Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

QUE DIZER A UM ADOLESCENTE QUE HOJE QUEIRA SER PADRE?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Ad Catholici Sacerdotii”, promulgada em 20 de Dezembro de 1935:

«É o sacerdote, de facto, por vocação e mandato Divino, o principal Apóstolo e defensor infatigável da educação da juventude cristã; ele, em Nome, e com a Autoridade de Deus, abençoa o matrimónio Cristão e defende sua perpetuidade e Santidade contra os erros e embustes da sensualidade e da concupiscência; o sacerdote traz a mais valiosa contribuição à solução, ou, pelo menos à mitigação dos conflitos sociais, pregando a Fraternidade Cristã, recordando a todos os mútuos deveres de Justiça e da Caridade Evangélica, pacificando os ânimos exasperados pelas diferenças sociais e económicas, MOSTRANDO AOS RICOS E AOS POBRES OS ÚNICOS VERDADEIROS BENS, A QUE TODOS PODEM E DEVEM ASPIRAR; o sacerdote, finalmente, é o mais eficaz pregador daquela cruzada de expiação e de santa penitência, à qual temos exortado todos os bons, para reparar as impiedades, as torpezas e os delitos que nos tempos presentes tanto desonram e degradam o Género Humano; tempos os de hoje, certamente, nos quais, como em nenhum outro momento da História, mais necessitamos da Misericórdia do Divino Redentor, e do Seu perdão.

Em verdade, os inimigos da Santa Igreja não desconhecem a importância vital do Sacerdócio, e por isso – como tivemos de lamentar ao escrever ao caríssimo povo mexicano – lançam seus ataques principalmente contra ele, PARA ARRANCÁ-LO DA RAIZ DA SOCIEDADE HUMANA E ABRIR CAMINHO PARA DESTRUIR COMPLETAMENTE O NOME CATÓLICO NA POSTERIDADE; eis certamente o que desejam com veemência, MAS QUE JAMAIS CONSEGUIRÃO!

O Género Humano sentiu sempre a necessidade de sacerdotes, isto é, homens que pela missão a eles legìtimamente confiada, fossem conciliadores entre Deus e os homens, cuja missão durante toda a vida abarcasse as coisas relacionadas com a Divindade; fossem os que oferecessem a Deus, as súplicas, as expiações, os sacrifícios em nome da sociedade, que como tal, TEM OBRIGAÇÃO DE RENDER CULTO PÚBLICO E SOCIAL A DEUS, DE RECONHECER N’ELE O SENHOR SUPREMO E O PRIMEIRO PRINCÍPIO, DE TENDER PARA ELE COMO AO SEU FIM ÚLTIMO, AGRADECENDO-LHE E TORNANDO-O PROPÍCIO. Em verdade, entre todos os povos de cujos costumes se tem notícia, a menos que sejam constrangidos pela violência a recusar e abjurar as leis mais Sagradas da natureza humana, sempre houve sacerdotes, embora muitas vezes a serviço de FALSAS DIVINDADES; e da mesma maneira, onde quer que os homens professem uma religião, onde quer que levantem altares, ali há um sacerdócio, circundado de mostras especiais de honra e veneração.

Mas quando brilharam os fulgores da Revelação Divina, apareceu o sacerdote revestido de muito maior dignidade, da qual é afastado prenúncio a misteriosa e venerável figura  de Melquisedec, sacerdote e rei, cujo símbolo o Apóstolo São Paulo relaciona com a Pessoa e Sacerdócio de Jesus Cristo.

Em primeiro lugar, como ensina o Sagrado Concílio de Trento, Jesus Cristo instituiu na última Ceia o Sacerdócio e o Sacrifício do mesmo nome:”Este mesmo Deus e Senhor nosso, embora uma só vez Se houvesse de oferecer por Sua morte no Altar da Cruz a Seu Pai, para operar ali a Eterna Redenção, não obstante, para que por Sua morte o Sacerdócio não se extinguisse, na última Ceia, na noite em que ia ser entregue, para deixar à Igreja, Sua amada Esposa, UM SACRIFÍCIO VISÍVEL, COMO O EXIGE A NATUREZA DO HOMEM, com O Qual se representasse aquele SACRIFÍCIO cruento que ia consumar uma só vez na Cruz, e para que ficasse memória dele até ao fim dos séculos, e para que se aplicasse sua virtude na remissão dos pecados que nós todos os dias cometemos, declarando-Se constituído Sacerdote Eterno segundo a ordem de Melquisedec, OFERECEU A DEUS PAI SEU CORPO E SANGUE, SOB AS ESPÉCIES DE PÃO E DE VINHO, E SOB ESTAS MESMAS ESPÉCIES, AOS APÓSTOLOS, QUE ENTÃO CONSTITUÍA SACERDOTES DO NOVO TESTAMENTO, entregou para que consumissem, e aos mesmos, bem como aos seus sucessores no Sacerdócio, mandou que oferecessem o mesmo Sacrifício sob os mesmos símbolos, dizendo: FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”.»

 

 A juventude é uma das maiores vítimas da seita conciliar; porque a gente nova constitui, por definição, o futuro da Humanidade, e porque possuem naturalmente uma plasticidade, uma potencialidade, que se for mal formada, como tal permanecerá agravada para todo o sempre.

Quem escreve estas linhas, tendo frequentado, em pleno Estado Novo Português, um colégio nominalmente católico, passou pela angústia de ouvir o agnóstico professor de História e Filosofia afirmar que “neste mundo, quem vence não é quem tem razão, mas quem tem força”; a minha primeira reacção foi pensar: Mas se é assim, para quê viver? É evidente que nenhum pai, nem nenhum professor, deve expender tais considerações a adolescentes sem proceder a um enquadramento, necessàriamente transcendente e Sobrenatural, que reconstitua uma ordem essencialmente objectiva que liminarmente desautorize quanto possível, na alma do adolescente, a atroz realidade deste péssimo mundo, desta verdadeira ante-Câmera do Inferno.

Em mim – por Graça de Deus, e de Nossa Senhora de Fátima, Medianeira de todas as Graças – o efeito foi totalmente o oposto do pretendido; consequentemente, sou hoje tão inflexível, e até brutal, com a seita conciliar, matriz de todos os mais impensáveis relativismos.

Mas como argumentar, hoje, com um rapaz que, de boa fé, quer ser padre? Convenhamos que é bastante difícil.

Em primeiro lugar, coloque-se uma questão de grande magnitude; o rapaz é baptizado? Se sim, tê-lo-á sido vàlidamente?  Não se pense que se trata de um problema menor, na exacta medida em que nestes nossos ominosos tempos há muitos, mas mesmo muitos, baptismos inválidos; pois que a seita conciliar, enquanto tal, não tem sacramentos, e o baptismo foi transformado num ritual de admissão numa seita festivaleira e pândega. Mas como se sabe, qualquer pessoa pode e deve baptizar, sendo que nos tempos que correm deve considerar-se como suspensa a lei canónica que exige, ordinàriamente, o Baptismo solene na igreja paroquial – precisamente porque vivemos tempos absolutamente extraordinàrios. Se o rapaz é vàlidamente baptizado, devemos imediatamente concluir pelo poder da Graça, que mesmo num ambiente social e religioso deletério, procura   e pugna pela verdadeira Fé Católica.

Deve-se instruir o rapaz na verdade e na santidade da Fé Católica, com o auxílio de um bom Catecismo, e conforme o grau de ilustração do adolescente, propor-lhe mesmo a Luz da Suma Teológica. Devemos, cautelosamente, perante a possível vocação, proceder à comparação entre os textos da Santa Madre Igreja e os da seita conciliar, estruturando bem a Tese de que a Verdade e o Bem, quer filosòfica, quer teològicamente, NÃO MUDAM, NEM PODEM MUDAR.    

Nunca devemos olvidar que em todo o homem, em qualquer época e em qualquer lugar, qualquer que seja o ambiente social e religioso em que ele viva, nesse homem permanece sempre O SINETE, O CARÁCTER DA CONTINGÊNCIA. Na medida em que a criatura NÃO É O SEU SER, porque é circunscrita pela sua própria essência, pelos limites da sua essência; necessàriamente, metafìsicamente, nela se gerará uma dinâmica que brota da incomensurabilidade entre essa limitação E O SER INFINITO. Consequentemente, quer queira, quer não, O VÍNCULO DA CONTINGÊNCIA ESTÁ NESSA PESSOA. Pode é errar objectivamente na expressão desse vínculo, como sucede na enorme maioria dos casos. Assim o comunismo constitui uma religião em negativo infernal: Tem o seu “deus” que é a matéria em evolução; tem a sua igreja que é o partido comunista; tem o seu redentor que são os revolucionários profissionais; tem o seu povo eleito que é a classe operária; e tem o seu paraíso escatológico que é a sociedade comunista, regeneradora e superadora de todas as contradições. Outro exemplo: A crença religiosa nos seres extra-terrestres e nas civilizações de outras estrelas; trata-se de uma autêntica religião em negativo infernal, pois subverte, objectivamente, aquela marca da contingência, que deve conduzir os homens à verdadeira filosofia e à verdadeira Religião.    

Neste quadro conceptual, a análise de uma possível vocação em tempos de extinção social e cultural da Santa Madre Igreja não pode deixar de considerar também estes aspectos fundamentalmente filosóficos.

A pergunta mais dramática do adolescente será certamente acerca dos lugares onde, acaso, ainda se conserve, fielmente, a Tradição Católica. A resposta deve excluir não apenas, como é evidente, a seita conciliar, mas também a Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X, e organizações que gravitam à sua volta. A resposta positiva deve referir como válidas as linhagens episcopais Thuc-Guérard des Lauriers e Alfredo Mendez Gonzalez-Clarence Kelly. A esperança e a sobrevivência da Fé Católica parece, sem dúvida, encontrarem-se nos Seminários Sedevacantistas dos Estados Unidos.

A possível vocação deve inteirar-se plenamente das belezas Sobrenaturais do celibato, notando explìcitamente, que a exigência material do celibato formalmente privada da vida na Graça Santificante, na Caridade perfeita, ESTÁ FUNDAMENTALMENTE NA ORIGEM DA PEDERASTIA ECLESIÁSTICA.

O adolescente deve consciencializar-se de que a seita conciliar, ateia e libertina, não tem Sacerdócio, nem Sacramentos, nem Missa, porque ela própria é a maçonaria internacional; e que muitos rapazes que têm nela sido incorporados tornaram-se funcionários dessa internacional do mal, libertando-se dela à custa de muitos sofrimentos e depois de violados, na alma, e por vezes, no corpo. Pois que a amaldiçoada seita saída do Vaticano 2, liderada pelos papas da morte de Deus, como castigo da sua apostasia, vem transformando-se numa internacional homossexual, quinta-essência de todas as impurezas, de todas as heresias, e de todos os crimes.

Espectáculos como o de Fátima, tendem a impressionar os adolescentes, incapazes de discernirem as ciclópicas e demoníacas forças em jogo, aliás como a imensa maioria dos adultos, mesmo instruídos. Mas a alma adolescente é, sobretudo, muito impressionável e sem o calo da vida, pelo que deve ser muito bem aconselhada, o que hodiernamente se apresenta como cada vez sendo mais difícil.

Que Nossa Senhora de Fátima abençoe e proteja a nossa juventude.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 18 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO AO PAI

ARIANISMO – HERESIA GNÓSTICA PERENE: uma diferença com Orlando Fedeli

Arai Daniele

O fato que o espírito das velhas heresias do gnosticismo, arianismo e pelagianismo, para ficar só nestas, esteja presente depois de tantos séculos, deve indicar algo de importante para compreender o que seja. Para começar, diga-se logo que toda heresia pode convergir a uma matriz, à gnose espúria que é presunção de conhecimento contrário à fé. Trata-se, pois, da ferida perene da rebelião que manchou a alma de todo ser humano com o pecado original.

Mesmo querendo diferenciar as piores formas de heresias, podemos ficar com três: – contra a autoridade do Pai Criador, em ambos os Testamentos, com Marcionismo; a pelagiana, pela qual o homem pode dispensar a ajuda divina para operar em verdade. E, finalmente, a pior, o arianismo, que negando a igualdade do Filho com o Pai, nega a Palavra de Deus, que é o Mistério da Santíssima Trindade. Com isto supera toda outra heresia pois ataca a verdade mais alta, do Verbo de Deus, descrita no Evangelho de São João.

O arianismo foi das heresias mais maléficas desde o período de transição entre a afirmação do Cristianismo, cujo culto foi aceito em 313 pelo Império Romano e o seguinte dos grandes Concílios ecumênicos. Não só, durou com seus estragos na formação da Cristandade, desde seu início nesse século IV d. C, até meados do século X d. C.; ,as o seu espírito adeja ainda.

Voltando a tratar desse assunto, recorri a alguns trabalhos que me parecem mais adequados ao momento religioso sob o desvio ariano conciliar que vivemos. Entre estes, «Présence d’Arius» de Hughes Kéraly, em francês (Ed. Martin Morin, 1981), mas também a quanto o amigo Orlando publicou sobre gnose e gnosticismo no sito Montfort, onde consta também o título «Nova missa; câncer da Igreja». E aqui é implícita a heresia do falso culto a Deus.

Ora, se toda a bestialidade modernista, maçônica, conciliar ecumenista do «novus ordo» ouvidas pelos católicos nestes quase sessenta anos de domínio modernista, desviou tantos, ao mesmo tempo deve-se reconhecer que apurou a fé de muitos. Já explicava Newman, o cardeal vindo da heresia anglicana: “nenhuma doutrina é definida antes de ser combatida.”

Claro, essa luta é em nome da mesma Fé imutável, independente de qualquer nosso melhor entendimento; requer, para ser enfrentada, manter-se firme nos grandes princípios de modo a consolidar a nossa capacidade de resistência católica. Essa resiliência hoje, mais investiga antigas heresia, como a ariana, e mais compreende o que seja o Vaticano 2, que parece novo, mais demonstra o que tem em comum com elas, Basta considerar o retorno às mesmas confusões ecumenistas, para ver que seus problemas surgem de sua alienação ao princípio de que a verdade vem de Deus aos homens , não no sentido oposto.

Em meu livro que analisa os desvios conciliares à luz de todo o Magistério precedente de todos os papas, «l’Eclisse del Pensiero Cattolico» (Ed. Europa, Roma, 1997), demonstro a contraposição ao pensamento «teândrico» católico, das idéias «androteístas» conciliares. É o gnosticismo que impregnou o pensamento dos bispos reunidos em concílio, sob João 23 e Paulo 6, para elaborar uma «nova Pentecostes» não ecumênica mas ecumenista!

Tudo partindo de um plano pré-estabelecido de abertura e reunião das crenças do mundo. Não mais a Religião única da Verdade, mas de “verdades” gnósticas da própria larva modernista dos novos mestres. Basta ouvir Bergoglio, que a cada dia emite novas ideias de seu pessoal repertório.

Mas passemos ao arianismo, para depois descrever o martírio de um santo que recusou a comunhão com esses hereges, embora seus sacramentos fossem praticamente os mesmos.

A presença da heresia ariana hoje

Como se sabe, a palavra heresia vem do grego e significa escolha.  As velhas heresias que reaparecem hoje de modo tortuoso, como a de Ario, ou Arius, seguem uma escolha anti – Trinitária.

Ario, presbítero de Alexandria no Egito, foi autor dessa «escolha herética» que, segundo a ortodoxia da Igreja, atenta à Verdade no campo da Cristologia, pois tange ao entendimento teológico que se tem da Pessoa de Jesus Cristo da Trindade Santa.

A Cristologia é o ramo da Teologia dedicada ao conhecimento da natureza de Jesus Cristo; segunda Pessoa da Trindade divina, que tem a substância de Deus Pai, Criador –  e do Espírito Santo, a terceira Pessoa, tendo-Se encarnado neste mundo humano.

A heresia foi combatida pelos mais sábios entre os doutos da Igreja Cristã Primitiva, como Santo Atanásio, mas também pelo povo fiel.  Ário não queria aceitar que Jesus Cristo fosse Deus encarnado, mas sim um homem extraordinário, argumentando que não partilhava da mesma substância de Deus, porque criado por Deus como toda outra criatura humana. Assim, negava a eternidade de Cristo, encarnação do Verbo divino, Filho de Deus. A partir de sua respeitável formação intelectual como presbítero em Alexandria, centro intelectual da Ásia Menor, fez vários adeptos entre os bispos e dai no mundo político.

O primeiro a defender a ortodoxia transmitida pelos Apóstolos e confrontar Ario  diretamente foi o Bispo de Alexandria, Alexandre que, percebendo o perigo dessa rebelião doutrinal, reuniu um Sínodo local, em 318 d. C, que contou com cem bispos aproximadamente. Os bispos condenaram Ario como herege e divulgaram a decisão a bispos de outras dioceses e ao papa Silvestre, que a acolheu. Mesmo assim, Ario, apresentando a sua heresia como interpretação do Evangelho, conseguiu importantes adesões de adeptos interessados em pilotar as disputas teológicas no mundo político que buscava ideias convenientes para unir os povos; era a idéia ecumenista da época.

A situação tornou-se preocupante e o imperador Constantino, que era assessorado pelo Bispo Ósio de Córdoba, na Espanha, convocou um Concílio ecumênico em 325 d. C, realizado em Niceia. O Concílio reuniu cerca de trezentos bispos de várias regiões e definiu o dogma que Jesus Cristo como Filho de Deus foi gerado, não criado da mesma substância e natureza do Pai, desde toda a eternidade; a ideia de Ario, assim como a de que o mundo não fora criado por Deus do nada (ex nihilo), é pois herética. Constantino acatou as decisões do Concílio de Niceia e exilou Ario, condenando as suas obras.

Após a resolução do Concílio, 325 d. C, um presbítero da cidade de Nicomédia, Eusébio, passou a difundir o semi-arianismo, tentando a reabilitação da heresia, mitigada. Esta corrente alastrou-se logo e seu efeito se fez sentir sobre o imperador Constantino que, já em 327, anistiou Ario, permitindo que regressasse à Alexandria.

O Bispo de Alexandria então já não era Alexandre mas Atanásio, que a Igreja viria a canonizar pela sua luta contra a heresia de Ario. Foi um  dos mais importantes e sábios mestres da Igreja Cristã Primitiva a combater a heresia do arianismo.

Santo Atanásio (295 d. C – 373 d. C) manteve-se na linha ortodoxa de repúdio ao arianismo desde o seu início. Ao longo das décadas de 330 e 340 d. C, Atanásio teve de enfrentar duramente a organização ariana (ou semiariana) no Egito e em grande parte da Igreja oriental.

Eusébio de Nicomédia, o partidário de Ário, conseguira formar uma seita arianista que exerceu grande poder dentro da Igreja, e chegou a influenciar bispos do Oriente e a excomungar Atanásio para desterrá-lo por duas vezes. Atanásio só foi reabilitado pela Igreja com o Concílio de Sárdica em 346 d. C, que reafirmou as concepções ortodoxas do Concílio de Niceia, confrontando mais uma vez o arianismo.

Contudo, o imperador Constâncio, na década de 350 d. C, deu muito espaço à heresia ariana, chegando a obrigar o então papa Libério a excomungar Atanásio em 357 d. C. Nas décadas seguintes, de 360 e 370, sobretudo após a morte do imperador, Atanásio e outros sábios da Igreja, como Santo Hilário, continuaram isolados a defender a ortodoxia relativa à Trindade e a combater a heresia ariana.

Gnose, Religião oculta da História

“Quando se estuda a gnose entra-se num labirinto cheio de brumas, tentando descobrir segredos que permitirão chegar a um mistério. Não é de estranhar que o tema se preste a confusões.” Fedeli empenhou-se a desmascarar a «gnose» com armas culturais. Nisto ele polemizou com Olavo de Carvalho nesse campo, comum a ambos.

Trata-se da solução do combate cultural anticomunista do Olavo, impraticável a breve, porque leva tempo para preparar a moçada; se é que chega a ser conclusivo nesse “labirinto cheio de brumas”.  No entanto, pode indicar um verdadeiro atalho, hoje esquecido, que foi lembrado no começo do século XX por S, Pio X, mas abandonado em seguida. É do Cristianismo, da Civilização e Ordem cristãs que existem e só precisam ser restauradas. A partir dela sabemos qual a plena cultura sobre o homem e o seu fim, sobre a família e a sociedade, portanto de seus opostos, para reagir.

Mas a sua Cidadela é a Igreja Católica. É claro que se esta foi abalada, arruinada, e depois ocupada, a solução cultural e religiosa  para agir na sua reedificação, é testemunha-lo, conforme a situação dos tempos.

Nesta especificação – segundo os tempos -, alguém pode querer ler uma deriva modernista. Nada disto. O nefasto modernismo quis aplicar este agir onde não podia, ao cerne do Cristianismo, isto é, à sua plena cultura sobre o homem e o seu fim, sobre a família e a sociedade, portanto opondo-se ao que vem do Alto, a favor das falsas culturas modernas que operam para destruí-lo.

Também é claro que o reconhecimento dos diversos pensamentos da parte dos mais doutos é útil e necessário, e podemos seguir essa crítica do Orlando quando estabelece distinções entre panteísmo e gnose em crenças “hinduístas, do Egito, China e Caldéia, passando por Heráclito e Parmênides, pelo sufita Ibn Arabi, Campanella até Diderot, Kant, Novalis e os românticos.” Tudo bem se esses pensamentos são citados em função do seu anticristianismo. “O panteísmo é naturalista, monista e tende ao racionalismo. A gnose é dualista, anti- cósmica e anti-racionalista”.

Sim, mas reconhecendo que há sistemas gnósticos ambíguos quanto ao mundo material, enquanto, há sistemas panteístas que vêm a transformação da matéria em espírito, no sentido evolucionista, como quis o jesuíta Teilhard de Chardin para o Vaticano 2.

Ao conceituar a «gnose» segundo sua pretensão de ser “o conhecimento do incognoscível”, conceituação que desvela a contradição anticristã típica da gnose, em oposição à Palavra divina, ao Verbo. Como se vê, quando a gnose repele a inteligência e a lógica como enganadoras, rejeita a estrutura do pensamento em si, que é ordenado à Verdade, contrapondo-lhe um conhecer intuitivo, ligado a algum poder secreto do homem, que gera todo e qualquer «esoterismo»!

“Conhecer o incognoscível, de fato, significa dar ao homem o conhecimento de Deus e do mal, coisas impossíveis de compreender. De fato não podemos compreender ou conhecer a própria essência de Deus que é ser infinito e transcendente, impossível de ser captado por nosso intelecto. Também não podemos entender o mal e o pecado: o mal enquanto ser não existe, e o mal moral não tem razão que o justifique. Assim, a gnose pretende oferecer ao homem um conhecimento natural que o colocaria em posição de compreender – e portanto superar – a Deus, de compreender a mal, e, ademais, de conhecer sua natureza mais íntima, que seria divina.

“A gnose é então a religião que oferece ao homem o conhecimento do bem e do mal. Ora, sabe-se que a árvore do fruto proibido do Éden era exatamente a árvore do conhecimento ou ciência do bem e do mal (Gen. II,10). Assim, teria sido a gnose a tentação de Adão. Com efeito, a serpente prometeu a nossos primeiros pais que, se comessem o fruto proibido, “seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gen., III,5).”

Tudo acontece no mundo da consciência, da cultura e da religião, em chave favorável ou contrária à consciência, à cultura e à fé cristã. Eis o principal guia do agir, que é o atalho que indiquei acima para enfrentar questões políticas a partir da cultura essencial da Religião; sim porque o sábio reconhece a contraposição que há em somente duas maneiras de pensar: a Fé, «pistis» e o que se pensa ver como conhecimento não discursivo e ilógico na «gnose».

Neste sentido a «cultura» necessária ao católico é ao mesmo tempo a mais ampla, simples e lógica e me agrada resumi-la com as palavras do pensador Juan Donoso Cortés, como expus no meu artigo deste site: https://promariana.wordpress.com/2014/03/08/a-filosofia-de-donoso-cortes-dugin-olavo-e-seu-inverso-conciliar/

Todo pensamento, ideologia, crença desviada da trilha da Verdade,  é relacionado à essa tendência gnóstica de rapto prometeico do conhecimento. Portanto, exprime uma profunda inquietação do espírito humano, que não pode encontrar harmonia e tranquilidade senão na Palavra divina.

Eis que Santo Agostinho a exprimia dizendo: « Fizeste-nos para ti Senhor, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousar em ti ». Na ciência de Deus tudo está contido, desde a Teologia, que o Vaticano 2 quis mudar, até a mais alta Política cristã, que a miséria política atual quer anular. Mas é fato que sem a Verdade as almas morrem.

O testemunho e a defesa da Verdade na Igreja precede qualquer outro debate que hoje, na ausência de um papa católico, é mais que ocioso, arrisca ser testemunho de uma falsa realidade.

E como isto implica a deturpação do culto a Deus, seguirá o exemplo de martírio de um santo para testemunhá-lo.

AS BEM-AVENTURANÇAS COMO FRUTOS DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da sua encíclica “Acerbo Nimis”, promulgada em 21 de Abril de 1905:

«Sabemos que para muitos a tarefa do catequista não é bem vista, porque comumente não é tida como importante, sendo pouco talhada aos aplausos das pessoas. Mas isso, em nossa óptica, é juízo nascido do imediatismo, e não da Verdade. Nós, sem dúvida, admitimos que sejam dignos de louvor aqueles sagrados oradores que se dedicam com zelo sincero â Glória de Deus, seja em defesa da manutenção da Fé, seja para o encómio dos heróis do Cristianismo. Todavia, a fadiga deles, supõe outra, isto é, a dos catequistas; onde essa faltar, faltam os fundamentos e trabalham em vão os que edificam a casa. Frequentemente, os sermões floridos, que repercutem em aplauso nas grandes concentrações, ARRISCAM SIMPLESMENTE ACARICIAR OS OUVIDOS; NÃO COMOVEM DE FACTO OS ÂNIMOS DAS PESSOAS. Ao contrário da instrução catequética, porque esta, embora humilde e simples, faz o que o próprio Deus disse a Isaías: “Como a chuva e a neve descem do Céu, e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a Palavra que sai da Minha boca: Ela não torna a Mim sem fruto; antes, ela cumpre a Minha Vontade, e assegura o êxito da missão para a qual a enviei” (Is 55, 10-11).

O mesmo pensamos ter de dizer dos sacerdotes, que para ilustrar as Verdades Religiosas compõem densos livros; merecendo por isso ser recomendados. Mas quantos são os que lêem  tais volumes, correspondendo em frutos ao suor e ao zelo de quem os escreveu?

Onde o ensinamento do catecismo é feito como se deve, não há nunca desvantagem para quem o escuta.

Já que é útil repetir, para incentivar o zelo dos Ministros do Santuário, são muitos – e cada dia crescem mais – os que ignoram as Verdades Religiosas. De Deus e da Fé Cristã, possuem apenas aquela ciência que lhes permite viver como idólatras no meio da Luz do Cristianismo.  Quantos são os que, embora não tão jovens, mas já adultos e até em idade provecta, ignoram totalmente os principais Mistérios da Fé; os quais, ouvido o Nome de Cristo, respondem: “Quem é… para que eu creia n’Ele?” (Jo 9,36).

Em consequência disso: Não constitui para eles problema incentivar e nutrir ódio contra o próximo; estabelecer contratos injustíssimos; dar-se a especulações desonestas; apossar-se dos bens do próximo com ingente usura e maldade. E mais: Ignoram como a Lei de Cristo não só proscreva essa acções torpes, mas também condene pensá-las e desejá-las; e entretidos por um motivo qualquer, abandonando-se aos deleites sensuais, SERVEM-SE SEM ESCRÚPULOS DE TODA A SORTE DE PÉSSIMOS PENSAMENTOS, MULTIPLICANDO OS PECADOS MAIS DO QUE OS CABELOS DA CABEÇA.

Este género, voltamos a dizer, não está sòmente entre os pobres filhos do povo, ou entre camponeses,  mas sim – e talvez em número ainda maior – entre os de classes mais elevadas, e também entre os que a ciência enobrece, MAS QUE, APOIADOS NUMA VÃ ERUDIÇÃO, CRÊEM PODER RIDICULARIZAR A RELIGIÃO E ” INJURIAM O QUE NÃO CONHECEM (Jd 10).»
Tal como afirma São Pio X, diminuir a catequese é minar pela base os alicerces da Fé Católica no povo e preparar gerações, ou modernistas e ateias, ou mimético nominalistas e supersticiosas. Efectivamente, o analfabetismo religioso das grandes massas, populares, ou cultas segundo os padrões do mundo, CONSTITUI A MAIOR CHAGA DE TODOS OS TEMPOS NA VIDA DO CORPO MÍSTICO. Novamente se assevera: É religiosamente analfabeto quem não conhece a Deus pela Fé formada pela Caridade perfeita e pela Graça Santificante. Mas para obter de Deus tão grande Graça, seja criança, seja adulto, É NECESSÁRIO FREQUENTAR COM PROVEITO O CATECISMO, SEGUNDO A CAPACIDADE INTELECTUAL NATURAL DE CADA UM. INSISTE-SE: A POUCA INTELIGÊNCIA NATURAL NÃO CONSTITUI, NEM PODE CONSTITUIR, ÓBICE ALGUM À POSSE DO ORGANISMO SOBRENATURAL, NA EXACTA MEDIDA EM QUE É ESSE MESMO ORGANISMO, A SUPRIR, POR VIA SOBRENATURAL, AQUILO QUE FALTA À NATUREZA. O catecismo é necessário porque constitui condição extrínseca Providencial à actuação da Graça. Deus Nosso Senhor, na Sua Eterna Sabedoria, providenciou um estrito paralelismo, conquanto extrínseco, entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural.

Seja-me permitido aconselhar o Catecismo Católico Popular de Francisco Spirago, em três volumes, escrito no século XIX, concebido em três níveis, completíssimo, precioso auxiliar do bom catequista; disponível em português, para ser descarregado da Internet no sítio “Obras Católicas”.

Mas se o catequista não estiver empolgado de verdadeiro amor Sobrenatural a Deus Nosso Senhor e ao próximo por amor de Deus, o seu ensino ficará privado daquela seiva, daquele Lume, que deverá abrasar a alma dos catequizandos. Ora esse Lume é, e só pode ser, o nosso organismo Sobrenatural; diz-se “organismo”por analogia com o nosso organismo natural, sobretudo as nossas potências operativas ou faculdades da inteligência e da vontade, que radicam na essência da alma. Ora a Graça Santificante, que é um Hábito entitativo Sobrenatural, filosòficamente, sendo um acidente, possui como sujeito imediato de aderência a essência mesma da alma. Também se denomina esta Graça como inabitação do Espírito Santo. A Graça Santificante SÓ ESTÁ PRESENTE NUMA ALMA QUE AME A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS. Consequentemente, a Graça Santificante e a Caridade perfeita caminham a par, com a diferença de que a primeira é, como já vimos, um Hábito entitativo, e a segunda é um Hábito operativo que adere à vontade.

Toda a Revelação, toda a Teologia, todas as realidades Sobrenaturais, foram queridas por Deus Nosso Senhor, como possuindo uma profunda analogia com a Ordem Natural; tal é perfeitamente compreensível se nos recordarmos que Deus é o Autor da natureza, e que a vida Sobrenatural da Graça nos faz participar da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade e Santidade Divina. Porque a alma adornada com a Graça Santificante É ACIDENTALMENTE, AQUILO QUE DEUS É ESSENCIALMENTE. Todavia essa analogia não é produto de um capricho Divino, PORQUE É METAFÍSICA E INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM INCRIADO.

Os Frutos do Espírito Santo constituem como que o pleno desabrochar da nossa vida Sobrenatural no que ela possui de gratificante, de celestial, de indissolùvelmente consolador. As Bem-Aventuranças são também consideradas frutos do Espírito Santo, mas noutro sentido, porque os frutos, em sentido estrito, são por assim dizer contemplativos, ao passo que as Bem-Aventuranças possuem ainda um aspecto prático, conquanto já introduzam, ou sejam mesmo operativamente, especulativamente, constitutivas da contemplação. A razão profunda para isto filia-se na realidade Divina dos Dons do Espírito Santo em nós. Nas virtudes, são as nossas faculdades que, sustentadas pela Graça Divina, produzem elas mesmas intelecções e volições Sobrenaturais, sim, mas operadas por nós. Nos Dons do Espírito Santo, é o próprio Deus que deposita nas nossas faculdades, sem nós, os actos de inteligência e de vontade. Para isso a alma enriquecida com a Graça Santificante possui Hábitos receptivos para que melhor acolha a acção do Espírito Santo, ainda que a possa repudiar.

O nosso progresso na vida Sobrenatural é constitutivo de uma unificação e de uma simplificação, quer no plano da inteligência, quer no plano da vontade e da operação prática; neste quadro conceptual, o Fim Supremo e Absoluto, que é Deus, vai-se sobrepondo com verdadeira hegemonia Sobrenatural, quer no plano da contemplação especulativa quer no plano da operação moral prática; os meios, os fins secundários, e o Fim Absoluto e Primário vão-se unificando num real antegozo da Eterna Beatitude. Consequentemente, as Bem-Aventuranças constituem uma fonte intrínseca de felicidade; tal sucede porque o cumprimento da Lei Moral é perfeitamente homogéneo com a recompensa celeste da virtude, tão homogéneo, que a única garantia de verdadeira felicidade só pode então ser a perfeição moral Sobrenatural. Assim se compreende que as Bem-Aventuranças sejam já, de algum modo, constitutivas da contemplação. Porque os Dons do Espírito Santo da Sapiência, do Entendimento e da Ciência são especulativos, sim, mas possuem uma faceta indirectamente prática. Especulativo, é tudo o que tem razão genérica de Fim eminentemente Objectivo, contemplado como Verdade e Bem em si mesmo; prático, é tudo aquilo que possui razão genérica de meio, ou mesmo de fim secundário, em ordem ao Fim Primário.

 Bem-Aventurados os pobres em espírito; Bem-Aventurados os puros de coração: Ora os pobres em espírito são aqueles que têm o coração desapegado das riquezas e das glórias mundanas; e mesmo se, por dever de hierarquia social, possuírem tais riquezas – sabem como usá-las, ordenadamente, para maior Glória de Deus, salvação das almas, e socorro dos pobres; os puros de coração são aqueles que, embora em contacto operativo prático com o mundo – não se macularam, permanecendo totalmente vinculados aos Bens Eternos. Não olvidar que o grande segredo da conciliação da vida activa com a vida contemplativa, É DE QUE A ACÇÃO DEVE BROTAR DA SUPERABUNDÂNCIA DA CONTEMPLAÇÃO. A diferença entre especulação e contemplação reside  em que esta última, unifica, simplifica e aprofunda extraordinária e Sobrenaturalmente a primeira, sendo tendencialmente realizada pelos Dons do Espírito Santo, sobretudo a Sapiência o Entendimento e a Ciência.  

Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça; Bem-Aventurados os que choram: A fome e sede de Justiça é o anelar pela Lei de Deus e Seu cumprimento; é o colocar na Lei Divina toda a sua esperança, mesmo neste mundo; é a fome e ânsia de Verdade Divina, de Bem Divino, de Santidade Divina. A alma com verdadeira fome e sede de Santidade nunca se detém no caminho para Deus, porque sabe que PARAR É MORRER, e no rumo árduo que conduz ao Altíssimo, os meios são perfeitamente homogéneos com o Fim, e por maiores que sejam os sofrimentos, sobretudo de ordem moral, uma tal senda constitui já um antegozo real do Céu; aqueles que pela contrição perfeita choram os próprios pecados, é porque amam a Deus, Sobrenaturalmente, sobre todas as coisas; mesmo aqueles que só têm atrição dos seus pecados, receberão a Caridade perfeita e a Graça Santificante com a absolvição sacramental. De uma maneira geral, devemos nutrir a maior repulsa moral objectiva pelo grande e negro oceano de pecados e heresias que é, e sempre foi, este paupérrimo mundo. Bem-Aventurados os misericordiosos, os mansos, os pacíficos, os que sofrem perseguição por amor da Justiça: Os misericordiosos são aqueles que sabem como sublimar sobrenaturalmente a virtude da Justiça, quer na sua vida pessoal, quer em qualquer função pública que porventura desempenhem; os mansos são aqueles que, salvaguardada a virtude da Justiça, sabem reagir com brandura às ofensas recebidas, moderando sobrenaturalmente os ímpetos do apetite irascível; os pacíficos são aqueles que sabem ser a Paz constitutiva da Beatitude, mesmo neste mundo, porque a realidade bélica entrou no mundo pelo pecado de Adão, sendo atributo fundamental da maldade do homem. Todavia, os obreiros da Paz de Cristo não são, nem podem ser, os pacifistas, mas aqueles que consideram que sendo os homens, em geral, maus, e inimigos do Nome Cristão, será sempre necessária da parte dos bons, e depois da proclamação solene da Verdade, também uma atitude bélica, não apenas de legítima defesa, mas até ofensiva no sentido preventivo; os que sofrem perseguição por amor da justiça, são aqueles que, sendo, em princípio, obreiros da Paz de Cristo no Reino de Cristo, sofrem por isso, e sofrerão sempre, as agruras deste mundo mau, no plano físico e no plano moral. Nosso Senhor revelou-nos claramente que o mundo haveria sempre de perseguir os Seus discípulos, tal como O perseguiram a Ele, e quanto mais um homem fosse piedoso mais encarniçadamente seria afrontado – mas o Príncipe da Paz estaria, como estará, permanentemente com ele.

Evidentemente que as Bem-Aventuranças reflectem e constituem um elevadíssimo grau de Santidade; como tal, promanam mais dos Dons do Espírito Santo do que das virtudes, porque, de certo modo, nos conferem o Céu ainda cá na Terra, conjugando e harmonizando, Sobrenaturalmente, a contemplação oriunda dos Dons do Espírito Santo, a operação especulativa através das virtudes Teologais, e a operação prática da actividade moral. Segundo São Tomás, sendo as Bem-Aventuranças frutos do Espírito Santo, nem todos os frutos são Bem-Aventuranças, porque toda a suavidade Sobrenatural que promana da vida da Graça no cumprimento da Lei de Deus é fruto do Espírito Santo. Consequentemente, a Visão de Deus, na Eternidade, QUE É A BEM-AVENTURANÇA EM SENTIDO ABSOLUTAMENTE EMINENTE, constitui o FRUTO SUPREMO DA NOSSA PREDESTINAÇÃO, DA NOSSA ELEIÇÃO CARACTERIZADAMENTE GRATUITA.

Sabemos que no Céu permanecem a Caridade, a Graça Santificante, e os Dons do Espírito Santo enquanto Hábitos receptivos escatològicamente actualizados e imóveis, logo também permanecem as Bem-Aventuranças na sua dimensão especulativa. Anàlogamente, as virtudes morais enquanto Hábitos operativos integrar-se-ão também na Eternidade Beatífica. Sòmente a Fé e a Esperança, porque apanágio do estado de via, não permanecem na Eternidade.

Segundo São Tomás, a Visão Beatífica constitui uma operação eminentemente especulativa, operação da inteligência, pois que a alma na posse da Fé e da Esperança, da Graça Santificante e da Caridade perfeita, anela com todas as suas forças Sobrenaturais por entrar no Céu, mais ainda à hora da morte. Mas só Deus a pode consagrar, eternamente, imutàvelmente, física e moralmente, na contemplação da Sua Essência Incriada.

Nunca olvidemos, na nossa ascensão para Deus Nosso Senhor, QUE O PRINCÍPIO, OS MEIOS, OS FINS SECUNDÁRIOS, E O FIM PRIMÁRIO, SÃO ABSOLUTAMENTE HOMOGÉNEOS, PORQUE SOBRENATURAIS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 11 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 O TEMPO E A ETERNIDADE DA SANTA MADRE IGREJA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Mystici Corporis”, promulgada em 29 de Junho de 1943:

«Cristo é Autor e Operador de Santidade. Já que nenhum acto salutar pode haver que d’Ele não derive como Fonte Soberana. “Sem Mim – diz Ele – nada podeis fazer (Cf. Jo 15,5). Se nos sentimos movidos à dor e contrição dos pecados cometidos, se com temor e esperança filial nos convertemos a Deus, é sempre a Sua Graça que nos comove. A Graça e a Glória brotam de uma inexaurível plenitude. Sòmente aos membros mais eminentes do Seu Corpo Místico enriquece o Salvador, contìnuamente, com os Dons do Conselho, Fortaleza, Temor, Piedade, para que todo o corpo cresça cada dia mais em Santidade e perfeição. E quando, com rito externo, se ministram os Sacramentos da Santa Igreja, é Ele que opera o efeito deles nas almas. É Ele também, que nutrindo os fiéis com a própria Carne e Sangue, serena os movimentos desordenados das paixões; é Ele que aumenta as Graças e prepara a futura Glória das almas e dos corpos. Todos esses tesouros da Divina Bondade, reparte Ele aos membros do Seu Corpo Místico, não só enquanto os obtém do Eterno Pai, como Vítima, Eucarística na Terra, e como Vítima glorificada no Céu, mostrando as Suas Chagas e apresentando as Suas súplicas; mas também porque “SEGUNDO A MEDIDA DO DOM DE CRISTO”(Ef 4,7)ESCOLHE, DETERMINA E DISTRIBUI, A CADA UM AS SUAS GRAÇAS. Donde se segue que do Divino Redentor, como de Fonte manancial, “TODO O CORPO BEM ORGANIZADO E UNIDO RECEBE POR TODAS AS ARTICULAÇÕES, SEGUNDO A MEDIDA DE CADA MEMBRO, O INFLUXO E ENERGIA QUE O FAZ CRESCER E APERFEIÇOAR NA CARIDADE”(Ef 4,16//Cf.Cl 2,19).

O que até aqui expusemos, Veneráveis irmãos, explicando resumidamente o modo como Cristo Senhor Nosso, quer que da Sua Divina plenitude desça sobre a Santa Igreja a plenitude dos Seus Dons, para que ela se Lhe assemelhe o mais possível, serve para explicar a terceira razão que demonstra como o Corpo Social da Igreja é Corpo de Cristo, isto é, por ser o nosso Salvador Aquele que Divinamente sustenta a Sociedade que fundou.

Observa Bellarmino, como muita subtileza, que com esta denominação de Corpo, Cristo não quer dizer sòmente que Ele é a Cabeça do Seu Corpo Místico, senão também que sustenta a Santa Igreja, DE TAL MANEIRA QUE A IGREJA É COMO QUE UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE CRISTO. Afirma-o também o Doutor das gentes, quando na Epístola aos Coríntios, chama, sem mais, Cristo à Igreja (I Cor 12,12), imitando decerto o Divino Mestre que, quando ele perseguia a Igreja,lhe bradou do Céu: “Saulo, Saulo, porque Me persegues?”(cf. At 9,4; 22,7;26,14).

Antes, São Gregório Nisseno, diz-nos que o Apóstolo, repetidamente, chama Cristo à Igreja; nem vós, veneráveis irmãos, ignorais aquela sentença de Agostinho: “Cristo prega a Cristo”.»

 

Como ensina o trecho acima transcrito, a Santa Madre Igreja deve ser concebida como UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO; efectivamente, assim como Nosso Senhor, na Sua Pessoa Divina, possui uma Natureza Humana que é elevada a uma existência e a uma Dignidade Divina e Infinita, assim a Santa Igreja, na sua Pessoa Moral de Direito Divino, possui igualmente uma Natureza Humana, uma existência humana, que tudo deve orientar no sentido da salvaguarda do Depósito Sagrado da Revelação cuja custódia lhe foi confiada por Nosso Senhor.

A Santa Madre Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Sumo e Eterno Sacerdote; cumpre assinalar, que Nosso Senhor não é Sacerdote por uma qualidade acidental, Nosso Senhor É SUBSTANCIALMENTE SACERDOTE, E O É PELA ENCARNAÇÃO DO VERBO DE DEUS. Não olvidar que Nosso Senhor é também substancialmente Santo, embora a Sua Santíssima Alma humana possua igualmente a Graça Acidental Santificante, a Caridade e os Dons do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja é assim eminentemente Sacerdotal, porque é nela, só nela, com ela e por ela, que Nosso Senhor ofereceu, cruentamente, na Cruz, o Seu Supremo Sacrifício, e o renova incruentamente nos nossos Altares, com o concurso instrumental dos Seus sacerdotes. Consequentemente, a Santa Madre Igreja, enquanto Corpo Místico de Cristo, é igualmente, à sua maneira, substancialmente sacerdotal. Recebendo, habitualmente, o influxo misterioso, constitutivamente sacerdotal, da sua Divina Cabeça, a Santa Igreja produz e irradia copiosíssimos e dulcíssimos frutos Sobrenaturais, que fecundam a Terra, e irão povoar o Céu, pois todos os Bens Sobrenaturais são necessàriamente, transcendentalmente, Bens Eternos. Exactamente por isso, assim como Nosso Senhor nasceu e viveu no tempo, mas pertence imarcescìvelmente à Eternidade; assim também a Santa Madre Igreja, que nasceu do Lado trespassado de Jesus e peregrina no tempo, na realidade é Eterna. Mesmo o Santo Sacrifício da Missa, que é celebrado e adorado neste pobre mundo, na Eternidade não será celebrado – SERÁ CONTEMPLADO NA FORMA DA ESSÊNCIA DIVINA.  

Nenhuma acção sobrenaturalmente boa, mesmo materialmente exígua e completamente oculta, ficará esquecida na Eternidade, porque o que confere dimensão moral ao agir é a Caridade, o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus. Neste quadro conceptual, as mais pequenas vicissitudes da História da Igreja, desde que ilustradas pelas Virtudes Teologais e Morais e pelos Dons do Espírito Santo – POSSUIRÃO UMA CORRESPONDÊNCIA E UMA RECOMPENSA ETERNA. Porque mesmo as nossas boas acções, neste mundo, são uma pequeníssima gota de água face ao imenso oceano da Verdade e do Bem que nos espera na Eternidade. Renovamos o que temos referido tantas vezes: A Eternidade não é um tempo sem fim; É A SUPERAÇÃO ABSOLUTA DA CONDIÇÃO TEMPORAL, PORQUE ESTA É SUCESSÃO, NUMERAÇÃO, DISPERSÃO, AO PASSO QUE A ETERNIDADE É A POSSE TOTAL DO SER E DO TEMPO, É A PERFEITA IMUTABILIDADE, É UM PRESENTE PERPÉTUO, MESMO PARA A CRIATURA GLORIFICADA.

Mas a imutabilidade não é atributo próprio de Deus?

A Imutabilidade Metafísica, sim; mas a imutabilidade dos eleitos do Reino dos Céus é uma IMUTABILIDADE ONTOLÓGICA, ESCATOLÓGICA.

E no Inferno? No Inferno, essa imutabilidade tem de ser concebida totalmente em negativo, o que só intensifica, de forma incalculável, impensável, a dor e o sofrimento.

No purgatório, embora pertença já à Eternidade, existe uma comensurabilidade extrínseca com o tempo do mundo, a qual também se verifica para os eleitos do Céu, até ao fim do mundo.

A Igreja militante, que vive neste mundo, não tem jurisdição alguma sobre a Igreja padecente e a Igreja triunfante, apenas pode influir na primeira como sufrágio, e na segunda como tributo de honra prestado aos Santos, e que redunda, em última análise, na Glória proclamada ao Autor de toda a Santidade.

Todavia, a Cátedra de São Pedro e Nosso Senhor Jesus Cristo, CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA DA IGREJA MILITANTE.  

É certo que Nosso Senhor Jesus Cristo, quando andava pelo mundo, como Homem mortal, era simultaneamente viador e compreensor, vivia no tempo, mas a parte superior da Sua Alma Santíssima estava na Eternidade e contemplava beatìficamente a Deus.

Coloca-se a seguinte questão: O Sacrifício oferecido por Nosso Senhor na Cruz, era evidentemente uma oblação a Deus; mas então também era dirigida a Si mesmo, Jesus Cristo, que era Deus?  Sem dúvida que sim, e não existe qualquer contradição; assim como Nosso Senhor Se retirava frequentemente para orar a Deus, assim igualmente Lhe oferecia o Sacrifício Redentor. Tal sucede porque Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo verdadeiro Deus, também era verdadeiro Homem; e embora a Sua Pessoa fosse Divina, era uma Pessoa Divina revestida hipòstaticamente de uma verdadeira Natureza Humana, uma Inteligência humana, uma Vontade humana, uma sensiblidade humana, uma temporalidade humana, uma Jurisdição humana, ainda que submetida hipostàticamente à única Pessoa Divina.

Podemos e devemos afirmar que Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra e ao tempo para, soberanamente, nos libertar desses mesmos elementos. Neste quadro conceptual, o milenarismo é hediondo, POIS COLOCA NA TERRA E NO TEMPO AQUILO QUE, EM ABSOLUTO, PERTENCE AO CÉU E À ETERNIDADE. E se houve Padres que, como Santo Ireneu, professaram realmente o milenarismo, sem com isso soçobrarem na heresia, é porque nessa recuada época o Sagrado Património, objectivamente revelado, ainda se encontrava numa fase remota de explicitação. Professar hoje o milenarismo é pretender repristinar arqueologìsticamente a Santa Doutrina, ignorando o desenvolvimento homogéneo, mas de extraordinária riqueza, de dezanove séculos e meio de História da Igreja.

Mas a Doutrina Católica evoluiu ou não, ao longo dos séculos?

Evidentemente que não; sustentar o contrário é modernismo. O Património objectivamente revelado, até à morte do Apóstolo São João, por volta do ano 100, É ABSOLUTAMENTE IMUTÁVEL. Mas a compreensão que a Santa Madre Igreja dele possui pode e deve aprofundar-se, enriquecer-se, embora sempre no mesmo sentido e na mesma espécie cognitiva Sobrenatural; PORQUE TAL É QUERIDO PELA PRÓPRIA PROVIDÊNCIA DIVINA, NA EXACTA MEDIDA EM QUE TAL É METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE COMENSURÁVEL COM A NATUREZA TEMPORAL E HISTÓRICA DA MESMA SANTA MADRE IGREJA, NA SUA FASE MILITANTE, E COM A CONDIÇÃO DO HOMEM HISTÓRICO CUJA OPERAÇÃO FACTÍVEL E AGÍVEL PODE E DEVE DESENVOLVER-SE NO ESPAÇO E NO TEMPO DESTE NOSSO MUNDO CORRUPTÍVEL.

O tempo, na sua dispersão, existe para que o sublimemos na e pela nossa santificação, em ordem a que, com o auxílio de Deus, mesmo continuando no mesmo tempo – O UNIFIQUEMOS, O SIMPLIFIQUEMOS, O RECTIFIQUEMOS SOBRENATURALMENTE. Toda a actividade da Santa Madre Igreja peregrina segundo esse objectivo, quando exerce a função Magisterial, quando celebra o Santo Sacrifício da Missa, quando administra os Sacramentos – PREPARA-NOS A ETERNIDADE, PROCEDENDO POR UMA VERDADEIRA INCOACÇÃO, UMA REAL PARTICIPAÇÃO, QUE SÒMENTE A GRAÇA E AS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS PODEM CONFERIR.

A Santa Madre Igreja constitui assim, no tempo, O ÚNICO E SOBERANO LUME, A ÚNICA IRRADIÇÃO, DA ETERNIDADE.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 27 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

     

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