Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

5 de MAIO de 1917: O PAPA PEDIU e NOSSA SENHORA ATENDEU em FÁTIMA: S. PIO V, ORA PRO NOBIS!

MULHER vestida de sol

Arai Daniele

Quem se dispõe a perscrutar os eventos de Fátima, deve ter presente que um sinal sobrenatural só pode vir expresso na linguagem das Escrituras e da Tradição, pela qual é o desígnio divino a dirigir os eventos do mundo como a órbita do universo. Nesta linguagem está a chave da autenticidade e da compreensão de todo sinal celeste.

Apuremos então a mente na linguagem cristã em que estão cifrados tanto os eventos portentosos como os mais singelos. Nada é fortuito na História e nada escapa à solicitude divina na vida de Sua Igreja. Reconheçamos o motivo próximo das aparições de Fátima para não perder uma manifestação do amor divino, chave de todo saber.

Quando em 1917 os horrores da lª Grande Guerra provocavam rios de sangue e de lágrimas sem que se pudesse prever o seu fim, o papa Bento XV invocou com toda a Igreja a intercessão de Maria Santíssima pela paz. Eis os termos da carta ao secretário de Estado, cardeal Gasparri, com as disposições para que toda a Igreja invocasse a Rainha da paz nas suas orações mais freqüentes:

“Rainha da Paz… Para tal fim, se eleve a Jesus mais freqüente, humilde e confiante, especialmente no mês dedicado a Seu Santíssimo Coração, a oração da miserável família humana para suplicar-Lhe o fim deste terrível flagelo. Purifique-se cada um com maior freqüência no lavabo da confissão sacramental, e ao amantíssimo Coração de Jesus ofereça com afetuosa insistência as suas súplicas. E uma vez que todas as graças que o Autor de todo o bem se digna conceder aos pobres descendentes de Adão provêm, por amoroso conselho de Sua Divina Providência, pelas mãos da Virgem Santíssima, nós queremos que seja dirigido à Grande Mãe de Deus nessa hora horrível, mais que nunca o vivo e confiante pedido de seus filhos muito aflitos. Encarregamos portanto a Vós, Senhor Cardeal, de fazer conhecer a todos os bispos do mundo o nosso ardente desejo que se recorra ao Coração de Jesus, Trono de graças, por meio de Maria. Com esse propósito ordenamos que, desde o dia primeiro do próximo mês de junho, fique inserida na Ladainha de Loreto a invocação Regina pacis, ora pro nobis.

“Eleve-se portanto a Maria, que é Mãe de misericórdia e onipotente pela graça, de cada canto da terra, dos templos majestosos como das pequenas capelas, dos palácios e ricas mansões dos grandes como dos mais pobres casebres onde se aloja uma alma fiel dos campos e mares ensangüentados, a piedosa e devota invocação e leve a Ela o angustioso grito das mães e esposas, o gemido dos meninos inocentes, o suspiro de todos os nobres corações: possa mover a Sua amável e muito benigna solicitude a obter para o mundo desvairado a aspirada paz, e possa lembrar depois aos séculos futuros a eficácia de Sua intercessão e a grandeza do benefício por Ela obtido a Seus filhos.”

A carta é de 5 de maio de 1917.

Oito dias depois, 13 de maio, na Cova da Iria em Fátima, Maria Santíssima aparecia, qual arco-íris da paz e da graça, para mostrar aos homens o caminho da verdadeira paz neste mundo e da salvação eterna no outro. Seria reconhecida?

De início este evento extraordinário ficou circunscrito à região, mas com o passar dos dias começou “uma concorrência assombrosa de peregrinos incomparavelmente superior a Lourdes na época das aparições e apesar da dificuldade de acesso” (NDOC. p. 95).

A testemunhar e registrar os eventos foi o cônego dr. Manuel Nunes Formigão, laureado em Teologia e Direito Canônico pela Universidade Gregoriana. Pelos seus apontamentos, dia 13 de julho estiveram na Cova da Iria de 4 a 5 mil pessoas, em agosto de 15 a 18 mil, em setembro de 25 a 30 mil (NDOC. p. 362, 366, 374).

É importante notar que já das primeiras aparições sabia-se terem os pastorzinhos recebido um segredo. Isto despertou grande interesse até no prefeito maçom de Vila Nova de Ourém, que no dia 13 de agosto foi a Fátima e levou a menina Lúcia ao pároco P. Ferreira a fim de que lhe revelasse a mensagem celeste. Eis a resposta: “Sim (recebi um segredo), mas não posso dizê-lo. Se V. Rvcia. quiser conhecê-lo, perguntarei à Senhora e se ela autorizar, então eu o contarei a vós (TSF. p. 113) Diante desta resistência o prefeito, enganando-as, levou as três crianças a Ourém onde, ameaçando-as de morte, tentou ainda obter sem êxito a confissão do segredo recebido de Nossa Senhora. Como se vê, já no início, interessaram-se mais pela mensagem de Fátima autoridades anticlericais do que as eclesiásticas. Estas chegaram a ver nesses eventos mais motivo de embaraço do que uma ajuda providencial para a Igreja.

No dia 13 de outubro de 1917, para o qual Nossa Senhora anunciara um grande milagre a fim de que todos pudessem crer, havia cerca de 70 mil pessoas a testemunhar o evento. Este era esperado até na França, segundo carta publicada (NDOC. p. 23, 24). Dele escreveria o padre José Ferreira de Lacerda: “Raro tem sido o jornal português, quer diário, quer semanário, quer católico quer independente ou livre pensador, que não tenha referido aos acontecimentos da Fátima e muito principalmente ao fenômeno solar.” (NDOC. p. 65) Estas notícias dão idéia da dimensão e universalidade do evento apesar dos obstáculos criados pela autoridade civil e do silêncio da autoridade eclesiástica. É muito importante examinar isto. Isto foi feito no livro «Entre Fátima e o Abismo» considerando as seguintes questões:

1) se para a Fé é plausível que o Papa seja atendido com uma intervenção sobrenatural;

2) se, neste caso, o evento de Fátima se conforma ao pedido feito por Bento XV;

3) se a mensagem de Fátima está na linguagem de sempre da Igreja;

4) se seus avisos e pedidos são atinentes ao momento histórico em que foram dados;

5) se, satisfeitos os pontos acima, subsiste razão para que a Igreja ignore tal resposta.

Em primeiro lugar foi lembrado que a Igreja ensina como verdade de fé que a revelação concluiu-se com a morte do último Apóstolo. Portanto, nenhuma mensagem sobrenatural vem acrescentar algo à Revelação. Todavia, pela mesma Revelação sabemos que houve a maior intervenção de Deus na ordem natural pela encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Esta foi o apogeu de uma longa série de intervenções sobrenaturais em favor da preparação desse supremo evento. Depois de Sua Vida, Paixão e Morte, o Verbo de Deus encarnado deixou no mundo a Sua Igreja, sinal visível do Seu poder de Senhor da História. A Ela e à sua hierarquia e pastor foram dados poderes de ligar e desligar, além da promessa dada a todos os fiéis de que se pedissem ao Pai em nome de Jesus seriam atendidos.

A fé, a esperança e a caridade na Igreja exprimem-se na oração e no Santo Sacrifício, que são pedidos de intervenção divina. É claro que a resposta sobrenatural segue os desígnios de Deus que dirige os eventos e envia os Seus profetas quando estes se tornam necessários, acima de qualquer entendimento humano. A razão por que foram enviados serão os próprios fatos que nos revelarão cedo ou tarde.

Por exemplo, hoje sabemos que São Pio X foi o profeta que protegeu a Igreja do flagelo modernista, que continuou, porém, chamado de progressismo. O profeta, como a Mensagem profética de Fátima, avisa e ampara os fiéis, mas aos homens da Igreja pode faltar a graça de entenderem e aplicarem os avisos da profecia.

A linguagem sobrenatural, velada para a visão espiritual imperfeita do homem, torna-se indecifrável para a mentalidade racionalista que pretende explicá-la na ordem natural. Negando-se a causa divina, presume-se que fatos e fenômenos possam ter por causa um zombeteiro ou cruel, mas sempre cego, acaso. Como, porém, sinais, milagres e profecias não têm o menor sentido para o acaso, como de resto a própria Igreja que confirmou o evento de Fátima e ensina ser instituída e guiada pela Divina Providência, a visão naturalista não podendo negar o fato objetivo mostra toda a sua cegueira, mesmo se o fizer com desculpas piedosas.

Atenção, pois: se essa cegueira é lamentável ao pretender explicar os eventos do mundo, quando se manifesta dentro da Igreja e para explicar fatos espirituais, toma a forma de letal apostasia. Pondo em dúvida o senso cristão da História, contesta a própria Fé.

A Divina Providência tendo instituído a Igreja com o papa por chefe, para guiá-la, guiará a este a quem deu poderes especiais. Este é um fato doutrinal verificado na História. Mas dependerá do uso que a pessoa que ocupa a suprema Sede fará de seus poderes, quer para pedir a ajuda divina, quer para reconhecê-la. Por isto podemos hoje entender o pensamento a seguir.

No Evangelho temos a profecia do velho Simão a Maria: “Uma espada trespassará a tua alma, a fim de que se descubram os pensamentos secretos nos corações de muitos” (Lc 2,35). E Fátima tem sido sinal de contradição, pedra de tropeço colocada num ano crucial do início do século XX que, vai desde então medindo homens e eventos. Um sinal à imagem do supremo sinal, o Salvador que, rejeitado, revela o que escondem os corações. Isto ajuda a interpretar Fátima no que diz respeito à Fé, porque dois fatos assinalam a história da sua Profecia dada para ajudar os chefes da Igreja:

-a dificuldade de recebê-la no tempo de Bento XV, Pio XI e Pio XII;

-as tentativas de ofuscá-la, da censura de João 23 à sua adaptação à pessoa de João Paulo 2º. Entre os dois fatos coloca-se a visão do Segredo, isto é do evento mais claro em 1960 e mais devastador para a Fé que as duas guerras mundiais: a hecatombe do Papa e dos testemunhos católicos, que seria mais clara em 1960. E visto que o primeiro fato se concluiu com a morte de Pio XII em 1958, pode-se deduzir que a hecatombe é consequência da dificuldade daqueles pontificados de receber a ajuda profética e causa

próxima do que seguiu: a sua censura e abuso. Em outras palavras, por não ter ouvido devidamente os avisos e a ajuda oferecida pela Profecia de Fátima o Papa católico foi eliminado e substituído por quem estava pronto a obscurecer a Fé da Igreja e os termos mesmos do Segredo. Uma «decapitação» da autoridade papal predita por Nosso Senhor numa comunicação a Lúcia já em Agosto de 1931: “Faça saber a meus ministros que, como eles seguem o exemplo do rei da França ao retardar a execução de meu pedido, eles o seguirão na desgraça … ” (Documentos do P. Joaquim Alonso). Esse terrível

aviso para os ministros da Igreja pelas suas omissões em seguir o pedido de Fátima, está também em outros documentos: “Não quiseram atender ao meu pedido! [de consagração}… Como o rei da França, arrepender-se-ão e fá-lo-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado seus erros pelo mundo, provocando guerras e perseguições à Igreja. O Santo Padre terá muito que sofrer.” (Documentos do P. António Maria Martins, p. 465).

A pergunta seguinte é: quando essa luta atingirá seu auge? A resposta pode estar na entrevista ao Padre Fuentes de 1957 da Irmã que, sob a pressão do Bispo de Coimbra (redarguido pelo Vaticano?) teve que retratar em 59: “O demônio está para iniciar a luta decisiva, isto é, final, da qual sairemos vitoriosos ou vencidos, ou estamos com Deus ou estamos com o demônio. Eis o motivo da luta final entre o bem e o mal no mundo na qual o Papa é visto na primeira linha.

Na ausência deste o mundo caminha para um descalabro terminal, com uma perseguição final do Cristianismo reduzido a bem pouco depois de uma geral apostasia. Não é o que já se vive hoje? No entanto, é impossível negar que já fora profetizado em Fátima mas, infelizmente, deixado de lado por um mundo católico em crise já no pontificado de Bento XV, morto em 1922 sem se pronunciar publicamente sobre Fátima. Transcorria então considerável distância entre fazer um apelo a Maria Santíssima pela paz na Terra e crer que a resposta pudesse ser dada por uma aparição do Céu. E, todavia, não se pode negar que Maria Santíssima atendeu o apelo do Papa. Afinal, que solicitude mais benigna e qual intercessão mais eficaz pela paz podia vir da Mãe Celeste? Que admiráveis benefícios se o Papa a tivesse reconhecido! Que terrível ausência por não tê-la atendido!

Por isto, no dia do Papa São Pio V, que soube recorrer à Nossa Senhora e reconhecer a Sua proteção na Batalha de Lepanto, pedimos que os Santos Papas intercedan pela Igreja junto ao Divino Salvador nesta hora crucial de Sua história; para que Deus suscite finalmente o retorno do Papa Católico, Amem!

 

TSF The True Story of Fatima, Pe. John de Marchi, JMC. Ed. William Fay, St. Paul 2, Minnesota, 1952.
NDOC Novos Documentos de Fátima, Pe. Antônio M. Martins, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1984.

 

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