Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A MARCA HEDIONDA DO ANTICRISTO NO VATICANO

 

Arai Daniele

A decadência do mundo contemporâneo é geral e profunda, atinge todos os campos a todos os níveis: da família ao estado, da justiça à política. Onde não há guerras iníquas há violência e corrupção infrene. Convive-se com a imoralidade e o delito. Nunca a autoridade foi tão necessária; nunca tão ausente. Jamais houve controles tão potentes, jamais tal desgoverno. No plano dos fatos a tentação moderna a substituir a ordem natural por uma nova ordem redunda num descalabro: não há mais como recorrer a poderes humanos para conter desordens nacionais e massacres internacionais. Ignorada a origem divina da ordem e da autoridade nas consciências, a sociedade humana não ficou mais livre, mas degradou-se.

Quando foi que essa alteração da ordem natural nas consciências começou?

Como a degradação descrita tem origem espiritual e incrementou-se em modo exponencial na épocas da revoluções e na nossa época a partir dos anos Sessenta na Igreja, deve-se constatar que o degrado corresponde à perda da noção da origem divina da autoridade nas consciências. De fato, o degrado segue a falta de uma autoridade que seja guia para o bem das consciências e freio para o seu desvio no mal; o que define a Autoridade universal Católica. Mas trata-se de situação muito pior do que de uma simples ausência; trata-se da adulteração da razão de sua presença; uma suprema autoridade não mais ocupada em vincular ao bem, mas em liberar no mal.  E nisso há que entender sua natureza de extremo castigo, previsível quando se manifesta na sociedade humana uma vasta incredulidade na existência da Ordem de origem divina.

Qual a relação causa-efeito entre a fé em Deus e a desordem social?

O bem do ser humano e de sua sociedade é conexo com sua razão de ser: com o seu princípio e fim. Como poderíamos conhecer o nosso bem durável, desconhecendo o nosso fim último? E como poderia o bem da sociedade humana ser alheio ao fim último de seus membros? Os homens podem distinguir um bem de um mal imediato, mas não podem conhecer por si mesmos o próprio bem permanente, ligado ao fim da vida humana. Eis que precisamos do Logos, do Princípio de todo conhecimento, para discernir o nosso fim último e acolher o bem e afastar o mal para que a sociedade humana se governe na certeza da justiça.

Ao ignorar pois a existência da Verdade absoluta, o Princípio de todo bem, o homem se priva do essencial para a distinção entre o bem e o mal, e torna mendaz sua detecção do mal que, como uma infecção na vida humana, se alastra causando crises de consciência morais e mentais que degeneram numa desordem universal de desfecho letal para a sociedade. Tudo isto foi dito para lembrar que as consciências devem ser formadas na Verdade. É esta a missão da Igreja, transmitindo a revelação recebida. O contrário è a ilusão da consciência autônoma.

Sim porque a verdade e os princípios são perdidos antes de tudo, nas consciências, justamente numa rebelião das consciências, que julgam podem atingir a verdade e distinguir a raiz mesma do bem e do mal por si mesma. Assim, a partir da sua consciência o ser humano pode seguir direções opostas: a direção da Ordem revelada, ou de uma liberdade desvinculada do Bem. Mas o livre arbítrio humano, tem um vínculo crucial na mesma consciência, visto que não há quem ignore que à própria liberdade não corresponde um proporcional conhecimento.

Isto significa a liberdade de fazer aquilo de que não se conhecem as últimas conseqüências. Por isto, o homem, criado livre, precisou desde o início ter uma norma indubitável gravada na consciência. Esta, ao mesmo tempo que indica o seu fim transcendente, está vinculando a sua liberdade no bem. Isto é descrito no livro da Gênesis (2, 15-17)

– O Senhor Deus colocou o homem no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque, o dia que comeres dele, certamente morrerás -. Os elementos da formação das consciências estão todos aí. O seu motor é a felicidade, dada para ser cultivada e guardada segundo a Palavra divina. Esta é o alimento da vida espiritual diante de cujo bem o homem é livre em tudo menos que julgá-la um mal. Este seria um juízo contrário à vida, de auto-demolição de seu fim e portanto de morte.

Também os elementos para o desvio das consciências estão todos ai; os mesmos alterados. A felicidade assume as feições do prazer concupiscente da carne, do possuir e do dominar, como deuses. A liberdade é aplicada ao comércio e à criatividade no mal, na ilusão da autonomia da Palavra divina; da impossível conciliação dos contrários. Isto leva a consciência ao devastador engano de equiparar o mal com o bem e a colher, pelo abuso culposo da liberdade, frutos do mal. Eis que as consciências seguindo falsas direções, condicionam a História da humanidade.

“Assim, na cidade terrestre, os sábios, vivendo segundo o homem, procuraram somente os bens do corpo, ou aqueles do espírito ou ambos. E mesmo os que puderam conhecer a Deus, não o glorificaram como Deus, nem Lhe renderam graças, mas perderam-se em seus vãos pensamentos e suas mentes insensatas ficaram ofuscadas. Declarando-se sábios (isto é, deixando-se dominar pela soberba e elevando-se em sua sabedoria) tornaram-se estultos e substituíram a glória do incorruptível Deus por imagens representando homens corruptíveis, aves, quadrúpedes e serpentes (arrastaram ou seguiram os povos aos altares da idolatria) e serviram a criatura antes que ao Criador que é bendito nos séculos (Rom. I, 21-25).

Então voltamos à questão acima, da necessidade para o bem dos indivíduos e das sociedades de quem guie no bem transcendente ao homem, e afaste, freando a atração ao mal. E a falta desse guia e desse freio, que São Paulo escrevendo sua segunda Carta aos Tessalonicenses, deu o nome de «obstáculo» (katéchon), é o pior mal. De fato, tirado do meio o obstáculo ao mal, este será substituído por quem se faz deus: o anticristo, para operar a «abominação da desolação». Nos tempos cristãos entendeu-se que tal «obstáculo» transcendental ao mal das sociedades era o representante de Jesus Cristo; o Papa. O Vigário de Cristo é o único homem investido do poder para constituir barreira ao mal operado pelo Anticristo!

A ordem humana deve ligar-se diretamente à Palavra do Criador. Só no Verbo divino tudo encontra sua razão de ser, sua ordem e seu bem. Eis a ordem do Ser, em que se reconhece que o ser humano com sua consciência provem do Ser divino como todo efeito de uma causa; do Princípio que revelou o Seu nome como origem e fim de todo ser e portanto de todo conhecimento, dizendo: Eu sou Aquele que è (Êx 3, 14). Mas nisto vai inserir-se a rebelião à dependência natural ao Verbo criador; a consciência que, na sua ânsia de poder criar com o pensamento, quer a liberdade de auto-criar a sua razão de ser. E aqui se insere a «revelação»  do espírito do mal cujo sussurro insinua que somente no mal o homem se emancipa!

Eis o engano da liberdade que pretende julgar o bem e o mal, livre de todo vínculo divino; sem a «humilhação» de uma dependência; é o termo revolucionário da «liberdade de consciência». Não mais a liberdade das consciências, predicado humano dado por Deus ao homem criado à Sua Imagem e semelhança, mas uma liberdade de consciência autônoma e individual, que vai ser exercida para impor verdades que dita, como fizeram os líderes de atrozes ideologias.

É necessário fixar bem este ponto crucial porque dele irradiam todos os impulsos humanos para a domínio do mundo material, da ciência e da existência segundo a religião do homem que se faz deus, opondo-se ao Deus ‘tirano’ que se fez homem. Neste ponto se unem todas as rebeliões pessoais e revoluções sociais, toda religião humana e fraternidade maçônica, todo saber e arte nascidos do naturalismo, racionalismo e existencialismo filosófico; por fim, até um novo «cristianismo» retocado para animar uma união religiosa para uma nova ordem mundial.

Com isto foi traçado o «identikit» do Anticristo; promotor da liberdade de consciência. Se o faz desde a Sede suprema do Pontífice apostólico, constituído por Jesus Cristo justamente para vincular à Palavra divina, estamos diante da maior abominação, só possível no maior engano. E hoje, ainda no mundo não se vê a gravidade dessa extrema impostura, que faz com que a guia espiritual dos povos, que seguem e ouvem quem tem o poder das chaves – o papa – desvincule da Palavra divina para demonstrar a liberdade de consciência que leva à liberdade de Religião.

Era a meta de toda revolução maçônica e liberal, introduzida sorrateiramente na Igreja por Roncalli, João 23. Um momento tremendo para toda a História humana, dos quais dois haviam sido os momentos culminantes dessa recusa rebelde da Palavra divina:

– o da transgressão original de Adão e Eva, que causou a queda do ser humano, para cuja redenção houve a Encarnação e a Paixão do Verbo de Deus.

– A recusa do acolhimento do Verbo encarnado da parte do Povo eleito para esse fim.

Era a segunda recusa histórica, que precedeu a terceira disfarçada mas abissal, a mais grave das precedentes recusas, pois a Igreja e o Papa existem para essa obra de Redenção de Jesus Cristo. Todavia, em seu Nome declara-se o direito à obra de rebelião do Anticristo. Isto deve fazer reconhecer a imensa gravidade da disfarçada recusa conciliar em nome da liberdade e de uma operação ecumenista que põe todas as religiões ao mesmo nível!

O Papa Pio VII definiu o que previu como pior conseqüência da revolução francesa, nos dias da revolução napoleônica: “Sob a igual proteção de todos os cultos, esconde-se e disfarça-se a mais perigosa perseguição, a mais astuciosa que seja possível imaginar, contra a Igreja de Jesus Cristo e, infelizmente, a melhor combinada para nela lançar a confusão e mesmo destruí-la, se possível fosse às forças e astúcias do inferno prevalecer contra ela”.

Parecia previsão da abertura da Igreja ao liberalismo que, dando livre curso ao erro, persegue a única antagonista que lhe se opõe: a Verdade. Eis o que fez a declaração Dignitatis humanae, da “liberdade religiosa”, aprovada pelo Vaticano 2, cujas referências estão na «Pacem in terris» de João 23. Temos assim identificados os piores perseguidores internos da Igreja de Deus. Enquanto esta existe, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo para a reparação e redenção da fatal liberdade de consciência dos primeiros pais diante da Palavra divina, estes proclamam a liberdade de consciência diante da Verdade, como sendo direito natural humano…!

E isto significa o “direito” de ensinar o mal come se fosse bem. Se os “papas conciliares” não o declararam diretamente, o fizeram declarando o “direito” a essa liberdade de perdição: a marca hedionda do Anticristo, encarnando o tentador original, sedutor do ser humano com a idéia de ser como Deus.  Pode-se ilustrar em abundância a gravidade da recusa ecumenista de “uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja Católica e Apostólica”, que são palavras de Nossa Senhora de Fátima para lembrar a unicidade de nossa Religião, mas com a grande apostasia essa Fé é perdida.

Daí seguir a liberdade das falsas religiões segundo convite conciliar de seus falsos papas, de João 23 a Bergoglio. Passa a ser natural para multidões que amam esse mundo das verdades relativas, abandonar a unicidade que define a verdadeira Igreja.

“A última perseguição revestirá o aspecto de uma sedução.” (Père Emmanuel). Parecerá uma escolha de liberdade, igualdade e fraternidade, mas será rendição ao erro, ao ódio e ao caos, porque só há amor e fraternidade para os filhos dos que têm por Pai, Deus Uno e Trino.

A PSIQUIATRIA COMO ARMA REVOLUCIONÁRIA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, num trecho da sua encíclica “Humanum Genus”, promulgada em 20 de Abril de 1884:

«Insinuando-se com aparência de amizade no coração dos príncipes, os maçons queriam encontrar neles cúmplices e ajuda poderosa para oprimir o Cristianismo. E para pôr neles estímulos mais agudos, começaram a caluniar obstinadamente a Santa Igreja como inimiga do poder e das prerrogativas régias. Tornando-se afoitos e seguros com essas artimanhas, adquiriram grande influência no governo dos Estados, prontos a estremecer os fundamentos dos tronos, e a perseguir, caluniar e afastar os soberanos que se mostrassem arredios a governar de acordo com seus entendimentos.

Adulando o povo com artifícios semelhantes- ENGANARAM-NO! Gritando a plenos pulmões liberdade e prosperidade pública; fazendo crer às multidões que a culpa da iníqua escravidão e miséria em que viviam era toda da Igreja e dos sobreranos, incitaram o povo, ansioso de novidades, e açularam-no contra ambos os poderes. Contudo a espera de vantagens é maior do que a realidade, e a pobre plebe, oprimida, mais do que nunca, nas suas misérias, vê faltar-lhe grande parte daqueles confortos, QUE MAIS FÁCIL E COPIOSAMENTE TERIA ENCONTRADO NUMA SOCIEDADE CRISTÃMENTE CONSTITUÍDA. MAS TODAS AS VEZES QUE SE LUTA CONTRA A ORDEM ESTABELECIDA PELA PROVIDÊNCIA DIVINA, ESTE É O CASTIGO DA SOBERBA: QUE AÍ ONDE INCONSIDERADAMENTE SE PROMETE FORTUNA, PRÓSPERA, E TODA CONFORME AOS SEUS DESEJOS, ALI SE ENCONTREM, JUSTAMENTE, OPRESSÃO E MISÉRIA. (…)

Seja como for, diante de um mal tão grave, e por demais difundido, é nosso dever, veneráveis irmãos, dedicar-nos a procurar os remédios para isso. E por saber que na virtude da Religião Divina, TANTO MAIS ODIADA PELOS MAÇONS QUANTO MAIS TEMIDA, consiste a melhor e mais firme esperança de remédio eficaz, julgamos que antes de mais nada se deve recorrer a esta virtude sumamente salutar contra o inimigo comum. Portanto, nós, com a nossa autoridade apostólica ratificamos e confirmamos todas e cada uma das coisas que os Romanos Pontífices, nossos predecessores, decretaram para contrastar os desígnios e tornar vãos os esforços da seita maçónica, tudo o que foi sancionado para afastar ou retirar os fiéis dessas sociedades. Confiando muitíssimo na boa vontade dos fiéis, rezamos e esconjuramos a cumprir tudo o que a esse propósito foi prescrito pela Sé Apostólica.»

 

E ainda o mesmo Pontífice na encíclica “Aeterni Patris”de 4 de Agosto de 1879:

«Mas é louvor máximo e todo próprio de São Tomás de Aquino, nunca concedido a nenhum outro doutor católico, o ter querido os Padres do Concílio de Trento que ao centro da aula das reuniões, junto com os Códices da Sagrada Escritura e os decretos dos Pontífices Romanos, estivesse aberta sobre o Altar também a Suma de São Tomás, para dela extrair conselhos, motivos e sentenças.

E finalmente, pareceu reservada a homem tão incomparável, também a primazia, arrancando obséquios, elogios e admiração, até dos inimigos do Nome Católico. Com efeito, sabe-se que entre os chefes das facções heréticas não faltaram os que confessaram pùblicamente que, UMA VEZ AFASTADA A DOUTRINA DE TOMÁS DE AQUINO, ELES PODERIAM FÀCILMENTE “ENFRENTAR E VENCER TODOS OS DOUTORES CATÓLICOS E ANIQUILAR A IGREJA” – INFUNDADA ESPERANÇA, SEM DÚVIDA, MAS NÃO INFUNDADO TESTEMUNHO.»

 

É conhecido como a Fé Católica, objectivamente, é absolutamente irrefutável. Tal é perfeitamente compreensível se pensarmos na sua origem Divina, Sobrenatural. Neste quadro conceptual teremos de inferir que é impossível, objectivamente, perder a Fé. Consequentemente, os inimigos históricos da Santa Madre Igreja, impossibilitados de levarem a melhor sobre os defensores mais convictos e denodados da Fé Católica, completamente incapazes de os refutarem, mesmo no terreno filosófico, resolvem então pôr em dúvida a sua sanidade mental. Evidentemente que ninguém vai perder tempo a tentar sequer refutar um doente mental.

A Santa Madre Igreja, ao longo dos séculos, através das suas lutas contra os mais variados tipos de hereges, jamais os considerou mentalmente enfermos; podia acusá-los de bruxaria e pacto com o demónio, mas jamais inventou pretextos para se eximir da sagrada obrigação de proceder a um julgamento justo. Mesmo os não crentes honestos e respeitadores decerto se revoltam contra o aniquilamento clínico e civil de pessoas cujo único crime é professarem integralmente a Fé Católica.

A União Soviética e países satélites, usaram e abusaram da psiquiatria para fins políticos e anti-religiosos. Muitos milhares de pessoas foram assim internadas compulsòriamente em Hospitais Psiquiátricos e submetidas a tratamentos com choques eléctricos e outros mimos, em princípio destinados a verdadeiros doentes mentais. O mundo ocidental foi, em princípio, mais moderado neste campo. No entanto, na revolução republicana portuguesa de 1910, vários sacerdotes foram submetidos a diversos testes e verificações craniométricas, com o objectivo de lhes detectar uma pretensa tendência patológica para o crime. Efectivamente, o materialismo crasso e brutal da medicina do século XIX foi quem primeiramente colocou a hipótese, absurda  e satânica, da Religião, entenda-se da Religião Católica, constituir uma forma de doença mental.

Hodiernamente, é a própria seita conciliar – ela mais do que ninguém, e com uma agressividade oriunda das profundezas do Inferno – a propor a tese da doença mental dos militantes da Sagrada Tradição ;ou seja: Uma seita vergonhosa, saída de uma concílio maçónico, cujas consequências diabólicas e deicidas conduziram à loucura e ao suicídio um certo número de sacerdotes,  religiosos e até de fiéis, cujo cômputo exacto jamais saberemos; essa mesma seita tem o arrojo de conspirar para enviar para hospitais psiquiátricos aqueles que a denunciam, sobretudo aqueles social e econòmicamente mais débeis; é aquela mesma seita que não vê nenhum mal na teoria do género, pois que esta se insere necessàriamente no direito universal à liberdade religiosa e anti-religiosa.

Eis-nos assim perante a maior tirania da História Universal. Tirania define-se como o poder utilizado para o mal, para o erro, para a mentira. Considera-se haver Tirania de título quando o tirano usurpa a função com a aparência da qual irradia a tirania; tirania de exercício, quando a função foi constituída legalmente, embora de facto esteja corrompida e ao serviço de mal. Neste quadro conceptual, a tirania da seita conciliar consiste plenamente numa tirania de título, pois que as funções Sagradas, incluindo a mais elevada, estão todas USURPADAS DE RAIZ. Houve quem defendesse, como o Jesuíta Mariana (1536-1624), que qualquer cidadão poderia, legìtimamente, matar o usurpador. Todavia não é essa a Doutrina oficial do Magistério da Santa Madre Igreja, para o qual, qualquer acção contra a tirania tem que ser NECESSÁRIA E ESSENCIALMENTE OBJECTIVA E HIERÁRQUICA.

A utilização da psiquiatria para fins estranhos ao seu objecto próprio de legítima especialidade médica, configura um grave crime de delito comum, e tanto mais hediondo quanto é praticado em nome dos denominados “direitos do homem”. Aliás, é esta concepção revolucionária dos “direitos do homem” que mais tem arruinado OS VERDADEIROS DIREITOS DO HOMEM, AQUELES QUE LHE FORAM CONFERIDOS POR DEUS, QUER PELA CRIAÇÃO, QUER PELA ELEVAÇÃO À ORDEM SOBRENATURAL. Porque se é verdade que a criatura, metafìsicamente, não possui qualquer direito, nem mesmo a ser criada; uma vez colocado o acto Criador, a própria natureza, COM TODAS AS SUAS LEIS, possui uma verdade e uma bondade, que decorrendo das Essências Imutáveis das coisas, É ABSOLUTAMENTE INDISSOCIÁVEL DA VERDADE INCRIADA.

É conhecido como a arma psiquiátrica elimina hoje da sociedade “das pessoas normais” qualquer jovem que apresente uma genuína vocação sacerdotal ou religiosa, vocação essa, que nos tempos que correm, configura um verdadeiro milagre moral da Graça de Deus Nosso Senhor. E tal eliminação, como já referi, processar-se-á com o mais entusiástico apoio da seita conciliar.

Imaginemos hoje, por exemplo, um São Domingos Sávio (1842-1857), o confessor mais jovem da História da Igreja; não podemos, de forma alguma, duvidar que seria, de imediato, internado numa clínica pedopsiquiátrica, e com prognóstico reservado.

A própria aversão, medular e Sobrenatural, ao mundo, que pertence à essência da Fé Católica, é hoje, e de modo definitivamente adquirido, considerada uma forma de grave doença mental, a exigir rápida intervenção terapêutica. E embora já se não utilizem electrochoques, o estigma da morte civil permanecerá para sempre, ainda que essa pessoa venha a ser dada como “curada”, pois que nesta paupérrima civilização é tão assustadora a realidade do doente mental como a do ex-doente mental.

Há factos que constituem bem o sintoma de estarmos na presença da civilização do anti-Cristo: Ainda há poucos meses, aqui em Portugal, foi atribuído um prémio de raiz maçónica, considerado altamente prestigiante, a um determinado professor universitário de língua Grega, muito valorizado socialmente, que tem apresentado uma tradução Bíblica directamente da versão dos “Septuaginta”. Pois ao agradecer, pùblicamente, o prémio, o referido senhor dedicou-o, “ipsis verbis”, AO SEU MARIDO!!! E o pior é que já ninguém protesta, fazê-lo seria, socialmente, altamente penalizador para o próprio.

Tudo o que, mesmo longìnquamente, se erga pùblicamente contra a ideologia do género e o incentivo à sodomia, arrisca o mais severo ostracismo. Pois não condecorou o Vaticano os máximos representantes da República Portuguesa, pouco depois de aprovada a liberalização total do aborto, bem como o “casamento” dos sodomitas?

A psiquiatria, como arma revolucionária, age secretamente, não quer publicidade às suas vítimas, que não considera tais, pois lhes presta um grande favor – “curando-as”. Quem é que se vai preocupar com pessoas, consideradas doentes, e que estão recebendo assistência?

O uso da psiquiatria para fins políticos e anti-religiosos na União Soviética e países satélites, demonstrou a sua infernal eficácia social, evitando a repercussão, considerada penosa, de julgamentos e prisões, mas sobretudo, como referi, cortando o “mal”, cerce e liminarmente, pela raiz, sem necessidade de invocar, perante a sociedade, quaisquer argumentos.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 18 de Junho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

SERÁ A SABEDORIA, NATURAL E SOBRENATURAL, COMUNICÁVEL?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos um breve trecho do Sagrado Livro do Eclesiástico:

  • «Eu saí da boca do Altíssimo, gerada antes de todas as criaturas. Fixei, no mais Alto dos Céus a Minha morada, e o Meu Trono numa coluna de nuvem. Estabeleci-Me por toda a Terra, e exerci o Meu Império em todos os povos e Nações. Sob os Meus pés, pelo Meu poder, tive os corações de todos os homens, grandes e pequenos. Quem me ouvir nunca será confundido, E AQUELES QUE POR MIM SE DEIXAREM CONDUZIR, NÃO CAIRÃO EM PECADO. AQUELES QUE ME TORNAREM CONHECIDA TERÃO A VIDA ETERNA.» Eclo 24, 5-31

Excerto da Constituição Apostólica “Deus Scientiarum Dominus” emanada da Congregação dos Seminários e Universidades, em 24 de Maio de 1931, com aprovação solene do Papa Pio XI:

«Deus, o Senhor das ciências, confiando à Sua Igreja o Mandato Divino de ensinar todas as Nações, constituiu-a, sem nenhuma dúvida, Mestra Infalível da Verdade Divina, e por isso mesmo, PROTECTORA PRINCIPAL E INSPIRADORA DE TODO O SABER HUMANO. Constitui, efectivamente, o próprio da Santa Igreja, o transmitir a todos os homens os ensinamentos sagrados que ela mesma recebeu, extraídos da Divina Revelação; como, por outro lado, a Fé e a Razão humana não sòmente não se podem jamais contradizer; mas perante a sua perfeita harmonia, PRESTAM-SE MÚTUO APOIO. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo em todas as épocas considerou como sendo seu dever auxiliar e promover a cultura das artes e das ciências, como o atestam numerosos e irrecusáveis testemunhos históricos. De facto, desde o fim da Igreja primitiva, período em que o Espírito Santo supria directamente, pela abundância dos Seus Carismas, os conhecimentos que faltassem talvez aos fiéis, e desde o segundo século depois do nascimento de Cristo, surgiram em Alexandria, em Edessa, em Antioquia, lares da Sabedoria Cristã. No fim deste mesmo século, e no curso do terceiro, foram fundados em Alexandria e Antioquia estas ilustres didascálias, onde vieram haurir a sua ciência, para não citar senão os mais célebres: Clemente de Alexandria, Orígenes, São Dionísio O Grande, Eusébio de Cesareia, Santo Atanásio, Dídimo o cego, São Basílio O Grande, São Gregório de Nazianzo, São Gregório Nisseno, São Cirilo de Alexandria, São João Crisóstomo, Teodoreto. Estes Padres e Escritores Eclesiásticos, com Santo Ephrem, Santo Hilário de Poitiers, Santo Ambrósio, São Jerónimo, Santo Agostinho, assim como um número quase incalculável de doutores e de sábios da Igreja da mesma época, eram considerados pela opinião pública como a fina-flor do saber. Posteriormente aos Padres da Igreja, graças sobretudo ao zelo e à actividade dos monges e dos Bispos, secundados, é verdade, por aqueles que detinham então o Poder, um grande número de escolas foram fundadas. Certamente que então, civilização e ciência eclesiástica não constituíam, por assim dizer, senão uma unidade, e que estas escolas – edificadas à sombra das Catedrais e dos Mosteiros – constituíram uma fonte abundante de benefícios para todos.

Ulteriormente, a esta época da Idade Média, a que se costuma denominar Idade das trevas, no momento onde as novas invasões dos Bárbaros ameaçavam submergir e subverter as letras e as artes, abandonadas de todos, tristemente desconsideradas, encontraram a única coisa que lhes restava: Um asilo assegurado nos templos e mosteiros da Igreja Católica. Os concílios reunidos em Roma em 826 e 853 promulgaram a decisão, verdadeira luz no meio das trevas, em virtude da qual,”em todos os Bispados e seus domínios, e em todos os outros lugares onde é necessário, era necessário envidar toda a diligência para estabelecer mestres e doutores que ensinassem regularmente as Letras e Artes liberais.”

Se a Igreja Romana, nesta perturbada época, não tivesse salvaguardado os documentos antigos da civilização, seria certo que o Género Humano teria perdido estes tesouros literários que a Antiguidade havia transmitido.

A Universidade dos Estudos, esta gloriosa instituição da Idade Média, denominada neste época “Estudo” ou “Estudo Geral” possui desde a sua origem POR MÃE E PADROEIRA, MUITO GENEROSA, A SANTA IGREJA. Efectivamente, se nem todas as Universidades foram criadas pela Igreja Católica, não é menos verdade que a maior parte dos Ateneus tiveram como fundadores, ou em todo o caso como mecenas e guias os Pontífices Romanos.»

 

Todos nós consideramos a escola como um lugar de docência e correlativa discência, mas será que nos esforçamos por também definir e aprofundar tais conceitos?

Santo Agostinho considera que a função magisterial constitui sobretudo UMA OCASIÃO para que a actividade instrumental do aluno possa concorrer com a ILUMINAÇÃO DIVINA, ESTA VALORIZADA COMO CAUSA EFICIENTE PRINCIPAL, e isto não apenas na Ordem Natural como na Ordem Sobrenatural, neste último caso, a iluminação Divina seria a Graça Sobrenatural. É que Santo Agostinho julga necessária a acção de Deus para que a inteligência humana possa adquirir certos conceitos e certos princípios de ordem superior, mas no plano estritamente natural.

Muito diferente, e absolutamente preferível, é a posição de São Tomás de Aquino; para este luminar da ciência Teológica e Filosófica, seria contraditório sustentar que para a aquisição de determinados princípios intelectuais puramente naturais, de uma sabedoria humana, fosse necessária uma intervenção positiva (logo Sobrenatural) de Deus, como que acrescentada às próprias forças da Criação em si mesma. Consequentemente, São Tomás defende que é a própria faculdade intelectiva do homem que abstrai o inteligível do sensível, sem qualquer auxílio de Deus, que não seja o concurso puramente metafísico à actividade de toda e qualquer criatura. São Tomás filia esta sua posição na unidade, e simultaneamente na analogia, da Criação, contemplada como a manifestação extrínseca e contingente das Infinitas perfeições Divinas, quer na ordem real, quer na ordem ideal e espiritual. Pois tendo sido a inteligência humana criada por Deus, deve possuir uma intimidade, uma afinidade, extremamente profunda com o Universo, também obra de Deus.   

Neste quadro conceptual, São Tomás sàbiamente argumenta que no processo correlativo docência-discência, na ordem natural, o professor constitui verdadeira causa eficiente instrumental da sabedoria do aluno, sendo as faculdades intelectuais e morais deste a verdadeira causa eficiente principal dessa sabedoria; Deus apenas será considerado, como Criador, como Conservador, e como Autor do referido concurso metafísico. Efectivamente, a Criação possui tudo o que necessita para se bastar a si própria.

Raciocinando, podemos concluir que a actividade discente pode por vezes prescindir de docência qualificada, neste caso por suprimento de quem aprende; e desde que disponha e SAIBA ESCOLHER BONS LIVROS E ADEQUADOS AO SEU TIPO DE INTELIGÊNCIA (causa eficiente instrumental, neste caso) e sobretudo se tiver faculdades intelectuais ontològicamente proporcionadas às matérias que se dispõe a estudar. Se não se verificar tal proporção, o aluno não aprende, ainda que possua os melhores professores (causa eficiente instrumental). PORQUE APRENDER É ABSTRAIR O INTELIGÍVEL DO SENSÍVEL, É CONSTITUIR PRINCÍPIOS INTELIGÍVEIS E ANALOGANTES, REPRESENTATIVOS DA COMPLEXIDADE DO REAL. Por isso existe a aptidão para línguas, para matemática, para as engenharias, para o mundo filosófico etc. Essas diversas capacidades concretizam-se em diversos indivíduos, sendo muito raros aqueles que são igualmente proficientes em disciplinas díspares. Tal acontece porque os homens são indivíduos de uma mesma espécie; ainda segundo São Tomás, a identidade da espécie é conferida pela forma da alma espiritual, a qual é por Deus directamente concriada na matéria fornecida pelos progenitores; MAS AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS ENTRE AS PESSOAS, INCLUINDO O SEXO, SÃO CONFERIDAS PELA MATÉRIA. COMPETE À MATÉRIA MANIFESTAR SINGULARMENTE TODA A RIQUEZA ESPECÍFICA DA FORMA ESPIRITUAL. Exactamente por isso, no Anjo, que são cada um deles uma espécie, não existe, qualquer divisibilidade, qualquer distribuição, das perfeições específicas em diversos entes.

Voltando ainda à missão instrumental do professor, esta sintetiza-se na tentativa de adaptar a matéria leccionada, o melhor possível, ao tipo de inteligência do aluno, de modo a que este melhor possa extrair os necessários princípios inteligíveis. Como já se referiu, no sujeito autodidacta,

a função instrumental tem que ser parcialmente desempenhada por aquele que aprende. Por tudo isto se infere que nem tudo pode ser objecto de ensino, precisamente porque este já conceptualiza a necessidade de uma forma inteligente que o assimile e lhe exprima a Sabedoria.

E na Ordem Sobrenatural?

Nesta Ordem, o Fundamento, a Causa Eficiente Principal de toda a Sabedoria É SEMPRE DEUS NOSSO SENHOR. O professor ou o catequista possuirá também aqui uma função eficiente instrumental. A actividade moral natural do aluno é que constituirá CONDIÇÃO EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL DA GRAÇA DE DEUS. Tal sucede porque existe um paralelismo analógico extrínseco entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural. Referimo-nos à actividade moral, natural, do aluno; todavia se essa actividade já for Sobrenatural, será então CONDIÇÃO INTRÍNSECA PROVIDENCIAL DE NOVAS GRAÇAS. Nunca se olvide que na Ordem Sobrenatural Deus constitui sempre, não apenas a Causa Eficiente Principal – MAS A CAUSA TRANSCENDENTAL DE TODA A PREDESTINAÇÃO À GLÓRIA ETERNA. Mesmo a preparação para a Graça tem de ser Sobrenatural. Quando aqui se refere a Graça, tal necessàriamente inclui os Dons do Espírito Santo, mediante os quais, é Deus Nosso Senhor que derrama em nós, sem nós, a Sua Sabedoria, a Sua Inteligência, a Sua Caridade, a Sua Santidade, a Sua mesma Vida Divina. Nas Virtudes Teologais, somos nós que, sustentados pela Graça, conhecemos e amamos a Deus Nosso Senhor, no exercício das nossas mesmas faculdades. Nos Dons do Espírito Santo, é o próprio Deus que coloca nas nossas faculdades esse conhecimento e esse amor Sobrenatural, a nós compete apenas acolher, ou desgraçadamente rejeitar, esses Dons. Pelo Dom da Sabedoria, Deus e só Deus, como que se nos dá por inteiro, sem reservas, à nossa adoração, à nossa Caridade incondicional, sobre todas as coisas, à nossa compunção, e sendo essencialmente especulativo, o Dom da Sabedoria também é, indirectamente, cem por cento prático. Porque nos confere espécies Sobrenaturais extremamente extensas e universais, mas permanecendo uma notabilíssima compreensão e sentido do particular. Como jamais sucede nas espécies inteligíveis naturais. Efectivamente, no Dom da Sabedoria, nós podemos sentir verdeiramente a Infinitude de Deus, a Asseidade de Deus; o que é perfeitamente lógico, porque nos Dons é Deus Infinito que actua em nós, e no exercício das faculdades somos nós que, finitamente, as movemos.

Nós nunca podemos comunicar, verdadeiramente, aos outros a Sabedoria Sobrenatural, podemos e devemos proclamar a Verdade de Deus Nosso Senhor, anunciar os Mistérios Soberanos da nossa Redenção, mas tudo o que fizermos constituirá, como referimos, apenas uma condição extrínseca Providencial da Graça Divina,  mais nada!   

Na Ordem Natural, um professor excelente pode comunicar a alunos medianos conhecimentos literários e científicos da maior riqueza e da maior utilidade. Mas na Ordem Sobrenatural, existe uma abismo entre a mais eloquente e ilustre prelecção Dogmática e Moral – E A ETERNA PREDESTINAÇÃO TRANSCENDENTAL DE DEUS UNO E TRINO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Julho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

NOSSA SENHORA DO CARMELO, RAINHA DOS PROFETAS DE TODOS OS TEMPOS

Pro Roma Mariana

S. Simão Stock
Arai Daniele
O Profeta Elias, depois de ter sido o instrumento de Deus para a admirável vitória do Seu Culto sobre os 450 profetas do culto de Baal, foi perseguido pela cruel Jezabel.

Teve que fugir para salvar a sua vida e no topo da montanha sua alegria transformou-se em tristeza. Prevalecia nele o sentimento humano que, ao triunfo segue a depressão da desilusão, no olvido que Deus é fiel, nos prova, mas nunca nos abandona.

Assim, a tristeza no Monte Carmelo preparava outro suave espanto de alegria, que até hoje é sinal de vitória.

O Profeta rezando naquela altura viu elevar-se do mar uma pequena nuvem como se fosse à mão de uma pessoa. Num instante o Céu escureceu e caiu uma forte chuva beneficiando toda a região. (1 Rs 18, 16-45). A nuvem benfazeja em forma de mão foi sinal da chuva providencial e passou a ser interpretada como…

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BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE CASTIGO DIVINO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens da sua encíclica “Summi Pontificatus”, promulgada em 20 de Outubro de 1939:

«Narra o santo Evangelho, que ao crucificarem Jesus “escureceu-se toda a terra”(Mt 27,45); pavoroso símbolo do que acontece e continua a acontecer espiritualmente, onde a incredulidade, cega e orgulhosa e si mesma, exclui a Cristo da vida moderna, especialmente da vida pública, e abalando a Fé em Cristo, abala também a Fé em Deus. E por conseguinte, os valores morais, pelos quais, em outros tempos, se julgavam as acções privadas e públicas, ficaram como que em desuso. A TÃO DECANTADA LAICIZAÇÃO DA SOCIEDADE, QUE TEM FEITO PROGRESSOS CADA VEZ MAIS RÀPIDOS, SUBTRAINDO O HOMEM, A FAMÍLIA E O ESTADO, AO BENÉFICO E REGENERADOR INFLUXO DA IDEIA DE DEUS E DO INFLUXO DA SANTA IGREJA, FEZ RESSURGIR, EM REGIÕES ONDE POR ESPAÇO DE TANTOS SÉCULOS BRILHARAM OS FULGORES DA  CIVILIZAÇÃO CRISTÃ, INDÍCIOS, DE UM PAGANISMO CORROMPIDO E CORRUPTOR: “Quando crucificaram Jesus, obscureceu-se toda a Terra.”

Muitos talvez, ao se afastarem da Doutrina de Cristo, não tiveram plena consciência de ser enganados pela falsa miragem de frases brilhantes que proclamavam tal afastamento como um libertar-se da escravidão a que julgavam estar antes sujeitos; nem previam as amargas consequências da triste permuta entre a Verdade – que liberta, e o erro -que escraviza; nem pensavam, que renunciando à infinitamente sábia e paternal Lei de Deus, e à unificadora e nobre Doutrina do Amor de Cristo, SE ENTREGAVAM AO ARBÍTRIO DE UMA POBRE E MUTÁVEL SABEDORIA HUMANA. Falavam de progresso quando retrocediam; de elevação, quando se degradavam; de ascensão ao amadurecimento, quando caíam na escravidão; não percebiam a vaidade de todo o esforço humano em substituir a Lei de Cristo por alguma outra coisa que a igualasse: “Tornaram-se fátuos nos seus arrazoados”(Rom 1,21).

Enfraquecida a Fé em Deus e em Jesus Cristo, ofuscada nos ânimos a Luz dos Princípios Morais, fica a descoberto o único e insubstituível alicerce daquela estabilidade, daquela tranquilidade, daquela ordem externa e interna, privada e pública, única que pode gerar e salvaguardar a prosperidade dos Estados.

É verdade também, que nos tempos em que a Europa se irmanara com ideais idênticos, recebidos da pregação Cristã, não faltaram dissídios, desordens e guerras, que a desolaram; mas talvez nunca se tenha experimentado tão agudamente O DESALENTO DOS NOSSOS DIAS sobre a possiblidade de conciliação; viva era então a consciência do justo e do injusto, do lícito e do ilícito, QUE FACILITA OS ENTENDIMENTOS, ENQUANTO FREIA O DESENCADEAR DAS PAIXÕES, E DEIXA ABERTA A VIA A UM HONESTO ACORDO. Nos nossos dias, ao contrário, os dissídios provêm não sòmente do ímpeto das paixões rebeldes, mas DE UMA PROFUNDA CRISE ESPIRITUAL QUE SUBVERTE OS SÃOS PRINCÍPIOS DA MORAL, PRIVADA E PÚBLICA.»

 

Não há, nem pode haver, pecado sem castigo. Efectivamente, Deus criou o mundo para Sua maior Glória, só a Verdade e o Bem, natural e Sobrenatural, anunciam tal Glória. Castigar o mal é praticar o Bem. O mal, enquanto privação qualificada de ser, existe para maior resplendor do Bem, mais não seja o Bem que é constitutivo do castigo desse mesmo mal, pois a reposição da ordem moral violada, da Glória roubada a Deus, exige metafísica e transcendentalmente esse castigo, e nem Deus dele poderia dispensar, porque a referida exigência é intrìnsecamente conforme com a Verdade e o Bem Incriados.

É uma grande heresia professar que Deus não pune temporalmente as suas criaturas, tal absurdo reconduz-se à restrição da Soberania Divina ùnicamente para o além-túmulo.

Nosso Senhor Jesus Cristo reina sobre todos os homens, e não apenas sobre os baptizados. É certo que a Santa Madre Igreja possui Jurisdição directa e imediata apenas sobre os baptizados; todavia, pode e deve disciplinar e punir também os não-baptizados, sobretudo através do seu braço secular – O ESTADO CATÓLICO. A razão para tal filia-se no facto de os não-católicos não poderem ser objecto de penas estritamente espirituais. O poder temporal da Santa Madre Igreja deve estar sempre ao serviço do seu múnus Sobrenatural; como tal, por vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo, tal poder temporal é confiado a César, o qual possui uma autonomia própria, de carácter político – administrativo e técnico, embora submetida essencialmente à Santa Madre Igreja, na Augusta Pessoa do Romano Pontífice.

A inflicção de punições temporais por parte de Deus Nosso Senhor, é parte absolutamente integrante da Sagrada Escritura, podendo mesmo afirmar-se que não existe uma única página onde não estejam consignados os castigos Divinos temporais. E também não é verdade que esses castigos se limitassem ao tempo em que a Revelação decorreu, ou seja, até à morte do último Apóstolo São João, por volta do ano 100.

Os castigos temporais de Deus, por exemplo, um terramoto, nem sempre implicam uma intervenção positiva de Deus Nosso Senhor na Criação, que pode realizar-se por Deus mesmo, ou através dos Seus santos Anjos, porque Deus não opera por Si próprio, o que pode ser concretizado pelos Anjos, cujo poder sobre a matéria é imenso. Deus Nosso Senhor respeita a hierarquia da Criação que Ele próprio constituiu. Mesmo sem a intervenção positiva de Deus, um acontecimento determinado por causas naturais pode constituir castigo, se a Providência Eterna de Deus assinalou, formalmente, a esse fenómeno natural a função de servir de castigo a determinado pecado, individual ou colectivo. Anàlogamente, quando rezamos por alguma intenção, Deus não altera o Seu plano Eterno do mundo, porque Deus Nosso Senhor não vive no tempo como nós, nem integra em Si mesmo acidentes. Simplesmente, ao constituir, na Sua Inteligência e na Sua Vontade, Eternamente, a ideia do mundo realmente existente, tal com ele é, na sua globalidade, Deus Nosso Senhor, na Sua Infinita Sabedoria, tem já em linha de conta todas as orações de todos os fiéis.

Casos há, em que a inflicção do castigo parte de uma causalidade humana também pecaminosa; exemplo elucidativo é a consumação do castigo colectivo dos Judeus pelo pecado de deicídio, por eles mesmos solicitado: “Que o Seu Sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos” (Mt 27,25). Mediante o instrumento diabólico do nazismo foi realizado um desígnio Eterno de Justiça colectiva. É evidente que os nazis eram grandes criminosos, mas a sua maléfica acção serviu, materialmente, os propósitos objectivos da Divina Providência no que concerne aos Judeus. Tal só pode ser operado pelo Criador, que É na Eternidade, e que possui a chave das Essências, a hegemonia absoluta sobre os seres e o tempo, bem como dos fundamentos e das finalidades.

A própria Sacrossanta Redenção, pela parte dos Judeus constituiu um crime de deicídio; mas pela parte de Jesus sofredor, constituiu um Sacrifício de valor infinito consumado por uma Pessoa de Infinita Dignidade.

Cumpre registar, que neste nosso pobre mundo, podem existir castigos individuais e castigos colectivos, mas no além só podem exisitir castigos e recompensas individuais. O terramoto de Lisboa em 1 de Novembro de 1755, foi um castigo colectivo intencionado para punir os pecados das classes superiores, sobretudo os cometidos no anterior reinado de D. João V. Fora a época dos “freiráticos”, ou seja da corrupção desenfreada nos conventos femininos tornados lupanares de luxo; tendo o rei participado activamente nesse gigantesco lenocínio. Porque para o torpe rei D.João V, cego pelo orgulho humano e pela sensualidade, a Religião constituía sòmente um elemento decorativo, tal como na França de Luís XIV, mas bastante pior nos costumes.  No entanto, nesse terramoto morreu mais gente humilde do que poderosos, inclusivamente, muito povo soterrado sob as igrejas colapsadas; exactamente porque Deus pretendia flagelar a Nação Portuguesa no seu todo, enquanto governada por homens tão hediondos.

Uma outra configuração dos castigos Divinos, reconduz-se no punir o pecado com o próprio pecado. As duas guerras mundiais do século XX foram globalmente um grande pecado, porque todas as partes envolvidas, todas as Nações, haviam já apostatado oficialmente, e os respectivos povos vivam num neo-paganismo que só nominalmente fazia apelo à Sacrossanta Religião Católica. As razões profundas dessas guerras foram a rivalidade nacionalista e comercial entre as potências (I Guerra) e a expansão nazi animada pelo racismo mais hediondo, sem excluir a asquerosa agressividade soviética que pactuou com o nazismo enquanto tal lhe convinha (II Guerra). Não esquecer que quando do ataque nazi à Polónia a União Sóviética também anexou parte do território polaco, o que aliás estava previsto no pacto germano-soviético. Como se vê, a maldade humana não tem limites e foi ela que desencadeou e envenenou descomunalmente estas guerras. Mas por outro lado, as guerras mundiais constituíram o justo escarmento dos pecados do liberalismo. Como se referiu, É A PROVIDÊNCIA ETERNA DE DEUS, QUE ESTRUTURA E HIERARQUIZA OS ACONTECIMENTOS, QUER NA SUA REALIDADE MATERIAL, QUER NA SUA ENTIDADE FORMAL. TODAVIA, SÓ PROMOVE POSITIVAMENTE O BEM, SENDO O MAL APENAS PERMITIDO, PORQUE INTEGRADO NA COMPREENSÃO DA IDEIA GLOBAL E ETERNA DO MUNDO.

Porque o pecado é sempre um mal para quem o pratica, individual ou colectivamente, mais não seja porque as leis da natureza, uma vez violadas, acabam por se revoltar contra o próprio violador;  pode pois o pecado ser formalmente qualificado como castigo de outro pecado, por Quem detém a Suprema Arquitectura dos seres e dos fins.

A conquista da face humana do Corpo Místico pela maçonaria internacional define outro contexto em que o pecado constitui pena de outro pecado. Neste enquadramento, trata-se de um castigo colectivo supremo pré-escatológico pelos pecados do Género Humano, pois opera a privação de um BEM SUPREMO, QUE TAL É A EXISTÊNCIA DA SANTA MADRE IGREJA COMO REALIDADE SOCIAL E CULTURAL; até pelo facto desta simples existência, em si mesma, salvaguardar o mundo de certas expressões mais extremas do mal, pelo menos da sua ostentação material.

A falta de santidade da resistência católica à seita anti-Cristo, NÃO SÓ NÃO OBTEVE DE DEUS NOSSO SENHOR A CONVERSÃO DO VATICANO APÓSTATA, COMO TEVE COMO CASTIGO A APOSTASIA, PELO MENOS NOS SEUS CHEFES, DA FRATERNIDADE que foi de São Pio X. Aqui reside mais um exemplo do pecado como castigo de outros pecados. Pois que o instrumento do pecado deve também constituir o instrumento do justo castigo, para que seja mais clara a percepção do pecado como um mal absoluto, uma Glória roubada a Deus, uma irrisão da Lei Eterna, CUJA PRIMEIRA VÍTIMA É O PECADOR, AINDA QUE, NA SUA CEGUEIRA, ELE DE TAL SE NÃO APERCEBA, COMO ACONTECE COM TODOS OS MODERNISTAS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 5 de Julho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral  

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