Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O SEMI-AGNOSTICISMO DOS CARDEAIS SARAH E MULLER

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens da sua Radiomensagem “Con Sempre Nuova Freschezza” de 24 de Dezembro de 1942:

«Amados filhos! Queira Deus que enquanto a nossa voz chega aos vossos ouvidos, o vosso coração se sinta profundamente impressionado e comovido pela infrangível seriedade, a ardente solicitude e o pedido insistente com que vos inculcamos estas ideias, que querem ser um chamamento à consciência universal e um grito que convoque a todos quantos estão dispostos a ponderar e medir a grandeza da sua missão e responsabilidade com a amplitude da calamidade universal.

Grande parte da humanidade, e não recusamos dizê-lo, também não poucos dos que se dizem cristãos, entram, de algum modo, na responsabilidade colectiva do desenvolvimento erróneo, dos danos e da falta de elevação moral da sociedade de hoje em dia. Esta guerra mundial, e tudo quanto se relaciona com ela, sejam os precedentes remotos ou próximos, os seus procedimentos e efeitos materiais, jurídicos e morais, que outra coisa representa senão o esfacelo, inesperado talvez para os incautos, mas previsto e deplorado pelos que penetravam com o seu olhar até ao fundo de uma ordem social que debaixo do enganoso rosto ou máscara de fórmulas convencionais, escondia a sua fatal debilidade e o seu desenfreado instinto de lucro e poderio?

O que em tempos de paz jazia comprimido – explodiu! Ao romper da guerra, numa série de actos em oposição com o espírito humano e cristão. Os acordos internacionais para fazer menos desumana a guerra, limitando-a aos combatentes, e para regular as normas de ocupação e de cativeiro dos vencidos, ficaram letra morta em várias partes; e quem é capaz de ver o fim deste progressivo agravamento?

Querem talvez os povos assistir inertes a tão desastroso progresso? Não devem, ao contrário, reunir-se os corações de todos os magnânimos e honestos sobre as ruínas de uma ordem social que tão trágica prova deu DA SUA INAPTIDÃO PARA O BEM DO POVO, com o voto de não descansar até que em todos os povos e nações sejam legião os grupos dos que, DECIDIDOS A LEVAR DE NOVO A SOCIEDADE AO INDEFECTÍVEL CENTRO DE GRAVIDADE DA LEI DIVINA, ANELEM PELO SERVIÇO DAS PESSOAS E DA SUA COMUNIDADE ENOBRECIDA POR DEUS?

Este voto deve-o a humanidade aos inumeráveis mortos que jazem no campo de batalha: O sacrifício da sua vida no cumprimento do seu dever, E O HOLOCAUSTO A FAVOR DE UMA NOVA E MELHOR ORDEM SOCIAL.  Lutai em nome de uma humanidade gravemente enferma e que é preciso curar em nome da consciência levantada pelo cristianismo.(…)

A nossa benção e o nosso paterno augúrio e encorajamento acompanhe a vossa generosa iniciativa e permaneça com todos os que não fogem dos sacrifícios duros, ARMAS MAIS POTENTES QUE O FERRO PARA COMBATER O MAL DE QUE SOFRE A SOCIEDADE. Sobre a vossa cruzada em prol de um ideal social humano e cristão, resplandeça consoladora e incitadora a estrela que brilha sobre a gruta de Belém, astro augural e perene da era cristã. Da sua visão, aufere, e auferirá forças todo o coração fiel: “Ainda que acampem exércitos contra mim, NÃO PERDEREI A ESPERANÇA!”(Sl 26,3). ONDE ESTA ESTRELA FULGURA ESTÁ CRISTO! “SENDO ELE NOSSO GUIA, NÃO NOS DESVIAREMOS, VAMOS POR ELE A ELE, PARA GOZAR POR TODA A ETERNIDADE COM O MENINO QUE HOJE NASCEU (Santo Agostinho).»

 

O cardeal Sarah, sendo considerado o dignitário mais conservador da seita conciliar, talvez pensássemos que nele encontrariamos fundamentos perenes para edificar algo de bom. Mas não.

Ao afirmar que “o melhor da Liturgia antiga, pré-conciliar, se deveria combinar com o melhor da liturgia conciliar”, esse senhor demonstra possuir e desenvolver um pensamento puramente humano e terreno, sem qualquer unção de Fé católica. Efectivamente, nas coisas deste mundo, pensadas com o espírito deste mundo, sem qualquer finalidade que, de algum modo, o transcenda, É QUE SE PROCEDE A COMBINAÇÕES, A AJUSTES TOSCOS, E A APARÊNCIAS MAIS OU MENOS FRAUDULENTAS, QUE PERMITAM IR LEVANDO A “VIDINHA”. Pois que denominada liturgia conciliar, foi gizada por maçons e protestantes, com o objectivo formal de destruir a Fé Católica.

Esquece o Cardeal Sarah, que a Liturgia, toda a Liturgia, exprime, e tem de exprimir, necessàriamente, A ADORAÇÃO AO VERDADEIRO E ÚNICO DEUS UNO E TRINO, ADORAÇÃO QUE ALCANÇA O SEU ZÉNITE NA RENOVAÇÃO INCRUENTA DO SACRIFÍCIO DA CRUZ, NA QUAL SE APLICAM OS FRUTOS DA REDENÇÃO. Pois que a própria adoração de Nosso Senhor Jesus Cristo (enquanto Homem) para com toda a Trindade, alcançou na Cruz a sua mais sublime e inefável expressão. Se a Sagrada Liturgia não se consubstanciar nesta Adoração Essencial, isto é, SE ESTIVER PRIVADA DO DOGMA – ENTÃO NÃO É NADA, AINDA QUE SIMULE E MACAQUEIE AS FORMAS TRADICIONAIS. Nunca olvidemos este ponto essencial: LITURGIA SEM DOGMA – NÃO É NADA!

Ora o Cardeal Sarah, tal como Muller, possui um discurso de referência positiva e permanente ao amaldiçoado Vaticano 2 e seus “papas”, assegurando-se singularmente alarmado por vivermos numa idade sem Deus. Mas se cogitasse um pouco e estivesse, caracterizadamente, de boa fé, verificaria como o Vaticano 2, não só não opôs nenhuma barreira firme a essa idade sem Deus, MAS PELO CONTRÁRIO A APOIOU, ESTIMULOU, E ATÉ CONSOLIDOU. Só não vê quem não quer, e o pior cego É O QUE NÃO QUER VER.

Sarah manifesta o seu júbilo pelo décimo aniversário da “Summorum Pontificum”, quando este documento de Ratzinger constitui a expressão mais completa da “Liturgia sem Dogma” que atrás referimos.

Insiste-se: O Dogma, a Moral e a sã Filosofia foram plenamente dissolvidos pela proclamação do princípio da liberdade religiosa; essa proclamação não foi efectuada pela Santa Madre Igreja, mas pela maçonaria internacional.

Sarah e Muller encontram-se perfeitamente integrados no liberalismo do Vaticano 2. Gostariam, sem dúvida, de um meio termo; detestam os extremos de niilismo, de anarquismo, de toxicodependência, de revolta; todavia, se invocassem formalmente a verdadeira Teologia Católica, imediatamente concluiríam QUE TAL MEIO TERMO É IMPOSSÍVEL, na exacta medida de que em consequência da ferida na natureza oriunda do pecado original, a esmagadora maioria dos homens TENDEM PARA O NADA AO SER-LHES SONEGADO O FUNDAMENTO DE SER. Ora, o processo Histórico apóstata vem acelerando desde o século XIV, já nos séculos XVIII e XIX eram raríssimos os verdadeiros católicos. O que é que se poderia esperar da usurpação da Santa Madre Igreja pela mesma maçonaria internacional?

Sarah julga resolver o problema pela via Litúrgica, pela própria sacralidade das cerimónias? Mas a Santa Madre Igreja sempre condenou as teses que faziam da Liturgia um meio de nutrir, imanente, arbitrária e directamente uma “fé” cega e estéril. A SAGRADA LITURGIA SÓ NOS PODE ELEVAR DAS COISAS VISÍVEIS ÀS REALIDADES INVISÍVEIS, PELA MEDIAÇÃO COGNITIVA DA FÉ. NÃO SE EXCLUI, BEM PELO CONTRÁRIO, QUE A ASSISTÊNCIA ÀS CERIMÓNIAS SAGRADAS CONSTITUA UMA CONDIÇÃO EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL DA GRAÇA DIVINA, MAS TAL PROCESSA-SE NA FÉ CATÓLICA, PELA FÉ CATÓLICA, E SÓ NA FÉ CATÓLICA.

Já há dez anos, perante o entusiasmo dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, com o “Summorum Pontificum”, e a urgência com que procuravam ensinar os padres da seita conciliar a celebrar a Missa de São Pio V, eu me insurgi: Então, e o enquadramento da Fé?

Há contudo uma afirmação do Cardeal Sarah que me tocou positivamente: A de que é dessacralizante recitar o Breviário no smartphone ou no tablet. Sem dúvida que o é, porque esses aparelhos possuem outros fins, que embora legítimos, são profanos. Nada tenho contudo a objectar que assim se proceda, em casos necessários. Sempre tenho declarado que as novas tecnologias constituem uma benção para os defensores da verdadeira Fé Católica, pois sòmente através delas conseguem comunicar. Mas devemos reconhecer que a forma digital elimina o corpo do livro, ficando apenas a alma. E o corpo do livro, da Sagrada Escritura, por exemplo, constitui um valor, uma entidade Litúrgica. Com esta afirmação, mais importante do que parece, o Cardeal Sarah demonstra que talvez seja recuperável para a verdadeira Fé. Rezemos por ele.

O Cardeal Muller, demitido há pouco da Congregação da Doutrina da Fé, declarou, recentemente, que Bergoglio não se fundamenta  numa Teologia sólida. Deveria antes dizer que Bergoglio tudo alicerça num franco ateísmo, ou melhor num antropoteísmo. Tudo nele dimana do ateísmo e conduz ao ateísmo. Considera Muller que Bergoglio permitiu que a magnitude da Doutrina da Fé quase fosse aniquilada; e mostra-se desolado com isso.

Engana-se, porém; não foi Bergoglio que eclipsou a Doutrina da Fé, FOI O VATICANO 2, COM O SEU LIBERALISMO; Bergoglio sòmente explicita a ideologia do Vaticano 2.

Muller também está profundamente chocado com o facto de Bergoglio haver declarado que religião e política são a mesma coisa. Não surpreende tal afirmação, porque para Bergoglio a grande missão da organização diabólica que chefia é implementar institucionalmente o panteão das religiões, o que só se pode lograr com programas e métodos políticos. E a organização supra-nacional que deverá nascer, para Bergoglio, terá de possuir uma soberania moral internacional, pois que deverá constituir o embrião do governo mundial concomitante da plena “divinização” do Género Humano. Tal como predizia Monsenhor Delassus, a face humana do Corpo Místico, uma vez usurpada pela maçonaria internacional, servirá à construção do Panteão das religiões.

A diferença entre estes contestadores de Bergoglio, mas ainda vinculados ao Vaticano 2, e os heresiarcas apóstatas da neo-Fraternidade, é que os primeiros talvez ainda possuam potencialidades para, com a Graça de Deus, alcançarem a verdadeira e íntegra Fé Católica; ao passo que os segundos já exauriram todas essas potencialidades, porque duplamente réus de alta traição.   

Apesar de tudo, Sarah, Muller, e outros, por enquanto completamente cegos e estèrilmente balbuciantes, talvez possam, com a Graça de Deus Nosso Senhor, com a Mediação de Maria Corredentora, desenvolver futuramente o embrião do tal movimento eclesial que derrubará o Vaticano 2 como concílio do diabo, amaldiçoando e declarando a invalidade dos seus papas, para restaurar, sobretudo qualitativamente, a pujança da face humana do Corpo Místico, sob a autoridade de verdadeiros Vigários de Cristo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Setembro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral           

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OS CEM ANOS DE FÁTIMA NÃO SÃO OS DO PEDIDO DE CONSAGRAÇÃO

Arai Daniele

O que Nosso Senhor revelou à Lúcia sobre o destino de Seus ministros quanto à desgraça que seguiria o menosprezo com que Luis XIV acolheu Seu pedido de consagração, dizem respeito às aparições a santa Margarida Alacoque em 1689. Exatamente cem anos depois o Rei de França perdeu todo e poder e em seguida a cabeça na guilhotina. A comparação vale para os ministros de Nosso Senhor, isto é o Papado que até 1958 foi inadempiente de um extremo pedido/ajuda divino. Seguiu a fatal acefalia de um Papa católico. São fatos históricos.

Vamos revê-los brevemente para saber que no momento em que o fermento revolucionário assumiu poder para subverter as mentes na França, o Céu mandou uma ajuda, desatendida.

Nos fins do reinado de Luís XIV, entre 1680 e 1715, o escritor Paul Hazard situou o fluxo sintomático de mais ou menos todas as atitudes mentais cujo conjunto conduziria à revolução… “a crise da consciência européia”.

Depois da morte do rei, o movimento subversivo desenvolveu-se com grande virulência e não há historiador objetivo que negue a ação das sociedades secretas, que então surgiram por toda parte, no assalto contra a ordem cristã. A conivência entre os huguenotes, os jansenistas e os filósofos refugiados na Holanda dava seus frutos. O galicanismo, por seu turno, não tardou a reforçar a conjura e a desempenhar um papel tanto mais decisivo quanto se baseava no mais odioso dos equívocos.

Em poucos anos, as seitas e sociedades anticristãs iriam se difundir e tudo invadir. Introduzida na França de forma quase oficial desde 1721, com a instituição em Dunquerque, em 13 de outubro, da loja “Amizade e Fraternidade”, a franco-maçonaria se desenvolveria com grande força.

Voltaire foi recebido na franco-maçonaria quando da sua primeira viagem à Inglaterra (1725-1728) e, de regresso a Paris, não fez mistério do seu projeto de aniquilar o cristianismo. A publicação da Enciclopédia foi o primeiro meio para atingir este fim. Os conjurados fizeram dela um depósito de todos os erros, sofismas e calúnias inventados contra a religião. Mas estava convencionado que ela ministraria o veneno de maneira insensível. A Enciclopédia era uma obra internacional.

Bertin, encarregado da administração real, compreendeu o perigo dessa propaganda que chegava até as classes mais humildes da sociedade. Interrogando os vendedores dos livros, soube que estes não custavam nada e eram entregues em pacotes de procedência ignorada para serem vendidos em barracas a preços módicos.

Voltaire encarregou-se dos ministros, príncipes e reis. Quando não podia aproximar-se destes, trabalhava-os indiretamente. Por exemplo, colocou junto de Luís XV um médico, Quesnay, por cuja direção ideológica o rei o chamava de seu pensador.

Era revolta contra Deus – Joseph de Maistre diria: “Embora sempre tenham existido ímpios, nunca se verificou antes do século XVIII e no seio do cristianismo uma insurreição contra Deus, sobretudo nunca se tinha visto uma conjura sacrílega de todos os talentos contra o seu Autor; ora, foi a isto que então assistimos.” Contudo, já em 1738, a Igreja, pela boca do soberano pontífice, tinha avisado sobre o perigo e desmascarado a conspiração! Em 28 de abril, Clemente XII condenou pela primeira vez a franco-maçonaria. Em 1751, confirmou esta condenação Bento XIV, e assim por diante. Mas, se o papado soube ver o perigo e condená-lo, os príncipes preferiam deixar correr e mesmo auxiliá-lo.

Que terrível ironia se desprende de documentos como esta carta de Maria Antonieta para sua irmã, rainha Maria Cristina (26-2-1781); “Julgo que vos preocupais demasiado com a maçonaria. Aqui toda gente o é … Recentemente, a princesa de Lamballe foi nomeada grão-mestre duma Loja e contou-me todas as belas coisas que lhe foram ditas.” De fato, a começar pelo primo do rei, o futuro regicida Filipe “Égalité”, que seria por sua vez guilhotinado; esse mesmo aplicava-se a “maçonizar” o exército e sobretudo as “guardas francesas”. Ora, sabe-se que a revolução só foi possível graças à súbita dissolução do exército real…

O que acontecia na França se repetia em toda a Europa. Influentes em Versalhes e em Paris, os jansenistas e enciclopedistas uniam-se e exerciam influência também em Viena. O exemplo de José II, imperador da Áustria, era contagioso. A revolução que os sofistas arrastavam foi acelerada tanto pelos reis como pelos seus ministros. Existiam marqueses de Pombal em todas as cortes.

Em 1789, mais da metade dos deputados franceses eram franco-maçons. Eis porque o padre Baruel escreveu: “Na revolução francesa, tudo, incluindo os crimes mais espantosos, tudo foi previsto, meditado, combinado, resolvido, estabelecido. Luís XVI, no seu regresso de Varennes, confessaria: ‘Por que não acreditei há onze anos? Tudo quanto atualmente vejo tinha-me sido anunciado’.” E sobreviria a morte desde rei que fora, sem dúvida, decidida pela seita ainda muito antes da revolução.

O papa Bento XV escreveu: “Desde os três primeiros séculos, durante os quais a terra ficou empapada com o sangue dos cristãos, pode-se dizer que nunca a Igreja atravessou uma crise tão grave como aquela em que entrou no fim do século XVIII.” E também: “É sob os efeitos da louca filosofia resultante da heresia dos Inovadores e da sua traição que os espíritos saíram em massa dos caminhos da razão e que explodiu a Revolução, cuja extensão foi tal que abalou as bases cristãs da sociedade, não só em França, mas paulatinamente em todas as nações.” (A.A.S. 7/3/1917). De fato, só a revolução, que estava para realizar-se no  seu pontificado, ultrapassaria tudo isto.

o Império revolucionário de Napoleão

O imperador Napoleão I repetiria à saciedade que tinha sido o defensor das idéias de 1789. Auto-proclamava-se o “Messias” da revolução: “Consagrei a Revolução, insuflei-a nas leis.” Vejamos então qual o legado desta num escrito do bispo de Angers (monsenhor Freppel):

“Lede a Declaração dos Direitos do Homem, quer a de 1789, quer a de 1793, vede qual a idéia que então se formou dos poderes públicos, da família, do casamento, do ensino, da justiça e das leis: lendo-se todos esses documentos, vendo-se todas essas instituições novas, dir-se-ia que, para essa nação cristã desde há quatorze séculos, o cristianismo nunca existira e que não havia lugar para ser tido em conta… Era o reinado social de Jesus Cristo que se tratava de destruir e de apagar até o menor vestígio. A revolução é a sociedade descristianizada; é Cristo repelido para o fundo da consciência individual, banido de tudo quanto seja público, de tudo quanto seja social; banido do Estado, que já não procura na Sua autoridade a consagração da sua própria; banido das leis, das quais a Sua lei não é soberana; banido da família, constituída fora da Sua bênção; banido da escola, onde o Seu ensino já não é a alma da educação; banido da ciência, onde não obtém melhor homenagem do que uma espécie de neutralidade não menos injuriosa do que a negação; banido de toda parte, a não ser talvez de um recôndito da alma, onde consentem deixar-lhe um resto de domicílio.”

Esta era a intenção real. Mas, perguntar-se-á, por que razão teria Napoleão restabelecido o culto católico na França? Por que fez uma concordata com o papa Pio VII? Por que convidou este para a sua coroação? Algo se esclarece a esse respeito no seu Memorial de Santa Helena: “Quando restabelecer os altares, quando proteger os ministros da religião, como eles merecem ser tratados em todo o país, o papa fará o que lhe pedir: acalmará os espíritos, reuni-los-á na sua mão e colocá-los-á na minha… Além disso, o catolicismo conservar-me-á o papa, e, com sua influência e as minhas forças na Itália, não desistirei de, cedo ou tarde, por um meio ou por outro, acabar por ter nas minhas mãos a direção desse papa, e, desde logo, dominar essa influência e essa alavanca de opinião sobre o mundo…” Para quê?

“De fato”, escreveu monsenhor Delassus, “onde quer que Napoleão levou seus exércitos, fazia o que tinha sido feito em França, estabelecendo a igualdade entre os cultos, expulsando os religiosos, impondo a partilha forçada, vendendo os bens eclesiásticos, abolindo as corporações, destruindo as liberdades locais, derrubando as dinastias nacionais, aniquilando, numa palavra, a antiga ordem das coisas e esforçando-se para substituir a civilização cristã por uma civilização cujo princípio e fundamento seriam constituídos pelos dogmas revolucionários.”

Depois da queda de Napoleão os revolucionários não conseguiram impedir a volta de um rei católico na pessoa de Luís XVIII, da família Bourbon. Mas conseguiram colocar junto ao soberano um certo número de homens que pouco tinham de promotores da restauração da ordem cristã. Tratava-se de uma equipe de prelados e padres que haviam abandonado o seu ministério sob a revolução: Talleyrand, de Pradt, Louis, de Montesquieu. Foi a esses quatro eclesiásticos que Luís XVIII confiou o governo da primeira restauração. No da segunda havia o regicida Fouché. Com a polícia dominada por ele a maçonaria pôde reorganizar-se livremente. E assim a restauração favoreceu o catolicismo, mas também os maçons e o parlamentarismo, de modo que “a constituição de 1814 saiu das próprias entranhas da revolução”, como diria Thieres em 1873. O papa Pio VII manifestava ao rei, através do bispo de Tours, sua dor e os perigos dessa constituição revolucionária. Em 1818 o cardeal Consalvi escreveria ao príncipe de Metternich-Winneburg, da Áustria: “Julgo que a revolução mudou de marcha e de tática. Já não ataca a mão armada tronos e altares: limita-se a miná-los…” Mas os avisos de Roma de nada serviriam aos monarcas de então.

Luís XVIII estava longe de ser um católico de tempera. Havia recusado à contra-revolução da Vandéia de tomar o poder para vencer a subversão revolucionária e o terror dos anos que se seguiram a 1793. Seu irmão e sucessor Carlos X, embora bastante devoto, não tinha uma formação católica sólida para enfrentar tantas insídias e acabou sucumbindo. Pelo golpe de estado de 30 de julho de 1830 foi levado ao poder Luís Filipe Égalité, filho do regicida Orléans.

Era o retorno da revolução com todas as suas insídias, mas com a salvaguarda de estar sob a continuidade e respeitabilidade monárquica. Rodeado desde o início pelos pontífices da maçonaria — Decazes, La Fayette, Talleyrand, Teste, etc. — começou por colocar o judaísmo no mesmo nível das confissões cristãs, reforçando o interconfessionalismo e o clima de indiferença e liberalismo religioso. Assim, reconciliada na França a revolução com o trono, em toda a Europa os revolucionários ficaram livres para difundir e intensificar a guerra contra a Igreja, como se verá na Espanha e em Portugal, mas especialmente em Roma, onde o papa foi praticamente forçado a aceitar um projeto de anistia permanente para os revolucionários dos estados pontifícios. Em 1832 a França orleanista chegou a apoderar-se ameaçadoramente da cidade de Ancona, mas sem abalar a firme prudência de Gregório XVI.

As aparições de Nossa Senhora

Poderíamos perguntar se diante de tantos perigos e ameaças, Deus não havia dado algum sinal e ajuda à Sua Igreja. Esta é a questão que, embora seja extremamente importante, está incrivelmente esquecida.

Na noite entre 18 e 19 de julho de 1830, onze dias antes do golpe [XXX] de estado, Nossa Senhora apareceu em Paris, na capela da “rue du Bac” das Filhas da Caridade, à jovem religiosa Catarina Labouré. A humilde noviça, que depois se tornou santa, ouviu a Virgem Maria, que com os olhos cheios de lágrimas, profetizava as grandes desgraças que estavam para abater-se sobre a humanidade. Em 27 de novembro, a Virgem Imaculada confiou a Catarina a missão de propagar a “Medalha Milagrosa” para sustentar os fiéis e a Igreja com a invocação: — Oh Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a Vós.

Eis, portanto, a resposta a esta questão capital que nos deve orientar sobre a luminosa seqüência de aparições marianas que vieram prevenir sobre os grandes perigos revolucionários modernos, que de 1830 até hoje se sucedem numa escalada vertiginosa.

A consideração fundamental é esta: a intervenção sobrenatural precede uma ameaça política à vida religiosa, mas a verdadeira ameaça, invisível, está no interior da Igreja, é relativa à defesa da fé, da doutrina, do culto, do clero, da hierarquia e do pontificado. Nossa Senhora veio à “rue du Bac”, como a La Salette e Fátima, avisar sobre erros políticos, mas para a defesa da Roma católica. A mensagem de ajuda é antes de tudo para que o pontífice romano tenha um novo apoio inestimável para preservar a fé íntegra e pura. Bastaria lembrar estas aparições de Maria Imaculada que em Lourdes, em 1858, diz “Eu sou a Imaculada Conceição”, confirmando assim a plena oportunidade do dogma proclamado pelo papa Pio IX em 1854.

A revolução liberal dentro da Igreja

Com esta luz podemos entender que o verdadeiro perigo de 1830 não era tanto a revolução coroada que iria impor o erro no mundo pelas armas, mas uma infiltração liberal que iria enfraquecer as defesas doutrinais da Igreja pelo liberalismo. Este termo tem-se prestado a muitas confusões, razão pela qual se impõe uma melhor elucidação deste mal, denunciado pelo papa.

Liberalismo é, essencialmente, atribuir à liberdade humana prioridade sobre a verdade revelada por Deus. Esta rebeldia à verdade começou a apoderar-se dos governos e das leis com a revolução francesa, mas era condenada e mantida fora da Igreja até que eclesiásticos, como o padre Lamennais, ocuparam-se de acolhê-la e “cristianizá-la”. Desde o século XIX o liberalismo religioso fez três grandes tentativas de dominar a Igreja. A primeira, de Lamennais, consistia em considerar o direito à liberdade um fato universal no qual se inseria o da liberdade da Igreja, como uma espécie diante do gênero. Esta posição quanto à liberdade religiosa tinha por conseqüência lógica a separação total da Igreja e do Estado, da lei de Deus e da lei dos homens. Depois da revolução de 1830, esta posição revolucionária agravou-se, por ser defendida também por “católicos” da corrente liberal do padre Lamennais, que se apresentaram à opinião pública como os verdadeiros defensores da liberdade da Igreja. Podia haver ilusão nisto? [XXXI]

Essa primeira tentativa com seus embustes e ilusões foi firme e prontamente repelida em 1832 pelo papa Gregório XVI com a encíclica Mirari vos, que reconhecendo a entidade do perigo usou palavras da profecia apocalíptica da abertura do poço do abismo.

A mentalidade européia tinha siso completamente contaminada. Só faltava ver isto dentro da Igreja; um mal insuperável, final. Por isto Nosso Senhor suscitou a Profecia de Fátima, onde a Mensageira seria a mesma Rainha dos Profetas. Os chefes da Igreja entenderam a urgência dessa compreensão? Mesmo Pio XII o fez só pela metade. Daí o aviso e a datação final da terceira parte do Segredo, que seria mais claro em 1960 quando a revolução já estava no Vaticano com o maçom e modernista João 23 em 1958.  Desde o pedido de 1929 não haviam passado cem anos. O resto é a desgraça da tenebrosa degeneração católica de todos os dias, sem mais papa que o impeça; antes, os anticristos que passam por papas só a acelera até a degeneração final.

 

O FUNDAMENTO E O PRINCÍPIO DE TUDO CONSTITUI TAMBÉM A FINALIDADE ÚLTIMA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, num trecho da sua encíclica “Aeterni Patris”, promulgada em 4 de Agosto de 1879:

«Também a sociedade doméstica e a civil que são levadas a graves perigos, como todos podem ver, por aquelas doutrinas perversas e venenosas, poderiam certamente estar mais tranquilas e seguras, se nas Academias e nas escolas se ensinasse uma Doutrina mais saudável e mais conforme ao Magistério da Igreja, assim como está nos volumes de São Tomás de Aquino. Com efeito, o que Tomás ensina sobre a verdadeira natureza da liberdade, que hoje se está mudando em licença, sobre a origem Divina de toda a autoridade, sobre as leis e sua força, sobre o domínio justo e paterno dos Príncipes, sobre a obediência devida aos mais altos poderes, sobre a Caridade recíproca entre os homens, estas e outras doutrinas semelhantes têm força grandíssima e invencível para subverter aqueles princípios do novo direito, que são perniciosos à ordem social e ao bem estar público.

Finalmente, todas as disciplinas humanas devem esperar progredir e aguardar muitíssimas ajudas desta renovação da Filosofia que nos propusemos. De facto, as ciências e as artes liberais sempre tiraram da Filosofia, como da ciência moderadora de todas, a norma sábia e a maneira recta do proceder, e dela, como de fonte universal da vida, conseguiram o espírito que as alimenta. Pela experiência dos factos, está provado, que as artes liberais floresceram grandemente quando se manteve incólume a honra e foi sábio o juízo da Filosofia, e que decaíram e foram quase esquecidas quando a Filosofia foi descuidada ou embrenhada em erros e futilidades.

Pelo mesmo motivo, também as ciências físicas, que actualmente estão muito em voga, e pelas suas descobertas maravilhosas e numerosas, despertam admiração em todo o lugar, não sòmente não sofrerão nenhum dano da Filosofia restaurada dos antigos, mas até receberão grandes vantagens. Com efeito, para estudá-las com fruto e aprofundá-las não é suficiente só a observação dos factos e a consideração da natureza, mas, uma vez que os factos sejam seguros, é necessário subir mais alto e esforçar-se com solicitude para conhecer a natureza das coisas, para estudar as leis a que obedecem e os princípios donde deriva a sua ordem, a unidade na variedade, e a recíproca afinidade na diversidade. É maravilhoso ver quanta força e quanta luz possa trazer a Filosofia Escolástica a este tipo de investigação, DESDE QUE ENSINADA SÀBIAMENTE.

A este propósito, é bom lembrar que, com grande injustiça, se acusa a mesma Filosofia de ser contrária ao conhecimento ao progresso das ciências naturais. Com efeito, os Escolásticos, em conformidade com o sentir dos Santos Padres, tendo muito frequentemente ensinado na antropologia que a inteligência humana chega ao conhecimento das realidades incorpóreas e espirituais através das materiais, entenderam por si mesmos de que não há nada de mais útil para o filósofo do que investigar com diligência os segredos da natureza, e continuar por muito tempo no estudo dela. E isso o confirmaram também com seu exemplo. De facto, São Tomás de Aquino e o Beato Alberto Magno, bem como os outros que foram os mestres dos Escolásticos, não se dedicaram totalmente à especulação da Filosofia, nas se ocuparam também profundamente no estudo das realidades naturais. E acerca disso, não são poucas as suas afirmações e suas teses que os mestres modernos aprovam e julgam conformes à Verdade. Por outro lado, neste mesmo tempo, muitos e insignes professores de ciências físicas atestam, aberta e pùblicamente, que entre as conclusões certas e aceites pela física moderna e os princípios  filosóficos da Escola não existe nenhuma contradição verdadeira e real.»

 

Foi São Tomás de Aquino quem produziu esta riquíssima asserção, que serve de epígrafe ao presente escrito.

Sòmente no seio da Santíssima Fé Católica e da sua sã Filosofia se pode constituir um tão altíssimo Juízo, que note-se, tanto pode brotar, Sobrenaturalmente, da Fé Teologal iluminada pelos Dons do Espírito Santo, como da mesma reflexão filosófica. Assinale-se que a sã Filosofia, que é a Tomista, CONSTITUI OBJECTO SECUNDÁRIO DA INFALIBILIDADE DA SANTA MADRE IGREJA. Jamais, na História profana da filosofia, foi concebida tão excelsa afirmação, nem mesmo numa pequena aproximação. Ou não fosse a denominada História profana da filosofia dos últimos cinco séculos, a HISTÓRIA DA PATOLOGIA DA RAZÃO HUMANA, na feliz qualificação de determinado articulista da “Civiltá Cattolica”, em meados do século XIX.

Este maravilhoso aforismo filosófico constitui uma verdadeira síntese da Fé Católica. São Tomás possuía bem gravada, na sua alma de eleição, a inefável profundidade deste pensamento.

A própria Suma Teológica confere expressão a este admirável ciclo, que iniciando-se na Criação do mundo, dos Anjos e dos homens, com consequente elevação ao estado Sobrenatural – tudo para maior Glória de Deus, Glória formal só possível de anunciar pela criatura espiritual – percorre toda a miséria da queda original, interrupção misteriosa do plano salvífico de Deus, mas sem a qual, não possuiríamos a adorável Pessoa do nosso Redentor Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos reabriu as Portas do Céu. É conhecido como a Moral ocupa um lugar absolutamente essencial na Suma Teológica, precisamente porque ela constitui A FACE OPERATIVA DO DOGMA, que nos permite, com a Graça merecida por Nosso Senhor, participarmos da Natureza Divina, da Santidade Divina, CONSUMANDO-A NO CÉU, QUE CONSTITUI A NOSSA FINALIDADE ETERNA, PERFEITAMENTE HOMOGÉNEA COM A OPERAÇÃO MORAL SOBRENATURAL QUE NA TERRA A MERECEU.

Porque todas as realidades da Fé são estritamente homogéneas, por virtude da elevação ao estado Sobrenatural, e da perfeita identificação entre o Princípio, os meios e fins secundários, e o Fim supremo.

Que diferente é este resplendor Sobrenatural da Economia Religiosa Católica, daquelas aberrações neo-platónicas, de tendência panteísta, em que se processa um descenso desnaturalizante, profanador e materializante, da realidade “divina”, para ulteriormente se efectivar uma repurificação ascensional e “sacralizante” dessa mesma “Divindade”. Por oposição ao panteísmo estático de Espinosa, estes ciclos de emanação, que remontam a Plotino (séc III) denominam-se “panenteísmo”. A seita conciliar abunda em reinterpretações deste tipo.

A Criação é realmente distinta de Deus; pelo contrário, no panteísmo, tudo integra o mesmo princípio original. Tal não contradiz a tese de que o ser do mundo É virtualmente em Deus.

Deus não usou a Sua própria substância para criar o mundo. A sua Omnipotência, o princípio metafísico ESSE, conferiu a existência às essências imutáveis que eram em Deus; consequentemente, os entes criados possuem a composição metafísica ESSE-ESSÊNCIA.

A participação na Natureza Divina, sendo real, é acidental; se afirmássemos que era substancial, JÁ ESTARÍAMOS EM PLENO PANTEÍSMO. As Naturezas espirituais criadas são elevadas por Deus Nosso Senhor à Ordem Sobrenatural por virtude da Potência Obediencial de todo o criado, e cuja expressão mais absolutamente sublime se consubstancia na Natureza Humana de Nosso Senhor assumida hipostàticamente pelo Verbo de Deus.

Na Eternidade, Anjos e homens, continuarão realmente distintos de Deus, ainda que gozando, inefàvelmente, da intimidade da Família da Santíssima Trindade, mas também da Sagrada Família.

Toda a criatura, real ou possível, mesmo na Ordem Natural, só pode vir de Deus e ir para Deus, porque mesmo sem elevação ao estado Sobrenatural, as criaturas espirituais moralmente boas, gozariam de um estado idêntico ao limbo das crianças, conhecendo e amando, naturalmente, a Deus, sobre todas as coisas, com a felicidade correspondente, mas sem participar da Sua intimidade. Registe-se que essa Ordem puramente Natural, JAMAIS EXISTIU.

E os condenados? Estes estão também nas mãos de Deus, mas em negativo infernal, porque o seu castigo anuncia a Glória de Deus, que os condenados, operativamente, Lhe roubaram. É a própria dignidade ontológica dos condenados que exige o seu castigo.

Sabemos que todo o Universo físico foi criado para o anúncio formal, espiritual, da Glória extrínseca de Deus. Mas então para que existem estrelas, e ao que parece, segundo os mais recentes estudos, também planetas, aos quais o homem jamais chegará? Qual a finalidade da sua existência? O Universo foi criado, não apenas para os homens, mas também para os Anjos; estes possuem as espécies inteligíveis representativas de todo o Universo físico, incluindo das suas maravilhas fora do alcance do homem, e por elas anunciam, formalmente, a Glória de Deus. Portanto, nada foi criado inùtilmente. Além disso, são os Anjos das hierarquias intermédias, que, como ministros de Deus, governam a imensidade cósmica.

O Vaticano 2 pretendeu estruturar zonas sombra onde a Caridade, a Santidade Divina, já não penetrasse. Inventou então uma pretensa ordem civil onde as leis Divinas já se não aplicassem. E de tal forma essa ignóbil teoria teve êxito, que ainda hoje se encontram pessoas, pretensamente muito bem pensantes e muito conservadoras, que esgrimem esse falsíssimo argumento da autonomia da lei civil. Como se a esfera civil, como tudo o mais, não se encontrasse integralmente submetida ao Império da Lei de Deus.

TUDO O QUE NÃO É DEUS, POR DEUS FOI CRIADO, E ESTÁ, QUER QUEIRA, QUER NÃO, ABSOLUTAMENTE ORDENADO, POSITIVA OU NEGATIVAMENTE, AO SEU CRIADOR.

Deus, na Sua Infinita Sabedoria e Bondade, quis que a proclamação formal da Sua Glória extrínseca fosse constitutiva da Bem-Aventurança da criatura espiritual. Quando se afirma que a felicidade da criatura espiritual constitui objecto secundário da Criação, olvida-se frequentemente que o anúncio da Glória de Deus, no reconhecimento da excelência das Suas Obras, por necessidade transcendental, não pode senão constituir Fonte imarcescível e irradiante da mais profunda e sólida beatitude; só explicável, pelo êxtase, inefável, sublime, do encontro íntimo com o nosso Criador, Aquele que literalmente nos outorgou todo o ser natural, e redimindo-o, o recriou Sobrenaturalmente.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 7 de Setembro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

O TRIBUTO DA MORTE…

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura do seguinte excerto da Primeira Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses:

«Não queremos, irmãos, que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para não vos entristecerdes, como os outros que não têm esperança.

Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também devemos crer que Deus levará, por Jesus, e com Jesus, os que morrerem.

Eis o que vos declaramos, conforme a Palavra do Senhor: Por ocasião da vinda do Senhor, nós, os que estivermos vivos, não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do Céu, e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois, nós os vivos, os que ficarmos, ARREBATADOS JUNTAMENTE COM ELES SOBRE AS NUVENS, IREMOS AO ENCONTRO DO SENHOR NOS ARES, E ASSIM ESTAREMOS PARA SEMPRE COM O SENHOR. CONSOLAI-VOS PORTANTO UNS AOS OUTROS COM ESTAS PALAVRAS.» (ITess 4, 13-18)

 

 

Escutemos o Papa Pio XI, num trecho da sua encíclica “Caritate Christi”, promulgada em 3 de Maio de 1932:

«E que objecto há mais digno das nossas súplicas e que melhor corresponda À PESSOA ADORÁVEL DAQUELE QUE É O ÚNICO MEDIADOR ENTRE DEUS E OS HOMENS, O HOMEM CRISTO JESUS, DO QUE IMPLORAR A CONSERVAÇÃO, NA TERRA, DA FÉ NO ÚNICO DEUS VIVO E VERDADEIRO? Tal súplica leva já em si parte do seu deferimento, porque se alguém ora, une-se a Deus, e por assim dizer, mantém já na Terra a ideia de Deus. A pessoa que ora, com a sua própria posição humilde, professa ante o mundo a sua Fé no Criador e Senhor de todas as coisas; e quando se une com outros em oração comum, só com isso já reconhece que não só o indivíduo, mas também a sociedade humana tem um absoluto e supremo Senhor acima de si.

Que espectáculo não é, para o Céu e para a Terra, a Igreja que ora? De há séculos, ininterruptamente, repete-se na Terra, de dia e de noite, a Divina Salmodia dos cantos inspirados; não há hora do dia que não seja santificada pela sua Liturgia especial. Não há período algum, longo ou curto, da vida, que não tenha um lugar na acção de Graças, no louvor, na impetração, e na reparação da prece comum do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. Desta forma, a oração assegura a presença de Deus entre os homens, como prometeu o Divino Redentor: “Onde dois ou três estiveram reunidos em Meu Nome, EU ESTAREI ENTRE ELES”(Mt 18,20).

Implore-se a Paz para todos os homens, mas especialmente para aqueles que na sociedade humana têm a grave responsabilidade do governo. Como poderiam eles dar a Paz aos seus povos se eles mesmos a não possuírem?

E é precisamente a oração que, segundo o Apóstolo, deve trazer o Dom da Paz; a oração que se dirige ao Pai Celeste, que é Pai de todos os homens: A oração, que é a expressão comum dos sentimentos de família, dessa grande família, que se estende além dos confins de todos os países, de todos os continentes.»         

 

No Paraíso Terrestre, a árvore da vida, mediante seus frutos, assegurava a imortalidade daqueles que, permanecendo na inocência, o habitassem. Não tendo havido pecado original, se um dos descendentes de Adão e Eva pecasse, morreria, mas o seu pecado não se teria transmitido aos seus descendentes, pois sòmente o casal original fora constituído Cabeça orgânica do Género Humano.

A morte e o sofrimento são privação se ser, consequentemente, estavam ausentes do Paraíso Terrestre, não por si mesmos, mas estritamente em função dos Bens Sobrenaturais. Num mundo todo ele na Graça de Deus, com o grau de santidade a desenvolver-se de geração em geração, é óbvio que esse meio social deveria ser impassível e imortal.

São Tomás de Aquino, nos seus comentários ao Evangelho de São João, explica claramente que este Apóstolo foi o único que não sofreu martírio cruento. Efectivamente, condenado à grelha, por volta do ano 96, dela saiu ileso; foi exilado para a ilha de Patmos, onde morreu, naturalmente, pelo ano 104, portanto centenário ou quase. São Tomás atribui a morte incruenta deste Apóstolo à sua inocência, à sua virgindade.

Ninguém imagina Nossa Senhora disciplinando-se com correntes, ou usando cilício, precisamente, devido à sua eminentíssima santidade, não tinha necessidade deste género de penitências para se purificar, ou para crescer ainda mais na Graça e na Verdade. Todavia todos imaginamos Nossa Senhora jejuando, pois tal já lhe é perfeitamente compatível, constituindo mesmo uma exigência da vida Sobrenatural da mais santa de todas as criaturas.

É conhecido como São Pio X nunca usou disciplinas e cilícios, tal não apresenta desprimor para a sua santidade; muito pelo contrário – É PROVA DA SUA MAIOR SANTIDADE.

Uma vez contraído o pecado original, mesmo com a promessa do Redentor, de Cuja Graça já beneficiaram Adão e Eva para a sua penitência, a condição do Género Humano passou a ser, essencialmente, mortal, passível, e belicista.

Já se tem utilizado a passagem da Carta aos Tessalonicenses, acima transcrita, para provar a não absoluta universalidade da condição mortal da Humanidade. Neste caso, os que estivessem vivos no tempo da Parúsia final, não morreriam, os seus corpos seriam instantaneamente glorificados e logo arrebatados com Nosso Senhor Jesus Cristo para o Céu.

São Tomás de Aquino, nos seus comentários às Epístolas de São Paulo, sustenta claramente a universalidade absoluta da condição mortal humana. Assinala São Tomás, que o próprio São Paulo, noutro passo, afirma que: “Todos morreremos!” (ICor 15,51). Aqui é necessário observar que Santo Tomás invoca a autoridade de São Jerónimo, que nalgumas das suas cartas assinala discrepâncias nos Sagrados Códices: Uns registariam -“Todos ressuscitaremos”, ou “Todos dormiremos”;outros Códices consignariam – “Nem todos ressuscitaremos”. São Tomás, por razões teológicas, afirma que o tributo da morte é absolutamente universal, e que os viventes do tempo da Parúsia, para se conformarem plenamente ao seu Redentor, morrerão e de imediato serão transformados, isto é, glorificados, porque São Paulo nestas passagens só considera os eleitos. Dormir, neste particular, significa falecer com a certa esperança na ressurreição.

Alguns poderiam ainda colocar a hipótese, na qual sinceramente não creio, de que os viventes na época da Parúsia, mártires de uma forma ou outra e vítimas do anti-Cristo, e derradeiros representantes da Sacrossanta Fé Católica sobre a Terra, seriam, por especial privilégio, preservados da morte – assim como o teriam sido Adão e Eva – entrando directamente na vida Eterna. Todavia, mesmo Nossa Senhora, é mais provável que tenha morrido, ainda que, teòricamente, por si mesma, criatura sem o pecado original, fosse imortal. Mas num mundo pavorosamente ferido, moral e fìsicamente, pelo pecado original, Nossa Senhora teria falecido de causas extrínsecas inerentes a esse mesmo mundo. Mas uma morte absolutamente digna e impassível, como convém à mais santa e pura das criaturas.

A morte, em si mesma, é algo naturalmente decorrente da condição material dos seres vivos. Numa ordem ontológica puramente natural, que aliás jamais existiu, todos os homens seriam mortais. O Dom Preternatural da imortalidade, neste mundo, só pode constituir privilégio excepcional, e como já se referiu, sempre em ordem aos Bens Sobrenaturais.

A inferioridade essencial dos homens em relação aos Anjos radica-se nesta mortalidade corporal, que como se disse é uma privação de ser. Porque quanto menos elevada é a hierarquia dos entes mais vazios de ser neles encontramos, mais mutáveis são, mais compostos, sobretudo porque são materiais.

Mas a Sabedoria, Omnipotência e Bondade Divina pode de alguma forma suprir esta carência de ser, não só pelo já referido Dom Preternatural da imortalidade, como sobretudo pela glorificação Eterna de corpos e almas. O mundo glorioso supera totalmente a condição temporal, dispersiva e sucessiva, porque é absolutamente incorruptível, imutável e simples, com total domínio do que poderíamos denominar espaço. Nesse mundo glorificado não existem leis contingentes da natureza, nomeadamente a Lei da entropia, pela qual as transformações energéticas sofrem progressiva degradação na sua eficácia. Tal sucederá, porque tal mundo, EMBORA FORMAL E REALMENTE DISTINTO DE DEUS, d’Ele receberá, ontològicamente, com abundância tal, que não é conceituável com as nossas categorias humanas e terrenas. Porque o mundo glorificado estará, inefàvelmente, mais perto de Deus do que o nosso, e de tal forma, que a Presença de Nosso Senhor Jesus Cristo nos eleitos excederá inconcebìvelmente a riqueza da Presença Eucarística, a Qual já é, em Si mesma, infinitamente sublime.

Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro e perfeitíssimo homem, estremeceu diante da morte, tanto que até apareceu um Anjo para confortá-l’O. Isso prova que é verdadeiro homem, pois é próprio da humana natureza temer a morte, embora, com o auxílio de Deus, deva superar essa natural repugnância e aflição, quando a morte é necessária por motivos de ordem superior. Mais ainda: A Natureza Humana de Nosso Senhor, mais perfeita do que qualquer outra natureza, possuía também uma sensibilidade proporcionada com essa perfeição. Neste quadro conceptual se pode e deve declarar que Nosso Senhor sofreu física e moralmente mais que qualquer outro homem, mas com esse sofrimento – além de merecer para nós os Bens Celestes, com satisfação Vicária de Condigno – mereceu para Si próprio uma Glória e uma exaltação corporal e externa infinitamente maior do que a de qualquer homem. Porque Nosso Senhor, intrìnsecamente, não auferiu mérito moral acidental mediante a Sua agonia e morte; muito pelo contrário, foi o Seu Infinito mérito essencial, substancial e hipostático que qualificou, absolutamente, Infinitamente, essa agonia e essa morte, bem como toda a Sua vida, oculta e pública.

Abracemos a nossa morte rezando o acto de aceitação Sobrenatural da morte, com todos os seus sofrimentos físicos e morais, de São Pio X. Não olvidemos que a nossa morte deve constituir, sobrenaturalmente, a nossa suprema configuração com Aquele que nos criou e redimiu.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Agosto de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A TRISTEZA CRESCENTE DOS SAGRADOS CORAÇÕES

Pro Roma Mariana

Tristeza dos Sagrados Corações

Cada espinho na coroa de Jesus e no Coração de Maria corresponde a um mau pensamento contra a verdade da salvação, pela qual Cristo sofreu o Sacrifício de Amor que funda Sua Igreja.

Por isto nosso testemunho cristão empenha-se tanto nessa devoção como na defesa da Verdade.

Na segunda metade do século XX passou a predominar em toda a terra um novo espírito.

Mais e mais os pastores da Igreja assumiam compromissos com o mundo portador dos “erros que a Rússia estava para espalhar pelo mundo”, como foi advertido na mensagem de Fátima.

Depois desse período não se tratou mais de guerras no Ocidente, que acabaram por favorecer o governo soviético, como aconteceu sob os pontificados de Bento XV e Pio XI.

Até aquela ocasião os princípios católicos não foram tocados, mas na Ostpolitik do Vaticano, ao contrário, o comunismo, continuamente condenado como doutrina satânica, deixou de sê-lo.

Com o…

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