Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A PRUDÊNCIA SOBRENATURAL E A PRUDÊNCIA DA CARNE

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Martírio de São Lourenço

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua alocução aos juristas do VI Congresso Internacional de Direito Penal, 3 de Outubro de 1953:

«A realização da Ordem Jurídica obtém-se de maneira essencialmente diversa da realização da Ordem Física. Esta realiza-se automàticamente, pela própria natureza das coisas, aquela, ao contrário, só se consegue pela decisão pessoal do homem, quando precisamente ele conforma o seu proceder pela Ordem Jurídica. “O homem decide de cada um dos seus actos pessoais”: esta frase é convicção humana impossível de desenraizar. A generalidade dos homens nunca admitirá que o que se chama autonomia da vontade constitua apenas um tecido de forças internas e externas.
Fala-se fàcilmente de medidas de segurança, destinadas a substituir a pena, ou a acompanhá-la, fala-se da hereditariedade, das disposições naturais, da educação, da influência que passa dos dinamismos à actividade nas profundezas do inconsciente, ou do subsconsciente. Ainda que estas considerações possam dar resultados interessantes, não se complique este facto bem simples: O homem é um ser pessoal, dotado de inteligência e de vontade livre, um ser que afinal decide por si mesmo do que faz e não sabe. Ser dotado de autodeterminação, não quer dizer escapar a toda a influência interna e externa, a todo o atractivo e a toda a sedução; nem quer dizer não combater para se conservar no caminho recto, não dever travar cada dia luta difícil contra impulsos instintivos, talvez doentios; mas significa que apesar de todos os obstáculos, o homem normal pode e deve afirmar-se, significa em seguida que o homem normal deve servir de regra na sociedade e no Direito».

E em alocução a delegados do Congresso Internacional da Federação Mundial das Juventudes Femininas Católicas, 18 de Abril
de 1952, afirmou Pio XII:

« O Tratado da Prudência na Suma de São Tomás, demonstra um tal sentido da actividade pessoal e da actualidade, que contém quanto há de justo e de positivo na chamada “ética de situação”, evitando ao mesmo tempo as suas confusões e desvios. O moralista moderno, que deve aprofundar os novos problemas, não tem mais do que prosseguir nessa mesma linha (de São Tomás).»

Todo o real, na multiplicidade e riqueza das suas manifestações e na fecundidade analógica da sua causalidade, todo o real constitui um permanente e veemente apelo à compreensão humana, que por ele é ONTOLÒGICAMENTE medida. Compreender é relacionar, é estabelecer a unidade inteligível entre elementos aparentemente dispersos. A realidade não pode conter elementos verdadeiramente equívocos, isto é, não relacionáveis, pois tal constitui uma radical contradição – e portanto um nada. Tudo o que existe ou é Deus, ou criado por Deus. Todo o Universo criado é METAFÌSICAMENTE medido por Deus Uno e Trino. A suprema compreensão do Ser reside na Asseidade Divina, ou seja, na essência Metafísica de Deus, segundo o Tomismo. A Asseidade significa que Deus possui em Si mesmo a razão da Sua existência, ou melhor, do Seu Ser. Nenhuma inteligência criada (Anjo e Homem), nem mesmo no estado de glória, poderá jamais compreender perfeitamente a Asseidade; pois que o finito não pode compreender exaustivamente o Infinito. Todavia, iluminado pela Graça Sobrenatural e pelos Dons do Espírito Santo, sobretudo pela Sapiência, pode o homem, mesmo neste pobre mundo, possuir aquela IMENSA LUZ, QUE É UMA LUZ DE ETERNIDADE, e aí apurar como na Asseidade Infinita tudo, absolutamente tudo, se explica, tudo conquista aquela unidade inteligível a que o espírito aspira, embora não consiga ele próprio, em virtude da sua contingência, atingir a raiz derradeira dessa inteligibilidade.
Tantas e tão grandes maravilhas! Que passam completamente desapercebidas à esmagadora maioria dos homens; que são totalmente ignoradas, e até desprezadas e ridicularizadas pela falsa Igreja conciliar, pelo mil vezes maldito poder anti-Cristo, que usurpou a Santa Madre Igreja.
A supra-referida unidade inteligível, conforto para o espírito e pacificação da inteligência, deve traduzir-se, para o bom cristão católico, numa UNIDADE DE OPERAÇÃO. A virtude natural e Sobrenatural da Prudência constitui, ou deve constituir, o princípio activo dessa unidade.
A Prudência é uma virtude intelectual, prática, em MEIO MORAL. Virtude cognoscitiva do entendimento, a Prudência encarna a Verdade Moral na acção singular concreta. Efectivamente, existe uma relação e uma harmonia, muito, muito profunda, entre as Virtudes Teologais e as Virtudes Morais; a Verdade Moral constitui a face operativa da Verdade especulativa. A Verdade especulativa é aquela que é CONTEMPLADA COMO UM FIM OBJECTIVO EM SI MESMO, OU PELO MENOS, COMO UM MEIO ESTRITAMENTE OBJECTIVO. Neste quadro conceptual, as Virtudes Teologais e os Dons da Sapiência e do Entendimento, devem ser considerados, INTRÌNSECAMENTE, como de natureza especulativa, PRIMÁRIA E ABSOLUTA; mas possuindo, EXTRÌNSECAMENTE, um vínculo absoluto, Teológico e Metafísico, às Virtudes Morais, das quais não podem ser separados, mas apenas distinguidos; anàlogamente, as Virtudes Morais, em si mesmas PRÁTICAS, possuem um vínculo absoluto às Virtudes Teologais e aos Dons, dos quais não podem, igualmente, ser separadas.
A Prudência faculta-nos a chave dos meios, bem como dos fins intermédios; pois que as Virtudes Teologais e os Dons da Sapiência e do Entendimento nos ministram o Fim Supremo, que é Deus Uno e Trino, como único Princípio e único Fim de todo o nosso ser, de toda a nossa especulação, de toda a nossa operação. A Prudência salvaguardando-se a si mesma enquanto Prudência, nobilita analògicamente todas as outras virtudes; pois que o acto Prudente é precisamente aquele que diligencia  alcançar o agível concreto individual, que na infinidade de opções possíveis, mais participa da Lei Eterna, mais reflecte os Sagrados exemplos da vida mortal de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Prudência também pode constituir uma virtude natural, exercitada por alguém possuidor da Graça Santificante e da Caridade, e portanto também das Virtudes Morais Sobrenaturais; neste caso a Ordem Sobrenatural aperfeiçoa extrìnsecamente a virtude natural.
A inteligência, e a memória, constituem as partes cognoscitivas quase-integrais da Prudência; a Providência, a qual adapta os meios ao fim; a circunspecção que procura esquadrinhar todas as circunstâncias; e a precaução, que tenta evitar incidentes menos previsíveis; constituem as partes imperativas quase-integrais da Prudência.
Cumpre assinalar que é no imperativo da vontade que reside a razão formal da Prudência como virtude intelectual EM MEIO MORAL. Efectivamente, QUEM DILIGENCIA NAQUILO QUE MORALMENTE É DEVIDO NUNCA PECA, E PELO CONTRÁRIO PROCEDE VIRTUOSAMENTE. Neste enquadramento, se os fins forem MORALMENTE rectos, mas se falham as qualidades PURAMENTE INTELECTUAIS DE AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO, sem que de tal nos possa ser imputada responsabilidade moral, o acto humano daí resultante falhará no plano  puramente INTELECTUAL, mas não no plano do agível moral. Não constituirá um acto prudente, mas APENAS NO PLANO MATERIAL.
Todavia, é necessário acrescentar que muitas das nossas falhas puramente intelectuais são moralmente imputáveis como pecado; pois que a infracção aos princípios da Sagrada Lei de Deus POSSUI REPERCUSSÕES MUITO GRAVES NA ESFERA PURAMENTE INTELECTUAL.
Alguém duvida disso? Pois então contemple o pavoroso espectáculo dos heresiarcas da falsa Igreja conciliar, que não dizem “coisa com coisa,” mesmo no plano mais estritamente intelectual.
O Dom Sobrenatural do Conselho aperfeiçoa essencialmente a Virtude da Prudência, pois que nele Deus Nosso Senhor coloca Divinas disposições em nós, na nossa inteligência e na nossa vontade, MAS SEM NÓS, que apenas as devemos acolher.
A imprudência, em sentido positivo e moralmente culpável, surge em nós pela inconsideração ou irreflexão na inteligência; ou pela precipitação na vontade; pela inconstância nos bons propósitos, pelo não acolhimento do Dom Sobrenatural do Conselho, e ainda pela negligência, que constitui uma falta de solicitude no cumprimento dos deveres. Assim como a Virtude da Prudência dirige, coordena, e de algum modo sublima todas as virtudes, procedendo a uma sinergia moral entre todas elas; assim a imprudência positiva e culpável, deteriora, dispersa e degrada a energia moral dos nossos actos.
Uma parte potencial importantíssima da Virtude da Prudência é precisamente a gnome, ou seja a capacidade de intuir soluções morais para situações extraordinárias, em que é necessário marginalizar a letra da lei para permanecer fiel ao seu espírito. E ESTE CONSTITUI CARACTERIZADAMENTE O ASPECTO DA PRUDÊNCIA MAIS NECESSÁRIO, A NÓS CATÓLICOS VIVENDO NUMA IDADE PÓS-CRISTÃ, E EM QUE TODA A PROBLEMÁTICA TEOLÓGICA, CANÓNICA E MORAL, EXIGE SOLUÇÕES, QUE EM TEMPOS NORMAIS, SERIAM ERRADAS, SENÃO HERÉTICAS.
A Prudência da carne é a forma mais perversa de subverter a mestra das virtudes, na exacta medida em que o fim último orientador e ordenador da consecução dos fins intermédios, ESTÁ ESSENCIALMENTE SUBVERTIDO, pois se coloca como fundamento e fim moral da nossa vida, NÃO A DEUS, MAS A CRIATURA. E já o Profeta Jeremias bradava:” Maldito seja aquele que põe a sua confiança num ser de carne; bendito seja o que põe a sua confiança no Senhor.” Pois que então, toda a operação permanecerá inteiramente viciada, e pior ainda: TODA A ENERGIA MORAL QUE SE DEVERIA CONSAGRAR A DEUS NOSSO SENHOR E À SUA LEI,E QUE OBJECTIVAMENTE DEVERIA SER, EM TERMOS HUMANOS, ABSOLUTA, É ENTÃO ENDEREÇADA À CRIATURA. É exactamente o que acontece com o poder anti-Cristo da falsa Igreja conciliar: O seu “deus” é o ventre, pois os  horrores do Inferno povoam todo o contexto em que essa falsa Igreja se move. Aliás é fácil reconhecer nas feições dos heresiarcas as características dos condenados.
Poderá parecer excessivamente dura uma asserção deste género, mas é necessário proclamá-la, exactamente pela situação limite em que nos encontramos.
Vivemos uma época, em que a Prudência, Mestra e Maestra concertadora de todas as virtudes, é mais do que nunca posta à prova, e com ela, a já referida gnome. No processo de beatificação de São Pio X, o Promotor da Fé solicitou que se investigasse em profundidade, se o Papa havia exercitado plenamente a virtude da Prudência quando debelou o modernismo.
As chefias da Fraternidade que FOI DE SÃO PIO X parecem hodiernamente empenhadas sobretudo NA PRUDÊNCIA DA CARNE, ACAUTELANDO OS INTERESSES DA CARNE, QUE SÃO OS INTERESSES DESTE POBRE MUNDO. E é terrível que assim procedam, pois se houve alguma época em que constituiu imperativo de salvação eterna padecer por Nosso Senhor Jesus Cristo – não a morte cruenta, mas a morte incruenta para este mundo – ESSA ÉPOCA É A NOSSA. E é por vezes mais áspero, embora produza uma felicidade que não é deste mundo, morrer um pouco todos os dias para esse mesmo mundo, por amor Sobrenatural a Nosso Senhor, do que
ser ràpidamente eliminado, sem contemplar, à Luz da Eternidade, o próprio sofrimento moral do abandono, em união profunda com a agonia Redentora e Soberana do Verbo feito Homem.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 5 de Agosto de 2014

Uma resposta para “A PRUDÊNCIA SOBRENATURAL E A PRUDÊNCIA DA CARNE

  1. Zoltan Batiz agosto 11, 2014 às 4:34 pm

    «Since I entered politics»… começa a confissão de Wilson. Naquela altura ainda se podia falar, pelo menos se podia dizer isto. Agora imaginemos o Barack Hussein Osama falando assim…
    O Pe. Fahey falou sobre “lectures”… Naquela altura ainda se ouvia «lecionar» assim. Imaginem isto hoje-em-dia…
    Ainda bem que nós não temos importância alguma e ninguém liga ao que escrevemos…

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