Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A OFENSA E A DÍVIDA, NESTE MUNDO … E NO PURGATÓRIO

 

                   Arai Danielealmas-do-purgatorio_6

O primeiro artigo que escrevi para a revista «Permanência» de Gustavo Corção, por convite do amigo Júlio Fleichman, foi «A Ofensa e a Dívida». Na verdade poderia ter sido «Ofensa ou Dívida», porque trata de uma mudança no Padre Nosso em português dos tempos modernos. O assunto não foi muito tratado e hoje está quase esquecido, vista a conformidade das gentes, que é tida como o «sentido comum da fé»!

O meu escrito foi publicado no nº de maio-junho de 1979, e aqui apraz-me lembrar que pouco tempo depois, numa outra viagem ao Rio (eu morava em Roma e vinha de tanto em tanto ao Brasil como piloto da Alitalia) recebi em novembro outro convite «secreto» de Dª Maria Luiza Freichman para o que se revelou ser apresentado a Mgr Marcel Lefebvre e jantar com eles. Foi então que o ilustre Prelado, sabendo que eu colaborava com o quinzenário de don Francesco Putti, o «Sì sì no no», convidou-me amistosamente, falando em italiano, a aproximá-lo de novo de Dom António de Castro Mayer, para estabelecer uma resistência comum. Isto se deve ao fato que ao telefonar para falar com o Bispo em Campos, ali responderam com evasivas sobre a sua ausência, demonstrando que não  era grato que se encontrassem, o que suscitou indignação, também da amiga Dª Helena Rodrigues, que esteva conosco então.

Hoje só restam dois para contar a história, mas eu cumpri a missão, que resultou no encontro dos dois Bispos para redigir o manifesto episcopal de 1983 e as interpelações conjuntas: em 1985 a João Paulo 2º e aos prelados do Sínodo de Roma e – em dezembro de 1986, a de Buenos Aires, da Igreja em rutura com a Tradição, devido à reunião inter-religiosa de Assis.

Inútil dizer que tais documentos, incanceláveis na História contemporânea da Igreja, permanecem silenciados e engavetados pela FSSPX, que fora de Mgr Lefebvre e do mesmo modo pelo grupo dos Padres de Campos, que fora de Dom Mayer.

A propósito de «ofensa» e «dívida», parece mesmo que neste mundo não se consegue lembrar de nenhum fato sem cair numa dessas questões. Mas deixemos agora essas ofensas para passar ao breve artigo onde tento explicar as razões porque discordo de tal mudança aplicada à Oração ensinada por Nosso Senhor, apartando-se da tradução da Vulgata debita nostra, bem como justamente do sentir comum da Fé. Neste sentido, juntarei ao tema do 1º artigo a questão das almas do Purgatório.

Sabemos que todos os povos em cada época procuraram sempre exprimir-se com as palavras e a linguagem herdada de seus pais. Mas sabemos também que enquanto alguns procuram conservar e esmerar este patrimônio inestimável, outros usaram e abusaram das palavras até perderem-se na Babel que leva à ignorância a ao conflito.

Hoje as palavras estão merecendo, de uma minoria, um culto novo, quase religioso, demonstrando não só o valor que encerram, quanto a dificuldade de conservarem-se autênticas e limpas da escória de erros que os últimos séculos descarregaram.

Os novos colecionadores são obrigados a intenso trabalho de limpeza e restauração, mas se vêem pagos pelo prazer intelectual insuperável de descobrirem os verdadeiros elos, os “missing link”, que nos conduzem à origem, não mais de ossos e vasos, mas de nosso pensamento primordial.

Não se devem portanto espantar os espectadores televisivos e leitores de revistas mundanas, se esses raros colecionadores não aparecem ao lado de estantes repletas de objetos misteriosos e nem mesmo façam cálculos sobre o valor do patrimônio descoberto. Ninguém se espante de não ver nem mesmo suas faces em revista alguma. A palavra não é artigo a que se dê valor, assunto a ser tratado. No entanto, sem as palavras, nossos pensamentos não valem muito, como nós mesmos.

Infelizmente percebi isto tarde, e fiquei pouco equipado para fazer a minha pessoal mineração. Mas por outro lado descobri que o valor desse patrimônio é comum e está na razão direta de como o utilizamos. Para isto não é necessário ter coleção própria, basta tomá-lo emprestado com boas leituras e imprimi-lo na própria mente.  É nessa ação de registro mental, de reconhecimento de uma palavra-ideia, de um conceito, de um nome essencial, que passaremos de surpresa em surpresa, de descoberta em descoberta. É como se tudo convergisse para uma grande Ideia Original, que nos precedeu e nos atrai, mas veladamente, mais do que isso, criou as ideias, nos criou.

Como será que a nossa época se afastou tanto desse curso, que era a própria maneira de pensar no tempo de Platão, por exemplo? Pior, como é que hoje, sem mais aquela, troca-se uma palavra por outra na Oração ensinada por Nosso Senhor, desconhecendo ou desprezando os valores recônditos ou plenos que elas acumulam?

Certamente as palavras sofrem com os hábitos involutivos daqueles que as usam. Quando, nos dias que correm, as pessoas, a qualquer pretexto, trocam palavras de cortesia ou mesmo de dúvida usando o verbo crer, esse crer coloquial é a negação do crer verdadeiro ou então a afirmação da dificuldade de crer realmente em algo. Mas na verdade não pode existir um “crer” de aspecto só bem educado”.

Passemos agora à palavra “dívida”, que foi substituída no Padre Nosso em português pela palavra “ofensa”. Confesso que não conheço as alegações dessa mudança. Posso naturalmente imaginar que para alguns, um termo muito usado no comércio parecerá impróprio quando rezamos a Deus. Mas o simples fato de ter sido feita uma troca deveria implicar alguma razão superior a essa na “economia” da Religião.

Vou dizer porque era justamente a palavra dívida, aquela que não só me soava justa, mas talvez por essa mesma razão, me ensinava noções que precisam bem mais de uma artigo para serem desenvolvidas sobre o tema, que é o da “gratidão”.

Não desconheço o dilema de todas as épocas entre o abstrato e o concreto, entre o real e o imaginário, entre o Céu e a Terra, entre o espiritual e o material; afinal a sabedoria consistiu sempre em saber colocar as ideias nos lugares devidos dando a Deus o que é de Deus e à gramática o que é da gramática.

A sabedoria que nos ensinou o Evangelho demonstra plenamente como nada é mais universal e perene para os ouvidos do homem do que a parábola que descreve o Céu falando de campos e de flores, de frutos e de pão, o pastor, a ovelha, os porcos, o figo, o barro, a videira, os talentos, os servos, o rico e o pobre, e tudo o mais que o homem continua a ver por aí numa repetição feérica de natureza e sociedade, de colheitas e de tempestades, é a linguagem de sempre; da Terra em que vivemos. E Jesus, ensinando, usou sempre termos da vida corrente para cada coisa e assim mesmo Sua linguagem é luminosamente espiritual.

Será que essa lição precisa hoje ser mudada? Será que não entendemos mais o que é dívida, que consta ser palavra sagrada no Aramaico falado por Jesus? Ou esse termo se fez prosaico e venal devido às nossas operações de banco ou de bolsa ou talvez devido às prestações do carro ou da mobília em promoção? Quem sabe porque esse jogo de esconder entre palavras que exprimem valores materiais e outras que exprimem valores ideais é tão freqüente?

Faz sempre pensar na revolução materialista, que pretende decretar a igualdade justamente num mundo onde nem duas gotas d’água são iguais, que dirá dois seres humanos! Venal ou não, a questão é saber se temos para com o Nosso Pai uma relação de dar e haver ou se basta não ofendê-lo para passar a temas espirituais.

Resta que nosso corpo mantêm de qualquer modo relações de dar e haver, de usar e restituir com o mundo que o envolve e por mais que se queira abstrair dela é difícil excluir dessa contabilidade material com Nosso Pai e Criador.

Existe por ai um falso espiritualismo, um farisaísmo mal disfarçado, ou talvez um materialismo às avessas que se apresenta disponível a qualquer mudança. Mas para quem já ultrapassou a metade do caminho da vida, não causa mais surpresa a excessiva insistência e preocupação em torno de uma palavra; é o processo vicioso para chegar ao contrário do que essa mesma palavra exprimia. Todo o psicologismo não faz outra coisa, explica o mundo a partir de uma visão escondida no ânimo subjetivo.

Mas agora devo ser eu a explicar o que entendo por dívida e como é que sendo pouco dado a operações contábeis, falo tanto de dar e haver, de receber e restituir. Claro, não penso em simplificar a matéria com o livrinho do empório. Pelo contrário, me proponho a projetar alto e longe a ideia de dívida, e se havia receio que essa palavra distraísse alguém com uma noção chã e mesquinha, insisto em ver nela conotações de promessa, de pacto, de empenho e, finalmente, de vínculo indelével.

O que eu quero dizer é que para exprimir as profundas relações entre nós e Nosso Pai, justo é fazê-lo em termos de dívida mais do que de ofensa. Assim, um filho pode afastar-se de casa sem uma palavra, sem ofensa mas com completa indiferença para com os seus deveres filiais. Desconheceu a dívida como um ateu desconhece o Criador, mas não levou nada e quase se pode dizer que não ofendeu.

A realidade mostra que hoje falta no mundo humano justamente algo ligado a esse equilíbrio imperfeito; a gratidão. Mesmo quando cultivamos o solo, extraímos os seus bens para o nosso sustento e conforto, se prevalece a ideia de que tudo nos é devido, devasta-se sem cuidado esses recursos, poluindo e infestando tudo.

Se o homem, por um só momento, esquecer que é devedor ao Alto, não terá mais razões para lembrar suas menores dívidas materiais, do que é daqui de baixo. Mas para cobrar aquelas que lhe são devidas, se preciso for, chegará a recorrer à humilhação, à ofensa, , porque nenhum perdão consta das contas materiais.

Todavia, o código humano essencial é aquele escrito no nosso íntimo. Ali está anotada a nossa dívida perene de vida e de redenção; lembrando-o, nossos esforços podem servir para tentar saldá-la e na medida mesma em que pudermos com alguma parcela, fazê-lo com o próximo. Então a parcela parecerá irrisória e qualquer esforço insuficiente. E assim é, e assim será sempre, mas no meio tempo, devemos procurar não ofender e perdoar os nossos devedores, a fim de sermos também perdoados. Este é o vínculo, este é o pacto. E depois? Como será na outra vida?

A doutrina da Igreja ensina como verdade de Fé, que existe o Purgatório. Este é o lugar em que as almas que morreram na graça de Deus, mas devedoras de alguma pena ou culpa temporal devida aos seus pecados, devem ir por um tempo para se purificar e assim poder apresentar-se diante de Deus, onde está toda a perfeição.

Para a Justiça divina, as dívidas dos homens podem ser perdoadas neste mundo, como os pecados e as ofensas já absolvidos com o Sacramento da Confissão. Podem ser perdoadas pela oração, pela penitência, pela receção de Sacramentos e também pelas indulgências que a Igreja tem no seu poder repartir, atingindo do tesouro acumulado a partir dos méritos infinitos de Jesus Cristo. Tudo isto é possível nesta vida em que o homem pode operar com sua vontade. No Purgatório só lhe restará o desejo ardente de purificar-se de toda imperfeição para poder apresentar-se diante da puríssima Bondade de Deus, Amor misericordioso. A existência do Purgatório é prova dessa infinita misericórdia de Deus, que proporciona uma derradeira condição para que a imperfeita alma humana possa purificar-se antes de comparecer diante do Criador.

Terminado o seu tempo terreno, a alma nada pode fazer por si para merecer o deleite da contemplação divina, senão penar e orar no fogo do remorso pelas dívidas acumuladas pelos seus pecados.

Por isso, na Comunhão dos Santos, podem os vivos pedir em oração que sejam reduzidas as “dívidas” das almas no Purgatório. Pede-se perdão pelas próprias “dívidas” e também pelas das almas que padecem no fogo purgante e podem rezar por nós.

Das ofensas perdoadas nesta vida pelo Sacramento da Confissão, só restam as dívidas. No Purgatório as almas não são devedoras de ofensas ou pecados já perdoados, mas pela consequência da dívida que estes comportam.

Essa troca de palavras pode só aparentemente significar o mesmo; na realidade, altera a doutrina, afetando de modo profundo não só o comportamento social, mas a edificação pessoal – privados da gratidão, da «pietas» querida por Deus.

Na reza do Padre Nosso, pedindo o «pão nosso de cada dia», segue logicamente um pedido que se perdoe essa nossa “dívida” e não “ofensa”, tanto mais no pensamento das almas do Purgatório, que não mais pecam, mas têm ainda “dívidas” pelos pecados de ofensas já perdoadas.

Os Protestantes negam o Purgatório, porque crêem que o Sangue de Cristo já pagou todas as dívidas das nossas liberdades pessoais, que continuam por ai sem o freio do temor de Deus. Eis uma doutrina danada não só para as almas mas para as sociedades. Para eles, o propósito da vontade de reconhecer e frear a ofensa dos pecados já não é mandamento; é o “pecca fortiter et crede fortius” de Lutero, a graça ficaria garantida! A “ofensa” seria neutralizada pela graça obtida por Cristo; mas sobre a “dívida” de gratidão para com o Seu Sacrifício que a obteve, seria até uma ignomínia de ordem teológica lembrá-lo! Que erro terrível para a vida espiritual!

 

Todos os povos em todo tempo e lugar, através do culto com sacrifícios demonstram uma universal consciência da necessidade do perdão das dívidas pela vida e pelos bens naturais.

Na Idade Média, eram comuns as peregrinações cujos participantes suportavam cruzes e sacrifícios para purificarem-se das dívidas contraídas por pecados já absolvidos a fim de estarem em estado de graça e assim beneficiarem do que ofereciam. Esta prática foi diminuindo muito e até sendo contestada e dissuadida no tempo da Igreja conciliar.

Agora, se recuperamos o uso de uma cara palavra que foi separada de nossa preciosa oração, será mais fácil inserir a gratidão na nossa ação diária. Eis o ardente desejo de pagar as nossas dívidas. Sabemos que elas são insolvíveis para com o Alto mas que podem ser perdoadas na medida que nós perdoamos os nossos devedores e mais ainda que procuramos dívidas para ir pagando.

Hoje para mim, à dívida que tenho para com meus Pais e depois para com os Padres e Bispos, de quem recebi educação na Fé, deve ser também alargada na que temos para com «Permanência» de Corção e demais iniciáticas que despertaram essa difícil resiliência e inóspita resistência para a defesa de nossa Fé, íntegra e pura.

Todas as dívidas humanas só são amortizáveis com o pensamento reverente e devoto diante do que contem de inestimável o Cálice do Santo Sacrifício: o preciosíssimo Sangue de nosso adorável Senhor e Salvador Jesus Cristo.

O APROFUNDAMENTO DA FÉ TEOLOGAL

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da encíclica “Aeterni Patris”, promulgada a 4 de Agosto de 1879:

«Igualmente, a razão declara que a Doutrina do Evangelho, desde a sua primeira origem,  brilhou por meio de sinais admiráveis, argumentos infalíveis de Verdade segura, e que os que crêem no Evangelho não o fazem imprudentemente como se fossem seguidores de “fábulas subtis” (IPd 1,16), mas sujeitam o intelecto e seu Juízo à Autoridade Divina com obséquio absolutamente razoável. Nem se deve substimar que a razão põe às claras que a Santa Igreja, fundada por Cristo,  como afirmou o Sagrado Concílio Vaticano I:”Pela sua admirável propagação, santidade eminente e fecundidade inexaurível em todo o Bem, pela sua unidade católica e estabilidade inabalável, é em si mesma grande e perene motivo de credibilidade, e testemunho irrefragável da sua Missão Divina”(Constituição Dogmática Dei Filius).

Estabelecidos assim esses fundamentos firmíssimos, requer-se também o uso contínuo e múltiplo da filosofia, para que a Teologia Sagrada tome natureza, forma e carácter de ciência verdadeira. Com efeito, nesta disciplina nobilíssima entre todas as outras, É SUMAMENTE NECESSÁRIO  QUE AS MUITAS E DIVERSAS PARTES DAS DISCIPLINAS CELESTES SE FUNDAM COMO NUM SÓ CORPO, DE FORMA QUE COLOCADAS ORDENADAMENTE NOS SEUS LUGARES E DEDUZIDAS DOS SEUS PRINCÍPIOS, ESTEJAM ENTRE SI EM HARMONIA BELA E ESTREITA; E FINALMENTE QUE TODAS E CADA UMA SEJAM CONFIRMADAS COM ARGUMENTOS PRÓPRIOS E INCONFUTÁVEIS.

Nunca se deve calar ou descuidar do conhecimento mais cuidadoso e amplo das verdades em que cremos, e da inteligência um pouco mais clara, no que for possível, dos mistérios da Fé, que Agostinho e os outros Padres louvaram e se esforçaram por conseguir, e que o próprio Sagrado Concílio Vaticano I julgou frutuosíssima; não há dúvida de que chegam mais larga e fàcilmente a este conhecimento OS QUE À INTEGRIDADE DE VIDA E AO AMOR ARDENTE DA FÉ, acrescentam uma mente erudita nas ciências filosóficas; tanto mais que segundo os ensinamentos do mesmo concílio Vaticano: “A inteligência desses Dogmas se deve conseguir quer da analogia das coisas que se conhecem naturalmente, quer pelo nexo dos mesmos Mistérios entre si e com os Fins últimos do homem.”

Finalmente, pertence à filosofia defender religiosamente as verdades reveladas, e opor-se aos que ousarem confutá-las.

Por isso é grande glória da filosofia ser considerada sustentáculo da Fé e baluarte firme da Religião. “A Doutrina do Salvador – no dizer de São Clemente Alexandrino – é certamente perfeita em si mesma, e não necessita de nenhum auxílio, sendo o Poder e a Sabedoria de Deus. Unindo-se a ela, A FILOSOFIA GREGA NÃO TORNA MAIS FORTE A VERDADE; MAS ENFRAQUECENDO AS ARGUMENTAÇÕES DOS SOFISTAS CONTRA ELA, FOI CHAMADA CERCA DA VINHA E TRINCHEIRA DE DEFESA”. Na verdade, como os inimigos do Nome Católico, querendo combater a Religião, o mais das vezes tomam da filosofia as armas de guerra, assim os defensores da Doutrina Sagrada tomam muitas coisas da filosofia em defesa das verdades reveladas. E não se deve julgar pequeno triunfo para a Fé Cristã, que as armas inimigas custosamente encontradas pela razão humana, para prejudicá-la, sejam fácil e desembaraçadamente rechaçadas pela própria razão. »

 

 

A inteligência humana, quer individual, quer sobretudo na sua progressão ao longo dos séculos, e até mesmo a inteligência angélica, não pode compreender o Infinito, nem na Ordem Natural, nem na Ordem Sobrenatural. Além disso, a inteligência criada não pode exaurir o conhecimento das mesmas realidades criadas; neste campo, quanto mais aprofunda, mais território ontognoseológico se apresenta como inexplorado. O problema torna-se verdadeiramente dramático, quando, como agora, as fronteiras da ciência procuram tocar a essência última da origem e dos limites do Universo, no espaço e no tempo; ou seja, questões que parecem concorrer directamente com a Filosofia e a Religião. Uma coisa é certa: Nem a inteligência angélica mais poderosa possui, ou pode possuir, um conhecimento científico, simultaneamente particular e totalizante, do Universo; PORQUE ESSE, SÓ DEUS! Porque só a Inteligência Incriada possui a chave das Essências. Consequentemente, e ao contrário do que poderia julgar-se: A inteligência contingente e finita NÃO PODE EXAURIR O FINITO.

Uma tal conclusão pode ser inferida a partir da Teologia e da sã filosofia.

Deus Nosso Senhor não pretendeu ensinar ao homem, na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição, a constituição íntima das coisas visíveis; todavia, a partir de premissas Sobrenaturalmente reveladas e premissas concernentes ao conhecimento natural e experimental, podem-se deduzir ou induzir as denominadas conclusões teológicas; a tese acima definida constitui exactamente uma conclusão teológica.

É necessário muito cuidado com as falsas e espectaculares asserções das ciências modernas sobre a evolução da vida na Terra, sobre a idade do Universo, sobre a vida extra-terrestre; porque aqui, quer se queira, quer não, já estamos calcorreando terreno religioso. Se se admite que o Planeta Terra tem quatro biliões de anos, caímos em heresia, pois tal contradiz expressamente a Sagrada Escritura e a Tradição; porque se é certo que Deus Nosso Senhor não pretendeu comunicar aos homens noções científicas, enquanto tais, exprimindo-Se segundo o modo corrente e natural de verbalização – É IRREFUTÁVEL QUE AQUI EXISTE CONTRADIÇÃO FLAGRANTE DA HIPÓTESE CIENTÍFICA COM A VERDADE REVELADA, QUALQUER QUE SEJA O GÉNERO LITERÁRIO EM QUE ESTA SE EXPRIMA, E QUALQUER QUE SEJA O ALCANCE SEMÂNTICO DOS TERMOS. O mesmo se deve afirmar daqueles que defendem a existência de vida inteligente extra- terrestre; pois que a Revelação nos manifesta, nìtidamente, que a Criação, neste ponto, só comporta -Anjos e Homens. Assinale-se que a Santa Madre Igreja sempre ensinou que as maravilhas extra-terrestres do Universo, onde o homem jamais chegará, não foram criadas inùtilmente, pois que os Anjos as contemplam, através das espécies inteligíveis infusas, concriadas com eles, e que são representativas do Universo físico.

Existem pois limites metafísicos para o aprofundamento da realidade científica.

E a Fé Teologal, também possuirá limites?

Recordemos o que já foi afirmado: A inteligência contingente

não pode compreender o Infinito, NEM MESMO NA ETERNIDADE BEATÍFICA. TAL JAMAIS PODE CONSTITUIR MOTIVO DE PENA POIS É UMA NECESSIDADE METAFÍSICA.

Em termos sintéticos podemos afirmar QUE A MEDIDA DO APROFUNDAMENTO MERITÓRIO DA FÉ É A SANTIDADE. A MEDIDA DO APROFUNDAMENTO INSTITUCIONAL NORMATIVO DA FÉ É A CÁTEDRA DE SÃO PEDRO. POR SUA VEZ, A ASCENSÃO DA ALMA NOS CAMINHOS DA SANTIDADE SÓ É POSSÍVEL NA SUBMISSÃO PLENA AO MAGISTÉRIO PETRINO.

É conhecido como a Fé informe é imperfeitamente Sobrenatural, mas é verdadeira Fé, embora não conduza à Salvação Eterna. Sòmente a Graça Santificante, que é um Hábito Sobrenatural Entitativo, e a Caridade, que é um Hábito Sobrenatural operativo, sòmente estas realidades FORMAM VERDADEIRAMENTE A FÉ, E ELEVAM A ALMA À PARTICIPAÇÃO NA NATUREZA DIVINA, NA INTELIGÊNCIA DIVINA, NA SANTIDADE DIVINA. Por sua vez, os Dons do Espírito Santo aperfeiçoam as Virtudes Teologais e Morais, contribuindo imensíssimo para a nossa santificação.

Evidentemente que todos os Bens sobrenaturais são tão absolutamente necessários à salvação, como são absolutamente gratuitos.

O aprofundamento da Fé, é, e só pode ser perfeitamente homogéneo, sempre segundo o mesmo Princípio, o mesmo sentido, e a mesma expressão. Não é só o Dogma que não muda, nem pode mudar, É TAMBÉM O SEU ENUNCIADO, seja em que língua for. Exactamente também por isso, a conservação da Língua Latina é indispensável para obter um glossário e uma sintaxe normativa QUE NÃO ESTEJA SUJEITA ÀS VARIAÇÕES DO MUNDO E DA RUA.

Quanto mais aprofundamos a nossa Fé, pela intensificação da Graça Santificante, MAIS PARTICIPAMOS SOBRENATURALMENTE DA NATUREZA DIVINA, DA INTIMIDADE DIVINA, DAS RIQUEZAS INFINITAS DA VERDADE INCRIADA. Mas exactamente por isso, por estarmos tão unidos a Deus, começamos a contemplar este pobre mundo a uma luz totalmente diferente, inacessível, em absoluto, a quem não ama a Deus Nosso Senhor, sobrenaturalmente, sobre todas as coisas.

Mas como foi reafirmado, a santificação da alma só se pode processar sob a soberania da Cátedra de São Pedro. Ora uma das prerrogativas  desta Cátedra de Verdade e de Bem, é precisamente explicitar o Sagrado Depósito de Fé, o qual não sendo susceptível de progresso objectivo, pode e deve, contudo, ser aprofundado no conhecimento que podemos possuir dele.  Evidentemente, o Romano Pontífice socorre-se do trabalho dos teólogos e do conselho dos Cardeais e Bispos, mas ele, e só ele, apoiado na Graça de Deus, bem como na sua Infalibilidade funcional, pode e deve decidir, COMO JUIZ SUPREMO, se uma determinada verdade se encontra, formalmente, contida no Tesouro da Revelação, e em caso positivo, da necessidade ou oportunidade da sua definição. Na exacta medida em que nem todas as verdades de Fé Divina, ou seja, incorporadas na Sagrada Escritura ou na Tradição, são, ou devem ser, também verdades de Fé Católica definida. A maior parte dos episódios Bíblicos são objectivamente revelados, e portanto de Fé Divina, mas não são de Fé Católica, definida ou não. O limbo das crianças é um exemplo de Verdade de Fé Católica, não definida.

A Santificação da alma é uma realidade EMINENTEMENTE OBJECTIVA. Os elementos cognitivos da Fé Teologal, NÃO SÃO DESTE MUNDO, E COMO TAL SÓ NOS PODEM SER COMUNICADOS POR DEUS NOSSO SENHOR. Por mais profunda que seja a Fé Teologal, permanece sempre transcendentalmente vinculada à Revelação Sobrenatural e ao Magistério da Santa Madre Igreja cujo orgão supremo é a Cátedra de São Pedro. Deste quadro conceptual se infere que os elementos cognitivos da Fé Teologal, enquanto é Sobrenatural, superam infinitamente as coordenadas da inteligência e da cultura puramente humana e terrena.

O aprofundamento da filosofia tomista, como filosofia da verdade e do Bem, edificada pelo lume natural da inteligência humana, EXTRÌNSECAMENTE AUXILIADA PELO ORGANISMO SOBRENATURAL, só pode verdadeiramente conseguir-se em plena homogeneidade, também extrínseca, com o aprofundamento da Fé operado nos caminhos da Santidade. São Tomás, além de grande teólogo, foi também um grande filósofo – PORQUE FOI ACIMA DE TUDO UM GRANDE SANTO.

Alguns santos, como Santo Afonso Rodriguez (1526-1617), possuíam poucos estudos, segundo os padrões do mundo, e mesmo segundo os padrões eclesiásticos; todavia muitos doutores e bispos acorriam de longe só para o ouvir falar de Deus.

Na realidade, o nosso exame para a Eternidade só incidirá sobre os Bens Sobrenaturais, que comunicados por Deus Nosso Senhor, possam em nós haver frutificado. Sem nunca olvidarmos, QUE ATÉ O CORRESPONDERMOS À GRAÇA TEMOS DE AGRADECER A DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Agosto de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

22 DE AGOSTO  – IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

Coração Imaculado

Depois de ter em plena guerra consagrado o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria para o colocar por este modo debaixo da particular proteção da Mãe do Salvador. S. Santidade Pio XII decretou que todos os anos se celebrasse doravante na Igreja inteira uma festa especial em honra do Coração Imaculado no dia 22 de Agosto. Pio XII nesta data designou-lhe como principal intenção pedir, por intercessão da SS. Virgem, a «paz para os povos, liberdade da Igreja, a conversão dos pecadores, o amor da pureza e prática da virtude » (Dec. de 1 de maio de 1941).

MISSA. — Intróito. Hebr. 4, 16  Vamos confiadamente ao trono da graça a pedir misericórdia e encontraremos graça e misericórdia e auxílio oportuno. Sl. 44, 2. Saiu do meu coração uma palavra boa: consagrarei ao rei todo o meu ser. t. Glória ao Pai ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.

Oração. — Ó Deus eterno e onipotente, que Vos dignastes preparar digna morada para o Espírito Santo no Coração da SS. Virgem, fazei por Vossa misericórdia que, celebrando devotamente a solenidade do Seu Coração Imaculado, vivamos conformes ao Vosso Coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso, que como Deus que é, convosco vive e reina em unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

FÁTIMA E A DESCRISTIANIZAÇÃO CAUSADA POR UM CATOLICISMO POSTIÇO

Valinhos

 

Arai Daniele

Neste mês de agosto, Fátima não é lembrada no dia 13, mas no 19. De fato no dia 13 os pastorinhos estavam retidos em Ourém pelo administrador mação Artur de Oliveira Santos que queria ouvir deles o «segredo», ainda que fosse sob ameaças. Nada obteve, mas o fato, que pertence à história de Fátima, pode nos fazer meditar sobre a descristianização galopante, que já então avançava num país de grande tradição católica como Portugal. Por exemplo: o administrador foi de certo batizado e provavelmente casado na Igreja, antes de tornar-se um mação roxo que pôs na sua filha o nome de «Democracia»! Isto consta nas efemérides: 4 de janeiro de 1908 – Em Vila Nova de Ourém, realizou-se o registo civil de baptismo de uma filha de Artur de Oliveira Santos que recebeu o nome de Democracia. Ora, toda a história desse País no século XX é constituída de uma série de atos revolucionários de descristianização. Poderia o Céu não intervir através de Maria a Medianeira de Deus? Pois aí começa o Evento de Fátima.

Há que lembrar, porém, que estas aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria e em agosto nos Valinhos, vêm na sequência de outras aparições marianas em vésperas de atos revolucionários contrários à vida e ação da Igreja de Deus. Nesse sentido, Fátima é a aparição culminante das intervenções divinas na história da política moderna, e isto é claro em Portugal, sacudido nesse tempo pelo regicídio de 1908 e o advento da república maçônica e abertamente anticlerical em 1910, iniciando anos de perseguições religiosas e desordens que levaram a Nação ao caos. Este só começou a dissipar-se nos anos da Aparição e depois do assassinato de Sidónio Pais.

Aqui interessa salientar a realidade de uma descristianização que vai muito além do âmbito português; é universal e vai acentuar-se depois da Iª Grande Guerra e disparar depois da 2ª, não só no mundo dito ocidental, mas na mesma Igreja já antes da catástrofe do Vaticano 2. Esta é a história que tentei descrever à luz de Fátima nos meus «Entre Fátima e o Abismo» e mais recentemente em italiano no livro «Nella Profezia di Fatima il Mistero dell’Altra Roma».

A este ponto, é feita a tentativa de descrever uma decadência civil e religiosa que assume dimensões apocalípticas; de fim dos tempos. E tudo enquanto a profecia contida no «Segredo de Fátima» aparece como suspenso, indefinível e indecifrável, apesar de sua clareza singela. Há um vasto mundo católico que não a quer entender, assim como não ousa enfrentar o mal presente que se apresenta nada menos que com o aspecto de uma série de «papas hereges»!

Na data de 1960, que como se apurou pelas memórias da Irmã Lúcia, recentemente publicadas pelo Carmelo de Coimbra, foi pronunciada por Nossa Senhora mesma, um evento decisivo para a Igreja e a Cristandade ficava simbolicamente descrito. Era a «liquidação» do Papa católico, junto a todo o seu séquito fiel; acontecimento «epocal», que não se quer ver.

Esta visão profética foi censurada justamente no seu tempo, isto é quando seria mais clara, e justamente por quem era chamado em causa, pois ocupava a sede do Papa católico abatido. Trata-se de João 23, o modernista filo-mação eleito em 1958 para convocar o infido Vaticano 2 destinado à tentativa de mudar tortuosamente a Doutrina e tudo o mais na Igreja de Deus. É claro que a este ponto, se antes mencionaram-se atos revolucionários de descristianização no mundo, com isto temos a revolução no seio clerical para cobrir a descristianização global.

Falta um aviso profético sobre o maior mal presente?

Segue a pergunta lógica: poderia o Céu não intervir para amparar a fé dos católicos nesse passo de extremo mal, sob o extremo engano de um «papado» contrafeito? Se com Fátima veio esta ajuda, como pode ser que esses «papas» demonstrem um espírito mariano?

Na verdade, não só pode ser abertamente contestado que os clérigos em questão possam alegar verdadeiro espírito mariano, como que já esta falha espiritual disfarçada possa indicar aquela real inimizade na fé lembrada por São Luis Maria Grignion de Montfort revelada pelos «papas conciliares» de João 23, Roncalli, até Jorge Bergoglio, alheios à Tradição, à integridade do mesmo Papado e da Fé professada pura e inalterada desde sempre pela santa Igreja.

Vamos ver o que há de verdade nisto através do espírito de verdadeira devoção a Maria. Inútil iniciar pelos promotores do Vaticano 2, porque este foi abertamente anti-mariano, tendo, para agradar os protestantes, em modo deliberado cancelado o esquema da Mediação de Maria!

Vejamos como pensava Karol Wojtyla, João Paulo 2º, sobre a posição revelada da «Mulher», que sabemos pela Igreja e pela História ser Maria, a Mãe de Jesus Cristo.  De fato, Pio IX, na definição dogmática da Imaculada, mais de uma vez refere-se ao poder da Mulher imaculada sobre Satã; começa por citar Gn 3,15: «Porei inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua estirpe e a Sua; Ela pisar-te-á a testa e tu lhe ameaçarás o calcanhar». O Papa lembra-o também na introdução à Bula de definição com as seguintes palavras: “Certamente era conveniente que uma Mãe tão venerável resplendesse sempre ornada do esplendor da santidade mais perfeita, e, imune inteiramente da mancha do pecado original, obtivesse o mais perfeito triunfo sobre a antiga serpente». No fecho da Bula o Papa Pio IX evoca ainda a oposição fundamental, cujo êxito final foi a vitória de Cristo para a salvação dos homens, na qual a Virgem Mãe cooperou; o Papa acentua a luta perene de Cristo revelada na Genesis e a parte de Maria, nova Eva, nela; participando na Encarnação com a sua «mediação materna» e aperfeiçoando-a sob a Cruz, ápice dessa luta, ou seja no coração mesmo do mistério de sua Ora.

Podemos, pois, ver a presença de fundamentos bíblicos no contexto da Imaculada Conceição. Mas isto não foi compartilhado por todos; parece que a Escritura não fala da Imaculada, que é da tradição. Já o cardeal Roberto Belarmino, declarava: “Sob a conceição da Virgem Imaculada, nada temos nas Escrituras, nem mesmo na Tradição”. Contudo, acrescenta, esta doutrina pode ser aceite por todos os fiéis como piedosa e santa na base da Escritura e dos Padres em geral.

João Paulo 2º, diante da alegada falta de fundamento bíblico do Dogma diz, na sua catequese de 29 de maio de 1996, que «para a Igreja do Oriente, a  expressão “cheia de graça” (Lc 1:28) foi interpretada, desde o século VI, no sentido de uma santidade singular que Maria e que para o magistério no chamado Proto-Evangelho de Lucas (Gn 3:15) é indicada uma fonte bíblica da verdade da Imaculada Conceição de Maria, citada também o capítulo 12 do Apocalipse, que fala da “mulher vestida de sol”. A exegese atual concorda em ver nesta mulher a comunidade do povo de Deus […]. Mas junto com a interpretação coletiva, o texto sugere uma afirmação individual […]. A mulher – a comunidade – descrita com a aparência da mulher, Mãe de Jesus.

João Paulo 2º também reitera que a verdade da Imaculada Conceição é classificada como “doutrina revelada por Deus”; em seguida, ao incorporar as palavras de Ineffabilis Deus “, ela deve ser crida firmemente e constantemente por todos os fiéis.” Tudo tradicional? Vejamos isto na sua fala no original italiano.

In cauda venenum

  • «Accanto al racconto lucano dell’Annunciazione, la Tradizione ed il Magistero hanno indicato nel cosiddetto Protovangelo ( Gen 3, 15 ) una fonte scritturale della verità dell’Immacolata Concezione di Maria. Questo testo ha ispirato, a partire dall’antica versione latina: “Ella ti schiaccerà la testa” [ipsa conteret], molte rappresentazioni dell’Immacolata che schiaccia il serpente sotto i suoi piedi.
  • «Abbiamo già avuto modo di ricordare in precedenza come questa versione non corrisponda al testo ebraico, nel quale non è la donna, bensì la sua stirpe, il suo discendente, a calpestare la testa del serpente. Tale testo attribuisce quindi, non a Maria, ma a suo Figlio la vittoria su Satana. Tuttavia, poiché la concezione biblica pone una profonda solidarietà tra il genitore e la sua discendenza, è coerente con il senso originale del passo la rappresentazione dell’Immacolata che schiaccia il serpente, non per virtù propria ma della grazia del Figlio…
  • «L’attuale esegesi converge nel vedere in tale donna la comunità del popolo di Dio, che partorisce nel dolore il Messia risorto. Ma, accanto alla interpretazione collettiva, il testo ne suggerisce una individuale nell’affermazione: “Essa partorirà un figlio maschio, destinato a governare tutte le nazioni con scettro di ferro” (12, 5). Si ammette così, con il riferimento al parto, una certa identificazione della donna vestita di sole con Maria, la donna che ha dato alla luce il Messia. La donna-comunità è descritta infatti con le sembianze della donna-Madre di Gesù.»

No livro da Gênesis, está escrito que vai ser a mulher e sua prole a pisar na cabeça da serpente, inimiga de Deus e dos homens; inimigo que, nos tempos atuais, suscitou uma hidra de muitas cabeças satânicas. A mais feroz impôs a ideologia nascida de erros filosóficos, que se espalhou pelo mundo. Mas a mais enganosa e mortal é aquela que penetrou até o topo da Igreja para abrir as suas portas ao mundo e destruir o rebanho de Cristo com uma pastoral de heresias.

Pio IX na Bula dogmática Ineffabilis Deus sobre a Imaculada Conceição (1854/12/08) interpreta o significado Mariológico Gênesis (3, 15) o Proto-evangelho: “A Santíssima Virgem, foi unida a Jesus Cristo e através de uma ligação extremamente estreita e indissolúvel, estava junto com ele por seus meios a eterna inimiga da serpente cobra venenosa, alcançando um triunfo absoluto sobre ela e, com o pé imaculado, esmagou-lhe a cabeça.” O Papa repete assim a Tradição, não só quanto ao recurso à Virgem Maria, não só para invocar as graças que descem sobre a Igreja através da Mãe de Deus, mas para iluminar o princípio da sabedoria: o da submissão à Vontade divina.

Na exegese ‘conciliar’ de João Paulo 2º de 29.5.96 sobre o texto da Gênese  “… versão que não corresponde ao texto hebraico, no qual não é a Mulher, mas a sua descendência, o seu descendente a pisar a testa da serpente”…

Nesta exegese encontramos pelo menos duas alterações convergentes a uma conclusão de sabor ecumenista. A primeira é a alusão ao texto hebraico cuja concepção bíblica “seria mais esclarecedora que a interpretação dos Papas, representando a Autoridade divina da Igreja, que sempre reconheceram o significado Mariológico deste texto. Em nossa era o Papa Pio XII fez em sua bula dogmática Munificentissimus Deus para a definição da Assunção de Maria Santíssima.

A segunda é que haveria uma interpretação cristológica da Gênesis, que em vez de completar esse sentido Mariológico, o exclui quanto à estirpe da Mulher. Ei-la: a semente da mulher, unida a Cristo por uma ligação muito estreita e indissolúvel, seria a humanidade redimida pelo seu Filho Salvador; união é fixada por toda a eternidade, de modo que os Santos Padres vejam em Maria “a nova Eva estreitamente unida ao novo Adão …” união em uma inimizade comum contra o diabo sedutor e uma vitória total sobre ele. ” (Pio XII, ibid.).

  • Diz João Paulo 2º : «Il parallelo, istituito da Paolo fra Adamo e Cristo, è completato da quello fra Eva e Maria: il ruolo della donna, rilevante nel dramma del peccato, lo è altresì nella redenzione dell’umanità. Sant’Ireneo presenta Maria come la nuova Eva che, con la sua fede e la sua obbedienza, ha controbilanciato l’incredulità e la disobbedienza di Eva. Un tale ruolo nell’economia della salvezza richiede l’assenza di peccato. Era conveniente che come Cristo, nuovo Adamo, anche Maria, nuova Eva, non conoscesse il peccato e fosse così più atta a cooperare alla redenzione. Il peccato, che quale torrente travolge l’umanità, s’arresta dinanzi al Redentore e alla sua fedele Collaboratrice. Con una sostanziale differenza: Cristo è tutto santo in virtù della grazia che nella sua umanità deriva dalla persona divina; Maria è tutta santa in virtù della grazia ricevuta per i meriti del Salvatore.»

A conclusão ecumenista. A este ponto, pode-se perguntar porque fazer pairar sombras sobre a interpretação tradicional da Igreja do texto base para a compreensão da missão de Maria na obra da Redenção? A resposta pode ser obtida considerando a palavra “linhagem”, estirpe (descendentes). Há duas, na verdade: a primeira de Eva, isto é, toda a humanidade; e a segunda de Maria, que é a dos que creem e vão renascer na fé do Redentor, ou seja, os cristãos de sempre. É claro que para uma “nova teologia”, cristãos anônimos, que nem sabem da Fé e de Maria, desfrutam da redenção universal, pois existe apenas uma linhagem, dos filhos da primeira Eva, para eles é garantida, que o saibam e queiram ou não, a vitória na fé sobre o «inimigo», não pela própria virtude, mas pela graça «para todos» de Cristo”. Para a redenção do Pecado original, até a segunda Eva teve que ser preservada, mas o seu benefício seria para todos, seria a «redenção universal» da «Redemptor hominis» e do Vaticano 2. Esta a nova «exegese» que assenta as suas raízes na “nova consciência conciliar”, boa para todas as crenças e até para a mais negra incredulidade.

Vista a tortuosa alteração operada por João Paulo 2º na compreensão da parte de Maria SS. no Mistério da Redenção, não pode admirar que ele tenha querido encampar também para si a posição central de «papa vítima» no Segredo de Fátima; um passo falso que o próprio texto da terceira parte desse Segredo desvenda: a verdadeira vítima foi o Papa católico com todo o seu séquito fiel, que não caem nas tramoias de novos evangelhos, com novas falsas redenções.

Assim, pode-se compreender como a Profecia de Fátima nos defende das mentiras a serviço dessa descristianização final para o qual colabora, um catolicismo invertido admitido por outro… postiço, que mesmo sem querer, o aceita como vindo de um papa herético mas legítimo! Basta ver a posição equívoca de tantos diante de Bergoglio!

Na verdade, continuamos a viver um problema cujo aspecto prático tem dimensão enorme, devido ao aumento da indiferença, da descrença, do oportunismo, de erros e heresias diante da Fé da Igreja. Em breve, devido à apostasia geral. Tudo isso faz com que a solução teológica e canônica – sempre possível em tempos cristãos – parece no nosso impossível, quando, até mesmo ao testemunho público da verdade, de toda a verdade sobre esta falsidade que se vive hoje, são padres a opor-se. No entanto, não pode haver dúvida sobre a necessidade de prestar este testemunho fiel para recorrer a Nosso Senhor. E desde que a Igreja é uma sociedade visível, está aí o testemunho público que deve aumentar em número e lucidez.

E que não se diga faltar para isto o aviso profético sobre o maior mal que é a vacância atual, porque é um fato, o Papado foi abatido e isto é o que está na visão do Segredo de Fátima!

IPOTESI TEOLOGALI SUL PAPA ERETICO D’OSTACOLO ALLA PROMESSA DI FATIMA

valinhos 2

Arai Daniele

Per l’attuale orribile situazione della Chiesa e del mondo Dio offre una soluzione attraverso Maria. Ma spetta agli uomini prima capirla e poi accoglierla. Essa dipende della presenza di un vero Papa, inviato dal Signore. Infatti, nei momenti più cruciali per la vita della Cristianità sulla terra, i Papi hanno giudicato essere giunto il tempo stabilito dalla Provvidenza per proclamare solennemente la posizione privilegiata della Vergine Maria nell’economia della salvezza.

Il Vescovo Antonio de Castro Mayer ricordava l’importanza dei dogmi mariani per affrontare anche le più gravi questioni civili ricorrendo alla mediazione umana più potente presso Dio, quello della Vergine Madre. Perciò riteneva urgente il dogma ancora da proclamare della Mediazione universale di Maria per un’immensa conversione nei nostri tempi. E ecco cosa il maligno sussurra per impedirla in questi tempi: ipotesi teologali!

In realtà, il mondo ha beneficiato negli ultimi duecento anni di apparizioni della Madonna, legate a questa luminosa e fattiva mediazione. Per molti cattolici sembra però che, di fronte ai guai più inenarrabili creati dalle deviazioni del Vaticano 2, la situazione rovinosa della Chiesa renda ormai scaduto il tempo per ricorrere alla luce di certezze dogmatiche ancora da definire.

Eppure, se la Chiesa non ha definito la natura teologica degli interventi offerti dalle apparizioni mariane dei secoli moderni è perché assillata proprio dalla scristianizzazioni i cui effetti esse servivano a ammortizzare con miracoli e nuovi devozioni. Si pensi alla Medaglia miracolosa portata a Rue du Bac a Parigi alla vigilia del governo massonico di Luigi Filippo d’Orleans nel 1830 e la miracolosa conversione del Ratisbonne nel 1842 a Roma. Il fatto è che negli ultimi due secoli gli errori rivoluzionari si sono moltiplicati minando la fede della Chiesa, mentre le sue difese sono state abbattute, specialmente attraverso la rivolu­zione conciliare romana, sotto dei «papi», piuttosto procaci anticristici.

Se l’obiettivo era togliere di mezzo il Papa, abbattendolo nell’animo, e infine nella persona; uccidere il Papato per estinguerne la missione di conversione, essa si dimostra compiuta. Questo piano è stato portato avanti dalla Rivoluzione francese in poi, in un crescendo. Perciò anche gli ausili straordinari dati attraverso la Madonna per impedirlo anticiparono le fasi del piano in un crescendo: a Rue du Bac, a la Salette, a Lourdes e finalmente a Fatima.

Abbiamo visto come le date di Fatima siano mo­menti cruciali di questa lotta: nel 1925, nel 1929 e alla vigilia della II Guerra mondiale (1938), che diede alla Russia sovietica mezzi formidabili per dif­fondere i suoi errori in tutto il mondo e anche nella Chiesa. Il male era troppo grande perché gli uomini lo potessero sconfiggere da soli. Ecco la richiesta della consacrazione presente nel Messaggio di Fatima. Eppure la ragione di tale richiesta non fu purtroppo compresa, e la consacrazione non fu compiuta sotto Pio XI. Quale ragione?

Si deve considerare questa ragione come fu spiegata a Lucia che chiese al Signore perché non convertiva la Russia senza che Sua Santità ne facesse la consacrazione: “Perché voglio che tutta la Mia Chiesa riconosca questa CONSACRAZIONE come un trion­fo del Cuore Immacolato di Maria e così estendere il suo culto e porre a fianco della devozione al Mio Cuore divino, la devozione di quel Cuore Immacolato”. – Ma, mio Dio, il Santo Padre non mi crederà, se Voi stesso non lo muo­verete con una ispirazione speciale. “Il Santo Padre! prega molto per il Santo Padre. Lui la farà, ma sarà tardi! Tuttavia, l’Immacolato Cuore di Maria salverà la Russia. Gli è affidata”. (DOC, p. 415)

Considerando l’ordine delle parole, il trionfo del Cuore Immacolato di Maria è preceduto dal riconoscimento, da parte di tutta la Chiesa, del potere di compiere la Consacrazione voluta da Dio, cioè dalla fede in quest’atto, all’insegna della Volontà divina di convertire la Russia. Si può capire come sia implicito il fatto che la conversione della stessa Chiesa alla fede nell’intervento divino debba precedere la conversione della Russia alla Chiesa cattolica. Se così non fosse il Signore avrebbe richiesto che la Chiesa ricono­scesse il trionfo non nella sua causa: la Fede della Chiesa, ma nel suo effetto: la conversione della Russia.

Nel Messaggio del 13 luglio 1917 la Madonna aveva detto: “Se non si smette di offendere Dio, nel pontificato di Pio Xl, ne comincerà un’altra [guerra] peggiore. Quan­do vedrete una notte illuminata da una luce sconosciuta sappiate che è il gran segno che Dio vi dà: che punirà il mon­do per i suoi delitti, per mezzo della guerra, della fame e delle persecuzioni alla Chiesa e al Santo Padre. Per impe­dirla, verrò a domandare la consacrazio­ne della Russia al mio Cuore Immacola­to e la comunione riparatrice nei primi sabati. Se ascolteranno le mie doman­de, la Russia si convertirà e ci sarà pa­ce; se no, spargerà i suoi errori nel mon­do, suscitando guerre e persecuzioni al­la Chiesa.”

Ebbene, nella notte tra il 25 e il 26 gennaio del 1938, una luce sconosciuta, che superava ogni precedente aurora boreale per le sue dimensioni, infiammò i cieli dell’Europa e anche del Nord Africa, nelle cui latitudini tale fenomeno è estremamente raro. I giornali riportarono l’evento, ma poiché il Messaggio era stato ignorato a Roma, così come la richiesta di consacrazione, non si riconobbe allora in quelle luci sconosciute l’avviso premonitore della Seconda Grande Guerra, che avrebbe devastato l’Europa dal 1939 al 1945.

 

Ora, torniamo alle parole della Madonna che cominciavano con: “se faranno quel che vi dirò … se accoglieranno le Mie richieste… “ esse erano rivolte a chi aveva il potere di adempiere a tali richieste: il Papa, e in particolar modo Pio XI. La menzione di questo nome, inesistente nel ‘17, accentua la precisione della profezia di Fatima quanto all’azione e alla persona che avrebbe potuto evitare la nuova guerra.

Ufficialmente la guerra non è scoppiata al tempo di Pio XI; perciò a qualcuno sembra che il Messaggio racchiuda un errore perché la II Guerra mondiale cominciò qualche mese dopo la sua morte. Si tenga però presente che nel Messaggio si diceva che al suo pontificato era affidata la richiesta risolutrice per evitare la guerra. Quindi si può dire che la ‘causa’ efficiente per evitare la guerra e mantenere la pace rimase inascoltata e allora gli ‘effetti’ della guerra si poterono avverare con quello che per Pio XI significava la guerra: l’occupazione nazista dell’Austria cattolica, con la successiva invasione della Polonia.

Forse Dio non si aspettava dal Papa e dalla Chiesa la fede nella consacrazione richiesta a Fatima? La conversione della Russia, non avverrebbe allora come conseguenza la fede del Papa nell’intervento divino, manifestata in questa sua pubblica e solenne testimonianza? Il principio della conversione non può essere che la fede; una fede che include l’intervento divino secondo il senso cristiano della Storia, che è Storia sacra nelle mani di Dio.

Poiché quest’integra testimonianza dipende dalla vera rappresentanza di Dio in terra ovvero della presenza del vero Vicario di Cristo, la più satanica guerra contro la Chiesa si scatenava per indebolire la volontà del Papa, in vista del suo completo svilimento nella Fede, ossia di una effettiva assenza apostolica. Mentre, al contrario, un suo radioso ristabilimento può avvenire solo nella PRESENZA di chi assume la carica pontificia per eseguire alla lettera il mandato del Signore a Pietro: «Te, una volta convertito, conferma i tuoi fratelli.» PRESENZA che appartiene alla Fede cattolica; È in sé stessa dogmatica, o non è!

Proprio nei momenti più cruciali, Dio manifesta il Suo aiuto attraverso il magistero del Papa, come è registrato dalla storia e ricordato nella Profezia di Fatima, centrata sul Papa. Ecco il trono visibile per manifestare una prova estrema di fede, speranza e carità, con azioni che trascendono ogni potere umano. Ecco perché qui si deve ricordare la richiesta profetica affinché avvenga il miracolo della conversione di gran parte della società umana, che come si legge dal libro della Genesi, avverrà attraverso il potere della Donna; della Sua stirpe.

Oggi la Cristianità vive un momento «terminale» a causa della mancata fede nel Dogma, ma ha ancora disponibile la promessa profetica di Maria Mediatrice a Fatima che annuncia il miracolo finale: “In Portogallo si preserverà sempre il dogma della fede.  Alla fine il Mio Immacolato Cuore trionferà. Il Santo Padre mi consacrerà la Russia, che si convertirà e sarà concesso al mondo un periodo di pace”; parole finali del Segreto di Fatima.

La speranza del Resto fedele è che torni la presenza di un Papa cattolico per eseguire i disegni divini di conversione di un potere civile per una vera pace e la salvezza di molti. Quindi, per i figli fedeli della Chiesa la grande «consegna» riguarda il ritorno del Papa cattolico. Ciò implica che in questi tempi tenebrosi i fedeli s’impegnino più che mai alla rimozione d’ogni ostacolo, che, come si sa, sono sempre prima di tutto sorti dai peccati; indifferenze, noncuranze, inventive e anche menzogne sulle questioni più sacre nello stesso Culto divino.

Sul caso della doverosa «consegna» più cruciale dell’ora presente, riguardante proprio il Pontefice, Vicario di Nostro Signore Gesù Cristo, assente dal 1958, l’articolo precedente parla dell’ostacolo sorto al riconoscimento dell’autentico Papato cattolico a causa della squinternata ipotesi di un «papa eretico» che manterrebbe la legittimità cattolica. Tale «potere» darebbe autorità ad inganni nel Nome del Signore, si fronte a quanti considerano l’eretico un autentico pontefice; «ipotesi» ritenuta ancora da discutere, questione aperta, che certi teologi pure applicano al presente, ai così detti «papi conciliari».

Eppure, quanto la dottrina del Magistero della Chiesa insegna sul delitto di eresia non è semplice “ipotesi teologica”; è Magistero infallibile, di natura divina, alla quale tutti cattolici sono parimenti soggetti, non escluso cui un successore di Pietro (D. S. 3114). Il Canone 188,4 sul delitto pubblico di eresia non è mera “opinione” di un privato, ma è una “noma essendi” dogmatica, che regola tutti i membri della Chiesa cattolica; viene dalla Tradizione, fin dai primi secoli della Chiesa, interpretando il Diritto divino. Da Celestino I a Pio XII il Magistero della Chiesa è lo stesso sulla natura di questo delitto reato e sui suoi effetti naturali “ipso facto” indipendenti da sanzioni canoniche successivamente imposte all’autore del reato: pena la scomunica, la dichiarazione d’infamia, la deposizione pubblica dall’ufficio.

Perciò, molte delle considerazioni sul «papa eretico» come «questione disputata» sono già contrarie al Magistero della Chiesa e purtroppo tale vezzo teologale non è nuovo. Il libro in questione sull’«ipotesi teologica di un papa eretico» segue tale lavorio teologale citando noti teologi anche su questioni già definite dal Magistero di Papa Paolo IV. Sembra che nel farlo sia lecita ogni «ipotesi» che vada oltre quella della possibilità che un papa cada in eresia pubblica.

Dai libri concepiti già lontani dal Magistero dogmatico e canonica della Chiesa si deve guardare il cattolico. Ora, questo lavoro in parte lo fa dal momento che ha per titolo “ipotesi teologica” per il trattamento di “opinioni” di teologi privati, senza riferimento al Magistero trascendente della Chiesa, che è al di sopra di tutte le opinioni private, anche di un papa e di un santo, che non possono rompere la perpetuità del significato della dottrina universale già una volta insegnata dalla Chiesa (Vaticano I – DS 3020). Nessuno può annunciare un altro senso diverso da quello definito (Vaticano I – DS 3043), sotto pena di anatema. Questo anatema è già fin dai tempi di San Martino e il Laterano Sinodo dei 649, XVIII Canon (D. S. 520)

Poiché il libro in questione esprime pure il pensiero dottrinale dei monsignori Castro Mayer e Lefebvre, ogni critica fatta a partire di un errore basilare della impostazione teologica del lavoro potrebbe sembrare fuori posto. In verità questi illustri vescovi, che furono pure teologi di peso, hanno incorso in errori che si trascinano nella vita della Chiesa. Questo è un fatto che si può facilmente vagliare nel dubbio e contraddizioni di entrambi nel modo di affrontare il sommo problema dell’Autorità nella Chiesa; questione ereditata e aggravata dai loro discepoli e successori.

Quale altro può essere questo errore se non ritenere il giudizio sul «papa eretico» che mantiene legittimamente la carica questione discutibile? Viviamo le conseguenze rovinose di simile idea, che contraddice le basi stesse dell’Autorità cattolica come istituita dal Signore. Non per altro chi approvasse un senso eretico su una definizione del Magistero pubblicamente, dopo ammonizioni (Cânon 2315), va considerato esso stesso eretico e, quindi, separato dalla Chiesa a causa della natura del delitto di eresia (Pio XII – Mystici Corporis, D.S. 3803).

Molti distrattamente oggigiorno, a causa di quell’errore antico di mettere sotto il moggio un documento del Magistero del peso della Bolla «Cum ex apostolatus» del Papa Paolo IV, incorrono nella confusione di non capire come in mancanza della sua definizione la questione della giurisdizione legittima nella Chiesa appaia come indecifrabile. Una giurisdizione nulla appaia come «valida»; un eretico pubblico e notorio appaia come inviato del Signore per reggere e insegnare i fedeli con la «dottrina» del Vaticano 2, in chiara opposizione al Diritto divino (1 Cor. 6, 1; Tit. 3, 10-11; Mt. 18, 17; Jo 3, 18; ecc.). La “fede universale, comune a clero e ai laici” (San Nicola I – D. S. 639), è quella stessa di Pio XII, che insegna su chi pecca contro la fede “si separa dalla Chiesa per la natura della suo delitto” (D. S. 3803). E il Diritto Canonico insegna che “lascia qualsiasi carica della Chiesa vacante, sine ulla declaratione, ipso facto, per rinuncia tacita alla carica” (Canon 188.4) .Donde insegna Leone XIII: “È assurdo che presieda nella Chiesa quelli che sono fuori della Chiesa” (Satis cognitum, 37).

Papas fantasmas materialiterIl precetto di Cristo su coloro che non ascoltano il Magistero della Chiesa (Mt 18:17, interpretato da Canon 2315 è applicabile qui a quanti liberamente scelgono ipotesi o tesi che lasciano da parte la norma universale della fede sul delitto di eresia in contrasto col Magistero universale definito solennemente dalla Chiesa.

Se un uomo per essere eletto papa deve essere, per Diritto divino cattolico, come può il deviato pubblico della Fede continuare a presiedere nella Chiesa ed essere riconosciuto suo supremo maestro? San Tommaso ricorda la differenza tra il potere di Ordini, che rimane negli eretici, e il potere di giurisdizione ordinaria che “non rimane negli eretici” (S. T. 2-2, 2, 39, 3). Quindi, il Dottore Angelico insegna, gli eretici: “non hanno questo potere.” Quindi, tutto quanto hanno fatto è nullo: “nihil actum est”. L’azione segue l’essere.

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que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

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