Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

À SEMELHANÇA DE ABRAÃO, A NOSSA ESPERANÇA É ESTRITAMENTE SOBRENATURAL

 X.Sacrifício Abraão

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

Escutemos a seguinte passagem do Livro do Gênesis:

«Deus disse a Abraão: Abraão, Abraão. E ele respondeu: Aqui estou. E Deus disse-lhe: Toma Isaac, teu filho único, a quem amas, e vai à terra da visão, e aí o oferecerás em holocausto, sobre um dos montes que Eu te mostrar. Abraão pois, levantando-se de noite, pôs a sela ao seu jumento, levando consigo dois jovens servos, e Isaac seu filho; e tendo cortado a lenha para o holocausto, partiu para o lugar que Deus lhe tinha dito. E ao terceiro dia, levantando os olhos, viu o lugar de longe; e disse aos seus servos: Esperai aqui com o jumento; eu e o menino vamos até acolá, e depois de adorarmos, voltaremos para vós. Tomou também a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaac, seu filho; ele porém levava nas mãos o fogo e o cutelo. E enquanto ambos caminhavam juntos, disse Isaac a seu pai: Meu pai. E ele respondeu: Que queres, filho? Eis – disse Isaac –  o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holocausto? E Abraão respondeu: Meu filho, Deus providenciará a vítima para o Seu holocausto. Caminhavam, pois, ambos juntos. E chegaram, finalmente, ao lugar que Deus havia designado, no qual Abraão levantou um Altar, e sobre ele preparou a lenha; e tendo ligado Isaac, seu filho, pô-lo no Altar sobre o feixe de lenha. E estendeu a mão, e pegou no cutelo para imolar o seu filho. E eis que o Anjo do Senhor gritou do Céu, dizendo: Abraão, Abraão. E ele respondeu: Aqui estou. E o Anjo disse-lhe: Não estendas a tua mão sobre o menino, e não lhe faças mal algum; agora sei que temes a Deus, E NÃO PERDOASTE O TEU FILHO ÚNICO POR AMOR DE MIM. Abraão levantou os olhos e viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres, entre os espinhos, e pegando nele o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E chamou àquele lugar – o Senhor providencia. Donde, até ao dia de hoje se diz: O Senhor providenciará sobre o monte. Gn 22, 1-14

Abraão é denominado pela Sagrada Tradição Católica – o pai dos crentes; exactamente porque esperou contra a própria esperança. Efectivamente, Deus havia-lhe prometido que seria pai de inúmeros povos, e teria reis por descendentes, mas tudo isto, fundamentalmente, através da linhagem de Isaac, cujo sacrifício agora Deus solicitava.
Neste pobre mundo, e na Ordem Natural, quando alguém diz que tem esperança, quer significar que embora as circunstâncias da sua vida, consideradas na sua realidade mais concreta, apontem num sentido mais pessimista, a filosofia de vida desse alguém, genèricamente, orienta, ou parece orientar, essas mesmas realidades segundo uma perspectiva mais positiva.
Cumpre assinalar, que mesmo no plano natural, só se pode falar de esperança, como esperança de Bem, de Ser; assim como na operação do mal, não existe, nem pode existir, virtude, assim também não pode haver esperança.  Consequentemente, mesmo no plano natural, uma esperança sã, filia-se em considerações tendencialmente meta-positivas, ainda que plenamente objectivas.
Na Ordem Sobrenatural, a Esperança constitui uma virtude teologal, situando-se integralmente no âmbito da Revelação. Nós só podemos esperar, Sobrenaturalmente, na exacta medida em que possuímos a Fé Teologal; podemos ter a Fé, neste caso informe, sem possuir a Esperança, todavia o contrário é impossível. A Esperança Teologal define-se como a virtude Sobrenatural pela qual nós, sustentados na Divina Revelação, e auxiliados pela Graça de Deus, esperamos ser admitidos por Nosso Senhor na Pátria Celestial, esperando ainda receber neste mundo todos os socorros Sobrenaturais necessários à consecução desse objectivo transcendente.
Muito frequentemente, ouve-se dizer que os Mandamentos da Lei de Deus impõem uma carga tremenda, extremamente penosa, quase impossível de cumprir. Mas verdadeiramente, os santos Mandamentos são-nos facultados PARA NOSSA FELICIDADE, MESMO JÁ NESTE MUNDO, POIS NÃO EXISTE, NEM PODE EXISTIR, QUALQUER OUTRO PRINCÍPIO DE VERDADEIRA FELICIDADE SOBRENATURAL, QUE NÃO SEJA DEUS NOSSO SENHOR. Os santos, mesmo nas maiores provações, respiravam sobrenaturalmente uma felicidade, uma paz, que não é deste mundo, e que este pobre mundo não pode, em absoluto,  compreender, nem ofertar . A Glória extrínseca de Deus, proclamada formalmente pela criatura espiritual, é transcendentalmente indissociável da felicidade Sobrenatural dessa mesma criatura, mesmo já neste vale de lágrimas.
Monsenhor Lefebvre, a nosso ver, tornou-se sedevacantista, ainda que a título particular, precisamente quando em 1987, em conferência com Ratzinger e outros, teve a percepção claríssima, simplicíssima, Sobrenatural, que aqueles homens com quem estava falando, ESTAVAM INFINITAMENTE LONGE DE DEUS, MESMO NUM PLANO MERAMENTE NATURAL. Aliás, o próprio Monsenhor Lefebvre afirmou pùblicamente: «Estes homens não possuem qualquer noção de verdade.»
A Esperança de Abraão era estritamente Sobrenatural; efectivamente, Deus havia-lhe prometido fecundíssima descendência na pessoa de seu filho Isaac; e ao mesmo tempo ordenava o seu sacrifício. Contradição? Não. A Fé Sobrenatural de Abraão superava essencialmente aquilo que HUMANAMENTE surgia como contradição.
Existe aqui uma grande lição para nós, os que foram chamados a confessar Nosso Senhor Jesus Cristo em plena idade pós-cristã.
Humanamente, tudo está perdido: A Santa Madre Igreja desapareceu totalmente como realidade social e cultural; e mesmo nas catacumbas da Fé, as divisões são tantas, A FALTA DE SANTIDADE É TANTA, que o futuro se apresenta muito sombrio.
Em 1970, o Dr. Arnaldo Xavier de Oliveira, considerava que era contraditório com as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo, considerar que se chegasse a uma época em que toda a Igreja houvesse pùblicamente apostado. Todavia ESSA É A “igreja” DE BERGOGLIO. NÃO FOI, CONTUDO, A SANTA MADRE IGREJA QUE APOSTATOU, FOI A MAÇONARIA INTERNACIONAL QUE LOGROU CONQUISTAR E OCUPAR INTEIRAMENTE A SUA FACE HUMANA.
É A NOSSA FÉ, A NOSSA ESPERANÇA, E A NOSSA CARIDADE, QUE COMO VIRTUDES TEOLOGAIS, SOBRENATURAIS, TÊM QUE SUPERAR ESTA APARENTE CONTRADIÇÃO.
OS ACONTECIMENTOS ACTUAIS TÊM QUE SER CONTEMPLADOS À LUZ SOBRENATURAL DA FÉ, E NÃO A FÉ À LUZ DESSES MESMOS ACONTECIMENTOS.
O DIABO APOSTA TUDO, MESMO TUDO, PARA QUE SOBRETUDO AS PESSOAS MAIS CULTAS, SOÇOBREM ESPIRITUAL E MORALMENTE, NO LODO DESSA APARENTE CONTRADIÇÃO.
Já em 1978, aquando da morte de Montini, o Padre Oliveiros de Jesus Reis (1921-1990), sacerdote do Patriarcado de Lisboa, dizia ao autor destas linhas: «Humanamente está tudo perdido, SÓ DEUS PODE SALVAR A SUA IGREJA». Esta expressão, utilizada pelo saudoso sacerdote, indica a necessidade de um milagre moral para a restauração, MESMO PARCIAL, da Santa Igreja. O que é a mais pura das verdades. TODAVIA, MESMO OS MILAGRES NECESSITAM DA COOPERAÇÃO DOS HOMENS, PARA QUE FAÇAM O QUE ELES, HOMENS, PODEM FAZER.
Quando Nosso Senhor ressuscitou Lázaro, solicitou aos circunstantes que abrissem o sepulcro, e ulteriormente solicitou igualmente que soltassem Lázaro do sudário e das faixas com que havia sido sepultado (Jo 11, 38-34).
Sabemos que Deus Nosso Senhor não governa o mundo através de milagres. Estes eram, sem dúvida, mais frequentes na época Apostólica, o que não surpreende, visto ser necessário lançar e estabilizar os fundamentos da Santa Madre Igreja.
Deus Nosso Senhor poderia ter criado um mundo muito melhor do que este, um mundo em que todos os homens e todos os Anjos fossem bons, e manifestassem a Glória extrínseca de Deus, conhecendo-O, amando-O e servindo-O. Mas então já não seria o nosso mundo – mas outro mundo. Quando se afirma que Deus quer salvar a todos os homens, na Sua Infinitamente perfeita Vontade ANTECEDENTE, embora, CONSEQUENTEMENTE, sòmente alguns se salvem, alude-se precisamente à decisão Divina, Eterna e Imutável, de criar o mundo, a qual, TRANSCENDENTALMENTE, possui uma formalidade, Eterna, mas digamos, genérica, da manifestação da Glória extrínseca de Deus, pois que a Criação, necessàriamente, é isso mesmo; e uma formalidade, também Eterna, mas especificante de um determinado tipo de mundo; a Lei Eterna, ENQUANTO PRINCÍPIO INCRIADO, ORDENADOR, DE TODA  A NATUREZA CRIADA OU POSSÍVEL, é constitutiva da formalidade transcendental, antecedente, da manifestação genérica da Glória extrínseca de Deus; MAS SÓ A PROVIDÊNCIA, COM AS SUAS LEIS, É CONSTITUTIVA DO MUNDO EFECTIVAMENTE CRIADO. Mas o fundamento último da Lei Eterna, é a própria essência Metafísica de Deus, ou seja – a Asseidade.
Neste nosso mundo, tal como Deus o criou, existe muito mais mal do que Bem; aliás, o próprio mundo, em sentido moral, constitui o maior inimigo da alma, o maior inimigo da salvação Eterna.
O facto de haver no mundo muito mais mal do que bem, não despoja, de modo algum, Deus Uno e Trino da Sua Glória. Porque o que é formalmente constitutivo da Bondade Global da Criação,  está Eternamente presente na Inteligência Divina, com infinita resolução e penetração; só Deus Nosso Senhor pode realmente conhecer como Ele próprio retira o Bem do mal, e da maldade de uns faz resplandecer a virtude de outros. Além disso, os maus anunciarão eternamente a Glória de Deus, na Justiça do castigo que sofrem, na exacta medida em que tendo perdido, definitivamente, escatològicamente, a dignidade operativa, não perderam, contudo, a dignidade ontológica, sendo, aliás, esta última que exige o seu Eterno castigo.
Num mundo só de santos, a Glória de Deus resplandeceria totalmente em sentido absoluto, na Verdade, na Bondade, na Santidade; mas não no sentido do contraste relativo e dinâmico com o mal, que não é ser, mas privação qualificada de ser.
O que acaba de ser afirmado, ilustra singularmente a nossa Esperança, Teologal, Sobrenatural, porque elucida o mundo em que ela, Esperança, deverá encarnar, haurindo as suas razões, não das vicissitudes quotidianas das loucuras dos homens; nem mesmo de princípios filosóficos perfeitamente compatíveis com a Fé Católica; MAS SÓMENTE DE PRINCÍPIOS ESTRITAMENTE SOBRENATURAIS, DA CIÊNCIA SUBLIME DAS COISAS DE DEUS, QUE ILUMINA A NOSSA CRUZ TERRENA COM OS BENS INFINITOS DA GRAÇA, A QUAL NOS FOI MERECIDA POR AQUELE QUE É – O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA; E O ARDENTE LUME DO NOSSO PRINCÍPIO E DO NOSSO FIM.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 13 de Fevereiro de 2015

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