Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

OS BENS SOBRENATURAIS JAMAIS FATIGAM

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Magnae Dei Matris”, promulgada em 8 de Setembro de 1892:

«Todos já conhecem por demais com quais meios de corrupção e malícia do mundo, inìquamente se esforce por enfraquecer e extirpar inteiramente dos corações a Fé Cristã e a observância da Lei Divina, que alimenta esta Fé e a faz frutificar. E já em todo o lugar o campo do Senhor, como que perturbado por um terrível contágio, quase embrutece POR CAUSA DA IGNORÂNCIA DA RELIGIÃO, PELO ERRO E PELOS VÍCIOS. E o que é ainda mais doloroso é que os que poderiam, ANTES, TERIAM O DEVER SAGRADO, DE PÔR UM FREIO OU DE INFLINGIR PENAS JUSTAS A UMA PERVERSIDADE TÃO ARROGANTE E CULPADA, LONGE DISSO, PARECEM MUITAS VEZES INCENTIVAR ISSO, OU COM A SUA INÉRCIA, OU COM O SEU APOIO. Com toda a razão, portanto, devemo-nos entristecer por se ter dado às escolas públicas uma organização tal que PERMITA QUE O NOME DE DEUS NÃO SEJA PRONUNCIADO, OU ATÉ SEJA ULTRAJADO. Devemo-nos entristecer pela licença, sempre mais descarada, de imprimir ou de proclamar toda a espécie de ultrajes contra Cristo Deus e a Santa Igreja. Nem é menos deprimente aquele langor ou esfriamento da prática Cristã, a qual se não é apostasia aberta da Fé, certamente está próxima de se tornar tal; pois a prática da vida já não é aderente à Fé. Quem considere essa perversão e essa ruína dos interesses mais vitais, certamente não se admirará se em todo o lugar as Nações estejam gemendo sob o peso dos castigos Divinos e estão consternadas pelo temor de calamidades ainda mais graves.
Por isso, para aplacar a majestade de Deus ofendido e para procurar o remédio necessário para aqueles que tanto sofrem, com certeza não há meio melhor do que a oração devota e perseverante, desde que unida ao espírito e à prática da vida Cristã. E para atingir ao mesmo tempo essas duas finalidades, julgamos que o meio mais indicado seja o ROSÁRIO MARIANO.
Sua eficácia poderosíssima foi experimentada e exaltada desde sua origem, bem conhecida, como é atestado por documentos insignes e como, por mais de uma vez, nós mesmos lembrámos. Desde que a seita dos albingenses – aparentemente paladina da integridade da Fé e dos costumes, mas na sua realidade, perturbadora e péssima corruptora – era causa de grande ruína para muitos povos, a Santa Igreja combateu contra ela e suas facções infames, não com milícias ou armas, MAS PRINCIPALMENTE COM A FORÇA DO SANTO ROSÁRIO, que o Patriarca São Domingos propagou por inspiração da própria Mãe de Deus. Assim, gloriosamente, vitoriosa de todos os obstáculos, a Santa Igreja, quer naquela, quer noutras tempestades semelhantes, providenciou sempre, com esplêndido sucesso, para a salvação dos seus filhos. Portanto, na situação presente, que deploramos como lutuosa para a Religião e perigosíssima para a sociedade, é necessário que todos juntos – com piedade igual à dos antepassados – rezemos e supliquemos à Grande Mãe de Deus para que, de acordo com os votos comuns, possamos alegrar-nos por haver experimentado uma eficácia igual do seu Rosário.(…)
Ainda que nossa peregrinação terrestre seja áspera e hirta de dificuldades, andemos corajosos e intrépidos para a meta. E nas nossas penas, nas nossas fadigas, não cessemos de estender as mãos suplicantes a Maria, dizendo com a Santa Igreja: “A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. Dai-nos uma vida pura, preparai-nos um Caminho seguro, para que possamos gozar para sempre da vida de Jesus”. E ela que conhece, sem nunca tê-la experimentado, a fraqueza e corrupção da nossa natureza; ela que é a melhor e a mais solícita de todas as mães, virá propícia e pressurosa ajudar-nos! Com qual ternura nos consolará! Com qual força nos amparará? Ao percorrer o caminho consagrado pelo Sangue de Cristo e pelas lágrimas de Maria, chegaremos, nós também, segura e fàcilmente, a participar da Glória Bem-Aventurada de Jesus e Maria.»

«Toda a carne é como a erva, e todo o seu esplendor como a flor da erva. Seca a erva e cai a flor, mas a Palavra de Deus permanece Eternamente»

                            Isaías 40,6-8
                            IPed 1, 24-25  

Toda a criatura, por muito que dela, ordenadamente, se goste, tende sempre a fatigar e a cansar, exigindo então uma certa diversificacão de estímulos. Mesmo os maiores santos, incluindo Nossa Senhora, tiveram por vezes de quebrar, ordenadamente, uma certa monotonia das suas vidas. Note-se que até o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, que na Sua Alma gozava da visão beatífica, na Sua Natureza Humana extrìnsecamente mortal possuía uma comunhão com a mutabilidade das vicissitudes terrenas; tal compreende-se, porque Nosso Senhor, sendo igualmente viador, não fruía exaustivamente da visão beatífica, pois esta não se repercutia física e quantitativamente, através da essência da Sua Alma, em todo o ser de Cristo, de modo a cancelar as dores da Sua Paixão.
Muita gente que se afirma crente coloca esta questão: “Mas no Céu não nos fartaremos?” É evidente, que quem coloca este tipo de problemas NÃO TEM A FÉ CATÓLICA, NEM SABE O QUE ISSO É. Na realidade, quem tem a Fé Teologal, mesmo que não possua a Graça Santificante e a Caridade, tem o denominado “instinto da Fé” pelo qual deduz que tal questão constitui um enormíssimo disparate. OS BENS SOBRENATURAIS E ETERNOS, MESMO NA TERRA, NUNCA SATURAM, NUNCA NOS CANSAMOS DE PENSAR, SOBRENATURALMENTE, EM DEUS, EMBORA O POSSAMOS FAZER DE FORMA DIFERENTE. E NO CÉU, OS BENS ETERNOS, SACIAM, MAS NÃO FARTAM. E COMO NO CÉU NÃO HÁ FUTURO NEM PASSADO, ESSES BENS JAMAIS SE FRAGMENTAM NA DURAÇÃO TEMPORAL, POSSUINDO UMA PLENITUDE ETERNA.
Nós sòmente levaremos deste mundo Bens Sobrenaturais, pois que eles constituem o único Tesouro que devemos acumular na Terra, por soleníssima determinação de Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 12, 13-21///Mt 6,24-34).
Nossa Senhora, quer em Fátima, quer em Lourdes, sempre anunciou sofrimentos aos seus videntes, mas também acrescentava: “A Graça de Deus será o vosso conforto!”
A seita conciliar, QUE É A PRÓPRIA MAÇONARIA INTERNACIONAL, sabia perfeitamente que simulando abrir as portas da Igreja ao mundo (visto que a verdadeira Santa Madre Igreja jamais se pode abrir ao mundo) provocaria um colapso geral na Fé daquela fina-flor de bons católicos que, em todos os países de antiga Tradição Católica, constituíam como que a aristocracia da Santa Igreja, eliminando, consequentemente, com essa pseudo-abertura, a mesma Santa Igreja da face da Terra, como realidade social e cultural- OBJECTIVO ESSENCIAL E CONSTITUTIVO DA MAÇONARIA . A Tese essencial dessa pretensa abertura de portas consubstanciou-se na diluição dos Mistérios da Fé na facilidade contingente das vicissitudes humanas e terrenas, tudo operando num sentido eminentemente panteizante.
INSISTE-SE: A SANTA IGREJA, NA SUA INFALIBILIDADE, NA SUA INDEFECTIBILIDADE, NA SUA SANTIDADE, JAMAIS PODE ABRIR AS SUAS PORTAS AO MUNDO. Este constituiu um erro comum de muitos textos e de muitas homilias de Monsenhor Lefebvre: ELE BEM SABIA QUE AS NOTAS DIVINAS DA SANTA IGREJA IMPEDIAM, EM ABSOLUTO, ESSE MERETRÍCIO; TODAVIA, A FALTA DE CUIDADO NA REDACÇÃO E NO DISCURSO, POR PARTE DE MONSENHOR LEFEBVRE, LEVAVA MUITAS ALMAS A PENSAR QUE ERA A PRÓPRIA SANTA MADRE IGREJA QUEM HAVIA BAQUEADO.
Quando São Pio X afirmou: “Se eu abrir a Santa Igreja ao mundo, todos dela sairão e ninguém entrará”; pretendia sòmente sublinhar que uma aparente conversão da Igreja ao mundo, não só provocaria a apostasia geral, mas que sobretudo, a pseudo-instituição maçónica que miseràvelmente restasse encontraria pela frente UMA TOTAL INDIFERENÇA DA PARTE DO MUNDO – que é, precisamente, aquilo a que estamos assistindo.
A Santa Madre Igreja está no mundo, MAS NÃO É DO MUNDO; o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, permaneceu no mundo pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia, sem, todavia, ser do mundo. Nós mesmos, peregrinamos neste moralmente paupérrimo mundo, mas a nossa Pátria não é aqui. São Tomás de Aquino, frequentíssimas vezes, na Suma Teológica, designa a Bem-Aventurança Eterna pelo nome de PÁTRIA.
Sem dúvida, que a natureza criada é extremamente bela, na sua plena harmonia dos reinos mineral, vegetal e animal; a alma humana, de alguma forma, foi criada em profunda intimidade e comensurabilidade com o planeta que habita. E tanto é assim, que muitos astronautas que iam à Lua ficavam fascinados, não com a Lua, mas com a sublime visão da Terra planeta. Só a maldade dos homens, sobretudo do varão, tudo conspurca, conspirando até, diabòlicamente, contra as possibilidades do planeta de continuar a sustentar a vida. E porquê? Porque a terrível miséria humana quer TUDO E JÁ, COMETENDO A HEDIONDA AMORALIDADE DE NÃO HESITAR EM SACRIFICAR GERAÇÕES FUTURAS À GULA DA GERAÇÃO PRESENTE. NÃO COMPREENDEM QUE MAIS VALE POSSUIR A GRAÇA SANTIFICANTE DO QUE TODO O UNIVERSO FÍSICO.
Santo Agostinho conta na suas “Confissões” que certa vez dois amigos puseram-se de acordo para tentarem obter a amizade de um rico e poderoso rei. Enquanto viajavam, passando perto de um convento, um desses amigos disse para o outro: Que espécie de loucura estamos cometendo? Para quê tantos esforços para tentar alcançar uma sorte falível? Vê bem que se nós quisermos ser amigos de Deus, infinitamente Santo e Infinitamente rico de todos os Bens – PODEMOS CONSEGUÍ-LO HOJE MESMO. E de comum acordo desistiram dos seus intentos, encaminhando-se para o convento.
Ser santo é isto mesmo: Depositar em Deus tudo o que somos, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, amando-O também sobrenaturalmente sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus. Ser santo é tudo abandonar, para tudo reencontrar rectificado pela Graça Divina. Que a Luz dulcíssima e Incriada do Deus Santo possa ilustrar, na substância da Verdade, as nossas catacumbas, tão desprezadas, mas que valem moralmente mais, com a ajuda de Deus e Mediação de Nossa Senhora, do que todas as pobres ilusões do mundo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 24 de Agosto de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

HOUVE OU NÃO REVOLUÇÃO SEXUAL?

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Casti Connubii”, promulgada em 31 de Dezembro de 1930:

«Nosso Senhor Jesus Cristo não quis sòmente proibir qualquer forma do que se chama poligamia ou poliandria, quer sucessiva, quer simultânea, ou qualquer outra acção externa desonesta, mas ainda, para assegurar completamente a inviolabilidade do Santuário Sagrado da Família, proibiu os próprios pensamentos voluntários e desejos de tais coisas: “Mas Eu vos digo que todo aquele que vir uma mulher com os olhos de concupiscência, já cometeu adultério com ela no seu coração”(Mt 5,28).
E estas palavras de Cristo não podem ser anuladas, nem mesmo pelo consentimento do outro cônjuge, porque representa a própria Lei de Deus e da Natureza, que nenhuma vontade humana pode destruir ou modificar.
E até, para que o bem da fidelidade resplandeça com todo o seu brilho, as próprias manifestações mútuas de familiaridade entre os cônjuges devem ser caracterizadas pela castidade, de sorte que os cônjuges se comportem em tudo segundo a Lei Divina e natural, procurando sempre seguir a Vontade do seu Sapientíssimo Criador, com grande reverência pela Obra de Deus.
Esta fidelidade da castidade, como lhe chama, admiràvelmente, Santo Agostinho, resultará mais fácil, e até muito mais agradável e nobre, por outra consideração importantíssima: A do amor conjugal, que penetra todos os deveres da vida familiar e que no Matrimónio Cristão ocupa como que o primado da nobreza. “Além disso, a fidelidade do Matrimónio requer que o marido e a mulher estejam entre si unidos por um amor especial, SANTO E PURO, E QUE NÃO SE AMEM RECÌPROCAMENTE COMO OS ADÚLTEROS, MAS DO MESMO MODO COM QUE JESUS CRISTO AMOU A SUA IGREJA; porque o Apóstolo prescreveu esta regra quando disse: «Homens! Amai vossas mulheres, como Cristo amou a Sua Igreja»(Ef 5,25//Col 3,19); certamente, Ele amou-a com aquela Sua Caridade Infinita, não em proveito próprio, mas propondo-se ùnicamente a utilidade da Esposa” (Catecismo Romano II, cap. 8, q.24). Falamos, pois, de um amor fundado, NÃO JÁ SÒMENTE NA INCLINAÇÃO DOS SENTIDOS, que em breve se desvanece, nem também só nas palavras afectuosas, mas no íntimo afecto da alma, manifestado ainda exteriormente, porque o amor se prova com obras. Esta acção na sociedade doméstica não compreende sòmente o auxílio mútuo, mas deve estender-se também, ou melhor, ter em vista sobretudo, que os cônjuges se auxiliem entre si para uma formação e perfeição interior cada vez melhores, de modo que na sua união recíproca de vida progridam cada vez mais na virtude, principalmente na verdadeira Caridade para com Deus e para com o próximo, da qual, afinal, “depende toda a Lei e os Profetas”(Mt 22,40). Em suma, todos podem e devem, seja qual for a sua condição e o honesto modo de vida que tenham escolhido, imitar o modelo perfeitíssimo de toda a Santidade, proposto por Deus aos homens, QUE É NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, e com o auxílio de Deus, alcançar a suma altura da perfeição Cristã, como o provam os exemplos de muitos santos.
Esta mútua formação interior dos cônjuges com a assídua aplicação em se aperfeiçoarem recìprocamente, pode dizer-se, com toda a verdade, como ensina o Catecismo Romano, causa primária e razão de ser do Matrimónio, não se considerando já por Matrimónio, no sentido mais restrito, a instituição destinada à legítima procriação e educação dos filhos, mas, no sentido mais amplo, a comunidade, o uso, e a sociedade de toda a vida.
Com este mesmo amor, devem conciliar-se, tanto os outros direitos, como os outros deveres do Matrimónio, de modo
que sirva não só como Lei de Justiça, mas ainda como norma de Caridade.
Consolidada, enfim, com o vínculo da Caridade, a sociedade doméstica, florescerá, necessàriamente, aquilo que Santo Agostinho chama a ORDEM DO AMOR. Essa ordem implica, por um lado, a superioridade do marido sobre a mulher e os filhos, e por outro, a pronta sujeição e obediência da mulher, não pela violência, mas como recomenda o Apóstolo nestas palavras: “Sujeitem-se as mulheres aos maridos, como ao Senhor, porque o homem é cabeça da mulher, como Cristo é Cabeça da Igreja”(Ef 5, 22,23).»

É recorrente ouvir ou ler nos orgãos de comunicação social a referência a um conceito revelador da profunda incultura, impiedade e falta de preparação intelectual e de rigor da classe jornalística: O de revolução sexual!
Os jornalistas exprimem-se como se a natureza humana tivesse mudado, nem reflectindo sobre a problemática social envolvente.
Não se nega que a invenção da pílula anticoncepcional causou um sensível aumento da corrupção da mulher urbana, que em certos casos enveredou resolutamente por uma “vida de homem”.
A única descontinuidade ontológica da História humana circunscreve-se ao pecado original; pois só este, obliterando a privilegiada condição natural, preternatural e Sobrenatural dos nossos primeiros pais, precipitou o Género Humano numa situação de acentuadíssima tendência para o mal. Essa desgraçada condição humana permanece invariável ao longo dos séculos: O QUE SE ALTERA É O ENQUADRAMENTO CULTURAL! Um exemplo: Ainda há sessenta anos, nos países latinos, havia uma tendencial separação social entre as meninas de família, cuja virgindade se cultivava, e certas elites femininas urbanas sofisticadas, que faziam o que queriam com toda a impunidade, sendo até admiradas pelo seu requinte; separação também das criadas serventes da burguesia urbana, subalternizadas moralmente, pois, entre outras incumbências, serviam de pasto sexual às displicências do patrão, bem como de iniciação carnal aos filhos do patrão; e finalmente, separação das meretrizes, em cujos prostíbulos os burgueses celebravam a sua despedida de solteiro, sem cuidar sequer das doenças venéreas que depois transmitiam às meninas de família, as quais, muito frequentemente, eram tratadas como uma espécie de criada-prostituta. É evidente, que no meio disto tudo, quando havia uma gravidez, o burguês, fosse ele juiz, ministro, empresário ou militar, nem hesitava um só momento, preferindo um aborto à menor perturbação na sua vida. Ora este enquadramento cultural é amoral na maioria dos casos, noutros será imoral, mas de qualquer forma consubstancia- para uma alma bem formada – uma intolerável e hedionda hipocrisia.
Actualmente, já não se nota essa compartimentação entre os diversos tipos de mulher; em primeiro lugar, em consequência da desvalorização da virgindade; note-se contudo, que o culto da virgindade e da honra feminina de outrora (falamos nos países latinos, sobretudo) NÃO SE DEVIA A MOTIVOS RELIGIOSOS DE FÉ CATÓLICA, MAS ÙNICAMENTE AO MACHISMO MAIS REPUGNANTE, QUE SE REVELAVA COMO UMA ESPÉCIE DE RACISMO MASCULINO. Mas essa desvalorização da virgindade constituiu uma IMPOSIÇÃO DA PÍLULA ANTICONCEPCIONAL. Actualmente, os namorados convivem carnalmente, mas a prostituição legalizada, como instituição, decaiu consideràvelmente e há muito menos doenças venéreas, sem contar com a SIDA, que constitui um caso aparte pela sua origem sodomita. As “criadas”, que agora se denominam empregadas domésticas, foram valorizadas, sobretudo, são hoje protegidas pela lei, o que não sucedia no passado. Certamente, como referimos, que há muitas mulheres promíscuas, o que não se pode confundir com a prostituição, mas com o amaldiçoado amor livre, aqui positivamente exercitado pelo sexo feminino, já tendencialmente masculinizado. Além disso, certos costumes urbanos depravados, foram disseminados pelo mundo rural nos últimos sessenta anos, através da televisão, e hodiernamente através das novas tecnologias.
Aqueles que falam da “revolução sexual” são os mesmos incultos que julgam que no passado a humanidade era toda muito virtuosa, não praticava aborto, nem contracepção. COMO É MONSTRUOSO ESTE ERRO! Nos países Latinos, nomeadamente em Portugal, havia há sessenta anos o triplo, pelo menos o triplo, dos abortos que há hoje; a explicação é simples: É QUE O ABORTO ERA CONSIDERADO UM MEIO CONTRACEPTIVO. E muitos daqueles que hoje gritam contra a legalização do aborto, nunca se preocuparam, nem se preocupam, com a chaga do aborto clandestino; a única coisa que lhes interessa são as APARÊNCIAS. A vaga de legalizações do aborto dos últimos sessenta anos, NÃO PROVÉM DE QUALQUER ESPÉCIE DE INCREMENTO DA MALÍCIA HUMANA; CONSTITUI APENAS A CONSEQUÊNCIA DO PROGRESSO DA MEDICINA E DO DESENVOLVIMENTO TÉCNICO DAS FUNÇÕES DO ESTADO. E mesmo nas épocas em que o aborto era, em princípio, ilegal, tal se devia a motivos demográficos, bem como à conservação da saúde reprodutiva da mulher.
Como já referi, embora seja pecado mortal, o convívio carnal entre namorados e noivos, É MENOS GRAVE DO QUE O HÁBITO DO VARÃO EM FREQUENTAR AS MERETRIZES – PARA IR DEPOIS, BESTIALMENTE, INFECTAR A ESPOSA.
Cumpre assinalar, uma problemática deveras importante: Hoje em dia, é perfeitamente legítimo aquilo que durante séculos, legalmente, se apelidou de casamento clandestino; depois proibido pelo Sagrado Concílio de Trento, e mais recentemente, e de forma absoluta, interdito por São Pio X. Neste tipo de matrimónio, a ausência do sacerdote volve-se uma situação comum.
É conhecido como os ministros do Sacramento do Matrimónio são os próprios cônjuges. Neste quadro conceptual, a Santa Igreja,
no seu Código de Direito Canónico (Piano-Beneditino, can.1098), admite que, em casos extraordinários, o Sacramento do Matrimónio prescinda da presença do Pároco e mesmo de qualquer sacerdote, permanecendo apenas duas testemunhas. Neste quadro conceptual, sendo que a Santa Madre Igreja se eclipsou totalmente como realidade social e cultural, sendo que a ex-Fraternidade, pelo menos nas suas chefias, cometeu apostasia, constatando que os bons católicos podem sentir repugnância em incorporar-se numa veste jurídica (o casamento civil) QUE TAMBÉM SERVE A SODOMITAS – ficariam assim encerradas todas as possibilidades matrimoniais para os bons católicos. Se surgir uma oportunidade de convocar um sacerdote da ex-Fraternidade para, independentemente da mesma, presidir ao Santo Matrimónio, tal é absolutamente preferível. Porque a situação eclesiástica que testemunhamos não é apenas extraordinária – É UMA SITUAÇÃO LIMITE!
Regressando à “revolução sexual”, é evidente que tal não aconteceu; o que sucedeu foi uma alteração do paradigma cultural, o que se verifica frequentemente na História da Humanidade, ainda que a aceleração do processo histórico determine actualmente uma correlativa maior progressividade e rapidez na substituição dos paradigmas culturais.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 19 de Agosto de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

SOBRE EL ALMA HUMANA SEPARADA, ES DECIR, DE LOS MUERTOS.

El alma humana separada, es decir, el alma de los muertos, es persona aunque no lo sea completa y perfectamente al estar separada de su cuerpo, aunque Santo Tomás de Aquino al hablar del alma separada, niega que sean personas, pero esto hay que entenderlo en el sentido completo y perfecto de persona; por eso el P. Castellani en su traducción de la Suma Teológica a los cinco primeros tomos de la edición del Club de Lectores hecha en Buenos Aires , en su comentario a la primera parte de la Suma Teológica, cuestión 29, artículo 1, de la respuesta 5, Tomo II, página 40, dice: “Hasta el alma racional, a pesar de su facultad de existir separada del cuerpo, no tiene subsistencia completa, ni se puede llamar persona perfecta”. Con lo cual se evidencia que se debe interpretar como persona no perfecta, o imperfecta, pero persona al fin y al cabo; puesto que como el mismo Santo Tomás dice y prueba, el alma humana por su misma espiritualidad e inteligibilidad es inmortal, por poseer el esse ut actus essendi (el ser como acto de ser) y por eso aunque separada del cuerpo, sigue pensando y conociendo, ya que la inteligencia es una facultad espiritual, intelectual e inmaterial en sí misma. Por eso es el alma espiritual la que conoce y piensa y no el cerebro, ni las neuronas ni ninguna parte material del cuerpo humano, pues, como dice Santo Tomás: “impossibile est quod ejus operatio, quae est intelligere, excerceatur per aliquod órgano corporale”. (De Anima, q.un, a.14). (es imposible que su operación, la cual es inteligir, sea ejercida por algún órgano corporal), aunque el hombre en su conocer racional necesita del cuerpo como instrumento para obtener a través de los sentidos, el fantasma o imagen y sintetizar por vía de la abstracción el concepto o verbo mental por el cual intelige y comprende captando las esencias de las cosas sensibles que componen la realidad que le rodea, pero la actividad intelectual no depende en sí misma de la materia y por eso es una prueba de la inmortalidad del alma, el hecho de que esta tenga o posea la inteligencia; Cayetano, que pasa por ser uno de los mejores comentaristas de Santo Tomás, pero que en realidad no lo fue, no entendía esto; y por eso afirmaba que la inmortalidad del alma humana, no era demostrable filosóficamente, sino que era una verdad revelada y sólo conocida por la fe.
La personalidad o sea lo que constituye a la persona incluida la persona humana, es el esse propio e incomunicable que hace subsistir a la naturaleza racional o intelectual personificándola, ya sea que se trate de la naturaleza humana (racional), la naturaleza angélica intelectual, incluso la misma naturaleza divina de Dios y por eso la definición clásica que Santo Tomás toma de Boecio definiendo a la persona como la sustancia individual de naturaleza racional, pero poniendo el acento en la subsistencia más que en la esencia, ya que la persona es el subsistente racional o intelectual por poseer en propiedad (per se et in se, por sí y en sí) el esse de modo exclusivo, individual e incomunicable; con lo cual debe quedar claro que la persona es un concepto espiritual e intelectual, es decir de subsistir intelectual, que no depende de la materia, por eso los ángeles que no tienen materia pero son seres espirituales,
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singulares e individuales, son persona y también en Dios que hay tres personas divinas. Este aspecto sobre el esse propio que es lo que personifica y hace subsistir es lo que desgraciada y muy lamentablemente, no ha captado la mal llamada Escuela Tomista, que es más bien la escuela Cayetano-Bañeciana que no ha percibido la trascendencia del esse tal como fue visto por el P. Fabro y reconocido por el P. Meinvielle, como aquel mismo relata de manera anecdótica, citado por Elvio Fontana: “Cerrando la conferencia que pronunciara en la Pontificia Universidad ‘Angélico’, con ocasión del homenaje a sus ochenta años, el P. Fabro comentó a modo anecdótico: ‘Me acuerdo de nuestro querido amigo el P. Meinvielle; el P. Meinvielle decía: –¿Es posible, es posible que después de siete siglos de tomismo tan sólo el P. Fabro haya vuelto a entender el acto de ser? ¿Es posible…?’”. (Elvio Fontana, In Memoriam R. P. Cornelio Fabro, ediciones del Verbo Encarnado, San Rafael, Mendoza, Argentina, 1995). Y uno de los discípulos y amigos del P. Fabro, Andrea Dalledonne, a quien le pregunté sobre la anécdota en cuestión, me respondió con estas palabras en carta del 7 de octubre 1996: “…puedo confirmarle que eso es verdad. Me lo narró en esos mismos términos el P. Fabro en uno de sus últimos coloquios conmigo”.
El alma separada de los muertos, lo que no tiene es la parte material de la esencia humana: el cuerpo, pero sí tiene la parte formal que es el alma y por eso tiene lo formal aunque sin lo material de la persona humana y así es una persona humana, pero incompleta e imperfecta, pero es persona, puesto que no es un fantasma, es un ente personal que conoce y es inmortal; luego el alma es inmortal porque tiene el esse propio subsistente; así Santo Tomás dice: “Si ergo sit aliqua forma quae sit habens esse, necesse est illam formam incorruptibilem esse”. (De Anima, q. un. , a.14). (Luego, si alguna forma tiene ser (esse), necesariamente esa forma es incorruptible).
“Unde si id quod habet esse, sit ipsa forma, impossibile est quod esse separetur ad eo”. (De Anima, q. un. , a.14). (Por tanto, si lo que tiene ser (esse) es la forma
misma, es imposible que el ser (esse) se separe de él).
La personalidad no viene ya así de la materia, sino de la subsistencia que da el esse propio que tiene el alma como forma subsistente por sí y en sí mismo de modo inseparable. La materia no es intelectual, es la forma espiritual la que piensa, no el cerebro, aunque se necesita de éste para conocer por los sentidos. Pero la actividad intelectual no es material, sino que es eminentemente espiritual y de ahí su espiritualidad e inmortalidad.
El alma separada conoce y piensa aunque al no tener el cuerpo, no adquiera nuevos conocimientos provenientes a través de los sentidos con los que capta la realidad sensible, pues como dice Santo Tomás, el alma es la que conoce: “Intelligere est máxima et propria operatio animae”. (De Anima, q. un., a.15, sed contra). (Entender es la propia y máxima operación del alma).
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“Anima est talis forma, quae habet esse non dependens ab eo cujus est forma”. (De Anima, q. un., a.14, ad 9). (El alma es una forma de tal índole que tiene el ser (esse) sin depender de aquello de lo cual es forma).
“Non est intelligere sine phantasmata, intelligitur quantum ad statum praesentis vitae in quo hommo intelligit per animam; alius autem modus erit intelligendi anima separata”. (De Anima, q.un, a.14, ad.14). (No hay intelección sin imágenes, se entiende en cuanto al estado de la vida presente, en que el hombre entiende a través del alma; pero la intelección del alma cuando esté separada, será de otra manera).
“Potest ergo anima per species prius a quisitas intelligere”. (De Anima, q. un., a.15, sed contra 2). (Luego, el alma Puede entender mediante las especies adquiridas antes).
“Quando ergo anima erit a corpore totaliter separata, plenios percipere poterir influentiam a superioribus substantiis”. (De Anima, q. un., a.15). (Cuando el alma esté totalmente separada del cuerpo, más plenamente podrá percibir el influjo de las sustancias superiores).
Absurdo es que el alma separada, siendo inmortal y conociendo, no sea persona (las acciones son del supósito) aunque no lo sea completa y perfectamente sin el cuerpo, Cuando Santo Tomás niega que el alma separada sea persona, se debe entender que no lo es de modo pleno, completo y perfecto, y así hay que entenderlo que es persona de manera incompleta e imperfecta, pues de no ser persona, ¿cómo va a purgar en el purgatorio por los pecados y deudas cometidos por la persona en la tierra? ¿Cómo los santos en el cielo van a gozar de la virtud eterna sin gozar como personas? ¿Cómo las almas de los condenados en el infierno van a sufrir el justo castigo por los pecados que cometió la persona? Todos los absurdos saltan a la vista y lleva a tener que afirmar que las almas de los muertos siguen siendo personas aunque incompleta e imperfectamente; personas al fin y al cabo porque con su propia subsistencia y conocimiento siguen siendo inmortalmente.
Toda la comunión de los santos, sería un absurdo, pues no sería entre personas, la Iglesia militante, la Iglesia triunfante y la Iglesia purgante no serían una comunión entre personas, sino más bien entre fantasmas, al igual que todas las peticiones y oraciones hechas a los santos, las misas y oraciones por los difuntos no serían interrelaciones personales, luego el mismo proceder de la Iglesia conlleva y exige a considerarlas como seres personales y no como otra cosa.
Por esto Louis de Raeymaker bien decía: “Es preciso concluir de aquí que el hombre conserva su personalidad después de la muerte corporal, puesto que continúa subsistiendo en su alma, por lo demás, sigue viviendo y por tanto, ejercitando una actividad inmanente: actiones sunt suppositorum (…) El hombre sobrevive a la muerte corporal: en su alma, su vida prosigue eternamente. En este

estado de alma separada continúa ‘subsistiendo’; no cesa de ser un ‘supuesto’, un ser subsistente; es decir, existe gracias a su esse proprium”. (Filosofía del Ser, ed. Gredos, Madrid 1968, p. 273-274, nota 26).
Debemos tener presente que el alma separada (aun siendo una persona imperfecta e incompleta) conoce más perfectamente la realidad espiritual angélica, que cuando está en esta vida unida al cuerpo y es persona perfecta en su completa naturaleza, pues así dice Santo Tomás: “Quod anima unita corpori est quodammodo perfectio quam separata, scilicet quantum ad naturam speciei; sed quantum ad actum intelligibilem habet aliquam perfectionem a corpore separata quam habere non potest dum est corpori unita”. (De Anima, q. un., a.17, ad 1.). (El alma unida al cuerpo es en cierto modo más perfecta que separada; es decir, en cuanto a la naturaleza específica; pero en cuanto al acto inteligible, tiene una mayor perfección estando separada del cuerpo que no puede tener estando unida al cuerpo), puesto que el intelecto no es acto de algún órgano corporal: “Intelectus enim non est actus alicujus organi corporalis” (De Anima, q. un., a.17, ad 1).
Y tanto es así, que Santo Tomás afirma que la perfección última del conocimiento natural del alma humana, consiste en inteligir las sustancias separadas: “Quod ultima perfectio cognitionis naturalis animae, haec est ut intelligat substantias separatas”. (De Anima, q.1, a.17, ad.3).

P. Basilio Méramo Bogotá, 17 de Agosto de 2019

SERÁ MORALMENTE LEGÍTIMO ASPIRAR A CARGOS ELEVADOS?

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Menti Nostrae”, promulgada em 23 de Setembro de 1950:

«O primeiro impulso que deve mover o espírito sacerdotal há-de ser o de unir-se estreitamente ao Divino Redentor, para aceitar dòcilmente e em toda a sua integridade os Divinos ensinamentos, bem como aplicá-los diligentemente em todos os momentos da sua existência, de forma que a Fé seja constantemente a Luz da sua conduta e a sua conduta o reflexo da Fé.
Seguindo a Luz dessa virtude, ele terá o seu olhar fixo em Cristo e seguirá Seus ensinamentos e exemplos, ìntimamente persuadido de que para si não é suficiente limitar-se a cumprir os deveres a que estão obrigados os simples fiéis, mas DE QUE DEVE TENDER COM FORÇA CADA VEZ MAIOR ÀQUELA SANTIDADE QUE A DIGNIDADE SACERDOTAL EXIGE, SEGUNDO A ADVERTÊNCIA DA SANTA IGREJA: “OS CLÉRIGOS DEVEM LEVAR VIDA MAIS SANTA DO QUE OS LEIGOS E SERVIR PARA ESTES DE EXEMPLO NA VIRTUDE E NO MODO RECTO DE AGIR”(Cod.Dir.Can. c. 124).
Porque deriva de Cristo, deve por isso a vida sacerdotal dirigir-se toda e sempre para Ele. Nosso Senhor Jesus Cristo é o Verbo de Deus, que não desdenhou assumir a natureza humana; que viveu a Sua vida terrena para cumprir a vontade do Pai Eterno; que em torno de Si difundiu o perfume do lírio; que viveu na pobreza e “Passou fazendo o Bem e curando a todos”(At 10,38); que enfim, Se imolou como Hóstia pela Salvação dos Seus irmãos. Eis, dilectos filhos, a síntese daquela admirável vida; esforçai-vos por reproduzi-La em vós, recordando a exortação: “Dei-vos o exemplo, para que, como Eu vos fiz, assim façais também vós”(Jo 13,15).
O início da perfeição Cristã está na humildade: “Aprendei de Mim porque Sou manso e humilde de coração”(Mt 11,29). Observando a altura a que fomos elevados, pelo Baptismo e a Ordenação Sacerdotal, a consciência da nossa miséria espiritual nos deve induzir a meditar na Divina Sentença de Jesus Cristo: “Sem Mim nada podeis fazer”(Jo 15,5).
Não confie o sacerdote em suas próprias forças, nem se deslumbre com seus próprios dotes, NÃO PROCURE A ESTIMA E O LOUVOR DOS HOMENS, NÃO ASPIRE A CARGOS ELEVADOS, MAS IMITE A CRISTO, O QUAL NÃO VEIO “PARA SER SERVIDO, MAS PARA SERVIR” (Mt 20,28); e renuncie a si mesmo, consoante o ensinamento do Evangelho (Mt 16,24), apartando o espírito das coisas terrenas, para seguir mais livremente o Mestre Divino. Tudo aquilo que tem e tudo quanto é procede da Bondade e do Poder de Deus: Se pretende, portanto, gloriar-se, recorde-se das palavras do Apóstolo: “Quanto a mim, em nada me gloriarei, senão nas minhas fraquezas”(IICor 12,5).(…)
O sacerdote possui como campo da sua própria actividade tudo o que se refere à vida Sobrenatural, e é o orgão de comunicação e de incremento da mesma vida no Corpo Místico de Cristo. É necessário, por isso, que ele renuncie a “tudo quanto é do mundo”para cuidar sòmente “daquilo que é de Deus”(ICor 7,32-33). E é exactamente para estar livre das preocupações do mundo, para se dedicar todo ao serviço Divino, que a Santa Igreja estabeleceu a Lei do celibato, a fim de que ficasse sempre manifesto a todos que o sacerdote é ministro de Deus e pai das almas. Com a Lei do celibato, o sacerdote, ao invés de perder o dom e o encargo da paternidade, aumenta-o ao infinito, pois se não gera filhos para esta vida terrena e caduca, gera-os para a vida Celeste e Eterna.»

Meditemos agora nestas palavras da Sagrada Escritura:

«Em seguida não lhes bastou errarem acerca do conhecimento de Deus, mas também vivendo em grande guerra da ignorância, dão a tão grandes males o nome de paz!
Celebrando ritos infaticidas, ou mistérios clandestinos, ou furiosas orgias de ritos exóticos, não guardam puros, nem o proceder, nem as núpcias:
Um elimina o outro de emboscada, ou o ultraja com adultérios.
Há por toda a parte, numa confusão total, sangue e homicídio, latrocínio e fraude, corrupção, deslealdade, turbulência, perjúrio, vexação dos bons, ingratidão dos beneficiados, conspurcação das almas, inversão dos sexos, desordem nos matrimónios, adultérios e despudor.»
LIVRO DA SABEDORIA 14, 22-27

Toda a criatura espiritual foi criada para glorificar, formal e extrìnsecamente a Deus Nosso Senhor – amando-O e servindo-O!
Os seres humanos, em particular, encontram-se na Terra, não para gozarem desordenadamente dos bens materiais, das funções que desempenhem, das honras e das criaturas em geral, MAS PARA TUDO RECTIFICAREM À LUZ SOBRENATURAL DE DEUS UNO E TRINO E TUDO A ELE CONSAGRAREM.
As riquezas, em si mesmas, não são um mal, pelo contrário, constituem um Bem, que devemos ordenar para a Glória de Deus e a Salvação das almas. São Tomás de Aquino, nos seus comentários ao Evangelho de São João, afirma que Nosso Senhor Jesus Cristo operou os Seus milagres (por exemplo: A multiplicação dos pães, as Bodas de Caná, O PRÓPRIO SANTÍSSIMO SACRAMENTO DO SEU CORPO) não criando do nada, mas edificando sobre a substância já criada; tudo para anunciar que a matéria é, em si mesma, ontològicamente, boa e sã.
Infelizmente, É A PERVERSÃO MORAL DOS HOMENS QUE TUDO CONTAMINA COM A SUA BABA IMUNDA. Nosso Senhor jamais condenou a riqueza, em si mesma, mas sim os maus ricos que a não sabem possuir, por ela se deixando, miseràvelmente, adictivamente, corromper, o que sucede quase sempre.
Com o poder sucede exactamente a mesma coisa. Como já tenho referido, no Paraíso Terrestre os homens teriam de trabalhar, embora tal lhes não fosse penoso; seriam organizados numa sociedade hierárquica, embora a autoridade nela constituída exercesse um Poder essencialmente não coactivo. Consequentemente, e ao contrário do que muita gente pensa, NA PAZ E FELICIDADE ORIGINAL EXISTIRIAM ESTRUTURAS FUNCIONAIS DE AUTORIDADE E DE PODER, MAS QUE OPERARIAM, COM, E NA LUZ SOBRENATURAL DE DEUS, SOBRE SUJEITOS IGUALMENTE IMERSOS NESSA LUZ INFINITA. Deste enquadramento se deduz que no Paraíso Terrestre o exercício da autoridade no Poder não coactivo jamais provocaria conflitos ou sequer descontentamento. DEUS SENDO, É UMA NECESSIDADE METAFÍSICA QUE HAJA O PRINCÍPIO DA AUTORIDADE.
Desgraçadamente, neste paupérrimo mundo, a autoridade e o Poder são, quase sempre, constituídos e exercidos em NEGATIVO INFERNAL. OS HOMENS PERVERSOS SERVEM-SE DO PODER, E ATÉ POR VEZES DA AUTORIDADE, QUE POSSUEM PARA COMETEREM IMPUNEMENTE OS SEUS CRIMES.
Autoridade e Poder são conceitos diferentes: Autoridade é o ascendente natural de uns homens sobre outros, que em princípio e formalmente só poderia derivar da superioridade, NA VERDADE, religiosa, moral, intelectual, cultural ou científica, MAS QUE NÓS VERIFICAMOS, MUITO FREQUENTEMENTE, PROMANAR DA MAIOR ASTÚCIA NA PRÁCTICA DO MAL. Evidentemente, aqui trata-se sòmente de uma autoridade em negativo infernal; embora possa tratar-se de uma autoridade apenas MATERIALMENTE considerada, consoante o grau de malícia dos homens. O Poder será então a faculdade efectiva de mobilizar as vontades alheias num determinado sentido e dentro de um campo de acção mais ou menos extenso. O PODER SÓ SERÁ NÃO COACTIVO SE ASSENTAR SÒMENTE, EXCLUSIVAMENTE, NA VERDADEIRA AUTORIDADE, O QUE NESTE MUNDO SÓ SERÁ POSSÍVEL EM COMUNIDADES EXTREMAMENTE PEQUENAS, PORQUE IMPLICA QUE GOVERNANTE E GOVERNADOS PARTICIPEM TODOS, EM ALTÍSSIMO GRAU, DOS BENS SOBRENATURAIS.
Neste mundo, o grau de autoridade, de verdadeira autoridade, não desemboca, automàticamente, num determinado grau correspondente de Poder, porque tal depende, essencialmente, da relação de força bruta e força armada, à disposição dos diversos grupos humanos.
Quando o autor destas linhas contava 14 anos, um seu professor de História expendeu na aula a seguinte sentença: “Fiquem sabendo que neste mundo quem vence não é quem tem razão, mas sim quem tem força.” E eu, de imediato, concluí: Se é assim, PARA QUÊ VIVER?
Contudo, à Luz Bendita da Fé Católica, sabemos que nada houve, nem haverá, de tão perseguido como a Verdade e a Santidade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Por conseguinte, a resposta à questão que serve de epígrafe a este artigo, será: Podemos, legìtimamente, aspirar a possuirmos certa autoridade e correspondente Poder, SE TAL SERVIR, SOBRENATURALMENTE, PARA MAIOR GLÓRIA DE DEUS E SALVAÇÃO DAS ALMAS. Então, devemos solicitar a Deus Nosso Senhor para que jamais permita que sucumbamos à menor corrupção do raciocínio funcional.
Quando o Cardeal Sarto, em Agosto de 1903, foi eleito Papa, ele que havia suplicado aos Cardeais que não pensassem nele, dizendo:”Tende em conta que não aceitarei, sou indigno”; reconsiderou, declarando: “Aceito o Pontificado como uma Cruz, e como os últimos Papas que sofreram pela Santa Igreja se chamavam Pio, escolho esse nome.” Mais tarde, foram-no encontrar desmaiado, e frequentemente chorava.
Mesmo um cargo civil pode, E DEVE, ser aceite com os olhos postos na Glória de Deus e na Salvação das almas. Cito, por exemplo, o Presidente Garcia Moreno do Equador, posteriormente assassinado pela maçonaria em 1875, bem como o próprio Generalíssimo Franco (1892-1975), designado chefe do Estado após a morte dos generais Sanjurjo e Molla. Recuando bastante, encontramos São Luís IX (1214-1270), Rei dos Franceses, que projectou duas Cruzadas; O Imperador Henrique II (973-1024), cuja esposa Cunegunda também foi canonizada; Fernando III o Santo (1200-1252), que unificou definitivamente os reinos de Leão e Castela. Todavia, mesmo em tempos de Cristandade, a esmagadora maioria dos Reis e Imperadores foram pessoalmente indignos, possuindo a paixão desordenadíssima do Poder e das riquezas. Tal como hoje: Os homens de partido procuram apenas servir-se do poder político para granjearem um prestígio que não merecem e para enriquecerem pessoalmente; na exacta medida em que a corrupção do raciocínio funcional na esfera política e muito mais indetectável do que idêntica corrupção na esfera administrativa.
Foi a Santa Madre Igreja, que ao longo dos séculos, incessantemente pregou o carácter EMINENTEMENTE PÚBLICO DO PODER POLÍTICO, a todos aqueles tiranos que consideravam tal poder apenas como uma coutada puramente pessoal.
Nosso Senhor ensinou-nos que a autoridade e o Poder só podem ser exercidos, objectivamente, como um serviço à comunidade, mas sempre com a finalidade suprema da Glória de Deus e da Salvação das almas. Por sua vez, a obediência a tal autoridade só se justifica e é religiosamente exigível pelos mesmos motivos – POIS SÃO A FÉ, A ESPERANÇA E A CARIDADE QUE FUNDAMENTAM A OBEDIÊNCIA, TODA A OBEDIÊNCIA, E NÃO O CONTRÁRIO.
O carácter intangível de qualquer autoridade pública, religiosa ou civil, é absolutamente indissociável do seu vínculo à Verdade e Santidade da Fé Católica.
Tanto glorifica a Deus, servindo a comunidade, aquele que legìtimamente ordena, como aquele que legìtimamente obedece. Perante o Juízo de Deus, as autoridades humanas, mesmo as mais elevadas, quer na ordem religiosa, quer na ordem civil, não podem apresentar qualquer outro título válido de Eternidade Bem-Aventurada, a não ser o próprio testemunho que prestaram de Nosso Senhor Jesus Cristo. As supremas honrarias e o grande poder que receberam na Terra, EM SI MESMAS, NADA VALEM PARA O CÉU, podendo até mesmo constituir um factor agravante da sua responsabilidade moral perante Deus Nosso Senhor. No Céu já não haverá reis nem súbditos, mas apenas almas mais ou menos santas, mas todas essencialmente santas – PORQUE NO CÉU SÓ HÁ SANTOS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 15 de Agosto de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A RECONQUISTA DA INTEGRIDADE HUMANA NO CORPO E NA ALMA

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Exeunte Iam anno”, promulgada em 25 de Dezembro de 1888:

«A substância e o eixo da vida Cristã consistem em não secundar os costumes corrompidos do século, MAS EM CONTRASTÁ-LOS COM FIRMEZA VIRIL. Isso é o que nos ensinam as palavras e os factos, as Leis e as Instituições, a vida e a morte de Jesus “AUTOR E REALIZADOR DA FÉ”. Portanto, por quanto o estrago da natureza e dos costumes nos leve para outro lugar, longe da meta, é preciso que corramos com perseverança para ” o combate que nos é proposto”, aguerridos e prontos com aquela coragem e aquelas armas com as quais Ele, “em vez da alegria que Lhe foi proposta -sofreu a Cruz”(Hb 12, 1-2). Portanto, vejam e compreendam os homens quanto está afastado da Profissão da Fé Cristã, seguir, como se faz hoje, toda a sorte de prazeres e fugir das fadigas, companheiras das virtudes, e nada recusar a si mesmo daquilo que com prazer e delicadeza alicia os sentidos. “POIS OS QUE SÃO DE CRISTO CRUCIFICARAM A SUA CARNE COM SUAS PAIXÕES E SEUS DESEJOS”(Gl 5,24): Daí deriva que não são de Cristo os que não se exercitam nem se acostumam a sofrer, desprezando as molícies e a volúpia. O homem, pela bondade infinita de Deus, foi restituído à Esperança dos Bens imortais, dos quais tinha decaído, mas não os pode conseguir a não ser percorrendo os passos de Cristo, meditando Seus exemplos, conformando a Ele o coração e os costumes. Portanto, isso não é um conselho, mas um dever, E NÃO SÒMENTE PARA AQUELES QUE ABRAÇARAM UM GÉNERO DE VIDA MAIS PERFEITO, MAS PARA TODOS “TRAZER EM NOSSO CORPO A AGONIA DE JESUS”(IICor 4,10).
De outra forma, como poderia permanecer firme a própria Lei da Natureza, que manda ao homem viver virtuosamente? Com efeito, com o santo Baptismo é cancelada a culpa contraída pelo nascimento, mas nem por isso são eliminados os brotos ruins enxertados pelo pecado. A parte irracional do homem, ainda que não possa prejudicar a quem, MEDIANTE A GRAÇA DE CRISTO, se lhe opõe virilmente, contrasta, contudo, com o reino da razão, turva a paz da alma, arrastando, tiranicamente, a vontade para longe da virtude, com tal força, que sem a luta quotidiana não podemos fugir do vício nem cumprir com os nossos deveres. “O Santo Concílio reconhece e declara que nos baptizados permanece a concupiscência, aquele estímulo que deixado ao homem para a luta, não pode prejudicar a quem não se rende, mas pelo contrário, o repele virilmente com a Graça de Jesus Cristo; quem combater devidamente será coroado” (Concílio de Trento, Sessão 5, can. 5).
Nessa batalha, há um grau de força ao qual não chega senão uma virtude excelente, isto é, a daqueles que ao combater os movimentos contrários à razão, avantajam-se de tal forma, que parecem levar, aqui na Terra, uma vida quase celestial. Ainda que tal relevante perfeição seja de poucos, contudo, como ensinava a própria filosofia antiga, ninguém deve deixar suas paixões sem freios, de forma especial aqueles que ao utilizar cada dia as coisas terrenas, estão mais expostos aos perigos dos vícios, a não ser que alguém pense estultamente que deva ser menor a vigilância onde é mais eminente o vício, ou que necessitem menos de remédio os que são mais gravemente doentes.
Quanto à fadiga que é sustentada nessa luta, É COMPENSADA ALÉM DOS BENS CELESTES E IMORTAIS, TAMBÉM POR OUTRAS GRANDES VANTAGENS, CUJA PRIMEIRA É QUE, REGULADOS OS APETITES DO HOMEM, RESTITUI-SE MUITÍSSIMO À NATUREZA DA SUA DIGNIDADE PRIMITIVA. Efectivamente, o homem foi criado com esta Lei e esta Ordem, que a alma domine o corpo, e a cupidez seja governada pela razão e o bom senso. Disso deriva, que O NÃO ENTREGAR-SE ÀS PAIXÕES TIRÂNICAS SEJA A LIBERDADE MAIS SUBLIME E DESEJADA.
Além do que, sem aquela disposição de ânimo, não se vê o que se possa esperar de bem na própria sociedade humana. Por acaso, pode ser inclinado a beneficiar os outros QUEM ESTÁ ACOSTUMADO A MEDIR, PELO AMOR DE SI MESMO, SOBRE O QUE DEVE FAZER OU EVITAR? NINGUÉM QUE NÃO SAIBA DOMINAR-SE, DESPREZANDO TODAS AS COISAS HUMANAS POR AMOR À VIRTUDE, PODERÁ ALGUMA VEZ SER MAGNÂNIMO, OU BENÉFICO, MISERICORDIOSO E DESINTERESSADO.»

Os apetites da sensibilidade humana, o concupiscível e o irascível, são bons em si mesmos, porque foram criados por Deus como integrantes da natureza humana. Os movimentos desses apetites, que denominamos paixões, no estado de integridade do Paraíso Terrestre, concorriam suavemente com a razão cognitiva e volitiva, na produção do mais excelso agível humano. Não são os movimentos das paixões sensíveis que são maus, mas sim o facto deles se processarem desordenadamente, sem terem em conta o veredicto rectificado da razão, esta igualmente debilitada, enquanto deve constituir expressão da Lei Eterna. O pecado original colocou em letal conflito os movimentos sensíveis com a soberania da vontade, esta também enlanguescida, enquanto apetite racional, sendo que a vontade necessita ser iluminada pela Graça, Medicinal, Actual e Santificante, e até pelos Dons do Espírito Santo, para assim, Sobrenaturalmente elevada, não apenas reflectir, mas participar da Inteligência e da Santidade Divina. No Paraíso Terrestre, quer a sensiblidade quer a inteligência, quer a vontade, todas se hierarquizavam no sentido da Verdade e do Bem; e assim procediam com toda a facilidade, toda a prontidão, toda a eficácia. A virtude Sobrenatural era extremamente fácil, o pecado extremamente difícil. A gravidade do pecado de Adão, que transtornou toda a nossa natureza, reside precisamente na penosidade que representou, para os nossos primeiros pais, a violação da Lei de Deus, ou seja, haverem pretendido ultrapassar os limites ontológicos e teológicos da sua privilegiada condição, assim prescindindo de Deus e da Sua Santíssima Lei. Consequentemente, e ao contrário do que afirmaram Padres dualistas, como São Gregório Nisseno (335-394), Deus Nosso Senhor criou o homem na sua integridade global, como animal racional. São Gregório Nisseno ensinava que Adão e Eva teriam sido, em princípio, criados assexuados, reproduzindo-se como os Anjos (?); mas que em virtude do pecado original, por antecipação e previsão do mesmo pecado, haviam, consequentemente, sido criados sexuados. São Tomás nega, vigorosamente, todo esse dualismo puritano, acrescentando até, que na Eternidade os corpos ressuscitados serão sexuados, ainda que, evidentemente, a função procriativa já esteja absolutamente ultrapassada. A dita função reprodutiva não constitui um mal menor, mas UM BEM POSITIVO; só que em virtude do pecado original, o apetite concupiscível foi extremamente abalado, sendo a inteligência e a vontade igualmente debilitadas.
Sòmente a Graça que nos foi merecida na Cruz por Nosso Senhor Jesus Cristo, nos pode e deve, curar, reabilitar, elevar, e como afirma o Papa Leão XIII no texto acima transcrito, restaurar, tendencialmente, na inocência original. Efectivamente, os Bens Sobrenaturais da alma repercutem-se, necessàriamente, também no corpo, regenerando todo o composto psico-orgânico-espiritual, sarando em grande parte a ferida na natureza – E COMUNICANDO-NOS A VERDADEIRA LIBERDADE! Efectivamente, a liberdade consiste na faculdade de nos movermos na Verdade e no Bem. A fealdade do pecado e do erro teológico e filosófico entenebrece e opacifica a nossa alma, rouba-lhe o vigor, a agilidade e a transparência espiritual. É necessário que nos assemelhemos – tanto quanto permite a nossa natureza não imaculada – a Maria Santíssima – a mais livre e santa de todas as criaturas. É certo que a culpa original exige em nós, sempre auxiliados pela Graça, um grande e penoso esforço inicial – que não existiu em Maria Santíssima – para nos ordenarmos, Sobrenatural e eficazmente para Deus Nosso Senhor; mas quanto mais rica for essa conversão, menos difícil será, ulteriormente, o nosso peregrinar para o Altíssimo, menos difícil será o cumprimento dos Mandamentos, e mais inefável felicidade Sobrenatural granjearemos, mesmo neste mundo. Quanto mais ascendemos para Deus, MAIS SOMOS ATRAÍDOS POR ELE, E MAIS FÁCIL SE TORNA A CAMINHADA. O que não exclui, bem pelo contrário, grandes sofrimentos, sobretudo de ordem moral, nomeadamente o abandono das criaturas. Devemos sempre contemplar em como o nosso Princípio só pode ser o nosso Fim, quanto mais o reconhecermos, mais integralmente Sobrenatural será o nosso operar. Aqueles que consideram as exigências da Fé Católica uma dolorosa miséria, impossível de assimilar, esses de certeza que não possuem a Graça Santificante, e muitos nem mesmo a Fé Teologal.
Tendo em conta o que fica dito, não nos devemos surpreender, de que a tendencial reintegração da totalidade do composto humano na sua inocência original revigore a inteligência natural e filosófica. Tal sucede, EXTRÌNSECAMENTE, em virtude da Graça Santificante e das Virtudes Teologais e Morais; robustecendo e sarando a natureza, lògicamente restaurará as suas faculdades, mesmo as sensíveis, como o concupiscível e o irascível, e até mesmo no plano fisiológico, como ficou dito. São Tomás de Aquino e Santo Agostinho constituem grandes exemplos do que acabo de afirmar. Mas com uma diferença: Aquando das grandes perseguições contra o Tomismo, Santo Agostinho terá aparecido a certo doutor, declarando: A Doutrina de Tomás é melhor do que a minha, porque é a Doutrina de um homem virgem. E efectivamente, nos escritos de Santo Agostinho, transparece, por vezes, um certo corporalismo, que não existe em São Tomás de Aquino.
O ser humano, perfeitamente ordenado, possui a medida exacta de energia do móbil concupiscível e irascível, necessária ao exercício adequado dos actos de inteligência e sobretudo dos actos de vontade. Neste quadro conceptual se compreende que por vezes o varão, legìtimamente, beba, a fim de encontrar a energia do móbil da coragem, que lhe está faltando.
Regressando a São Gregório Nisseno, o leitor interrogar-se-á: Como pode ser santo se cometeu o grave erro filosófico e teológico do dualismo? O dualismo deste Padre da Igreja é, apesar de tudo, bastante moderado; mas, fundamentalmente, tem a atenuante de na sua época o Dogma Católico, bem como a sã Filosofia encontrarem-se ainda relativamente pouco explicitados. Neste ponto, realmente, São Gregório de Nissa falhou; todavia brilhou no conjunto da sua antropologia, situando o homem como síntese entre o mundo sensível e o mundo espiritual; defendendo a perfeita unidade da forma substancial no homem, formalmente racional e virtualmente sensitiva e vegetativa; considerando o mal moral como privação qualificada de ser; aproximando-se muito da Tese Tomista sobre a unidade perfeita, ontológica e transcendental, da Criação por Deus do binómio corpo-alma, bem como do facto do embrião possuir já, quase virtualmente, pré-formado todo o seu ser adulto; considerando ainda o universo, na excelência da sua hierarquia e na esplêndida unidade da sua diversidade.
Finalmente, há que ressalvar, que quando os homens não irradiam, individualmente, a sua integridade Sobrenatural e natural, o corolário será uma sociedade espiritual e materialmente doente.
Um dos grandes pecados dos homens de Igreja ao longo dos séculos, consistiu na preocupação desordenada com as aparências exteriores, olvidando negligentemente o que verdadeiramente é importante: A vida Sobrenatural das almas, o Amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus. Foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo Quem nos ensinou que: “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, quando por dentro estão cheios de rapina e de maldade. Fariseu cego, limpa primeiro por dentro o copo e o prato, a fim de que o exterior fique limpo também” (Mt 23, 25-26).

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 12 de Agosto de 2019

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Veritati Catholicæ

Non Habemus Papam. Em defesa da verdadeira Igreja Católica. Contra a falsa igreja ecuménica de Mário Bergoglio

Novus Ordo Watch

Fátima e a Paixão da Igreja