no mesmo tempo – O UNIFIQUEMOS, O SIMPLIFIQUEMOS, O RECTIFIQUEMOS SOBRENATURALMENTE. Toda a actividade da Santa Madre Igreja peregrina segundo esse objectivo, quando exerce a função Magisterial, quando celebra o Santo Sacrifício da Missa, quando administra os Sacramentos – PREPARA-NOS A ETERNIDADE, PROCEDENDO POR UMA VERDADEIRA INCOACÇÃO, UMA REAL PARTICIPAÇÃO, QUE SÒMENTE A GRAÇA E AS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS PODEM CONFERIR.
A Santa Madre Igreja constitui assim, no tempo, O ÚNICO E SOBERANO LUME, A ÚNICA IRRADIÇÃO, DA ETERNIDADE.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 27 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

SÓ HÁ UMA SANTIDADE

Escutemos o Papa São Pio X, em excertos da sua encíclica “Haerent Animo”, promulgada a 4 de Agosto de 1908:

«Sabe-se que a santidade é fruto da nossa vontade, à medida que a nossa vontade é socorrida pela Graça Divina. Eis porque essa Graça foi posta por Deus à nossa disposição, de modo que se o desejamos, essa nunca nos faltará. O primeiro meio com o qual a podemos obter é a oração. Oração e santidade estão interligadas entre si. Uma não pode subsistir sem a outra. Corresponde à verdade o pensamento de Crisóstomo: “Creio que seja evidente para todos que é simplesmente impossível conduzir vida virtuosa sem o auxílio da oração”. E Santo Agostinho, com agudeza, chega a esta conclusão: “Sabe verdadeiramente viver bem quem reza bem”.
Esses ensinamentos encontram a mais válida confirmação na exortação de Cristo e sobretudo no seu exemplo. Para recolher-se em oração vemo-l’O retirar-Se na solidão do deserto ou subindo aos montes; passando noites inteiras em oração; frequentemente, dirige-Se ao Templo, e mesmo entre a multidão eleva os olhos ao Céus rezando diante de todos; enfim, pregado na Cruz, entre dores de morte, eleva Sua súplica ao Pai com altos brados e lágrimas.
Saiba, portanto, cada um, que se o sacerdote quiser permanecer à altura da sua dignidade, é-lhe absolutamente necessário elevado grau de oração. Infelizmente, frequentemente ele reza mais por hábito do que por íntimo fervor. A certas horas do dia, ele recita o Breviário, ou outras poucas orações, mas sem muita vontade. Depois, durante o dia, ele não encontra mais tempo para recordar-se de Deus e para falar d’Ele, elevando a alma ao Céu. Ao invés disso, o próprio sacerdote é chamado, mais do que todos os outros, a seguir o preceito de Jesus: “É necessário rezar sempre”(Lc 18,1), ordem à qual fez eco a advertência enérgica de Paulo: “Perseverai na oração, vigilantes, com acção de Graças”(Cl 4,2); “orai sem cessar”(ITess 5, 17).
A cada dia, tantas e tantas ocasiões de elevar-se a Deus se oferecem à alma desejosa da própria santificação e da santificação das demais almas! As angústias do espírito, a violência e a obsessão das tentações, a nossa pobreza espiritual, o cansaço e a esterilidade do nosso trabalho, as faltas e as negligências contínuas, e enfim, O TEMOR DO JUÍZO DE DEUS, incentivam a clamar diante do Senhor, que, além de obter-nos a Sua ajuda, enriquece-nos de méritos. E isso não é tudo; na maré de pecados que vai sempre alastrando por toda a parte, cabe de modo especial a nós implorar a clemência de Deus. Cabe a nós insistir junto a Cristo, O Qual em Seu Sacramento admirável concede toda a Graça, e suplicar-Lhe: “Piedade Senhor, Piedade do Teu povo”!
Outro meio de importância capital, é o de consagrar a cada dia breve tempo À MEDITAÇÃO DAS COISAS ETERNAS. NENHUM SACERDOTE PODE DE TAL EXIMIR-SE SEM TORNAR-SE RÉU POR NEGLIGÊNCIA GRAVE E SEM PREJUDICAR GRAVEMENTE A SUA ALMA. São Bernardo Abade escreve ao Papa Eugénio III, seu antigo discípulo, e o admoesta, com franqueza e insistência a nunca esquecer a meditação quotidiana; recomenda-lhe que embora se sinta sobrecarregado por tantas preocupações inerentes ao Supremo Apostolado, não recorra nunca à desculpa de dispensá-la. E para mostrar qual a razão de escrever-lhe assim, enumera as vantagens desse exercício: “A meditação purifica antes de tudo a mente, que é a fonte da qual ela emana. Além disso, guia os afectos, dirige as acções, corrige os abusos e os costumes, torna honesta e ordenada a vida; em uma palavra – CONFERE A CIÊNCIA DIVINA E HUMANA. A meditação esclarece as ideias confusas, conecta o que está desunido, reúne os pensamentos esparsos, sonda os mistérios, indaga a verdade, examina o verosímil, testa o que é aparente. A meditação estabelece o que está para ser feito e reflecte sobre o que já foi feito, assim a mente corrige os erros passados e evita os futuros. A MEDITAÇÃO TEM PRESENTE NA PROSPERIDADE A ADVERSIDADE, COMO FRUTO DE SABEDORIA, E NA ADVERSIDADE NÃO SE DEIXA ABALAR, COMO RESULTADO DA FORTALEZA”.
O elenco de todas estas grandes vantagens da meditação nos persuade não apenas da sua utilidade em geral, MAS IGUALMENTE DA SUA NECESSIDADE ABSOLUTA.
Em realidade, os vários encargos do sacerdócio são todos augustos e repletos de veneração, mas a frequência do seu exercício diminui, nos ministros sagrados, a veneração a eles devida. Pouco a pouco, o fervor vai diminuindo. Daí passa-se fàcilmente à indolência, E SE CHEGA ATÉ À AVERSÃO ÀS COISAS MAIS SANTAS. E ainda mais: O sacerdote é obrigado a ter contacto quotidiano com O MUNDO CORROMPIDO. Até mesmo no exercício da sua Caridade Pastoral, frequentemente, deve temer que se escondam as insídias da serpente infernal. É TÃO FÁCIL QUE O PÓ DO MUNDO CONTAMINE TAMBÉM OS MINISTROS DA RELIGIÃO! Aí está, portanto, a razão da necessidade, para o sacerdote, de voltar-se diàriamente para a CONTEMPLAÇÃO DAS VERDADES ETERNAS, PARA QUE A MENTE E A VONTADE ATINJAM CADA VEZ MAIOR VIGOR PARA RESISTIREM ÀS SEDUÇÕES.»

Esta encíclica “Haerent Animo” foi escrita por São Pio X, por ocasião do quinquagésimo aniversário da sua ordenação sacerdotal, e como uma solene exortação à santidade do clero.
Dos últimos Papas, foi São Pio X, Graças a Deus, o mais preocupado com a santidade, e concomitantemente, o menos preocupado com a diplomacia. Efectivamente, para São Pio X, o mundo é essencialmente mau, corrompido, verdadeiro inimigo da alma na sua ascensão Sobrenatural. Devemos mesmo afirmar que quanto mais santa, por Graça de Deus, é uma alma, mais ela abomina o mundo, passado, presente ou futuro, porque foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo Quem declarou solenemente, dogmàticamente, a irremediável e perpétua perversão do mundo.
O mal moral do mundo concorre para a exaltação do Bem. O mundo que Deus Nosso Senhor criou é Bom, precisamente porque a santidade de poucos vence qualitativamente a maldade de muitos na proclamação da Glória extrínseca da Santíssima Trindade.
Deus Nosso Senhor constitui, na Sua Asseidade, na Sua Eternidade, o Princípio, o Meio e o Fim de toda a santidade. O PRÓPRIO DEUS É SANTO, POR SI MESMO E EM SI MESMO, POIS QUE NELE COINCIDEM O SUJEITO QUE É SANTO E O FUNDAMENTO METAFÍSICO E TRANSCENDENTAL DE TODA A SANTIDADE. DEUS É SANTO, NA SUA VERDADE E PELA SUA VERDADE, E NÃO POR QUALQUER TÍTULO CRIADO. NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM, É IGUALMENTE SUBSTANCIALMENTE SANTO, POR SI MESMO E EM SI MESMO.
Segundo a seita conciliar, apóstata, ateia e niilista, EXISTE O PLURALISMO DA SANTIDADE, FUNDAMENTADO NO PLURALISMO DAS RELIGIÕES. Esta aberrante tese constitui o motor de todas as actividades desta horrível seita, nomeadamente das suas “canonizações”, que mais não são do que A APOTEOSE DO ATEÍSMO E DO DEICÍDIO.
ASSIM COMO DEUS NOSSO SENHOR É UNICO, ASSIM TAMBÉM O É A SANTIDADE, QUE CONSTITUI NÃO SÓ NUMA IDENTIFICAÇÃO TOTAL COM A MESMA VERDADE E SANTIDADE DIVINA, MAS TAMBÉM NUMA PARTICIPAÇÃO ACIDENTAL NA MESMA NATUREZA DIVINA, ATRAVÉS DA GRAÇA SANTIFICANTE E DAS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS.
A Santidade é Ser, e quanto mais profunda é mais ser possui, E FORA DO SER NÃO HÁ NADA, É O PRÓPRIO NADA METAFÍSICO. Consequentemente, a falta de santidade, o que o mesmo é dizer, a falta da Graça Santificante – É PRIVAÇÃO QUALIFICADA DE SER.
Ser, constitui um conceito abstracto impessoal, que a inteligência obtém a partir da realidade; Deus é uma realidade concreta, Pessoal, alcançada pela inteligência rectamente formada, mediante um raciocínio indutivo, cujas premissas são a consideração da realidade natural e o princípio da razão suficiente. Este princípio é muito mais profundo que o princípio da causalidade, pois se aplica não apenas às criaturas, mas também ao próprio Deus. Efectivamente, a razão suficiente do ser de Deus é constitutiva da Asseidade positiva, que significa QUE DEUS É O SEU PRÓPRIO SER; as criaturas não são o seu próprio ser, não possuem em si a razão da sua existência, mas Deus possui em Si próprio, infinitamente, a razão de Si mesmo. O conceito de Asseidade Divina, como razão positiva do Seu próprio ser, constitui a explicação total mais transcendente que a inteligência (humana e angélica) pode conseguir, porque nos faculta o porquê absoluto e Universal, quer da Criação, quer do Criador. Todavia, ainda que a inteligência criada possa contemplar essa razão, esse porquê último, jamais poderá compreendê-lo totalmente, precisamente porque o finito não pode abranger o Infinito.
Ora, a razão de ser que referimos, é também a razão da Lei Eterna, que se pode definir como: PRINCÍPIO DE ORDEM INCRIADO, INTRÍNSECO À PRÓPRIA VERDADE DIVINA, QUE GOVERNA E HIERARQUIZA TODA A CRIATURA, CRIADA OU POSSÍVEL. A Lei Moral é uma participação na Lei Eterna por parte da criatura espiritual.
Sòmente o intelectualismo Tomista, pràticamente canonizado pela Santa Madre Igreja, é verdadeiramente constitutivo da Verdade Metafísica, quer de Deus, quer das criaturas. Efectivamente, o voluntarismo escotista faz depender a Lei Moral do arbítrio da vontade Divina; nada mais falso, a Lei Moral é absolutamente conforme à Verdade das Essências, sendo esta a Verdade de Deus. Porque a criatura espiritual, criada por Deus Nosso Senhor, sendo chamada a glorificar formalmente o Seu Criador, para Ele deve voltar na Eternidade. Exactamente por isso, tem que existir uma Lei Imutável que governe e oriente toda a criatura na sua ascensão para Deus Nosso Senhor; E ESSA LEI É, NECESSÀRIAMENTE, PERFEITAMENTE, INTRÌNSECAMENTE, HOMOGÉNEA COM O FIM ABSOLUTO.
Também é falso afirmar-se que a Lei do Antigo Testamento mudou depois no Novo Testamento; a Lei de Deus é sempre a mesma e única, A FASE DA REVELAÇÃO SOBRENATURAL É QUE SE VAI ELEVANDO, E CONSEQUENTEMENTE, INTENSIFICANDO O GRAU DE EXIGÊNCIA DIVINA PARA COM AS SUAS CRIATURAS. No Antigo Testamento, pedagògicamente, Deus afrouxou, provisòriamente, as propriedades essenciais do matrimónio – unidade e indissolubilidade – mas jamais cedeu na essência mesma do matrimónio, a procriação, punindo rigorosamente o onanismo conjugal. Com Nosso Senhor Jesus Cristo, tendo sido alcançada a plenitude, o zénite da Revelação, então foi o santo Matrimónio restituído à dignidade primitiva e elevado, Sobrenaturalmente, à categoria de Sacramento.
Verificamos assim que a santidade, sendo perfeitamente homogénea com o estado de Glória Celeste, jamais se pode conceber como um fardo insuportável. A santidade é difícil no sentido em que o pecado original e suas consequências tornam os primeiros movimentos de ascensão para Deus – de resto só possíveis com a Graça medicinal e actual – extremamente penosos, porque têm que combater, positivamente, todo o peso brutal do mundo, com suas vaidades e seduções; quanto mais soubermos conservar a Graça Baptismal, menos difíceis serão estas fases iniciais; mas uma vez vencidos os primeiros obstáculos, se formos perfeitamente dóceis à Graça Divina, começamos a desenvolver eficazmente a nossa predilecção pelas coisas de Deus, e concomitantemente, a sabermos governar, sobrenaturalmente, os bens criados. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais aceleramos no caminho para Ele, porque mais participamos da Sua Verdade e Santidade e melhor sabemos remover os escolhos da vida. Nunca ninguém se pode santificar sem sofrer bastante, sobretudo moralmente, mas a Graça de Deus é o nosso conforto.
A santidade é a realidade que mais violentamente se opõe ao mundo, e vice-versa; se procurarmos na História Universal e mesmo na História Eclesiástica, a santidade é a realidade mais rara, mas também a mais preciosa.
Nos últimos setecentos anos só foram canonizados três Papas: São Celestino V (1294); São Pio V (1566-1572) e São Pio X (1903-1914). Sabemos que sempre houve bispos extremamente indignos da sua função, portanto vivendo em pecado mortal habitual. Mesmo a História Eclesiástica é atravessada por ferozes paixões humanas e terrenas, ambições desordenadíssimas de riqueza e de poder, inclusivamente de papas, que tudo tentaram, imoralmente, para obter a Tiara. A Fé Católica, na sua Beleza Sobrenatural, na sua suavidade, na sua Paz que não é deste mundo, jamais foi verdadeiramente professada e amada pela grande, pela enorme, maioria dos homens, em todas as épocas – esta é a grande verdade.
São Tomás de Aquino explica-nos a razão: No mundo material, verificamos que os entes puramente físicos, vegetais e animais, alcançam impreterìvelmente os seus fins; na realidade, as leis biológicas das plantas não sofrem excepção, na função clorofilina, enquanto produzem oxigénio, e servem também de alimento para homens e animais. Os animais possuem o instinto, que é um princípio de ordem, e se não podem progredir, individual e socialmente, é certo que cumprem as determinações do instinto. Paralelamente, plantas e animais devem servir o homem, pois para isso foram criados – e fazem-no. O próprio mundo inorgânico assegura, sem falhas, a capacidade da Terra para sustentar a vida, criando condições físicas extremamente rigorosas, sem as quais a vida desapareceria, ex. os oceanos como moderadores de calor e do frio excessivos; a inclinação do eixo da Terra diversificando fauna e flora à superfície da Terra. Esta capacidade do planeta Terra sustentar a vida, só pode ser destruída pela ganância dos homens e consequente envenenamento do ambiente.
Passando aos mesmos homens, verificamos que enquanto são seres físicos cumprem com certa normalidade as suas funções próprias; dizemos com certa normalidade, porque aqui já se verifica uma corrupção, oriunda, precisamente, da razão humana natural, ferida pelo pecado original. Todavia, é no mesmo processamento da sua razão natural que encontramos mais falhas no agir humano, ainda que não inviabilizando completamente uma determinada paz e segurança social, concebida de forma estritamente material. Sòmente quando se chega à Ordem Sobrenatural – INFINITAMENTE ACIMA DAS EXIGÊNCIAS DE QUALQUER NATUREZA, CRIADA OU POSSÍVEL – se verifica uma quase absoluta incapacidade humana para, com o auxílio Divino, alcançar eficazmente os Bens Celestes e Eternos. Daí, que todos os Tomistas considerem que a grande maioria da humanidade se condenará.
E não é que Nosso Senhor Jesus Cristo Se tenha sacrificado em vão; de modo algum, porque se não houvera Redenção, TODOS OS HOMENS SE CONDENARIAM. Só que na Ordem Sobrenatural das realidades Eternas, A VERDADE, A BONDADE E A BELEZA, MEDEM-SE POR PADRÕES ESSENCIALMENTE QUALITATIVOS E NÃO QUANTITATIVOS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 4 de Outubro de 2018

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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