Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Esclarecimentos doutrinais do Frei Tiago

Porque não compreendemos o número da besta?

A questão do anticristo é provavelmente o tópico mais discutido da história. Rios de tinta e toneladas de papel foram desperdiçados. Até o nosso fundador, Araí Daniele, escreveu vários artigos sobre o assunto, alguns dos quais podem ser lidos neste site.

A palavra “anticristo” significa aquele que é contra Cristo e/ou quer substituí-lo, como indica a preposição grega “anti”.

Este artigo, após definir o termo e seu contexto, também tenta descrever o significado do número 666 referido nas Escrituras (Apoc. 13:18):

Qui habet intelléctum, cómputet númerum béstiæ. Númerus enim hóminis est :

et númerus ejus sexcénti sexagínta sex.

Aquele que tem entendimento conte o número da besta. Pois é o número de um homem: e o número dele é seiscentos e sessenta e seis.

Nas Sagradas Escrituras, “anticristo” significa pelo menos duas (ou até três) coisas.

Primeiro, no sentido mais forte, é o homem do pecado, como lemos na Segunda Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses, 2: 3-4.

Ne quis vos sedúcat ullo modo : quóniam nisi vénerit discéssio primum, et revelátus fúerit homo peccáti fílius perditiónis, qui adversátur, et extóllitur supra omne, quod dícitur Deus, aut quod cólitur, ita ut in templo Dei sédeat osténdens se tamquam sit Deus. 

Que nenhum homem vos engane de forma alguma, pois a menos que haja uma revolta primeiro, e o homem do pecado seja revelado, o filho da perdição, que se opõe e é elevado acima de tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de modo que se senta no templo de Deus, mostrando-se como se fosse Deus.

Aqui refere-se uma única pessoa física, o “homem do pecado”, ou “anomos” em grego, que significa o iníquo. Isto não significa que ele vai abolir e desconsiderar todas as leis, apenas aquelas baseadas na Lei Divina e Natural e bom senso.

Podemos ver um segundo significado de “anticristo”, no sentido mais fraco, em 1Jo 2: 18.

Filíoli, novíssima hora est : et sicut audístis quia antichrístus venit, et nunc antichrísti multi facti sunt 

Filhinhos, esta é a última hora; e como ouviram que o Anticristo vem, mesmo agora, muitos tornaram-se anticristos.

Aqui podemos ver que o termo também se aplica àqueles que se opõem a Cristo de qualquer maneira. Existem e sempre houve muitos deles.

No terceiro sentido, alguns entendem isso como um mistério de iniquidade (Tessalonicenses 2: 7):

Nam mystérium jam operátur iniquitátis : tantum ut qui tenet nunc, téneat, donec de médio fiat.

Pois o mistério da iniquidade já opera; apenas aquele que agora detém, segure, até que ele seja tirado do caminho.

Aqui não pode ser uma pessoa física, mas sim algum (um ou mais) movimento social, uma vez que nenhum humano terrestre mortal vive dois mil anos.

(A tradução aqui está incorreta, deve ser lida “até que ele esteja fora do caminho”. A nossa Vulgata latina é uma tradução de alta qualidade que segue servilmente o grego original. Mas sobre a questão de “retentor” ou “Katechon” em grego, podemos ter uma discussão noutra altura.)

Alguns leitores relacionam o termo “anticristo” à operação do erro (Tessalonicenses 2: 11-12):

Ídeo mittet illis Deus operatiónem erróris ut credant mendácio, ut judicéntur omnes qui non credidérunt veritáti, sed consensérunt iniquitáti.

Portanto, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, mas consentiram na iniquidade.

A operação do erro pode significar e significa muitas coisas. Julgo que a mais importante neste contexto é o roubo de identidade mais inteligente da história: a nova igreja roubou a nossa identidade. Deus permite esta “operação” porque muitos perderam o amor pela verdade, então Deus permite que eles (por Sua vontade permissiva) se enganem. Um aspecto disto é a extinção da verdadeira filosofia. Outro aspecto é a degeneração das ciências naturais e o avançar da estupidez apocalíptica, conforme discutido noutro artigo neste site. Alguns avançam que mesmo esta crise absurda de Covid faz parte disto. A minha opinião é que é um ensaio geral para a marca da besta,

para treinar pessoas, identificar os potenciais não-conformistas, etc. Após este ensaio, as pessoas irão se aglomerar para receber a marca, até mesmo antes de se tornar obrigatório. A vacina em si ainda não é a marca, uma vez que não tem conotação religiosa, apesar da paranóia de quem afirma o contrário, mas é um precursor subtil. Se tal precursor for necessário, o fim não está tão próximo quanto alguns pensam. Então, a má notícia é que temos que sofrer muito mais antes disso.

O número 666 tem vários significados, um deles é perfeição na imperfeição, como o Pe. Berry afirma no seu livro “O Apocalipse de São João”. Porque o número sete era um sinal de perfeição, e três setes representam Nosso Senhor. Logo, os três seis significam o Seu contendor principal.

A perfeição na imperfeição implica uma obsessão pelos detalhes e negligência do essencial. Tudo bem ser “gay”, pro aborto, etc., mas cuidado com os maneiras na mesa. Passar o garfo de uma mão para a outra? Isso é uma questão. A maquilhagem tem que ser perfeita, não importa o quão estúpida seja a mulher. Há muitas leis e regras, mas não se baseiam nos dez mandamentos e são contrários até mesmo ao bom senso. Não estou a dizer que todo o perfeccionista é um anticristo, mas esse perfeccionismo vazio está a abrir o caminho, assim como a estupidez apocalíptica.

Se a profecia não está clara, por que Nosso Senhor a revelou? Para permitir que os eleitos compreendam os sinais quando eles acontecerem.

Agora, por que Nosso Senhor não revelou isto mais claramente, tal como revelou muitas outras coisas menos enigmáticas? Na minha opinião, e isto é apenas suposição, não doutrina, isto foi para evitar que a profecia se auto-cumpra. Porque nos dias de hoje não faltariam candidatos para o papel, por exemplo, Obama, Kushner, etc. Até “Madonna” se apresentou como uma anti-maria (veja-se “Como uma virgem” e como ela monopoliza o nome). Se estes personagens entendessem tudo claramente, pelo menos alguns deles poderiam imitar os sinais. Esta vez pode levar a um verdadeiro cumprimento da profecia, ou um cumprimento falso, o que enganaria até mesmo os eleitos.

Carta número cinco a los fieles del pequeno rabaño de Cristo

Why don’t we understand the number of the beast?

Rivers of ink and tons of paper have been wasted on it. Even our founder, Araí Daniele has written several
articles on this, some of which one can read on this website. The word “antichrist” signifies one who is against Christ and/or wants to replace Him, as the Greek preposition “anti” indicates.

This article, after defining the term and its context, also attempts to describe the meaning of the number 666, as the Scriptures (Apoc. 13:18) tell us:

Qui habet intelléctum, cómputet númerum béstiæ. Númerus enim hóminis est : et númerus ejus sexcénti sexagínta sex.

He that hath understanding, let him count the number of the beast. For it is the number of a man: and the number of him is six hundred sixty-six.

In Sacred Scriptures, “antichrist” means at least two (or even three) things.
In the first, the stronger sense, is the man of sin, as we read in the Second Epistle of St. Paul to the Thessalonians, 2:3-4.

Ne quis vos sedúcat ullo modo : quóniam nisi vénerit discéssio primum, et revelátus fúerit homo peccáti fílius perditiónis, qui adversátur, et extóllitur supra omne, quod dícitur Deus, aut quod cólitur, ita ut in templo Dei sédeat osténdens se tamquam sit Deus.

Let no man deceive you by any means, for unless there come a revolt first, and the man of sin be revealed, the son of perdition, who opposeth, and is lifted up above all that is called God, or that is worshipped, so that he sitteth in the temple of God, shewing himself as if he were God.

This refers to one single physical person, the “man of sin”, anomos in Greek, meaning the lawless one. This doesn’t mean that he will abolish and disregard all laws, only the ones based on Divine and Natural Law and common sense.

We can see the second meaning of “antichrist” in the weaker sense in 1Jn 2: 18.

Filíoli, novíssima hora est : et sicut audístis quia antichrístus venit, et nunc antichrísti multi facti sunt 

Little children, it is the last hour; and as you have heard that Antichrist cometh, even now there are become many Antichrists.

Here we can see that the term also applies to those who oppose Christ in any manner. There are and always were many of them.

In the third sense, some understand it as a mystery of iniquity (Thess 2:7):

Nam mystérium jam operátur iniquitátis : tantum ut qui tenet nunc, téneat, donec de médio fiat.
For the mystery of iniquity already worketh; only that he who now holdeth, do hold, until he be taken out of the way.

This cannot be a physical person, but some (one or more) social movement, since no physical earthly human mortal lives two thousand years.

(The English translation is faulty here, it should read “until he be out of the way”. Our Latin Vulgata is a really high quality translation that slavishly follows the original Greek. But on the issue of “withholder”, or “Katechon” in Greek, we might have a discussion some other time.)

Some readers relate the term “antichrist” to the operation of error (Thess 2:11-12):

Ídeo mittet illis Deus operatiónem erróris ut credant mendácio, ut judicéntur omnes qui non credidérunt veritáti, sed consensérunt iniquitáti.

Therefore God shall send them the operation of error, to believe lying: that all may be judged who have not believed the truth, but have consented to iniquity.

The operation of error can and does mean many things. I think the most important in this context is the smartest identity theft in history: newchurch stealing our identity. God allows this “operation” because many lose the love for truth, so God allows them (by His permissive will) to deceive themselves. One aspect of this is the extinction of true philosophy. Another aspect of it is the degeneration of natural sciences to advance an apocalyptic stupidity, as discussed elsewhere on this site. Some advance that even this Covid nonsense is part of that. My opinion is that it’s a dress rehearsal for the mark of the beast, to train people, identify the potential recusants, etc. After this rehearsal, people will flock to take the mark, even before it becomes mandatory. The vaccine itself isn’t yet the mark, since it has no religious connotation, notwithstanding the paranoia of those who state otherwise, but it’s a subtle forerunner. If such a forerunner is necessary, the end is not as close as some think, so the bad news is that we have to suffer much more before that.

The number 666 has several meanings, one of them is perfection in imperfection, as Fr. Berry states in his book “The Apocalypse of St. John”. Because the number seven was a sign of perfection, and three sevens represent Our Lord, then the three sixes mean to represent His main contender.

Perfection in imperfection implies an obsession with details and neglect of the essentials. It’s OK to be “gay”, pro abort, etc., but watch your table manners. Do you transfer the fork from one hand into the other? That’s an issue. Makeup has to be flawless, no matter how stupid the respective woman is. Don’t say the s-word or the most notorious prostitute will blush like a virgin at her first visit with the gynecologist. There are many laws and rules but not based on the ten commandments and contrary even to common sense. I’m not trying to say that every perfectionist is an antichrist, but this empty perfectionism is pawing the way, just as the apocalyptic stupidity.

If the prophecy isn’t clear, why should Our Lord reveal it? The reason for this is to enable the elect to understand the signs when they come to pass.

Now why Our Lord didn’t reveal this to us more clearly, as He did reveal many other things less cryptically? In my opinion, and this is just guesswork, not doctrine, to prevent the prophecy to be self-fulfilling. Because these days there is no shortage of candidates for this role, see for example Obama, Kushner, etc. Even “Madonna” set herself up as an anti-mary (see “Like a virgin”, and how she monopolizes the name). If these guys understood everything clearly, at least some of them could imitate the signals. This is turn could lead to a true fulfillment of the prophecy, or a false one, which would deceive even the elect.

Defesa do sedevacantismo

Alguns dos argumentos que apresento são do Novus Ordo Watch, copiados com permissão.

O sedevacantismo é a conclusão teológica de que os pretendentes do papado do Vaticano segundo não são papas.

Não é um dogma, nem uma doutrina. Esta é a resposta para aqueles que afirmam que os sedevacantistas inventaram uma nova doutrina, dogmatizando-a. Não é uma doutrina, mas uma interpretação da situação actual.

Alguns chegaram a esta conclusão em 1967, como aconteceu com a Irmã Mary Bernadette (CMRI), Patrick Henry Omlor em 1968, P. Joaquin Saenz y Arriaga em 1970, etc. Eles também concluíram que a Igreja do Vaticano Segundo não é a Igreja Católica, porque ensina doutrinas diferentes, por exemplo, sobre o ecumenismo, e reverteu várias condenações de Trento, especialmente sobre a questão da Missa (em vernáculo, voltada para o povo, etc.). Ora, se as doutrinas mudaram, a Igreja não é indefectível e os papas não são infalíveis. Portanto, deve-se escolher entre a nova igreja e os seus “papas” que não fazem parte da revelação divina ou o dogma anterior que é divinamente revelado. Não se pode aceitar simultaneamente duas posições contraditórias. Portanto, é Francisco ou o papado, não ambos. Eu prefiro o papado a Francisco, revelação divina à opinião popular. Embora isto não seja um dogma, afirmar o contrário seria contradizer o dogma do papado.

Lembramos que o sedevacantismo, a posição de que não houve nenhum verdadeiro Papa da Igreja Católica desde a morte de Pio XII em 1958, e que o actual estabelecimento do Vaticano não é a Igreja Católica, é totalmente seguro teologicamente. Ao aderir a esta posição, não se pode ser levado à heresia, nem ao cisma, permanece-se simplesmente fiel ao ensino católico tradicional.

Mesmo supondo, para fins de argumentação, que esta posição estivesse errada, qual seria a nossa culpa? O pior que se poderia dizer de nós é que errámos sobre quem era o Papa. Que acreditámos, de boa-fé, que não havia nenhum papa quando na verdade havia um – mas pelo menos agimos de forma consistente e seguindo o ensino católico, com o melhor da nossa capacidade e em boa consciência. Poderíamos ser responsáveis por ter cometido um erro sincero, nada mais; um erro a respeito da identidade do verdadeiro Papa, como muitos outros fizeram antes na história da Igreja, e de forma totalmente inocente. Mesmo os grandes santos durante o Grande Cisma do Ocidente cometeram tais erros. Isso é o pior que se poderia dizer. Mas não poderíamos ser acusados de aderir ou espalhar falsas doutrinas (heresia), nem de recusarmos sujeição ao homem que reconhecemos ser o Papa (cisma).

Analisemos o obscurecimento dessa doutrina do papado. Apocalipse 6: 12-13 reza:

12 Et vidi cum aperuísset sigíllum sextum : et ecce terræmótus magnus factus est, et sol factus est niger tamquam saccus cilícinus : et luna tota facta est sicut sanguis: et stellæ de cælo cecidérunt super terram, sicut ficus emíttit grossos suos cum a vento magno movétur. 

E eu vi, quando ele abriu o sexto selo, e eis que houve um grande terremoto, e o sol tornou-se negro como saco de cilício: e a lua inteira tornou-se como sangue. E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como a figueira lança seus figos verdes quando é sacudida por um forte vento.

No seu livro sobre o Apocalipse, o Pe. Sylvester Berry (1921) afirma que o escurecimento do sol e da lua significa que as doutrinas ficarão obscurecidas (pelo menos para algumas pessoas). Parece que uma delas se relaciona com o papado.

Sabemos com certeza que Deus, em algum momento pode retirar a capacidade de ver a alguém que se recuse a ver. Ele dá um número finito de hipóteses de conversão e define para cada um de nós um limite de quantos pecados mortais Ele perdoa. Alguns podem ter ultrapassado esse limite. É irresponsável para nós adivinharmos em que casos isso aconteceu.

Poderia acrescentar que este obscurecimento também pode significar a retenção das graças de Deus no tempo desta grande apostasia. O obscurecimento da lua também pode significar o esquecimento do Culto de Nossa Senhora e, portanto, de Sua intercessão. Sal 71: 7 também está relacionado com isto: Oriétur in diébus ejus justítia, et abundántia pacis, donec auferátur luna. (Em seus dias brotará justiça e abundância de paz, até que a lua seja tirada.)

Por outras palavras, retire-se o culto de Nossa Senhora (representado pela lua), como os “reformadores” fizeram, e tem-se uma receita para o desastre (como o que está em andamento).

Agora alguém pode perguntar, por que há quem se recuse a ver o óbvio? Alguns têm medo de demonstrar uma opinião diferente do comumente aceite, os que valorizam mais a sua popularidade do que a verdade. Outros investiram demasiado na posição contrária, como teólogos “especialistas profissionais”. Estes não querem arriscar perder o rendimento e/ou o prestígio. Nenhum destes admitiria ter estado errado o tempo todo, pelo que se mantêm atacando e inventando argumentos embaraçosos. Nós, como leigos, não podemos ser culpados do mesmo, porque não vivemos de apologética e convertemo-nos sem problema após que estas questões se tornaram mais claras.

Pode-se lembrar as palavras do Cardeal Manning em “O Papa e o Anticristo: A Grande Apostasia Prevista”, onde escreve:

“A apostasia da cidade de Roma do vigário de Cristo e sua destruição pelo Anticristo pode ser um pensamento muito novo para muitos católicos [mas] … Suarez, Belarmino [etc. dizem] … que Roma deve apostatar da fé, afastar o Vigário de Cristo e retornar ao seu antigo paganismo. …Então a igreja será dispersa, levada para o deserto, e permanecerá por um tempo, como era no início, invisível e escondida em catacumbas, em tocas, em montanhas, em lugares ocultos; por um tempo será como que varrida da face da terra. Esse é o testemunho universal dos Padres da Igreja Primitiva.” (Henry Edward Cardinal Manning, The Present Crisis of the Holy See, 1861).

Isto aconteceu muito antes do culto da Pachamama em Roma. Mas há mais paganismo por vir. Como disse Nosso Senhor: “Golpearei o pastor e as ovelhas serão dispersas. Bem aventurado aquele que não será escandalizado.”

Novus Ordo Watch

Fátima e a Paixão da Igreja