Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE É ABSOLUTAMENTE FALSA

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Au Milieu des Solicitudes”, promulgada a 16 de Fevereiro de 1892:

 

«Quanto às sociedades puramente humanas, é um facto gravado cem vezes na História da Humanidade, que o tempo, esse grande transformador de todas as coisas daqui, opera mudanças profundas nas suas instituições políticas. Algumas vezes limita-se a modificar algo na forma de governo estabelecida; outras chega até a substituir as formas primitivas por outras totalmente diferentes, sem exceptuar o modo de transmissão do Poder Soberano. (…) Noutras palavras, em qualquer hipótese, o poder civil, considerado como tal, vem de Deus, e sempre de Deus, “POIS NÃO HÁ AUTORIDADE QUE NÃO VENHA DE DEUS”(Rom 13,1).

Por conseguinte, quando são constituídos os novos governos que representam esse Poder imutável, não só é permitido aceitá-los, mas é exigido e até imposto pela necessidade do bem social que os fez e os conserva. Tanto mais que a insurreição excita o ódio entre os cidadãos, provoca as guerras civis, e pode lançar a Nação no caos da anarquia. E esse grande dever de respeito e de independência permanecerá até que as exigências do bem comum o exijam. Pois esse bem é, depois de Deus, a Lei primeira e a última na sociedade.

Explica-se, portanto, por si mesma, a Sabedoria da Santa Igreja na manutenção das relações com os numerosos governos que se sucederam na França, em menos de um século, e nunca sem produzir abalos profundos e violentos. Tal atitude é a linha de conduta mais segura e salutar para todos os franceses nas suas relações civis com a República, que é o governo actual da sua Nação. Longe deles aquelas dissensões políticas que os dividem; todos os seus esforços devem combinar-se para conservar e elevar a grandeza moral da sua Pátria. (…)

Que na França, desde há muitos anos, vários actos importantes da legislação se tenham inspirado em tendências hostis à Religião, e portanto aos interesses da Nação, é coisa que todos reconhecem e infelizmente é confirmada pela evidência dos factos. Nós próprios, obedecendo a um dever Sagrado, apresentámos vivas queixas àquele que era então chefe da República. Essas tendências, contudo, persistiram, o mal agravou-se, e não há que se admirar se os membros do Episcopado francês, postos pelo Espírito Santo a governar as suas várias e ilustres Igrejas, tenham julgado, ainda recentemente, sua estrita obrigação exprimir pùblicamente a sua dor pela condição que se criou na França à Igreja Católica. Pobre França! Só Deus pode medir o abismo de males em que cairia se esta legislação, longe de melhorar, se obstinasse neste desencaminhamento, que acabaria de arrancar da mente e do coração dos franceses a religião que os tornou tão grandes. (…)

Sobre o outro ponto concernente ao princípio da separação da Igreja e do Estado, o que é o mesmo que separar a legislação humana da legislação Cristã e Divina; não queremos deter-nos para demonstrar tudo o que de absurdo tem a teoria desta separação – cada um pode entendê-lo por si mesmo. Quando o Estado se nega a dar a Deus o que é de Deus, recusa-se por consequência necessária a dar aos cidadãos aquilo a que têm direito como homens; pois, querendo, ou não, OS VERDADEIROS DIREITOS DO HOMEM DERIVAM PRECISAMENTE DOS SEUS DEVERES PARA COM DEUS. Disso deriva, que o Estado ao faltar, sob esse aspecto, ao fim primordial da sua instituição, chega na realidade A RENEGAR-SE A SI MESMO, E A DESMENTIR O QUE FORMA A RAZÃO PRÓPRIA DA SUA EXISTÊNCIA. Essas verdades superiores são assim proclamadas claramente pela própria voz da razão natural que se impõem a cada homem, não cego pela violência das paixões. Por isso os católicos prestem atenção com todo o cuidado a não defender tal separação. Com efeito, querer que o Estado se separe da Igreja, seria, por consequência lógica, querer que a Santa Igreja fosse reduzida à liberdade de viver SEGUNDO O DIREITO COMUM A TODOS OS CIDADÃOS.

É verdade que essa situação existe nalguns países. É uma maneira de ser que, se tem os seus numerosos e graves inconvenientes, oferece também algumas vantagens, especialmente quando o legislador, por feliz incoerência, não deixa de se inspirar nos princípios cristãos, e essas vantagens ainda que NÃO POSSAM JUSTIFICAR O PRINCÍPIO FALSO DA SEPARAÇÃO, NEM AUTORIZAR SUA DEFESA, tornam porém merecedor de TOLERÂNCIA, um estado de coisas que, pràticamente, não é o pior de todos.

Os católicos menos ainda podem aprovar a separação, quando melhor conhecem as intenções dos inimigos que a desejam. Para estes últimos, e o declaram com bastante clareza, essa separação é a independência total da legislação política da legislação religiosa; e até é a indiferença absoluta do poder acerca dos interesses da sociedade cristã, isto é – da Igreja, e mesmo a negação da sua existência.

Eles contudo fazem uma restrição, que é formulada assim: Logo que a Igreja, usando os meios que o direito comum deixa ao mais modesto dos cidadãos franceses, terá sabido com o redobramento da sua actividade nativa, fazer prosperar a sua obra, ENTÃO O ESTADO, COM UMA PRONTA INTERVENÇÃO, PODERÁ E DEVERÁ COLOCAR OS CATÓLICOS FRANCESES FORA DO PRÓPRIO DIREITO COMUM.

Para dizer tudo com uma só palavra, o ideal desses homens seria a volta ao paganismo – O ESTADO NÃO RECONHECE A IGREJA SENÃO PARA A PERSEGUIR.»

 

Uma das grandes mistificações postas a circular no intuito de forçar a aceitação do agnosticismo e ateísmo conciliar é precisamente a da denominada “hermenêutica da continuidade”; segundo esta, as doutrinas do Vaticano 2, nomeadamente a abertura ao mundo com incorporação eclesiástica dos princípios da revolução de 1789, já estariam como que prefigurados nas atitudes de diversos Papas pré-conciliares, como por exemplo, na muito parcial aceitação do regime republicano francês por parte do Papa Leão XIII. Tal constitui uma hedionda falsificação. Efectivamente, como se deduz fàcilmente dos textos acima transcritos, o Papa Leão XIII, bem como todos os verdadeiros Papas católicos, sòmente procediam à concretização de um princípio Teológico, sempre recordado por São Tomás, que nos assegura QUE SE DA APLICAÇÃO ESTRITA DE UM PRECEITO, DE LEI DIVINA OU ECLESIÁSTICA, NUMA DETERMINADA SOCIEDADE, DIRECTA, INTRÍNSECA E HOMOGÈNEAMENTE, RESULTAR UMA MAL MAIOR, ENTÃO DEVE-SE TOLERAR A NÃO APLICAÇÃO DESSE PRECEITO, OU SÒMENTE UMA APLICAÇÃO MENOS ESTRITA. Mas atenção: QUANTO MAIS SE TIVER DE TOLERAR O MAL NUMA SOCIEDADE, MAIS FRUSTE É A FORMA POLÍTICA FUNDAMENTAL DESSA SOCIEDADE.

Notemos bem que este princípio nada tem a ver com a “dialéctica Tese-Hipótese”, que meios ditos católicos liberais franceses foram desfraldando nos pontificados de Pio IX e Leão XIII. Porque neste caso renuncia-se à aplicação da Tese, quando esta for menos oportuna, ou mais incómoda aos meios generalizadamente descristianizados. Trata-se então de uma abdicação torpe e pusilânime perante a hostilidade do mundo.

Leão XIII sabia perfeitamente que a grande maioria dos católicos franceses o eram apenas de nome e fantasia, e que os verdadeiros militantes da Causa Católica constituiam uma pequena minoria. Neste quadro conceptual, qualquer esboço de rebelião seria pretexto para o regime maçon aniquilar totalmente a Igreja em França.

Outra falsidade concernente à “hermenêutica da continuidade” é a asserção de que os Papas pré-conciliares haviam aceite plenamente a separação da Igreja e do Estado e a plena liberdade religiosa, em países como os Estados Unidos. Pois a resposta foi dada por Leão XIII, como o leitor poderá confirmar lendo a transcrição de excertos da encíclica “Au milieu des solicitudes”.

O princípio da liberdade religiosa constitui sempre um mal, mesmo em países de forte maioria protestante ou islâmica. A EXCELÊNCIA DA FÉ CATÓLICA NÃO LHE ADVÉM DO NÚMERO DE CATÓLICOS SER MAIOR OU MENOR – É UMA REALIDADE ABSOLUTA, ETERNA E IMUTÁVEL.

Um outro aspecto extremamente importante, é a referência que o Papa Leão XIII faz ao poder civil, que sempre provém de Deus. Mas como conciliar esta asserção com um poder civil maçon ou comunista – como pode provir de Deus Nosso Senhor?

Quando o poder civil, conquanto ateu, assegura uma determinada paz e segurança pública, deve afirmar-se que tal poder provém, MATERIALMENTE, de Deus. Quando estamos em presença de um poder  verdadeiramente católico, a referida paz e segurança pública possui igualmente um carácter formal e provém de Deus Nosso Senhor também FORMALMENTE. Mas porque não procedeu Leão XIII a uma distinção tão importante? Muito provàvelmente porque as encíclicas não são Tratados de Teologia, nem de Filosofia.

Neste quadro conceptual se justifica que o cidadão católico, só por sua autoridade particular, não pode atentar contra um regime que, embora maçon e ateu, assegure a referida paz e segurança civil. E mesmo que esse regime já não assegure essa paz cívica, o cidadão católico deve procurar actuar de forma essencialmente objectiva e hierárquica, o que exclui em absoluto atitudes impensadas que só aumentam a confusão e a insegurança. Podemos invocar como exemplo a rebelião, plenamente justificada, dos católicos contra a República espanhola, em 1936; tratou-se de uma atitude perfeitamente objectiva e hierarquizada. O facto de ter provocado uma guerra civil não constitui de modo algum um mal maior, porque não foi um mal intrínseco e homogéneo, seria assim mesmo que os católicos tivessem perdido a guerra.

É um facto que os Papas sempre solicitaram aos católicos que colocassem de lado a questão do regime, monárquico ou republicano, para só tenazmente se preocuparem com o âmago da pureza católica do governo. Será contraditória a noção de uma república reaccionária? Se por república se entende um regime liberal-democrata, é evidente essa contradição. Pode ser uma república liberal mas não democrática, mas continua a haver contradição. Pode ainda ser uma república anti-liberal e anti-democrática, mas em que o poder é assegurado por uma fina-flor aristocrática e católica e transmitido dentro dessa elite; mas aqui parece-nos que estamos perante uma monarquia não-hereditária, como o é a própria Santa Madre Igreja, na sua Constituição de Direito Divino Sobrenatural. Mas se essa fina-flor aristocrática e católica for distribuída por elevado numero de famílias, então concede-se que se possa denominar república, mas com bastantes reservas. Se o poder estiver concentrado em poucos, ou num só, assistido por um pequeno senado, então será uma monarquia não hereditária. A monarquia hereditária consorcia-se perfeitamente com a Fé Católica e com a Santa Madre Igreja, em virtude do conceito, extremamente rico e operativo, DE FAMÍLIA REAL, RESERVA FECUNDA E PERMANENTE DOS RECURSOS RELIGIOSOS, FAMILIARES E CIVIS DE UMA NAÇÃO.

Seja como for, monarquia ou república, terá sempre de ser orgânica, por oposição militante ao individualismo, e essencialista, por estar constitutivamente apoiada nas Essências Eternas e Imutáveis das coisas, indissociáveis da Inteligência Divina.

Parece-nos, todavia, que foi de pouca utilidade a insistência dos Romanos Pontífices – sobretudo de Bento XV em relação à República Portuguesa – na questão da aceitação indiscriminada da república, salvo no caso dessa não aceitação redundar num mal maior, como dissemos.

O monstruoso atrevimento dos modernistas ao proclamarem que não existiu qualquer solução de continuidade entre o Magistério Eterno da Santa Madre Igreja, e o do Vaticano 2, demonstra também, se dúvidas houvesse, a terrível instabilidade psicológica dos modernistas, resultante da falta de referências absolutas, eternas e imutáveis, e que constitui fonte de ruína espiritual e moral, para os próprios, e para todos que têm a infelicidade de os escutar.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 19 de Julho de 2018

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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A FÉ CATÓLICA É CONSTITUTIVAMENTE MONÁRQUICA

Escutemos o Papa São Pio X em passagens da carta encíclica “Communium Rerum”, promulgada em 21 de Abril de 1909:

 

«Entre estas desventuras públicas, devemos gritar mais alto e ìntimamente as grandes verdades da Fé, não apenas aos povos, aos humildes, aos aflitos, mas também aos poderosos, aos que vivem bem, aos árbitros e conselheiros das Nações; intimar a todos as grandes verdades, que a História confirma com suas terríveis lições sangrentas; como esta de que “o pecado é a vergonha dos povos”(Pr 14,34). “Os poderosos serão provados com rigor” (Sb 6,7); daí a advertência do Salmo 2: “E agora Reis, sede prudentes, deixai-vos corrigir juízes da Terra. Servi a Deus com temor, beijai seus pés com tremor, para que não Se irrite e pereçais no caminho”. E de tais ameaças é de esperar mais amargas as consequências, quando as culpas sociais se multiplicam, QUANDO O PECADO DOS GRANDES E DO POVO ESTÁ SOBRETUDO NA EXCLUSÃO DE DEUS E NA REBELIÃO À IGREJA DE CRISTO – DUPLA APOSTASIA SOCIAL, QUE É FONTE LASTIMÁVEL DE ANARQUIA, DE CORRUPÇÃO, DE MISÉRIA SEM FIM, POR PARTE DOS INDIVÍDUOS E DA SOCIEDADE.

Que de tais culpas nós podemos nos tornar participantes, com o silêncio e com a indolência, coisa não rara até entre os bons, cada um dos sagrados pastores considere dito a si, para a defesa da sua grei, e aos outros inculque oportunamente, o que Anselmo escrevia ao poderoso Príncipe da Flandres: “Peço, esconjuro, admoesto, aconselho, como vosso fiel, meu Senhor, e como em Deus verdadeiramente amado, QUE NÃO ACREDITEIS NUNCA QUE DIMINUA A DIGNIDADE DE VOSSA ALTEZA SE AMAIS E DEFENDEIS A LIBERDADE DA ESPOSA DE DEUS E VOSSA MÃE, A IGREJA; NEM PENSEIS HUMILHAR-VOS SE A EXALTAIS, NEM ACREDITEIS ENFRAQUECER-VOS, SE A FORTIFICAIS. Vede, olhai ao redor, os exemplos estão ao alcance da mão; considerai os Príncipes que a impugnam e a espezinham, DE QUE LHES SERVE E ONDE CHEGAM?”

(…) Cabe a vós, portanto, Veneráveis Irmãos, que a Divina Providência constituiu Pastores e guias do povo Cristão, resistir bravamente contra esta funesta tendência da moderna sociedade, DE ADORMECER NUMA VERGONHOSA INÉRCIA, ENTRE A PERVERSIDADE DA GUERRA CONTRA A RELIGIÃO, PROCURANDO VIL NEUTRALIDADE, FEITA DE DÉBEIS RECUOS E COMPROMISSOS, EM DESFAVOR DO JUSTO E DO HONESTO, OLVIDANDO O QUE FOI CLARAMENTE EXPRESSO POR JESUS: “QUEM NÃO ESTÁ COMIGO – ESTÁ CONTRA MIM.”(Mt 12,30).»

 

A Criação, em si mesma, constitui uma verdadeira Monarquia, sendo Deus Uno e Trino o Seu Soberano. Efectivamente, de uma forma ou de outra, tudo, absolutamente tudo, tem que ser reconduzido ao Princípio da Absoluta Indivisibilidade e Unidade, pois só assim será, concomitantemente, Verdadeiro e Bom. Tudo o que Deus Nosso Senhor criou, é, e só pode ser, rigorosamente hierárquico. O próprio mundo angélico é hierárquico, permanecendo os Anjos mais perfeitos numa maior intimidade Sobrenatural e Beatífica com o seu Criador, d’Ele recebendo, directamente, instruções sobre o governo do Universo e a guarda das instituições e dos homens, que deverão transmitir aos Anjos de hierarquia inferior.

SÒMENTE A VERDADE E A BONDADE, NATURAL E SOBRENATURAL, PODE CONSTITUIR, FORMALMENTE, HIERÀRQUICAMENTE, FUNDAMENTO DE UNIDADE. O MAL E O ERRO SÃO UMA SOMBRA, PURAMENTE MATERIAL, DA MESMA UNIDADE. Cumpre assinalar, que metafìsicamente, não há, nem pode haver, o mal absoluto; o mal, como privação qualificada de ser, tem necessáriamente de integrar o ser – CORROENDO-O;  subtraindo-lhe a objectividade e a hierarquia.

A Fé Católica, como Doutrina de Verdade, Sobrenaturalmente revelada por Deus Nosso Senhor; mas igualmente como edifício filosófico, infalível, constituído pela razão humana, extrìnsecamente ilustrada pela Graça Santificante, pelas Virtudes Teologais e Morais, e pelos Dons do Espírito Santo; todo este conjunto magnífico de realidades – que sòmente elas podem conferir sentido à nossa vida – NÃO INCORPORAM, NEM PODEM INCORPORAR, QUALQUER TIPO DE PLURALISMO, ENTENDIDO AQUI, COMO FORMAS ALTERNATIVAS E HETEROGÉNEAS DE PENSAR O HOMEM, O MUNDO, E A VIDA. É nesse sentido que se deve afirmar que a Fé, em si mesma, é totalitária – não, evidentemente, no sentido Hegeliano e Marxista, em que o finito, concebido sem acto metafísico próprio, é considerado um momento na vida do infinito puramente indeterminado – mas como Revelação e expressão da Unicidade absoluta de Deus, cujas Infinitas perfeições foram anàlogamente, logo orgânicamente, manifestadas na Criação. Não confundir a Monarquia de Deus Criador, com a univocidade de concepção filosófica do Mundo. O Ser é análogo, não unívoco; unívocos são os conceitos universais, por exemplo: O homem, a criança, o Anjo; pois que a razão ao formar um conceito comum, necessàriamente, intelectualmente, tem que prescindir de determinadas diferenças – e as diferenças SÃO! Já nos conceitos análogos, muito embora haja sempre de se proceder com abstracção, são afirmadas tais diferenças, por exemplo: o conceito análogo, também chamado colectivo, de – Civilização Europeia; o conceito de – Humanidade; estes são conceitos globalmente mais ricos, embora em certas circunstâncias, menos funcionais, do que os conceitos unívocos, pois ao contrário destes, para idêntica luz intelectual, quando aumenta a extensão do conceito, aumenta igualmente a compreensão. As causas segundas só podem actuar, unìvocamente, TRANSFORMANDO NUM SÓ SENTIDO,(1) substancial ou acidentalmente, a razão das formas; mas sòmente s Causa Primeira pode CRIAR ANÀLOGAMENTE A GLOBALIDADE DO SER.

Determinadas inteligências, ao pensarem a Criação, e o próprio Deus, tendem a unificar, a contrair, a variedade e multiplicidade dos entes criados – EMPOBRECENDO-OS, E EMPOBRECENDO A DEUS! Neste quadro conceptual, Duns Escoto (1265-1308), afirmava que Deus, quer no plano lógico, quer no plano ontológico, pode ser unívoco com a criatura; ora tal, foi expressamente negado por São Tomás de Aquino.

Portanto a Monarquia Divina não suprime, nem diminui, a riqueza intrínseca da Criação, muito pelo contrário – exalta-a, glorificando a Essência Infinita de Deus Nosso Senhor, pois só Ele, na Sua Asseidade, na Sua Eternidade, na Sua Omnipotência, sabe reduzir à unidade anàloga e orgânica uma tão deslumbrante e ubérrima pluralidade; mais ainda, quanto mais rica e excelsa é a variedade, mais Verdadeira e fecunda é a unidade e a organicidade. Todavia, a analogia do Ser não resulta de um acto da Vontade de Deus – É METAFISÌCAMENTE CONSTITUTIVA DO PRÓPRIO DEUS, E PORTANTO DA REVELAÇÃO.

Consequentemente, o Papado, enquanto instituição de Direito Divino Sobrenatural, representa fielmente, neste pobre mundo, a unidade, indivisibilidade e inexorabilidade da Soberania Divina. É do Papado, da Cátedra de São Pedro, que promana todo o poder Espiritual, Sobrenatural; mas também todo o poder temporal, sempre em ordem ao Sobrenatural. O Papado é uma monarquia electiva homogénea, na medida em que o princípio activo da eleição é absolutamente intrínseco ao próprio Papado. Não é uma monarquia hereditária, porque tal não era conveniente ao carácter constitutivamente Sobrenatural da função.

Segundo as disposições de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Vigário de Cristo deve confiar, ordinàriamente, aos soberanos terrenos, a condução efectiva e directa dos negócios temporais, mantendo contudo um função de vigilância e de Jurisdição indirecta sobre a actividade governativa.

Mas se não convém à Cátedra de São Pedro ser uma monarquia hereditária, precisamente o oposto se deve inferir das monarquias terrenas; POIS QUE O VÍNCULO ORGÂNICO AGREGADOR DAS FAMÍLIAS DEVE SER CONSTITUTIVO TAMBÉM DE UMA FAMÍLIA – A FAMÍLIA REAL!

O conceito de Família Real é caracterizadamente operativo e eficaz numa sociedade e num estado concebidos à Luz da Revelação, bem como da sã Filosofia; e portanto em bases essencialistas. O Estado existe para realizar a Glória de Deus e a Salvação das almas, segundo as suas competências próprias, e sob a autoridade da Santa Madre Igreja. Não para realizar a vontade individualista dos cidadãos, singularmente ou em associações inorgânicas. A célula fundamental da sociedade é a família, constituída de harmonia com a Lei Canónica; do seio das famílias e da Santa Igreja deverá originar-se a escola católica, onde nada de menos católico poderá entrar. As famílias devem constituir patrimónios espirituais e morais transmitidos de geração em geração; a própria sociedade no seu conjunto, como grande família sublimadora das famílias, constituirá UM PATRIMÓNIO NACIONAL, ESPIRITUAL, MORAL, SOBRENATURAL E MESMO CULTURAL; lògicamente, um tal património só pode ser administrado pela Família Real, cujo chefe é o Rei, e constitui repositório orgânico e transgeracional de uma configuração humana e terrena, sem dúvida, mas que possui como porto de destino o Reino dos Céus, infinitamente mais importante que todos os reinos da Terra.

Neste quadro conceptual, O REI NÃO PODE DISPOR DO PATRIMÓNIO ESPIRITUAL, MORAL, SOBRENATURAL E CULTURAL DA NAÇÃO. Compete à família real obviar a qualquer infracção ao Estatuto orgânico da sua Pátria. Formalmente se proscrevem assim as chamadas monarquias absolutas, porque absoluto, só Deus!

A Santa Madre Igreja sempre condenou as referidas monarquias absolutas; o Papa Inocêncio XI (1676-1689) chegou a excomungar Luís XIV, ainda que de forma não pública; e é perfeitamente imputável a estes regimes a preparação activa do terreno para a revolução de 1789, autorizando, por exemplo, a publicação da enciclopédia iluminista e ateia.

Concluímos assim o como a Revelação Sobrenatural, e o Magistério multissecular da Santa Madre Igreja e dos Papas, ordinário e extraordinário, se consubstancia numa concepção Essencialista e orgânica do Estado e da sociedade, cuja célula básica é a família, e cuja sublimação espiritual e Sobrenatural, necessàriamente encarnará numa monarquia, hereditária, tradicionalista, orgânica, submetida essencialmente ao Vigário de Cristo, e na qual o testemunho eminentemente moral através das gerações, constituirá o penhor da fidelidade sempre renovada ao Divino Crucificado, Aquele, Cujo Reino, Eterno e Imutável, constitui, ou deve constituir, Causa Eficiente, Causa Exemplar e Causa Final, dos reinos deste mundo.

 

NOTA.1 – No plano físico a causalidade humana é unívoca; todavia, pela sua inteligência, pelo domínio parcial das leis da natureza, pode o homem conjugar qualificadamente diversos efeitos naturais, multiplicando assim, anàlogamente, o seu raio de acção.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 26 de Abril de 2015

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A IGREJA QUE VEMOS É A PRÓPRIA MAÇONARIA INTERNACIONAL

Escutemos o Papa Leão XIII,  num trecho da sua encíclica “Humanum Genus”, promulgada em 20 de Abril de 1884:

 

«Ora o princípio fundamental dos naturalistas, como indica o próprio nome, é a soberania e o magistério absoluto da natureza e da razão humanas. Portanto, pouco lhes interessam os deveres para com Deus, e subvertem-nos com opiniões erróneas ou vagas. Negam por completo a Revelação Divina; não admitem dogmas, nem verdades superiores à inteligência humana, assim como todo o mestre no qual se deva querer em consciência pela autoridade do ofício. E visto que é privilégio singular e única da Santa Igreja Católica possuir na sua plenitude e guardar na sua integridade o depósito das Doutrinas Divinamente Reveladas, a autoridade do Magistério e os meios sobrenaturais de salvação Eterna, POR ISSO A RAIVA  E A FÚRIA DOS INIMIGOS CONTRA ELA SÃO AS MAIORES.

E agora observe-se a maneira de proceder da seita maçónica quanto à Religião, especialmente onde está mais livre de agir a seu modo, e depois julgue-se se ela é, ou não, fiel executora das máximas dos naturalistas. Com efeito, com propósito persistente e obstinado, procura-se que nem o Magistério nem a autoridade da Santa Igreja tenham alguma influência na sociedade; portanto, prega-se e sustenta-se a separação plena da Igreja e do Estado. Dessa forma privam-se leis e governo da virtude Divinamente salutar da Religião Católica, e pretende-se, a todo o custo,  ordenar os Estados independentemente das instituições e das doutrinas da Santa Igreja.

E como não basta afastar a Igreja, que é guia segura, acrescentam-se perseguições e ofensas. Eis então a licença plena de agredir impunemente, com a palavra, os escritos, e o ensinamento, os próprios fundamentos da Religião Católica; lesam-se os direitos da Igreja; não se respeitam suas prerrogativas Divinas; limita-se o mais possível a sua acção; e isso por meio de leis, aparentemente não demasiado violentas, mas em substância, feitas para entravar-lhe a liberdade. Promulgam-se leis de parcialidade odiosa contra o clero, e de tal forma, que se vê, cada dia mais, diminuído em número e meios. Vinculados de mil maneiras, e colocados nas mãos do Estado, os restos dos bens eclesiásticos, abolidos e dispersos os sodalícios religiosos.

E grassa mais inflamada a guerra contra a Sé Apostólica e o Pontífice Romano. Primeiramente, sob falsos pretextos, foi despojado do principado civil, sustentáculo da sua liberdade e direitos; em seguida foi reduzido a uma condição iníqua e intolerável pelos infinitos obstáculos; até que se chegou ao extremo de os sectários dizerem abertamente o que haviam tramado secreta e longamente entre si, isto é, DE FAZEREM DESAPARECER O PRÓPRIO PODER ESPIRITUAL DOS PONTÍFICES, E DE ELIMINAR DO MUNDO A PRÓPRIA INSTITUIÇÃO DIVINA DO PONTIFICADO. E quando faltassem outros argumentos, seria prova suficiente o testemunho de muitíssimos deles, que muitas vezes no passado, e também recentemente, declaram ser VERDADEIRAMENTE A FINALIDADE MÁXIMA DOS MAÇONS PERSEGUIR COM ÓDIO IMPLACÁVEL O CRISTIANISMO, E QUE ELES NÃO SE DETERÃO ATÉ QUE SEJAM DERRUBADAS TODAS AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS FUNDADAS PELOS SUMOS PONTÍFICES.

Se a seita não impõe aos filiados de renegar expressamente a Fé Católica, ESSA TOLERÂNCIA MAIS DO QUE ESTRAGAR OS DESÍGNIOS MAÇÓNICOS – AJUDA-OS! De facto, em primeiro lugar, este é um modo para enganar mais fácilmente os simples e inexpertos e ser chamariz de proselitismo. Depois, abrindo as portas a pessoas de qualquer religião, tem-se a vantagem de persuadir, de facto, O GRANDE ERRO MODERNO DO INDIFERENTISMO RELIGIOSO, E DA IGUALDADE DE TODOS OS CULTOS. ESTE É O CAMINHO MAIS PRÓPRIO PARA ANIQUILAR TODAS AS RELIGIÕES, E EM ESPECIAL A CATÓLICA, A QUAL, ÚNICA VERDADEIRA, NÃO PODE, SEM SUPREMA INJUSTIÇA, SER IGUALADA ÀS OUTRAS.

Os naturalistas, porém, vão bem mais longe. Encetando audazmente um caminho totalmente falso, em realidades de tanta importância, caem em erros extremos, quer pela fraqueza da natureza humana, quer pelo justo juízo de Deus, que pune o orgulho. Acontece, então, que as próprias verdades que são conhecidas pelo lume natural da razão, como são certamente a existência de Deus, a espiritualidade e imortalidade da alma humana, PARA ELES NÃO TÊM MAIS CONSISTÊNCIA E CERTEZA.»

 

 

O maior erro que se pode cometer quando se analisa a catástrofe do Vaticano 2, é pensar que a Igreja que hoje vemos é ainda a Santa Madre Igreja, embora semeada de heresias. NÃO É! PELO SIMPLES FACTO DE QUE A ESPOSA DE CRISTO, ENQUANTO TAL É SANTA, INDEFECTÍVEL, INTANGÍVEL, INFALÍVEL E MESMO IMPECÁVEL, AINDA QUE O SUCESSOR DE PEDRO NÃO SEJA PESSOALMENTE IMPECÁVEL. CONSEQUENTEMENTE, NÃO PODE SURGIR INFECTADA DE HERESIAS, EMBORA POSSA APARECER, EXTRÌNSECAMENTE, OBSCURECIDA PELOS PECADOS DOS HOMENS SEUS SERVIDORES. Logo a “Igreja” que vemos é a própria maçonaria internacional, que nos impõe UMA NOVA RELIGIÃO, TOTALMENTE NOS ANTÍPODAS DA FÉ CATÓLICA.

Entre as duas teses citadas existe uma abismo imenso, pois que o erro da primeira tese é tão profundo, produz consequências tão aniquilantes, desgosta tanto os Corações de Jesus e Maria, envia tantas almas para o Inferno, que ficamos estarrecidos com a probabilidade, mais do que real, do sucessor de Fellay poder insistir em tão ingente disparate.

A heresia, mais ainda a apostasia, mesmo puramente interna, separa “ipso facto” totalmente do Corpo Místico, conquanto só possa sofrer sanções canónicas depois da sua manifestação externa; mesmo o pecado mortal, não amputando ninguém de membro do Corpo Místico, transforma-o, contudo, em membro morto. No caso presente, insiste-se em que nenhum papa pode ser truncado do Corpo Místico, precisamente, em virtude da prerrogativa da Infalibilidade. Logo se alguém que aparece como Papa se revela como herético ou apóstata – ENTÃO NUNCA FOI PAPA.

O próprio Concílio Vaticano II, formalmente, nunca existiu. Os historiadores eclesiásticos do futuro far-lhe-ão referência como um “anti- concílio” presidido por “anti- papas”, do qual resultou uma “anti- Igreja”, ou seja uma estrutura maçónica que gizou uma anti-religião de tendência panteísta. Porque a “decomposição do catolicismo” de que se falava nos anos sessenta, formalmente, já não era a Religião Católica, já não era a Santa Madre Igreja, ainda que, compreensìvelmente, muitos poucos ainda o advertissem.  Muitos censuram Monsenhor Lefebvre pela sua brandura face ao Vaticano, nessa época; contudo, tal só demonstrava a sua boa-fé, e a sua fidelidade à Cátedra de São Pedro. Mas note-se: Se poderia ser prematuro uma declaração sedevacantista em Dezembro de 1965 – quando do encerramento do concílio, quando foi aprovado o princípio da liberdade religiosa e Paulo VI proclamou o culto do homem – já constituiu uma falha letal, de gravíssimas consequências, essa declaração não ter sido concretizada por Monsenhor Lefebvre e Monsenhor Castro Mayer, em 30 de Junho de 1988, quando das Sagrações.

Quanto mais os sucessores de Fellay forem insistindo na Tese “da Igreja que vemos” ser a verdadeira Santa Madre Igreja, MAIS A MAÇONARIA FESTEJARÁ, AQUILO QUE ELA PENSA SER O SEU TRIUNFO DEFINITIVO SOBRE A SANTA IGREJA. E cada vez mais o conceito de Papado será desprestigiado, banalizado, arrastado na lama, por aqueles mesmo que julgam defendê-lo, contra todas as leis da Lógica, do Direito, da Filosofia e da Teologia.

Afirma o director do Seminário da Santíssima Trindade, na Florida, Monsenhor Donald Sanborn, que a tese da Igreja conciliar ser a verdadeira Santa Madre Igreja, com papas e Bispos válidos, encerra uma contradição; e que a tese sedevacantista encerra um mistério, aquele de saber como a Pessoa Moral da Santa Igreja sobreviverá até à Parúsia Final.

Nunca a Filosofia, a Teologia, o Direito, podem resistir à contradição, qual vírus letal a carcomer as suas entranhas e a desfuncionalizar as suas instituições.

Afirmar que um ateu, comunista, libertino, pro-gay e pro-aborto, verdadeiro anti-Cristo, PODE SER, E É EFECTIVAMENTE, TAMBÉM O VIGÁRIO DE CRISTO, CONSTITUI UMA SENTENÇA DE MORTE, INAPELÁVEL E IRREVOGÁVEL, TEMPORAL E ETERNA, PARA PESSOAS E INSTITUIÇÕES, SEJAM ELAS QUAIS FOREM.

E isto é tanto mais verdade, quanto se sabe, desde o tempo de Pio IX, que a maçonaria preparava dois grandes golpes: A supressão do Poder Temporal do Romano Pontífice, o que logrou conseguir em 1870; e a mais longo prazo, a colocação de uma aparência de papado e de Igreja ao serviço da mesma maçonaria internacional – o que estava feito em 1970.

Se hoje a maçonaria irradia, aparentemente, menos publicidade e actividade do que há 150 anos – É EXACTAMENTE PORQUE JÁ TEM TUDO NA MÃO, AINDA QUE SOB NOMENCLATURA DIVERSA, FUNDAMENTALMENTE, AO CONTROLAR INTEIRAMENTE A FACE HUMANA DO CORPO MÍSTICO, DIRIGE E GOVERNA UMA MULTIPLICIDADE DE INSTITUIÇÕES ACADÉMICAS E DE BENEFICÊNCIA, NELAS INSTILANDO O SEU SANGUE ATEU, REVOLUCIONÁRIO, DEICIDA E ANTROPOLÁTRICO. ATRAVÉS DA EX-IGREJA CATÓLICA, A MAÇONARIA DOMINA O MUNDO, COMO NUNCA JULGOU PODER FAZÊ-LO. FOMENTANDO O ABORTO, A SODOMIA, A PEDERASTIA E A PEDOFILIA, A MAÇONARIA ENFRAQUECE MORTALMENTE AS DERRADEIRAS DEFESAS, CIVIS, CULTURAIS E SOBRETUDO RELIGIOSAS DA SOCIEDADE OCIDENTAL. É ESSA HEDIONDA E TORPE MAÇONARIA QUE ESTÁ PRESENTE NAS CHEFIAS DA FRATERNIDADE QUE FOI DE SÃO PIO X, PELO QUE NÃO ACREDITAMOS QUE O NOVO SUPERIOR GERAL PROCEDA A UMA INVERSÃO DE RUMOS.

O mistério da sobrevivência da Pessoa Moral de Direito Divino da Santa Madre Igreja PERTENCE A DEUS. A nós cabe-nos não esmorecer jamais; Nosso Senhor de tudo nos avisou, a Sagrada Escritura e a Tradição da Santa Mãe Igreja têm gravada a profecia da grande apostasia final – ESTAMOS NELA! Consequentemente, aquilo que testemunhamos constitui a maior prova, EXTRÍNSECA, da Verdade e Santidade da Igreja nossa Mãe.

Porque o que aconteceu à Santa Igreja – SÓ A ELA PODIA SUCEDER. As outras falsas religiões – JÁ SATANÁS AS TINHA.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 14 de Julho de 2018

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A CORRUPÇÃO E O ERRO

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Mirae Caritatis”, promulgada em 28 de Maio de 1902:

 

«De diversas maneiras, como já dissemos outra vez, Cristo é vida. Ele deu como motivo da Sua vinda entre os homens o querer trazer para eles uma abundância segura de uma vida mais do que humana: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Com efeito, logo que sobre a Terra “apareceu a benignidade e o amor do Salvador nosso Deus” (Tt 3,4), ninguém ignora que irrompeu uma certa força criadora, de uma ordem de coisas totalmente nova, e se introduziu em todas as veias da sociedade doméstica e civil. Daí novos vínculos entre homem e homem; novos direitos privados e públicos; novos deveres; nova direcção às instituições; às disciplinas; às artes; e o que mais importa: OS ÂNIMOS E OS CUIDADOS DOS HOMENS FORAM DIRIGIDOS À VERDADE DA RELIGIÃO E À SANTIDADE DOS COSTUMES, E ATÉ FOI COMUNICADA AOS HOMENS UMA VIDA TOTALMENTE CELESTE E DIVINA. De facto, se referem a isso aquelas expressões tão frequentes das Divinas Escrituras: “Lenho de vida, Verbo de vida, Livro de vida, Coroa de vida”, e sobretudo “Pão da vida”.

E queira Deus que pensassem rectamente e tomassem cuidado da vida sempiterna, principalmente aqueles, os quais, quer pelo engenho, quer pela indústria ou autoridade, têm grande poder na direcção das coisas temporais e terrenas. Porém somos obrigados a ver e a deplorar, que muitos pomposamente se apresentam como os que deram ao mundo uma vida nova e feliz porque o levam a correr ardentemente em busca e aquisição de todas as comodidades e de todas as maravilhas. Entretanto, seja por onde for que se olhe, se vê a sociedade humana, que se está afastada de Deus, ao invés de gozar a almejada tranquilidade, sofre e angustia-se como quem está tomada por febre doentia, enquanto procura ansiosamente a prosperidade, e confia sòmente nela, a vê fugir diante de si, CORRENDO ATRÁS DE UMA SOMBRA QUE SE DISSIPA. Porque os homens e a sociedade, como necessàriamente derivam de Deus, assim não podem viver, mover-se e fazer qualquer bem em nenhum outro, a não ser em Deus, por meio de Jesus Cristo, d’O Qual derivou, e sempre deriva, o que há de bom e eleito.»

 

 

Muito se fala de corrupção, mas sem a definir; ora a definição constitui uma análise da compreensão, e um ente racional, e mais ainda um bom Católico, tem a obrigação de tentar compreender o mundo à sua volta, nomeadamente na sua vertente moral.

Todas as funções são constituídas por princípios inteligíveis. Os princípios não são conceitos universais nos quais a compreensão varia na razão inversa da extensão, não; nos princípios, para uma mesma luz intelectual, a extensão aumenta com a compreensão e vice-versa, por exemplo: O conceito de civilização europeia é mais extenso, mas simultâneamente mais rico em compreensão do que o conceito de civilização portuguesa.

Quando um Estado proclama a sua constituição, necessàriamente institui os orgãos necessários para que com estabilidade objectiva assegurem o governo desse Estado.

O titular dos orgãos de soberania, no exercício das suas funções, está vinculado ao uso de determinados meios, sempre ordenados à consecução de determinados fins, não pode socorrer-se de qualquer meio para atingir qualquer fim. O RACIOCÍNIO FUNCIONAL DO TITULAR DO ORGÃO DE SOBERANIA TEM QUE PAUTAR-SE, ESSENCIALMENTE, PELOS OBJECTIVOS FIXADOS PELA LEI, EMBORA SEJA RELATIVAMENTE LIVRE NA SELECÇÃO DOS MEIOS; SE A SUA INTENÇÃO E O SEU RACIOCÍNIO NÃO SE AFASTAREM DAS COORDENADAS DEFINIDAS PELA LEI, EMBORA A SOLUÇÃO CONCRETAMENTE ENCONTRADA ESTEJA ERRADA – NÃO HÁ CORRUPÇÃO, MAS SÒMENTE ERRO.

Pelo contrário, se o titular do orgão de soberania, enquanto tal, se deixa contaminar com objectivos pessoais, familiares, ou quaisquer outros estranhos à função, e UTILIZAR OS MEIOS E OS MECANISMOS FUNCIONAIS, COLOCADOS À SUA DISPOSIÇÃO, PARA ATINGIR OS TAIS OBJECTIVOS ESTRANHOS À FUNÇÃO – ENTÃO HÁ CORRUPÇÃO.

No plano político é extremamente difícil provar a corrupção dos titulares dos orgãos de Soberania, exactamente porque a decisão política invoca princípios de grande extensão e elevada compreensão, MUITO AFASTADOS DO CONCRETO QUOTIDIANO, e como tal menos assimiláveis a este. No plano administrativo, pelas razões opostas, já se afigura acentuadamente menos difícil tal prova.

A maldade, a malícia, fundamental do crime – e do pecado mortal – da corrupção, residem na utilização de meios funcionais, postos à disposição do titular do orgão de soberania, para fins estranhos aqueles para os quais tais meios e mecanismos funcionais lhe foram conferidos.

Tudo isto é muito verdade no campo do Direito Civil; MAS É LETRA MORTA, E BEM MORTA, QUANDO SE TRATA DE ANALISAR A MAIOR FRAUDE, O MAIOR ROUBO, A MAIOR MENTIRA, DA HISTÓRIA UNIVERSAL – O CONCÍLIO VATICANO 2.

Efectivamente, a Santa Madre Igreja é uma Instituição de Direito Divino Sobrenatural, com uma dignidade infinitamente maior do que qualquer potência civil, passada, presente, ou futura; NA REALIDADE, A DIGNIDADE DA SANTA IGREJA É A DIGNIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO DO QUAL CONSTITUI PROLONGAMENTO DE ACÇÃO TEÂNDRICA. Os orgãos hierárquicos da Santa Igreja, nomeadamente a Cátedra de São Pedro e o Corpo Episcopal, foram constituídos para a Glória de Deus e a Salvação das almas, e não para qualquer finalidade puramente terrena.

O Princípio que rege a acção das funções eclesiásticas é, e só pode ser, O DA FÉ CATÓLICA.

Prosseguindo um plano verdadeiramente diabólico, gizado no início do século XIX, a maçonaria internacional passou a dedicar-se com afinco à usurpação das cátedras episcopais, esperando um dia apoderar-se da própria Cátedra de São Pedro.

Nosso Senhor Jesus Cristo, ao instituir a Santa Madre Igreja, prometeu que as portas do Inferno nada poderiam contra ela, isto é, prometeu UMA INTANGIBILIDADE, UMA INDEFECTIBILIDADE, E UMA INFALIBILIDADE, À SUA IGREJA NO PLANO SOBRENATURAL INTRÍNSECO; NÃO PROMETEU DE FORMA ALGUMA, QUE EXTERIORMENTE, NA SUA FACE HUMANA, A SANTA IGREJA NÃO PUDESSE SER ATINGIDA, E PIOR AINDA – RENEGADA!

Já afirmámos que as funções eclesiásticas estão constituídas e definidas pela Fé Católica e pelo Direito Divino Sobrenatural. Consequentemente, UM EXERCÍCIO CONCRETO E HABITUAL DESSAS MESMAS FUNÇÕES, EM CONTRADIÇÃO COM O SEU PRINCÍPIO CONSTITUTIVO, IMPLICA NÃO APENAS A PLENA NULIDADE DA FUNÇÃO, COMO ATÉ MESMO A SUA INEXISTÊNCIA.

Poder-se-á argumentar, que mesmo no plano do Direito Civil, quando o funcionário que desobedece a uma ordem, assinando, por exemplo, determinadas autorizações ou vistos, estas são, contudo, consideradas válidas, conquanto o funcionário possa ulteriormente ser demitido; foi o que aconteceu a Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português que desobedeceu a Salazar, salvando milhares de pessoas. Mas na grande fraude que foi armada à Santa Igreja, não se trata de desobediência, MAS DE UM EXERCÍCIO CONCRETO E HABITUAL DA FUNÇÃO EM CONTRADIÇÃO COM O SEU PRÓPRIO PRINCÍPIO CONSTITUTIVO, QUE É A FÉ CATÓLICA. Todo o Direito Civil, universalmente, considera, até mesmo como inexistente, um tal procedimento.

Só quando se trata de destruir a Santa Madre Igreja, todos, absolutamente todos, incluindo juristas de renome, consideram perfeitamente válida a acção dos usurpadores conciliares ao renegarem, conscientemente, premeditadamente, todo o Dogma, toda a Moral, e toda a sã filosofia.

O próprio Fellay, AO RENEGAR O PRIMEIRO PRINCÍPIO CONSTITUTIVO DO QUE DEVIA SER O SEU CARGO, E QUE TAL É A IMPOSIÇÃO DE UM COMBATE POSITIVO E SEM TRÉGUAS CONTRA A SEITA CONCILIAR, DEMONSTRA A CRENTES E NÃO CRENTES QUE AS SUAS FUNÇÕES SÃO INVÁLIDAS.

Os Papas, ao longo da História, cometeram erros administrativos e até políticos, porque a solução por eles encontrada para determinados problemas – estava errada. Mas na exacta medida em que eram verdadeiros Papas, NÃO CORROMPIAM, NEM PODIAM CORROMPER O SEU RACIOCÍNIO FUNCIONAL, PRECISAMENTE EM VIRTUDE DA PRERROGATIVA DA INFALIBILIDADE. Neste quadro conceptual, quando faz suas as intenções da maçonaria, um indivíduo pode ser eleito em conclave; MAS NÃO E INVESTIDO POR NOSSO SENHOR NO SUPREMO PONTIFICADO; E A SUA CORRUPÇÃO ESSENCIAL E CONSTITUTIVA, JÁ DE SI PÚBLICA DE DIREITO, NÃO TARDARÁ A SER NOTÓRIA. Foi o que aconteceu com Roncalli; comissionado pela maçonaria para convocar o concílio e criar fornadas de cardeais modernistas, embora eleito em conclave, para castigo dos pecados da Humanidade, nunca foi investido no Supremo Pontificado, nunca foi Papa.

Mas tal não impediu que os falsos papas, como aliás os falsos bispos, como também Fellay, utilizassem, com ASTÚCIA SUBLIMINAL, os mecanismos funcionais colocados à sua disposição para a edificação do Corpo Místico de Cristo, PRECISAMENTE PARA A SUA (do Corpo Místico) RUÍNA EFECTIVA, NA SUA FACE HUMANA.

É perfeitamente asinário proclamar que os ditos “papas” conciliares erraram nos seus procedimentos, embora estivessem de boa-fé. Tratando-se da Fé, os Papas não podem errar, nem no Dogma, nem na Moral, nem na sã filosofia, nem no exercício do Magistério Ordinário, nem no Magistério extraordinário, nem mesmo no denominado Magistério autêntico, aqui podendo confundir-se e fraquejar, não podem contudo os Papas cair em heresia positiva.

TENTAR DESCULPAR OS ANTI-CRISTOS CONCILIARES É FAZER O JOGO DELES, COLABORANDO ACTIVAMENTE NA OBRA DEICIDA, E NO GENOCÍDIO DE ALMAS.

O erro e a corrupção constituem realidades mùtuamente irredutíveis. A Santa Madre Igreja, por Privilégio Divino, está isenta de ambos no que à Fé concerne; e mesmo no plano administrativo e político, podendo errar, tem cometido muito menos erros do que as Potências Civis no decorrer da História. Mesmo no plano Judicial, a Santa Madre Igreja, sendo falível nas sentenças concretas, com a excepção dos Processos de Canonização, tem contudo cometido muito menos erros do que os Tribunais Civis e Militares dos Estados, possuindo uma Jurisprudência imensamente mais rica.

A Santa Madre Igreja, embora permanecendo em grande parte nas catacumbas, vai libertar-se do fojo em que a maçonaria internacional a quis lançar, e irá provar ao mundo como foi vítima do maior acto de corrupção, DO MAIOR DEICÍDIO, que se pode cometer nesta Terra: A CORRUPÇÃO DE TODA A VERDADE, DE TODO O BEM, E DE TODO O SENTIDO PARA A VIDA, NA FACE HUMANA DA SUA MESMA FONTE INSTITUCIONAL, DIVINA E ETERNA.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 19 de Agosto de 2016

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

TODAS AS ESTRATÉGIAS ANTI-CATÓLICAS SE ASSEMELHAM NO ESSENCIAL

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Humanum Genus”, promulgada em 20 de Abril de 1884:

 

«Os erros turbulentos que lembramos devem fazer trepidar violentamente os Estados. Com efeito, eliminado o temor de Deus  e o respeito às Leis Divinas, pisada a autoridade dos príncipes,  permitida e aprovada a libido das sedições, eliminado todo o entrave às paixões populares, sem nenhum freio, fora os castigos, necessàriamente seguir-se-á a revolução e a subversão universal. E este revolvimento subversivo, é a finalidade deliberada e a profissão manifesta das numerosas associações de comunistas e socialistas; e no entender deles, não há motivo para declarar estranha a seita maçónica, ela que favorece grandemente os seus desígnios, e tem em comum com eles os princípios capitais. E se não se chega logo, nos factos e em todos os lugares, às consequências extremas, o mérito disso não é atribuível aos princípios da seita, ou à vontade dos sectários, MAS À VIRTUDE DAQUELA RELIGIÃO DIVINA, QUE NÃO PODE SER APAGADA, BEM COMO À PARTE MAIS SADIA DO CONSÓRCIO HUMANO, QUE DESDENHANDO SERVIR AS SOCIEDADES SECRETAS, OPÕE-SE COM ÂNIMO FORTE AOS SEUS PROPÓSITOS INSANOS.

QUEIRA DEUS QUE, UNIVERSALMENTE, SE JULGUE PELOS FRUTOS A RAIZ, E PELOS MALES QUE NOS AMEAÇAM E PELOS PERIGOS QUE NOS COMINAM, SE RECONHEÇA A MÁ SEMENTE! E PRECISO AGIR COM ESSE INIMIGO ASTUTO E FRAUDULENTO,  O QUAL AMANSANDO POVOS E MONARCAS COM PROMESSAS E ADULAÇÕES LISONJEIRAS – ENGANOU A AMBOS!

Contudo, julgando conveniente ao nosso ministério, indicar-vos alguns dos meios mais oportunos, a primeira coisa a fazer é desmascarar a seita maçónica DE SUAS FALSAS APARÊNCIAS, e manifestar o que realmente é, ensinando aos povos, de viva voz e com Cartas Pastorais, os artifícios dessas sociedades para abrandar e aliciar, a perversiadade das doutrinas e a desonestidade das obras. Como declararam mais vezes os nossos predecessores, todos os que cuidam da profissão católica e da sua salvação, nunca pensem inscrever-se, sem culpa, na seita maçónica. NINGUÉM SE DEIXE ILUDIR PELA HONESTIDADE SIMULADA; com efeito, pode muito bem parecer a alguém que os maçons não imponham nada de abertamente contrário à Fé e à Moral; mas POR SER ESSENCIALMENTE MALVADAS A NATUREZA E A FINALIDADE DE TAIS SEITAS, NUNCA PODE SER LÍCITO INSCREVER-SE NELAS, NEM AJUDÁ-LAS DE QUALQUER FORMA.

Também sabemos, que os nossos esforços não serão suficientes para erradicar esta semente perniciosa do campo do Senhor, se O Celeste Padroeiro da Vinha não nos socorrer, ampla e abundantemente. Precisamos pois implorar com fervor ardente e ansioso a Sua Poderosa ajuda, proporcionada à gravidade do perigo e à grandeza da necessidade.

Ensoberbecida pelos seus grandes sucessos, a maçonaria torna-se insolente, e parece não querer mais pôr limites à sua pertinácia. Em todos os lugares, como unidos por entendimento iníquo e unidade oculta de propósitos, seus seguidores ajudam-se mùtuamente, e estimulam-se entre si a ser mais ousados no mal. A um assalto tão forte deve opor-se defesa não menos vigorosa – QUEREMOS DIZER QUE TODOS OS BENS SE DEVEM UNIR NUM GRANDÍSSIMO ENTENDIMENTO DE ACÇÃO E ORAÇÃO. Portanto pedimos-lhes duas coisas: A primeira, que unânimes e de fileiras cerradas, com pé firme, resistam ao ímpeto crescente das seitas, a segunda, que levantando, com muitos gemidos, as mãos suplicantes  a Deus, implorem insistentemente, que o Cristianismo prospere e cresça vigoroso; que a Santa Igreja obtenha a liberdade necessária, que os transviados voltem à saúde, que os erros dêem lugar à Verdade, e os vícios à Virtude.»

 

 

Em Portugal, o ateísmo e o agnosticismo gerem a coisa pública desde há dois séculos e meio, ou mesmo há três séculos, se incluirmos o ominoso reinado do ímpio, devasso, réu de lenocínio, freirático, que foi D.João V; este monstro, com toda a sua corte, dedicava-se a transformar conventos em lupanares de luxo. O terramoto de 1755 mais não constituiu senão o castigo dos deboches do reinado anterior, e também do reinado de D.José, adúltero consumado e impenitente. D.João V possuía uma concepção puramente decorativa da Religião, como aliás os Reis de França dessa época, que ele pretendia a todo o custo imitar.

Ao contrário do que se pensa, JAMAIS O ESTADO NOVO CONSTITUIU EXCEPÇÃO A ESSE ATEÍSMO DE ESTADO, MUITO PELO CONTRÁRIO FOI ELE PRÓPRIO ATEU, POIS SEMPRE PRETENDEU USAR A SANTA MADRE IGREJA COMO PURO INSTRUMENTO DE COESÃO POLÍTICO-SOCIAL; QUE TAMBÉM O É, SEM DÚVIDA, MAS É INFINITAMENTE MAIS DO QUE ISSO.

A República portuguesa, proclamada em 1910, foi por alguns bons católicos, inicialmente, considerada como uma libertação da monarquia liberal, maçónica a cem por cento, escravizadora da Santa Madre Igreja, pois reduziu a Religião a um serviço público do Estado. Todavia, em breve esses bons católicos concluíram que se tinham libertado duma escravidão para cair noutra. Efectivamente, o tirano Afonso Costa (1871-1937), apesar de doutor em direito, não considerava incoerência, em regime de separação da Igreja e do Estado, submeter disciplinarmente os sacerdotes ao Ministério da Justiça. O mesmo Afonso Costa criou um regime de excepção para a Religião Católica e para os católicos, privando-os praticamente de todos os direitos, exilando-os no seu próprio país. O ensino da Religião Católica foi proibido, tanto na escola pública como na escola privada, sendo expressamente vedado aos professores pronunciarem o santíssimo Nome de Deus. Aliás, um católico convicto jamais poderia obter autorização para exercer o magistério, fosse em que grau fosse, tanto na esfera pública como na privada. Pretendeu ainda Afonso Costa submeter o culto público à hedionda jurisdição das lojas maçónicas, através das denominadas cultuais; todavia estas jamais se puderam realmente constituir, de tão contrárias que eram a todo o Direito, Divino e humano, acabando por ser abolidas em 1918.

Mas foi através da obrigatoriedade do Registo Civil, que o ateísmo da República mais terá penetrado nas massas. Já em 1867, o novo Código Civil consagrara o denominado “casamento civil”, o qual não consistia numa legítima forma matrimonial para não baptizados, mas uma armadilha mortal para conduzir os baptizados a rejeitarem o casamento canónico; o mesmo se passava, aliás, em toda a Europa de antiga tradição católica, bem como na América Latina. Contudo, a legislação de 1867 não ousava ainda tornar obrigatório o dito registo civil. E assim os párocos continuaram com a sua tradicional tarefa de registar em livros próprios, submetidos à lei canónica, os principais eventos da vida dos indivíduos: Nascimento, casamento e óbito.

A República de 1910 impôs o registo civil para todos, com prioridade relativamente a toda e qualquer cerimónia religiosa; e até criou o conceito de “padrinhos de registo” responsáveis legalmente pela criança se os pais morressem. Afonso Costa jogava aqui com o analfabetismo religioso extremo do povo português, fazendo da cerimónia civil um aparente substituto eficaz dos Sacramentos. Havia grande propaganda republicana entre o povo, de que uma vez efectuada a cerimónia civil do casamento – JÁ NÃO ERA NECESSÁRIO MAIS NADA, POIS ESTAVAM CASADOS. Anàlogamente, os republicanos faziam constar, que uma vez registada a criança – JÁ ESTAVA BAPTIZADA, E TINHA PADRINHOS, PELO QUE NÃO ERA NECESSÁRIO COMPARECER NA IGREJA. E muito povo acreditava, pois era a autoridade que o afirmava.

Aconteceu até que um grande amigo de Afonso Costa – comerciante debochado, mas também filantropo, de seu nome Francisco Grandela – pagou do seu bolso um edifício público especialmente concebido para registos e para casamentos civis – ORA ESSE EDIFÍCIO POSSUÍA A ARQUITECTURA EXTERIOR DE UMA IGREJA!

A estratégia da maçonaria, e em geral de todos os inimigos da Igreja é sempre a mesma: Conservar determinadas aparências cristãs, DISSOLVENDO O CONTEÚDO; assim o veneno fica envolvido numa capa de açucar e é mais fácilmente ingerido.

Na dita enciclopédia francesa do século XVIII, o artigo sobre o Santo Sacrifício da Missa é cem por cento correcto; todavia, uma nota de pé de página remete o leitor para o artigo sobre os “CULTOS PAPUAS”.

Neste quadro conceptual se verifica que o Vaticano 2 não inventou nada, nenhuma estratégia nova, apenas manter aparências liquidando as realidades, e mesmo isso, a pouco e pouco.

Assinale-se, que salvo um ou outro caso como o do próprio Padre Cruz, ou do Padre Manuel Fernandes Santana, e de outros sacerdotes que estudaram no estrangeiro, era lamentável a formação, tendencialmente regalista, que durante todo o século XIX foi facultada ao clero português. O problema começava nos bispos que eram apresentados pela monarquia maçónica, muitos bispos mais políticos do que religiosos, alguns deles maçons encartados no Grande Oriente, como o Cardeal Saraiva, Patriarca de Lisboa (1776-1845); o Bispo Silva Torres, Arcebispo de Goa (1800-1854); D. António Aires de Gouveia, Arcebispo de Calcedónia (1828-1916), cuja apresentação foi uma vez rejeitada pela Santa Sé, por suspeita de ser maçon; D.Alves Martins, Bispo de Viseu (1808-1882). Só com estes tristíssimos exemplos, avalie o leitor o TREMENDO DRAMA DE INVALIDADE QUE TUDO ISTO ACARRETA, SACERDOTES INVÀLIDAMENTE ORDENADOS, MISSAS E SACRAMENTOS INVÁLIDOS, UM PAVOR.

O século XIX português foi assim de grande decadência religiosa, quer no clero, corpo de funcionários públicos burocratizados, quer no povo, o qual se afundava, progressivamente, na mais inconcebível ignorância religiosa, sempre estimulado por uma imprensa anti-católica completamente livre; a isto acrescente-se a expulsão das ordens religiosas em 1834, pois que a vida regular constitui verdadeiro pára-raios espiritual de uma sociedade.

O absoluto deserto que vivemos hodiernamente possui raízes muito profundas, não o podemos esquecer.

Foram séculos de combate anti-Cristão e anti-Católico, no qual a maçonaria desempenha um papel fundamental, que edificaram a presente civilização pós-Cristã, ateia em toda a profundidade da sua constituição, e pior ainda, SEM QUALQUER POTENCIALIDADE HISTÓRICA E MORAL PARA INVERTER RUMOS.

Nem com isto se quer afirmar que fomos abandonados pela Providência Divina, seria uma blasfémia, mas apenas significar que foi Deus Nosso Senhor que concebeu Eternamente, com Sua Infinita Sabedoria, o mundo que quis criar, e que nele, misteriosamente, marcou um declínio acelerado da Humanidade para a completa apostasia; e nós estamos a viver a recta final desse percurso, recordando sempre que a magna fidelidade de poucos satisfaz superabundantemente pela ingente maldade do grande número.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Lisboa, 12 de Julho de 2018

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Novus Ordo Watch

Fátima e a Paixão da Igreja

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