Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A GRAÇA SANTIFICANTE – O BEM MAIS RARO DESTE MUNDO

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da encíclica “Adiutricem Populi,”promulgada em 5 de Setembro de 1895:

«Ora, como a Fé é o fundamento e o princípio dos Dons Divinos, pelos quais o homem é elevado acima da ordem da natureza, para os Bens Eternos, celebra-se justamente a mística influência de Maria Santíssima na sua adquirição e frutificação da Fé. Efectivamente, Maria é aquele que gerou o Autor da Fé, e que por causa da sua Fé foi saudada “Bem-Aventurada”: “Ninguém, Ó Virgem Santíssima, tem conhecimento pleno de Deus, a não ser por teu intermédio, Ó Mãe de Deus; ninguém recebe Dons da Misericórdia Divina, a não ser através de ti”(São Germano Constantinopolitano). E também não pode parecer exagerada a afirmação de que foi especialmente pela sua guia e ajuda, que até entre obstáculos e adversidades enormes, a Sabedoria e os ordenamentos evangélicos difundiram-se tão ràpidamente por todo o mundo, instaurando em todo o lugar uma nova ordem de Justiça e Paz. Sem dúvida, essa consideração devia estar presente no ânimo de São Cirilo de Alexandria, quando dirigindo-se à Virgem lhe dizia: “Graças a ti os Apóstolos pregaram aos povos a doutrina da Salvação; Graças a ti, toda a criatura presa nos erros da idolatria é reconduzida ao conhecimento da Verdade; Graças a ti, os fiéis chegaram ao Baptismo e foram fundadas igrejas em toda a parte do mundo.”
Além disso, segundo o louvor do mesmo Doutor, ela foi “poderosíssimo centro de verdadeira Fé”, pelo cuidado contínuo que teve em manter firme, inata e fecunda entre os povos a Fé Católica. Há provas numerosíssimas e bem conhecidas, confirmadas, por vezes, por acontecimentos prodigiosos. Aconteceu, sobretudo, nos tempos e nas regiões nos quais se teve que deplorar o enfraquecimento da Fé por causa da indiferença, ou atacada pelo contágio pernicioso dos erros que o socorro clemente da Virgem se manifestou de maneira particular. Foi então que graças a seu impulso e apoio, surgiram homens eminentes em santidade e zelo apostólico, prontos a rechaçar os ataques dos perversos, a reconduzir as almas à prática e ao fervor da vida cristã. Sòzinho, poderoso, como muitos unidos, Domingos de Gusmão consagrou-se a essa dúplice tarefa, tendo colocado, com sucesso, a sua confiança no Rosário de Maria. E ninguém poderá duvidar da grande parte que a Mãe de Deus teve nos serviços prestados pelos veneráveis Padres e Doutores da Igreja que trabalharam tão egrègiamente em defesa e ilustração da Doutrina Católica. Com efeito, é A ELA, SEDE DA SABEDORIA DIVINA, QUE ELES, AGRADECIDOS, ATRIBUEM A INSPIRAÇÃO FECUNDA DOS SEUS ESCRITOS; É POR OBRA DA VIRGEM SANTÍSSIMA, E NÃO PELOS SEUS MÉRITOS, COMO ELES TESTEMUNHAM, QUE A MALÍCIA DOS ERROS FOI DERROTADA.»

A mais terrível consequência do pecado original é precisamente esta: O Bem mais precioso, mais necessário, a amizade Sobrenatural com Deus Nosso Senhor – é o Bem mais raro.
Na ordem física, sabemos que o ar atmosférico, o qual constitui o bem material mais absolutamente necessário, nem sequer é um bem económico, pois não possui raridade: Há para todos, SEM TRABALHO, sejam quantos forem, e por mais que respirem não se limitam uns aos outros. Já a água, que também é urgentemente necessária para a sustentação da vida, mas não tão imperiosa quanto o ar, a água já constitui um bem económico, porque mesmo que se considere a imensidade dos oceanos, É NECESSÁRIO TRABALHO E MAQUINARIA PARA PROCEDER À DESTILAÇÃO.
No Paraíso Terrestre, os Bens Sobrenaturais constituíam como que o ar espiritual dessa privilegiada condição, um autêntico Bem livre. Efectivamente, as crianças nasceriam já na posse da Graça Santificante, que ERA PURA GRAÇA DE DEUS, E NÃO GRAÇA DA REDENÇÃO OPERADA POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. No Paraíso Terrestre a virtude Sobrenatural era tão fácil e tão espontânea, como respirar. O progresso nessa mesma virtude mais não seria senão um lançar-se amorosamente, gratificantemente, nos abismos Incriados das Riquezas Divinas. E quanto mais virtude alcançassem, mais fácil seria, para os habitantes do Paraíso Terrestre, essa mesma virtude.
O pecado original actuou como uma bomba nuclear que tivesse envenenado irremediàvelmente a atmosfera Sobrenatural do Paraíso Terrestre. Consequentemente, o que era abundantíssimo e fácil, tornou-se raro e difícil. Se Adão, constituído cabeça orgânica do Género Humano, não tivesse pecado, existe a possibilidade de que algum dos seus descendentes o pudesse ter feito, e teria morrido como Adão morreu, mas esse pecado não seria transmitido através das gerações, e não teria obliterado a privilegiada condição, Preternatural e Sobrenatural, do Paraíso Terrestre.
O facto da Redenção operada por Nosso Senhor Jesus Cristo possuir um valor infinito, não contradiz que a Graça Santificante, Sobrenatural, por Ele merecida para os homens (vicária de condigno) seja, não apenas rara, MAS PROGRESSIVAMENTE MAIS RARA À MEDIDA QUE OS SÉCULOS DECORREM.
Efectivamente, quem quer que, sendo verdadeiramente católico, estude, com alguma profundidade, a História Universal, não poderá deixar de concluir QUE A GRANDE MAIORIA DOS HOMENS SÃO MAUS, EM MAIOR OU MENOR GRAU, A COMEÇAR PELAS CLASSES DIRIGENTES. ORA A MALDADE HUMANA É COMPLETAMENTE INCOMPATÍVEL COM A GRAÇA SANTIFICANTE.
Constitui erro crasso defender que “antigamente os homens eram melhores”. A condição humana só mudou uma vez: Precisamente com o pecado original que transtornou essencialmente, não só o ambiente no qual o homem se move, mas inclusivamente o próprio homem, que se tornou passível e mortal.
Se hoje a Graça Santificante é ainda mais rara que no passado, tal deve-se ao facto de satanás haver conseguido uma sinergia das forças do mal, multiplicando extraordinàriamente o efeito material e ostensivo desse mesmo mal. Mas os homens de hoje não são, nem essencialmente piores, nem essencialmente melhores do que os homens de épocas passadas.
A própria ruína total da face humana do Corpo Místico foi obtida mediante uma sinergia, bem calculada pelo demónio, das forças do mal já existentes no mundo.
Possuir a Graça Santificante, É AMAR A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS, E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS. Todavia a Graça Santificante não é sinónimo de Caridade, mas um Hábito entitativo Sobrenatural que adere à essência mesma da alma fazendo-a reflectir, com fidelidade, a Semelhança Divina, da qual acidentalmente participa; enquanto que a Caridade constitui um Hábito operativo que adere à vontade. NÃO HÁ GRAÇA SANTIFICANTE FORA DA FÉ CATÓLICA; a não ser, excepcionalmente, o caso de alguém formalmente católico, pertencente à alma da Igreja, mas vivendo materialmente imerso numa falsa religião.
A Graça Santificante, embora constitua filosòficamente um acidente, é um acidente Sobrenatural criado pelo qual a alma participa da Natureza Divina. Deus Nosso Senhor jamais poderia criar uma “natureza sobrenatural”, pois isso equivalia a criar outro “deus”, o que constitui uma impossibilidade metafísica; mas Deus pode criar um acidente espiritual Sobrenatural, porque o acidente não pode existir, nem em si, nem por si, apenas noutro, neste caso na alma, que santifica, Divinizando-a. Consequentemente, a Graça Santificante pode e deve considerar-se infinita, não na sua, digamos, materialidade quase física de acidente, mas na sua formalidade de participação na Natureza Divina; participação que é gradativa segundo o grau de Santidade.
Estudar as misérias da História Humana, é VERIFICAR QUE OS HOMENS NÃO AMAM, E NEM MESMO CONHECEM A DEUS, EMBORA SE DECLAREM CATÓLICOS POR RAZÕES POLÍTICAS E SOCIAIS.
Quando as pessoas se deixam arrebatar pelos negócios deste mundo, até as mais legítimas realidades são tratadas de forma desordenada e displicente, desviada das suas finalidades. Porque os objectivos mais honestos desta vida, têm para tal que ser contemplados, essencialmente, COMO FINS SECUNDÁRIOS; consequentemente não podem estorvar, nem retardar, o FIM ABSOLUTAMENTE PRIMÁRIO – A GLÓRIA DE DEUS E A SALVAÇÃO DA ALMA. Quando se retarda apenas o Fim Primário, comete-se pecado venial, o qual não elimina o Hábito da Caridade, nem a Graça Santificante, MAS DEBILITA MORALMENTE A ALMA, PREDISPONDO PARA O PECADO MORTAL, ENLANGUESCENDO TAMBÉM OS ACTOS DAS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS.
Ninguém com um mínimo de apego desordenado ao mundo pode possuir a Graça Santificante; exactamente por isso, ao examinarmos a História Universal, os milhões de seres agitando-se e revolvendo-se num afã inglório pela conquista de tudo o que o mundo, o demónio, e a carne podem dar, estamos decerto visionando a própria ante-câmara do Inferno.
O Bem mais raro neste mundo, a Graça Santificante, é assim o único que vale a pena, o único que nos conduz ao bom porto da Eternidade, na companhia de Nosso Senhor, Maria Santíssima, São José, e todos os Anjos e Santos. O Bem mais raro neste mundo, hoje em dia – privados que estamos da presença Institucional da Santa Madre Igreja – PODE CONSIDERAR-SE UM MILAGRE MORAL A SUA POSSE PELA ALMA. Tudo, absolutamente tudo, neste paupérrimo mundo, conspira irremediàvelmente contra a Glória de Deus e contra os interesses Sobrenaturais das almas.
Neste quadro conceptual, o Bem mais raro, a Graça Santificante, é concomitantemente o mais PERSEGUIDO, O MAIS ACOSSADO; PORQUE CONSTITUINDO O SUMO BEM, O BEM INFINITO, É SIMULTÂNEAMENTE AQUELE CUJA PRIVAÇÃO PROJECTA – JÁ NESTE MUNDO – UM MAIOR REMORSO, UM MAIOR CANCRO ESPIRITUAL, UMA MAIOR AUTOCONSUMPÇÃO DA ALMA.
Terminamos com um sábio pensamento de Santo Afonso Maria de Ligório: “Ai! COMO OS MUNDANOS SERIAM GRANDES SANTOS, SE SOFRESSEM PARA DAR GLÓRIA A DEUS AQUILO QUE SOFREM PARA SE CONDENAREM.”

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Setembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

As raízes escriturais (bíblicas) do sedevacantismo

«O moderador do PRM: estou a publicar uns links referindo a nossa situação actual, e como esta relaciona-se com os versículos 2Tess 2:6-7, muito referenciados pelos que estudam os eventos apocalípticos. O primeiro é: http://www.dailycatholic.org/issue/09Oct/oct9scr.htm . O segundo e mais importante, a referir ao papado, é: http://www.dailycatholic.org/issue/09Oct/oct23scr.htm . Aqui segue uma parte dos posts, para despertar o vosso interesse.»

First off, it’s important to note again that the term Katechon, or Restrainer, κατέχων can be misleading in that it presupposes a title. It was never used in the early Church as a title. Therefore if you asked a Christian in Corinth, Rome or even Thessalonica ‘Who is the Restrainer?’ he would probably have looked blankly at you unless you had first explained the concept.

To identify the Restrainer, ALL of the following requirements must be met.

1. The restrainer must be able to fit the description of the neuter το κατέχον(to katechon), “that which restrains”; and the masculine ό κατέχον (ho katechon), “he who restrains” or ‘the one (masc.) restraining/ holding down’.
2. The restrainer must be both powerful enough, and willing, to restrain or hold back Satan because the mystery of lawlessness lies under Satan’s control.

3. The Restrainer must be demonstrated to have been active since the time of St. Paul right up to the present or very recent past.

4. The restrainer must have been known by the Thessalonians and presumably by the entire first generation Church.

5. The restrainer should be one who is seen in other portions of Scripture as engaged in the restraint of the mystery of lawlessness or who has been given the authority to do so.

6. The restrainer must be able to fit the description of someone or who “comes to be out of the middle.”

7. The Restrainer’s ministry must be seen to be primarily spiritually effective but also with some effect on secular society.

8. The Restrainer must have shown himself, throughout the Church’s history, to be an effective agent, exercising an effective ministry in ‘holding fast’ to the Apostolic Tradition which is the sole bulwark against the final apostasy.

9. With the Restrainer’s absence, the mainstream Church must already be either apostate or fall into quasi immediate apostasy. Secular society too must experience unprecedented lawlessness and a revolt against all that is godly.

10. The absence of the restrainer, or a general awareness of something missing, something out of its place, should at least be commented on by that part of the Church which is ‘holding fast’ to the Apostolic Tradition during the Great Apostasy. The ‘Remnant Church’ should be struck with profound spiritual malaise.

The emphasis in 2 Thessalonians 2:7 is that, at an appointed time in the prophetic programme, the restrainer, whose ministry has been concurrent with the ‘secret’ unfolding of the ‘mystery of iniquity’ will be absent from his office, allowing the Rebel to launch his rebellion forthrightly in the Church and on the earth. Lawlessness (in the supernatural sense ‘the spirit of antichrist’) has been secretly working since Christ founded the Church on Peter (and it made an immediate attack on Peter). No merely human champion, agent or agency could live long enough to cover a time period which now stretches out over two thousand years. Except the Papacy. Only the Papacy fits all of the requirements in every detail and without any forcing.

Uma crítica da tese “sola Scriptura”

«Um artigo do moderador de PRM: O Alberto Cabral já abordou o assunto, mas o gerente do PRM acrescenta uma descrição (e há mais a seguir) argumentativa e apologética. Sendo que hoje em dia todos somos apanhados pelos ditos evangélicos a dizer que não todas das nossas doutrinas encontram-se na Bíblia, eis umas respostas que podemos dar-lhes. O princípio é errado, mas muito elegante e sedutor, pois simplificava tudo.»

Onde estavam os ditos “evangélicos” (Bible-believing Christians) no tempo da Igreja primitiva?
Como o Alberto demostra no seu artigo, a sagrada escritura nem sequer estava pronta durante a maior parte do primeiro século. E mesmo durante os primeiros três séculos, é pouco provável a existência de uma congregação que tenha todos os livros. Mesmo em caso afirmativo, a maioria delas não possui todos os pergaminhos. A doutrina contida nos pergaminhos restantes conhecia-se só por tradição oral.
A Bíblia, como tal, apareceu só em 331, às ordens do Constantino, quando, segundo os “evangélicos”, a maioria da Igreja institucional já estava desviada. Ainda por cima, a lista definitiva dos livros canónicos foi oficialmente decidida durante do Sínodo de Hipona em 393. Portanto, eles aceitaram a decisão de uns “apóstatas”, para os livros do Novo Testamento. O que é pior ainda, no caso do Antigo Testamento eles optaram por aceitar o Cânon dos judeus, decretado pelo sínodo de Joppé (Jaffa) no primeiro século, excluindo os livros ditos deuterocanónicos (e umas versões dos outros) que mais apoiam a doutrina especificamente católica (purgatório, intercessão dos Santos, e passagens fortemente messiânicas). Eis a razão porque certos padres chamam ao Protestantismo um cristianismo judaizado.
O que é mais irónico, os aderentes da “sola Scriptura” não admitem a adopção de uma doutrina que não se encontre na Bíblia. Pelo contrário, a Bíblia fala na Tradicão Oral: (ad Thessalonicenses II, 2:15): “tenéte traditiónes, quas didicístis, sive per sermónem, sive per epistolam nostram” ou, em Português “guardai as tradições que aprendestes seja por palavra, seja pela nossa epistola”. Logo, “sola Scriptura” não é apenas uma tradição humana (e não bíblica, a dizer que não se encontra na Bíblia), mas é até antibíblica. Eles podem afirmar que desde aquele tempo tudo o resto tenha acabado por ser escrito, mas isto é apenas uma hipótese (não bíblica). Há passagens donde pode-se concluir o contrário: (Joannes 21:1): “Sunt autem et ália multa quæ fecit Jesus : quæ si scribántur per síngula, Nec ipsum árbitror mundum cápere posse eos, qui scribéndi sunt, libros” ou seja: “Há muitas outras coisas o que Jesus fez, e se tal fosse escrito na totalidade, os livros não caberiam no mundo inteiro”. Os únicos versículos que parecem suportar a afirmação são (Apoc. 22:18-19): «si quis apposúerit ad hæc, appónet Deus super illum plagas scriptas in libro isto. Et si quis diminúerit de verbis libri prophetíæ hujus, áuferet Deus partem ejus de libro vitæ, et de civitáte sancta, et de His quæ scripta sunt in libro isto» a referir aos que acrescentarem ou tirarem de conteúdo deste livro do Apocalypse, e não a Bíblia inteira, o que naquela altura nem sequer estava pronta. Pois sabe-se que o Evangelho de João foi escrito depois de Apocalypse.

Historicamente, o “«dogma» sola Scriptura” apareceu primeira vez com John Wycliffe (1320-1384), seguido por Jan Hus (1369-1415) e acabou por ser aceito pelos ditos reformadores.
Logo, essa doutrina não tem continuidade histórica, o que é um dos requisitos da verdade, porque a Igreja deve possuir uma continuidade (doutrinal e não só, além da unidade), como é estipulado no Evangélho por Nosso Senhor (Mt 16:18): “portæ ínferi non prævalébunt advérsus eam”, ou seja “as portas do inferno não prevalecerão contra” a Igreja. Se faltar essa continuidade e a Igreja claudicar, esta promessa será quebrada.

A PROPAGAÇÃO DA APOSTASIA PELA VIA DA OBEDIÊNCIA

Escutemos o Papa Leão XIII, num trecho da sua encíclica “Humanum Genus”, promulgada em 20 de Abril de 1884:

«O Género Humano, depois que pela inveja de Lucífer, se rebelou desaventuradamente contra Deus Criador e Doador dos Bens Sobrenaturais, dividiu-se como que em dois campos diversos e inimigos entre si; um deles combate, sem cansaço, em favor do triunfo da Verdade e do Bem; o outro, pelo triunfo do mal e do erro.
O primeiro é o Reino de Deus sobre a Terra, isto é, a verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo; e quem lhe quiser pertencer, com afecto sincero, e como convém à salvação, deve servir com toda a sua mente e todo o seu coração a Deus e a Seu Filho unigénito. O segundo é o reino de satanás, e são seus súbditos os que, seguindo o exemplo funesto do seu chefe e dos progenitores, SE RECUSAM A OBEDECER À LEI ETERNA E DIVINA, E SEM PREOCUPAR-SE COM DEUS, EMPREENDEM MUITAS COISAS CONTRA O ALTÍSSIMO. Santo Agostinho, com grande acume de mente, viu e descreveu esses dois reinos, SEMELHANTE A DUAS CIDADES QUE COM LEIS OPOSTAS, PROSSEGUEM OBJECTIVOS OPOSTOS; e remontou ao princípio gerador de ambas, com estas palavras breves e profundas: “Duas cidades nasceram de dois amores, a terrena, do amor de si até ao desprezo de Deus, a Celeste, do amor de Deus até ao desprezo de si.”
Em toda a longa série dos séculos, essas duas cidades combateram uma contra a outra, com armas e lutas variadas, ainda que nem sempre com o mesmo ardor e ímpeto. Mas em nossos tempos, os partidários da cidade malvada, inspirados e ajudados por aquela sociedade, que largamente difundida e fortemente composta, toma o nome de “maçonaria”, parecem todos conspirar e veementemente competir.
Com efeito, já sem disfarçar os seus intentos, insurgem-se com audácia extrema contra a Soberania de Deus; agem aberta e pùblicamente para a ruína da Santa Igreja, com o propósito de despojar completamente, se tal fosse possível, os povos cristãos dos benefícios que Jesus Cristo, nosso Salvador, trouxe ao mundo. Gemendo sob esses males, muitas vezes, impulsionados pela Caridade, somos obrigados a gritar para Deus: “Eis que Teus inimigos se agitam, e os que Te odeiam levantam a cabeça. Eles tramaram um plano e conspiram contra teus protegidos, e dizem – Vinde! vamos removê-los do meio das Nações -“(Sl 83, 3-4).
Nesse combate tão presente, nessa guerra tão feroz e pertinaz ao Cristianismo, é nosso dever indicar o perigo, apontar os inimigos e resistir, no que podemos, aos seus desígnios e artifícios, para que não se percam eternamente as almas que nos foram confiadas, e o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, confiado à nossa tutela, NÃO SÒMENTE FIQUE, MAS SE MANTENHA ÍNTEGRO, E POR NOVO E CONTÍNUO AUMENTO, SE DILATE POR TODA A TERRA.
Naturalmente, que tendo conhecimento claro da finalidade e da natureza da seita maçónica, por factos jurìdicamente acertados, por processos formais, estatutos, ritos, jornais maçónicos impressos, e por não raros depoimentos dos próprios cúmplices, esta Sé Apostólica levantou a voz e denunciou ao mundo que esta seita, surgida contra todo o Direito, Divino e humano, ERA NÃO MENOS FUNESTA AO CRISTIANISMO DO QUE AO ESTADO, e proibiu de afiliar-se nela, AMEAÇANDO AS PENAS MAIORES COM QUE A SANTA IGREJA COSTUMA PUNIR OS CULPADOS.»

Durante muito tempo ter-se-á exagerado, ainda que de boa fé, no seio da Santa Madre Igreja, o sentido e a definição do conceito de obediência religiosa; por exemplo: Dizendo que os religiosos são felizes, porque sabem sempre aquilo que Deus quer, na pessoa e na vontade do Superior. Efectivamente, o próprio Santo Inácio de Loiola, em consequência do seu passado militar, hipertrofiava a virtude de obediência; e quando assim se procede, de alguma forma, tendencialmente, dissolve-se o vínculo impreterível, insofismável, indefectível, que esta virtude mantém com os Hábitos Sobrenaturais, Teologais e Morais.
A OBEDIÊNCIA SEM A FÉ, OU CONTRA A FÉ, CONDUZ DIRECTAMENTE AO INFERNO. Mesmo o Superior (que não é impecável, nem infalível) em pecado mortal habitual, coloca em certo risco as almas dos súbditos mais indefesos.
Deus Nosso Senhor tudo criou hierárquica e orgânicamente. O próprio Deus governa o Universo através dos Seus Anjos, reservando para Si, inclusivamente na ordem dos milagres, apenas o que as suas criaturas não podem realizar. Os Anjos mais perfeitos iluminam, na ordem natural, a inteligência dos menos perfeitos, auxiliando-os a entender e a cumprir as ordens de Deus. Cumpre assinalar, que embora os Anjos vivam na Eternidade, enquanto durar o mundo corruptível, extrìnsecamente, possuem uma comensurabilidade com o tempo. Também os homens mais inteligentes podem iluminar os menos inteligentes, ministrando-lhes novos conceitos e novos conhecimentos, de modo a ampliar-lhes, ao menos momentaneamente, a luz intelectual.
A obediência, na Ordem Natural, mas sobretudo na Ordem Sobrenatural, constitui o vínculo mediante o qual a moderação e a ordem dos seres e dos fins é transmitida, qualificadamente, da cúpula para as bases. Na esfera pròpriamente religiosa e Sobrenatural, uma tal transmissão é constitutiva do anúncio da Glória de Deus e da Salvação das almas. Se o referido vínculo autoridade-obediência não for constitutivo dessa transmissão orgânica e teleológica da Verdade e da Santidade – O VÍNCULO É NULO DE PLENO DIREITO. Na vida regular só são legítimas as ordens emanadas do Superior desde que não ofendam, directa ou indirectamente, A LEI SANTÍSSIMA DE DEUS NOSSO SENHOR, AS LEIS DA IGREJA, E AS CONSTITUIÇÕES DA ORDEM RELIGIOSA LIVREMENTE ABRAÇADA. Embora existam certos casos em que o Superior peca mandando, mas o súbdito santifica-se obedecendo.
A vontade, enquanto apetite racional, está essencialmente subordinada à inteligência: NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, OBEDIÊNCIA CEGA; a inteligência é a primeira a captar a verdade do ser, embora assim proceda segundo um determinado acto moral de existência, indissociável da sua espiritualidade.
Aqueles que defendem a obediência cega NÃO SÃO CATÓLICOS, na exacta medida em que a Fé Católica e os motivos de credibilidade são perfeitamente razoáveis. O Tomismo acentua e defende heròicamente essa razoabilidade, combate todo e qualquer vestígio de irracionalidade, embora sustentando firmemente que os Mistérios Sobrenaturais são infinitamente superiores, mas não contrários, à razão.
É absolutamente falso que a Fé Católica defenda, ou tenha alguma vez defendido, a tirania religiosa ou política; defende intransigentemente, sim, A DIGNIDADE INFINITA DA AUTORIDADE, ENQUANTO PROVENIENTE DE DEUS, E PARA ELE ORIENTADORA, COM FINALIDADE SOBRENATURAL E TRANSCENDENTE; AUTORIDADE, HUMANAMENTE PERSONIFICADA PELA SANTA MADRE IGREJA, SOCIEDADE PERFEITA EM SENTIDO EMINENTE E ABSOLUTO, E PELO ROMANO PONTÍFICE, AO QUAL ESTÃO SUBMETIDOS OS ESTADOS, SOCIEDADES PERFEITAS EM SENTIDO DEFICIENTE. A TIRANIA É A HEGEMONIA DO ERRO E DO MAL.
É conhecido como parte integrante do plano para aniquilar a face humana do Corpo Místico se consubstanciou na corrupção premeditada da via de transmissão hierárquica, instilando, SOB PRECEITO DE OBEDIÊNCIA, na alma dos sacerdotes, dos religiosos e religiosas e mesmo dos fiéis, o veneno do espírito do mundo, das falsas filosofias do mundo, do conceito ateu da liberdade religiosa. Nesta perspectiva, É USADA A APARÊNCIA DA AUTORIDADE PROCEDENTE DE DEUS PARA EDIFICAR, EFICAZMENTE, O ATEÍSMO. Evidentemente, foram também utilizados processos subliminais, extremamente eficazes e insidiosos. O grande drama é que se as almas vítimas irradiassem santidade pela posse da Graça Santificante, teriam sabido, na sua grande maioria, como resistir à tentativa de envenenamento. Mais uma vez se conclui que a maçonização conciliar triunfou, e só pôde triunfar, NUMA IGREJA EM ESTADO DE PECADO MORTAL HABITUAL.
O absurdo da pretensa legitimidade da obediência contra a Fé, é tão grande, tão avassalador, tão contraditório, que custa a querer como centenas de milhares de pessoas consentiram na total subversão das suas almas, dos seus votos, da justificação das suas vidas, para abraçarem os ideais dos piores inimigos históricos da Santa Madre Igreja. É por demais evidente que se a maçonaria, no século XIX, logrou expulsar em vários países de antiga tradição católica, centenas de milhares de religiosos, extinguindo a vida regular, verdadeiro pára-raios da Justiça Divina; não é menos certo que na segunda metade do século XX, a maçonaria conseguiu que os religiosos abandonassem voluntàriamente os seus conventos, sem coacção exterior, E POR SUA INICIATIVA, depois da mesma amaldiçoada maçonaria haver introduzido, hediondamente, as ideias do mundo no claustro. Na realidade, que pode fazer um religioso ou um sacerdote secular, depois de assimilar uma autêntica lavagem ao cérebro com as ideologias demo-liberais e com toda uma cultura ateia? Para quê continuar no convento? Em nome de quê?
Mas como nem todos possuíam base de sustentação no mundo e por vezes, nem mesmo família, esses mesmos foram forçados a permanecer, materialmente, no Claustro; mas já totalmente privados dos Bens Sobrenaturais que constituem a única justificação possível para a vida conventual, privados também que estavam de vínculos femininos, alguém se admira perante o facto de esses infelizes homens se haverem dedicado à sodomia e à pedofilia? A amaldiçoada maçonaria, de um só golpe, conseguiu vários objectivos: Não apenas obliterou a face humana do Corpo Místico, como a colocou ao serviço do ateísmo e do comunismo internacional, sob aparências cristãs, estas, na realidade, cada vez mais frágeis. Além disso, a maçonaria logrou que as aparências restantes de vida regular descambassem – ó maldição das maldições – NUMA MULTINACIONAL DA SODOMIA E DA PEDOFILIA. E mais ainda: A maçonaria passou a fazer seus todos os bens e todos os rendimentos da face humana do Corpo Místico, utilizando as estruturas da ex-Igreja Católica, as Universidades, as escolas, as Missões, as dioceses, PARA PROPAGAR O ATEÍSMO E A SODOMIA.
Mas a maçonaria jamais conseguirá atingir aqueles que permanecerem, formalmente, na Fé Católica, com o auxílio da Graça de Deus. A maçonaria não dispõe, nem pode dispor, das nossas almas, assim nos mantenhamos fiéis a Deus Nosso Senhor e Sua Mãe Santíssima. Recordemos aquelas maravilhosas palavras que Nossa Senhora dirigiu a Bernadette, em Lourdes: NÃO TE PROMETO FAZER FELIZ NA TERRA, MAS SIM NO CÉU. E Bernadette fez-se santa, com a Graça de Deus, no meio das maiores humilhações, do maior abandono, e de grandes sofrimentos, sobretudo morais. OS CAMINHOS DA VITÓRIA NA ORDEM SOBRENATURAL EDIFICAM-SE SEMPRE NO APOUCAMENTO DAS COISAS TEMPORAIS. O TRIUNFO VERDADEIRO, A GLÓRIA DE DEUS E SUA FRUIÇÃO, DÁ-SE SEMPRE NO CÉU – JAMAIS NA TERRA!

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 15 de Setembro de 2018

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A SAGRADA ESCRITURA E A SANTA TRADIÇÃO COMO FONTES DE VERDADE SOBRENATURAL

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Providentissimus Deus”, promulgada em 18 de Novembro de 1893:

«É claro que a luta teve que ser travada, antes, contra aqueles que, baseados no seu próprio juízo particular e repudiando as Tradições Divinas e o Magistério da Igreja, afirmam que as Escrituras eram a única fonte da Revelação e o árbitro supremo da Fé.
Agora a luta é contra os racionalistas, os quais, COMO FILHOS E HERDEIROS DOS PRIMEIROS, baseando-se igualmente no juízo próprio, repudiam, da maneira mais absoluta, até esses mesmos elementos próprios da Fé Cristã, recebidos dos pais. Com efeito, eles negam completamente, quer a Revelação Divina, quer a inspiração e a Escritura Sagrada, e andam dizendo que outra coisa não são senão artifícios e invenções dos homens, que não contêm verdadeiras narrações de coisas que realmente aconteceram, mas fábulas inúteis ou histórias mentirosas. Dessa forma, não temos nelas vaticínios ou oráculos, mas sòmente predições feitas depois dos acontecimentos, ou adivinhações por intuição natural; não apresentam verdadeiros e próprios milagres e manifestações do poder Divino, mas trata-se de acontecimentos maravilhosos, porém nunca superiores às forças da natureza, ou de magias e mitos. E dizem que os Evangelhos e os outros escritos Apostólicos devem, certamente, ser atribuídos a outros autores.
Apresentam esses erros graves, com os quais julgam destruir a sacrossanta verdade dos Livros Divinos, como sentenças decisivas de uma nova ciência livre. Porém, essas sentenças parecem a eles mesmos tão incertas, QUE SÃO OBRIGADOS A SUBSTITUIR E A MUDAR, MUITO FREQUENTEMENTE, AS SUAS OPINIÕES SOBRE AS MESMAS QUESTÕES. Entre eles não faltam os que, não obstante pensem e falem tão ìmpiamente de Deus, de Cristo, do Evangelho, e do restante da Sagrada Escritura, contudo querem passar por teólogos, cristãos e evangélicos, procurando encobrir debaixo de um nome sedutor a temeridade de um engenho insolente. A esses se acrescentam não poucos estudiosos de outras disciplinas, que partilham das ideias deles e os ajudam, e que a mesma intolerância para as verdades reveladas leva, da mesma forma, a opor-se aos Livros Sagrados. Nunca poderemos lastimar o bastante, como essa luta vai aumentando cada dia mais, tornando-se sempre mais encarniçada. Esses inimigos visam sobretudo, com todos os esforços e meios, o povo inculto. Espalham o seu veneno mortífero com livros, opúsculos e diários; insinuam-no nas reuniões, nos discursos, já invadiram quase todos os campos, e mantêm em suas mãos muitas escolas de jovens, subtraídas da tutela da Santa Igreja, nas quais são corrompidas miseràvelmente suas mentes, ainda dóceis e crédulas, sendo levadas ao desprezo pelas Escrituras, SERVINDO-SE PARA ISSO TAMBÉM DO ESCÁRNIO E DE BRINCADEIRAS OBSCENAS.»

Deus Nosso Senhor, na Sua Infinita e Eterna Sabedoria, na Sua Santidade Incriada, na Sua Misericórdia, pretendendo revelar-Se Sobrenaturalmente aos homens, procedeu, evidentemente, da forma mais perfeita e por isso mesmo mais adequada à constituição ontológica dos mesmos homens. Houve, sem dúvida, uma Revelação Sobrenatural dedicada aos Anjos, porque estes foram criados enriquecidos já com a Graça Santificante. Ponto fundamental dessa Revelação, além do Mistério da Santíssima Trindade, que os Anjos, na Ordem Natural, não podiam conhecer, é a Encarnação do Verbo de Deus. E foi precisamente aí que muitos Anjos se condenaram, porque recusaram adorar o Verbo de Deus, como que aparentemente inferiorizado aos mesmos Anjos, pela Natureza Humana que hipostàticamente tomou.
A estupidez ímpia dos muçulmanos concebe a sua falsa “revelação” do seu falso “deus” a modo de um ditado efectuado pelo próprio ídolo alá. Mas aprofundando bem, no plano Teológico e Filosófico, verificamos que a Doutrina Católica é, a esse respeito, absolutamente superior.
O texto Bíblico depende imediatamente todo de Deus e imediatamente todo do homem; de Deus, como Causa Principal, do homem, como causa instrumental. O hagiógrafo é assumido por Deus com toda a sua natureza humana, todas as suas limitações, toda a sua psicologia, todo o seu enquadramento cultural. Só podia ser assim, visto que a Bíblia teria de ser escrita em linguagem humana, para ser lida e assimilada por homens. Todavia as faculdades humanas do hagiógrafo não foram estimuladas, Sobrenaturalmente, de forma extrínseca, para produzirem e executarem a Revelação Divina; pois que O Próprio Deus Nosso Senhor fecundou, intrìnsecamente, as referidas faculdades, já passivas, do hagiógrafo, com espécies inteligíveis e volitivas estritamente Sobrenaturais, semelhantes às dos Dons do Espírito Santo, sendo que através dessas espécies, é Deus Quem move, verdadeiramente, como Causa Principal intrínseca; ainda que respeitando toda a ontologia própria da causa instrumental, como já se referiu.
A Santa Igreja condenou liminarmente as teses que defendiam serem as Sagradas Escrituras um livro de iniciativa e elaboração humana, mas ulteriormente ratificado pela Autoridade Divina.
A inerrância das Sagradas Escrituras tem pois de ser concebida sempre em função da autonomia relativa e deficiente da causa instrumental.
Não é errado pensar a Sagrada Escritura como a matéria da Revelação, e a Santa Tradição como a forma da mesma Revelação. Efectivamente, a Sagrada Escritura determina com mais apurada definição, e mais concretamente, o objecto da Revelação; mas é menos universalmente analógica e luminosamente inteligível. A Santa Tradição permite que com maior riqueza se proceda à explicitação do Dogma objectivamente revelado. Evidentemente, a Santa Tradição também possui suporte, MATERIALMENTE, escrito. Porque o que especifica a Tradição é a transmissão formalmente oral.
É conhecido como os Evangelhos foram transmitidos oralmente durante uma geração; mas era da vontade de Deus que assumissem forma escrita, juntamente com os outros escritos do Antigo e Novo Testamento.
A Santa Tradição pode ser declarativa, quando completa, esclarece e interpreta os dados objectivos da Sagrada Escritura; e pode ser constitutiva quando manifesta realidades não inseridas na Escritura. Ambas as modalidades da Tradição iluminam singularmente a Doutrina dos Sacramentos, a Doutrina do Purgatório, os Dogmas Marianos, a Teologia dos Anjos; é também pela Santa Tradição que nós conhecemos a composição do Cânon Bíblico, bem como as regras hermenêuticas aplicáveis à Escritura Santa, e que são de Direito Divino Sobrenatural.
O conceito de Revelação Sobrenatural é totalmente desconhecido dos protestantes liberais e dos modernistas, pois para estes últimos a “revelação” constitui função da consciência imanente quando adquire noção da sua “divindade”. Exactamente por isso, a amaldiçoada seita conciliar permanece em estado de “revelação permanente” que é simultaneamente uma “revolução permanente”. Porque o panteísmo modernista é essencialmente dinâmico, evolutivo, em que fases mais “divinas” alternam com fases mais humanas, DE UMA MESMA E ÚNICA REALIDADE ATEIA. Neste quadro conceptual, os documentos conciliares tendem a confundir a Revelação Sobrenatural com o magistério da Igreja primitiva, precisamente porque para o espírito conciliar a “revelação” nunca acaba, sendo que a “fé” cria o seu próprio objecto.
O decreto “Lamentabili” de 3 de Julho de 1907, emanado do Santo Oficio, mas procedendo com expressa autoridade Papal, condena irrevogàvelmente a tese segundo a qual a revelação mais não seria senão a tomada de consciência por parte da humanidade das suas relações com Deus. Muito pelo contrário, devemos definir a Sagrada Revelação como A INTERVENÇÃO POSITIVA E FORMAL DE DEUS NA HISTÓRIA HUMANA, MANIFESTANDO AOS HOMENS O LUME DA VERDADE SOBRENATURAL DE SI MESMO BEM COMO DOS SEUS DESÍGNIOS SALVÍFICOS SOBRE A HUMANIDADE.
A Revelação possui, pois, CARÁCTER COGNITIVO, dirige-se à inteligência, porque sòmente assimilando, ordenadamente, objectivamente, o conceito de Deus e do mundo Sobrenatural, SERÁ POSSÍVEL ENTÃO AMÁ-LOS SOBRE TODAS AS COISAS.
Mas para os modernistas a “revelação” é, e só pode ser, UMA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA, TOTALMENTE CEGA E ESTÉRIL. Exactamente por isso, eles rejeitam a Santa Tradição e resolvem a Sagrada Escritura em puros símbolos desse vitalismo pseudo-religioso, e na melhor das hipóteses só concedem a Nosso Senhor Jesus Cristo o estatuto de “primeiro crente” ou seja daquele em quem a referida experiência religiosa imanentista de auto-divinização teria sido mais perfeita.
O modernismo desvaloriza essencialmente a inteligência e a objectividade, em favor da vontade cega pelo móbil; sendo constitutivo da decadência humana e religiosa da humanidade nos últimos seis séculos. O modernismo está para a Fé Católica como a denominada “arte moderna” está para a verdadeira arte, que se consubstancia na criação consciente do Belo, definido pelo diálogo transcendental e exigência mútua entre o Ser, a Unidade, a Verdade e a Bondade. Na Ordem Sobrenatural, esse dialógo é de alguma forma infinitamente sublimado na Vida íntima da Santíssima Trindade. Porque Deus conhecendo-Se e amando-Se a Si mesmo, com necessidade e fecundidade infinita, É A REALIDADE ETERNA DA SANTÍSSIMA TRINDADE.
A “arte” modernista, e em geral a “arte” moderna são FEIAS, PORQUE SÃO ATEIAS. A falsa “arquitectura” das novas igrejas edificadas sob controle modernista, exprime extremamente bem A ATITUDE DO HOMEM CONTEMPLANDO-SE A SI MESMO COMO UM ABSOLUTO.
Insiste-se mais uma vez: A HUMANIDADE JÁ ESGOTOU MORAL E HISTÒRICAMENTE (não metafìsicamente) TODAS AS SUAS POTENCIALIDADES SOBRENATURAIS. Mas tal não nos pode nem deve desmobilizar no combate contra a seita conciliar, porque uma das grandes verdades que nos são ensinadas pela Sagrada Escritura e pela Santa Tradição, é que o mal só pode existir para maior exaltação do Bem, e consequentemente quanto maior e mais extenso for o mal, maior o resplendor e Glória extrínseca que nós poderemos ofertar, humilde e serviçalmente, à Santíssima Trindade.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 9 de Setembro de 2018

Alberto Carlos

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