Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Solitários em casa, de novo

Magíster, vídimus quemdam in nómine tuo ejiciéntem dæmónia, qui non séquitur nos, et prohibúimus eum. Jesus autem ait: Nolíte prohibére eum: nemo est enim qui fáciat virtútem in nómine meo, et possit cito male loqui de me: qui enim non est advérsum vos, pro vobis est.

Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome, alguém que não nos segue, e quisemos impedi-lo porque não nos segue.” Jesus disse-lhes: “Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim. Quem não é contra nós é por nós.

Mc 9:38-40

Quem nunca viu “solitários em casa” a comunicar pela internet? Eles têm seus sites e blogs. Aí, criticam pessoas como nós que frequentamos os Sacramentos do clero sem jurisdição ordinária.

No entanto, a Lei Canónica ensina que sem a aprovação da Igreja não pode haver apostolado. Nem porta-a-porta, nem via email, nem através de websites como o Novus Ordo Watch, o Pro Roma Mariana, o Catholic Eclipsed, etc., ou apostolados de qualquer outro tipo. Os “solitários em casa”, se praticassem o que ensinam, ficariam em silêncio. Ao referirem-se ao Direito Canónico, eles dão um tiro no próprio pé. Por outras palavras, os similares do Bp. Dolan não podem liderar um apostolado, mas eles podem. Quando apresentei o absurdo deste raciocínio a um deles, ele respondeu que é obrigatório denunciar a heresia. Por qual cânone, perguntei. Não há nenhum cânone que obrigue um leigo a agir nessas circunstâncias. Assim, ele admitiu implicitamente que existem situações em que a epikeia se aplica.

Outra forma de provar o absurdo do seu erro é apontar para o Sacramento do Baptismo, que até mesmo um leigo pode administrar, mas somente sob risco de morte. Se a pessoa que eles baptizam não está à beira da morte, eles podem não fazê-lo, mas acho que o fazem ainda assim, pelo menos às vezes. Se fossem honestos consigo mesmos, esperariam o momento certo, mas isso é perigoso. Quem sabe se eles poderão lá estar naquele momento para que a pessoa não morra sem ser baptizada? Então, a mentalidade deles elimina o Baptismo.

A passagem bíblica que se aplicaria à nossa situação actual sob epikeia é a que citei no início.

Home aloners, once again

Magíster, vídimus quemdam in nómine tuo ejiciéntem dæmónia, qui non séquitur nos, et prohibúimus eum. Jesus autem ait: Nolíte prohibére eum: nemo est enim qui fáciat virtútem in nómine meo, et possit cito male loqui de me: qui enim non est advérsum vos, pro vobis est.

Master, we saw one casting out devils in thy name, who followeth not us, and we forbade him. But Jesus said: Do not forbid him. For there is no man that doth a miracle in my name, and can soon speak ill of me. For he that is not against you, is for you.

Mc. 9:37-39.

Who hasn’t seen home aloners reaching out over the internet? They have their websites and blogs. Here they criticize people like us for frequenting the Sacraments of clergy lacking ordinary jurisdiction.

Yet Canon Law teaches that without Church approval, there can be no apostolate. Nor door-to-door, no mailing list, websites such as Novus Ordo Watch, Pro Roma Mariana, Catholic Eclipsed, etc., or apostolates of any other kind. Home aloners, had they practiced what they teach, would be silent. By referring to Canon Law, they shoot themselves in the foot. In other words, the likes of Bp. Dolan may not lead an apostolate, but they can. When I pointed out this reasoning to one of them, he retorted that it is mandatory to denounce heresy. By what canon, I enquired. There is no canon compelling a layperson to take action under these circumstances. So he implicitly admitted that there are situations where epikeia applies.

Another way to prove the absurdity of their error is pointing to the Sacrament of Baptism, which even a layperson can administer, but only in the danger of death. If the person they baptize is not at the point of death, they may not do it, but I think they do it anyway, at least sometimes. Had they been honest with themselves, they would wait for the right moment but that is dangerous. Who knows if they can be there at that time and if not, the respective person will die unbaptized. So their mentality phases Baptism out.

The scriptural passage that would apply in our current situation under epikeia is the one I quoted at the beginning.

A book recommended by Saint Therese of the Child JesusA book recommended by Saint Therese of the Child Jesus

By Inês de Jesus (Prioress of the Third Order of Carmel)

The End of the World and the Mysteries of the Future Life, by Charles Arminjon (1824-1885) is a 19th-century work, quoted by Saint Therese of the Child Jesus, in her book “History of a Soul”, with this high praise:

“Reading this book was one of the greatest graces of my life. I made it at my study window and the impression I have of it is too intimate and sweet to express. All the great truths of religion, the mysteries of eternity, have plunged my soul into an unearthly happiness.”

Fr. Charles Arminjon, a French priest, completed the compilation of his Lectures in 1881, with the original title “Fin du Monde Présent et Mystères de la Vie Futur”.

For over a century, after its original 4th edition, it lay in obscurity. Only in 1964 did it come out of oblivion with a reissue in French. In 2008 it had the first translation into English.

Father Arminjon claims no special knowledge, nor is he a sensationalist preacher. On the contrary, he insists that he “turns away from all dangerous opinion, trusting neither in dubious revelations nor in apocryphal prophecies, and making no assertion which is not based on the doctrine of the Fathers and Tradition.” This is precisely what makes this work so interesting: Father Arminjon’s conclusions are based exclusively on the Bible, Tradition and the Fathers of the Church.

This work is a precious aid for meditation on the Newest of Man: Death, Judgment, Heaven and Hell. Furthermore, it is an invaluable aid to place ourselves in the eschatological context in which we find ourselves, with the analysis of the teachings of the Magisterium of the Church.

This book is now available in Spanish and English in the Pro Roma Mariana virtual library.

See the Books (LIVROS) section.

Um livro recomendado por Santa Teresinha do Menino Jesus

Por Inês de Jesus (Prioresa da Ordem Terceira do Carmo)

O Fim do Mundo e os Mistérios da Vida Futura, de Charles Arminjon (1824-1885) é uma obra do século XIX, citada por Santa Teresinha do Menino Jesus, no seu livro “História de Uma Alma” com este grande elogio:

“A leitura deste livro foi uma das maiores graças da minha vida. Eu fi -la à janela do meu quarto de estudo e a impressão que guardei dele é demasiado íntima e doce para a expressar. Todas as grandes verdades da religião, os mistérios da eternidade, mergulharam a minha alma numa felicidade que não é terrena.”

Pe. Charles Arminjon um sacerdote francês, concluiu a compilação das suas Conferências em 1881, com o título original “Fin du Monde Présent et Mystères de la Vie Futur”.

Durante mais de um século, após a sua 4ª edição original, ficou mergulhado na obscuridade. Só em 1964 saiu do esquecimento com uma reedição em francês. Em 2008 teve a primeira tradução para inglês. 

O Padre Arminjon não reivindica nenhum conhecimento especial, nem é um pregador sensacionalista. Pelo contrário, ele insiste que “Se afasta de toda a opinião perigosa, não confiando nem em revelações dúbias nem em profecias apócrifas, e não fazendo nenhuma afirmação que não esteja baseada na doutrina dos Padres e da Tradição.” Isto é precisamente o que torna esta obra tão interessante: as conclusões de Padre Arminjon baseiam-se exclusivamente na Bíblia, na Tradição e nos Padres da Igreja.

Esta obra é um precioso auxílio para a meditação sobre os Novíssimos do Homem: Morte, Julgamento, Céu e Inferno. Além disso, dá um inestimável auxílio para nos situarmos no contexto escatológico em que nos encontramos, com a análise dos ensinamentos do  Magistério da Igreja.

Este livro encontra-se, a partir de agora, disponível em Espanhol e em Inglês na biblioteca virtual do Pro Roma Mariana.

Veja-se a secção Livros.

A Igreja no Presépio de Belém

Brites Anes de Santarém

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Na presente crise pós-Concílio Vaticano II, muitos tem estabelecido um paralelismo entre a Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja dado grau de aniquilação infligido pelo movimento revolucionário apóstata àqueles que guardam a verdadeira Fé católica. Será, pois, de esperar uma gloriosa Ressureição da Igreja católica. Talvez assim venha a ser, num futuro não muito longínquo, com o Triunfo do Imaculado Coração de Maria predito em Fátima e cuja esperança todos nós acalentamos.

Mas, à vista da actual situação da Igreja Católica, reduzida a um punhado de fiéis, empobrecida e perseguida não posso deixar de me questionar:

E se a Igreja não ressuscitar mas, em vez disso, nascer de novo? Não estará a Igreja actualmente no Presépio de Belém?

Há cerca de dois mil anos qual era o contexto religioso? Os líderes judaicos tinham reduzido o Judaísmo, em boa parte, a uma religião de fachada, baseada em ritos que já não ecoavam no coração daqueles que os executavam. O Judaísmo tornara-se uma religião normativa, de cariz social e os seus líderes tinham-se mundanizado, preocupando-se mais com a guarda do poder e do prestígio social do que em amar a Deus acima de todas as coisas, com todo o coração e com toda a alma. Efectivamente, o Judaísmo estava prestes a sublimar-se noutra religião- o Catolicismo. Eram os estertores finais de um sistema religioso decadente assente na Antiga Aliança que estava prestes a ser cancelada e substituída para sempre pela Nova e Eterna Aliança, estabelecida pela Crucificação do Salvador.

O próprio poder civil judaico representado por Herodes, era uma autoridade ilegítima.

Apesar das importantes dissemelhanças podemos estabelecer interessantes paralelismos com a situação actual. Uma das mais importantes diferenças com a actual situação é que o Judaísmo era, até à Nova Aliança, a verdadeira religião, fundada por Deus e esse era o sistema religioso vigente. Actualmente, porém, vigora uma impostura religiosa, uma contrafacção do Catolicismo, concebida pela maçonaria, uma seita revolucionária satânica que se oculta sob o disfarce do filantropismo. Esta é uma diferença essencial. A semelhança consiste na decadência da Igreja Conciliar, dos seus falsos ministros, em muitos aspectos comparável à decadência da religião judaica, à data do nascimento de Jesus. Estamos à beira de uma mudança no paradigma religioso, agora tal como há dois mil anos.

Meditemos, pois, naquela fria noite de Dezembro de há dois mil e vinte e dois anos atrás. Num sítio isolado em Belém, dentro de uma gruta, Maria e José adoravam o Menino. Maria adorava-O perfeitamente, como Ele próprio queria ser adorado. José adorava-O com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu entendimento.

A alguns quilómetros de distância, no Templo de Jerusalém, continuava a render-se o ininterrupto culto da Antiga Aliança. Mas pela primeira vez Deus não estava apenas presente espiritualmente no Templo: tinha Encarnado e estava presente em Corpo, Alma e Divindade sob a forma de um frágil bebé recém-nascido. Era o Cordeiro de Deus que tinha nascido. Começava, nessa noite, a preparar-se a Nova e Eterna Aliança. Deus já não se satisfazia com o culto quase meramente exterior que lhe era rendido no Templo de Jerusalém. Alguns anos mais tarde, Jesus vai desferir duras invectivas contra esses ministros de Deus, reduzidos a “sepulcros caiados de branco”.

Pouquíssimas pessoas se aperceberam, naquela época, da eminente mudança no sistema religioso vigente. Tratava-se do cancelamento da Antiga Aliança e do estabelecimento de uma Nova Aliança, algo que ultrapassa largamente a dimensão daquilo a que estamos prestes a assistir: a queda da maior impostura religiosa de sempre e o renascimento milagroso da verdadeira Igreja fundada por Cristo- a Igreja Católica, Apostólica, Romana.

No entanto, insistamos nas semelhanças entre os dois contextos. Naquela época, algumas pessoas estudavam atentamente as profecias tentando descortinar o surgimento do Messias. Hoje em dia, algumas pessoas também se empenham em ler os sinais dos Tempos, à luz da Bíblia, do Magistério e das profecias dos santos católicos. Essas pessoas procuram saber quando virá o Anticristo, quando será o Triunfo do Imaculado Coração de Maria, quando regressará o Redentor. Procuram situar-se no contexto de Apocalipse. Na ausência de um Papa legítimo estamos condenados à divisão das opiniões e dos pontos de vista, em tudo o que a Igreja Católica deixou em aberto, no seu Magistério. Mas muitas pessoas se indagam e procuram já “Onde O puseram”, como dizia Pio XII, referindo-se aos tempos actuais. Sabem que Deus já não está realmente presente nas igrejas das paróquias, pois a Consagração que lá é feita não é válida. Essas pessoas lêem os sinais dos tempos e procuram o Menino.

No presépio de Belém vemos dois tipos de pessoas, além da Sagrada Família: os Pastores e os Reis Magos. Estes homens tiveram o privilégio de adorar a Deus face a face. Os Pastores eram homens muito simples, ali trazidos pelo anúncio dos Anjos. Como sempre, o Céu escolhe pessoas pouco importantes aos olhos do mundo para os maiores eventos. Hoje vemos também pessoas simples a serem trazidas pela boa inspiração dos seus Anjos da Guarda até à boa informação que ainda circula e essas pessoas são levadas a adorar o Menino, na verdadeira Missa, Tridentina e “non una cum” o falso “Papa” Francisco.

Vemos também pessoas mais intruídas, que estudam todo o tipo de Ciências, a perceberem que o mais importante é que o Menino está nalguma casa particular, nalguma cave ou nalgum sótão, num sítio pouco digno da Sua Realeza, à espera deles para ser adorado.

E ali, no Presépio de Belém, podemos ver prefigurados os dois cultos em simultâneo, da Antiga e da Nova Aliança: um culto natural simbolizado pelos presentes dos Reis Magos, consistindo em objectos nobres que agradam a Deus, como o ouro, o incenso e a mirra. Pois a religião judaica transformou-se no catolicismo, havendo uma continuidade, pela sobrenaturalização, entre os rituais antigos e os sacramentos católicos, como é bem evidente no Santo Sacrifício da Missa.

Também nós podemos oferecer a Deus o ouro, o insenso, as velas de cera de abelha, o azeite, os tecidos finos de linho habilmente bordados que sempre fizeram parte do culto divino nas igrejas católicas. Mas ali no Presépio de Belém há já outro tipo de culto, levado a cabo por “adoradores em espírito e em verdade”: um culto interior, através do qual se procura adorar o Menino mas sem se efectuarem os cultos prescritos, que decorriam, em simultâneo, no Templo de Jerusalém. Aqueles adoradores do Presépio adoram o Corpo, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, como nós fazemos na verdadeira Missa Tridentina “non una cum”, tão perseguida.

Sabemos que a Sagrada Família, tal como os Reis Magos, tiveram que fugir do falso Rei Herodes. Enquanto não houver um poder temporal legítimo que proteja a Igreja, esta está destinada a esconder-se.

De que é que Herodes tinha medo? Receava que o verdadeiro Rei dos Judeus o destronasse. Ele sabia que não merecia estar naquela posição. Era um Rei falso. A linhagem real culminava em José e Maria, descendentes do Rei David. O legítimo “Rei dos Judeus” era Jesus, acabava de nascer.

Alguns anos mais tarde, este epitáfio será afixado na cruz, a mando de uma autoridade romana legítima- Pilatos. Aqueles judeus que foram responsáveis pela Morte de Jesus, hão-de pedir a Pilatos que altere o epitáfio para “Diz-se Rei dos judeus”, mas Pilatos não aceitou alterar a inscrição. Parece que a verdade era insuportável para aqueles judeus maus e ardilosos.

A verdade ficou exposta publicamente durante a cruxificação. Mas, naquele contexto, tal como no Presépio, a verdade parecia inverossímel. E por isso apenas uma minoria aderiu a ela. Apenas aqueles que não receavam ser enxovalhados ao pé da cruz ou aqueles que acreditavam que num sítio humilde, rodeado por pouquíssimas pessoas, podia estar Deus.

Assim, parece-me que podemos ver actualmente a Igreja, Corpo Místico de Cristo, pequenina e indefesa, escondida numa gruta, com um pequeno grupo de adoradores ao redor de um Menino humildemente reclinado numa mangedoura. Mas José, protector da Igreja, terror dos demónios está lá e, mesmo tendo que fugir, protegerá o Menino da perseguição. Maria, A cheia de graça, também lá está e sabemos que Ela sozinha esmaga todas as heresias. Ela vai cuidar do Menino, alimentá-lo, fortalecê-lo e assim ela fará também à Igreja. Será o Triunfo do Seu Imaculado Coração. Talvez um dia, noutro ciclo da História, a Igreja volte a sofrer a Paixão do Senhor, como sofreu no Concílio Vaticano II. Para já, animemo-nos: a Igreja está no Presépio de Belém.

Novus Ordo Watch

Fátima e a Paixão da Igreja