Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

SERÁ QUE A IGREJA SEM PAPA PERMANECE AINDA INFALÍVEL?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Debrucemo-nos sobre passagens da encíclica “Satis Cognitum”, promulgada pelo Papa Leão XIII, no dia 29 de Junho de 1896:

«Por isso Jesus Cristo convidou todos os mortais presentes e futuros, para que O seguissem como Salvador e Chefe, e não sòmente como indivíduos particulares, mas também como associados e realmente unidos, juntos de coração, para formar de uma multidão um povo jurìdicamente constituído em sociedade, e uno pela unidade da Fé, de meios, de Fim, e de hierarquia. Assim dotou a Igreja de todos aqueles princípios naturais que originam a sociedade humana, na qual os indivíduos atingem a perfeição própria da sua natureza; Ele pois conferiu à Igreja tudo o que é necessário para que todos os que queiram ser filhos adoptivos, possam conseguir uma perfeição conforme à sua dignidade, e obter a salvação. Portanto, a Santa Igreja, como mencionamos noutro lugar, é guia para as coisas celestes, e Deus a ela encarregou que providenciasse e estabelecesse o que diz respeito à religião, e que governasse com poder próprio, e com toda a liberdade, a sociedade cristã. Por isso, ou não conhecem bem a Igreja, ou caluniam-na, os que a acusam de querer intrometer-se nas coisas civis, ou invadir os direitos do Estado. Mais ainda, Deus fez que a Igreja fosse de longe superior a todas as outras sociedades; efectivamente, o Fim a que tende é muito mais excelso do que aquele ao qual tendem as outras sociedades, quanto a Graça supera a natureza, e os bens imortais superam os caducos (…)

É evidente que por vontade e mandato de Deus, a Igreja seja fundada sobre Pedro, como um edifício sobre seu fundamento. Ora a natureza e a força do fundamento consiste em fazer com que as diversas partes do edifício se mantenham ligadas entre si, e que à obra seja necessário aquele vínculo de estabilidade e firmeza, sem o qual todo o edifício cai em ruínas.

É portanto próprio de Pedro sustentar e conservar unida e firme a Igreja, num conjunto indissolúvel. Mas quem pode cumprir uma tarefa tão grave sem o poder de mandar, proibir e julgar, que verdadeira e pròpriamente se denomina Jurisdição? Efectivamente, sòmente em virtude desse poder se sustentam as cidades e os Estados. Uma primazia de honra, e aquela faculdade frágil de aconselhar e admoestar, que se denomina direcção, não podem ser muito úteis, nem para a unidade, nem para a firmeza. O poder de que falamos, nos é indicado e confirmado por estas palavras:

“E as portas do Inferno não prevalecerão contra ela”.»

 

A Igreja Eterna, na sua tripla condição – de militante, de padecente e de gloriosa, Pessoa Moral de Direito Divino, na plenitude da Sua Divina Constituição, já encerra, em si mesma, a Cátedra de São Pedro, com todas as suas prerrogativas de infalibilidade. Efectivamente, no plano de Direito, a Santa Madre Igreja nunca pode ser separada do seu orgão supremo.

A Igreja militante, temporal, detém, necessàriamente, a faculdade de legislar sobre o processo a empregar para dotar a Cátedra de São Pedro do respectivo suporte – o Papa.

Esse processo modificou-se um pouco ao longo do tempo, como é natural, pois não constitui, em si mesmo, matéria de Direito Divino Sobrenatural.

O Papa é Papa porque é o Bispo de Roma, e não o contrário; não se trata de um acaso, ou de um jogo de palavras. Na realidade é de DIREITO DIVINO A ROMANIDADE DA SANTA IGREJA CATÓLICA; mesmo durante o cativeiro de Avinhão (1307-1377) os Papas continuaram titulares da Diocese Romana. Isto acontece, porque São Pedro tendo ido para Roma, aí estabeleceu e centralizou verdadeiras estruturas episcopais, pelas quais, por inerência, passaram também a correr os assuntos concernentes à Igreja Universal. Por isso a Diocese Romana é a Mãe de todas as dioceses e a matriz da Catolicidade da Santa Igreja.

Neste quadro conceptual, o Bispo de Roma era eleito, nos primeiros mil anos da História da Igreja, como qualquer outro Bispo. É um erro gigantesco afirmar que em épocas passadas o Papa “era eleito democràticamente”. O que acontecia era que para a escolha de um Bispo, portanto também o de Roma, eram auscultados os desejos dos representantes mais qualificados do povo, e numa escala mais elevada, era também consultado o clero diocesano, mas quem decidia em derradeira instância eram os Bispos da Província Eclesiástica respectiva.

Já nos Actos dos Apóstolos (Act 6,3-7) observamos como os mesmos Apóstolos consultavam os representantes populares acerca de quem lhes parecia ser digno de receber o diaconado; e São Paulo, na primeira carta a Timóteo, dizia: “É necessário obter o bom testemunho daqueles que são de fora” (I Tim 3,7).

Dada a composição e estrutura da sociedade de então, uma tal consulta revelava-se um óptimo meio de evitar os indignos e captar as pessoas idóneas e piedosas.

Infelizmente o poder temporal logrou  intrometer-se na eleição do Papa. Tendo sido regularmente eleito o Papa São Bonifácio I (418-422); o Imperador Honório foi chamado a decidir pela validade da eleição, que havia sido contestada por um anti-papa de nome Eulálio. O resultado foi o próprio Bonifácio I haver solicitado ao Imperador, que velasse pela ortodoxia da eleição do seu sucessor, criando aí um precedente. Imitando São Bonifácio I, o Papa São Simplício (468-483) solicitou idêntica providência ao Imperador Odoacro.

Mais tarde, São Símaco (498-514), que também tivera como adversário o anti-papa Lourenço, socorreu-se igualmente da decisão arbitral de Teodorico, rei dos Ostrogodos, o qual vencera Odoacro, rei dos Hérulos. São Símaco no pleno uso dos seus poderes pontificais, concentrou no clero de Roma a faculdade de exprimir o voto consultivo sobre a eleição de um novo Papa, excomungando todos aqueles que preparassem a eleição de um novo Papa ainda em vida do seu antecessor.

Convém recordar que a faculdade, concedida pelos Papas, ao Imperador, para que este confirmasse a eleição papal, consistia numa ratificação extrínseca, a todo o tempo revogável, e que era concernente sobretudo ao EXERCÍCIO do Poder Pontifical, mais do que ao próprio pontificado em si mesmo.

O século X, na História da Igreja, foi o chamado século de ferro, e os especialistas não estão sempre de acordo sobre aqueles que devem ser considerados Papas ou anti-papas. É dessa época que nasceu a lenda anti-católica da “papisa Joana,” baseada numa péssima mulher, realmente existente, Marozia de seu nome, que rivalizava no mal com sua irmã Teodora; apoderando-se, pelos seus “casamentos,”dos destinos romanos, Marozia e Teodora fizeram e desfizeram vários “papas”; João X, por exemplo, foi mandado estrangular por Marozia; João XI, filho de Marozia e de Alberico I, senhor de Roma, foi (?) papa aos vinte anos (931-936), enquanto Alberico II, seu irmão governava temporalmente os Estados Romanos, sendo assim o Património de São Pedro dividido entre dois irmãos. Após o falecimento de João XI, seu irmão Alberico, no leito de morte, fez jurar a nobreza romana que elegeriam Papa, na primeira oportunidade, a seu filho Octaviano, que veio a chamar-se João XII. Existem as mais sérias dúvidas sobre a legitimidade desta eleição, como de outras na mesma época. Embora moralmente depravado, não consta que João XII tenha violado os seus deveres funcionais.

Mais tarde, já no século XI, houve três supostos Papas, que igualmente envergonharam a Santa Igreja de Deus: Bento IX, Silvestre III e Gregório VI; o primeiro, Bento IX, ABDICOU PARA SE CASAR, MAS COMO O CASAMENTO NÃO SE REALIZASSE, TENTOU READQUIRIR O SUPOSTO PONTIFICADO. Valeu à Santa Igreja, nessa época, o grande Imperador Henrique III (1046-1056), o qual convocou o sínodo de Sutri (1046) no qual conseguiu a abdicação de Gregório VI, e escorraçou, em aliança com o povo romano, Bento IX e Silvestre III. Ora uma assembleia eclesiástica pode declarar que A ou B não foram Papas, mas não pode depor nenhum Papa; donde se infere que Bento IX e Silvestre III NUNCA FORAM PAPAS.

É necessário acrescentar que a História Eclesiástica e a História civil são algo vacilantes quando estudam esta remota época, em que se agitam tenebrosas sombras, AS MAIORES DA HISTÓRIA DA IGREJA ATÉ AO VATICANO 2.

Seja como for, Henrique III conseguiu sanear a situação, e por sua influência directa foram eleitos – Clemente II, que outorgou ao Imperador a referida faculdade de ratificação da eleição Papal, Dâmaso II, e o grande Bruno de Toul, que veio a chamar-se São Leão IX. Note-se que este último Papa deixou bem claro que se considerava tal, fundamentalmente, pela eleição do clero e episcopado Romano, e não pela ratificação imperial.

Em 1059, o Papa Nicolau II (1059-1061) promulgou a Bula “In Domine Domini”na qual reformulava inteiramente o modo de eleição papal, confiando-a, em exclusivo, aos Cardeais Bispos, embora o eleito pudesse provir dos Cardeais presbíteros e dos Cardeais diáconos. O cardinalato emergira naturalmente ao longo dos séculos como dignidade e eminência nas funções Sagradas.  Outro aspecto de magna importância consubstanciou-se na clarificação da ratificação imperial como não constitutiva do próprio Pontificado, porque posterior à eleição e anterior à consagração; mas se até aí tal ratificação facultava EFICÁCIA JURÍDICA EXTRÍNSECA ao EXERCÍCIO do Poder Pontifical, de Nicolau II em diante passava a constituir mera formalidade honorífica de reverência para com o Imperador.

Desgraçadamente o filho de Henrique III, Henrique IV, era em tudo o contrário do pai; e toda a questão das investiduras se reduzia precisamente à luta do Romano Pontífice contra a intromissão de Jurisdições leigas na vida da Santa Igreja. Nunca a Santa Mãe Igreja podia conceber que os Bispos recebessem dos grandes senhores feudais, em associação com o feudo temporal, a própria instituição canónica, a qual só podia promanar do Papa. São Gregório VII (1073-1085), foi o grande triunfador moral da tirania de Henrique IV, e preparou o caminho para a concordata de Worms em 1122, entre Calisto II e Henrique V, a qual regularizou as relações do Poder Imperial com o poder eclesiástico, impedindo a Igreja de se feudalizar, isto é, de se secularizar, como simples instituição político-cultural. Em 1179, o grande Papa Alexandre III (1159-1181), na Bula “Licet de Vitanda”,  instituiu a regra dos dois terços de sufrágios necessários para a eleição do Romano Pontífice, terminando igualmente com a exclusão do direito de sufrágio, no Conclave, para os Cardeais presbíteros e Cardeais diáconos, questão essa que já havia provocado o cisma de Anacleto em 1130.

Em 1274, no segundo Concílio de Lyon, Gregório X instituiu o conclave, obrigando os cardeais à clausura, com os alimentos progressivamente racionados, até se proceder à eleição de um novo Pontífice.

Uma questão portanto se impõe: Em tempos de Sede Vacante, qualquer que seja a sua origem, como se manifesta a infalibilidade da Santa Madre Igreja?

O orgão Cátedra de São Pedro possui com o Salvador um vínculo de Direito Divino Providencial, indefectível, e perfeitamente intangível às vicissitudes históricas. Embora actualmente possa estar vago, isto é, não possuir suporte humano, conserva a potencialidade permanente para tal. Além disso a Santa Madre Igreja é quem faz o Papa, possuindo VIRTUALMENTE os poderes que o Papa possui actualmente. Um Concílio ecuménico, no caso de falecimento do Papa que o convocou, não tem poderes para proclamar uma canonização, todavia pode sempre ser eleito um novo Papa que a proclamará. Note-se que quando um Papa proclama uma canonização, a santidade do canonizado é uma verdade de Fé Eclesiástica Infalível. Todavia o Papa pode recusar canonizar uma pessoa que seja efectivamente santa. No caso da decisão ser negativa (não canonizar) – tal decisão não é infalível; pode ter havido uma falha no processo canónico, QUE NÃO É SUPRIDA NUMA DECISÃO NEGATIVA. Pode ainda o Romano Pontífice pensar que é inoportuna determinada canonização embora, em princípio, a pessoa em causa o mereça. Quantos santos há no Céu cuja santidade foi neste mundo apenas conhecida por Deus. A INFALIBILIDADE, NO SENTIDO MAIS ESTRITO, COBRE APENAS A DECISÃO POSITIVA.

Todos os poderes do Papa, ENQUANTO PAPA, existem pois virtualmente na Santa Igreja. Mas então, e se a Igreja não elege um Papa, como ficam os seus poderes? Sempre virtuais?

De modo algum. A Santa Madre Igreja é infalível no seu Magistério Universal Ordinário, o qual existe não só no espaço, mas de uma forma muito especial, no tempo; existe todo um Sagrado Património Dogmático, Moral e Filosófico, INFALÍVEL, E QUE NÃO É VIRTUAL, MAS PERFEITAMENTE ACTUAL. O que a Santa Igreja, SEM PAPA ACTUAL, NÃO PODE FAZER, É PROFERIR DEFINIÇÕES EXTRAORDINÁRIAS. Na realidade o Magistério extraordinário da Santa Mãe Igreja exerce-se em Concílio ecuménico, o qual só pode ser convocado pelo Papa; e todas as decisões desse Concílio, para se tornarem Magistério Extraordinário da Igreja, têm de ser, ao menos tàcitamente, aprovadas pelo Romano Pontífice.

O INAUFERÍVEL TESOURO DO MAGISTÉRIO UNIVERSAL E ORDINÁRIO DA IGREJA, ASSOCIADO ÀS INFINITAS RIQUEZAS DAS DEFINIÇÕES JÁ PROFERIDAS, EM DEZANOVE SÉCULOS E MEIO DE FÉ, DE ESPERANÇA E DE CARIDADE, APRESENTAM-SE COMO SUFICIENTES PARA SUPORTAR UM LONGO PERÍODO DE SEDE VACANTE; LONGO, MAS NÃO DEMASIADO LONGO, PORQUE A SANTA MADRE IGREJA, CUJA CABEÇA GLORIOSA É NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, NECESSITA, NA SUA PEREGRINAÇÃO MORTAL POR ESTE POBRE MUNDO, DE UMA CABEÇA VISÍVEL, TERRENA, COMO DERRADEIRA INSTÂNCIA E DERRADEIRO FUNDAMENTO DE UNIÃO SOBRENATURAL COM O PRINCÍPIO DE TODA A VERDADE E DE TODA A SANTIDADE – NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.        

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Agosto de 2014

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

NÃO ÀS DETURPAÇÕES DO CATECISMO E DA TEOLOGIA

  • O novo catecismo» ensina que Cristãos e Judeus devem esperar  «analogamente» juntos a vinda de Messias (nº 830). Assim, a fé na volta de Nosso Senhor Jesus Cristo seria posta ao lado da crença que nega Sua vinda.
  • O que pode manifestar essa deturpação da Verdade em forma de catecismo? De qual Igreja ou Sinagoga pode vir isso?

*  *   *

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«Ainda que seja sumo e pleno o poder de Pedro, não se julgue, contudo, que ele seja o único. Com efeito, Aquele que estabeleceu Pedro como fundamento da Igreja, “elegeu também doze, a que chamou Apóstolos”(Lc 6,13). Como é necessário que a Autoridade de Pedro se perpetue no Bispo de Roma, assim os Bispos, como sucessores dos Apóstolos, herdam deles o Poder Ordinário, e portanto a Ordem Episcopal, pertence necessàriamente à constituição íntima da Santa Igreja. Ainda que eles não tenham uma autoridade suma, plena e universal, contudo não se devem julgar como simples “vigários” do Bispo de Roma, PORQUE TÊM UM PODER PRÓPRIO, e com razão devem ser considerados “présules” ordinários dos povos que regem.

Porém como o sucessor de Pedro é sòmente um, e os sucessores dos Apóstolos são muitos, é conveniente que se veja quais são as relações, por Constituição Divina, destes com aquele.

E em primeiro lugar é certa e evidente a necessidade da união dos Bispos com o Sucessor de Pedro; pois dissolvendo-se esse vínculo, necessàriamente se dissolve e se dispersa a própria multidão dos cristãos, de modo a não poder formar de nenhuma maneira um só corpo e um só rebanho. ” A saúde da Igreja depende da dignidade do Sumo Sacerdote, e se não se lhe dá um poder especial e superior a todos, haverá na Igreja tantos cismas quantos são os sacerdotes”(São Jerónimo). É bom, portanto, advertir QUE NADA FOI CONFERIDO AOS APÓSTOLOS SEPARADAMENTE DE PEDRO, MAS MUITAS COISAS A PEDRO SEPARAMENTE DOS APÓSTOLOS. João Crisóstomo, ao comentar a afirmação de Cristo (Jo 21,15) pergunta-se: “Por que Cristo, deixados os outros, fala destas coisas sòmente a Pedro? E responde: “Porque era o primeiro entre os Apóstolos, a boca dos discípulos, o chefe do seu Colégio. Com efeito, sòmente ele era designado por Cristo como fundamento da Igreja; a ele fora entregue a faculdade de ligar e de desligar, era o único ao qual fora dado APASCENTAR; pelo contrário, quanto de autoridade e de ministério receberam os Apóstolos, o receberam juntamente com Pedro: “Se a condescendência Divina quis alguma coisa fosse comum entre ele e os outros príncipes(Apóstolos), NÃO CONCEDEU, A NÃO SER POR ELE,,AQUILO QUE NÃO NEGOU AOS OUTROS. TENDO RECEBIDO SÒZINHO MUITAS COISAS, NADA PASSOU PARA OUTROS, SEM A SUA PARTICIPAÇÃO” (São Leão Magno).»

Um dos grandes escândalos do actual combate anti-seita conciliar e anti-papas da morte de Deus consiste no recurso incessante a revelações privadas antigas ou modernas. Assinale-se que a Providência Divina só extraordinàriamente recorre a essas revelações, nas quais, em rigor, o bom católico é livre de não acreditar, por não integrarem o Tesouro da Revelação Sobrenatural, ou seja da intervenção, essencial, objectiva, positiva e de Direito de Deus na História humana, comunicando-nos, providencialmente, o Lume da Sua Verdade e Santidade, em ordem à Sua Glória e à Salvação dos homens. As revelações denominadas particulares são intervenções Divinas, não de Direito, mas de facto, não essenciais, mas acidentais, MAS QUE EXPRIMEM CARACTERIZADAMENTE, A DELICADEZA, A MISERICÓRDIA SUBLIME DA PROVIDÊNCIA; nada podendo acrescentar, ou cercear, à Revelação própriamente dita.

É conhecido como continuam, por esse mundo fora, a existir “papas” que se dizem constituídos directamente por Nosso Senhor Jesus Cristo, em Revelações particulares. ORA ISSO É TEOLÒGICAMENTE IMPOSSÍVEL E ABSURDO; vejamos porquê:

Nunca uma revelação particular pode interferir, de Direito, no governo Sobrenatural da Santa Madre Igreja, nem modificar ou interpretar o Direito Canónico, nem explicitar, de qualquer modo que seja, a Revelação pròpriamente dita, ou o Direito Divino Sobrenatural. Argumentar-se-á: Mas Nossa Senhora de Fátima pediu a Devoção dos primeiros Sábados, e a Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração; não serão estes actos eminentemente religiosos?

Nossa Senhora, com estas solicitações, nunca podia interferir na Jurisdição do Papa e dos Bispos; manifestou apenas um desejo do Céu, desejo, sem dúvida, incorporado na economia da Divina Providência, MAS NUM PLANO DE FACTO E ACIDENTAL, NÃO INTRÍNSECO E ESSENCIAL. Sem dúvida que os Papas cometeram um grande erro não escutando os desejos do Céu, mas não SE TRATOU DE UM ERRO CONSTITUTIVAMENTE FUNCIONAL DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO, NEM UM ERRO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO; FOI UMA FALTA DE DEVOÇÃO PESSOAL DOS PAPAS, COM REFLEXOS GRAVES NA VIDA DA IGREJA E DO MUNDO.

O Bom Católico que rejeita Fátima, não comete qualquer heresia, nem sequer está próximo da heresia, nem vai contra uma conclusão teológica, ou contra um facto Dogmático, MAS DEMONSTRA UMA MUITO ACENTUADA FALTA DE DEVOÇÃO, QUE PODE INFLUIR NA ECONOMIA DE FACTO DA SUA VIDA SOBRENATURAL – DEBILITANDO-A, OU ELIMINANDO-A.        

A DEVOÇÃO ESTÁ PARA A VIRTUDE DA RELIGIÃO, COMO O PLANO DE FACTO ACIDENTAL ESTÁ PARA O PLANO DE DIREITO ESSENCIAL.

Ora o que acabámos de referir, é valido igualmente para as Aparições de Nosso Senhor Jesus Cristo. JAMAIS NOSSO SENHOR PODIA VIR À TERRA PARA DESIGNAR UM SEU VIGÁRIO, SEJA EM QUE SITUAÇÃO FOR, MESMO NA TRAGÉDIA IMENSA QUE ESTAMOS A VIVER. PORQUE ISSO SERIA INTERFERIR DIRECTAMENTE EM REALIDADES QUE DEUS NOSSO SENHOR DEIXOU ENTREGUES À PRUDÊNCIA E À SABEDORIA DOS HOMENS, SEMPRE AUXILIADOS, EVIDENTEMENTE, PELA GRAÇA DIVINA.

A ESCOLHA DO PAPA, E SEUS PROCESSOS, COMPETE ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE À IGREJA MILITANTE, PORQUE SÓ NESTA O ROMANO PONTÍFICE POSSUI JURISDIÇÃO. NESTE QUADRO CONCEPTUAL SE AFIRMA QUE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E O SEU VIGÁRIO CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA DA IGREJA MILITANTE, VISTO O PAPA NÃO SER CABEÇA DA TOTALIDADE DO CORPO MÍSTICO, O QUAL SE ESTENDE TAMBÉM AO REINO DOS CÉUS E AO PURGATÓRIO.

É conhecido como todas as Aparições são submetidas a um crivo muito rigoroso, nos planos Dogmático, Moral, e da sã Filosofia; qualquer óbice neste sentido obriga a excluir de imediato a origem Divina a essa Aparição. Todavia, mesmo que uma Aparição não contenha nada contra a Fé e a Moral, não significa que seja verdadeira. Compete ao senhor Bispo da Diocese, onde ocorreu determinada Aparição, pronunciar-se em definitivo pelo valor dessa Aparição. Trata-se aqui de uma DECISÃO, EM SI MESMA, HUMANA, SOBRE UM ACONTECIMENTO TERRENO, MAS TOTALMENTE ILUMINADA PELA FÉ E PELA GRAÇA DE ESTADO DO BISPO EM CAUSA. Quando acreditamos em Fátima e em Lurdes, procedemos com uma crença humana, embora integralmente enquadrada pela Fé Sobrenatural.

Do que fica dito, bem podemos deduzir o quão perniciosa é a vivência da Religião quando baseada em “revelações” que não tenham sido absolutamente certificadas pela autoridade eclesiástica, e até, como no caso de Fátima e Lurdes, ratificada pela própria autoridade do Romano Pontífice, sobretudo Pio XI e Pio XII, embora a título de Magistério autêntico.

Ainda que incorra no risco de desagradar a certas pessoas, devo chamar a atenção para erros graves, para não dizer heresias, que se encontram nas revelações da Bem-Aventurada Ana Maria Taigi. Quando se lê, como palavras de Nosso Senhor: “Desdenha dos santos modernos e dedica-te só aos antigos”; ISTO É UMA HERESIA, PORQUE A SANTA MADRE IGREJA, NA PESSOA DO ROMANO PONTÍFICE É INFALÍVEL EM TODAS AS CANONIZAÇÕES, E TODAS ELAS SÃO JURÍDICO-TEOLÒGICAMENTE IGUAIS. É perfeitamente legítimo os fiéis sentirem mais afinidades com um santo do que com outro; sem dúvida que há santos mais perto de Deus do que outros; mas a expressão empregue é herética. Nessas pseudo- visões Nosso Senhor utiliza conceitos e expressões indignas do Verbo Encarnado; é inaudita a forma como são referidos os Sucessores de Pedro. A referência a uma conversão geral de todo o mundo, tornado uma espécie de Paraíso terrestre, sofre influências do milenarismo, e de qualquer modo, contradiz a Revelação Evangélica do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a qual, o mundo é, e seria sempre, o principal inimigo da alma, e que na época da Parúsia a Fé estaria como que reduzida à expressão mais simples. Assinale-se que a Bem-Aventurada Ana Maria Taigi era analfabeta, como a grande maioria das mulheres do seu tempo, e que o texto das revelações foi escrito por um seu secretário, sacerdote. De qualquer modo, Ana Maria Taigi nunca foi canonizada, portanto a infalibilidade da Santa Madre Igreja nunca foi comprometida neste caso.

Que o Catecismo possa constituir o núcleo fundamental da nossa vida religiosa, da nossa ascensão Sobrenatural; e para os mais cultos, também Santo Tomás, sobretudo na sua Suma Teológica, possa constituir nutrimento salutar para a nossa alma, quer na ordem intelectual, quer na ordem doutrinal.

Santo Tomás possui a Sabedoria de distinguir, mas não separar, a Teologia da Filosofia; a Teologia Dogmática da Teologia Moral; o resultado é um monumento orgânico, essencialmente, objectivamente, indissolúvel, infrangível, perene até ao fim dos tempos – e por toda a Eternidade; porque harmoniza, com absoluta objectividade, a Verdade e a Santidade da Revelação, do Pensamento Divino, com o mais sublime zénite a que pode chegar a inteligência humana, iluminada pela Graça e pelos Dons do Espírito Santo.

Recordemos que o diabo é o pai da mentira, o autor de todas as falsas revelações, de todas as confusões, de todos os ardis.

O autor deste artigo, iludido por falsas informações, deslocou-se a Palmar de Troya, em 1978, mas apenas para sentir o mau odor de satanás; mas também lá encontrou almas de boa fé oriundas da Austrália. Os mais reputados autores de Doutrina Ascética e Mística, ensinam que os enganos de satanás começam por possuir um certo encanto – MAS PROGRESSIVAMENTE VÃO REVELANDO UM ODOR HORRÍVEL; foi precisamente o que me aconteceu em Palmar de Troya.

Quem não souber – com a inteligência habitualmente elevada pela Fé Teologal, e o coração ilustrado pela Caridade – o Catecismo Católico, jamais poderá abismar-se sobrenaturalmente nos Mistérios de Fátima; esta constituirá sempre para essa alma uma espécie de conto de fadas, como aliás, desgraçadamente, também sucederá com todo o Dogma Católico.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

«ACORDISMO» MODERNISTA, TFPISTA E CONVENTISTA nas amizades de Andreotti, de Mattei e Nougué

Arai Daniele

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo foi Sinal da Salvação. Não assim a paixão da Igreja nos tempos do fim da Cristandade, que aparece como tremendo castigo; 3º castigo velado da Profecia de Fátima, que ficou mais claro em 1960, tempo de João 23 e da crescente apatia e acordismo no mundo católico.

Vejamos pois, essa questão inicial da paixão mortal da Igreja, com seus filhos acordados ao papado de marca modernista e maçônica e inimigo de Fátima. Era mesmo modernista Angelo Roncalli, J23?

Recentemente foi um amigo de Roncalli (AR) e Montini, que confirmou a evidência do modernismo desses clérigos, mas para dizer que agora, que essa ideologia religiosa venceu, outros (Buonaiuti…) deveriam ser reabilitados.

Trata-se do ministro e senador Giulio Andreotti, enfronhado modernista com altas amizades no Vaticano. Como democrata cristão no governo, foi autor de acordos políticos ambíguos e até promoveu a lei do aborto. Para ele, parece lógico pretender que a nova Igreja modernista conciliar passe a galardoar seus velhos infiltrados que chegaram ao papado. Trata-se de seus amigos, Roncalli, João 23 e Montini, Paulo 6. Fato é que, se eles tivessem desvelado as suas intenções de alterar a Religião, teriam sido afastados e condenados pela Igreja Católica. Mas as heresias modernistas deles ficaram ocultas até serem infiltradas na Doutrina e agora, para o demo-cristão senador Andreotti, a nova igreja alterada por meio delas, deveria rever o juízo que a Igreja católica fizera dos modernistas; devia pois inverter “o juízo sobre homens que foram até tempos muito recentes injustamente perseguidos” (?)

Como modernista, compreende-se a sua razão de querer a sua «igreja conciliar modernista» enaltecida que recupere seus parceiros, justamente condenados no passado. Mas esquece que a heresia que vai contra a Fé, vai contra Deus mesmo. O fato certo é que modernistas, mesmo ocultos, são excomungados pela Igreja católica, juízo imprescritível para os renitentes, que por isto se mantêm ocultos e mesmo depois de galgarem os cargos mais altos, evitam de confessar a própria fé pertinaz. Representam assim os mais disfarçados adversários da Fé católica, não só porque professam a heresia, mas porque obraram para sorrateiramente infiltra-la na Igreja. Foi o que fizeram com o Vaticano 2, produto da mais alta traição religiosa.

Para falar de «acordismo» com hereges, devemos então falar do enigma que concerne quem é hoje lembrado como o «papa bom», isto é João 23, que iniciou sua carreira como professor de história, mas que foi interdito nessa função porque suspeito de modernismo. Não é talvez verdade que então, como hoje, encubar a heresia modernista era razão para ser considerado contrário à Doutrina da Fé imutável e portanto, estar fora da Igreja?

O fato é que durante o Pontificado de Bento XV os eclesiásticos apreciados por São Pio X foram marginalizados enquanto aos outros abriram-se as portas vaticanas, como Giovanni Battista Montini, filho de um deputado do Partido Popular que, em Roma, desde 1924, havia iniciado com Roncalli uma longa amizade. Nesse ano depois da morte de Bento XV, reinava Achille Ratti, aliás Pio XI, que eleito em Fevereiro (1922), confirmou como Secretário de Estado o «rampoliano» Gasparri. Foi o papa das concordatas, mas não de compromissos «pan-crstãos».

Aqui, para voltar ao assunto do «acordismo» que depois de San Pio X instalou-se na vida da Igreja, vamos faze-lo tratando de sua “convergência e divergência com o novo livro de Roberto de Mattei: «Ralliement de Léon XIII – L’échec d’un projet pastoral (O Ralliement [acordo, concerto] de Leão XIII – o fracasso de um projeto pastoral).

A convergência refere-se à tese central do livro: o Ralliement de Leão XIII que sem dúvida fracassou em política sendo nefasto não só para a França, mas para o resto da Cristandade.

Assim, falar desse Ralliement hoje, ajuda a compreender o problema da nova mentalidade clerical. Esta, contamina até a obra de Mgr Lefebvre, entregue a um outro tipo de clero.

O tema central do livro em italiano, mas lido no Brasil em sua versão francesa é, pois, o que se conhece como Ralliement: “a política de conciliação e de compromisso entre a Santa Sé e a Terceira República francesa, maçônica e laica”. Infelizmente o documento-base dessa política foi uma encíclica: «Au milieu des sollicitudes», de 16 de fevereiro de 1892.

“O Ralliement em relação à Terceira República francesa pode ser considerado como projeto tanto político como pastoral. O projeto político nasce da tentativa de resolver a chamada Questão romana apoiando-se na Terceira República francesa para combater a monarquia italiana, culpada de lhe ter subtraído os Estados Pontifícios. O projeto pastoral se baseia num novo relacionamento com a modernidade. Leão XIII a combatia no plano filosófico, mas considerava possível reconciliar-se com ela no plano político. O projeto de Leão XIII era convencer os católicos franceses a mudar de atitude em relação à República”.

Na verdade, tratava-se da política do poderoso cardeal Mariano Rampolla del Tindalo, Secretário de Estado do Vaticano sob o Papa Leão XIII, que fez escola no clero romano.

Aqui é importante lembrar que sua influência de tipo diplomático era exercitada a partir da Escola Capranica de Roma, na qual se formaram cardeias da Curia e dois papas recentes, a saber, Giaccomo della Chiesa, Bento XV e Eugenio Pacelli, Pio XII. O outro importante seguidor de Ranpolla foi o cardeal Gasparri, futuro secretário de Estado. De modo que pode-se dizer que a tendência de dar precedência à política diplomática de concordatas, etc., prevaleceu na Igreja depois de São Pio X, vem dessa escola de pensamento.

Mas voltemos à questão da Igreja na França. Ora, os católicos franceses no fim do século XIX eram na sua maioria monarquistas de formação católica. Seus modelos eram São Luís e Santa Joana d’Arc, onde o rei era o lugar-tenente de Nosso Senhor Jesus Cristo em Terra.

Ora, “a Terceira Republica estabeleceu-se na França após a queda de Napoleão III, em 1870. A partir das eleições de 1877, que levaram ao poder governos maçônicos e laicos, aprovaram-se leis que resultaram na expulsão dos jesuítas, na interdição dos sacerdotes católicos de ensinar nas escolas públicas, na abolição do ensino católico em todas as escolas, na introdução do divórcio, na obrigação do serviço militar para os clérigos.

Apesar disso, Leão XIII estava convencido da possibilidade de um acordo entre a Santa Sé e a classe politica republicana. Para ele, a responsabilidade do anticlericalismo da Terceira República era dos monarquistas, que combatiam a República em nome da sua Fé católica.”

Aqui, tratando do assunto, o prof. Carlos Nougué diz que a mencionada encíclica, Au milieu des sollicitudes, vindo do Papa, tinha para alguns bispos diretrizes da Santa Sé com caráter de infalibilidade. Um erro que, segundo ele se repete hoje. “Exercia-se sobre os fiéis uma pressão sem precedentes, a ponto de fazer-lhes crer que aqueles que continuassem a sustentar a monarquia cometiam um pecado grave. Alguns fiéis foram impedidos de comungar por terem cometido ‘um pecado de monarquia’.

Os católicos e os monarquistas dividiram-se em dois grupos, os ‘coligados’ e os ‘refratários’, repetindo uma situação análoga à da época da Revolução Francesa com a Constituição civil do clero, onde havia sacerdotes ‘juramentados’ e ‘refratários’”.

Ora, tal «ralliement» com a República fracassou tendo desastrosas consequências na França que surgiram após a morte de Leão XIII  em 20 de julho de 1903. «Em outubro desse mesmo ano, mais de 10 mil escolas mantidas por congregações religiosas foram fechadas. Na Sexta-feira Santa de 1904, todos os crucifixos foram retirados das escolas e dos tribunais, e no dia 7 de julho do mesmo ano a República francesa, após ter expulsado as congregações de ensino católicas, as excluiu de todo o ensino público, até aquelas que estavam autorizadas legalmente para isso. No dia 29 de julho de 1904, as relações diplomáticas entre a França e a Santa Sé foram rompidas. Tendo chegado o momento previsto de aplicar a lei de 11 de dezembro de 1905 sobre a separação entre a Igreja e o Estado, várias medidas anticlericais sob o governo de Clemenceau foram brutalmente aprovadas em dezembro de 1906. A Igreja na França perdeu um patrimônio de 450 milhões de francos, ou seja, um montante superior dez vezes ao orçamento anual do culto». E conclui o Prof. de Mattei: «Nós podemos hoje afirmar que há um percurso desastroso de Leão XIII até os nossos dias, um percurso no qual se renuncia à tese da civilização cristã. E a hipótese da aceitação da modernidade tornou-se o modelo irreversível. Entre doutrina e pastoral, entre teoria e prática deve haver íntima coerência. Esta coerência faltou ao projeto pastoral de Leão XIII.»

E aqui se constata uma realidade no plano histórico.

Mas o problema que preocupa Nougué é relativo ao magistério. De fato diz: “Não temos nada que acrescentar ao dito: parece-nos perfeito. E note-se o que disse De Mattei mais acima, que o magistério de Leão XIII foi irretocável, ou seja, não liberal e pois assistido pelo Espírito Santo. Por isso mesmo é que não podemos concordar com a outra conclusão de De Mattei: “Hoje se nos propõe uma mudança pastoral que conduz necessariamente a uma mudança doutrinária. O Bispo de Oran (Argélia), D. Jean-Paul Vesco, afirmou em uma entrevista concedida ao hebdomadário La Vie, em 11 de abril de 2016, que na Exortação Apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco ‘nada muda na doutrina da Igreja e, entretanto, tudo muda em relação ao mundo moderno’. É bem o projeto pastoral do ralliement aplicado à época atual».

“Não é verdade. O Ralliement foi, como dito pelo mesmo De Mattei, um erro de governo, um erro político, um erro prático, um erro pastoral – mas, atenção! não decorreu de um magistério liberal, e até se pode dizer que de certo modo se opôs a este. (Como vimos já em alguma postagem de nossa série «Da Necessidade de Resistir ao Magistério Conciliar», o magistério da Igreja pode falhar em assuntos contingentes como o é a política prática.) Ao contrário, o “ralliement” do Papa Francisco, perfeitamente consequente ao magistério conciliar (é como que seu coroamento), decorre justamente do caráter liberal deste (vide ainda nossa série (Da Necessidade de Resistir ao Magistério Conciliar). E não compreendê-lo perfeitamente é o problema que apontamos aqui quanto à obra geral de De Mattei.”

Três «acordismos» discordantes em «assuntos contingentes»

Temos aqui o caso de três intelectuais escritores que impingem ideias contingentes sobre questões substanciais, como seja o magistério pontifício, que não pode induzir em erro.

Comecemos então pelos sinônimos e significados de contingente e de seus antônimos: Sinônimos de Contingente: acessório, acidental, breve, casual, complementar, efêmero, eventual, interino, passageiro, precário, provisório, relativo, temporário, transitivo, transitório.

Antônimos de Contingente: basilar, certo, determinado, duradouro, importante, indispensável, necessário, obrigatório, precípuo, primordial, principal, vital, substancial.

O primeiro caso, do senador Andreotti, é certamente o mais grave ao considerar contingente a condenação infalível do Modernismo pela Igreja. Ele está certo em reconhecer essa fé, que é a sua também, em Roncalli, Montini e sucessores, tanto que a estes pede de rever um inapelável juízo da Igreja sobre aqueles que «ocuparam», como modernistas, a suprema cátedra da Fé! Em seguida, sabemos que Andreotti foi capaz dos piores compromissos políticos possíveis, quando até o juízo sobre o crime do aborto passou a ser matéria contingente.

Depois vem o caso do prolixo historiador conciliar, meio tradicionalista, capaz de criticar o tal magistério pastoral conciliar, mas fiel à sua natureza de documento legítimo da Igreja, porque da autoria de seus papas autênticos, e portanto que devem assim ser acolhidos. Lembro-me bem de um dos testemunhos de seu grupo em Roma, narrado pelo P. Francesco Ricossa. Foi anos atrás quando passavam um film blasfemo de Scorsese e que o nosso grupo decidiu ir rezar o Rosário em frente à Câmara dos Deputados, como sedabravo. Mattei com seu grupo, uma micro TFP italiana, queria participar com seus estandartes e faixas, mas o Padre disse que nosso testemunho não representava um grupo, mas católicos em geral. Então eles resolveram o caso encomendando uma missa de reparação no centro de Roma, devidamente anunciada. Mas era uma missa novus ordo, que eles não frequentam. Assim, só entraram na Igreja na hora da comunhão! Encomendaram uma nova missa de reparação que devia «desagravar» Nosso Senhor, mas que eles não aceitavam e não assistiam? Para eles a malignidade desta era contingente? Preferiam, pois, a Santa Missa Católica, mas ofereciam a Deus uma missa dúbia! Se não basta para identificar a ideia acordista deles, há mais casos a demonstra-lo.

E chegamos ao Carlos Nougué, crítico erudito do contingentalismo acordista do de Mattei. Aqui a posição parece ser mais decidida, tradicionalista e «resistente», pois é a posição do Convento de dom Tomás, que frequenta, ligado ao mgr Williamson, acordistas sobre a aceitação da «realidade do «papa herético». Seu magistério teria legitimidade pontifícia, mas inaceitável e a ele se deve resistir!

Ensina Nougué: «o magistério da Igreja pode falhar em assuntos contingentes como é a política prática. Ao contrário, o “ralliement” do Papa Francisco, perfeitamente consequente ao magistério conciliar (é como que seu coroamento), decorre justamente do caráter liberal deste. Não compreendê-lo é o problema que apontamos aqui na obra de De Mattei!»

Eis o requinte menos gramatical da contingência aplicada a esse magistério, onde o sujeito a ser recusado é a documentação, dita magisterial do Vaticano 2, tão precária que hoje existe mas amanhã pode ser dada ao fogo. O que fica é a falsa doutrina registrada da qual decorre e que persiste na «autoridade» conciliar; na verdade, é a heresia, condenável pois mentalmente formalizada num renitente, que a propaga como «ensino católico». Onde pode estar o sujeito da questão, senão nos conciliares, seus autores e propagadores. Nessas mentes temos o antônimo do «contingente» temos seu basilar vetor, que é o herege, no caso heresiarcas que usam poder para «heretizar». Mas para o nosso professor é melhor guardar o «papa herético» do que ficar sem nenhum… sugeito papal!

Parece piada, mas é para onde conduz essa adesão à legitimidade do «herético», talvez pela razão contingente de não passar por «empestado de sedevacantismo»: então recusa-se seu «magistério conciliar», até que eles produzam o próximo, ultra conciliar, mas legitimista!

Conclusão sobre o acordismo que acomuna os eruditos escritores citados: estão todos em pleno acordo sobre a legitimidade dos «papas conciliares», qualquer que seja o magistério herético que possam emanar. Neste caso, serão prolixos em ensinar o modo como se deve aceitar ou não erros e heresias que desonram a Igreja e perdem as almas, mas sempre salvaguardando a aceitação da autoridade divina de tais «anticristos no Vaticano». Ai dos sedevacantistas que os recusam como responsáveis desse falso magistério de perdição!

Tudo nasceu no conclave eleitor de João 23, quando o «Terceiro Segredo de Fátima», do grave terceiro castigo seria mais claro: De fato, as suspeitas sobre ligações maçônicas desse primeiro anticristo «papal», já transpareciam na carta do Cardeal Tisserant a um abade docente de direito canônico. Nela o purpurado francês declara ilegítima a eleição de João 23, justamente porque desejada e preparada por forças estranhas ao Espírito Santo (cf. ‘Vita’, 18/9/77, p. 4, citado em Nichitaroncalli, p. 57); suspeita apoiada em comprometedores documentos sobre Roncalli, subtraídos misteriosamente do Arquivo Vaticano (ibidem, p. 41).

O princípio acordista que João 23 aplicou às suas «aberturas religiosas» era pragmaticamente maçônico: deve-se procurar antes o que une e deixar de lado o que divide as gentes de várias religiões e ideologias’. Como, porém, a autoridade religiosa existe para confirmar princípios da Fé antes de tudo, necessariamente não se pode reconhecer tal poder em quem antepõe o contingente, que pode unir e acordar as pessoas, ao transcendente que, mesmo que separe é substancial e imutável. Seria católico o prelado que para unir cale sobre a Santíssima Trindade, porque sobre isto cria divisões?

Eis o pensamento dos «anticristos conciliares» no sistemático desprezo da Verdade. Eis que quando estes incorrem nessa inversão de valores, o mal reside nas mentes infiéis deles, da qual o magistério que produzem é mero resultado.

Mas os acordistas não querem entender isto e acusam o crime mas desobrigam os criminosos; ao contrário, reconhecem-nos como papas que receberam  o poder diretamente de Jesus Cristo, para adversar a Sua Fé! È demais!

A OBEDIÊNCIA AOS FALSOS PAPAS É PASSAPORTE PARA O INFERNO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Menti Nostrae”, promulgada em 23 de Setembro de 1950:

«O primeiro impulso que deve mover o espírito sacerdotal, há-de ser o de unir-se estreitamente ao Divino Redentor, para aceitar dòcilmente, e em toda a sua integridade, os Divinos Ensinamentos, e de aplicá-los diligentemente em todos os momentos da sua existência, DE FORMA QUE A FÉ SEJA A LUZ DA SUA CONDUTA, E A SUA CONDUTA SEJA O REFLEXO DA FÉ.

Seguindo a Luz dessa Virtude, ele terá o seu olhar fixo em Jesus Cristo e seguirá Seus Ensinamentos e Exemplos, ìntimamente persuadido de que, para si, não é suficiente limitar-se a cumprir os deveres a que estão obrigados os simples fiéis, MAS QUE DEVE TENDER, COM FORÇA CADA VEZ MAIOR, ÀQUELA SANTIDADE QUE A DIGNIDADE SACERDOTAL EXIGE, SEGUNDO A ADVERTÊNCIA DA SANTA IGREJA:”OS CLÉRIGOS DEVEM LEVAR VIDA MAIS SANTA DO QUE OS LEIGOS, E SERVIR PARA ESTES DE EXEMPLO NA VIRTUDE E NO MODO RECTO DE AGIR”(Código de Direito Canónico (1917) Cânon 124).

Porque deriva de Cristo, deve por isso mesmo a vida sacerdotal dirigir-se toda e sempre para Ele. Cristo é o Verbo de Deus, que não desdenhou assumir a Natureza Humana; que viveu a Sua vida terrena para cumprir a vontade do Pai Eterno; que em torno de Si difundiu o perfume do lírio; que viveu na pobreza e “Passou fazendo o Bem e curando a todos” (At 10,38); que, enfim, Se imolou como Hóstia para a Salvação dos Seus irmãos. Eis, dilectos filhos, a síntese daquela admirável vida; esforçai-vos por reproduzí-la em vós, recordando a exortação: “Dei-vos o exemplo, para que, como Eu vos fiz, assim façais também vós”(Jo 13,15).

O espírito de humildade, iluminado pela Fé, dispõe a alma à imolação da vontade, por meio da obediência. O próprio Cristo, na sociedade por Ele fundada, estabeleceu uma Autoridade legítima, que é uma continuação da Sua. Quem portanto obedece aos Superiores obedece ao próprio Redentor.

Numa época como a nossa, em que o princípio da Autoridade está gravemente abalado, é absolutamente necessário, que o sacerdote, FIRME NOS PRINCÍPIOS DA FÉ, considere e aceite a Autoridade, não só como baluarte da ordem social e religiosa, mas também como FUNDAMENTO DA SUA PRÓPRIA SANTIFICAÇÃO PESSOAL. Enquanto com criminosa astúcia, os inimigos de Deus se esforçam por provocar e excitar a imoderada cobiça de alguns, para induzi-los a erguer-se contra a Santa Madre Igreja; Nós desejamos render os devidos louvores e confirmar com paternal carinho, à enorme multidão de ministros de Deus, que para mostrar abertamente a sua obediência cristã, e conservar intacta a própria fidelidade a Jesus, e à legítima autoridade por Ele estabelecida, “foram achados dignos de sofrer afrontas pelo Nome de Jesus”(At 5,41), e não sòmente afrontas, mas perseguições, prisões e morte.»

 

Muitos pensam ser a obediência a mais nobre das virtudes; mas tal não é verdade: A virtude mais nobre é A FÉ FORMADA PELA CARIDADE PERFEITA, SEM A QUAL NINGUÉM SE PODE SALVAR. Nunca a Santa Madre Igreja pregou a obediência cega, a qual é indigna de um ser inteligente, que promana de Deus por Criação, foi redimido por Nosso Senhor Jesus Cristo, e com o auxílio da Graça Divina se orienta para o seu derradeiro Fim: A contemplação Divina por toda a Eternidade.

No trecho acima transcrito é bem nítido como o Papa Pio XII faz depender, essencialmente, a obediência, da Profissão da Fé Católica, e é concebida em ordem à Santidade.

Um Papa legítimo, que na sua vida particular, ordenasse a prática de um único pecado venial – NÃO DEVIA, NEM PODIA, SER OBEDECIDO.

Embora o pecado mortal não faça, por si mesmo, perder a jurisdição canónica de ninguém, o conhecimento da condição humana ensina-nos que um Superior, Secular ou Regular, em pecado mortal, não pode constituir uma Imagem fidelíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo; consequentemente as suas ordens, embora em princípio legítimas, de alguma forma são refractadas pela próprio estado de ausência de Graça Santificante; e nesse caso, de alguma maneira, encontram-se em desproporção com o veemente desejo de santidade do súbdito.

Uma prova extremamente trágica do que acabo de afirmar, vamos encontrá-la no próprio falso concílio Vaticano 2: É conhecido como um conjunto de, aproximadamente, cerca de um terço de Padres, filiados na maçonaria – muito bem organizados já de antes do mesmo concílio – logrou dominar, com facilidade, uma maioria de Padres, QUE POR SE ACHAREM HABITUALMENTE EM PECADO MORTAL, não dispuseram de FORÇA SOBRENATURAL para se opor àquela autêntica invasão maçónica. O que eles queriam era livrarem-se de responsabilidades e voltarem o mais rápido possível para casa. Mesmo o “Coetus Internationalis Patrum”, após o concílio, depôs as armas e rendeu-se incondicionalmente, com a excepção de Monsenhor Lefebvre e Monsenhor de Castro Mayer.

Neste quadro conceptual, o Superior só constituirá eminentíssima Imagem de Cristo, quando estiver em estado de Graça. Se tal não suceder, existirá sempre um ruído ontológico entre as suas ordens e o súbdito com vocação à santidade. Um tal ruído não significa, por si mesmo, desobediência, mas um extremo cuidado e rigor da parte do súbdito.

A verdadeira Autoridade só pode ser a Católica, Apostólica, Romana. O poder civil só é formalmente legítimo se ele mesmo se encontrar submetido à Autoridade Eclesiástica, neste caso o Romano POntífice. Assim concebida, A AUTORIDADE É UM SERVIÇO, pois é providenciada, como princípio moderador e ordenador, por Deus Nosso Senhor, para conduzir hieràrquicamente as criaturas à proclamação da Glória extrínseca de Deus e à Eterna Beatitude. Tudo o que Deus criou foi essencialmente hierárquico; o próprio Deus, nos milagres, só actua directamente quando, como nas ressurreições, só Ele os pode realizar, caso contrário actua através dos Seus Santos Anjos. Deus Nosso Senhor nunca dispensa os homens de realizar O QUE ELES PODEM FAZER! Quando Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou Lázaro, não deixou de solicitar aos circunstantes para que removessem a pedra de entrada no sepulcro e desenfaixassem o ressuscitado. É A FÉ QUE FUNDAMENTA, ABSOLUTAMENTE, A AUTORIDADE RELIGIOSA E CIVIL – E NÃO O INVERSO!

Sabemos, pela Santa Fé, que é grande, muito grande, a miséria da condição humana. A derrocada total da face humana do Corpo Místico, no espaço apenas de uma geração, constitui exemplo supremo e clamoroso do amaríssimo fel da condição humana. Pior do que isso, só pode ter sido a destruição da Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X pela maçonaria nela infiltrada e disposta a liquidar os baluartes derradeiros da Fidelidade. O que mais custa é verificar que o conhecimento profundo do plano gizado pelas sociedades secretas há cerca de duzentos anos, NÃO EVITOU QUE O MESMÍSSIMO PLANO SURTISSE EFEITO DUAS VEZES – NA IGREJA OFICIAL E NA DITA FRATERNIDADE. Pois não se conhecia tão bem o que a maçonaria pedia? O DEDO MENDINHO DE UM PAPA! Então se se sabia, porquê insistir estùpidamente no anti-sedevacantismo?

Todas as forças católicas tradicionalistas deveriam sempre haver sido dirigidas contra a cabeça da serpente – DECEPANDO-A! Não leram as obras de Monsenhor Delassus (1836-1921)? Pois aí se inscrevia, com total clareza, QUE A CIDADE SEM DEUS SERIA EDIFICADA A PARTIR DAS RUÍNAS DA SANTA MADRE IGREJA – E É PRECISAMENTE O QUE ESTAMOS VENDO!  

Se a obediência à Cátedra da Verdade conduz à salvação; é lógico que a obediência à pestilência do falso papa conduzirá, irrevogàvelmente, à condenação. PORQUE ENTÃO O ATEÍSMO SERÁ PROCLAMADO COM A APARÊNCIA DA AUTORIDADE DO PRÓPRIO DEUS. AS FORMAS ATEIAS DISSOLVERÃO OS CONTEÚDOS MATERIALMENTE CATÓLICOS. E quem se fica a rir é a maçonaria internacional que depois de roubar todo o Património da Santa Madre Igreja, conseguiu apoderar-se do Património da ex-Fraternidade, Património, note-se, constituído com as esmolas sacrificadas de inúmeros fiéis, que assim pensavam, legìtimamente, contribuir para a salvação da Sacrossanta Fé Católica, na sua Doutrina, no seu Sacerdócio, no seu Santo Sacrifício da Missa, e nos seus Sacramentos.

Efectivamente, se a Igreja conciliar, na qual a ex-Fraternidade já está integrada, é tão válida e legítima como esta, para quê a própria Fraternidade? Qual a utilidade dos seus sacerdotes, dos seus Sacramentos, da sua Doutrina? É O QUE SE CHAMA ANIQUILAMENTO POR ABSORÇÃO! A OBLITERAÇÃO, COM APARÊNCIA LEGAL, DE UMA IDENTIDADE! GOLPE GENIAL DE SATANÁS!

Fellay e seus apaniguados tornaram-se réus, da mais hedionda, da mais asquerosa, da mais torpe traição, à Santa Madre Igreja, merecendo também eles a pena de morte, em que incorrem os grandes heresiarcas, os grandes assassinos de almas, os grandes blasfemadores do Santíssimo Nome de Deus.

Que estou a exagerar? Mas como? Não tomou Fellay a jurisdição do anti-Cristo Bergoglio para a facultar aos seus sacerdotes. A pseudo-jurisdição de um horrível apóstata que declara que a Religião não conta para nada no que concerne à qualidade moral de uma pessoa; que apoia declaradamente o aborto e a sodomia; que é descaradamente comunista; que em tudo o que diz e faz demonstra ser um ateu obstinado no ódio extremamente profundo que nutre por Nosso Senhor e Nossa Senhora, no ódio mortal que dedica à Santa Madre Igreja, cujos restos, ainda vivos, pretende, e está a arruinar. É esta a jurisdição de Inferno que Fellay quer para os seus sacerdotes?  OBEDECER A FELLAY, OBEDECER A BERGOGLIO, É GARANTIR UM PASSAPORTE PARA O INFERNO.

Como pode o autor destas linhas, que combate sem tréguas – e com os escassíssimos meios de que dispõe – a seita conciliar há cerca de quarenta anos, não amaldiçoar esta maldita ex-Fraternidade que o quereria sepultar, a ele e a muitos outros, de novo, no lodo imundo da dita seita?

Faz pena ler os artigos do Prof.Roberto de Mattei, ele avalia pessoas e realidades como se ainda estivesse nos anos sessenta. Os ditos Cardeais contestatários, ignòbilmente apoiados no agnosticismo e no ateísmo do Vaticano 2, só incrementam o caos, que constitui o meio ideal para satanás, neste mundo de loucos, extrair os maiores dividendos.

Entristece mais uma vez aquilatar como Fátima, já conspurcada pelo anti-Cristo, se vai novamente locupletar com uma massa quase toda supersticiosa e nominalista. Não estou a dizer isto por serem pessoas humildes; muito pelo contrário, uma origem social humilde e rural aproxima tendencialmente muito mais de Deus do que o ouropel ganancioso e hipócrita das grandes cidades.

O que acontece é que o atroz analfabetismo religioso do povo português – e dos povos latinos em geral – possui causas muito profundas que imergem na noite dos séculos, e foi continuadamente denunciado pelos Bispos Portugueses, pelo menos por aqueles que se não deixaram iludir pelas estatísticas dos baptizados e dos matrimónios canónicos. E os orgãos de comunicação social, portugueses e estrangeiros, controlados pela maçonaria ou pelos comunistas, friccionam as mãos de contentes por lidarem com uma “Igreja Católica” QUE NA REALIDADE É A MAÇONARIA INTERNACIONAL.

Finalmente, recorda-se uma vez mais, que nós, os católicos, não podemos nutrir ódios pessoais. As expressões são severas, e têm que ser severas, MAS REFLECTEM APENAS PRINCÍPIOS OBJECTIVOS E TRANSCENDENTES; AMAR O INIMIGO É QUERER O SEU BEM TEMPORAL E ETERNO, O QUE POR VEZES EXIGE O SEU CASTIGO. A GLÓRIA DE DEUS E A SALVAÇÃO DAS ALMAS DEVEM NORTEAR TODA O NOSSO PENSAMENTO, TODA A NOSSA VONTADE, TODA A NOSSA CARIDADE SOBRENATURAL.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

UM «ACORDISMO RESISTENTE» ENLEOU O FILOSOFAR DE MUITOS «MESTRES»;  no ideário do P. Calderón e do Carlos Nougué  

Arai Daniele

Parece que há uma «resistência católica» contrária a acordar-se com o «magistério conciliar». Ela seria encabeçada por mgr Williamson e agora por outros dois bispos consagrados para tal fim, isto é para o testemunho do delito cometido pelos conciliares, atentando contra a pureza e integridade da Fé, mas reconhecendo o direito dos que perpetram tal atentado; tal flagrante incoerência é estranha à Igreja. Resulta de uma vulnerabilidade mental e talvez moral ligada aos percalços recente do Catolicismo. O que pode ter de católica essa reação, que pretende, mas na verdade cessa o testemunho, por exemplo o iniciado por Mgr Lefebvre? Este arcebispo afirmou várias vezes a necessidade de dizer um dia que os papas conciliares não eram papas. Morreu infelizmente sem dize-lo e assim hoje esse seu propósito, que ficou gravado,  é até mesmo negado pelos clérigos que dizem ser seus continuadores, contrariando-o.

Ora, vamos partir de uma visão que figure o delito perpetrado contra a Igreja e da estranha reação que suscitou em muitos instruídos. Julgue-se a visão de alguém que apunhala outro. Qualquer pessoa testemunharia que a ação é imputável a quem usou o punhal. Mas hoje, para alguns «mestres» de nossos tempos, tal verdade dependeria da veste do agressor; se fosse de papa, o ato passaria a ser imputável… ao punhal! Parece um chiste, no entanto, aplicando tal figura ao que acontece nestes tempos de religião conciliar, hoje vemos filósofos» empenhados em ensinar que no caso de «papas modernistas», autores de um «magistério conciliar», que inocula erros e heresias – o que significa apunhalar na Fé, deve-se resistir mais a este «punhal magisterial», do que à «autoridade» que o empunhou no intento de seccionar a Fé de acordo com as ideias em voga. Apesar desse delito, esta deve ser tida como pontifical e legítima.

 

É a reação dos que resistem ao ««punhal magisterial», mas reconhecendo suma «autoridade em quem apunhala a Doutrina, como se tal ato não fosse contra o Verbo no Seu Evangelho, base desta e de toda autoridade; implícita renúncia à própria eventual autoridade na Fé.

Um exemplo dessa reação irracional encontramos no livro do P. Alvaro Calderón «Prometeo – La religión del hombre», que trata da fundação da autoridade moderna (falsa) pelo Vaticano 2.  Sob o título – Una nueva jerarquia para una «nueva cristiandad» (pp. 66-68), trata da autoridade de uma igreja humanista  “al servicio del hombre para alcanzar así una nueva cristandade”.

O autor menciona a política do ralliement, isto é, do «acordismo», com que “los humanistas integrales se sienten como «cristeros» de la sociedad moderna”. Ora, quem aceita tal nova autoridade que, com tal plano, apunhala a Igreja que está a serviço de Deus, não é ele mesmo um «acordista», que põe a verdadeira autoridade divina sob a «autoridade» da falsa»?

Tal desatino acordista é tão evidente nos eruditos que assim pensam, que para eles os reais inimigos são os que testemunham uma Sede vacante da Autoridade católica. Então precisam encontrar alguma «razão» que o justifique. De fato, desde o advento dos «papas conciliares» vingou no mundo católico uma espécie de conluio na ordem moral que, com uma desculpa «prudencial», participa na decadência religiosa crescente. É contágio do «acordismo conciliar»: aceitar a heresia da autoridade pela metade: de um evidente «papa herege», mas autêntico!A este «acordismo» pode-se aplicar o que Churchill atribuiu ao acordo de Munich com Hitler, firmado pelo seu antecessor Chamberlain que abandonou a Checoslováquia ao novo tirano: “Tiveram que escolher entre a guerra e a desonra. Escolheram a desonra e tiveram a guerra”!

A pusilanimidade de conceder compromissos em questões inegociáveis, como são aquelas concernentes a religião e a moral, ditadas pela Autoridade de Jesus Cristo, impera desde o tempo do Vaticano 2? Sim, porque admitir um representante de Cristo que seja anticristo, é a mais indigna contradição; é opróbrio de toda razão sobre a qual se apoia a sociedade cristã.

A este ponto, porém, é preciso reconhecer que a débacle católica já partia de uma tendência precedente inoculada pela revolução liberal no clero e condenada pelo Magistério da Igreja na frase: o Papa que não se pode reconciliar com o mundo moderno (Syllabus do Papa Pio IX). Ora, para o modernismo a Igreja e o Papa não só podem mas devem acordar-se aos tempos da modernidade. Este é também o plano da Maçonaria para obter tal «papa» na Igreja Católica.

Na onda da necessidade de «ralliement» na política, que degenerou em «acordismo» em religião, inseriu-se a formação clerical modernista e maçônica. No tempo de São Pio X houve uma interrupção nessa tendência, mas pós sua morte e nos tempos de uma 1ª guerra mundial devastadora, pareceu que procurar qualquer acordo era melhor do que tais massacres. Nessa mentalidade formou-se um novo clero, no qual o ladino e hipócrita, Angelo Roncalli (AR).

De dato, ele aderiu ocultamente à heresia modernista, aplicando-se a dois temas do pior teor herético, como sejam a noção iluminista de «liberdade de consciência» e a naturalista da História Sagrada.  AR foi ordenado em Roma em 1904, tendo por padrinho-assistente o p.  Buonaiuti (que foi excomungado). De volta à sua cidade de Bérgamo, o bispo, Giacomo Radini Tedeschi, que conhecera e frequentara em Roma, o assume como secretário. Tal prelado, visto como bispo vermelho, era por sua vez um favorito do poderoso cardeal Rampolla del Tindaro, promotor da política de ralliement, nome com o qual é definido o convite feito pelo Vaticano do Papa Leão XIII de adesão dos católicos franceses à Terceira República maçônica.

Tal política de ralliement, visto que implicava uma iniciativa feita em nome da Igreja, acabava por indicar, inevitavelmente, muito mais, isto é, uma tendência à conciliação com os poderes modernos por razões diplomáticas. Naqueles anos, tal tendência parecia tocar só a política civil: na verdade era fruto da «mentalidade acordista», que marcou a política clerical difundida na Igreja pelos seus promotores modernistas. Estes haviam sido excomungados por São Pio X, mas na prática, para contornar a lei da Igreja bastava então que jurassem professar o contrário do que pensavam para que, protegidos por um prelado amigo, restassem em suas posições, sendo até promovidos a cargos importantes. Negariam suas ideias para fazer carreira, como é o caso de Roncalli, seguindo o que “aprendera do padre Ernesto Buonaiuti”: o “único erro de não ter sabido esperar” (Andreotti, no livro que pede a recuperação do modernismo hoje).

Não permanece talvez esta condenação, com sua clara e límpida explicação doutrinal, não só nos documentos de São Pio X, mas até de Pio XII? A estes podemos nos referir para mostrar a inversão filosófica modernista, como a de Marc Sangnier, fundador do Sillon, doutrina que foi logo condenada por São Pio X (Notre Charge apostolique), que diz: Sangnier, “com o olhar fixo numa quimera, prepara o socialismo”. Todavia, a sua foi a lembrança mais viva na formação sacerdotal de Roncalli, segundo dirá à viúva de Sangnier em 1950, como núncio em Paris.

O que S. Pio X arguia de “seita e mísero afluente do grande movimento de apostasia”, para AR era o acordo com a nova ordem globalista a seguir. Certo é que seguia claramente a praxis modernista, pela qual a Igreja devia ser mudada desde seu interior, como depois teria feito, na medida dos cargos que lhe foram confiados. Foi o que ficou demonstrado de Roncalli ao longo de sua carreira; embora seja certo que prestou o juramento anti-modernista, restou sempre claramente um modernista empenhado em mudar a Igreja. Tratava-se pois de juramento falso agravado pela traição modernista que excomunga um católico.

Só um aparato clerical composto por clérigos com uma tendência acordista podia ter ignorado tal fato, suficiente a desqualificar qualquer um sem falar da exclusão de qualquer possibilidade de discutir sobre a beatificação de quem trai um juramento sobre questão de fé. Todavia, eis o perjuro com direito a ser eleito papa e a emanar um «magistério modernista», obra pela qual seria beatificado pela nova igreja que erigiu com seus cúmplices!

Ainda hoje se diz que faltam provas do modernismo de Roncalli. De fato, como foi possível que Pio XII e cardeais importantes como Tardini, Ottaviani, Siri, não o indicaram, mas ao contrário, o votaram? É o mistério do aparato clerical «acordista» depois de São Pio X: ou era incapaz de identificar um clérigo que em toda a sua carreira havia revelado vocação modernista, ou este mesmo estava infiltrado visceralmente por desviados e pelos mações. Só assim podia ter ignorado tal herege na fé, que subia um após outro os degraus da carreira de núncio, com veste de bispo e até de cardeal, e portanto candidato a papa para ser sumo mestre visível da Igreja! É a carreira de quem operou a abertura ecumenista e foi incrivelmente beatificado.

Visto que isto aconteceu com Roncalli, do qual é possível mostrar a mentalidade impregnada não só pelas ideias modernistas, mas maçônicas, que como núncio e patriarca não mais velava, a conclusão é óbvia: o sistema clerical do tempo de Pio XII era composto em grande parte por modernistas e mações ocultos que operavam abertamente para mudar a Igreja nas barbas de clérigos ignaros do perigo acordista. Depois, todos se acordariam às mudanças do «papa»!

O papa Pio XII, conhecendo esse descalabro clerical, reivindicou para si as decisões principais, chegando a exclamar, ao ver chegar o fim de seus dias: “depois de mim o dilúvio”. Assim, a Igreja em breve tempo ficou à mercê de reformistas que iniciaram a demolição da mesma Igreja, que dura desde os dias de Roncalli, João 23!

O Magistério papal aponta e condena o «magistério modernista»

O dilema da mentalidade modernista, que justifica as próprias ideias de «bem» e tem horror às certezas dogmáticas, é a aversão a uma autoridade divina para a qual nada é mais anti-católico do que a ideia pela qual “deve-se negar toda ação de Deus sobre os homens e o mundo”. É a noção de história refutada por Pio IX na Aloc. Maxima quidem (9.6.1862) e no Syllabus.

 

No início do século São Pio X voltou a analisar o conceito da «crítica histórica» modernista, apontando o seu grave veneno. Eis de onde procede a surda aversão ao Magistério da Igreja, pretendendo que se acorde aos novos tempos. Dai com uma  consequente aversão ao Evento de Fátima, que trouxe a Profecia sobre a «liquidação» do papado católico, o da conversão às Vontade imutável de Deus. Ao contrário, o «magistério modernista» quer acordar-se ao tempo e ao que considera suas novas «necessidades»!

Pode existir um papado que opere um ataque interno ao aspeto «histórico» do Cristianismo? Impossível, seria um «anti-papado» para a «demolição» da autoridade transcendente que guia a vida pessoal e social com o Magistério perene, baseado em princípios da lei natural e divina. A esta base universal seria anteposta a «soberania democrática» baseada na colegialidade e outros valores contingentes. Assim os Princípios perenes seriam superados pelo voto popular, que indicaria «novos princípios» para a vida social, rejeitando os Princípios cristãos.

Isto se vive hoje, com a palavra revelada trocada pelo verbo ideológico conciliar; as profecias divinas pelo gnosticismo. Ora, hoje, até no mundo tradicionalista muitos diriam que a esse «verbo» se deve resistir; mas acolhendo a legitimidade papal de seus promotores! Uma lógica às avessas devida ao acordismo de aceitar um «papa», mesmo que seja herege e «anticristo»!

Falsos mestres acordistas aceitam falsos papas acordados ao mundo

Podem os Mandamentos ser substituídos por leis populares? Claro que não, mas tal é o pecado original da Igreja-povo, que abafa a voz de Deus para colher o fruto proibido da «liberdade de consciência». São Pio X condenou em claras letras esses graves erros nas obras dos autores modernistas, não só dos mais extremistas como o padre Alfred Loisy, mas também dos moderados e sofisticados, como o padre, também francês, Louis-Marie-Olivier Duchesne, autor renomado de uma história eclesiástica na qual o elemento sobrenatural foi suprimido. Mas Duchesne, como crítico histórico, dizia não seguir a direção modernista, por exemplo, do desviado Renan. Aliás, foi inexorável na acusação das lacunas intelectuais dessas obras. Mas  quanto aos seus trabalhos históricos, reivindicava terem uma clara base científica. Todavia, Duchesne pode ser considerado o verdadeiro pai do Modernismo, segundo Houtin (Cfr. «Histoire du Modernisme», p. 249. Paris 1908). Foi mestre também na arte da simulação, delatando, se convinha, até amigos. Conseguiu assim salvar-se das censuras que atingiram Loisy, que, na sua rebelião – deve-se reconhecer – foi mais coerente e sincero que tal mestre, autor do livro «Histoire ancienne de l’Eglise» (Paris 1905-1910). “O que este representava para os modernistas era: ‘une histoire ancienne de l’Eglise racontée avec toute la science du XXe siécle, dans la langue du XVIIIe à la barbe des théologiens du XIIe’ (Houtin, La Crise du Clergé, p. 82. Paris 1907).

Pode-se igualmente identificar duas correntes modernistas na Itália, a comparar com a dupla Loisy/Duchesne. Uma do citado Buonaiuti que, como o conhecido Loisy, foi excomungado; a outra de Roncalli que, aprendendo essa lição, seguiu uma carreira até ser eleito «papa»! Este é o tremendo quesito em causa, que elevou o acordismo ao nível da Sede de São Pedro.

Com Duchesne temos a definição perfeita para um manual de incredulidade revestido de todo requinte de falsidade. Eis o mestre seguido por Roncalli que, condiscípulo dos modernistas Buonaiuti e Turchi e, como ele, professor de história, se servia ainda da obra de Duchesne, depois que esta foi considerada modernista e vetada nos seminários. Mas Roncalli continuou a ensiná-la até que, chamado à ordem, respondeu com uma carta hipócrita na qual jurava a sua fidelidade e mentia: «Eu não li desse livro mais que umas 15 ou 20 páginas… nem mesmo vi os outros dois volumes… conheço bastante das ideias de Turchi… e não confiei nele de modo algum». Desculpou-se, pois, alegando saber pouco da obra incriminada (P. HEBBLETHWAITE, «Giovanni XXIII. Il Papa del Concilio», Rusconi, Milão, 1989, nota 4); afirmações incrivelmente feitas sob juramento!

“Um casual achado de arquivo permite estabelecê-lo com precisão histórica. A inédita documentação faz parte das ‘Cartas Cavalcanti’… Destas foram conservadas cinco longas cartas escritas pelo cônego João Batista Mazzoleni (1855-1931) entre Maio e Setembro de 1911, nas quais são analisadas algumas conferências do professor Roncalli.”

Na primeira carta Mazzoleni conclui: “Eu esperava que quisesse falar do conceito da vida cristã, mas a sua conferência teve mais cheiro de ocultismo… E isso então de dizer que o matrimônio é a santificação do prazer sexual parece-me no mínimo inconveniente” (ib.). De fato, ocultismo e sensualismo ocupavam a mente do P. Roncalli, cuja nomeação à cátedra de história escolástica em 1912 no seminário romano foi vetada devido à sua dúbia ortodoxia e afastado (Lorenzo Bedeschi, Paese Sera, 13.12.72). Mas naqueles anos o futuro João XXIII era secretário do bispo de Bérgamo, o modernizante Radini-Tedeschi e contemporaneamente professor de história eclesiástica no seminário local, onde adotou os livros de seu mestre Duchesne. Em Roma havia sido diferente. Nomeado para a cátedra de história escolástica no seminário romano, depois de pouco tempo, tendo ali inserido até o pensamento antroposófico de Rudolf Steiner, foi considerado de “dúbia ortodoxia” (cf. mons. Lorenzo Bedeschi, Paese Seram 13.12.1972). O futuro João 23 continuou, todavia, a ser secretário do bispo de Bérgamo. Em 1919 teve uma primeira audiência com o papa Bento XV e no ano seguinte convidado a presidir a um Concílio a fim de reorganizar obras missionárias nas dioceses italianas. Roncalli parte para Roma em 1921 (12.2) e é recebido pelo Papa Bento XV que o nomeia Monsignore. Haveria que indagar se a promoção romana de um simples professor de Bérgamo, suspeito de modernismo, fosse normal ou fruto da influência «concordista» de Radini Tedeschi, homem de Rampolla, junto ao papa Della Chiesa (Bento XV) e Gasparri.

Roncalli entrou no livro negro do Santo Ofício, que, porém foi contornado pelo acordismo do cardeal Ottaviani, que assim apoiou sua eleição. Acima falamos dos alto-prelados que não quiseram ou não puderam reconhecer quem era o modernista Roncalli, ao ponto de aceitá-lo como «papa». Mas depois se passou a conhecer essa sua obra que continuou e multiplicou a demolição nos sucessores. Certamente não o fariam se tivessem conhecido a sua intenção de «obrar» a mutação conciliar. Conhece-se a reação pesadamente negativa do cardeal Ottaviani, que rezava para morrer logo, ainda como católico!

Por causa disso vemos hoje a «meia resistência» que recusa o magistério de erros e heresias derivados dessa eleição papal. Mas não recusam a eleição nula segundo o mandato do Papa Paulo IV na sua Constituição Apostólica «Cum ex apostolatus», que estabelece que esse conclave eleitor de um herege é nulo. Ora, quem pode demonstrar mais sua heresia do que o autor de um «magistério» recusado pelos erros e heresias (o punhal da comparação inicial)?

A meia resistência de uma hierarquia debilitada e confusa

A demonstração de um «magistério herético» esclarece o sofisma dos «mestres filósofos» que negam a condenação de todo modernista; foram condenados como hereges pela Igreja porque potenciais autores do ensino herético que os coloca fora da Igreja. Roncalli tornou-se elegível no conclave devido ao engano de ter ocultado o fato de ser modernista. Mas foram suas obras e «magistério» a desvelarem a sua condição de herege, cuja definição serve justamente para demarcar o impedimento de tal pessoa, contra toda aparência, ao ensino da Fé.

Os chefes desviaram-se, os juízes são parciais, a segurança social tornou-se bancarrota. E os consagrados? Não só na América, mas no mundo, os seus pedófilos vão levando a Igreja conciliar à falência pelo multiplicar dos processos de corrupção. O que ocorreu no âmbito do Vaticano, invadido pelos falsos cristos e falsos profetas nesses tempos, foi esquecer que os verdadeiros juízos se fazem acima de toda definição teologal à luz da Fé, aliás estas definições são justas se derivam e não se sobrepõem ao que foi revelado de Deus aos homens. Quanto às questões de Fé, todo acordismo com o erro e heresia é já cumplicidade neles.

Voltemos então à Palavra evangélica do mandato transmitido por São Paulo aos Gálatas (Gl 1, 8) lembrada por Gustavo Corção, que falou e escreveu nos anos Setenta sobre «duas igrejas»: “O que me parece difícil é fugir à evidência de um cisma, não do governo da Igreja, mas na sua própria personalidade: o que há no mundo moderno são duas Igrejas com parte da hierarquia comum ou alternante. E mais do que nunca tornou-se importante para todos bem demarcar a Igreja a que pertence” (O Globo, 30/03/1974)… É claro que nenhuma autoridade, nem mesmo da mais alta hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há 19 séculos”.

O dever era acusar os «falsos apóstolos» referidos na epístola aos Gálatas: “Ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema!”. É claro que identificar esse «pregador anátema» hoje não depende mais só de apurar se nega verdades de fé, mas se muda o sentido do Evangelho, seja alterando verdades ensinadas pelo Magistério apostólico, seja sufocando o essencial com o aleatório. Jesus avisou desse ataque final com o engano dos falsos cristos e falsos profetas para reformar a Palavra divina. Diz Corção: “Nenhuma reforma pode prevalecer sobre a identidade e sobre a continuidade dessa identidade”. O Magistério católico define a identidade do Papa católico. Outro «magistério» inaceitável na Fé só pode definir a identidade de impostores anátemas que o pensamento filosófico ancorado no princípio de identidade e não contradição reconhece.

Seria lícito perguntar: para que serve toda a filosofia que certos mestres ensinam por ai, se não sabem aplicar nem mesmo o bom senso aos fatos que ocorrem na Igreja de Deus contra a sua identidade e representação autêntica de Seu Chefe, que é Jesus Cristo? O que esse «acordismo conciliar» continua a fazer é contagiar a mente até de «mestres tradicionalistas» que, para o justificar, inventaram a alucinação desgraçadamente herética de «papas hereges»!

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