Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

DO TRADICIONALISMO EMPALHADO AO CATOLICISMO EMPULHADO

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Arai Daniele

Aqui definimos «tradicionalismo empalhado» aquele que, diante da repetição da pérfida abominação de Assis – da reunião das grandes religiões do mundo promovida por um em veste papal – nem sequer repete as palavras de condenação de 30 anos atrás. As evita e tanto mais a declaração dos dois Bispos, Lefebvre e Castro Mayer em Buenos Aires, no fim do mesmo ano. Vamos republicá-la aqui, em desafio ao desagrado da atual FSSPX e de seu «papa conciliar».ecumaniacos

Quanto ao «catolicismo empulhado», não se pense que o “empulhar” aqui se refere só à operação ecumenista conciliar, essa é macro empulhação enquadrada nas Sacras Escrituras como abominável adultério religioso (para isto vamos lembrar a profecia de Ezequiel 7); não, vamos  nos referir à micro empulhação – na verdade uma virose teologal – hoje atual nos meios «tradicionalistas» mais empolados. Esta é de certo modo responsável pelo voluntário «auto-empalhamento» apenas acusado, pelo menos justificando a legitimidade da figura em veste papal acima. Mas note-se, muitos destes «mestres», pelo menos dizem que tais chefes pouco ou nada têm com o catolicismo senão o abuso dessa denominação; mas são Papas!

A empulhação da qual há que falar, portanto, provém dos que conhecem esta perfídia, mas pregam a legitimidade do disfarce de tal calamidade da Igreja ocupada pelos seus inimigos. Nesta longa ocupação muitos são os que sabem que foi engendrada uma «outra igreja», mas o disfarçam para constar como membros críticos desse simulacro conciliar que controla o centro de pensamento, finanças e influência mundial do Vaticano; a «igreja visível» deles.

Nem aderem de corpo e alma a tal mega aparato adulterino, mas como a adesão a este dita as regras do «bom-tom» religioso, não arriscam sentenças de “non uma cum” pela total recusa do «magistério conciliar». Não, mas colocam os erros deste falso magistério ao nível do real Magistério de Pedro, que conteria algum erro, a partir de «erros» do mesmo São Pedro!

Tudo isto, embora dita comunhão derive da adesão aos «papas» recebidos e honrados pelo mundo devido às suas amplas aberturas ecumenistas, em ruptura com a Tradição. Não conta que tais «papas conciliares» exaltem a ONU, organização que promove no Brasil e no mundo o aborto e outros crimes. Tais empulhações planetárias conjuntas não tocariam a autoridade de «papas» de poder garantido por «conclaves canônicos»! Senão satanás teria prevalecido!!

Estes «mestres» sabem que a função e a autoridade pontifical são representativas, e que só por esta razão o Vigário de Jesus Cristo é simbolicamente até mesmo «adorado». Indignaram-se quando sua tríplice coroa, que não é propriedade pessoal é doada a museu, como quando Paulo 6 «desfez-se» da Tiara papal. Ele alienava o que não era seu e tal gesto demonstrava ser alheio à fé devida à função de Vigário de Jesus Cristo Rei, com todo o poder no Céu e na terra.

Ultimamente o assunto dos gestos voltou no texto de autoria de um estudioso do peso de Arnaldo Xavier da Silveira, que o publicou em seu site. O artigo aborda a questão do Magistério Ordinário da Igreja Católica e esclarece que um papa ensina não apenas por palavras nos seus documentos, mas que do magistério ordinário também constam seus atos e gestos públicos. Cita São Tomás, além de documentos do ensino doutrinário convencional. Tudo apoiado nas palavras de Nosso Senhor aos seus apóstolos sucessores, Papa e Bispos: “quem vos ouve a Mim ouve”. A denominação que esse ensino comum e contínuo assumiu no tempo foi de Magistério ordinário. Está em discursos dos Papas, nas encíclicas, decretos, cartas e pregações, que exprimem esclarecimento nas questões de fé e costumes. Só quando tais palavras atingem um grau de relevância ex Cátedra na Igreja, envolvem a proteção divina da infalibilidade.

Mas que dizer de grandes gestos, de repercussão mundial, como a convocação de reuniões de todas as religiões do mundo, como se viu e se vê em Assis? Ora, se esse «magistério» falado ou gesticulado implica sempre a autoridade da Igreja, então que dizer também da pessoa que o promove? Representa um magistério que reivindica credibilidade à Cátedra e à Igreja?  beija-o-alcorao

É aqui que vemos esses «mestres » pontificarem: “não só não devemos ao magistério conciliar, em quanto tal, obediência alguma em nenhum ponto, mas devemos enfrentá-lo com uma contínua e intransigente oposição católica”. Isto testemunhamos neste mesmo sito, mas sob o título «delenda Vaticano 2», o que pede a destruição do seu espírito, letra e promotores, pois é demonstração que esta falta de credibilidade indica não terem a autoridade da Igreja.

Só no nosso tempo, em que os falsos mestre proliferam, é que alguém que ensina matemática, física ou gramática, se apresente voluntário para dissertar sobre os temas mais espinhosos da vida da Igreja, não para repetir o que já está definido, mas para o contrariar com a sua opinião. Ora, a profissão de fé depende de certezas e uma delas é ser impossível que um papa ensine no seu magistério o que é contrário e nocivo à Fé, na Doutrina ou na Liturgia. Por isto se um católico rejeita um rito de missa, alegando ser «heretizante» ou «protestantizante», deve ser claro ao testemunhar que o clérigo que o promulgou não pode ser papa verdadeiro.

Foi o dilema – ainda pendente e daí «empalhado» -, no encontro de Mgr Lefebvre com o «papado» do Vaticano conciliar, representado então por João Paulo 2º e o Cardeal Seper. Vejamos de novo a questão, antes de voltarmos ao falso dilema atual. Sim, porque dessa pendência despontou a casta de «empulhadores», triste posição dos que, reconhecendo o erro e querendo defender a Igreja da alteração, empalham as objeções diante da Santa Sé ocupada.

É a síndrome de um cego «papismo» acatólico porque, a ocupação do cargo para a defesa da Fé é o perigo do maior engano. Trata-se da calamidade de alguém que, vestido de chefe da Igreja beija o Alcorão… como se os Pastores a quem Deus confiou a Igreja, pudessem, sobre um ponto de extrema importância no que tange a sua preservação, fazer gesto que torna-se causa de erro para os fiéis” (Papa Pio VI, Super Soliditate Petrae).

São Tomás diz que um papa rezando sobre o túmulo de Maomé [ou de Ghandi] é um exemplo claro que caracteriza a apostasia pública da fé católica. Qual a diferença entre este exemplo de São Tomás para os atos e gestos dos «papas conciliares» que celebram a «fé de Assis»? Quem pode duvidar que os atos e gestos dos conciliares tornam-se cada cez piores porque diretos a concretizar sistematicamente a a perversão ecumenista, como «consciência» da Igreja (nova).

É de fé que a Autoridade que representa Deus na Terra, o Papa católico, não pode ministrar aos fiéis veneno contra a Fé, seja com palavras, documentos, iniciativas ou atos. Mas não é isto que têm feito e fazem os «papas conciliares»? Se a verdadeira Igreja não podia errar diante do rigor jansenista, tanto menos pode errar diante do debochado relativismo ecumenista dos que perpetram um máxima ofensa à única soberania divina: não são pois verdadeiros papas!

Para entender esse ponto voltemos à questão posta pelo Cardeal Seper, chamado por João Paulo 2º para fazer as pazes com Mgr Lefebvre se aceitasse o Vaticano 2 à luz da Tradição! O nó ficou devido à sua afirmação: ser o «Novus Ordo de Paulo 6» protestantizante. Foi o mesmo Seper a apontar o nó porquê: – ou isto é falso e tal rito – dado por um papa – é católico, ou quem o institui não é papa! (Cf. nº extra da revista Itineraires: Mgr Lefebvre et le Vatican).

Pode o católico fiel, do «sim, sim, não, não», chamar católico o que é protestante, ou vice versa; ou ainda mais – um rito ou a «autoridade» que o promove e que avança de tal modo no erro ecumenista que culmina seu apostolado com a «reunião de Assis»? Não equivale isto à maldição de chamar bem o mal e mal o bem? Ou será que o mal e a heresia em questões de «extrema importância no que tange a vida da Igreja e a salvação das almas», tem autoridade na direção apostólica da Igreja de Deus? Não pode ter, assim como não podem ter nenhum direito os que os promovem a perdição em nome da Igreja. Se parece que tiveram, na verdade decaíram dele «ipso facto» porque já decaíram da condição de católicos pelo próprio juízo, segundo a Lei evangélica e da Igreja e a razão da autoridade em representação de Jesus Cristo.

Aqui despontam, porém, alguns novos mestres de mente empalhada pelo «papismo» cego, com um «status quo» acatólico: não se pode julgar um papa, mas conviver com o herege até a vinda de outro papa conciliar, porque o conclave tem valor absoluto se as vozes do mundo disserem que finalmente temos papas tão humanos, que aceitam pecados e heréticos, por misericórdia. Pela lei evangélica não se trata de julgar quem promove a heresia; estes já estão julgados; trata-se de reconhecer o fato à luz da Fé e da lei da Igreja. Senão falsos Cristos, em posição papal, vão enganar sem freios multidões. Até quando? Com qual resistência católica?

Ainda uma reunião das «grandes religiões» em Assis, «qu’en penser?»

Os tradicionalistas que «empalham» essa questão alegam a posição de seus maiores. E aqui vem a contradição que se vale do nó não desfeito por Mgr Lefebvre, para não testemunhar nem mesmo o que os Bispos testemunharam na 1ª reunião da abominação de Assis. Vamos publicar declarações dos dois Bispos, a fim de aquilatar o silêncio hoje de seus discípulos. Quem ouviu a lembrança desta declaração de 1974 ou da conjunta em 1986 para esta ocasião?

DECLARAÇÃO DE MONSENHOR LEFEBVRE de 21/11/1974

«Nós aderimos de todo o coração e com toda a alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a preservação desta mesma fé, a Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. [105]

Nós rejeitamos, ao contrário, e recusamos sempre seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e depois do concílio, em todas as reformas que dele procederam.

De fato, todas estas reformas contribuíram e ainda contribuem para a demolição da Igreja, para a ruína do sacerdócio, para o aniquilamento do sacrifício e dos sacramentos, para o desaparecimento da vida religiosa, para um ensino neutro e teilhardiano na universidade, nos seminários, na catequese, ensino que procede do liberalismo e do protestantismo, já tantas vezes condenado pelo magistério solene da Igreja.

Nenhuma autoridade, nem mesmo a mais alta hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há 19 séculos. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema!” (Gl. 1,8)

Não é, talvez, o que nos repete hoje em dia o santo padre? E se uma certa contradição se manifestar entre suas palavras e seus atos, assim como nos atos dos dicastérios, então nós escolhemos o que foi sempre ensinado e não daremos ouvidos às novidades que destroem a Igreja.

Não se pode modificar profundamente a lex orandi sem modificar a lex credendi. A nova missa corresponde ao novo catecismo, ao novo sacerdócio, aos novos seminários, à nova universidade, à nova Igreja carismática, pentecostal, todas coisas opostas à ortodoxia e ao magistério de sempre.

Esta reforma tendo saído do liberalismo e do modernismo, é toda e inteiramente envenenada; nasce da heresia e termina na heresia, mesmo que todos os seus atos não sejam formalmente heréticos. É, portanto, impossível a qualquer católico consciente e fiel adotar esta reforma e submeter-se a ela de algum modo.

A única atitude de fidelidade à Igreja e à doutrina católica, para a nossa salvação, é a recusa categórica de aceitar a reforma. Por isto, sem nenhuma rebeldia, nenhuma amargura, nenhum ressentimento, nós prosseguimos na nossa obra de formação sacerdotal sob a estrela do magistério de sempre, persuadidos como estamos de não poder prestar maior serviço à santa Igreja católica, ao sumo pontífice e às gerações futuras.

Por isto nós aderimos firmemente a tudo que foi acreditado e praticado na fé, os usos, o culto, o ensino do catecismo, a formação do sacerdote, a instituição da Igreja, da Igreja de sempre, e codificado nos livros que apareceram antes da influência modernista do Concílio, esperando que a verdadeira luz da tradição possa dissipar as trevas que obscuram o céu da Roma eterna.

Fazendo assim, estamos convencidos, com a graça de Deus, a ajuda da Virgem Maria, de São José, de São Pio X, de que permanecemos fiéis [106] à Igreja Católica e Romana, a todos os sucessores de Pedro e de que somos os fideles dispensatores mysteriorum Domini Nostri Jesu Christi in Spiritu Sancto. Amém. (ass.) Marcel Lefebvre.

Vamos agora saber o que declararam os dois bispos fiéis em relação ao ato inaudito de Assis:

DECLARAÇÃO (como conseqüência dos acontecimentos da visita de João Paulo II à Sinagoga e ao Congresso das Religiões em Assis).

Roma mandou nos perguntar se tínhamos a intenção de proclamar nossa ruptura com o Vaticano por ocasião do Congresso de Assis.

Parece-nos que a pergunta deveria, antes ser esta: o senhor acredita e tem a intenção de declarar que o Congresso de Assis consuma a ruptura das autoridades romanas com a Igreja Católica? Porque é precisamente isto que preocupa àqueles que ainda permanecem católicos.

Com efeito, é bastante evidente que, desde o Concílio Vaticano II, o papa e os episcopados se afastam, de maneira cada vez mais nítida, de seus predecessores. Tudo aquilo que foi posto em prática pela Igreja para defender a Fé nos séculos passados, e tudo o que foi realizado pelos missionários para difundi-la, até o martírio inclusive, é considerado doravante como uma falta da qual a Igreja deveria se acusar e pedir perdão.

A atitude dos onze papas que, desde 1789 até 1958, em documentos oficiais, condenaram a revolução liberal, é considerada hoje como “uma falta de compreensão do sopro cristão que inspirou a revolução.” Donde a reviravolta completa de Roma, desde o Concílio Vaticano II, que nos faz repetir as palavras de Nosso Senhor àqueles que O vinham prender. “Haec est hora vestra et potestas tenebrarum.” Esta é a vossa hora e o poder das trevas. (Lc, 22:52-53)

Adotando a religião liberal do protestantismo e da revolução os princípios naturalistas de J.J. Rousseau, as liberdades atéias da Constituição dos Direitos do Homem, o princípio da dignidade humana já sem relação com a verdade e a dignidade moral, as autoridades romanas voltam as costas a seus predecessores e rompem com a Igreja católica, e põem-se a serviço dos que destroem a cristandade e o Reinado Universal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os recentes atos de João Paulo II e dos episcopados nacionais ilustram, de ano para ano, esta mudança radical de concepção da fé, da Igreja, do sacerdócio, do mundo, da salvação pela graça. O cúmulo desta ruptura com o magistério anterior da Igreja, depois [204] da visita à sinagoga, se realizou em Assis. O pecado público contra a unicidade de Deus, contra o Verbo Encarnado e Sua Igreja faz-nos estremecer de horror: João Paulo II encorajando as falsas religiões a rezar a seus falsos deuses: escândalo sem medida e sem precedente.

Poderíamos retomar aqui nossa declaração de 21 de novembro de 1974, que permanece mais atual que nunca. Quanto a nós, permanecendo indefectivelmente na adesão à Igreja Católica e Romana de sempre, somos obrigados a verificar que esta religião modernista e liberal da Roma moderna e conciliar se afasta cada vez mais de nós, que professamos a Fé católica dos onze papas que condenaram esta falsa religião.

A ruptura, portanto, não vem de nós, mas de Paulo VI e de João Paulo II, que rompem com seus predecessores. Esta negação de todo o passado da Igreja por estes dois papas e pelos bispos que os imitam é uma impiedade inconcebível e uma humilhação insuportável para aqueles que continuam católicos na fidelidade a vinte séculos de profissão da mesma Fé.

Por isso, consideramos como nulo tudo o que foi inspirado por este espírito de negação: todas as Reformas pós-conciliares, e todos os atos de Roma realizados dentro desta impiedade.

Contamos com a graça de Deus e o sufrágio da Virgem Fiel, de todos os mártires, de todos os papas até o Concílio, de todos os santos e santas fundadores e fundadoras de ordens contemplativas e missionárias, para que venham em nosso auxílio na renovação da Igreja pela fidelidade integral à Tradição.

Buenos Aires, 2 de dezembro de 1986

Marcel Lefebvre

Arcebispo-Bispo emérito de Tulle

Antônio de Castro Mayer

Bispo emérito de Campos, que concorda plenamente com a presente declaração e a faz sua.

 

A Roma conciliar iniciou seu caminho de apostasia do Catolicismo há mais de meio século ensinando como supremo valor a paz na terra, o que significa inverter a Ordem cristã sempre seguida e pela qual lutaram os Católicos. Quem inverte essa Ordem está na Igreja? Pode ser seu papa? Quem diz que é, admite que seu poder vem de Deus; empulha a si e ao próximo com essa ignomínia. Que Deus permita o desvario humano, não significa que o autoriza; e o poder do Papa não vem da Igreja; vem diretamente de Jesus Cristo.

Que sempre seja louvado e adorado.

O ORGULHO, A HUMILDADE E O SERVILISMO

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em excertos da encíclica “Sacrorum Antistitum”, promulgada em 1 de Setembro de 1910:

«Nos seminários é necessário que todos os aspectos da educação tenham nisto convergência: Que seja formado um sacerdote digno desse nome. Afinal, não se deve pensar que essas habitações comuns sejam abertas sòmente aos estudos e à piedade. Toda a formação estrutura-se sobre ambas, e a convivência entre elas são como arenas onde se plasma a Sagrada milícia de Nosso Senhor Jesus Cristo, mediante diuturno exercício. Para que desses Seminários saia contingente sòlidamente formado, são necessárias duas coisas: A DOUTRINA PARA A PERFEIÇÃO DA MENTE, E A VIRTUDE PARA A PERFEIÇÃO DA ALMA.

A primeira requer que a juventude que frequenta as ciências Sagradas seja, antes de tudo, educada com as disciplinas que têm parentesco estreito com os estudos das coisas Divinas; a segunda exige observância particular da virtude e da constância. Observem, então, os responsáveis pelo estudo e pela piedade, quanta esperança depositam os alunos sobre eles, e também observem a fundo qual seja a índole de cada um; SE SE COMPRAZEM NAS PRÓPRIAS QUALIDADES MAIS DO QUE É JUSTO, OU SE PARECEM  ASSSUMIR DISPOSIÇÕES PROFANAS; SE SÃO DÓCEIS À OBEDIÊNCIA, DISPOSTOS À PIEDADE, NÃO MUITO CHEIOS DE SI; OBSERVANTES DAS NORMAS; SE TENDEM À DIGNIDADE DO SACERDÓCIO, COM A RECTA INTENÇÃO QUE LHES É PROPOSTA, OU, AO INVÉS, SÃO MOVIDOS POR INTENÇÕES HUMANAS, E  SE, ENFIM, SÃO RICOS DA CONVENIENTE SANTIDADE DE VIDA E DE DOUTRINA; OU, AO MENOS, SE FALTANDO ALGUMA DESTAS COISAS, PROCURAM ADQUIRI-LAS COM ÂNIMO SINCERO E RESOLUTO.

A indagação  não é excessivamente difícil, do momento que manifestam imediatamente a ausência das virtudes que nomeamos, QUER QUANDO OS DEVERES RELIGIOSOS SÃO CUMPRIDOS COM SIMULAÇÃO, QUER QUANDO A DISCIPLINA É OBSERVADA POR MEDO, E NÃO, AO INVÉS, POR ORDEM DA CONSCIÊNCIA. Seja aquele que a observa por temor servil, ou a rompe por leviandade e desprezo, ESSE TORNA-SE INFINITAMENTE DISTANTE DA ESPERANÇA DE EXERCITAR SANTAMENTE O SACERDÓCIO. Não se pode acreditar que aquele que despreza a disciplina doméstica não se distanciará depois totalmente das Leis Públicas da Santa Igreja. Se o responsável da Sagrada habitação dos jovens individualizasse alguém com essas disposições de ânimo, e se depois de tê-lo admoestado uma ou duas vezes, e após ter realizado experiência por um ano, compreendesse que esse não desiste do seu costume, EXPULSE-O DE MODO A QUE NÃO MAIS SEJA ACOLHIDO, NEM POR ELE, NEM POR OUTROS BISPOS.»

Escutemos a seguinte passagem do Profeta Isaías:

«Como a chuva e a neve descem do Céu, e para lá não voltam, mas regam a terra para ela ficar fértil e produtiva, para dar semente ao semeador e pão para comer; assim acontece com a Palavra que sai da Minha boca (de Deus): Não volta para Mim vazia, sem ter realizado a Minha Vontade, sem ter cumprido a Sua Missão.»             Is 55, 10-12

 

Cada ente espiritual, possui uma dignidade ontológica objectiva, hierarquizável no quadro dos bens da Criação. Essa dignidade ontológica deriva da realidade desse mesmo ente espiritual ser uma criatura de Deus, criado para Glória extrínseca de Deus. É essa mesma DIGNIDADE ONTOLÓGICA que explica e exige o castigo Eterno da criatura que for considerada por Deus como desprovida da DIGNIDADE OPERATIVA necesssária para entrar no Reino dos Céus.

Neste quadro conceptual, a Lei de Deus assegura-nos que cada pessoa deve possuir o brio da própria dignidade, a consciência ordenada do seu lugar na Hierarquia da Criação. Referimo-nos sobretudo aos homens, porque os Anjos, conquanto tenham pecado por orgulho, não vivem nas vicissitudes do tempo, nem na mutabilidade dramática da vida mortal.

O brio, ou pundonor, consciência ordenada da própria dignidade, Sobrenaturalmente assumido, é essencial para a alma viver na Graça de Deus, ornamentada  com as Virtudes Teologais, as Virtudes Morais, e os Dons do Espírito Santo.

O orgulho e o servilismo opõem-se frontalmente ao pundonor, e opõem-se, na exacta medida, em que consubstanciam uma desordem moral qualificada, na sobrestima, ou na depreciação, de si próprio, contradizendo ambas a verdadeira humildade.

Infelizmente, certa falsa teologia moral, e certa falsa mística, imbuídas de dualismo e de fariseísmo, julgam dever afastar-se tanto do orgulho, que em vez de se edificarem na santa humildade – caem no servilismo; que ostentam com arrogância.

Porque o servilismo oblitera a humildade tanto quanto o orgulho e com IGUAL GRAVIDADE MORAL. Porque a verdadeira humildade, em sentido lato, integra necessàriamente o pundonor, O QUAL COMPELE A ALMA A NÃO SE DEPRECIAR DESORDENADAMENTE, ENQUANTO QUE A HUMILDADE, EM SENTIDO ESTRITO, INCULCA NA ALMA O DEVER DE NÃO SE ESTIMAR DESORDENADAMENTE. Quer o orgulho, quer o servilismo, envenenam a alma, deformando-a, desviando-a da Verdade e do Bem, subvertendo-lhe a luz intelectual e moral que lhe é própria; não intrìnsecamente, porque os primeiros princípios, enquanto tais, são intangíveis; mas extrìnsecamente, na sua aplicação às vicissitudes concretas da existência.

O pecado original foi essencialmente um pecado de orgulho, quer nos Anjos, quer em Adão e Eva. Nos Anjos, os quais são ontològicamente impecáveis na Ordem Natural, manifestou-se um orgulho indomável perante a elevação ao estado Sobrenatural, pois que pretenderam ser autosuficientes, comprazendo-se na própria excelência e  prescindindo de Deus. Cumpre assinalar que os Anjos, não podem ser ateus, porque o Ser Divino é para eles intuitivo na perfeita transparência da sua espiritualidade angélica. Podem sim odiar a Deus; o que acontece com os Anjos maus.

Em Adão e Eva, foi a força do orgulho que operou com grande esforço moral negativo, a resolução de desobedecer a Deus, pois que esse orgulho incorporava já a pretensão de Adão e Eva de ultrapassarem pelo conhecimento e pelo poder, a privilegiada condição ontológica e moral em que Deus Nosso Senhor os havia colocado.

Será o pecado de orgulho mais frequente do que o pecado de servilismo? Assim parece de facto, mas tal não infirma a gravidade do servilismo e sobretudo a já referida subversão interior que ele representa. Porque o pecado não reside no facto da pessoa se ter em alta estima, ou, pelo contrário, em pouca estima, não, o pecado radica NA DESORDEM OBJECTIVA INTRÍNSECA COM QUE O FAZ; DESORDEM DAS FACULDADES, QUE REFLECTE ADEQUADAMENTE A DESORDEM NO ACTO DE SER ESPIRITUAL, NÃO IDENTIFICADO COM A LEI ETERNA. E se o orgulho é mais frequente do que o servilismo, tal deve filiar-se na tendência, até certo ponto natural, do espírito para se engrandecer.

A humildade é constitutiva da santidade; na exacta medida em que esta é uma OBRA-PRIMA DA GRAÇA DIVINA. Deus Nosso Senhor faz os Seus santos assimilando-os a Si, à Sua Infinita perfeição, através da Graça Santificante. Ora o santo, para ser santo, deve possuir uma determinada certeza moral, MAS NÃO CERTEZA DE FÉ, do seu esforço para agradar a Deus, bem como do seu progresso nas Virtudes Teologais e Morais; MAS DEVE ACIMA DE TUDO REFERIR A DEUS NOSSO SENHOR, ABSOLUTAMENTE, TUDO O QUE É, NA ORDEM NATURAL E NA ORDEM SOBRENATURAL.  A Humildade Sobrenatural é precisamente isto: NÓS, POR NÓS MESMOS, NADA SOMOS, NADA PODEMOS, MAS COM DEUS NOSSO SENHOR PODEMOS TUDO, SE ELE ASSIM QUISER.

No servilismo a alma diminui-se e apouca-se Á MARGEM DA LEI DE DEUS, COM PLENA INDEPENDÊNCIA DA LEI MORAL, MESMO NATURAL, E SEM QUERER SABER NADA DOS DESÍGNIOS DA PROVIDÊNCIA; e frequentemente, ESSE SERVILISMO MAL ESCONDE UM SECRETO E DESMEDIDO ORGULHO.

No tempo de São Filipe de Nery (1515-1595) corria a fama de uma certa senhora, considerada santa. Foi solicitado ao santo que indagasse sobre as reais virtudes da dita senhora. Lá foi o santo, no meio de uma tempestade, até que chegou à cabana da senhora, com os pés todos enlameados. São Filipe de Nery pediu então à senhora para lhe limpar as botas. A mulher demonstrou imediatamente a sua grande indignação e aviltamento pelo que lhe havia sido solicitado.

NÃO É SANTA, NEM FAZ MILAGRES – concluiu o santo – PORQUE NÃO É HUMILDE!

Na realidade, a alma humilde trabalha sempre pela Glória de Deus, e quando pensa em si, o que é legítimo, procede de forma essencialmente objectiva. Porque a alma em ascensão Sobrenatural para Deus Nosso Senhor, com a Maternal Mediação da Virgem Santíssima, totalmente desprendida de si mesma, em sentido subjectivo, difere infinitamente da alma servil, porque a alma santa esquece-se de si mesma, precisamente, enquanto sabe que foi criada do nada, elevada gratuitamente ao estado Sobrenatural, redimida por Nosso Senhor, e que até por corresponder à Graça tem de agradecer a Deus. Ao passo que a alma servil, ao menosprezar-se desordenadamente a si mesma, ESTÁ A DESDOURAR A OBRA DE DEUS, RECUSANDO TODOS OS BENEFÍCIOS IRRADIADOS PELO CÉU. O pecado do servilismo assemelha-se ao pecado da insensibilidade, acusado por São Tomás, quando a alma, por falta de santidade, é incapaz de governar sobrenaturalmente as riquezas da Criação.

Finalmente: A alma verdadeiramente agradecida, como tantas vezes vemos nos Evangelhos, É SEMPRE HUMILDE; é serviçal, MAS NÃO SERVIL; POSSUI, EM DEUS NOSSO SENHOR, A CONSCIÊNCIA DA PRÓPRIA DIGNIDADE, MAS UMA DIGNIDADE QUE LHE VEM DO ALTO, DAQUELE QUE DA ÁRVORE DA CRUZ A AMOU TANTO, TANTO, QUE TUDO DEU PELA SUA SALVAÇÃO.  

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 18 de Setembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral      

MGR WILLIAMSON SOBRE A TESE DO PAPA HERÉTICO: BREVE PROGRESSO?

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Aqui publicamos a tradução da resposta ao Bispo em italiano, de Fra’ Leone da Bagnoregio, sobre sua « TESI DEL PAPA ERETICO », para comparar o pensamento anterior do bispo ao atual, resumido no «ousado» subtítulo do seu último comentário Eleison:

«Infalibilidade da Igreja: aos Papas conciliares devo “desobedecer”… «Ma che non sono Papi non c’é bisogno di dire».

… Mas que não são Papas não é preciso dizer.»

  • Na verdade é mesmo preciso dizer, especialmente um bispo. O estudo que segue refere-se a comentários Eleison anteriores, mas nele se compreende bem que o Bispo se apoiava defeituosamente em teses amplamente superadas já por S. Roberto Bellarmino.

*   *   *

Queremos iniciar dizendo que não se pretende ensinar a um bispo sua função, porque como bispo é parte integrante da “Igreja docente”, mas quando se constatam certas incongruências e algumas omissões óbvias é dever atá do inferior especificar e reprender mesmo um superior para o bem das almas e por amor da verdade, e é o que vamos fazer.

Recentemente apareceram dois “comentários” (n. 405 e 407) de Mons. Richard Williamson, intitulados “O senso comum sobre a sede vacante”, nos quais o bispo expõe os argumentos formulados por João de St. Thomas relativos à heresia do Papa, esta teoria foi seguida principalmente pelos dominicanos, mas também por outros teólogos. Ora, as opiniões sobre o papa herético podem ser reduzidas a cinco, e não apenas aquela relatada por Dom Williamson e são as seguintes:

1) O Papa não pode cair em heresia. Defendida por muitos teólogos, mas quase todos especificam, com São Roberto Belarmino, que caso ele caísse em heresia cessaria de ser papa “ipso facto”, pois “aqueles que estão fora da Igreja não podem ser a sua cabeça.”

2) Devido à sua heresia, o Papa nunca perde o pontificado. Defendida por um só teólogo (Bouix) e refutada por muitos teólogos.

3) O papa perdeu o papado no exato momento em que se torna um herege mesmo internamente. Defendida pelo Cardeal  João de Torquemada, agora abandonada por todos.

4) perde o pontificado somente após a declaração de heresia da parte de um Concílio, de cardeais ou de um grupo de bispos:

  • a) esta declaração seria realmente uma deposição defendida pelo cardeal de Vio dito Caetano;
  • b) Esta declaração não seria de uma deposição, mas apenas uma simples constatação da perda do pontificado; defendida por Suarez, Billuart, João de St. Thomas e outros, e refutada pelos teólogos que seguem a primeira e a quinta hipóteses;

5 °) O Papa herético perde o pontificado no exato momento em que sua heresia se torna manifesta, “ipso facto”. Defendida pelo cardeal São Roberto Belarmino, Silvius, pelo Cardeal Ballerini, Wernz – Vidal dos cardeais Billot e Journet e muitos outros.

Mons. Richard Williamson pôs em evidência somente a quarta posição, da qual no ponto (b, parece, porém, ignorar o que escreveu o cardeal Bellarmino, que confuta a quarta opinião com argumentos relevantes.

  1. Roberto Bellarmino, que não aprova a quarta hipótese de modo algum, assim a refutava: [1]

«A quarta opinião é aquela de Caetano [2] segundo a qual o papa manifestamente herético não é deposto ipso facto [3], mas pode e deve ser deposto pela Igreja. A meu aviso, esta opinião não é defensável. Porque, em primeiro lugar, é provado por argumentos de autoridade e de razão, que o herege manifesto é ipso facto deposto. O argumento de autoridade baseia-se em São Paulo (Tit. III) que ordena evitar o herege após duas advertências; ou seja, depois que ele demonstrou obstinação manifesta (o que significa antes de qualquer excomunhão ou sentença judicial). É o que São Jerônimo escreve, acrescentando que os outros pecadores são excluídos da Igreja a partir de uma sentença de excomunhão, em vez os hereges se exiliam, separando-se por si mesmos do Corpo de Cristo. Ora, um papa que permanecesse papa não poderia ser evitado, pois como se pode pedir de evitar a nossa cabeça? Como poderiamos nos separar de um membro unido a nós?

O princípio seguinte é dos mais certos: o não cristão não pode, de nenhum modo, ser papa como o mesmo Caetano admite (ibid., cap. 26). A razão reside no fato que não pode ser a cabeça se não é um membro; ora o não cristão não é membro da Igreja, e um herege manifesto não é cristão, como ensina claramente São Cipriano (livro IV, Epist. 2), Sant’Atanasio (serm. 2 cont. Arian.), Sant’Agostino (lib. de grat. Cristo, cap. 20), São Jerônimo (Contr. Lucifero.) e outros;  e é por isto que um herege manifesto não pode ser papa.

Caetano responde a isto (in Apol. pro tract. praedicto, cap. 25, et in ipso tract., cap. 22) afirmando que o herege não é um cristão simpliciter mas, secundum quid. Porque, visto que o cristão é composto de dois elementos, a fé e o caráter; o herege que perde a fé, ainda está, de certo modo, unido à Igreja e capaz de jurisdição; assim é ainda papa, mas deveria ser deposto, porque está com a última disposição, a cessar de ser papa; como o homem que não está ainda morto, mas em extremis.

Contra o que foi afirmado pode-se argumentar: de um lado, se o herege, em virtude do caráter restasse em “actu” unido à Igreja, não poderia nunca ser cortado ou separado in “actu”, pois o caráter é indelével. Mas ninguém nega que alguém possa ser separado em “actu” da Igreja. É justamente porque o caráter não deixa o herege em actu na Igreja, mas é sinal que indica a sua pertença e para onde deve voltar. Em modo análogo, quando uma ovelha se perde, erra pela montanha, a marca impressa nela não demostra que está no rebanjo, mas indica de qual grei fugiu e a qual deve ser levada. Verdade confirmada por Santo Tomás dizendo: (S.T. III, 8 3) que aqueles que não têm fé não estão unidos em “actu” a Cristo, mas o são somente em potência (Santo Tomás fala aqui de união interna e não de união externa operada pela confissão da fé e de sinais visíveis). Isto porquê o caráter que é um elemento interno, e não esterno, não basta, segundo Santo Tomás, a unir em “actu” um homem a Cristo.

Pode-se ainda acrescentar, contra o argumento de Caetano: ou a fé é disposição necessária simpliciter para ser papa, ou essa é somente necessária para sê-lo mais perfeitamente (ad bene esse). Na primeira hipótese, esta disposição sendo eliminada pelo seu  contrário que é a heresia, o «papa» cessa imediatamente de ser papa: porque a forma não pode manter-se sem as disposições necessárias. Na segunda hipótese, o «papa» não pode ser deposto por causa de heresia, se não ocorresse que o fosse também por causa de ignorância, maldade ou toda outra causa semelhante que impedem a ciência, a probidade e as outras disposições necessárias para ser um papa mais perfeito (ad bene esse papae).

Ainda, Caetano reconhece (Tract. praed., cap. 26) que o papa não pode ser deposto por falta de disposições necessárias, não simpliciter, mas somente devido a uma maior perfeição (ad bene esse). A isto, Caetano responde que a fé é uma disposição necessária simpliciter, mas parcial, não total; e que, portanto, ainda que desaparecendo a fé, o «papa» pode continuar a ser papa por causa da outra parte da disposição, o caráter que permanece.

Contra este argumento: ou a disposição total constituída pelo caráter e pela fé são necessárias simpliciter, ou essa não é a disposição parcial suficiente. Na primeira hipótese, quando a fé desaparece, não resta mais a disposição necessária simpliciter, pois era o total e o total não existe mais. Na segunda hipótese, a fé seria necessária somente para uma perfeição do modo de ser (ad bene esse), e a sua ausência não justificaria, portanto, a deposição do «papa». Além disso, o que se encontra na disposição próxima da morte, cessa evidentemente de existir logo depois, sem a intervenção de alguma força externa. Um papa herético [morto na fé], do mesmo modo, deixa por consequência de ser papa sem nenhuma deposição.

Os Santos Padres, por fim, ensinam unanimemente, não s+o que os hereges estão fora da Igreja, mas que ainda por cima estão ipso facto privados de toda jurisdição e dignidade eclesiástica. San Cipriano (livro II, epist. 6) defende: “Afirmamos que absolutamente nenhum herege ou cismático tem nem poder nem direito”; e ele ainda ensina (livro II, epist. 1) que os hereges que voltam para a Igreja devem ser recebidos como simples leigos, mesmo se antes foram padres ou bispos na Igreja. Sant’Optato (livro I, Contr. Parmen.) ensina que os hereges e os cismáticos não podem ter as chaves do reino dos céus, nem ligar nem desligar.

Santo Ambrósio (livro I, Di Pœnit., cap. 2), Santo Agostinho (In Enchir., cap. 65), San Jerônimo (livro Contr. Lucifero.) entinam o mesmo (…).

Papa São Celestino I (Epist. ad loc. Antioch., inclus. nel Conc. Ephes., tomo I, cap. 19) escrevia: “É evidente que restava e resta em comunhão connosco e que não consideramos como se fosse destituído, aquele que foi excomungado ou privado de seu cargo, tanto episcopal como clerical, ou bispo, pelo bispo Nestório ou por aqueles que o seguiram depois que começaram a pregar a heresia, pois a sentença de quem que já se revelou como deponendo não pode depor ninguém”.

Numa carta ao clero de Constantinopla, o papa San Celestino I confirmava ainda: “A autoridade de nossa Sede apostólica determinou que o bispo, o clérigo ou o simples cristão, depostos ou excomungados por Nestório ou pelos seus seguidores, depois que estes começaram a pregar a heresia, não serão considerados como depostos ou excomungados. Pois quem se apartou da fé sobre tal ensino não pode depor ou expulsar ninguém.”

São Nicolau I (Epist. ad Michael) repete e confirma a mesma coisa. Santo Tomás, enfim, ensina também (S.T., II-II, 39 3) que os cismáticos perdem imediatamente toda jurisdição e que, tudo o que tentam fazer baseando-se sobre qualquer jurisdição que seja, será nulo.

Alguns respondem a isto, afirmando que estes argumentos não apoiam-se em nenhum fundamento: porque estes Padres apoiavam-se na velha lei, enquanto hoje, por decreto do Concílio de Constança, só perdem a jurisdição aqueles que são excomungados nominalmente ou que atacam os clérigos. Afirmo que esta alegação não tem valor algum, pois estes Padres, afirmando que os hereges perderiam a sua jurisdição, não citaram nenhuma lei humana que, além disso, já não existisse sobre esta questão, mas argumentavam sobre a mesma base da heresia. O Concílio de Constança trata somente dos excomungados, isto é daqueles que perderam a sua jurisdição com sentença da Igreja, enquanto os hereges, antes mesmo de serem excomungados, estão fora da Igreja e privados de toda jurisdição, porque condenaram-se já pela própria sentença, como ensina o Apóstolo (Tit. III, 10-11), quer dizer, que se separaram do Corpo da Igreja antes da sentença de excomunhão, explica São Jerônimo. [4]

Ainda, a segunda afirmação de Caetano, segundo a qual um papa herético pode realmente e com ato de autoridade ser deposto pela Igreja, não é menos falsa da primeira. Porque se a Igreja depõe o «papa» contra a sua vontade, está certamente sob esta; todavia o mesmo Caetano, no mesmo tratado defende o contrário; responde que a Igreja, depondo o «papa» não exerce uma autoridade sobre ele, mas unicamente sobre a ligação que une a sua pessoa ao pontificado. Igualmente a Igreja, ligando o pontificado a uma certa pessoa, não é, todavia, superior ao pontífice, portanto, do mesmo modo, pode-se também separar o pontificado de uma pessoa no caso de heresia sem alegar ser superior ao papa.

Ma contrariamente a isto, deve-se notar, em primeiro lugar, que pelo fato que o papa depõe um bispo, deduz-se que o papa é superior a todos os bispos, embora depondo um bispo, o papa não destrua a jurisdição episcopal, mas a retire somente de uma determinada pessoa. Em segundo lugar, depor alguém do pontificado contra a sua vontade é certamente uma punição; portanto a Igreja, depondo o «papa contra a sua vontade o pune sem contestação; todavia punir é próprio de um superior ou de um juiz.

Em terceiro lugar, dado que, segundo Caetano e outros tomistas, o todo ou as partes tomadas como um todo são na realidade a mesma coisa, quem tem autoridade sobre as partes tomadas como um todo, sendo capaz de separar uma da outra, tem também autoridade sobre o mesmo todo, que constitui estas partes.

O exemplo dado por Caetano dos eleitores que têm poder para designar uma certa pessoa para o pontificado, sem todavia ter nenhum poder sobre o eleito papa é privado de valor. Porque quando se faz algo, a ação è exercida sobre a matéria desse algo futuro e não sobre o conjunto (matéria e forma), que não existe ainda; mas quando algo é destruído a ação é exercida sobre o conjunto, como torna indiscutível a consideração das coisas da natureza. Isto porque, indicando o pontífice, os cardeais não exercem a sua autoridade sobre ele, porque não existe ainda, mas sobre a matéria, isto é sobre a pessoa que através da eleição, será disposta a receber de Deus o pontificado. Mas se depusessem o pontífice, exercitariam necessariamente a própria autoridade sobre o conjunto, ou seja sobre a pessoa dotada de poder pontifício, o pontífice».[5]

A permanência de autoridade nos “papas conciliares”, ou em qualquer individuo eleito ao supremo pontificado, portador da heresia modernista, resultaria não “na tranquilidade da Igreja e do bem comum” (João de St. Thomas), mas num desmoronamento das fundações da mesma instituição eclesiástica ou da Igreja mesma. Um papa herético que preservasse a sua autoridade na Igreja iria usar essa autoridade para abusar e levar à perdição uma multidão de fiéis, em quanto iria impor como doutrina católica, por meio da sua «autoridade», o que na realidade é erro e heresia, além disso criaria novos cardeais “eleitores habituais” também fautores de heresias ou pelo menos não opositores a estas, perpetuando-as deste modo.

É o que ocorreu do «pontificado de Paolo 6» em diante: tendo sido alterado o número  dos eleitores, foram criados cardeais, pessoas claramente heréticas, e impedido às católicas de participar ao conclave, não há, portanto, de que surpreender-se que os “eleitores habituais”, desviados na fé, não tenham eleito nenhum papa católico em cinco conclaves. Ora, visto que os cardeais não outorgam a jurisdição ao papa, mas só escolhem o individuo, pode-se aplicar neste contexto o princípio filosófico: “nemo dat quod non habet”, os hereges não podem eleger ou escolher seja internamente ao sacro colégio, seja fora dele um papa católico.

Os atos realizados pelos “papas conciliares” não podem ser consideradas como “heresia proposta por um doutor privado, mesmo se pública e manifesta” [como querem alguns], mas como heresia realizada com atos e documentos oficiais da (contra) Igreja, fato que nenhum teólogo do passado jamais poderia contemplar. Por esta razão, muitos, que em outros tempos contestavam esses atos pontifícios chegando às justas conclusões, acabaram por aceitá-los.

Há mais: são os atos promulgados pelos “pontífices conciliares” a fazer suspeitar dessa legitimidade; o papa, é de fato infalível na sua infalibilidade reflexa ou no objeto secundário do seu Magistério quando promulga determinados atos: canonizações de santos, promulgação de leis universais, seja em campo disciplinar que litúrgico, aprovação de ordens religiosas e a interpretação de fatos históricos ou dogmáticos.[6]

Ora, é evidente que os “papas conciliares” promulgaram leis, seja em campo litúrgico seja disciplinar, nas quais são encontrados, com os erros ou pelo menos graves omissões, chegando mesmo a realizar canonizações de indivíduos, cuja fé e virtudes heroicas não são provadas mas contestáveis.

Sobre a eleição dos «papas conciliares»

A questão do “papa herético” podia ter valor no tempo de Paulo 6. Os seus sucessores não entram na mesma questão, de fato, sendo já hereges públicos e manifestos tendo avalizado todas as heresias derivadas do Vaticano 2 em diante, já não eram elegíveis. Por esta razão a tese sedevacantista é uma tese fundada em pressupostos de fé e de direito da Igreja, não em simples conjeturas de ordem pessoal.

Em primeiro lugar a Constituição Apostólica “Cum ex Apostolatus officio” do Papa Paulo IV não é uma simples norma disciplinar e portanto, não foi jamais abrogada por São Pio X com a Constituição «Vacante Sede Apostolica» de 25 de dezembro de 1904, nem por Pio XII com a Constitução «Vacantis Sedis Apostolicae» de 8 de dezembro de 1945, porque nestes atos pontifícios ficavam excluídos só os cardeais que tivessem recebido sanções canônicas e que assim pudessem ter permanecido nos seus cargos [nunca por causa de heresia ou cisma].

A heresia não é só uma questão canônica, é um impedimento inamovível, é questão de fé que determina se um indivíduo possa ou não possa ser considerado “matéria apta” ao pontificado. Entre as condições necessárias para assumir o pontificado é necessário: ser batizado, ser de sexo masculino, ser são de mente e ser católico. Todos os canonistas e teólogos, o afirmaram, desde Suarez a São Roberto Bellarmino, não último o mesmo Card. Journet, os canonistas dos anos 40 embora vivesse escrito depois da promulgação das citadas constituições apostólicas, univocamente insistiram sobre este ponto, que os hereges e os cismáticos estão excluídos do supremo pontificado. «Eligi potest masculum, usu rationis pollens, membrum Ecclesiae. Invalide ergo eligerentur feminae, infantes, habituali amentia laborantes, não baptizati, haeretici, schismatici»[7]

Lendo atentamente a Constituição Apostólica citada, papa Paolo IV, como depois São Pio V com a Bolla “Quo primum tempore”, declara abertamente que ninguém ouse mudar o que foi afirmado e estabelecido no ato: “Portanto a nenhum homem seja lícito (liceat) infringir esta folha de nossa aprovação, inovação, sanção estatuto derrogação, vontade e decreto, nem contradize-lo com temerária audácia. Se alguém tivesse a presunção de tenta-lo, saiba que isto o fará incorrer no desagrado de Deus Todo-Poderoso e seus Santos Apóstolos Pedro e Paulo”.

Isto pode ser dito por um papa só se no interno do ato promulgado foram estabelecidas regras inerentes à fé, de fato, não pode vincular com um ato disciplinar os seus sucessores, salvo se desconheça os seus limites previstos pela lei canônica. Todo o contexto da Constituição “Cum ex Apostolatus officio” tem o caráter da infalibilidade e não pode ser uma simples norma disciplinar. “Com esta nossa Constituição válida em perpétuo (perpetuum valitura), em ódio a tão grave crime, em relação ao qual nenhum outro pode ser mais grave e pernicioso na Igreja de Deus, na plenitude do poder Apostólico (de Apostolica potestatis plenitudine), sancionamos, estabelecemos, decretamos e definimos (et definimus)”.

O que é evidente é que a sanção “ipso facto” por heresia não é cominada pelo papa, assim o cardeal ou bispo herético não têm direito de serem eleitos ao sumo pontificado, não porque incorreram em sanções disciplinares, mas porque não são católicos! Seria come se fosse eleito papa um indivíduo de sexo feminino que com tramas várias tivesse obtido o cardinalato.

Certamente o presente estudo não tem caráter exaustivo mas quer ser uma contribuição para testemunhar a verdade nessa questão crucial… que atormenta esta geração.

Notas

[1] No testo citado em seguida, S. Roberto Bellarmino apresenta e refuta as razões principais colocadas por Caetano para defender a quarta opinião. Ao leitor que deseja conhecer mais detalhadamente a posição de Caetano concernente um papa herético, indicamos as obras: “Apologia de comparata auctoritate papae et concilii”, Roma 1936; “De comparatione auctoritatis papae et concilii”, Roma, 1936.

[2] Card. CAETANO, “Apologia de comparata auctor. papae e conc.”,, cap. XX e XXI.

[3] Lembramos que o termo “deposição” foi utilizado por S. Roberto Bellarmino, em senso genérico da perda do pontificado, e não no senso habitual de ato mediante o qual um poder humano, priva alguém de seu cargo.

[4] Para compreender melhor o que foi dito por S. Roberto Bellarmino, particularmente em relação às deposições atuais do Código de Direito Canônico (1917).

[5] S. Roberto BELLARMINO, De Romano. Pontifice – Opera omnia, Vol. I, Ed. Battezzati Milão 1858, livro II, cap. XXX, pp. 418 – 420.

[6] Esta não é simples opinião de um teólogo, mas é definida por todos os teólogos pelo menos como “sententia certa”, disto galamos em diversos articolos já publicados: «A infalibilidade da Igreja e do papa», «La nouvelle theologie del sedeplenismo», «Fallibilismo: L’inconsistenza teológica».

[7] Stefano SIPOS,  Enchiridion Iuris Canonici,  Pecs 1940, p. 191.

Artigo publicado em 19 de maio 2015, agerecontra.it

 

MONSIGNOR WILLIAMSON SULLA TESI DEL PAPA ERETICO: breve progresso?

 

z-Bergoglio-Scaldari

Aqui vamos publicar uma resposta ao Bispo em italiano, de quem se assina Fra’ Leone da Bagnoregio, sobre sua « TESI DEL PAPA ERETICO », para comparar o anterior pensamento do bispo ao atual, resumido no «ousado» subtítulo do seu último comentário Eleison:

«Infallibilità della Chiesa: ai Papi conciliari devo “disobbedire”… Ma che non sono Papi non c’è bisogno di dire.»

… Mas que não são Papas não é preciso dizer.”

Na verdade é preciso desobedecer ao novo «magistério conciliar» herético para obedecer a Deus. Porém – É PRECISO DIZER QUE NÃO É PAPA – para justificar a desobediência à heresia e seu autor herético e para não cair no falso testemunho do «Una cum» da Santa Missa, nem na rebelião ao «ministério» de quem considera ser papa, como ensinam por aí as várias renitentes fraternidades e mosteiros e agora o Nougué.

MONSIGNOR WILLIAMSON SULLA TESI DEL PAPA ERETICO

Vogliamo premettere che non si vuol insegnare ad un vescovo la sua funzione, in quanto come vescovo è parte integrante della “chiesa docente”, ma quando si constatano certe incongruenze e certe palesi omissioni è dovere anche dell’inferiore precisare e riprendere anche un superiore per il bene delle anime e per amore della verità [Infatti, il Vescovo dovrebbe essere il primo a dire che si deve disobbidire al «magistero conciliare» per obbedire a Dio. Però DEVE DIRE che non è PAPA – per giustificare la disobbedienza all’eresia e al eretico, onde non cadere nella falsa testimonianza dell’«Una cum» nella Santa Messa, né nella ribelione al «ministero» di chi considera papa, come insegnano in giro le varie fraternità] … è ciò che ci accingiamo a fare.

Sono apparsi recentemente due “commenti” (n. 405 e 407) di Mons. Richard Williamson, intitolati “Buon senso sulla sede vacante” nei quali il vescovo espone le argomentazioni formulate da Giovanni di San Tommaso relativamente all’eresia del papa, questa teoria è stata seguita principalmente dai domenicani, ma anche da altri teologi, ma le opinioni sul papa eretico si possono ridurre a cinque e non solo a quella riportata da Mons. Richard Williamson e sono le seguenti:

1°) Il Papa non può cadere nell’eresia. Difesa da molti teologi, che però quasi tutti pre­cisano, con S. Roberto Bellarmino, che nel caso do­vesse cadere in eresia cesserebbe d’essere papa “ipso facto” poiché “chi è fuori della Chiesa non può esserne il Capo”.

2°) Per la sua eresia, il Papa non perde mai il pontificato. Difesa da un solo Teologo (Bouix) e confutata da molti teologi.

3°) Il Papa perde il pontificato nel momento stesso in cui diventa eretico anche solo internamente. Difesa dal cardinale. Giovanni de Torquemada, oggi ab­bandonata da tutti.

4°) Perde il pontificato soltanto dopo la dichiarazione d’eresia da parte di un Concilio, dei cardinali o di un gruppo di vescovi:

  1. a) questa dichiarazione sarebbe realmente una depo­sizione sostenuta dal cardinale de Vio detto il Gaetano;
  2. b) questa dichiarazione non sarebbe una deposizione ma soltanto una semplice constatazione della perdita del pontificato; difesa da Suarez, Billuart, Giovanni di San Tommaso ed altri e confutata dai teologi che seguono la prima e la quinta ipotesi;

5°) Il Papa eretico perde il pontificato nel momento stesso in cui la sua eresia diventa manifesta “ipso facto”. Difesa dal cardinale San Roberto Bellarmino, Silvius, dal cardinale Ballerini, Wernz – Vidal dai cardinali Billot e Journet e da tanti altri.

Mons. Richard Williamson ha portato in evidenza soltanto la quarta posizione di cui al punto (b, sembra però ignorare quanto scritto dal cardinale Bellarmino che confuta la quarta opinione con argomenti assai di rilievo.

San Roberto Bellarmino che non approvava la quarta ipotesi in nessun modo, la confutava così:[1]

«La quarta opinione è quella di Gaetano [2] secondo la quale il papa manifestamente eretico non è deposto ipso facto [3], ma può e deve essere deposto dalla Chiesa. A mio avviso, quest’opinione non è difendibile. Perché, in primo luogo, è provato dagli argomenti d’autorità e di ragione che l’eretico manifesto è deposto ipso facto. L’argomento di autorità si basa su San Paolo (Tit. III) che ordina di evitare l’eretico dopo due avvertimenti, cioè dopo che abbia dimostrato un’ostinazione manifesta (ciò che significa prima di ogni scomunica o sentenza giudiziale). È ciò che scrive San Girolamo, aggiungendo che gli altri peccatori sono esclusi della Chiesa da una sentenza di scomunica, gli eretici invece si esiliano, separandosi da loro stessi dal Corpo di Cristo. Ora un papa che resterebbe papa non può essere evitato, perché come ci si può chiedere d’evitare il nostro capo? Come potremmo separarci da un membro che c’è unito?

Il seguente principio è dei più certi: il non cristiano non può, in nessun modo, essere papa come Gaetano stesso ammette (ibid., cap. 26). La ragione sta nel fatto che non può essere la testa se non è un membro; ora il non cristiano non è membro della Chiesa, ed un eretico manifesto non è cristiano, come insegnano chiaramente San Cipriano (libro IV, Epist. 2), Sant’Atanasio (serm. 2 cont. Arian.), Sant’Agostino (lib. de grat. Cristo, cap. 20), San Girolamo (Contr. Lucifero.) e di altri;  ed è per questo che un eretico manifesto non può fare il papa.

Gaetano risponde a ciò (in Apol. pro tract. praedicto, cap. 25, et in ipso tract., cap. 22) affermando che l’eretico non è un cristiano simpliciter ma, secundum quid. Perché, dato che il cristiano è composto di due elementi, la fede ed il carattere, l’eretico che ha perso la fede, è ancora, in un certo modo, unito alla Chiesa e capace di giurisdizione; così è ancora papa, ma dovrebbe essere deposto, poiché è pronto, per un’ultima disposizione, a cessare d’essere papa. Come l’uomo che non è ancora morto, ma è in extremis.

Contro quanto affermato si può argomentare: da una parte, se l’eretico, in virtù del carattere restasse in “actu” unito alla Chiesa, non potrebbe essere mai reciso o separato in “actu”, perché il carattere è indelebile. Ma nessuno nega che qualcuno possa essere separato in “actu” dalla Chiesa. É proprio perché il carattere non mette in actu l’eretico nella Chiesa, ma è un segno che indica che vi apparteneva e che è lì che deve tornare. In modo analogo, quando una pecora persa erra nella montagna, il marchio impresso su lei non dimostra che si trova nel gregge, ma indica da che gregge è fuggita e dove si deve riportarla. Questa verità è confermata da San Tommaso che dice (S.T. III, 8 3) che quelli che non hanno la fede non sono uniti in “actu” a Cristo, ma lo sono solamente in potenza (San Tommaso parla qui di unione interna e non di unione esterna prodotta dalla confessione della fede e dei segni visibili). Questo è perché, il carattere che è un elemento interno, e non esterno, non basta, secondo San Tommaso, ad unire in “actu” un uomo a Cristo.

Si può, inoltre, aggiungere, contro l’argomento di Gaetano: o la fede è una disposizione necessaria simpliciter per essere papa, o essa è solamente necessaria per esserlo più perfettamente (ad bene esse). Nella prima ipotesi, questa disposizione essendo eliminata dal suo contrario che è l’eresia, il papa smette immediatamente d’essere papa: perché la forma non può mantenersi senza le disposizioni necessarie. Nella seconda ipotesi, il papa non può essere deposto a causa di eresia, se no occorrerebbe che lo sia anche a causa di ignoranza, di malvagità od ogni altra causa simile che impediscono la scienza, la probità e le altre disposizioni necessarie per essere un papa più perfetto (ad bene esse papae). Di più, Gaetano riconosce (Tract. praed., cap. 26) che il papa non può essere deposto per mancanza di disposizioni necessarie, non simpliciter, ma solamente per una più grande perfezione (ad bene esse).

A ciò, Gaetano risponde che la fede è una disposizione necessaria simpliciter, ma parziale, non totale; e che, dunque, pur scomparendo la fede, il papa può continuare ad essere papa a causa dell’altra parte della disposizione, il carattere che rimane.

Contro questo argomento: o la disposizione totale costituita dal carattere e la fede sono necessari simpliciter, o essa non è la disposizione parziale sufficiente. Nella prima ipotesi, quando la fede scompare, non resta più la disposizione necessaria simpliciter, poiché era il totale ed il totale non esiste più. Nella seconda ipotesi, la fede è necessaria solamente ad una perfezione del modo di essere (ad bene esse), e la sua assenza non giustifica, dunque, la deposizione del papa. Inoltre, ciò che si trova nella disposizione prossima alla morte, cessa evidentemente di esistere subito dopo, senza che intervenga qualche forza esterna. Un papa eretico, parimenti, smette di conseguenza d’essere papa senza nessuna deposizione.

I Santi padri, infine, insegnano unanimemente, non solo che gli eretici sono fuori della Chiesa, ma in aggiunta sono ipso facto privati d’ogni giurisdizione e dignità ecclesiastica. San Cipriano (libro II, epist. 6) sostiene: “Affermiamo assolutamente che nessuno eretico o scismatico non ha potere né diritto”; ed egli in aggiunta insegna (libro II, epist. 1) che gli eretici che ritornano alla Chiesa devono essere accolti come semplici laici anche se prima erano preti o vescovi nella Chiesa. Sant’Optato (libro I, Contr. Parmen.) insegna che gli eretici e gli scismatici non possono avere le chiavi del regno dei cieli, né legare né sciogliere.

Sant’Ambrogio (libro I, Di Pœnit., cap. 2), Sant’Agostino (In Enchir., cap. 65), San Girolamo (libro Contr. Lucifero.) insegnano la stessa cosa (…).

Papa San Celestino I (Epist. ad loc. Antioch., inclusa nel Conc. Ephes., tomo I, cap. 19) scriveva: “È evidente che restava e resta in comunione con Noi e che non consideriamo come destituito colui che è stato scomunicato o privato del suo ufficio, tanto episcopale che clericale, dal vescovo Nestorio o per quelli che l’hanno seguito dopo che abbiano cominciato a predicare l’eresia. Perché la sentenza di colui che si è rivelato già come deponendo non può deporre chicchessia”.

In una lettera al clero di Costantinopoli, papa San Celestino I ribadiva ancora: “L’autorità della nostra Sede apostolica ha determinato che il vescovo, il chierico o il semplice cristiano, deposti o scomunicati da Nestorio o dai suoi sostenitori, dopo che questi abbiano cominciato a predicare l’eresia, non saranno considerati come deposti o scomunicati. Perché quello che si è staccato dalla fede per tali insegnamenti non può deporre o cacciare chicchessia.”

San Nicolò I (Epist. ad Michael) riafferma e conferma la stessa cosa. San Tommaso, infine, insegna altresì (S.T., II-II, 39 3) che gli scismatici perdono immediatamente ogni giurisdizione e che, ciò che tentano di fare basandosi su qualche giurisdizione che sia, sarà nullo.

Certi rispondono a ciò, affermando che questi argomenti non si poggiano su nessuno fondamento: perché questi Padri si appoggiavano sulla vecchia legge, mentre oggi, per decreto del Concilio di Costanza, perdono solo la loro giurisdizione coloro che sono scomunicati nominalmente o che assalgono i chierici. Affermo che quest’argomento non ha nessuno valore, perché questi Padri, sostenendo che gli eretici perderebbero la loro giurisdizione, non citarono nessuna legge umana che, inoltre, non esisteva forse per questa questione, ma argomentavano sul fondamento stesso dell’eresia. Il concilio di Costanza tratta solamente degli scomunicati, cioè di quelli che hanno perso la loro giurisdizione per una sentenza della Chiesa, mentre gli eretici, prima ancora di essere scomunicati, sono fuori della Chiesa e privati d’ogni giurisdizione. Perché si sono condannati già con la loro sentenza, come insegna l’apostolo (Tit. III, 10-11), vale a dire che si sono separati dal Corpo della Chiesa senza scomunica, come lo spiega San Girolamo. [4]

Per di più, la seconda affermazione di Gaetano secondo la quale un papa eretico può veramente e per un atto d’autorità essere deposto dalla Chiesa, non è meno falsa della prima. Perché se la Chiesa depone il papa contro la sua volontà, è certamente al di sotto lui; tuttavia lo stesso Gaetano, nel medesimo trattato difende il contrario. Risponde che la Chiesa, deponendo il papa non esercita un’autorità su lui, ma unicamente sul legame che unisce la sua persona al pontificato. Parimenti la Chiesa, legando il pontificato ad una certa persona, non è, tuttavia, superiore al pontefice, quindi, allo stesso modo si può anche separare il pontificato da una persona in caso di eresia senza dire che è superiore al papa.

Ma contrariamente a ciò, si deve notare, in primo luogo, che per il fatto che il papa depone un vescovo, si deduce che il papa è superiore a tutti i vescovi, sebbene deponendo un vescovo, il papa non distrugga la giurisdizione episcopale, ma la toglie solamente a una determinata persona. In secondo luogo, deporre qualcuno dal pontificato contro la sua volontà è sicuramente una punizione; dunque la Chiesa, deponendo il papa contro la sua volontà lo punisce senza contesto; tuttavia punire è proprio di un superiore o di un giudice. In terzo luogo, dato che secondo Gaetano ed altri tomisti, il tutto o le parti prese come un tutto sono in realtà la stessa cosa, quello che ha autorità sulle parti prese come un tutto, essendo capace di separarle l’una dall’altra ha anche autorità sullo stesso tutto che costituisce queste parti.

L’esempio che dà Gaetano degli elettori che hanno potere di designare una certa persona per il pontificato, senza avere tuttavia potere sul papa è privo di valore. Perché quando si fa una cosa, l’azione si esercita sulla materia della cosa futura e non sull’insieme, che non esiste ancora; ma quando una cosa è distrutta, l’azione si esercita sull’insieme, come lo rende indiscutibile la considerazione delle cose della natura. Questo è perché, creando il pontefice, i cardinali non esercitano la loro autorità su lui, perché non esiste ancora, ma sulla materia, cioè la persona che tramite l’elezione, sarà disposta a ricevere da Dio il pontificato. Ma se deponessero il pontefice, eserciterebbero necessariamente la loro autorità sull’insieme, ovverosia sulla persona dotata del potere pontificale, ossia il pontefice».[5]

La permanenza dell’autorità nei “papi conciliari” o in qualsiasi individuo eletto al sommo pontificato latore dell’eresia modernista, comporterebbe non “la tranquillità della Chiesa e il bene comune”(Giovanni di San Tommaso), bensì uno sgretolamento dei fondamenti della stessa istituzione ecclesiastica ovvero della Chiesa stessa. Un papa eretico che conservasse la sua autorità nella Chiesa userebbe di tale autorità per abusarne e per portare alla perdizione molteplici fedeli, in quanto imporrebbe come dottrina cattolica, tramite la sua autorità, ciò che in realtà è errore ed eresia, per di più creerebbe dei cardinali  nuovi “elettori abituali” anch’essi fautori dell’eresia o perlomeno non nemici dell’errore, perpetuando in questo modo l’eresia.

Questo è quanto è successo dal pontificato di “Paolo VI” in poi: essendo stato cambiato il numero degli elettori, sono stati creati cardinali, persone palesemente eretiche, e si è impedito a quelle cattoliche di partecipare al conclave, non ci si può, quindi, stupire o meravigliare che da “elettori abituali” deviati nella fede non sia stato eletto un papa cattolico per ben cinque conclavi, sebbene i cardinali non conferiscano la giurisdizione al papa, ma scelgano solo l’individuo, si può applicare per questo contesto il principio filosofico: “nemo dat quod non habet”, degli eretici non possono eleggere o scegliere sia all’interno del sacro collegio,sia al di fuori di esso un papa cattolico.

Gli atti posti in essere dai “papi” conciliari” non possono essere annoverati come “eresia proposta da un dottore privato ancorché pubblica e manifesta” bensì come eresia posta in essere con atti e documenti ufficiali della (Contro)Chiesa, fatto che nessun teologo del passato ha mai potuto contemplare o prendere in esame. Per questo motivo molti che un tempo contestavano questi atti pontifici, tirando le giuste conclusioni hanno dovuto accettarli.

Ma vi è di più: sono gli atti che hanno promulgato i “pontefici conciliari” a mettere in dunque, la loro legittimità; il papa, infatti, è infallibile per infallibilità riflessa o per oggetto secondario del suo Magistero se promulga determinati atti: canonizzazioni dei santi, promulgazione di leggi universali sia in campo disciplinare che liturgico, approvazione degli ordini religiosi e la determinazioni di fatti storici o dogmatici.[6]

Ora è evidente che i “papi conciliari” hanno promulgato leggi sia in campo liturgico che disciplinare in cui sono riscontrabili degli errori o perlomeno delle gravi omissioni, addirittura si è arrivato alla canonizzazione di individui, le virtù eroiche dei quali, erano e sono tutte da dimostrare.

La questione del “papa eretico” poteva valere al tempo di “Paolo VI” i suoi successori non ricadono in questa questione, infatti, essendo già eretici pubblici e manifesti avendo avallato tutte le eresie scaturite dal Vaticano II in poi non erano eleggibili.

La tesi sedevacantista è una tesi che si fonda su presupposti di fede e di diritto della Chiesa, non su semplice congettura di ordine personale.

In primo luogo la Costituzione Apostolica “Cum ex Apostolatus officio” di Papa Paolo IV non è una semplice norma disciplinare e quindi, non è mai stata abrogata da San Pio X con la “Costituzione Vacante Sede Apostolica” del 25 dicembre 1904, e neppure da Pio XII con la Costituzione “Vacantis Sedis Apostolicae” dell’8 dicembre 1945. In quanto questi atti Pontifici escludevano solo i cardinali che fossero incorsi in sanzioni canoniche e che rimanessero tali nel loro ufficio.

L’eresia non è solo una questione canonica, è un impedimento inamovibile, è una questione di fede che determina se un individuo possa o non possa essere considerato “materia apta” al pontificato. Tra le condizioni necessarie per assumere il pontificato è necessario: essere, battezzati, essere di sesso maschile, essere sani di mente ed essere cattolici. Tutti i canonisti e teologi l’hanno affermato da Suarez a San Roberto Bellarmino, non ultimo lo stesso Card. Juornet, I canonisti degli anni 40 sebbene avessero scritto dopo la promulgazione delle predette costituzioni apostoliche hanno univocamente insistito su questo punto che gli eretici e gli scismatici sono esclusi dal supremo pontificato. «Eligi potest masculum, usu rationis pollens, membrum Ecclesiae. Invalide ergo eligerentur feminae, infantes, habituali amentia laborantes, non baptizati, haeretici, schismatici»[7]

Se si legge attentamente la Costituzione Apostolica succitata, papa Paolo IV come farà poi San Pio V con la Bolla “Quo primum tempore”, dichiara apertamente che nessuno osi mutare quanto affermato e stabilito nell’atto: “Pertanto a nessun uomo sia lecito (liceat) infrangere questo foglio di nostra approvazione, innovazione, sanzione statuto derogazione, volontà e decreto, ne contraddirlo con temeraria audacia. Se qualcuno avesse la presunzione di attentarvisi, sappia che lo farà incorrere nello sdegno di Dio Onnipotente e dei suoi Beati Apostoli Pietro e Paolo”.

Questo un papa lo può solo fare se all’interno dell’atto promulgato si stabiliscano regole inerenti la fede, infatti, non può vincolare per un atto disciplinare i suoi successori, salvo che non conosca i suoi limiti previsti dalla legge canonica. Tutto il tenore della Costituzione “Cum ex Apostolatus officio” ha il carattere dell’infallibilità e non può essere una semplice norma disciplinare. “Con questa nostra Costituzione valida in perpetuo (perpetuum valitura), in odio a così grave crimine, in rapporto al quale nessun altro può essere più grave e pernicioso nella Chiesa di Dio, nella pienezza dell’Apostolica potestà (de Apostolica potestatis plenitudine), sanzioniamo, stabiliamo, decretiamo e definiamo (et definimus)”.

Ciò che è evidente è che la sanzione per eresia è “ipso facto” non perché è stata comminata dal papa, il cardinale o il vescovo eretico non hanno diritto di essere eletti al sommo pontificato non perché sono incorsi in sanzioni disciplinari, ma perché non sono cattolici! Sarebbe come fosse stato eletto papa un individuo di sesso femminile che per varie ragioni avesse raggiunto il cardinalato.

Sicuramente il presente studio non ha carattere esaustivo ad ogni buon conto è un contributo a rendere testimonianza alla verità.

Notas

[1] Nel testo a seguito citato, San Roberto Bellarmino presenta e confuta le ragioni principali portate da Gaetano, per difendere la quarta opinione. Il lettore che desidera conoscere più dettagliatamente la posizione di Gaetano concernente un papa eretico, ricordiamo le opere: “Apologia de comparata auctoritate papae et concilii”, Roma 1936; “De comparatione auctoritatis papae et concilii”, Roma, 1936.

[2] Card. GAETANO, “Apologia de comparata auctor. papae e conc.”,, cap. XX e XXI.

[3] Ricordiamo che il termine “deposizione” è utilizzato da San Roberto Bellarmino, nel senso generico della perdita del pontificato, e non nel senso abituale di un atto mediante il quale un potere umano, priva qualcuno del suo incarico.

[4] Per comprendere meglio ciò che è stato detto da San Roberto Bellarmino, particolarmente in rapporto alle deposizioni attuali del Codice di Diritto Canonico.

[5] San Roberto BELLARMINO, De Romano. Pontifice – Opera omnia, Vol. I, Ed. Battezzati Milano 1858, libro II, cap. XXX, pp. 418 – 420.

[6] Questa non è una semplice opinione di un teologo, ma è definita da tutti i teologi perlomeno come “sententia certa”, di questo né abbiamo parlato in svariati articoli pubblicati: L’infallibilità della Chiesa e del papa, La nouvelle theologie del sedeplenismo, Fallibilismo: L’inconsistenza teologica.

[7] Stefano SIPOS,  Enchiridion Iuris Canonici,  Pecs 1940, p. 191.

Questo articolo é stato pubblicato 19 maggio 2015, 10:47 ed é archiviato sotto Cattolicesimo, Saggistica di agerecontra.it

A GRAÇA SANTIFICANTE – O BEM MAIS RARO DESTE MUNDO

 

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da encíclica “Adiutricem Populi”, promulgada em 5 de Setembro de 1895:

«Ora, como a Fé é o fundamento  e o princípio dos Dons Divinos, pelos quais o homem é elevado acima da ordem da natureza, para os Bens Eternos, celebra-se justamente a  mística influência de Maria Santíssima na sua adquirição e frutificação da Fé. Efectivamente, Maria é aquele que gerou o Autor da Fé, e que por causa da sua Fé foi saudada “Bem-Aventurada”: “Ninguém, Ó Virgem Santíssima, tem conhecimento pleno de Deus, a não ser por teu intermédio, Ó Mãe de Deus; ninguém recebe Dons da Misericórdia Divina, a não ser através de ti”(São Germano Constantinopolitano). E também não pode parecer exagerada a afirmação de que foi especialmente pela sua guia e ajuda, que até entre obstáculos e adversidades enormes, a Sabedoria e os ordenamentos evangélicos difundiram-se tão ràpidamente por todo o mundo, instaurando em todo o lugar uma nova ordem de Justiça e Paz. Sem dúvida, essa consideração devia estar presente no ânimo de São Cirilo de Alexandria, quando dirigindo-se à Virgem lhe dizia: “Graças a ti os Apóstolos pregaram aos povos a doutrina da Salvação; Graças a ti, toda a criatura presa nos erros da idolatria é reconduzida ao conhecimento da Verdade; Graças a ti, os fiéis chegaram ao Baptismo e foram fundadas igrejas em toda a parte do mundo.”

Além disso, segundo o louvor do mesmo Doutor, ela foi “poderosíssimo centro de verdadeira Fé”, pelo cuidado contínuo que teve em manter firme, inata e fecunda entre os povos a Fé Católica. Há provas numerosíssimas e bem conhecidas, confirmadas, por vezes, por acontecimentos prodigiosos. Aconteceu, sobretudo, nos tempos e nas regiões nos quais se teve que deplorar o enfraquecimento da Fé por causa da indiferença, ou atacada pelo contágio pernicioso dos erros que o socorro clemente da Virgem se manifestou de maneira particular. Foi então que graças a seu impulso e apoio, surgiram homens eminentes em santidade e zelo apostólico, prontos a rechaçar os ataques dos perversos, a reconduzir as almas à prática e ao fervor da vida cristã. Sózinho, poderoso, como muitos unidos, Domingos de Gusmão consagrou-se a essa dúplice tarefa, tendo colocado, com sucesso, a sua confiança no Rosário de Maria. E ninguém poderá duvidar da grande parte que a Mãe de Deus teve nos serviços prestados pelos veneráveis Padres e Doutores da Igreja que trabalharam tão egrègiamente em defesa e ilustração da Doutrina Católica. Com efeito, é A ELA, SEDE DA SABEDORIA DIVINA, QUE ELES, AGRADECIDOS, ATRIBUEM A INSPIRAÇÃO FECUNDA DOS SEUS ESCRITOS; É POR OBRA DA VIRGEM SANTÍSSIMA, E NÃO PELOS SEUS MÉRITOS, COMO ELES TESTEMUNHAM, QUE A MALÍCIA DOS ERROS FOI DERROTADA.»

A mais terrível consequência do pecado original é precisamente esta: O Bem mais precioso, mais necessário, a amizade Sobrenatural com Deus Nosso Senhor – é o Bem mais raro.

Na ordem física, sabemos que o ar atmosférico, o qual constitui o bem material mais absolutamente necessário, nem sequer é um bem económico, pois não possui raridade: Há para todos, SEM TRABALHO, sejam quantos forem, e por mais que respirem não se limitam uns aos outros. Já a água, que também é urgentemente necessária para a sustentação da vida, mas não tão imperiosa quanto o ar, a água já constitui um bem económico, porque mesmo que se considere a imensidade dos oceanos, É NECESSÁRIO TRABALHO E MAQUINARIA PARA PROCEDER À DESTILAÇÃO.

No Paraíso Terrestre, os Bens Sobrenaturais constituíam como que o ar espiritual dessa privilegiada condição, um autêntico Bem livre. Efectivamente, as crianças nasceriam já na posse da Graça Santificante, que ERA PURA GRAÇA DE DEUS, E NÃO GRAÇA DA REDENÇÃO OPERADA POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. No Paraíso Terrestre a virtude Sobrenatural era tão fácil e tão espontânea, como respirar. O progresso nessa mesma virtude mais não seria senão um lançar-se amorosamente, gratificantemente, nos abismos Incriados das Riquezas Divinas. E quanto mais virtude alcançassem, mais fácil seria, para os habitantes do Paraíso Terrestre, essa mesma virtude.

O pecado original actuou como uma bomba nuclear que tivesse envenenado irremediàvelmente a atmosfera Sobrenatural do Paraíso Terrestre. Consequentemente, o que era abundantíssimo e fácil, tornou-se raro e difícil. Se Adão, constituído cabeça orgânica do Género Humano, não tivesse pecado, existe a possibilidade de que algum dos seus descendentes o pudesse ter feito, e teria morrido como Adão morreu, mas esse pecado não seria transmitido através das gerações, e não teria obliterado a privilegiada condição, Preternatural e Sobrenatural, do Paraíso Terrestre.

O facto da Redenção operada por Nosso Senhor Jesus Cristo possuir um valor infinito, não contradiz que a Graça Santificante, Sobrenatural, por Ele merecida para os homens (vicária de condigno) seja, não apenas rara, MAS PROGRESSIVAMENTE MAIS RARA À MEDIDA QUE OS SÉCULOS DECORREM.

Efectivamente, quem quer que, sendo verdadeiramente católico, estude, com alguma profundidade,  a História Universal, não poderá deixar de concluir QUE A GRANDE MAIORIA DOS HOMENS SÃO MAUS, EM MAIOR OU MENOR GRAU. A COMEÇAR PELAS CLASSES DIRIGENTES. ORA A MALDADE HUMANA É COMPLETAMENTE INCOMPATÍVEL COM A GRAÇA SANTIFICANTE.

Constitui erro crasso defender que “antigamente os homens eram melhores”. A condição humana só mudou uma vez: Precisamente com o pecado original que transtornou essencialmente, não só o ambiente no qual o homem se move, mas inclusivamente o próprio homem, que se tornou passível e mortal.

Se hoje a Graça Santificante é ainda mais rara que no passado, tal deve-se ao facto de satanás haver conseguido uma sinergia das forças do mal, multiplicando extraordinàriamente o efeito material e ostensivo desse mesmo mal. Mas os homens de hoje não são, nem essencialmente piores, nem essencialmente melhores do que os homens de épocas passadas.

A própria ruína total da face humana do Corpo Místico foi obtida mediante uma sinergia, bem calculada pelo demónio, das forças do mal já existentes no mundo.

Possuir a Graça Santificante, É AMAR A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS, E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS. Todavia a Graça Santificante não é sinónimo de Caridade; mas um Hábito entitativo Sobrenatural que adere à essência mesma da alma fazendo-a reflectir, com fidelidade, a Semelhança Divina, da qual acidentalmente participa; enquanto que a Caridade constitui um Hábito operativo que adere à vontade. NÃO HÁ GRAÇA SANTIFICANTE FORA DA FÉ CATÓLICA; a não ser, excepcionalmente, o caso de alguém formalmente católico, pertencente à alma da Igreja, mas vivendo materialmente imerso numa falsa religião.

A Graça Santificante, embora constitua filosòficamente um acidente, é um acidente Sobrenatural criado pelo qual a alma participa da Natureza Divina. Deus Nosso Senhor jamais poderia criar uma “natureza sobrenatural”, pois isso equivalia a criar outro “deus” o que constitui uma impossiblidade metafísica; mas Deus pode criar um acidente espiritual, porque o acidente não pode existir, nem em si, nem por si, apenas noutro, neste caso na alma, que santifica, Divinizando-a. Consequentemente, a Graça Santificante pode e deve considerar-se infinita.    

Estudar as misérias da História Humana, é VERIFICAR QUE OS HOMENS NÃO AMAM, E NEM MESMO CONHECEM A DEUS, EMBORA SE DECLAREM CATÓLICOS POR RAZÕES POLÍTICAS E SOCIAIS.

Quando as pessoas se deixam arrebatar pelos negócios deste mundo, até as mais legítimas realidades são tratadas de forma desordenada e displicente, desviada das suas finalidades. Porque os objectivos mais honestos desta vida, têm para tal que ser contemplados, essencialmente, COMO FINS SECUNDÁRIOS; consequentemente não podem estorvar, nem retardar, o FIM ABSOLUTAMENTE PRIMÁRIO – A GLÓRIA DE DEUS E A SALVAÇÃO DA ALMA. Quando se retarda apenas o Fim Primário, comete-se pecado venial, o qual não elimina o Hábito da Caridade, nem a Graça Santificante, MAS DEBILITA MORALMENTE A ALMA, PREDISPONDO PARA O PECADO MORTAL, ENLANGUESCENDO TAMBÉM OS ACTOS DAS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS.

Ninguém com um mínimo de apego desordenado ao mundo pode possuir a Graça Santificante; exactamente por isso, ao examinarmos a História Universal, os milhões de seres agitando-se e revolvendo-se num afã inglório pela conquista de tudo o que o mundo, o demónio, e a carne podem dar, estamos decerto visionando a própria ante-câmara do Inferno.

O Bem mais raro neste mundo, a Graça Santificante, é assim o único que vale a pena, o único que nos conduz ao bom porto da Eternidade, na companhia de Nosso Senhor, Maria Santíssima, São José, e todos os Anjos e Santos. O Bem mais raro neste mundo, hoje em dia – privados que estamos da presença Institucional da Santa Madre Igreja – PODE CONSIDERAR-SE UM MILAGRE MORAL A SUA POSSE PELA ALMA. Tudo, absolutamente tudo, neste paupérrimo mundo, conspira irremediàvelmente contra a Glória de Deus e contra os interesses Sobrenaturais das almas.

Neste quadro conceptual, o Bem mais raro, a Graça Santificante, é concomitantemente o mais PERSEGUIDO, O MAIS ACOSSADO; PORQUE CONSTITUINDO O SUMO BEM, O BEM INFINITO, É SIMULTÂNEAMENTE AQUELE CUJA PRIVAÇÃO PROJECTA – JÁ NESTE MUNDO – UM MAIOR REMORSO, UM MAIOR CANCRO ESPIRITUAL, UMA MAIOR AUTOCONSUMPÇÃO DA ALMA.

Terminamos com um sábio pensamento de Santo Afonso Maria de Ligório: “Ai! COMO OS MUNDANOS SERIAM GRANDES SANTOS, SE SOFRESSEM PARA DAR GLÓRIA A DEUS AQUILO QUE SOFREM PARA SE CONDENAREM.”

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Setembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

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