Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O SIGNIFICADO PROFUNDO DO AMOR DA SANTÍSSIMA TRINDADE PELA ALMA SANTA

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em passagens da sua encíclica “Haerent Animo”, promulgada em 4 de Agosto de 1908:

Em Verdade, a única coisa que une o homem a Deus, que o torna agradável a Ele, e o constitui digno ministro da Sua Misericórdia, é A SUA SANTIDADE DE VIDA E DE COSTUMES. Essa é, substancialmente, a perene ciência de Jesus Cristo, e se o sacerdote a não possui – FALTA-LHE TUDO!

A mais vasta cultura (que nós próprios procuramos promover entre o clero), como também a habilidade prática, se não existir a santidade, podem ser, sim, de alguma utilidade à Igreja e aos indivíduos, mas não raro acabam atraindo para si deplorável dano.

Ao invés, o santo, também se constituído no grau mais humilde, é capaz de empreender e conduzir a bom termo muitíssimas obras de grande utilidade ao povo de Deus. Inúmeros exemplos em todos os tempos testemunham-no . Bem recente e insigne é aquele de João Baptista Vianney (Santo Cura d’Ars), ao qual estamos alegres de ter nós próprios decretado as honras de Beato.

Enfim, sòmente a Santidade nos faz compreender o que o chamado de Deus requer de nós, isto é, homens crucificados para o mundo e para os quais o mundo foi crucificado, homens que vivem a nova vida; homens que nas palavras de Paulo, demonstram-se ministros de Deus, “nas fadigas, nas vigílias, nos jejuns, pela pureza, pela ciência, pela paciência, pela bondade, por espírito santo, pelo amor sem fingimento, pela palavra da Verdade”(I Cor 6,5 ss); homens que tendem ùnicamente ao Céu, ansiosos de conduzir os outros a todo o custo.

(…) Esses ensinamentos encontram a mais válida confirmação na exortação de Cristo, e sobretudo no Seu exemplo. Para recolher-Se em oração, vêmo-l’O retirar-Se na solidão do deserto, ou subido aos montes; passando noites inteiras em oração; frequentemente dirige-Se ao Templo, e mesmo entre a multidão eleva os olhos aos Céus rezando diante de todos; enfim, pregado na Cruz, entre dores de morte, eleva Sua súplica ao Pai com altos brados e lágrimas.

(…) Na maré de pecados que vai sempre cada vez mais se alastrando por toda a parte, cabe de modo especial a nós implorar a clemência de Deus. Cabe a nós insistir junto a Cristo, O Qual, em Seu Sacramento admirável concede toda a Graça, e suplicar-Lhe: “Piedade, Senhor, piedade do Teu povo!”»

Só existe uma Sabedoria – que vale infinitamente mais do que todo o Universo natural – que tal é O CONHECIMENTO E AMOR SOBRENATURAL DE DEUS UNO E TRINO. Os Livros Sapienciais, conquanto numa perspectiva Vetero-Testamentária, não possuem qualquer outro objectivo senão amar e fazer amar a única realidade verdadeiramente importante que pode ser conhecida neste paupérrimo mundo, nesta vida miserável, e à luz da qual todas as outras realidades devem ser medidas e rigorosamente hierarquizadas.

Infelizmente, quando se fala do amor de Deus para connosco, na grande maioria dos casos antropomorfizam-se e terrenizam-se os conceitos, construindo um “deus” que mais parece extraído da mitologia da Antiguidade Clássica.

Em primeiro lugar, devemos estabelecer que EM DEUS NÃO HÁ ACIDENTES, PORTANTO NÃO HÁ PAIXÕES, NEM ACÇÕES CONCEBIDAS AO MODO HUMANO.

Quanto mais perfeito é um ente menos mutável é; neste quadro conceptual, o Anjo é muito menos mutável que o homem; efectivamente o Anjo, elevado à Ordem Sobrenatural, decidiu da sua sorte Eterna num só momento ontológico posterior ao momento da sua criação; e a decisão do Anjo, a favor ou contra Deus é absolutamente imutável, e nem Deus pode fazer que seja diferente, pois não pode criar entes com propriedades contraditórias com a sua essência, nem obrigá-los a proceder de forma contraditória com essa sua essência.      

Por sua vez, no estado de Glória, todos os entes, Anjos e homens, são ontològicamente imutáveis, PORQUE TODAS AS SUAS POTENCIALIDADES ESTÃO ETERNAMENTE ACTUALIZADAS PELA VISÃO BEATÍFICA E NA VISÃO BEATÍFICA; MESMO NO QUE POSSUEM DE ORDEM NATURAL- ACIDENTAL EM RELAÇÃO À ORDEM SOBRENATURAL – OS ENTES GLORIFICADOS ENCONTRAM-SE TOTALMENTE SUBORDINADOS,  IMOBILIZADOS E ACTUALIZADOS PELA VISÃO DE DEUS UNO E TRINO.

Evidentemente, em Deus Nosso Senhor assinalamos uma Imutabilidade Metafísica Infinita, pois que em Deus não há, nem pode haver, potencialidade alguma. E não se diga que n’Ele existe, contudo, a potencialidade de criar, ou não, o mundo; na exacta medida em que A DECISÃO DIVINA DE CRIAR O MUNDO, CONQUANTO LIBÉRRIMA, É ETERNA; O ACTO DIVINO DA CRIAÇÃO DO MUNDO TAMBÉM É ETERNO, PORQUE DEUS NÃO VIVE NO TEMPO, NÃO DEPENDE DO TEMPO, POIS O TEMPO, O ESPAÇO E A MATÉRIA SÃO CRIAÇÃO SUA. A ACÇÃO DIVINA DE CONSERVAÇÃO DO MUNDO É IGUALMENTE ETERNA.

Mas a Encarnação do Verbo não actualiza a potencialidade Divina? Não, porque a decisão da Encarnação também é Eterna; a própria Encarnação Activa, ou seja, a acção, comum às Três Pessoas da Santíssima Trindade, mediante a qual se procede à Encarnação do Verbo, é igualmente Eterna. Neste quadro conceptual, a Encarnação, NO PENSAMENTO DIVINO E TRANSCENDENTALMENTE, É ETERNA, MAS ONTOLÒGICAMENTE, TEVE UMA ORIGEM NO TEMPO E NO ESPAÇO, POIS NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NASCEU NO TEMPO, MAS TAL EM NADA VIOLA O PRINCÍPIO DA IMUTABILIDADE DIVINA.

Mas os acontecimentos do mundo, nomeadamente o facto de as almas passarem do estado de pecado ao estado de Graça, ou vice-versa, não condiciona o conhecimento Divino? Como pode Deus detestar uma alma em pecado, e passar a amá-la quando esta se converte?

Deus Nosso Senhor, num único acto de Inteligência, de Infinita riqueza e fecundidade, pelo qual Se conhece a Si mesmo, e tudo o que virtualmente há em Si, e que é essencialmente constitutivo da Geração do Verbo; e num acto de vontade, igualmente de Infinita riqueza, essencialmente constitutivo da Espiração (do latim spirare=inflamar) do Espírito Santo;  conhece e ama, Eternamente, o Bem, e odeia o mal. Deus conhece as criaturas, não nelas e por elas, mas na Sua própria Essência, pois que o ser do mundo É, não existe, É, virtualmente em Deus. O mal, Deus conhece-o por oposição metafísica ao Bem, que é Ele próprio, pois que quando asseveramos que Deus encerra em Si, virtualmente, todo o ser do mundo, temos evidentemente que excluir o mal, não na sua manifestação fenoménica, mas ENQUANTO É METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE PRIVAÇÃO DE SER. Amando Eternamente o Bem, e odiando o mal, NÃO SE PROCESSA QUALQUER ALTERAÇÃO EM DEUS QUANDO UMA ALMA PASSA DO ESTADO DE PECADO AO ESTADO DE GRAÇA, OU VICE-VERSA, A ÚNICA MUDANÇA É APENAS A DA CRIATURA.

Porque em Deus Nosso Senhor, na Santíssima Trindade, não existem três inteligências e três vontades – do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Tal constitui um enorme erro. Em Deus, segundo a Unidade da Essência, HÁ UMA SÓ INTELIGÊNCIA E UMA SÓ VONTADE, PELAS QUAIS DEUS SE MEDE INFINITAMENTE A SI MESMO. O ACTO DE INTELIGÊNCIA, TAL COMO O ACTO DE VONTADE, SÃO SUBSTANCIAIS E ETERNOS, NÃO ACIDENTAIS E CONTINGENTES COMO NAS CRIATURAS. CONSEQUENTEMENTE, ESSES ACTOS É QUE SÃO CONSTITUTIVOS, ETERNAMENTE, DO MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE. Nem mesmo se pode, com rigor, afirmar, como frequentemente se faz, que Deus Pai, pelo inteligência e pela vontade, gera o Verbo e espira o Espírito Santo; pois a Geração é tão indispensável à Eterna constituição do Verbo, como à Eterna constituição do Pai. Consequentemente, o Fundamento remoto das Processões da Santíssima Trindade é a Natureza Divina; o Fundamento próximo É A INTELIGÊNCIA INFINITA E A VONTADE INFINITA TEOLÒGICAMENTE CONSIDERADAS. A CORRESPONDÊNCIA METAFÍSICA NOS ATRIBUTOS TRANSCENDENTAIS DO SER É PRECISAMENTE: A UNIDADE (O PAI), A VERDADE (O FILHO), E A BONDADE (O ESPÍRITO SANTO). Cumpre assinalar, com extrema veemência, QUE É ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL À INTELIGÊNCIA ANGÉLICA E HUMANA DEDUZIR O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE A PARTIR DOS ATRIBUTOS TRANSCENDENTAIS DO SER. TODAVIA, DEPOIS DE REVELADO O MISTÉRIO, É POSSÍVEL ESTABELECER A ANALOGIA REFERIDA.  

Exactamente por causa de todas estas maravilhas Sobrenaturais é que a Santa Madre Igreja sempre ensinou a Inabitação do Espírito Santo na alma santificada pela Graça. Efectivamente, Deus Nosso Senhor ama a alma santa como que uma centelha de Si mesmo, na medida em que Se vê reflectido pela alma participante da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade Divina. Porque pela Graça Santificante, a alma torna-se acidentalmente o que Deus é substancialmente. A presença Sobrenatural da Santíssima Trindade na alma em estado de Graça é a mais rica que é possível neste mundo, com a excepção da presença Sobrenatural de Deus Uno e Trino no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Quando a Santa Madre Igreja afirma que a Inabitação pertence ao Espírito Santo, quer significar que sendo o Espírito Santo a Caridade Divina realmente Personificada, são-Lhe assim atribuídas todas as obras de amor, a primeira das quais sendo a santificação das almas.

O amaldiçoado Vaticano 2 eliminou totalmente estas Infinitas Riquezas, este Lume Sobrenatural, que constitui a única realidade que pode conferir sentido e acalentar a nossa vida neste mundo mil vezes miserável.

A seita luterana procedeu a essa eliminação há cinco séculos; consequentemente, Bergoglio, o pior heresiarca da História, resolveu prestar tributo ao seu mentor do Inferno. Note-se que a denominada “Igreja luterana da Suécia” é a mais ateia de todas as seitas protestantes, sendo francamente favorável ao aborto, e a “casamentos sodomitas”.

Insiste-se mais uma vez, sem medo de me tornar repetitivo: O fundamento de todos estes péssimos eventos RESIDE NO AMALDIÇOADO PRINCÍPIO DA LIBERDADE RELIGIOSA; FOI ESTE “SIDA” ESPIRITUAL QUE NOS CONDUZIU AO ABSURDO QUE TESTEMUNHAMOS.

Em 1970, o Dr Xavier da Silveira afirmou que jamais se chegaria a uma situação de total e consumada apostasia na face humana do Corpo Místico – MAS ELA AÍ ESTA! Não desesperemos porém; recordemo-nos de que aquilo que aconteceu à Santa Madre Igreja, SÓ A ELA PODIA ACONTECER. Efectivamente, o que sucedeu à Santa Madre Igreja CONSTITUI UMA PROVA (mesmo a maior prova extrínseca) DA SUA VERDADE, DA SUA BONDADE, DA SUA SANTIDADE, DA SUA DIVINA OPOSIÇÃO A TODOS OS ERROS E A TODAS AS MISÉRIAS HUMANAS. As outras ditas “religiões”, ESSAS, JÁ SATANÁS AS TINHA!

Não olvidemos que nos mistérios de Fátima está consignada a chave da História da Igreja nesta idade pós-Cristã.

É IMPOSSÍVEL QUE DEUS NOSSO SENHOR NÃO VINGUE, JÁ NESTE MUNDO, AS AFRONTAS HORROROSAS QUE TEM RECEBIDO DA PARTE DA SEITA ANTI-CRISTO, VULGARMENTE CONHECIDA POR IGREJA CONCILIAR.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 9 de Novembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

FALTA O TESTEMUNHO CATÓLICO CONTRA OS «PAPAS CONCILIARES»

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Arai Daniele

Jorge Bergoglio demonstra de sentir-se como se fosse o imperador de Roma, também em ditar uma nova doutrina. Aqui se deveria recordar o caso de Santo Ambrósio, em Milão contra os arianos (Basílica ao lado). Mas, infelizmente, um bom vaticanista como Sandro Magister, prefere ir pescar um estudo no qual comparam a ambiguidade desviante do dito com os problemas da Igreja no tempo que enfrentou o arianismo. Como se a diferença não fosse a autoridade de Roma e do Papa. Hoje, em nome desta se promove a heresia e há um mundo que se diz católico, mas finge não reconhecer a situação única; do mistério de iniquidade!

Para entender essa diferença real, indiscutível, vamos repassar algo da história da Igreja para diante dela situar esta terrível hora presente e entender o dever católico de testemunhá-la. Inútil cada vez voltar a discutir cada desvio; estão quase todos nos documentos do Vaticano 2.

Para início de conversa há que ouvir o que o Dr. Arnaldo Xavier da Silveira, com autoridade na matéria, acrescentou enquanto muitos outros autores hesitam ainda a declarar: o Vaticano 2 no seu complexo é HERETIZANTE. Muitos católicos, que em vista das evidentes transformações degenerativas na vida religiosa, constatando verdadeiras e próprias heresias «conciliares», já ultrapassaram esse juízo, têm esperado anos, neste meio século de nefanda demolição, para finalmente ouvir chegar à conclusão inevitável que este comedido reconhecimento concede. De fato não representa Nosso Senhor Jesus Cristo quem promove com suas doutrinas um processo de ruptura e demolição doutrinal que produz frutos de danação. E esta reação católica vai aos poucos multiplicando seu testemunho no mundo, nestes tempos de um Bergoglio.

Todavia, sabe-se que há uma corrente que pretende, mais que extirpar esse câncer, aplicar-lhe curas com artifícios verbais, qual seja a afetada «hermenêutica de continuidade» da lavra de Bento 16, que não engana nem mesmo seus comparsas conciliares. Enquanto isto, outros doutos clérigos e leigos, reagem em consciência a essas contradições espantosas vindo de alguém que ocupa, como se fosse papa, a Sede Santa da Igreja. Reagem timidamente pois o fazem restando em plena comunhão com a nova igreja liberal e ecumenista engendrada pela «nova doutrina». Compreende-se que uma destemida tomada de posição contra novidades conciliares oficiosas, promovidas pelos poderosos ocupantes da Santa Sé, é deveras difícil. Mas para as consciências católicas implica uma verdadeira e própria profissão da Fé íntegra e pura.

Visto, porém, que a mente humana, mesmo de servis consagrados, é ordenada acima de tudo à verdade, esta reação interna aos ocupantes já começa a despontar e tornar-se notícia. Nesta linha deve-se ressaltar na Itália um lote eminente de conhecidos personagens que junto com o professor Brunero Gherardini, ergueram suas vozes revelando dissidência ao Vaticano 2.

No Congresso promovido pelos Franciscanos da Imaculada em 2010, está o Prof. Gherardini acompanhado pelo P. Serafino Lanzetta, pároco da Igreja S. Salvador em Ognissanti (Florença), professor de teologia dogmática no Instituto Teológico “Immacolata Mediatrice” (Cassino – Frosinone) e diretor da revista teológica “Fides Catholica”. Havia lá também dois bispos dos quais Mario Oliveri, Bispo de Albenga, o que incomodou Bento 16, mas já não incomoda Bergoglio, que «aceitou sua demissão», que não houve.

Agora isto volta a ser notícia devido à reação de Bergoglio que  tomou medidas duras contra os ditos Franciscanos, sempre obedientes, mas que ousaram discutir a nova Missa e o valor do Vaticano 2 ! Como ousam apontar as contradições evidentes daquela assembléia conciliar?

Neste sentido houve outro fato no último 17 dezembro, quando, no convênio realizado a dois passos do Vaticano, um bispo propôs nada menos que a volta ao magistério infalível da Igreja. Soube-se, apesar do silêncio mediático, que o bispo auxiliar di Karaganda, Kazakistan, Mons. Athanasius Schneider, pediu um novo Syllabus que deveria condenar infalivelmente “os erros na interpretação do Vaticano 2” à luz da tradição católica. Isto significaria ouvir de Ratzinger (do antisillabo) a explicação urbi et orbi – ao mundo inteiro – onde é que os opostos podem coincidir e onde tais contradições ecumenistas podem não constituir um evidente relativismo religioso. Inútil dizer que não teve resposta e menos ainda o Prof. Radaelli que pedia o mesmo num livro, agora renovado com outro: «a teologia de rua!

Diante da tarefa impossível de responder aos católicos, preferiu-se operar um revezamento no «papado conciliar»! Depois da demissão surpreendente, seguida pela introdução de um governo pampeiro, agora a Congregação dos Religiosos sopra para novos revezamentos, a começar pelo anulação do Instituto dos Franciscanos da Imaculada, submetido a um comissariado para a obra de impor a anuência ao novo magistério conciliar para “sentir com a Igreja”; assim aprendem! Agota temos a reação de quatro cardeais, que já sabem quanto é inútil apelar à Doutrina e agora, até mesmo as palavras do Evangelho.

O exemplo está no caso do fundador e superior geral, Pe. Stefano Manelli, vinha orientando o Instituto no sentido do retorno à Tradição, na linha da reação supra mencionada do teólogo Gherardini, ficou claro, como constata o Dr. Arnaldo, que a intervenção «não visaria apenas afastar os frades da celebração da Missa de São Pio V, mas também, ou sobretudo, pôr fim às resistências de muitos deles às doutrinas heretizantes do Vaticano 2 e às novidades inauditas do pós-Concílio».

Assim comprovam cada vez mais, para quem não crê, a estreita parentela entre as doutrinas conciliares e a missa de 1969. Tudo isto revela o que significaria que o atual “sentir com a Igreja”. que se se opõe ao perene sentir com a Igreja da Santa Missa tradicional e do Magistério de 260 Papas e 20 Concílios ecumênicos. Além disso, o Dr. Arnaldo em seu último artigo cita 3 regras (1ª, 9ª e 13ª) de Santo Inácio de Loyola, que devem ser bem conhecidas do jesuíta Bergoglio, onde se lê:

1ª – Renunciando a todo juízo próprio, devemos estar dispostos e prontos a obedecer em tudo à verdadeira esposa de Cristo Nosso Senhor, isto é, à Santa Igreja hierárquica, nossa mãe.

9ª – Louvar todos os preceitos da Santa Igreja, e estar disposto a procurar razões em sua defesa, e nunca para os criticar.

13ª – Para em tudo acertar, devemos estar sempre dispostos a crer que o que nos parece branco é negro, se assim o determina a Igreja hierárquica; persuadidos de que entre Cristo Nosso Senhor – o Esposo – e a Igreja – sua Esposa – não há senão um mesmo Espírito, que nos governa e dirige para a salvação das nossas almas. Porque é pelo mesmo Espírito e mesmo Senhor, autor dos dez mandamentos, que se dirige e governa a Santa Igreja, nossa Mãe”.

Ora, como «nos estudos anti-modernistas dos últimos cinqüenta anos, pode-se atribuir ao Vaticano 2 o rótulo de “herético” porque, se não promove diretamente, favorece a heresia. Seus documentos estão prenhes de proposições próximas da heresia modernista, dela favorecedoras, escandalosas, etc. Assim, é intolerável que o “sentir com a Igreja” seja identificado ao sentir com o modernismo do Vaticano 2. Na raiz dessa falsa identificação está uma noção errônea do Magistério da Igreja.»

Até aqui o advogado, Dr. Arnaldo dá nome ao engano (um falso ideológico), mas sem iniciar a causa aos seus autores. O fato é que para a justa obediência há que reconhecer a « verdadeira esposa de Cristo Nosso Senhor, isto é, à Santa Igreja hierárquica, na qual entre Cristo Nosso Senhor – o Esposo – e a Igreja – sua Esposa – não há senão um mesmo Espírito. O que se vê e acusa hoje é que a «igreja conciliar» não segue o mesmo Espírito da Igreja da Tradição.

A questão é vista por outros estudiosos católicos nos termos, que partem da pergunta inicial:  – Se já Santo Tomás não deixara claro o fato lógico que o fiel não é submetido ao infiel?
Assim sendo, visto que a submissão do fiel católico ao Papa tem por razão a Fé – à qual se liga o poder na Igreja – e sendo a «autoridade» do Vaticano  2 apoiada numa doutrina (no mínimo heretizante) e comprovadamente infiel, de que os «papas conciliares» são promotores, não está o fiel autorizado – tem autoridade – para não se submeter aos conciliares que revelam tal autoridade infiel na Fé? A este ponto segue a dupla questão: 1 – pode-se negar que o católico tem autoridade pessoal (em consciência) para a recusa de acolher a falsa autoridade conciliar (Gl 1, 8; 2 Jo 2, 10)? 2 – se a autoridade (derivada do mandato divino de anatemizar o infiel portador de outro evangelho) não é de ordem hierárquica, por qual razão seu exercício não deve ser legítimo (até obrigatório) na Comunhão dos santos?

A resposta do Professor Nougué foi a seguinte: «Se se trata de negar a autoridade desviada da fé, então, sim, todo e qualquer fiel tem o dever de “anatematizá-la”. Se porém se trata de anatematizá-la propre, ou seja, segundo o modo de uma mesma autoridade, esta é exatamente a questão, com respeito aos chamados “papas conciliares” (ou “não papas”, segundo o ângulo), disputada em torno da sedevacância.  Eu particularmente, como sempre expus publicamente, prefiro suspender o juízo quanto a esta segunda parte da pergunta, sem porém abrir mão da afirmação taxativa quanto à primeira, donde o lema que escrevi (Não só não devemos ao «magistério» conciliar, em quanto tal, obediência alguma em ponto nenhum, mas devemos mover-lhe uma ininterrupta e intransigente oposição católica.). Hoje em dia ele não vê mais essa questão disputada, pois defende um conceito de autoridade católica… relativa!

Um problema de consciência que o católico deve resolver

Note-se que o «propre» da solução acima já ficou registrado na longa história da Igreja quando os inferiores (na Comunhão dos Santos) se opuseram à hierarquia em questões de Fé.

Hoje atingir uma oposição representativa em número parece impossível devido à geral apostasia em ato. Mas fatos contingentes não anulam a posição católica essencial perante a defesa da Fé. Os preclaros bispos Lefebvre e Castro Mayer, fizeram algumas declarações próximas ao juízo esperado sobre a autoridade desviada da Fé, mas sem assumir a posição clara que se esperava. Dom Mayer o fez no fim, mas somente de viva voz e diante de um número reduzido de ouvintes, entre os quais os mesmos superiores da FSSPX.

A este ponto, quem esperava o juízo público dos bispos, como foi o meu caso, deixou de apoiar-se somente no próprio juízo em consciência, suspenso diante dos outros. De fato, havia sido declarado que havia anticristos no Vaticano e que estes tinham por chefe um anti-papa. É um juízo demonstrável pelas palavras e atos dos mesmos conciliares diante do Magistério, segundo a Lei da Igreja e também pelo testemunho dos dois Bispos que, declarando essa suspeita publicamente, a abonavam devido à resposta negativa na fé que obtiveram com as suas iniciativas para esclarecê-la junto às autoridades conciliares, que se demonstraram infiéis de modo pervicaz.

O que espanta hoje, porém, não é tanto a suspensão de juízo público da parte de muitos doutos leigos sobre o problema, – pois um bom número de anti-modernistas já o fazem em consciência -, espanta que muitos sacerdotes não têm a mesma preocupação dos dois Bispos para chegar ao necessário juízo na ordem da fé e da caridade; no dever de defender a Fé da Igreja sem fazer acepção de pessoas, mesmo revestidas (abusivamente) da mais alta dignidade eclesial. E isto, embora ao consagrar diariamente na santa Missa, declaram o «una cum» os suspeitos do delito gravíssimo de deturparem a fé. Portanto, incorrem pelo menos no risco deliberado de pronunciar uma mentira no momento mais sagrado de suas funções – na presença Real de Nosso Senhor.

Ora, penso que muitos doutos têm parte neste juízo falhado porque eles seguem o silêncio no juízo dos que constam como doutos autores, evitando como a peste os tais «sedevacantistas». Preferem o «papa herético»!

A questão gravíssima fica suspensa devido ao respeito humano suscitado por esse «palavrão»; pelo medo de ser qualificado sob algo que hoje parece ser mais odioso que o tal anti-semitismo!

Mas o fato é que não há resistência fiel sem referência à Verdade, como ao Santo Sacrifício e à Oblatio Munda, que exvlui intenções heretizantes.

Será só através do Culto a Deus que se pode recorrer à Sua intervenção.

Por isto, deve-se pedir encarecidamente aos bons sacerdotes que completem seus juízos sobre a questão da qual depende a continuidade da Igreja e a integridade de sua Doutrina.

(*) Artigo «A santa acusação católica aos «papas conciliares» (http://wp.me/pWrdv-vz).

Falsa concepção da infalibilidade do Magistério

O Dr. Arnaldo continua: «É manifesto que as novidades heretizantes do Vaticano 2, mesmo após cinqüenta anos de aggiornamento conciliar, jamais contaram com o consenso na Santa Igreja, tanto no corpo docente quanto no discente.

Na Carta Apostólica Tuas Libenter, de 1863, Pio IX ressalta a importância fundamental desse consenso, declarando que a sujeição a ser prestada à fé divina “deve ser estendida também ao que é transmitido pelo Magistério Ordinário de toda a Igreja, dispersa pelo orbe, como divinamente revelado, e é tido como pertencente à fé pelo consenso universal e constante dos teólogos católicos”.

Adiante, Pio IX afirma que os fiéis devem também submeter-se “aos pontos de doutrina que pelo consenso comum e constante dos católicos são tidos como verdades teológicas e conclusões a tal ponto certas que as opiniões a estas doutrinas opostas, embora não possam dizer-se heréticas, merecem no entanto alguma outra censura teológica(Denzinger-Hünermann, 2875-2880).

Ora, após mais de cinqüenta anos de «ministérios» com palavras e atos no mínimo heretizantes, há uma questão fundamental que precede esta e que requer o «consenso na Santa Igreja», trata-se do consenso sobre a legitimidade do eleito papa no conclave depois da morte de Pio XII e dos sucessivos conclaves que elegeram «autoridades heretizantes». Esse «consenso», pelo menos após João 23, não pode ser considerado certo, porque não é de toda a Igreja.

Nenhum conclave tem valor absoluto diante da Fé se produz frutos de autoridades heretizantes. Então digamos:

É chocante que, para muitos teólogos modernos, o “sentir com a Igreja” não deva admitir rejeitar eleições para o supremo Magistério – envolvendo a infalibilidade – mas de clérigos modernistas que negam ensinamentos do passado, mesmo se garantidos incontestavelmente pela infalibilidade do Magistério Extraordinário ou Ordinário universal na Lei da Igreja sobre a continuidade necessária para a identidade apostólica de Vigário de Cristo.

Todos esses estudos aprofundados mostram cabalmente que não há como interpretar o Vaticano 2 na linha da “reforma na continuidade”, proposto hoje pela «autoridade conciliar «heretizante» promotora do modernismo já condenado pelos Papas e da nouvelle théologie condenada por Pio XII na Encíclica Humani Generis, de 1950. «Nela está, de fato, o elemento dinâmico dos textos conciliares, tudo confluindo para o vórtice do modernismo, que, em suas diversas correntes, ainda hoje se pavoneia como se fosse doutrina católica verdadeira».

O problema é profundo: «O eminente teólogo dominicano Pe. Garrigou-Lagrange se perguntava, já bem antes do Vaticano 2, para onde ia a nouvelle théologie, e respondia: “Ela redunda no próprio modernismo, porque aceitou a proposta que este lhe fazia: substituir, como se fosse quimérica, a definição tradicional da verdade, ‘adaequatio rei et intellectus’, pela definição subjetiva, ‘adaequatio realis mentis et vitae’. A verdade já não é a conformidade do juízo com o real extramental e suas leis imutáveis, mas a conformidade do juízo com as exigências da ação e da vida humana sempre em evolução. A filosofia do ser ou ontologia é substituída pela filosofia da ação que define a verdade não já em função do ser mas da ação. Retorna-se, pois, à posição modernista (…). Assim, Pio X dizia dos modernistas: ‘eles pervertem o conceito eterno da verdade’ (…). Ora, deixar de defender a definição tradicional da verdade, permitir seja ela tida como quimérica, dizer que é necessário substituí-la por outra, vitalista e evolucionista, isso leva ao relativismo completo e é um erro  muito grave”.

Ora, São Pio X condenou os modernistas, infiéis que não estavam mais na Igreja, tanto menos em posições de autoridade nela. Seria submeter os fieis aos infiéis. Que Deus não queira.

AS ATITUDES E GESTOS LITÚRGICOS NÃO SÃO ARBITRÁRIOS

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua encíclica “Mediator Dei”, promulgada em 20 de Novembro de 1947:

«Todo o conjunto de culto que a Santa Igreja rende a Deus deve ser interno e externo. É EXTERNO PORQUE ASSIM O EXIGE A NATUREZA DO HOMEM, COMPOSTA DE CORPO E ALMA; PORQUE DEUS DISPÕE QUE “PELO CONHECIMENTO DAS COISAS VISÍVEIS SEJAMOS ATRAÍDOS AO AMOR DAS INVISÍVEIS” (Missal Romano, Prefácio da Natividade), porque tudo o que vem da alma é naturalmente expresso pelos sentidos; e ainda porque o culto Divino pertence não sòmente ao particular, mas também à colectividade humana, e consequentemente é necessário que seja social, o que é impossível, no âmbito religioso, sem vínculos e manifestações exteriores; e enfim, porque é um meio que põe particularmente em evidência a unidade do Corpo Místico, acrescenta-lhe santos entusiasmos, consolida-lhe as forças, intensifica-lhe a acção: “Se bem que, com efeito, as cerimónias, em si mesmas, não contenham nenhuma perfeição e santidade, são todavia ACTOS EXTERNOS DE RELIGIÃO, QUE COMO SINAIS, ESTIMULAM A ALMA À VENERAÇÃO DAS COISAS SAGRADAS, ELEVAM A MENTE À REALIDADE SOBRENATURAL, NUTREM A PIEDADE, FOMENTAM A CARIDADE, AUMENTAM A FÉ, ROBUSTECEM A DEVOÇÃO, INSTRUEM OS SIMPLES, ORNAMENTAM O CULTO DE DEUS, CONSERVAM A RELIGIÃO, E DISTINGUEM OS VERDADEIROS DOS FALSOS CRISTÃOS E DOS HETERODOXOS”(Cardeal Bona, De Divina Psalmodia, c.19§ 3,1.).

Mas o elemento essencial do culto deve ser o interno. É necessário, com efeito, viver sempre em Cristo, dedicar-se todo a Ele, a fim de que n’Ele, com Ele, e por Ele, se dê Glória ao Pai. A Sagrada Liturgia requer que estes dois elementos estejam ìntimamente ligados; o que ela não se cansa jamais de repetir toda a vez que prescreve um acto externo de culto. Assim por exemplo, a propósito do jejum, nos exorta: “A fim de que se opere de facto, em nosso íntimo, o que a nossa observância professa externamente”(Missal Romano, Secreta da Féria V, depois do segundo Domingo da Quaresma). De outro modo, a Religião se torna um formalismo sem fundamento e sem conteúdo. Sabeis, Veneráveis Irmãos, que o Divino Mestre considera indignos do Templo Sagrado, e expulsa dele, os que crêem honrar a Deus sòmente com o Dom de bem construídas palavras, e com atitudes teatrais, e estão persuadidos de poder prover de modo adequado à sua salvação sem arrancar da alma os vícios inveterados (Cf. Mc 7,6//Is 29,13). A Santa Igreja quer, portanto, que todos os fiéis se prostrem aos pés do Redentor, para professar-Lhe o seu amor e a sua veneração; quer que as multidões, como as crianças que andaram ao encontro de Cristo, quando Ele entrava em Jerusalém, com alegres aclamações, acompanhem o Rei dos reis e o Sumo Autor de todos os benefícios, aclamando-O com o canto de Glória e agradecimento; quer que haja orações em seus lábios, ora suplicantes, ora alegres e agradecidas, com as quais, como os Apóstolos junto do Lago Tiberíades, possam experimentar o auxílio da Sua Misericórdia e do Seu Poder, ou como Pedro, no Monte Tabor, a Deus se abandonem, e a todas as Suas coisas, em místicos transportes de contemplação.»

O homem não é um espírito encarnado – é um animal racional. Tal implica conceber o corpo como um auxiliar positivo da alma, no sentido Tomista em que a alma separada não é pessoa; pelo contrário, os Agostinianos, consideram a mesma alma separada como pessoa, porque para eles o corpo constitui, de certo modo, um estorvo.

Neste quadro conceptual, a concepção Tomista confere mais unidade, e mais verdade, ao composto humano, explicando a origem e natureza do conhecimento com maior proficiência.

Mas apesar dessa maior unidade, o ser humano permanecerá sempre imensamente longe da unidade angélica, a qual configura necessàriamente uma espécie, e não um indivíduo. O homem vive no tempo e nas vicissitudes do tempo, pode pois fazer penitência; não assim o Anjo, que está fora e acima do tempo, na eviternidade, a sua decisão, a favor, ou contra Deus, tomada no momento ontológico seguinte ao da sua criação, É IMUTÁVEL, e mais ainda, cada Anjo foi criado na posse de uma Graça Santificante ontològicamente proporcional à sua perfeição natural. Embora São Tomás não o refira explìcitamente, é todavia necessário admitir uma espécie de Graça Actual, no referido momento ontológico da prova, que explique, no quadro da Predestinação, porque é que Anjos dos mais naturalmente perfeitos caíram, e outros muito menos perfeitos se salvaram; porque, segundo São Tomás, os Anjos mais perfeitos que se salvaram, conseguiram-no com uma Glória também proporcional à sua perfeição ontológica. E os Anjos réprobos, foram-no com uma desgraça condenatória igualmente proporcional à sua perfeição ontológica. A razão mais profunda para isto reside no facto da perfeição angélica projectar necessàriamente o Anjo com uma energia proporcional à sua perfeição natural, quer para Deus, quer contra Deus; consequentemente, no Anjo, a razão do mérito ou do demérito CONSTITUI O ÚNICO OBJECTO DA PROVA A QUE FORAM SUBMETIDOS.

Tudo isto, assinale-se, segundo o Tomismo, que muito firmemente professamos.

Possuirão os Santos Anjos a sua Liturgia? Em sentido impróprio, sem dúvida. Os Anjos de hierarquia média e inferior estão incumbidos do governo físico do Universo e da guarda dos homens, das instituições e das Nações. Os Anjos mais perfeitos, mais próximos de Deus e constituindo a corte celeste, iluminam, na ordem natural, os Anjos menos perfeitos, ou seja, esclarecem, fortificam e amparam, de alguma maneira, a sua inteligência no que concerne às instruções que recebem de Deus sobre o governo do Universo físico e a guarda dos homens. Os Santos Anjos da Guarda apresentam Sobrenaturalmente a Deus as orações e sacrifícios das almas baptizadas e em estado de Graça – e no Juízo particular, de alguma maneira, actuam como seus defensores – bem como das instituições que prosseguem itinerários de Glória de Deus e Salvação das almas; e também recebem de Deus Nosso Senhor, instruções, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, sobre o governo extrínseco, material e corporal, das almas.

Além de Deus Nosso Senhor, ninguém mais do que o Anjo possui o sentido profundo da Liturgia; embora sejam entes puramente espirituais, sem acesso encarnado à realidade do nosso mundo, eles possuem um egrégio conhecimento e um poder sobre a analogia do mundo visível com o mundo invisível. Os Santos Anjos são excelentes músicos, e excepcionais matemáticos. Poder-se-ia pensar que situando-se o homem nos confins do espiritual com o corporal, recolheria um mais apurado conceito da analogia entre ambos; mas não é assim, porque o Anjo pode penetrar, intelectualmente, no plano do ser, onde o homem jamais chegará, precisamente por ser um animal racional, e à sua alma corresponder necessária e transcendentalmente uma determinada unidade orgânica.

O Anjo sabe exactamente qual a correspondência corporal analógica para um determinado pensamento, para um determinado princípio. Certamente que todos nós, uns mais, outros menos, possuímos a noção da analogia, porque toda a nossa linguagem, todos os nossos pensamentos, possuem um fundamento analógico; até o humor é essencialmente analógico.

A SAGRADA LITURGIA É TÃO ABSOLUTA E TÃO IMUTÁVEL QUANTO A ANALOGIA DO SER. Pensar que é indiferente que as nossas cerimónias se processem de forma arbitrária, é o mesmo que declarar que os Dogmas e a Moral possam ser matéria totalmente indiferente. Ajoelhar piedosamente, Prostrar, constituirá sempre e universalmente uma expressão corporal da Adoração, e não de uma Adoração qualquer, MAS DA ADORAÇÃO VERDADEIRA, CATÓLICA! E não se diga que os muçulmanos também ajoelham, porque não procedem, em caso algum, com a unção devida, aliás, como muitíssimos católicos nominais. O Canto Gregoriano, que quando bem executado, por vozes masculinas e de idade bem amadurecida, associamos a coros angélicos, constitui igualmente uma expressão perpétua e universal de vivência ardentemente, sapiencialmente, católica, E SÓ CATÓLICA, sem confusão possível com ilustrações musicais islâmicas, protestantes, ou pagãs. É conhecido como a maravilhosa Oratória “O Messias” foi composta pelo protestante Haendel; Bach também produziu a extraordinária Paixão segundo São João; mas não é a mesma coisa, neste caso uma obra musical composta por protestantes conservadores agrada também a ouvidos católicos, porque, idealmente, também poderia haver sido composta por Católicos.  

Debrucemo-nos sobre a monstruosa arquitectura sacra dos últimos cinquenta anos; os caixotões, que denominam “igrejas” só puderam ter sido edificados POR ARQUITECTOS ATEUS, AO SERVIÇO DE BISPOS ATEUS! A “FORMA MENTIS” E A FORMA ARQUITECTURAL SÃO PERFEITAMENTE CORRESPONDENTES. O mesmo se diga de toda a “arte sacra,” nomeadamente a pintura e a escultura.

Recordemos um pouco a hedionda arte Indiana e Chinesa, autêntica obra de demónios, aqui também verificamos plena analogia entre o (mau) espírito e a fealdade da forma material.

MAS O INVERSO TAMBÉM É VERDADEIRO:

As más formas materiais, as estruturas feias, as posturas corporais anómalas, os ruídos que querem passar por música, podem ser, e efectivamente são, utilizados para produzir, os maus princípios, os maus pensamentos, as falsas religiões, a necrose moral, e os falsos sistemas filosóficos.

A nova “missa”, ou as novas missas, porque cada pretenso padre  inventa a sua; os falsos sacramentos, as falsas cerimónias litúrgicas, foram todas gizadas, propositadamente, premeditadamente, para arruinar, não apenas a vida Sobrenatural nas almas, mas toda e qualquer forma de ordem ou moral natural.

Quando contemplamos os rostos dos próceres progressistas, vemos o que são os condenados no Inferno, porque eles traduzem na sua face a repulsa irredutível dessas almas de nero pela Sacrossanta Religião Católica e pela Santa Madre Igreja.

Por vezes afirma-se: Mas na Antiguidade Cristã, em épocas de perseguição, autorizava-se os fiéis a levar a Sagrada Eucaristia para casa, e tomá-la por suas mãos. É verdade, mas o que aconteceu na miséria pós-conciliar, é que a comunhão na mão foi incentivada precisamente com o objectivo de destruir a Fé Católica nas pessoas, e por nenhuma outra razão. Por vezes não é apenas a materialidade da acção que conta, mas a unção, ou não, com que é realizada, com que é formalizada.

Deste quadro conceptual se pode e deve concluir que as bases fundamentais da Liturgia Católica são imutáveis tanto quanto o Dogma e a Moral, porque alicerçadas na Revelação Sobrenatural, na constituição ontológica do ser humano, e na analogia do Ser. Certamente, há aspectos acidentais que podem variar conforme, os tempos, os lugares, e os perfis culturais em que se implantam; variar, mas apenas dentro de determinados limites. O Papa Bento XIV, em 1742, condenou a adaptação que os Missionários Jesuítas concretizavam da Liturgia Católica com os costumes locais, sobretudo na China. Por sua vez, O Papa Pio XII, autorizou os católicos chineses a utilizarem a sua língua na Liturgia da Santa Missa, com a excepção do Canon.  

A legítima variedade de Ritos, admitida pelo Sagrado Concílio de Trento, para aqueles cuja origem figurasse como mais de duzentos anos anterior a este concílio, DEVE SER CONSIDERADA UMA SÓ LITURGIA CATÓLICA.

Na exacta medida em que os bastardos ritos eucarísticos da seita conciliar foram gizados com o propósito de destruir a Santa Madre Igreja, são inválidos de pleno direito, pois a intenção maldita ficou objectivamente cristalizada nesse mesmo rito; o mesmo se diga dos outros Sacramentos.

De nada serve a comparação com os campos de concentração nazis ou soviéticos, em que os ritos eram simplificados o mais possível; SIMPLIFICADOS SIM, MAS NÃO DESSACRALIZADOS. Ora a seita conciliar não operou uma simplificação, mas uma DESSACRALIZAÇÃO FORMAL E PREMEDITADA.

A absurda situação a que chegámos demonstra bem duas teses absolutamente irrefutáveis: A FALSIFICAÇÃO DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA E DOS SACRAMENTOS, E A USURPAÇÃO DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO PELA MAÇONARIA INTERNACIONAL.

SÓ ANTI-CRISTOS DISFARÇADOS DE PAPAS PODIAM TER DADO INÍCIO À IDADE PÓS-CRISTÃ, QUE SE DISTINGUE DA IDADE CONTEMPORÂNEA LAICISTA, PRECISAMENTE PELA AUSÊNCIA INSTITUCIONAL, SOCIAL E CULTURAL, DA SANTA MADRE IGREJA.

Mas não olvidemos que o triunfo escatológico de Nosso Senhor Jesus Cristo será Metahistórico, mas exactamente por isso, infinitamente mais objectivo e transcendente do que qualquer acontecimento histórico-temporal.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Novembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A ESPANTOSA TERCEIRA GRANDE ALIENAÇÃO HISTÓRICA PRESENTE

Bergoglio recebe os Judeus

Arai Daniele

As grandes «alienações históricas», como já se tratou, dizem respeito à recusa da Palavra de Deus e depois do Verbo divino encarnado e por fim da Autoridade de Deus representada na terra pela  Sua única Igreja.

À primeira, original, foi reparada pela vinda do Verbo entre os homens, seguiu a judaica, que o crucificou. No nosso tempo vivemos a espantosa realização velada da terceira – a alienação da grande e final apostasia presente, a partir da mesma Sede instituída para a promoção de defesa da Lei divina, que a subverte. Quem puder ler italiano tem a descrição completa dessa alienação no «neo leninismo»; da filosofia da «praxis» de Gramsci, aggiornata por Bergoglio, em http://www.maurizioblondet.it/ritratto-bergoglio-paleo-marxista/

Pode-se constatar que esta abrange as outras, ignorando o alcance do Pecado Original – e hoje guerras e migrações estão destruindo a Cristandade. Mas além disso o sinal evidente desta apostasia é a justificação do Judaísmo, que mira à realização da religião mundial, maçônica e «noaquita», que é a apostasia da Fé no Redentor divino.

Vamos ver aqui algo do ensino, nesse sentido, de seus grandes mestres, por exemplo do rabino Elia Benamozegh que inspirou a declaração de Seelisberg, por meio da qual houve a acção de Jules Isaac junto a João 23, que influenciou a do Vaticano 2 e a vida das nações ex cristãs.

Isto indicou à pior alienação de todos os tempos, que é apostasia interna à Igreja, pois aceitar o que atenta contra a fé trinitária é esquecer que a verdadeira fraternidade implica o Pai que enviou Seu Filho para salvar os homens pala ação do Espírito Santo, irmanados neste Seu Verbo divino. Poderiam os homens da Igreja alterar esta verdade nas consciências dos fiéis para evitar acusações de anti-semitismo? No entanto, foi o que ocorreu, porque na Igreja, que não pode calar sobre a necessidade de conversão dos Judeus a Jesus Cristo, os novos prelados, até de aparência pontifícia, aceitaram. Vejamos como.

A chave de tudo está na revolução universal que quer para o homem emancipado de Deus a «liberdade da consciência». Esta induziria a «liberdade religiosa» DH (Dignitatis humanae) do Vaticano 2, e desta liberdade capital, a todas as outras «liberações» de verdades alternas como sejam a das ideologias políticas e das diversas visões morais. Eis o plano maçônico que foi confiado a Roncalli e ele operou o «golpe» de uma invisível  revolução liberal em Roma.

O Papa Leão XIII dizia: “O plano das seitas, que se manifesta  atualmente na Itália, no que toca especialmente a Igreja e a religião católica, tem por objetivo final e notório de reduzi-la, se possível, a nada … Atualmente esta guerra é mais feroz na Itália que alhures”. Concentrou-se em Roma, capital da Cristandade, e nesta na Sede apostólica do Pontífice romano.

León De Poncins em «Judaism and the Vatican», descreve como o professor judeu francês  Jules Isaac em 1949 teve contatos com o clero [modernista] de Roma, e através deste pode obter uma grande alteração na mentalidade de boa parte do clero, suscitando a atual grande «alienação histórica» que, como se disse, focaliza a recusa da integridade da revelação da Palavra divina na mesma Igreja.

Escreve León De Poncins: «Em 1949 Jules Isaac conseguiu obter uma audiência privada com Pio XII, com quem se lamentou a favor do judaísmo, pedindo-lhe de fazer examinar os ‘Dez Pontos de Seelisberg’». [Portanto o que seria levado para Roncalli era um programa de mutação do ensino da Igreja já traçado de há muito tempo e parado no semáforo à espera da luz verde…] “porque em Roma é onde se encontra o centro da unidade Católica e a Sé do Pastor e Mestre universal da Igreja” (Leão XIII); onde a religião católica preserva magistralmente suas raízes profundas. Eis aquelas que querem alterar em nome da «Antiga».

O Modernismo social e religioso invadiu a Igreja e difundiu-se como progressismo católico. Tratava-se do encontro de toda heresia na ideia que a consciência humana é «capaz de Deus» e que a Redenção só veio revelar esta suma dignidade humana, comum a toda religião. Mas isto significaria a liquidação da razão da Fé única e imutável e da Igreja. Que sentido teriam então as conversões, missões, a oração e o sacrifício? Mas neste caso, que sentido teria o Papado? E ainda mais o Vaticano 2 e a montanha de papel que os seus prelados produziram?

Todavia, lembremo-nos, o alvo final da revolução herética era tornar equivalentes os termos de «liberdade das consciências», criada por Deus e para cuja formação na verdade a Igreja universal foi instituída, e o termo abreviado da apregoada «liberdade da consciência», como querem os iluministas e as lojas. Esta segunda, para formar nas ideias de uma mentalidade dominante para moldar uma «nova ordem» em oposição à ordem cristã. Neste percurso o passo determinante seria a liberdade religiosa e a aceitação integral do Judaísmo.

A última palavra sobre isto vem do democratismo-ecumenista-concilar, afim ao americanismo dominador, da qual participam os modernistas conciliares com a «nova consciência» de uma nova igreja que almeja a «nova ordem mundial» na reunião global de ideologias e religiões! O espírito conciliar e o «aggiornamento antropocêntrico», que seguiu, demonstram contradições diante de termos não atualizáveis do Santo Evangelho, mas até estes foram «atualizados»!

De qual livro deriva o Judaísmo atual?

«Antes de entrar na questão Seelisberg e de sua origem nas ideias do rabino Elias Benamozegh, deve-se lembrar que o Judaísmo atual, mais ainda que aquele do tempo de Maria SS e de Jesus, não tem nada que ver com as Sacras Escrituras e a Lei do Antigo Testamento (a Torah). Estas, que eram então ainda conhecidas, não por muitos, e aplicadas às vezes espiritualmente como regra moral, são hoje ignoradas pelos atuais judeus. O Judaísmo de fato não começa com Abraão, como muitos crêem; a religião do Judaísmo surge durante o Cativeiro da Babilónia (721-538 a.C.), mais de dois mil anos após. Lá é que, na falta do Templo – destruído em 586 – desenvolveu-se a Sinagoga. O «livro» devido ao qual o Judaísmo se denomina religião do livro não é a Bíblia, a Torah, mas o «arquipélago» oral do Talmud, que será finalmente escrito por volta do VI século d. C. Como escreve o Rabino Ben Zion Boxer, “o Judaísmo não é a religião da Bíblia” (Rabbi Ben Zion Boxer, “Judaism and the Christian Predicament”, 1966, p. 159) Esse claro “não” é evidenciado pelo autor, mas só no original).

A nova religião mundialista quer levar a humanidade na direção de tal gênero de aberrações da Cabala, de religiosidade mágico-mistéricas, etc. Do tempo de Jesus até hoje, o Judaísmo desenvolveu o seu Talmud ulteriormente, que, primeiro eclipsou as Escrituras e depois as superou com seus hipertróficos comentários crescidos sem limites, como um tumor maligno. Assim a Bíblia para o Judaísmo talmúdico (que é o atual) é considerada uma seleção de histórias fantásticas próprias só aos dementes, mulheres tolas, e meninos .

Também por este motivo Nosso Senhor indicou, de um lado os que tinham parte nessa fraude intelectual e espiritual, que “dizem ser judeus, mas não o são, pois são da sinagoga de Satã” (Ap. II, 9) e do outro, ao invés, o “autêntico israelita no qual não há fraude” (Jo. 1, 47).

«Quem seria hoje o «autêntico israelita»?

«A conhecida questão dos khazares, de origem turco-caucásicas, não semita, convertidos em massa ao Talmudismo, mas não ao antigo Hebraísmo bíblico, vem complicar tudo, porque constituem a grande maioria dos que hoje são chamados «judeus». Veja-se, por exemplo, o conto da «13ª Tribo», livro de Arthur Koestler. Koestler, judeu asquenaze (Ashkenaz), era orgulhoso da sua origem khazar, mas a publicação de seu livro, em 1976, suscitou muita polêmica, fizeram rapidamente com que o livro saísse de circulação e não fosse praticamente encontrado. Em 1983, os corpos sem vida de Arthur Koestler e de sua mulher foram encontrados na casa deles em Londres. Não obstante significativas incongruências, a polícia inglesa acabou por fechar o caso arquivando-o como duplo suicídio. Há alguns anos a história dos khazar descrita no livro de Koestler re-emergiu. Hoje é acessível com a republicação do livro, e em internet.

Voltando agora ao que pedia o Prof. Isaac nos anos ‘60, observa-se que parte de seu conteúdo, em forma mais atenuada, encontrava-se nos dez pontos do documento compilado em Seelisberg, cidade suíça do cantão de Uri, emitido pelos cristãos do «International Council of Christians and Jews», em 5 de Agosto de 1947.

Os Judeus instruíram a orientação dos documentos conciliares

Depois do que foi descrito, Jules Isaac insistiu para que o Concílio: – Condenasse e suprimisse todas as discriminações raciais, religiosas ou nacionais concernentes aos judeus; – Modificasse ou suprimisse as orações litúrgicas, em especial as da Sexta-Feira Santa concernentes aos judeus; – Declarasse que os judeus não são em nenhum modo responsáveis pela morte de Cristo, pela qual havia que acusar a inteira humanidade; – Banisse passos evangélicos, e principalmente os de São Mateus, que Isaac descreve em modo detestável como mentiroso e perversor da verdade, quando conta a história crucial da Paixão; – Declarasse que a Igreja sempre mereceu críticas pelo estado de guerra latente que persistiu por dois mil anos entre os judeus, os cristãos e o resto do mundo; – Prometesse que a Igreja teria definitivamente mudado a sua atitude num espírito de humildade, contrição e busca de perdão respeito aos judeus, e que teria feito todo esforço para reparar os males que causou a estes, retificando e purificando o seu tradicional ensino segundo as normas indicadas por Jules Isaac.*

* – Do livro de Jules Isaac «L’enseignement du mépris» é de 1962.

Não obstante a insolência do ultimato e das virulentas acusações aos Evangelistas e ao ensino dos Padres da Igreja, fundado nas mesmas palavras de Cristo, Jules Isaac obteve forte apoio do clero, também em Roma, e de muitos membros da «Amitié Judéo-chrétienne» (Léon De Poncins, op. cit. , p.29). Eis então o plano de «conciliação» que propôs:

O documento compõe-se de 4 «memento» e 6 «vitandum est». Enquanto os últimos cinco pontos de Seelisberg constituem matéria usual do pensamento católico, os cinco primeiros, isto é os quatro «lembre-se» e o primeiro dos «evite-se» comportam boa dose de ambiguidade. Só podem ser aplicados por causa da “falaz impressão” que o Judaísmo seja a religião da Bíblia, para levar a opinião pública cristã em geral e a dos prelados católicos em particular na direção da mutação radical da qual hoje constatamos os frutos. Estes talvez sejam parte do que se aguarda… Inútil dizer que no Concílio os prelados mais «abertos»; do «Papa bom» em diante, os aceitaram totalmente, enquanto a maioria, seja por ingenuidade, seja porque imersos na euforia conciliar das miráveis venturas progressivas sonhadas para a humanidade, aderiu sem objeções.

«O primeiro ponto reza: “Lembre-se que um só Deus fala a todos nós através do Antigo e do Novo Testamento”.

«O Judaísmo moderno, porém, não bíblico, mas talmúdico, abandonou o primeiro e recusa categoricamente o segundo.

«Segundo ponto: “Lembre-se que Jesus nasceu de mãe hebraica da estirpe de David e do povo de Israel, e que o Seu perene amor e perdão abraçam o Seu próprio povo e o mundo inteiro.”

«É bem verdade, mas para que os homens desse mundo se convertam.

«Terceiro: “Lembre-se que os primeiros discípulos, os apóstolos e os primeiros mártires foram hebreus”. [Sim, mas não fieis ao Judaísmo].

«Quarto: “Lembre-se que o mandamento basilar do Cristianismo de amar a Deus e o próximo, já proclamado no Antigo Testamento [que o Judaísmo abandonou] e confirmado por Jesus [que o Judaísmo recusa], deve vincular seja os cristãos seja os judeus em toda relação humana, sem nenhuma exceção”. Mandamento obrigatório para todo homem, mas ao qual o Judaísmo não se considera vinculado e não pratica. Aqui estamos em cheio na já citada “falaz impressão”.

«Quinto: “Evite-se distorcer ou representar falsamente o Judaísmo bíblico ou pós-bíblico para exaltar o Cristianismo”. [Mas este, desde o Seu Fundador nunca precisou falsear nada, em especial para se exaltar a si mesmo. Nunca foi preciso, basta estudar um pouco a história.]

«Sexto: “Evite-se usar o termo judeu no sentido exclusivo dos inimigos de Jesus e Inimigos de Jesus para nomear todo povo judeu”.

«Sétimo: “Evite-se apresentar a Paixão de modo a transferir o ódio pela morte de Jesus a todos os judeus ou só aos judeus. Só parte dos judeus de Jerusalém pediu a morte de Jesus, e a mensagem cristã foi sempre de que foram os pecados do gênero humano, figurados por aqueles judeus, nos quais todos têm parte, a levarem Cristo à Cruz”.

«Oitavo: “Evite-se referir ás maldições escriturais, ou ao grito da turba enfurecida: Seu Sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos, sem lembrar que este grito não deveria contar diante das palavras de peso infinitamente maior de Nosso Senhor: Pai perdoe-os, porque não sabem o que fazem”.

«Nono: “Evite-se promover a supersticiosa noção que o povo judaico seja reprovado, maldito, reservado a um destino de sofrimentos”.

«Décimo: “Evite-se falar dos judeus como se os primeiros membros da Igreja não tenham sido judeus”.

Os «Dieci Punti di Seelisberg», foram emitidos pela International Council of Christians and Jews, 5 Agosto 1947 estão por exemplo em: http://www.bc.edu/bc_org/research/cjl/Documents/Seelisberg.htm

O SIDIC (Service International de Documentation Judéo-Chrétienne)**, que festejou em 1997 o cinquentenário da Conferência de Seelisberg de 1947, “definiu o seu fim: I) estudar a extensão presente do antisemitismo e os fatores que contribuíram à sua persistência e aumento na Europa do após guerra; II) formular planos de atividade imediata e a longo prazo através instituições educativas, políticas, religiosas e sociais de carácter nacional e internacional, para remover as causas, e remediar aos efeitos do anti-semitismo”.

«Por sua vez os dez pontos de Seelisberg foram o fruto da influência exercitada seja por Isaac seja por outros personagens para inculcar no mundo cristão a teoria da culpa pelo ensino do desprezo: “Já desde os anos 30-40, estudiosos como James Parkes na Inglaterra, Jules Isaac na França, e A. Roy Eckardt nos EUA tinham preparado o caminho para esta admissão de cumplicidade através de trabalhos sobre a longa história do anti-semitismo na cultura cristã. «L’enseignement Du mépris» (1962) foi o livro de Jules Isaac que inaugurou a frase para formular os “Dez Pontos de Seelisberg” na Suíça em 1947, dos membros do International Council of Christians and Jews, formado recentemente” ( 54 ). No mundo do Catolicismo Romano, uma das primeiras ações mais concretas foi a de João 23 em 1958 ao remover a frase ‘pérfidos judeus’ da liturgia da Sexta-Feira Santa. Tudo, até reunir o Vaticano 2, que na sessão final de 1965 aprovou a famosa declaração Nostra Aetate, cavalo de Tróia na Igreja.

**SIDIC – Service International de Documentation Judéo-Chrétienne 1997, Volume XXX, nº 2, pagina: 01, artigo “Pioneers in Christian-Jewish Dialogue. A Tribute.” http://www.sidic.org/it/reviewViewArticolo.asp?id=225

Desde Jules Isaac, a acusação de «anti-semitismo», de ambiguidade forjada como uma arma psicológica mediático-política de dominação funciona bem, também graças à cumplicidade do Vaticano 2 e de seus promotores «papais».

A LIBERDADE RELIGIOSA E O ABORTO

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  • Bergoglio e Obama falam de liberdade religiosa e de aborto, pois é inegável a relação entre as duas iniquidades. De fato a primeira inclui a liberdade total de repúdio à Lei de Deus; o segundo é a sua prática na mais íntima relação humana: de mãe para filho.
  • E os dois operam para abater a objeção de consciência a ambos.

*   *   *

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Inscrutabili Dei Consilio”, promulgada em 21 de Abril de 1878:

«Efectivamente, desde os primórdios do nosso pontificado apresenta-se ao nosso olhar o triste espectáculo dos males que de toda a parte afligem o Género Humano: esta tão universal subversão dos princípios, dos quais, como de fundamento, é sustentada a ordem social; a teimosia de inteligências intolerantes a toda submissão legítima; o fomento perene das discórdias, das quais surgem as contendas intestinas, e as guerras cruéis e sangrentas; o desprezo a toda a Lei de moralidade e justiça; a cobiça insaciável dos bens caducos e o menosprezo dos Bens Eternos; estimula o louco furor que leva tantos infelizes a procurar a morte; a administração inconsiderada; o esbanjamento e a malversação dos bens públicos; e até a impudência daqueles que, com pérfido engano, querem ser tidos como defensores da Pátria, da liberdade e de todo o Direito; enfim, aquele mal estar letal que serpenteia entre as fibras mais recônditas da sociedade humana, torna-a inquieta E AMEAÇA ENVOLVÊ-LA NUMA CATÁSTROFE TERRIFICANTE.

A causa principal de tantos males encontra-se, estamos disso convencidos, no desprezo e na recusa daquela Santa e Augustíssima Autoridade da Igreja, que em Nome de Deus, preside ao Género Humano e é ultriz e tutela de todo o poder legítimo. Os inimigos de toda a ordem pública, conhecendo perfeitamente isso, não encontraram meio mais odiento para abalar os seus fundamentos do que atacar constantemente a Igreja de Deus, aversando-a com calúnias injuriosas, como se ela se opusesse à verdadeira civilização, e enfraquecendo cada vez mais, com novos ferimentos, a sua autoridade e força, e abatendo o poder supremo do Romano Pontífice , GUARDA E VINGADOR, SOBRE A TERRA, DOS PRINCÍPIOS ETERNOS E IMUTÁVEIS  DA MORALIDADE E DA JUSTIÇA. Daí se originaram as leis subversivas da constituição da Santa Igreja Católica, que com dor imensa, vemos promulgadas em muitos Estados; daí o desprezo da autoridade episcopal, bem como os obstáculos ao exercício do ministério eclesiástico; a dispersão das famílias religiosas, o confisco dos bens destinados ao sustento dos ministros; a emancipação  dos institutos públicos de Caridade e beneficência da salutar direcção da Igreja; a liberdade desenfreada do ensino público e da imprensa, ao mesmo tempo que se pisoteia e oprime o direito que a Santa Igreja tem de instruir e educar a juventude, e ainda: A usurpação do principado civil, que a Providência concedeu, há tantos séculos, ao Romano Pontífice, para poder exercer, livremente e sem impedimentos, o poder conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação Eterna dos homens – também não possui qualquer outro objectivo.

(…) E se uma civilização estivesse em oposição com as doutrinas santas e as leis da Igreja, TERIA SÓMENTE UMA APARÊNCIA E O NOME DE CIVILIZAÇÃO.  NÃO É LIBERDADE AQUELA QUE COM MEIOS DESONESTOS E DEPLORÁVEIS, SE ABRE CAMINHO COM A DESENFREADA DIFUSÃO DOS ERROS, COM A EXPANSÃO DE TODA A COBIÇA CULPADA, COM A IMPUNIDADE DOS DELITOS E PERVERSIDADES, COM A OPRESSÃO DOS MELHORES CIDADÃOS.»

A questão do aborto é, sem dúvida, a mais repulsiva, a mais hedionda, a mais hipócrita expressão do pecado da humanidade. Nela se manifestam os sintomas mais atrozes das mais graves consequências do pecado original. Particularmente, repugna a forma como muita gente está pronta a aceitar a hecatombe do aborto clandestino, desde que o mesmo não esteja legalizado. Isso revela bem e demonstra como o fariseísmo é de todos os tempos e são verdadeiras as palavras condenatórias de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Ai de vós hipócritas que coais um mosquito e engolis um camelo”(Mt 23,24).

Todos os movimentos ditos “pró-vida”, seja nos Estados  Unidos, no Brasil, seja em qualquer outra parte do mundo, se não trouxerem as Virtudes Teologais e a Graça Santificante na sua alma, estão sendo hipócritas, ou no mínimo, insinceros. A razão é simples: UMA VEZ DESTRUÍDO O PRINCÍPIO DA FÉ CATÓLICA, OS DIREITOS E O BEM ESTAR DOS SERES CONCRETAMENTE EXISTENTES, TÊM OBJECTIVAMENTE PRIORIDADE SOBRE OS DIREITOS, QUE NÃO PODEM DEIXAR DE SER CONSIDERADOS HIPOTÉTICOS, DE SERES HUMANOS TAMBÉM CONCEBIDOS COMO ESTANDO EM PROJECTO.  Tudo o resto constitui pura hipocrisia. Perante os dramáticos problemas, por vezes situações limite, que não se negam, e que a vida impõe aos casais, só existe um impedimento que realmente evite eficazmente a escolha da solução abortista: O AMOR SOBRENATURAL A DEUS NOSSO SENHOR SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO. O amor puramente natural à vida; o receio de sanções sociais ou legais; a repulsa biológica pela operação em si mesma; o temor de sanções do Além concebidas fora da Fé Católica e da Graça Santificante – nada disto evitará um único aborto!

E isto é tanto mais verdade quanto é perfeitamente conhecido que os mesmos legisladores autores de leis anti-aborto, DESDE SEMPRE NUNCA TIVERAM QUALQUER INTENÇÃO DE SE SUBMETEREM, ELES PRÓPRIOS, ÀS LEIS QUE PRODUZEM. Exactamente por isto, as leis anti-aborto, conquanto existam, com extrema raridade são aplicadas, e nunca a pessoas da classe média ou superior.

Em 1920, a França, ferida de morte pela perda na I Guerra Mundial de cerca de dez por cento da sua população masculina válida – o que em si mesmo se deve considerar um castigo do Céu pelos pecados desta Nação – resolveu reforçar as leis anti-aborto, POR MOTIVOS ESTRITAMENTE DEMOGRÁFICOS. Será que algum casal em apuros irá sequer lembrar-se de um tal argumento para se abster da interrupção da gravidez? E os políticos laicos e maçónicos que votaram uma tal lei, algum dia terão sonhado sequer submeter-se a ela? Até porque as classes superiores, UNIVERSALMENTE, jamais necessitaram de qualquer espécie de lei para solucionarem os seus problemas neste campo – PORQUE O PODER ECONÓMICO E A POSIÇÃO SOCIAL FAZIAM E FAZEM A LEI.

A vaga de legalização do aborto após a última Guerra Mundial deveu-se apenas AO GRANDE PROGRESSO DA MEDICINA E AO DESENVOLVIMENTO TÉCNICO DAS FUNÇÕES DO ESTADO, E DE MODO NENHUM A UM INCREMENTO DA MALÍCIA HUMANA. EVIDENTEMENTE, NINGUÉM IA LEGALIZAR O ABORTO NUMA ÉPOCA EM QUE O PRÓPRIO PARTO CONSTITUÍA UM RISCO.

A realidade que infelizmente não é afirmada, PORQUE ESTE DESGRAÇADO MUNDO RECUSA A VERDADE, é uma tese muito simples mas de uma importância e um significado descomunal: O Vaticano 2, proclamando formalmente o princípio da liberdade religiosa, QUE É UM PRINCÍPIO ATEU, IMPLÌCITAMENTE LEGITIMOU PLENAMENTE O ABORTO, REALIZADO MESMO SÒMENTE A PEDIDO DA MULHER. Efectivamente, se há liberdade religiosa, É OBLITERADA A FRONTEIRA QUE SEPARA TODO O BEM DE TODO O MAL. Ninguém que professe esse amaldiçoado princípio da liberdade religiosa pode possuir a força moral suficiente para resistir à tentação de solucionar certos problemas da vida através de uma interrupção da gravidez, ninguém, porque todas as objecções puramente humanas e terrenas dos pró-vida derreterão no embate concreto com essa mesma vida, tal como um monte de neve aos raios ardentes do Sol. Só quem não conhece absolutamente nada deste mundo, ou quem é hipócrita, pode negar estas realidades.

Outra grande aberração do entendimento é asseverar que o Presidente eleito dos Estados Unidos, pessoalmente muito pouco recomendável, vai acabar com o aborto no seu país. A América sempre possuiu uma tremenda tradição abortista, com ou sem legalização; nem podia ser de outra forma. É conhecido como o puritanismo sempre teve, e ainda tem, notável implantação nos Estados Unidos da América. ORA O PURITANISMO CONSTITUI A CARICATURA HIPÓCRITA DA VIRTUDE, É A ANTI-VIRTUDE, VERBERADA COM A MAIOR SEVERIDADE POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, COMO SENDO MORALMENTE MUITO PIOR DO QUE A PROSTITUIÇÃO. Actualmente o Partido Republicano é, em grande parte, um feudo dos puritanos hipócritas, e ESTES NÃO QUEREM ACABAR COM O ABORTO, QUEREM OCULTAR O ABORTO. Sempre assim foi no mundo ocidental, como foi referido, até os progressos da medicina forçarem a legalização.

Ninguém que seja a favor do princípio da liberdade religiosa pode possuir a Graça Santificante e a Caridade perfeita, porque só estas podem nutrir a alma daquela força Sobrenatural, que é a força de Deus Nosso Senhor, necessária para vencer a terrível tentação do aborto. Mas não só.

Para evitar situações perigosas, é necessário que os cônjuges observem a castidade conjugal; na realidade, quando nova gravidez se torna absoluta e definitivamente desaconselhável, por razões económicas ou de saúde, então os esposos deverão, com o Auxílio Sobrenatural de Deus Nosso Senhor e a Mediação de Maria Santíssima e São José, guardar perpétua castidade conjugal.  O flagelo do aborto é quase sempre fruto de pecados contra a castidade, dentro e fora do Matrimónio. Mas a conservação dessa castidade IGUALMENTE SE VOLVE ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL NA BASE DO OMINOSO PRINCÍPIO DA LIBERDADE RELIGIOSA; se todas as religiões são boas, para quê a moral?

A moral não constitui um sentimentalismo, mas um conjunto de princípios objectivos, cognitivos, que participam transcendentalmente da Lei Eterna.

A doutora Joana Beretta Molla (1922-1962) que o Vaticano anti-Cristo afirma haver canonizado “por amar a vida”; na verdade amou Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesma; e em Deus, por Deus, e para Deus, amou certamente a vida. E nessa Caridade perfeita a Doutora Joana abominava o princípio da liberdade religiosa, quando recusou a intervenção denominada terapêutica que lhe iria matar o filho muito amado com que Deus Nosso Senhor a abençoara. E ela, como médica, sabia bem o perigo que corria.

No seu leito de morte declarou: “Como à beira da morte, perdem todo o interesse as realidades a que consagramos tanta importãncia nas nossas vidas.” A doutora Joana era integralmente católica, porque fora da Fé Católica é impossível conhecer e amar, verdadeiramente, salvìficamente, a Deus; sabia pelo Dogma da Comunhão dos Santos que o seu sacrifício alcançaria de Deus grandes Graças para os filhinhos que deixava na Terra; e também possuía perfeito conhecimento DE QUE A SUPREMA FELICIDADE SOBRENATURAL NESTE TRISTÍSSIMO MUNDO RESIDE APENAS NO CUMPRIMENTO FIEL DA LEI DIVINA, O QUAL SÓ A SANTA MADRE IGREJA PODE FACULTAR, COMO DISPENSADORA INSTRUMENTAL DOS BENS INFINITOS QUE NOS FORAM MERECIDOS PELO DIVINO REDENTOR, COM A MEDIAÇÃO DA BEM-AVENTURADA SEMPRE VIRGEM MARIA, MÃE DE DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Novembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

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